MENOPAUSA: MÉDICA LANÇA MANUAL PARA DESMISTIFICAR FASES DA MULHER

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A menopausa ainda é cercada por dúvidas, mitos e falta de informação. Para ampliar o acesso ao conhecimento sobre essa etapa da vida feminina, a ginecologista e obstetra Iaponira Vidal, especialista em climatério e menopausa, lançou o “Manual da Menopausa: Menopausa sem dor: vivendo o melhor dessa fase”, com orientações sobre sintomas, cuidados e possibilidades de tratamento.

A médica explica que a iniciativa nasceu da percepção, ao longo dos anos de atendimento, da necessidade de uma comunicação mais acessível sobre o tema. Desde 2015, quando retomou o ambulatório de climatério na Maternidade Escola, Iaponira acompanha mulheres em diferentes fases da transição menopausal e percebeu que muitas chegam ao consultório sem compreender as mudanças que estão acontecendo no próprio corpo.

“Já faz um tempo que eu trabalho no climatério, desde 2015, quando eu reabri o ambulatório lá na Maternidade Escola, e percebi o quanto as pessoas precisam entender melhor sobre essa fase”, explicou a especialista.

Segundo ela, o manual busca levar informação em uma linguagem simples e acessível, seguindo uma tendência observada em outros países, que utilizam redes sociais e diferentes plataformas para ampliar o acesso da população ao conhecimento sobre saúde.

Climatério não é sinônimo apenas de ondas de calor
Um dos principais desafios, segundo a médica, é desconstruir a ideia de que a menopausa está relacionada apenas às ondas de calor ou ao envelhecimento. O climatério corresponde a todo o período de transição, geralmente iniciado por volta dos 40 anos e que pode se estender até os 65 anos. Já a menopausa é definida como a última menstruação, após 12 meses sem novos ciclos.

“A partir dos 35 ou 40 anos, a gente já começa a perceber algumas alterações. E, ao contrário do que muitos pensam, as principais alterações não são relacionadas às ondas de calor. As principais alterações, as mais prevalentes, são as alterações do ciclo menstrual”, esclareceu Iaponira Vidal.

A especialista destaca que a transição menopausal pode envolver uma série de manifestações, incluindo alterações no sono, memória, energia, desejo sexual e humor. Segundo ela, existem mais de 200 sintomas que podem aparecer nessa fase.

Para Iaponira, muitas mulheres passam anos convivendo com sintomas sem procurar ajuda por acreditarem que as mudanças fazem parte apenas do envelhecimento.

“A principal medida para mudar essa perspectiva é justamente fornecer a informação, provocar discussões em grupos, pelas mídias, pelo jornal, pela TV. A mulher precisa ter mais esclarecimentos sobre as alterações que podem acontecer”, afirmou a médica.

Ela explica que o atendimento durante o climatério precisa considerar não apenas exames laboratoriais, mas também as queixas apresentadas pela paciente e o impacto dos sintomas na rotina.

Além disso, a médica alerta que alguns cuidados iniciados ainda durante a transição menopausal podem contribuir para uma melhor qualidade de vida no futuro, incluindo atenção aos níveis de colesterol, glicemia e outros fatores de risco.

Quando os sintomas interferem na rotina, existem diferentes possibilidades terapêuticas. A especialista destaca que o tratamento deve considerar as características de cada mulher, incluindo histórico de saúde, preferências e avaliação médica.

“Existem muitos tratamentos, como a terapia cognitivo-comportamental e outras abordagens na psicologia, alguns tratamentos psiquiátricos, medidas alimentares, exercícios físicos e a própria terapia hormonal, que é o padrão ouro”, explicou Iaponira Vidal.

Ela ressalta, porém, que nem todas as mulheres podem ou desejam utilizar terapia hormonal. Por isso, a decisão deve ser construída junto ao médico, após uma avaliação completa.

“A mamografia é um dos principais exames que não pode deixar de ser feito. Mas a história clínica, a história da família da pessoa é muito importante ser bem exposta, ser bem comunicada para o profissional que vai assisti-la”, esclareceu a especialista.

Menopausa também envolve autoestima e saúde emocional

Além dos sintomas físicos, a menopausa pode trazer impactos emocionais. Segundo Iaponira, ansiedade, alterações de humor e quadros depressivos podem surgir, especialmente em mulheres que já possuem histórico dessas condições.

Para ela, o acolhimento da família e dos parceiros também tem papel importante. A comunicação é apontada como uma ferramenta essencial para que a mulher não enfrente essa fase sozinha.

“Conversando, procurando entender o que está a acontecer. A comunicação efetiva é a comunicação afetiva, aquela em que a gente olha para o outro e é capaz de escutar a dor dele, a dúvida dele, a necessidade dele e acolher da melhor forma possível”, afirmou a médica.
A especialista destaca que a mulher pode se preparar para essa fase adotando hábitos de vida mais saudáveis e buscando autoconhecimento.

“A preparação de uma vida com mais comunicação, com mais qualidade, procurando se alimentar melhor, procurando fazer exercício, entender melhor sobre si, sobre o que quer e o que é, eu acho que essa é a principal preparação”, comentou Iaponira Vidal.

O “Manual da Menopausa: Menopausa sem dor: vivendo o melhor dessa fase” ficará disponível gratuitamente no Instagram da ginecologista, no perfil @iaponiravidal_ginecologista.


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TRABALHADORES CELEBRAM FIM DA 6×1: “É DESUMANO NÃO TER TEMPO PARA SI”

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erspectiva do fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua durante seis dias para ter apenas um de descanso, tem sido recebida com entusiasmo por profissionais de diferentes setores. Para quem convive com a rotina de trabalho exaustiva, a mudança representa mais do que uma alteração na legislação trabalhista: significa a possibilidade de recuperar o tempo dedicado à família, ao lazer, à saúde e à própria vida.

A discussão ganhou força com o avanço da proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, mobilizando trabalhadores que enxergam na medida uma conquista histórica. Entre os principais relatos estão o desgaste físico e psicológico, as dificuldades de conciliar compromissos pessoais e a sensação de que a vida se resume ao trabalho.

Funcionário de uma rede de supermercados atacadistas há dois anos e quatro meses, Rian Edson conhece de perto os impactos da escala 6×1. Para ele, a mudança representa uma vitória de quem enfrenta diariamente jornadas desgastantes.

“Eu, como trabalhador, estou muito feliz de ver que a 6×1 caiu. Já estou nesse regime há dois anos e quatro meses e não entendia mais como o pessoal que veio antes de mim suportava continuar nessa escala. É desumano, você não tem tempo nem para si próprio”, relata.

Rian também critica os questionamentos sobre o que os trabalhadores fariam com um dia adicional de descanso. “A gente descansa, a gente arruma outro trabalho. Isso vai da escolha da pessoa”, afirma. Apesar da comemoração, ele demonstra preocupação com possíveis retrocessos políticos e defende a continuidade da mobilização popular.

“É uma vitória da classe trabalhadora. Espero que o nosso povo continue lutando pelos direitos dele, porque é a gente que está fazendo esse país”, acrescenta.

Entre o trabalho e o transporte, o descanso desaparece
Atualmente desempregado, Júlio Cesar Ribeiro já trabalhou como auxiliar de professor e vendedor, acumulando experiências nas escalas 6×1 e 5×2. Segundo ele, a diferença entre os dois modelos é perceptível na qualidade de vida. “Não é só o período que você passa trabalhando. Você ainda tem o período no transporte público, que interfere muito na sua vida. Com a 6×1, a gente não consegue descansar”, explica.

Para Júlio, a jornada 5×2 proporciona uma recuperação física e mental significativamente maior.

Ele também participou de manifestações pelo fim da 6×1, motivado pela situação de trabalhadores que sequer conseguem comparecer aos protestos. “A gente luta pelos nossos direitos, mas também pelos outros, inclusive por pessoas que não conseguiram ir porque estavam trabalhando na 6×1. O único dia de folga delas precisava ser usado para resolver tudo o que não conseguiram durante a semana”, afirma.

A ausência de convivência familiar também aparece no relato de Romão Ceuta, atualmente estagiário e ex-entregador de compras online. “Eu já passei duas semanas sem ver meu pai, mesmo morando debaixo do mesmo teto. Isso é bizarro e desumano”, conta.

Segundo Romão, a combinação entre expediente e deslocamento pode fazer com que trabalhadores saiam de casa às cinco ou seis da manhã e retornem apenas à noite. “Conheço uma mulher que trabalha na 6×1 e, no dia de folga, dorme o dia todo de exaustão. Ter direito a dois dias de descanso é um pequeno passo na vitória do trabalhador brasileiro”, avalia.

A chefe de cozinha Alessandra Castro compartilha a percepção de que o descanso pode melhorar tanto o bem-estar quanto o desempenho profissional.

“É uma grande conquista para nós, trabalhadores. Cada dia de descanso proporciona maior produtividade, e o trabalhador se sente até mais feliz em desempenhar sua função. É um direito muito merecido”, destaca.

Disputa pelo tempo e desigualdades sociais

Condorelli:“Fim da escala 6×1 representa uma conquista social gigantesca” – Foto: Reprodução

Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e doutor em Ciências Sociais Antonino Condorelli, o fim da escala 6×1 representa uma transformação que ultrapassa as relações trabalhistas.

“O fim da escala 6×1 representa uma conquista histórica, uma conquista social gigantesca do ponto de vista da efetivação de direitos sociais previstos na Constituição Federal de 1988”, afirma.

Segundo o pesquisador, a redução da jornada integra uma disputa histórica entre capital e trabalho pelo controle do tempo. Ele relaciona a discussão ao conceito de “sociedade do cansaço”, desenvolvido pelo filósofo Byung-Chul Han, marcado pela intensificação da exploração e pela dificuldade de separar trabalho e vida pessoal.

Condorelli destaca que a conquista de mais tempo livre também representa uma forma de enfrentamento das desigualdades.

“A desigualdade não é somente socioeconômica, mas diz respeito também a quem tem a condição estrutural de dispor de forma livre e autônoma do tempo e quem não tem”, explica.

O especialista considera que os benefícios podem ser especialmente relevantes para mulheres de baixa renda, mães solo e trabalhadoras periféricas, frequentemente submetidas à dupla jornada de trabalho remunerado e cuidados domésticos.

“Essa é uma grande conquista da classe trabalhadora, mas especialmente das trabalhadoras de baixa renda, periféricas, racializadas e das mães solo”, ressalta.

Sobre os argumentos de que a redução da jornada prejudicaria a economia, Condorelli contesta a associação automática entre menos horas trabalhadas e menor produtividade.

“Trabalhadoras e trabalhadores mais motivados, mais saudáveis, mais descansados, com maior disposição tendem a produzir mais”, afirma, recorrendo a discussões históricas sobre a redução das jornadas industriais.

O professor ressalta, entretanto, que a efetividade da mudança dependerá da atuação do poder público e dos mecanismos de fiscalização.

“Será preciso um investimento maciço em políticas públicas, numa ação efetiva do Ministério do Trabalho, articulada com o Ministério Público do Trabalho, para que esse direito conquistado no papel seja efetivado nas relações de produção reais”, defende.

Para os trabalhadores entrevistados, a expectativa é que o avanço legislativo se traduza em mudanças concretas no cotidiano. Mais do que um dia adicional de folga, a reivindicação é pelo direito de viver para além do expediente.


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DA MISÉRIA À UNIVERSIDADE: JORNALISTA RELEMBRA TRANSFORMAÇÃO DE QUEIMADAS

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A experiência de conhecer de perto uma comunidade marcada pela extrema pobreza mudou a forma como a jornalista Juliana Celli enxerga desigualdade, oportunidades e políticas públicas.

Em vídeo publicado nas redes sociais recentemente, ela relembrou a visita, em 2005, ao distrito rural de Queimadas, em Taipu, no interior potiguar, e a transformação que acompanhou ao longo dos anos.

Na época, Juliana já era jornalista e havia saído de uma realidade que ela própria define como uma “bolha de privilégios”. A comunidade não tinha energia elétrica e, segundo seu relato, era dividida entre dois municípios, permanecendo esquecida pelo poder público.

“Era 2005 e eu já era jornalista. E me deparei com aquela miséria extrema. Sem energia, a comunidade pertencia metade a um município, metade a outro. Esquecida totalmente. Imagina aquelas cenas da África, de extrema pobreza. Assim era Queimadas”, relembrou.

O impacto foi pessoal. “Queimadas mudou a minha vida e a forma como eu penso sobre o mundo.

Eu voltei para casa me sentindo super mal. Não conseguia entender por que algumas pessoas têm tanto e outras nada. Que meritocracia é essa? O que eu fiz para merecer e o que eles fizeram para não merecer?”, questionou.

Anos depois, a jornalista voltou à comunidade diante de uma mudança que, para ela, simbolizava muito mais do que a chegada da eletricidade. Era o acesso a novas possibilidades.

“Recebi a notícia que chegaria ‘Luz para Todos’ em Queimadas. E eu fui lá ver os primeiros bocais chegando. Eu vi de perto aquelas famílias que não tinham acesso à TV, a nada, que viviam da luz da lamparina, recebendo não só energia, mas acesso à informação e dignidade”, observou.

A transformação, segundo Juliana, não eliminou a pobreza, mas alterou profundamente as condições de vida da comunidade.

“Hoje, Queimadas é outra. A pobreza existe, sim, mas aquela miséria não. Hoje, em Queimadas, tem gente na faculdade. Você tem ideia dessa mudança, gente na universidade? Assim como eu”, pontuou.

Políticas que mudam vidas
A experiência levou Juliana a questionar discursos que tratam a desigualdade apenas como resultado de esforço individual. Para ela, quem observa a realidade de longe não consegue dimensionar o impacto de políticas públicas sobre famílias que vivem em situação de vulnerabilidade.

“Então, não vem você, direto de uma sala com ar-condicionado, dizer que a miséria e a fome não acabaram no Brasil. Só quem conhece a realidade de perto, quem sentiu na pele, sabe o que políticas públicas como Fome Zero, Luz para Todos contribuíram para melhorar a vida de quem vivia à margem da sociedade”, afirmou.

Juliana, que já declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defende políticas de inclusão social e de ampliação do acesso a direitos e oportunidades. Nas redes sociais, a jornalista também vem manifestando publicamente seu apoio à candidatura do presidente neste segundo turno.

A jornalista afirma que a experiência também mudou sua percepção sobre privilégio. “Eu nunca achei que sou superior a alguém porque estudei, ou pelo poder aquisitivo que tenho, ou pelo que conquistei. Eu sempre achei que, por eu ter mais oportunidades, eu cheguei muito mais longe que essas pessoas”, avaliou.

A defesa da inclusão, para Juliana, também está ligada aos valores que carrega. “Como cristã, foi o que aprendi com Jesus. Dividir o pão, ajudar órfãos, viúvas, excluídos, os mais pobres”, destacou.

A jornalista também relaciona a defesa das políticas sociais à preservação de direitos. “Como mulher, eu não quero perder direitos. Não quero retroceder. E como jornalista, não quero perder o direito de me posicionar, de criticar, de ter liberdade de expressão”, afirmou.

Ao falar sobre sua atuação pública e profissional, Juliana rejeita a ideia de silenciar diante de posições políticas que considera ameaçadoras. “Eu não tenho medo de perder seguidores por me posicionar. Eu tenho medo de contribuir com o meu silêncio para um retrocesso sem precedentes”, declarou.

Para ela, a lembrança de Queimadas permanece como uma referência concreta de que políticas públicas podem alterar trajetórias individuais e coletivas. A comunidade que encontrou em 2005 continua enfrentando dificuldades, mas, na sua avaliação, deixou para trás a situação de extrema pobreza que um dia marcou sua experiência. “Eu quero isso para todos”, concluiu.


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“ALLYSON É O MAIOR PERSEGUIDOR DE SERVIDORES QUE JÁ EXISTIU EM MOSSORÓ”

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A relação de Allyson Bezerra (União Brasil) com os servidores públicos de Mossoró é um dos principais pontos de crítica da vereadora Marleide Cunha (PT), que acompanha a categoria também como professora e dirigente sindical. Em entrevista ao Diário do RN, ela acusou o prefeito de retirar direitos, impor jornadas exaustivas e transformar o ambiente de trabalho em um espaço de medo e perseguição. A vereadora afirmou ainda temer que esse modelo seja levado para o Governo do Estado.

“Allyson Bezerra é o maior tirano, o maior perseguidor de servidores públicos que já existiu na Prefeitura Municipal de Mossoró. Ele retirou direitos fundamentais dos servidores”, afirmou.

Entre as medidas citadas, Marleide apontou o fim da data-base, a redução da licença para tratamento de saúde e o fim do recesso dos professores readaptados. “Ele retirou, acabou com a data-base no serviço público, com a data de reajuste de servidor. Ele diminuiu licença para tratamento de saúde. Ele acabou com o recesso dos professores readaptados. Ele põe jornadas exaustivas nos servidores públicos”, declarou.

A vereadora também chamou atenção para a situação dos servidores recém-concursados. Segundo ela, alguns profissionais têm salário-base inferior ao salário mínimo por ainda não possuírem adicionais ou progressões de carreira.

“Os servidores hoje têm salário base menor do que o salário mínimo. Em Mossoró existem servidores recebendo menos do que o salário mínimo. Inclusive, já tem ações na Justiça sobre isso”, declarou, citando como exemplos técnicos de Segurança do Trabalho e profissionais de nível médio da saúde.

Medo e adoecimento
Para Marleide, o impacto das medidas ultrapassa questões salariais e administrativas. Ela afirma que o ambiente criado pela gestão tem provocado adoecimento entre os servidores. “Essa realidade, além do profundo adoecimento no serviço público, o medo, a perseguição é uma coisa que não existiu em Mossoró”, disse. Em seguida, reforçou a crítica: “Não existiu em Mossoró outro gestor público ou um prefeito que se compare ao padrão, ao nível de perseguição, de adoecimento, de trabalhar com o medo, de intimidação, de estresse, de adoecimento, como aconteceu na gestão do ex-prefeito de Mossoró”, afirmou.

A relação com o magistério também foi citada. Marleide afirmou que a gestão não cumpriu, segundo sua avaliação, os direitos relacionados à carreira docente e destacou a situação dos supervisores escolares.

“Não cumpriu, por exemplo, o piso salarial dos professores. E não é só não cumprir o piso. Ele, por exemplo, acabou, tirou da carreira da profissão docente, do plano do magistério, os supervisores de escolas. Os supervisores escolares não estão mais no plano do magistério”, declarou.

“O povo acordou”
A vereadora avalia que o tratamento dispensado aos servidores já teria repercutido eleitoralmente em Mossoró. “O povo acordou. E os servidores públicos têm uma contribuição muito forte nessa perda de votos de Allyson. As pessoas reconhecem e sabem o sofrimento que os servidores de Mossoró enfrentam nessa gestão”, afirmou.

Para ela, a consequência alcança toda a população porque o servidor está na linha de frente dos serviços municipais. “Se você não trata bem o servidor público, que é quem está na linha de frente, que atende a população, você acaba desrespeitando a população também. Porque um servidor adoecido, um servidor desvalorizado, um servidor que é o tempo todo forçado a viver um ambiente de trabalho insalubre é um servidor que não tem condição de atender bem a população”, pontuou.

É nesse ponto que Marleide projeta sua principal preocupação com a disputa estadual. “Nós temos uma preocupação muito grande que esse mal, essa crueldade, possa se estender ao Rio Grande do Norte, ao Estado inteiro”, afirmou.

Na avaliação dela, a mudança de escala de poder agravaria o problema que aponta em Mossoró.

“Porque com o poder na mão, ele ainda fortalece mais a tirania que ele exerce, no caso, exerceu aqui em Mossoró e vai querer exercer no Estado”, declarou.

Marleide encerrou reforçando sua disposição de manter a oposição ao candidato. “Eu sou muito convicta da nossa missão de impedir que esse tirano chegue ao cargo de governar esse Estado.

Vamos fazer o que tiver ao nosso alcance para mostrar a verdade e abrir os olhos do povo do Rio Grande do Norte”, concluiu.


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CADU DE LULA GANHA REFORÇO DO PSDB E ALLYSON AVANÇA SOBRE BASES MUNICIPAIS

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A reta final do segundo turno no Rio Grande do Norte vem sendo marcada por uma corrida por adesões entre Cadu de Lula (PT) e Allyson Bezerra (União Brasil). A movimentação ganhou novo peso no domingo (18), quando o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), anunciou apoio a Cadu e levou consigo os demais deputados estaduais da bancada tucana: Cristiane Dantas, Gustavo Soares e Taveira Júnior. Juntos, os quatro parlamentares somaram quase 200 mil votos na eleição.

Em entrevista ao Diário do RN, Cadu classificou a adesão como um reforço importante na reta final e destacou a trajetória política de Ezequiel e sua relação com a gestão da governadora Fátima Bezerra.

“A chegada do presidente Ezequiel ao nosso projeto é um grande momento para a nossa campanha, especialmente neste momento decisivo. Teremos ao nosso lado um grande líder político com trabalho prestado e reconhecido em todo o estado”, afirmou Cadu.

O candidato também destacou a capacidade de articulação do grupo tucano em diferentes regiões. “Ele é um parceiro de muito tempo do governo da professora Fátima, ajudou a construir dias melhores para o nosso Rio Grande do Norte, e nos ajudará a manter o RN na rota do desenvolvimento”, declarou.

A adesão ocorreu uma semana antes do segundo turno e amplia o arco político reunido em torno de Cadu. O grupo de Ezequiel pretende mobilizar prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de municípios do Seridó, Vale do Açu, Agreste e Grande Natal.

Cadu também associou a nova aliança à disputa sobre os rumos do Estado. “Ezequiel fortalece a nossa missão de não deixar que o Estado seja entregue a um personagem que tenta enganar o povo potiguar. Nós não vamos deixar o RN retroceder. Vamos trabalhar juntos para todos, especialmente os que mais precisam”, afirmou.

Ezequiel, por sua vez, ao oficializar a adesão, resumiu a posição do grupo: “Estamos juntos nessa disputa pelo melhor para o Rio Grande do Norte”, declarou.

O apoio de Ezequiel a Cadu já era esperado e vinha sendo desenhado nas semanas seguintes ao primeiro turno. O presidente da Assembleia passou o período em uma série de reuniões com aliados e integrantes de sua base política, avaliando o cenário e discutindo os rumos do grupo antes de formalizar a adesão.

Allyson amplia apoios municipais
Do outro lado, Allyson vem ampliando alianças com prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e grupos políticos em diferentes regiões do Estado. No Seridó, recebeu o apoio do prefeito de Florânia, Galo (PSDB), que havia apoiado Álvaro Dias no primeiro turno, além de lideranças de Currais Novos, Carnaúba dos Dantas, Timbaúba dos Batistas e Equador.

No Vale do Açu, aderiu o grupo político de Pendências, liderado pela prefeita Dra. Lays Helena e pelo vice-prefeito Gilberto Fonseca, com participação do ex-prefeito Flaudivan Martins, vereador e integrantes da administração municipal.

Na região do Agreste, Allyson também ampliou sua base em Vera Cruz, com o presidente municipal do União Brasil, Deinho Lopes, e o vereador Cleonaldo Júnior, e em Serra de São Bento, onde recebeu o apoio do grupo de oposição liderado por Sérgio e pelos vereadores Dedé e Joelson.

Em Frutuoso Gomes, a vice-prefeita Zilna e o ex-prefeito Lucídio, que estavam com Cadu no primeiro turno, também migraram para a candidatura de Allyson.

Na região Potengi, o movimento ganhou novas adesões nesta segunda-feira (19), com o apoio do prefeito de São Paulo do Potengi, Pacelli Souto, do vice-prefeito Lucas Macedo e de cinco vereadores: Nego Aleixo, Cida da Saúde, Neilson Azevedo, Rhanderson de Telma e Kekel de Titico.

O grupo também havia apoiado Álvaro Dias no primeiro turno.


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SUPERMERCADOS DO RN AVALIAM FIM DA ESCALA 6×1: “A GENTE NUNCA FOI CONTRA”

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A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso — abre um novo debate entre empresas e trabalhadores sobre os impactos da mudança na rotina dos setores produtivos.

No Rio Grande do Norte, o segmento supermercadista acompanha a transição com atenção. O presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Gilvan Mikelyson, afirma que o setor nunca se posicionou contra a alteração da escala, mas defende que os efeitos da medida sejam avaliados considerando os diferentes perfis de empresas.

“A gente, do setor supermercadista do Rio Grande do Norte e do Brasil, nunca foi contra a mudança da escala 6×1. O que a gente pleiteava, sempre pleiteou, é que fossem enxergados os impactos”, afirmou Gilvan Mikelyson.

Segundo o presidente da entidade, grandes redes possuem maior capacidade de adaptação, enquanto pequenos estabelecimentos podem enfrentar dificuldades para reorganizar equipes e custos.

“Uma empresa maior absorve essas situações numa boa, ela se adapta rápido, inclusive. Se precisar absorver, ela absorve, se precisar repassar, ela repassa. Mas empresas menores, setores que têm uma parte de imparcialidade, precisam entender quais os impactos que vão causar”, explicou.

Para Gilvan, um dos desafios do setor atualmente é justamente a atração e retenção de trabalhadores. Ele avalia que a modernização das relações de trabalho pode contribuir para tornar as vagas mais atrativas, desde que a implementação seja planejada.

“Nós temos uma dificuldade hoje, por exemplo, de ser atrativos a empregos, as pessoas a virem trabalhar no nosso setor. Pelo que eu já sabia, inclusive, dos modelos trabalhistas que nós temos.

Nós temos que modernizar esses modelos”, comentou.

Antes mesmo da aprovação da PEC, algumas empresas do setor já começaram a testar modelos alternativos de jornada. Em agosto, o Favorito Supermercados iniciou a implantação gradual da escala 5×2 em três unidades no Rio Grande do Norte.

O modelo prevê cinco dias de trabalho e dois dias consecutivos de descanso. Segundo a empresa, a mudança busca melhorar as condições de trabalho e contribuir para a permanência dos profissionais.

O diretor comercial da rede, Vinicius Gama, afirmou, à época, que a decisão não está relacionada diretamente ao debate político sobre redução da jornada, mas a uma iniciativa interna voltada aos trabalhadores.

Para Gilvan Mikelyson, experiências como essa ajudam o setor a compreender os impactos antes de uma mudança definitiva.

“Já temos muitos pilotos, inclusive, nós temos um piloto aqui no estado, que já está nos passando. Está dando feedback no que está dando certo e qual é a dificuldade, qual é o impacto que está causando”, esclareceu.

Efeitos positivos da PEC incluem qualidade de vida e produtividade

Assurn avalia que, com planejamento, uma melhor distribuição da jornada pode refletir na produtividade – Foto: Reprodução

Na avaliação do presidente da Assurn, a mudança pode trazer efeitos positivos principalmente para a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. Ele considera, porém, que a reorganização das equipes precisa levar em conta os períodos de maior movimento dos supermercados.

“Os impactos positivos, primeiro, a saúde, qualidade de vida, a saúde do trabalhador”, disse.

Gilvan também avalia que uma melhor distribuição da jornada pode refletir na produtividade, desde que as empresas façam um planejamento adequado.

“Se for feito da forma correta, a gente tem que muito bem estudar dias de movimento, horários de movimento”, afirmou.

Ele destacou que o setor supermercadista funciona em uma dinâmica contínua, com necessidade de trabalhadores em diferentes horários e dias da semana.

“A atividade não pode parar. Alguém vai estar em casa descansando e alguém vai estar trabalhando. Nós temos que ter pessoas para trabalhar. Então, talvez, modernizando esses modelos de relação trabalhista, as coisas melhorem”, explicou.

Gilvan também acredita que a mudança na escala pode ajudar a ampliar o interesse dos trabalhadores pelo setor supermercadista, que já oferece oportunidades de crescimento profissional.

“Com esse aumento da escala, voltamos a ser atrativos, porque já temos muitos benefícios no nosso setor para os trabalhadores”, comentou.

Segundo ele, as empresas supermercadistas oferecem planos de carreira e possibilidade de crescimento para profissionais que permanecem no segmento.

“Hoje, quem se dedica dentro da sua profissão cresce e cresce rápido, porque as lojas estão crescendo, ampliando”, afirmou.

O presidente da Assurn ressaltou ainda que o mercado brasileiro possui características diferentes de outros países, com grande diversidade de empresas e forte concorrência.

“No Brasil, nós temos vários modelos e tamanhos diferentes de empresas. Uma coisa é uma empresa nacional, que tem milhares de empregos e consegue se adaptar facilmente. Outra coisa é uma empresa pequena, familiar, que trabalha ali a família que já tem cinco pessoas e tem cinco funcionários, e vai ter que contratar mais dois”, explicou.

Para o representante do setor, a próxima etapa será acompanhar a aplicação prática da nova regra e buscar equilíbrio entre as necessidades do


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ROGÉRIO MARINHO DÁ SINAIS SOBRE REAIS INTENÇÕES DE FLÁVIO SOBRE ESCALA 6×1

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O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, não registrou presença na sessão do Senado desta quarta-feira (14) que aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 que acaba com a escala 6×1. O texto recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

A ausência de Marinho ocorre depois de meses de posicionamento contrário ao formato aprovado. Desde maio, o senador vinha defendendo uma alternativa à proposta que estabelece a jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso. Em 28 de maio, apresentou a PEC 12/2026, construída como contraproposta ao texto aprovado pela Câmara.

A proposta de Rogério Marinho prevê maior flexibilidade na organização da jornada, permitindo que trabalhadores e empregadores definam o regime por meio de acordos individuais ou coletivos, com remuneração vinculada às horas trabalhadas. O senador apresentou a iniciativa como uma forma de ampliar a liberdade do trabalhador para escolher sua jornada.

Nos bastidores, porém, a posição de Marinho diante da votação desta quarta-feira ganhou outra leitura. A ausência do coordenador da campanha de Flávio é vista como uma saída intermediária: o senador não votou favoravelmente à proposta, mas também não registrou um voto contrário em uma matéria que teve apoio praticamente unânime do Senado. Além disso, o gesto reforça a tese de que o voto favorável ao fim da 6×1 não passa de uma jogada eleitoreira do candidato que também estaria trabalhando junto ao empresariado com a promessa de revogar a PEC caso eleito.
Segundo apuração da jornalista Laurita Arruda, do Blog Território Livre, o senador teria compartilhado com aliados que não conseguiria votar a favor do texto aprovado pelo governo, justamente por já ter apresentado uma proposta que considera mais adequada.

Ao mesmo tempo, o voto contrário poderia produzir um custo político para o grupo de oposição no segundo turno presidencial. A avaliação nos bastidores seria de que assumir uma posição frontalmente contrária ao fim da 6×1 poderia ser explorado eleitoralmente contra Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.

O que muda para os trabalhadores com o fim da 6×1

A PEC 221/2019, aprovada em dois turnos pelo Senado, reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana.

A mudança será implantada de forma gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada passa para 42 horas semanais e, um ano depois, chega às 40 horas.

A regra mantém a possibilidade de negociação coletiva para organização das folgas, desde que sejam preservados os dois dias de descanso semanal. A proposta segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.

A aprovação ocorreu em um momento particularmente sensível da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro, que também não estava fisicamente no plenário, registrou voto favorável à PEC de forma remota. A diferença entre os dois integrantes da campanha é justamente o registro: enquanto o candidato votou a favor, seu coordenador optou por não participar da votação.

O Diário do RN procurou o senador para esclarecer sua ausência e sua posição sobre a matéria, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.


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CADU DE LULA VIRA SOBRE ALLYSON E CHEGA A 50,53% DOS VOTOS VÁLIDOS, CONTRA 49,47%

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u de Lula (PT) virou numericamente a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte e aparece à frente de Allyson Bezerra (União Brasil) na primeira pesquisa DataVero/Diário do RN após o primeiro turno, divulgada nesta sexta-feira (16). O petista, que terminou a votação de 4 de outubro em segundo lugar, agora registra 50,53% dos votos válidos, contra 49,47% de Allyson. A diferença de 1,06 ponto percentual coloca Cadu na dianteira do levantamento, embora a disputa permaneça em empate técnico, considerando a margem de erro de 2,53 pontos percentuais.

No primeiro turno, Allyson conquistou 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu recebeu 36,16%.

A vantagem do candidato foi de 0,78 ponto percentual, equivalente a 15.509 votos. Agora, na primeira sondagem realizada após a definição do segundo turno e o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o petista aparece numericamente à frente.

No cenário estimulado, que considera também os eleitores sem preferência definida, Cadu registra 46,71% das intenções de voto, contra 45,73% de Allyson. Outros 4,32% afirmam não votar em nenhum dos candidatos, enquanto 3,24% não sabem responder. A diferença entre os concorrentes é de apenas 0,98 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,53 pontos percentuais.

A pesquisa foi realizada entre 13 e 15 de outubro, com 1.500 entrevistados em 50 municípios potiguares e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números RN-01514/2026 e BR-02367/2026.

Eleitores de Cadu são mais fiéis que os de Allyson
Um dos dados mais relevantes da pesquisa aparece no cruzamento com o voto declarado no primeiro turno. Cadu apresenta maior retenção de eleitores: 94,78% dos entrevistados que afirmaram ter votado nele em 4 de outubro mantêm a preferência pelo petista. Apenas 3,33% declaram intenção de votar em Allyson.

Entre os eleitores que disseram ter votado no candidato do União Brasil, a retenção é de 78,86%.

Outros 18,43% afirmam que agora preferem Cadu.

A diferença de 15,92 pontos percentuais entre os índices de fidelidade declarada ajuda a contextualizar a mudança observada na pesquisa geral. Enquanto Cadu preserva quase integralmente sua base de eleitores, Allyson registra uma proporção maior de eleitores que manifestam preferência pelo adversário.

O cruzamento também revela que Cadu atrai eleitores que escolheram Álvaro Dias (PL) no primeiro turno, apesar de o candidato representar um campo político identificado com a direita.

Entre os entrevistados que declararam voto em Álvaro, 12,92% afirmam que agora preferem Cadu, enquanto 76,91% escolhem Allyson. Outros 5,85% indicam branco ou nulo e 4,32% permanecem indecisos.

O dado chama atenção diante do alinhamento de Allyson com setores do bolsonarismo no segundo turno. Embora o candidato concentre a maior parcela das preferências entre os eleitores declarados de Álvaro, o levantamento identifica uma parcela desse grupo que manifesta intenção de votar no candidato petista.

Contudo, os percentuais correspondem a cada grupo de eleitores entrevistados, não ao eleitorado total, e representam preferências declaradas, sem comprovar transferência definitiva de votos.

DataVero foi o mais próximo das urnas
A nova pesquisa chega após o desempenho da DataVero/Diário do RN na reta final do primeiro turno. Entre oito levantamentos comparados com o resultado oficial, o instituto apresentou o menor erro médio considerando os três principais candidatos ao Governo.

Divulgada em 2 de outubro, a última pesquisa apontou Allyson com 35,82%, Cadu com 32,46% e Álvaro com 20,54%, no cenário estimulado com apoios políticos. Foi a única, entre as oito analisadas, a colocar Allyson e Cadu nas duas primeiras posições.

Na comparação com as urnas, o erro médio absoluto ficou em 3,7 pontos percentuais, contra 5,7 pontos do segundo levantamento mais próximo.


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DATAVERO: LULA AMPLIA VANTAGEM NO RN E CHEGA A 65,2% DOS VOTOS VÁLIDOS

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 65,26% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da Presidência da República no Rio Grande do Norte, segundo pesquisa do Instituto DataVero realizada em parceria com o Diário do RN e divulgada nesta sexta-feira (16). O senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 34,74%.

O resultado representa uma vantagem de 30,52 pontos percentuais para o petista entre os eleitores que já definiram o voto, considerando o cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos.

A pesquisa é a primeira divulgada pelo DataVero após o primeiro turno das eleições de 2026 e ocorre após Lula confirmar a liderança nas urnas potiguares. No primeiro turno, o presidente venceu no Rio Grande do Norte com 59,70% dos votos válidos, o equivalente a 1.237.963 votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa com 34,77%, correspondente a 720.493 votos no estado.

Com a nova rodada do levantamento, Lula apresenta uma oscilação positiva de 5,56 pontos percentuais no percentual de votos válidos em relação ao resultado obtido nas urnas no primeiro turno. Já Flávio Bolsonaro mantém um percentual próximo ao registrado na votação inicial.

Intenção de voto
No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 62,48% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33,26%. A diferença entre os dois candidatos é de 29,22 pontos percentuais.

Outros 2,80% dos eleitores afirmaram que não votariam em nenhum dos candidatos. Já 1,47% disseram não saber ou preferiram não responder.

Metodologia
A pesquisa DataVero/Diário do RN foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro de 2026, com 1.500 entrevistas distribuídas em 50 municípios de todas as regiões do Rio Grande do Norte.

A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-02367/2026 e RN-01514/2026.


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RN LIDERA CRESCIMENTO DO TURISMOE MIRA MAIOR TEMPORADA DA HISTÓRIA

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Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento do turismo entre os 17 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em agosto. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o índice de volume das atividades turísticas potiguares avançou 7% na comparação com julho, considerando a série com ajuste sazonal.

O desempenho colocou o estado na liderança nacional no período. No Nordeste, além do Rio Grande do Norte, também apresentaram crescimento Ceará (5,3%), Alagoas (3,3%) e Pernambuco (3,1%).

Na comparação com agosto de 2025, o turismo potiguar cresceu 5,3%, resultado que representa o quarto maior avanço do país e o segundo melhor do Nordeste, atrás apenas da Bahia, que registrou alta de 10,4%.

No acumulado de 2026, as atividades turísticas do RN apresentam crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a variação acumulada em 12 meses chega a 1,2%.

Para o diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, os números refletem uma fase positiva do setor, impulsionada por investimentos em promoção do destino e ainda na ampliação da conectividade aérea.

“O Rio Grande do Norte vive hoje um de seus melhores momentos no turismo. No turismo internacional, em 2025 fomos o segundo destino do Brasil que mais cresceu no Brasil e continuamos a crescer acima da média nacional. Em 2026, até agora, o Rio Grande do Norte é o destino que mais cresce, sendo o primeiro do ranking internacional”, afirmou.

Segundo Raoni, o Governo do Estado, por meio da Emprotur, tem concentrado ações de divulgação junto ao mercado turístico profissional, envolvendo agências de viagens e operadoras.

“Temos parceria comercial com as principais operadoras e agências de turismo do Brasil, da América Latina e da Europa, notadamente Portugal, Espanha e Itália. Nós capacitamos mais de 14 mil agentes de viagens em 2025 e devemos repetir esse número em 2026”, explicou.

O presidente da Emprotur destacou ainda a participação do estado em feiras do setor e o aumento dos investimentos em promoção turística.

“Triplicamos os investimentos em promoção em 2025 e 2026. Na nossa principal praça emissora de turistas internacionais, que é a Argentina, estamos saindo de dois voos semanais, dois anos atrás, para 17 voos semanais nesta alta estação”, comentou.

No mercado nacional, Raoni ressaltou a campanha realizada em parceria com a Rede Globo, que ampliou a exposição do destino potiguar em todo o país.

“Fizemos o maior investimento de destino do Rio Grande do Norte em mídia de massas, que foi a nossa parceria com a Rede Globo, atraindo mais de mil minutos nas telinhas de todo o país nos primeiros quatro meses do ano”, disse.

Ele também citou a presença das paisagens potiguares na novela “A Nobreza do Amor”, exibida pela emissora, como uma ação de divulgação do estado.

“Essa é a maior ação de exibição do destino Rio Grande do Norte em mídia de massas e ainda vai repercutir por muito tempo e impulsionar ainda mais o nosso destino”, afirmou.

Emprotur projeta maior temporada turística da história

“As três companhias aéreas nacionais já publicaram crescimento na oferta aérea na casa dos dois dígitos” – Foto: Reprodução

Para os últimos meses do ano e o início de 2027, a expectativa é de crescimento na movimentação turística, segundo a Emprotur. Raoni Fernandes afirma que o estado deve alcançar a maior temporada já registrada.

“O Rio Grande do Norte terá a maior temporada de todos os tempos porque as três companhias aéreas nacionais já publicaram crescimento na oferta aérea na casa dos dois dígitos para o período de dezembro até a Páscoa”, destacou.

No mercado internacional, o presidente da Emprotur reforçou o avanço da conectividade aérea.

“Saímos de dois para 17 voos semanais na América Latina e confirmamos os voos diários de Lisboa. Crescemos em 2026 em nove dos dez países do ranking de emissores, o que significa que além desse boom puxado pela Argentina, crescemos de forma diversificada no mercado internacional”, explicou.

Além dos tradicionais destinos de sol e mar, a Emprotur trabalha na ampliação da oferta turística para outras regiões do estado.

Raoni Fernandes destacou São Miguel do Gostoso e Galinhos como destinos que vêm recebendo atenção no mercado internacional, além de Natal e Pipa.

Para 2027, a expectativa também envolve o fortalecimento do turismo no Oeste potiguar, impulsionado pela modernização do aeroporto de Mossoró.

“Os investimentos feitos no aeroporto de Mossoró de mais de R$ 80 milhões o transformaram em um dos mais modernos aeroportos regionais do Nordeste. Hoje já voltou a ter voos de Recife e acabamos de anunciar três voos semanais de Guarulhos a partir do ano que vem”, afirmou.

O presidente da Emprotur também citou o potencial de segmentos como a espeleologia e o Geoparque Seridó.

“Temos trabalhado de forma sedimentada o setor de espeleologia, que tem demonstrado muito interesse pela caverna da Furna Nova, no Parque Nacional da Furna Feia, e o Geoparque Seridó”, explicou.

Sol e mar continuam como principal atrativo, mas estado busca diversificar

ABIH informou que algumas ações em andamento precisam ter resultados consolidados antes de uma análise – Foto: Reprodução

O turismo de praia continua sendo o principal cartão de visita do Rio Grande do Norte, segundo Raoni Fernandes. No entanto, ele avalia que o estado avançou na construção de novos produtos turísticos.

“É um fato. O Rio Grande do Norte é conhecido, assim como todo Nordeste, por ser um destino de sol e mar. Somos um destino que tem sol o ano inteiro, belezas naturais, praias, dunas, passeio de buggy e uma gastronomia no litoral muito forte”, comentou.

Apesar da força do litoral, o presidente da Emprotur destacou que o estado passou a oferecer novas experiências aos visitantes.

“Hoje nós já podemos oferecer aos nossos visitantes outros destinos locais como belas serras, misteriosas cavernas e o Geoparque Seridó, que hoje é um produto de interiorização e internacionalização do turismo potiguar”, afirmou.

ABIH-RN NÃO COMENTA NÚMEROS DIVULGADOS PELO IBGE
Procurada pelo Diário do RN para comentar a expectativa de ocupação hoteleira diante do crescimento registrado pelo IBGE, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN) informou que ainda realiza levantamentos sobre o período.

Segundo a entidade, algumas ações em andamento precisam ter os resultados consolidados antes de uma análise mais detalhada.

“Algumas pesquisas ainda estão sendo realizadas para a análise dos números e algumas ações em curso também, que a gente ainda falta consolidar os resultados dela, para que possa fazer uma fala com uma fundamentação em dados. Ainda é um pouco cedo para traçar algum direcionamento para esse período”, destacou a associação.


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AÇÃO QUE INVESTIGA PROPINA DE ALLYSON SEGUE EM SIGILO NA JUSTIÇA ELEITORAL

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A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suspeitas de utilização de dinheiro de propina na campanha de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Rio Grande do Norte está há 20 dias sem novas movimentações públicas identificadas. O processo, que tramita sob segredo de Justiça no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), teve seu último despacho conhecido em 23 de setembro, mesmo diante dos prazos reduzidos que caracterizam a Justiça Eleitoral durante o período das eleições.

A investigação, registrada sob o número 0600728-20.2026.6.20.0000, foi apresentada pela coligação Endireita RN e envolve suspeitas relacionadas à Operação Mederi, da Polícia Federal. A ação busca apurar possível utilização de recursos provenientes de pagamentos ilícitos no financiamento da campanha eleitoral. O caso foi revelado pelo Diário do RN em reportagem publicada no dia 4 de setembro.

No despacho assinado em 23 de setembro, o corregedor regional eleitoral, desembargador João Batista Rebouças, determinou a intimação da parte investigante para se manifestar, no prazo de três dias, sobre questões preliminares levantadas em quatro peças de defesa apresentadas no processo. O magistrado estabeleceu que, após o transcurso do prazo, com ou sem manifestação, os autos deveriam retornar para sua análise.

A determinação foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-RN em 25 de setembro.

Desde então, não foram identificadas novas informações públicas sobre o andamento da investigação. Nesse intervalo, o Rio Grande do Norte passou pelo primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, e entrou na fase decisiva da disputa pelo Governo do Estado, com o segundo turno marcado para 25 de outubro.

O contraste entre os prazos eleitorais e a ausência de informações públicas sobre a tramitação chama atenção. Durante o calendário eleitoral, a legislação estabelece procedimentos e prazos específicos para garantir maior rapidez na apreciação de demandas relacionadas às eleições.

Entretanto, o prazo de três dias determinado pelo corregedor se referia exclusivamente à manifestação da parte investigada, não constituindo prazo para julgamento da ação.

O segredo de Justiça também limita o acompanhamento externo do processo. Isso significa que manifestações, decisões e diligências posteriores podem ter ocorrido sem divulgação pública.

Portanto, a ausência de atualizações acessíveis não permite concluir que a investigação esteja efetivamente paralisada.

Ainda assim, permanece sem esclarecimento público se a coligação autora apresentou sua manifestação, se os autos retornaram ao gabinete do corregedor e se houve alguma decisão posterior ao despacho de setembro.

A investigação tem relevância porque envolve suspeitas sobre a origem de recursos utilizados em uma campanha eleitoral. Conforme revelou o Diário do RN, a ação apresentada pela coligação Endireita RN pede o compartilhamento de provas obtidas pela Polícia Federal, incluindo elementos relacionados à empresa DISMED e a pagamentos realizados pela Prefeitura de Mossoró.

A ação também faz referência a gravações ambientais que, segundo a acusação, levantariam suspeitas sobre a existência de um esquema de pagamento de propinas e eventual destinação de recursos para fins eleitorais. Essas alegações ainda dependem de análise judicial e não representam comprovação de irregularidades por parte dos investigados.

Caso sejam comprovadas as condutas previstas na legislação eleitoral, uma AIJE pode resultar em consequências como cassação de registro ou diploma e declaração de inelegibilidade, observada a responsabilidade de cada envolvido.

Com a proximidade do segundo turno, a ausência de informações públicas sobre o estágio da investigação reforça a importância de esclarecimentos sobre sua tramitação. Embora o segredo de Justiça deva ser respeitado, permanece o interesse público em saber se os prazos processuais foram cumpridos e se a ação continua avançando.

Até 13 de outubro, não foi possível confirmar, a partir do despacho apresentado e das informações públicas disponíveis nesta apuração, a existência de novas decisões ou eventual previsão de julgamento. A investigação segue sem conclusão de mérito conhecida, e os envolvidos têm assegurados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.


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TRAIÇÕES DE ALLYSON SE ACUMULAME ATINGEM NOVOS E ANTIGOS ALIADOS

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substituição de Carlos Eduardo Alves por Paulinho Freire na coordenação da campanha de Allyson Bezerra (União Brasil) em Natal acrescentou mais um capítulo ao histórico de traições políticas atribuído ao candidato ao Governo do Estado. O episódio é especialmente simbólico porque Carlos Eduardo deixou o PSD, abriu mão de uma candidatura ao Senado, desistiu posteriormente da disputa para deputado estadual e, mesmo assim, perdeu a coordenação da campanha para Paulinho, seu adversário na eleição de 2024.

Paulinho declarou apoio a Allyson na terça-feira (13), levando 23 vereadores de Natal e dois suplentes. No mesmo movimento, assumiu a coordenação da campanha na capital. A troca expõe o enfraquecimento de Carlos Eduardo dentro de um projeto ao qual ele fez sucessivas concessões.

A relação com Carlos Eduardo não é o único episódio. Ao longo dos últimos anos, Allyson acumulou rompimentos com nomes que estiveram ao seu lado em diferentes momentos e que acabaram afastados quando os interesses políticos deixaram de coincidir.

Rogério foi o primeiro grande rompimento

Após ser deixado de lado e se sentir traído por Allyson, Rogério Marinho declarou oposição – Foto: Reprodução

Um dos casos mais emblemáticos foi o rompimento com o senador Rogério Marinho (PL), em março de 2024. Até então, os dois mantinham uma aliança política próxima, que havia ficado evidente na eleição de 2022, quando Allyson percorreu Mossoró e trabalhou pela eleição de Rogério ao Senado.

Após o rompimento, a disputa política em Mossoró ganhou um novo desdobramento. Se sentindo traído, Rogério passou a atuar na oposição a Allyson e lançou Genivan Vale (PL) como candidato a prefeito contra o grupo do então prefeito. O candidato do PL terminou a disputa em terceiro lugar.

O movimento consolidou a ruptura entre os dois e marcou a entrada de Rogério no campo adversário em Mossoró.

O afastamento também foi interpretado como parte da construção do projeto de Allyson para disputar o Governo do Estado em 2026, retirando do caminho uma das principais lideranças que até então integravam sua aliança política.

Lawrence Amorim virou adversário

Pouco depois, a ruptura atingiu Lawrence Amorim, então presidente da Câmara Municipal de Mossoró e antigo aliado de Allyson.

A relação se deteriorou em meio a cobranças de lealdade e divergências políticas. O resultado foi a transformação de um aliado em adversário. Lawrence disputou a Prefeitura de Mossoró contra Allyson em 2024 e acabou derrotado.

Wiginis do Gás e os 38 cargos

Wiginis do Gás foi pressionado por Allyson para trair Ivanilson Oliveira e não aceitou – Foto: Reprodução

Outro episódio ocorreu em setembro de 2025 e envolveu o vereador Wiginis do Gás (União Brasil).

Segundo informações apuradas pelo Diário do RN, Allyson teria pressionado o vereador a apoiar a esposa, “Cinthia de Allyson”, ou Neilton Diógenes, embora Wiginis já tivesse compromisso com o deputado estadual Ivanilson Oliveira. Ivanilson havia contribuído para a reeleição do vereador em 2024 e também apoiou a eleição de Allyson.

A reação teria vindo na forma de exonerações. De acordo com a apuração, assessores ligados à gestão foram orientados a retirar 38 ocupantes de cargos públicos indicados pelo vereador.

O episódio ganhou outro ingrediente porque Ivanilson, então no União Brasil, era aliado direto de Allyson. A pressão sobre Wiginis acabou sendo vista dentro do grupo como mais uma demonstração de que Allyson não hesitaria em reorganizar sua base, ainda que isso significasse atingir os próprios aliados.

Zenaide ficou, mas o resultado gerou desgaste
Zenaide Maia aparece como uma das poucas alianças que permaneceram intactas. Allyson sustentou o apoio à senadora para o Senado mesmo quando Carlos Eduardo ingressou no União Brasil com expectativa de disputar a vaga.

Mas a própria aliança produziu um resultado eleitoral que gerou questionamentos. Em Mossoró, Allyson recebeu 82.286 votos, enquanto Zenaide teve 41.437. Foram mais de 40 mil votos de diferença entre os dois.

A votação alimentou a discussão sobre o empenho do grupo na campanha da senadora, que terminou apenas em quarto lugar no município. No Estado, Zenaide ficou a menos de seis mil votos de Samanda de Lula, que conquistou a segunda vaga ao Senado.

Carlos Eduardo é o capítulo mais recente
O caso de Carlos Eduardo talvez seja o que melhor resume a relação de forças dentro do grupo.

O ex-prefeito deixou o PSD para ingressar no União Brasil mirando o Senado. Sem espaço na chapa, adaptou o projeto e anunciou candidatura a deputado estadual. Depois, abriu mão também dessa disputa para assumir a coordenação da campanha de Allyson em Natal, função que agora está com Paulinho Freire.

À época, a própria indicação para a coordenação, porém, foi marcada por resistência dentro do grupo, principalmente entre vereadores que já apoiavam Allyson. Parte da bancada deixou claro que não aceitaria ficar sob a liderança de Carlos Eduardo, limitando sua influência sobre uma estrutura que já possuía articulações próprias.

O episódio expõe o desgaste de Carlos Eduardo dentro do grupo. Depois de deixar o partido, abrir mão da disputa pelo Senado e desistir também da candidatura à Assembleia para se dedicar à campanha de Allyson, o ex-prefeito acabou perdendo até a função de coordenador que havia assumido.

Kelps: outro desgaste dentro do grupo
O episódio envolvendo Kelps Lima, em julho, foi mais um desgaste entre Allyson e um antigo aliado. Em 9 de julho, o ex-deputado anunciou a desistência da candidatura a deputado federal e afirmou ter sido “traído” por Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria, além de citar a falta de apoio do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda.

Embora Kelps não tenha responsabilizado diretamente Allyson pela desistência, a condução do conflito também chamou atenção. Diante do impasse entre aliados, Allyson não tomou partido nem atuou para sanar a crise e preservar a candidatura de Kelps, apesar da relação política e pessoal próxima entre os dois.

A desistência expôs mais uma vez as fissuras dentro do grupo que se formou em torno do projeto de Allyson para 2026. O caso se soma aos episódios envolvendo Rogério Marinho, Lawrence Amorim, Wiginis do Gás e, agora, Carlos Eduardo, em uma trajetória marcada por rompimentos, perda de espaço e rearranjos entre antigos aliados, o que tem chamado a atenção da classe política, de que Allyson não costuma honrar os compromissos assumidos e abandona os aliados quando lhe é conveniente.


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VOTAÇÃO NO SEGUNDO TURNO PODE SER UTILIZADA COMO PROVA DE VIDA NO INSS

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nde do Norte registra atualmente 267.862 benefícios com prova de vida pendente, número que coloca o estado na 16ª posição no ranking nacional e representa 1,94% das pendências em todo o país, segundo levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Com a aproximação do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, o INSS reforça que o comparecimento às urnas pode contribuir para a regularização da situação dos aposentados e pensionistas. Isso porque o registro da votação é utilizado no cruzamento de dados realizado automaticamente pelo instituto para comprovar que o beneficiário está vivo.

Em entrevista ao Diário do RN, o gerente executivo do INSS em Natal, Aldenir Falcão, explicou que a pendência não significa bloqueio imediato do benefício, mas serve como um alerta para que o segurado acompanhe sua situação.

“Esses 268 mil aposentados e pensionistas que estão com a prova de vida pendente é que eles estão sem uma data informada lá no sistema em que o sistema vai indicar que vai passar para uma nova etapa. Se ele não for fazendo essa prova de vida, vai acabar com o benefício suspenso. Ele fica por um período suspenso até ele ser cessado”, explicou.

Segundo o gerente, existe diferença entre suspensão e cessação do benefício.

“Suspensão seria o benefício estar paralisado, mas que pode ser reativado a qualquer momento e ele começa de onde parou. Quando ele é cessado, mesmo que a pessoa peça o mesmo benefício depois, vai ser gerado um outro número de benefício e o pagamento vai ser gerado desse novo protocolo para frente”, esclareceu.

Desde 2023, a comprovação de vida passou a ocorrer, prioritariamente, por meio do cruzamento de informações de diversas bases de dados públicas e privadas, reduzindo a necessidade de deslocamento dos beneficiários.

Aldenir Falcão destacou que o procedimento ocorre de forma automática em diversas situações do dia a dia.

“O INSS passou a fazer o cruzamento de dados através de diferentes bancos de dados que tem do Sistema Público Federal e de algumas entidades privadas, por exemplo, os bancos. Quando a pessoa vai receber o benefício dela no banco, às vezes ela precisa colocar a digital. Na hora que ela coloca a digital e é feita essa identificação, a prova de vida é feita dessa forma. É automático, sem que a pessoa perceba”, explicou.

Além da biometria bancária, a comprovação também pode ocorrer na emissão da nova Carteira de Identidade Nacional, durante campanhas de vacinação e nas eleições.

Votação no segundo turno das Eleições 2026 também vale como prova de vida
Entre as formas de atualização automática, o comparecimento às urnas ganha destaque neste período eleitoral. Segundo Aldenir Falcão, quem votar no segundo turno terá a prova de vida registrada sem necessidade de apresentar qualquer documento ao INSS posteriormente.

“Ela é feita quando você vai votar. Você votou agora no primeiro turno, já fez a prova de vida agora no primeiro turno”, comentou.

O gerente afirmou que o segundo turno representa uma oportunidade para quem ainda possui pendências.

“A grande vantagem agora dessas 268 mil pessoas aproveitarem essa chance é que a eleição do segundo turno vai ser muito mais tranquila do que foi no primeiro turno. As pessoas já sabem o local onde vão votar, a fila anda mais rápido e ela consegue fazer a prova de vida dela lá com segurança e tendo a certeza de que o benefício dela não vai ser suspenso por essa falta”, disse.

Ele ressaltou ainda que não é necessário comunicar o INSS após votar.

“Não precisa apresentar nada ao INSS. É tudo feito de forma automática, exatamente para dar mais conforto à pessoa, mais celeridade e mais segurança”, esclareceu.

Registro do voto é utilizado no cruzamento de dados pelo INSS para comprovar que o beneficiário está vivo – Foto: Reprodução

Beneficiários precisam ficar alerta para tentativas de golpe

Gerente executivo do INSS em Natal faz um alerta sobre tentativas de fraude envolvendo a prova de vida – Foto: Reprodução

Durante a entrevista, Aldenir Falcão também fez um alerta sobre tentativas de fraude envolvendo a prova de vida. Segundo ele, criminosos utilizam mensagens, ligações e até visitas presenciais para se passar por servidores do instituto.

“Os golpistas estão cada vez mais sofisticados. É comum enviarem mensagem por WhatsApp ou e-mail. Às vezes comparecem até a casa da pessoa com crachá. O INSS não faz nada disso. Induzem a pessoa a fazer foto, identificação biométrica, colocar digital ou clicar em algum link.

Tudo isso é perigoso e o INSS não vai atrás da pessoa para fazer nada disso”, alertou.

Quem deseja verificar se possui pendência pode utilizar os canais oficiais do instituto.

“A gente recomenda sempre que ele utilize os canais oficiais do INSS. Tem o aplicativo Meu INSS e também a Central 135. Se ela ligar para o 135 e pedir exatamente essa informação, o atendente vai responder isso de forma bem clara”, orientou.

Caso o beneficiário tenha dificuldade para utilizar os serviços digitais, também é possível procurar uma agência do INSS para atendimento de orientação.

Embora a existência de pendência não represente bloqueio automático do pagamento, o gerente executivo recomenda que aposentados e pensionistas não deixem a regularização para depois.

“Tem alguns que estão na iminência de ter o benefício suspenso. Outros ainda devem demorar mais. Mas a gente não deve procrastinar. Deve aproveitar as oportunidades para resolver logo o problema. Por isso estamos recomendando aproveitar essa chance agora que vai ter, que é fácil, que é na eleição”, afirmou.


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INSTITUTO DATAVERO DIVULGA NESTA SEXTA PRIMEIRA PESQUISA DO SEGUNDO TURNO

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O Instituto DataVero, em parceria com o Diário do RN, divulga nesta sexta-feira (16) sua primeira pesquisa eleitoral após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026 e o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O levantamento vai apresentar um novo retrato das disputas pelo Governo do Rio Grande do Norte e pela Presidência da República, além de identificar como os votos dos eleitores estão se redistribuindo entre os candidatos que permanecem na disputa.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro, com 1.500 entrevistas distribuídas por 50 municípios de todas as regiões do estado. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Na disputa estadual, o levantamento vai aferir as intenções de voto para Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), que avançaram ao segundo turno após uma votação apertada. No primeiro turno, Allyson recebeu 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu alcançou 36,16%, uma diferença de apenas 0,78 ponto percentual.

Para a Presidência da República, a pesquisa vai medir as preferências dos eleitores potiguares entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Lula conquistou 59,75% dos votos válidos no Rio Grande do Norte, o equivalente a 1.237.963 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 34,77%, somando 720.493 votos. A diferença foi de 24,98 pontos percentuais. O novo levantamento permitirá avaliar se essa distância foi mantida, ampliada ou reduzida após o início da campanha do segundo turno.

Migração de votos será um dos destaques
Além das intenções de voto, um dos principais diferenciais da nova rodada será a análise da migração do eleitorado entre o primeiro e o segundo turno.

No cenário estadual, o levantamento vai identificar como os eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno passaram a se posicionar diante da disputa entre Allyson e Cadu. A pesquisa também vai dimensionar a permanência ou mudança das preferências manifestadas na primeira votação.

O mesmo recorte será aplicado à eleição presidencial, com o objetivo de medir a redistribuição dos votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A análise ganha relevância por ter sido realizada após o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, período em que os candidatos passaram a concentrar suas campanhas na disputa direta do segundo turno.

Nova rodada após pesquisa próxima das urnas
O novo levantamento ocorre depois do desempenho registrado pela DataVero/Diário do RN na última pesquisa antes do primeiro turno. Divulgada em 2 de outubro, a sondagem apresentou Allyson com 35,82% e Cadu com 32,46%, identificando um empate técnico entre os candidatos.

Na comparação entre oito levantamentos eleitorais da reta final da campanha, a DataVero apresentou o menor erro médio em relação ao resultado das urnas para os três principais candidatos ao Governo, além de ter identificado a aproximação entre Allyson e Cadu.


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AOS 17 ANOS, CUQUINHA TRANSFORMA LEITE DA FAMÍLIA EM NEGÓCIO PROMISSOR

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os 17 anos, enquanto muitos jovens ainda buscam definir os próximos passos da vida profissional, Cuquinha já administra uma marca própria e transforma o leite produzido no campo em uma variedade de produtos artesanais. Morador de Bom Jesus (RN), o jovem produtor rural criou a Laticínios Cuquinha e encontrou no beneficiamento do leite uma oportunidade para empreender sem deixar suas raízes.

A trajetória dele ganha uma nova vitrine ao longo da 64ª Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. O evento segue até o dia 17 de outubro e reúne produtores, criadores, empresas e instituições ligadas ao agronegócio, além de negócios, gastronomia, cultura e lazer.

A participação de Cuquinha acontece por meio da Associação dos Empreendedores do Leite do Rio Grande do Norte (Empreleite), que estará presente na feira com produtos artesanais potiguares, mostrando como a transformação do leite pode gerar mais renda para pequenos produtores e fortalecer a sucessão familiar no campo.

A história da Laticínios Cuquinha começou ainda na infância. Aos 12 anos, ele aprendeu a produzir queijo com Marinho de Sousa, da Fazenda Caju. O contato inicial despertou uma curiosidade que, anos depois, se transformaria em um projeto de vida.

“Através de Marinho, da Fazenda Caju, que me ensinou a fazer queijo quando eu tinha apenas 12 anos. Gostei de fazer e fui aprimorando, vendo que era mais lucrativo beneficiar o leite com esses produtos”, explicou.

A ligação com o campo foi determinante para a escolha profissional. Para Cuquinha, permanecer na zona rural representa uma oportunidade de construir uma trajetória ligada àquilo que sempre fez parte da sua vida.

“Primeiramente porque tenho amor ao campo e à vida rural. Decidi seguir esse caminho porque vi que é ali que eu me identifico, e assim vou trabalhando e empreendendo juntamente aos meus pais”, afirmou.

Do incentivo da família ao nascimento da marca
Antes de criar a própria empresa, o jovem começou compartilhando os produtos com amigos e familiares. A aprovação das pessoas próximas serviu como incentivo para transformar a produção em um negócio.

“Com o tempo, mandando meus produtos para os amigos e familiares provarem, recebi muito apoio e elogios que me incentivaram. Assim tomei a iniciativa de criar minha própria marca, e surgiu a Laticínios Cuquinha”, contou.

A produção tem como base o leite fornecido pela própria família. A mãe do jovem, Dafne Araújo, participa da cadeia produtiva, fornecendo a matéria-prima utilizada na fabricação dos produtos.

Atualmente, a marca compra cerca de 100 litros de leite por dia, mas o projeto é ampliar a produção e, no futuro, utilizar todo o leite produzido pela vacaria da família, que chega a aproximadamente 600 litros diariamente.

A Laticínios Cuquinha produz atualmente dez sabores de queijo artesanal, além de bebidas lácteas, iogurtes e doce de leite zero açúcar.

Entre as opções estão queijo coalho tradicional e versões com camarão, carne de sol, bacon, salame, calabresa, mortadela defumada, alho frito e orégano.

A linha de bebidas lácteas também ganhou espaço com sabores como morango, açaí com banana, salada de frutas, graviola, geleia de morango e geleia de ameixa.

Para o produtor, a experiência mostrou que transformar a matéria-prima é uma forma de valorizar o trabalho desenvolvido no campo.

“Aprendi que o leite em si não é valorizado como deveria ser. Empreender nisso será bem mais viável do que só produzir a matéria-prima”, disse.

Mesmo com a expansão da marca, Cuquinha afirma que a regularização do empreendimento ainda é um dos principais desafios.

“O maior desafio foi e é registrar minha marca. É um processo delicado, mas está dando certo”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o jovem acredita que o agronegócio oferece oportunidades para quem deseja construir uma carreira no campo.

“O agro é uma oportunidade para os jovens e eu sou a prova viva disso. Falta mostrar para essas pessoas que o agro é viável e tem várias possibilidades para se fazer dinheiro, mesmo sendo jovem. Basta ter coragem, responsabilidade, criatividade, resiliência e, o mais importante, fé que vai dar certo”, destacou.

O objetivo dele é ampliar o negócio e inspirar outros jovens a enxergarem possibilidades dentro da própria terra.

“Sonho em chegar a uma grande empresa e poder influenciar outros jovens e pessoas a acreditarem que o agronegócio dá certo. Basta querer e enfrentar os desafios”, afirmou.

A mensagem para quem pensa em deixar o campo é baseada na própria experiência.

“Sempre procurem inovar e se conectar com o campo, pois é um mundo de possibilidades. Não tenham medo do processo nem dos desafios. Não deixem para trás aquilo que herdaram. Eu tenho orgulho de ser do campo e quero que vocês também tenham”, concluiu.

Empreleite defende transformação do leite para fortalecer produtores

“Quando você transforma esse leite em queijo, você valoriza o seu produto” – Foto: Reprodução

A história de Cuquinha também representa um movimento defendido pela Empreleite: incentivar produtores rurais a transformar o leite em produtos com maior valor agregado.

Segundo o presidente da associação, Marinho de Sousa, a produção artesanal de derivados cria novas possibilidades econômicas para as propriedades rurais.

“A atividade de leite é uma atividade desacreditada. Temos problemas climáticos, dificuldade de mão de obra e, historicamente, é um produto em que quem indica o preço e as condições de pagamento é o comprador. Quando você transforma esse leite em queijo, você valoriza o seu produto, toda a sua cadeia, e consegue ter três, quatro, cinco vezes mais valor”, afirmou.

Para ele, a agregação de valor também é uma estratégia para estimular a permanência dos jovens no campo.

“Historicamente, temos poucos casos de sucessão familiar porque a atividade tem baixa rentabilidade. Quando você transforma esse leite em queijo e incentiva o produtor a dar mais um passo no empreendedorismo, a conta começa a fechar e ele passa a enxergar valor no que faz”, comentou.

A Empreleite reúne produtores artesanais do Rio Grande do Norte e atua na regularização, qualificação e divulgação dos produtos derivados do leite. A entidade participa da Festa do Boi, no Pavilhão 4, como uma forma de aproximar consumidores e produtores e apresentar a diversidade da produção potiguar.

“A Festa do Boi é a maior feira agropecuária do nosso estado e uma das maiores do Brasil. Nesse evento, apresentamos à sociedade o trabalho que a associação vem fazendo na valorização do produtor artesanal, mostrando que é possível, com uma pequena produção da agricultura familiar, agregar valor e viver bem da atividade”, ressaltou Marinho.

Durante os nove dias de evento, o público poderá conhecer produtos artesanais, acompanhar atividades ligadas ao agronegócio e observar como histórias como a de Cuquinha mostram novas possibilidades para quem escolhe permanecer no campo.


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SETOR IMOBILIÁRIO RETOMA CRESCIMENTO EM NATAL E AGUARDA CENÁRIO PÓS-ELEIÇÃO

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Depois de um longo período de baixo número de lançamentos, o mercado imobiliário de Natal voltou a crescer e encerra o terceiro trimestre de 2026 com indicadores positivos. O setor, entretanto, acompanha com atenção o cenário econômico que será consolidado após as eleições, já que fatores como taxa de juros, oferta de crédito e previsibilidade são considerados decisivos para manter o ritmo de expansão.

Dados da Brain Inteligência Estratégica, em levantamento encomendado pelo Sinduscon-RN e pelo Sebrae-RN, mostram que Natal comercializou 1.720 apartamentos verticais nos 12 meses encerrados em junho deste ano. O resultado representa crescimento de 78% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, foram lançadas 1.596 novas unidades, avanço de 34%. O Valor Geral de Vendas (VGV) também cresceu, passando de R$ 671 milhões para R$ 931 milhões, enquanto o preço médio do metro quadrado alcançou R$ 9.780, valorização de 17% em um ano.

Para o diretor da Emobi Imobiliária, Valdomiro Júnior, a recuperação é resultado da combinação entre demanda reprimida, novos empreendimentos e maior segurança jurídica proporcionada pela revisão do Plano Diretor.

“Vejo uma combinação de fatores: havia demanda represada, o mercado voltou a oferecer novos produtos e a revisão do Plano Diretor trouxe mais segurança para novos investimentos. Também pesa a procura de famílias que querem sair do aluguel ou melhorar de moradia”, afirmou.

Segundo ele, embora os indicadores apontem crescimento, o mercado ainda vive o início de um novo ciclo.

“Há sinais de que sim, mas eu diria que estamos no começo desse ciclo. Depois de um período com poucos lançamentos, voltamos a ver novos projetos e mais confiança. Para que essa expansão se sustente, precisamos de crédito acessível, previsibilidade e continuidade dos investimentos”, explicou.

Apesar da recuperação, o custo do financiamento imobiliário continua sendo apontado como o principal entrave para ampliar as vendas. Na avaliação do especialista, pequenas variações nas taxas de juros têm impacto direto sobre o orçamento das famílias.

“Porque a grande maioria das famílias depende de financiamento para comprar. A taxa de juros define o valor da parcela e, consequentemente, o quanto a pessoa consegue financiar. Uma variação pequena nos juros muda o tamanho do imóvel que cabe no orçamento. Por isso, mesmo com vontade de comprar, o custo do crédito muitas vezes é o que decide se a compra acontece agora ou fica para depois”, explicou.

Caso a trajetória de redução da Selic continue e seja refletida nas linhas de financiamento, a expectativa é de aumento da demanda.

“Se a queda da Selic continuar e chegar de fato às taxas de financiamento, a expectativa é de aumento nas vendas. Famílias que hoje estão esperando voltariam ao mercado, com a renda melhor enquadrada para conseguir uma linha de crédito maior e o investidor também ganha estímulo”, afirmou.

Segundo Valdomiro, existe uma demanda reprimida significativa.

“Atendemos com frequência famílias que já escolheram o imóvel, já fizeram a simulação e estão só esperando uma parcela que caiba no orçamento. Há também quem já tem o imóvel atual e quer trocar por um maior ou mais bem localizado, mas aguarda condições melhores”, comentou.

Na avaliação do empresário, o calendário eleitoral costuma afetar mais os investidores do que quem procura um imóvel para moradia.

“Na EMOBI, percebemos alguns investidores pedindo mais tempo antes de fechar negócio nos últimos meses, enquanto quem procura um imóvel para morar seguiu ativo, porque a necessidade da família não espera o calendário eleitoral. O ponto importante é que o investidor adia, mas não desiste. Com o cenário mais claro, essa demanda tende a voltar”, afirmou.

Ele ressalta que, independentemente do resultado das urnas, o mercado espera estabilidade para planejar novos investimentos.

“Passada a eleição, mais do que um resultado específico, o setor precisa de previsibilidade e de regras claras. Um empreendimento imobiliário leva anos entre a concepção e a entrega, então quem constrói e quem investe precisa enxergar o cenário à frente. Estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e continuidade das políticas de crédito são o que permite às empresas planejar novos lançamentos com segurança”, destacou.

Natal mantém preços competitivos
Mesmo com a valorização registrada nos últimos meses, Natal continua apresentando um dos menores preços médios do metro quadrado entre as capitais nordestinas pesquisadas pela Brain, fator que ajuda a atrair investidores de outras regiões do país.

“O valor mais competitivo atrai investidores, mas eles também analisam localização, infraestrutura, liquidez e potencial de valorização. O que torna Natal atrativa é justamente essa combinação entre preço competitivo, qualidade de vida e vocação turística”, explicou Valdomiro.

Entre as áreas com maior potencial de crescimento, o especialista destaca a Zona Sul da capital.

“Ponta Negra se destaca pela retomada de empreendimentos de médio e alto padrão e pelo interesse de investidores, inclusive de fora do estado. Capim Macio também vem ganhando força pela infraestrutura consolidada e pelos novos lançamentos. Tirol e Petrópolis seguem valorizados pela localização central e pela oferta de serviços”, afirmou.

Segundo ele, investimentos públicos em infraestrutura também podem impulsionar a valorização imobiliária.

“Obras de requalificação urbana tornam as áreas mais atraentes para moradores e investidores. A orla de Ponta Negra é um bom exemplo: uma orla bem cuidada valoriza o entorno e reforça a imagem de Natal como destino. O impacto, porém, depende da execução e da continuidade desses projetos”, concluiu.


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MDB DO RN ANUNCIA APOIO A BOLSONARO APÓS PROMETER APOIO À REELEIÇÃO DE LULA

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A divisão nacional do MDB na disputa presidencial ficou mais clara nesta terça-feira (13). Ao todo, 17 diretórios estaduais e o Distrito Federal declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), enquanto dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram apoio à reeleição de Lula (PT). O Rio Grande do Norte está entre os diretórios alinhados ao candidato do PL, em uma posição que contrasta com o compromisso anunciado por Walter Alves em janeiro.

Na ocasião, o presidente estadual do MDB afirmou que a legenda potiguar apoiaria a reeleição de Lula. A declaração foi divulgada em nota no dia 19 de janeiro, quando Walter anunciou que não assumiria o Governo do Estado e que disputaria uma vaga de deputado estadual.

“Ainda sobre as Eleições 2026, ratifiquei o posicionamento já alinhado com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, de apoiar a reeleição do presidente Lula (PT)”, declarou Walter.

O compromisso foi anunciado no mesmo documento em que Walter comunicou o rompimento político com a governadora Fátima Bezerra e informou que o MDB potiguar caminharia, na disputa estadual, com a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e com o PSD. Naquele momento, ele separava a aliança estadual do apoio à candidatura de Lula.
Henrique cobra coerência

Diante da ausência de uma manifestação pública da direção potiguar em favor de Lula, Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara dos Deputados e uma das figuras históricas do MDB, cobrou um posicionamento nesta terça-feira (13), em publicação na rede social X, antigo Twitter.

“Já que o MDB não se manifestou publicamente assumo responsabilidade em nome dos meus 52 anos de Partido. O MDB sempre apoiou Lula e até indicou o vice de Fátima a pedido dele! Pres.

Baleia, pela coerência, história e democracia, MDB do RN de novo com Lula! Atenção MDB de todo Estado!”, escreveu.

A cobrança ocorreu no mesmo dia em que Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia assinaram uma manifestação conjunta em defesa da reeleição do presidente.

O MDB do Rio Grande do Norte não aparece entre os signatários do documento e agora está alinhado ao movimento favorável a Flávio Bolsonaro. A posição, no entanto, contrasta com o compromisso anunciado por Walter no início do ano e evidencia a divergência dentro da própria legenda, explicitada pela manifestação de Henrique em defesa de Lula.

O Diário do RN procurou Walter Alves para esclarecer a mudança de posicionamento, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.


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MINEIRO CONTESTA NEUTRALIDADE DO PL E DIZ QUE BOLSONARISMO APOIA ALLYSON

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O deputado federal Fernando Mineiro (PT) classificou como uma estratégia eleitoral o discurso de neutralidade institucional anunciado pelo senador Rogério Marinho (PL) para o segundo turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, Mineiro afirmou que, apesar da posição oficial do partido, o bolsonarismo potiguar já está claramente alinhado à candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil).

Para o petista, a neutralidade anunciada pelo PL não representa uma ausência de posicionamento, mas uma tentativa de preservar o eleitorado que votou em Allyson no primeiro turno e que agora poderia migrar para Cadu de Lula.

“O bolsonarismo no estado está apoiando Allyson. Basta ver as declarações e ações de suas lideranças no estado e nos municípios. O discurso de neutralidade foi combinado para tentar estancar a migração de votos para Cadu do eleitor lulista que votou em Allyson no primeiro turno”, afirmou.

Mineiro também apontou a movimentação de parlamentares do PL em favor do candidato do União Brasil, apesar da decisão formal da legenda.

“No melhor estilo bolsonarista, parlamentares do PL declararam apoio e fazem campanha para Allyson. Mais do que fizeram para Álvaro”, disparou.

Na avaliação do deputado, a aproximação entre o bolsonarismo e Allyson não seria um movimento novo, mas algo que teria sido disfarçado durante a primeira etapa da disputa para ampliar o alcance eleitoral do candidato.

“E tem coerência neste posicionamento deles. Allyson é o candidato do bolsonarismo no estado.

No primeiro turno ele conseguiu esconder isso para ganhar votos do lulismo. Mas agora, com duas candidaturas ao governo, a tática de ‘comer dos dois lados’ fica evidente”, afirmou.

Mineiro sustenta que a nova configuração da disputa expõe uma divisão que, segundo ele, estava menos evidente no primeiro turno: de um lado, o eleitorado bolsonarista; de outro, o eleitor identificado com Lula que havia escolhido Allyson.

“O eleitor lulista que votou com Allyson no primeiro turno está migrando para Cadu, que é o candidato do Lula”, declarou.

PL mantém neutralidade institucional
O posicionamento de Mineiro ocorre após Rogério Marinho anunciar, na última sexta-feira (9), que o PL adotará neutralidade institucional na eleição estadual. A legenda não fará uma declaração formal de apoio a Allyson, mas deixou seus filiados e lideranças livres para escolherem individualmente o candidato.

Na prática, a decisão abriu espaço para que parlamentares e lideranças do PL se manifestem em favor de Allyson. O ex-candidato Álvaro Dias confirmou que seguirá a orientação de neutralidade, enquanto integrantes do grupo político já sinalizam apoio ao candidato do União Brasil.

O impasse para um apoio oficial do PL a Allyson esteve relacionado à eleição presidencial.

Segundo Marinho, o candidato do União Brasil procurou o partido, mas informou que não poderia assumir compromisso público com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

A neutralidade, contudo, tem um limite explícito em relação ao PT. Rogério Marinho descartou apoio a Cadu e explicou que o PL também não irá formalizar apoio a Allyson: “E, claro, não iremos votar no PT, mas como partido não iremos endossar a sua candidatura, já que ele não vai endossar a candidatura do Flávio Bolsonaro”, declarou.

Com isso, o PL manteve a prioridade na campanha presidencial e liberou seus integrantes para decidir individualmente sobre a disputa estadual. Assim, lideranças e parlamentares da legenda podem apoiar Allyson, enquanto a direção partidária não formaliza a adesão

Disputa começa praticamente empatada
A nova configuração do segundo turno parte de uma diferença mínima entre os dois candidatos.

Allyson terminou a primeira etapa com 36,75% dos votos válidos, enquanto Cadu alcançou 36,28%, uma distância de apenas 0,47 ponto percentual.

Álvaro Dias ficou em terceiro, com 26,71%. Com isso, o seu grupo passou a ser alvo da disputa por apoios. O PL, porém, optou pela neutralidade institucional, concentrando sua atuação oficial na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.


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PAULINHO REÚNE MAIORIA DA CÂMARA DE NATAL E DECLARA APOIO A ALLYSON

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O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), declarou nesta terça-feira (13) apoio a Allyson Bezerra (União Brasil) no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado e reuniu 23 vereadores da capital e dois suplentes em torno da decisão. O movimento representa a adesão de uma parcela expressiva da Câmara Municipal e coloca no palanque de Allyson uma das principais bases políticas de Natal.

A decisão foi tomada após conversas de Paulinho com sua base. O prefeito afirmou que o grupo avaliou a necessidade de escolher um candidato com compromisso com a capital.

“Conversando com a nossa base aliada, todos os vereadores concordaram que o nosso caminho seria Allyson, porque ele tem compromisso com a nossa cidade. A gente precisa de um governador que seja parceiro da capital, e Allyson se comprometeu com isso”, declarou.

Paulinho também explicou a mudança em relação ao primeiro turno. Apesar de ser filiado ao União Brasil, ele havia apoiado Álvaro Dias (PL), seu antecessor na Prefeitura de Natal, que terminou a primeira etapa em terceiro lugar.

“Eu sou do União Brasil, vale salientar isso. Apenas fui apoiado por Álvaro Dias e cumpri o meu papel dando o apoio a ele no primeiro turno. Gostaria muito que ele tivesse ido para o segundo turno, não foi. Então, o caminho natural era apoiar Allyson Bezerra, até porque ele tem propostas para Natal”, afirmou.

No primeiro turno, Álvaro foi o mais votado em Natal, com 39,69% dos votos válidos. Cadu de Lula (PT) ficou em segundo, com 35,43%, enquanto Allyson obteve 24,49%. A adesão de Paulinho e dos vereadores ocorre, portanto, em um cenário no qual o candidato do União Brasil busca ampliar sua presença eleitoral na capital.

Vereadores acompanham decisão
Entre os vereadores que anunciaram apoio estão Aldo Clemente (PSDB), Anne Lagartixa (PL), Camila Araújo (PL), Cláudio Custódio (PP), Cleiton da Policlínica (PSDB), Daniell Rendall (Republicanos), Daniel Santiago (PP), Eribaldo Medeiros (Rede), Eriko Jácome (PSDB), Fúlvio Saulo (Solidariedade), Herberth Sena (PV), Irapoã Nóbrega (Republicanos), João Batista Torres (DC), Kleber Fernandes (Republicanos), Léo Souza (PSDB), Luciano Nascimento (PSD), Nina Souza (PL), Pedro Henrique (PP), Preto Aquino (Podemos), Robson Carvalho (União Brasil), Subtenente Eliabe (PL), Tércio Tinôco (União Brasil) e Tony Henrique (PL).

Também declararam apoio os suplentes Felipe Alves (União Brasil) e Leila Maia (União Brasil).

O grupo reúne parlamentares que permanecerão na Câmara e outros que deixarão o Legislativo municipal após a eleição, como Camila Araújo e Robson Carvalho, eleitos para a Assembleia Legislativa, e Nina Souza, eleita deputada federal.

Ezequiel ainda não define posição
A movimentação de Paulinho ocorre enquanto outra liderança que esteve no palanque de Álvaro no primeiro turno ainda não definiu sua posição. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), reeleito para o sétimo mandato, mantém conversas com lideranças de sua base antes de anunciar apoio no segundo turno.

Ezequiel apoiou Álvaro na primeira etapa, mas preservou durante a campanha a relação institucional com a governadora Fátima Bezerra (PT). Na ocasião, fez questão de diferenciar a divergência política da relação administrativa, mantendo aliados em espaços do Governo do Estado.

Agora, segundo apuração do Diário do RN, Ezequiel vem dialogando com lideranças dos 72 municípios onde recebeu votos antes de definir o próximo passo. Aliados apontam uma tendência de aproximação com Cadu de Lula, mas o presidente da Assembleia ainda não oficializou seu posicionamento.

A definição de Ezequiel será acompanhada pela base política do deputado, especialmente no interior, onde mantém uma rede de alianças construída ao longo de sucessivos mandatos.


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DA SALA DE AULA À REGÊNCIA: BANDA DE ESCOLA EM LAGOA AZUL FORMA MÚSICOS

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Quando Mateus Emanuel entrou na Banda Alceu, em 2017, ele tinha 12 anos e ainda estava no sexto ano da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, em Lagoa Azul, na Zona Norte de Natal.

Gostava de bateria e queria conhecer o universo da música. Começou tocando atabaque. Quase dez anos depois, aos 22, continua ligado ao projeto, mas agora em outra posição: é um dos maestros que ensinam os alunos mais novos.

“Passei seis anos como tocador e vou fazer agora, em dezembro, quatro anos como maestro”, conta Mateus. Para ele, a permanência na banda está relacionada menos a qualquer retorno financeiro e mais ao vínculo criado ao longo dos anos. “O que fez eu continuar na banda foi o amor mesmo. Por mais que a gente não ganhasse nada, mas o amor de querer participar, de querer estar presente, isso não tem preço.”

A trajetória de Mateus ajuda a explicar como funciona hoje a Banda Alceu e a Fanfarra dos Meninos (FDM). Embora tenham formações e dinâmicas próprias, os dois grupos estão ligados pelo mesmo processo de formação: os integrantes mais experientes ensinam os mais novos e, depois de deixar a escola, alguns continuam participando do projeto.

A história, porém, começou antes de a banda existir de fato. Em 2012, a escola recebeu instrumentos pelo programa federal Mais Educação, mas, até 2016, não havia um formador para preparar os ritmistas. A mudança veio em 2017, quando as então alunas Karol e Joana assumiram a regência e deram início à formação que colocou a banda nas apresentações.

Embora o Mais Educação ainda funcionasse em 2017 e 2018, a formação era conduzida pelas próprias estudantes. A principal contribuição do programa havia sido a disponibilização dos instrumentos iniciais. O modelo precisou ser reinventado pouco depois.

Com o fim do Mais Educação e do recurso destinado à contratação de um maestro, a escola perdeu a possibilidade de manter um formador remunerado. Em vez de encerrar a banda, a equipe gestora decidiu preparar os próprios alunos para assumir a condução do grupo.

“Esses alunos que têm mais experiência vêm formando os mais novos. E quando esse aluno com mais experiência chega ao nono ano e sai da escola, os outros já estão prontos para poder tomar a frente da banda”, explica Reinan Alessandro de França, atual diretor da escola.

Foi assim que a banda passou a funcionar também como uma espécie de cadeia de transmissão de conhecimento. Alunos aprendem a tocar, ganham experiência e, posteriormente, alguns passam a ensinar quem está chegando.

Foi esse processo de continuidade entre diferentes gerações que permitiu a reconstrução do grupo e fortaleceu a participação dos ex-alunos.

Entre os que permaneceram ligados ao projeto está Mateus. Ao longo da trajetória, ele aprendeu diferentes instrumentos e passou a criar, junto com outros músicos, os próprios toques da banda.

Segundo ele, o repertório atual reúne 22 toques criados pelos integrantes antigos.

“Você fica com um negócio na sua mente para você criar toques. Então você vai criando, vai encaixando instrumento por instrumento”, explica.

“Foi uma virada de chave, algo que mudou por completo minha vida”

Arthur Oliveira, de 16 anos, é um dos integrantes que passaram de alunos a formadores de novos músicos – Foto: Reprodução

Em 2025, a permanência dos ex-alunos ganhou uma nova estrutura com a criação da Fanfarra dos Meninos. A FDM reúne antigos integrantes e atua também na formação dos alunos que ainda estão na Banda Alceu. A ideia é que o conhecimento adquirido pelos veteranos continue circulando mesmo depois que eles deixem a escola.

Arthur Oliveira, de 16 anos, é também um dos integrantes que passaram de alunos a formadores.

Ele conheceu a banda por meio dos colegas e entrou depois de ser convidado por Mateus. Hoje, ajuda a ensinar os mais novos.

“Foi uma virada de chave, algo que mudou por completo minha vida. A sensação de participar de uma banda é única. A gente ganha uma nova família”, relata.

A nova geração já começa a experimentar esse mesmo vínculo. Isac Oliveira, de 16 anos, entrou em 2024, influenciado por amigos e pelo irmão mais velho. Começou no tarol e passou a tocar repique. Para ele, a banda também produziu mudanças fora da música.

“Eu era um aluno muito respondão, brincalhão, não ligava muito”, conta. Segundo Isac, a participação no projeto o ajudou a mudar o comportamento e a perder a vergonha de se expressar.

Paulo Juscyan, de 15 anos, teve o primeiro contato com a banda ao assistir a um desfile da Chegança, em 2022. Entrou no projeto em 2024. Ele diz que encontrou na atividade uma forma de lidar com momentos difíceis. “Estava quase entrando em depressão. E a banda me ajudou muito nisso.”

Nos meses de setembro, a experiência dos ensaios ganha as ruas. Neste ano, a Banda Alceu participou das atividades do 7 de Setembro na Praça Cívica, em Natal, um dos momentos destacados pelos próprios estudantes. Para Isac, representar a escola e participar do desfile foi uma experiência de “felicidade” e “honra”. A apresentação também marcou, diante do público, o resultado de um processo de formação que acontece durante todo o ano.

Os relatos dos estudantes ajudam a dimensionar o projeto para além das apresentações. Segundo Andrey, atualmente cerca de 70 pessoas participam da iniciativa, entre aproximadamente 50 alunos e 20 ex-alunos. O grupo mantém ensaios duas vezes por semana e participa de diferentes eventos culturais.

A manutenção, porém, não depende apenas dos instrumentos que deram origem ao projeto. Dos equipamentos antigos, segundo Andrey, 17 permanecem. Novos instrumentos foram comprados por ele, por famílias de alunos e também obtidos por meio de doações da comunidade. O professor estima que, somente para colocar a banda nas ruas em setembro, sejam gastos cerca de R$ 8 mil.

Para Reinan, a continuidade dos ex-alunos mudou também a dimensão do projeto. “Ele passa a ser um projeto social, que funciona dentro da própria comunidade”, afirma. No centro desse processo estão músicos que começaram como crianças ou adolescentes e hoje ensinam outros a tocar. Mateus resume a lógica que mantém a banda funcionando: “Você cria uma família dentro da banda. Você literalmente tem uma família lá. Por mais que não seja de sangue, eles viram seus irmãos.”


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