AOS 17 ANOS, CUQUINHA TRANSFORMA LEITE DA FAMÍLIA EM NEGÓCIO PROMISSOR

os 17 anos, enquanto muitos jovens ainda buscam definir os próximos passos da vida profissional, Cuquinha já administra uma marca própria e transforma o leite produzido no campo em uma variedade de produtos artesanais. Morador de Bom Jesus (RN), o jovem produtor rural criou a Laticínios Cuquinha e encontrou no beneficiamento do leite uma oportunidade para empreender sem deixar suas raízes.
A trajetória dele ganha uma nova vitrine ao longo da 64ª Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. O evento segue até o dia 17 de outubro e reúne produtores, criadores, empresas e instituições ligadas ao agronegócio, além de negócios, gastronomia, cultura e lazer.
A participação de Cuquinha acontece por meio da Associação dos Empreendedores do Leite do Rio Grande do Norte (Empreleite), que estará presente na feira com produtos artesanais potiguares, mostrando como a transformação do leite pode gerar mais renda para pequenos produtores e fortalecer a sucessão familiar no campo.
A história da Laticínios Cuquinha começou ainda na infância. Aos 12 anos, ele aprendeu a produzir queijo com Marinho de Sousa, da Fazenda Caju. O contato inicial despertou uma curiosidade que, anos depois, se transformaria em um projeto de vida.
“Através de Marinho, da Fazenda Caju, que me ensinou a fazer queijo quando eu tinha apenas 12 anos. Gostei de fazer e fui aprimorando, vendo que era mais lucrativo beneficiar o leite com esses produtos”, explicou.
A ligação com o campo foi determinante para a escolha profissional. Para Cuquinha, permanecer na zona rural representa uma oportunidade de construir uma trajetória ligada àquilo que sempre fez parte da sua vida.
“Primeiramente porque tenho amor ao campo e à vida rural. Decidi seguir esse caminho porque vi que é ali que eu me identifico, e assim vou trabalhando e empreendendo juntamente aos meus pais”, afirmou.
Do incentivo da família ao nascimento da marca
Antes de criar a própria empresa, o jovem começou compartilhando os produtos com amigos e familiares. A aprovação das pessoas próximas serviu como incentivo para transformar a produção em um negócio.
“Com o tempo, mandando meus produtos para os amigos e familiares provarem, recebi muito apoio e elogios que me incentivaram. Assim tomei a iniciativa de criar minha própria marca, e surgiu a Laticínios Cuquinha”, contou.
A produção tem como base o leite fornecido pela própria família. A mãe do jovem, Dafne Araújo, participa da cadeia produtiva, fornecendo a matéria-prima utilizada na fabricação dos produtos.
Atualmente, a marca compra cerca de 100 litros de leite por dia, mas o projeto é ampliar a produção e, no futuro, utilizar todo o leite produzido pela vacaria da família, que chega a aproximadamente 600 litros diariamente.
A Laticínios Cuquinha produz atualmente dez sabores de queijo artesanal, além de bebidas lácteas, iogurtes e doce de leite zero açúcar.
Entre as opções estão queijo coalho tradicional e versões com camarão, carne de sol, bacon, salame, calabresa, mortadela defumada, alho frito e orégano.
A linha de bebidas lácteas também ganhou espaço com sabores como morango, açaí com banana, salada de frutas, graviola, geleia de morango e geleia de ameixa.
Para o produtor, a experiência mostrou que transformar a matéria-prima é uma forma de valorizar o trabalho desenvolvido no campo.
“Aprendi que o leite em si não é valorizado como deveria ser. Empreender nisso será bem mais viável do que só produzir a matéria-prima”, disse.
Mesmo com a expansão da marca, Cuquinha afirma que a regularização do empreendimento ainda é um dos principais desafios.
“O maior desafio foi e é registrar minha marca. É um processo delicado, mas está dando certo”, afirmou.
Apesar das dificuldades, o jovem acredita que o agronegócio oferece oportunidades para quem deseja construir uma carreira no campo.
“O agro é uma oportunidade para os jovens e eu sou a prova viva disso. Falta mostrar para essas pessoas que o agro é viável e tem várias possibilidades para se fazer dinheiro, mesmo sendo jovem. Basta ter coragem, responsabilidade, criatividade, resiliência e, o mais importante, fé que vai dar certo”, destacou.
O objetivo dele é ampliar o negócio e inspirar outros jovens a enxergarem possibilidades dentro da própria terra.
“Sonho em chegar a uma grande empresa e poder influenciar outros jovens e pessoas a acreditarem que o agronegócio dá certo. Basta querer e enfrentar os desafios”, afirmou.
A mensagem para quem pensa em deixar o campo é baseada na própria experiência.
“Sempre procurem inovar e se conectar com o campo, pois é um mundo de possibilidades. Não tenham medo do processo nem dos desafios. Não deixem para trás aquilo que herdaram. Eu tenho orgulho de ser do campo e quero que vocês também tenham”, concluiu.
Empreleite defende transformação do leite para fortalecer produtores

A história de Cuquinha também representa um movimento defendido pela Empreleite: incentivar produtores rurais a transformar o leite em produtos com maior valor agregado.
Segundo o presidente da associação, Marinho de Sousa, a produção artesanal de derivados cria novas possibilidades econômicas para as propriedades rurais.
“A atividade de leite é uma atividade desacreditada. Temos problemas climáticos, dificuldade de mão de obra e, historicamente, é um produto em que quem indica o preço e as condições de pagamento é o comprador. Quando você transforma esse leite em queijo, você valoriza o seu produto, toda a sua cadeia, e consegue ter três, quatro, cinco vezes mais valor”, afirmou.
Para ele, a agregação de valor também é uma estratégia para estimular a permanência dos jovens no campo.
“Historicamente, temos poucos casos de sucessão familiar porque a atividade tem baixa rentabilidade. Quando você transforma esse leite em queijo e incentiva o produtor a dar mais um passo no empreendedorismo, a conta começa a fechar e ele passa a enxergar valor no que faz”, comentou.
A Empreleite reúne produtores artesanais do Rio Grande do Norte e atua na regularização, qualificação e divulgação dos produtos derivados do leite. A entidade participa da Festa do Boi, no Pavilhão 4, como uma forma de aproximar consumidores e produtores e apresentar a diversidade da produção potiguar.
“A Festa do Boi é a maior feira agropecuária do nosso estado e uma das maiores do Brasil. Nesse evento, apresentamos à sociedade o trabalho que a associação vem fazendo na valorização do produtor artesanal, mostrando que é possível, com uma pequena produção da agricultura familiar, agregar valor e viver bem da atividade”, ressaltou Marinho.
Durante os nove dias de evento, o público poderá conhecer produtos artesanais, acompanhar atividades ligadas ao agronegócio e observar como histórias como a de Cuquinha mostram novas possibilidades para quem escolhe permanecer no campo.

































