Nas eleições de 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado Federal. Apesar da regra valer sempre que são renovadas duas das três cadeiras de cada estado, o procedimento ainda é desconhecido por parte do eleitorado e costuma provocar um elevado número de votos brancos e nulos para o cargo.
Para ampliar a informação sobre o tema, o Instituto Update lançou a campanha “Voto pro Senado”, iniciativa cívica e apartidária que busca explicar como funciona a votação e reduzir o chamado abandono do voto para senador.
Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços da Casa.
Cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores, que cumprirão mandato de oito anos.
Segundo a diretora de Estratégia do Instituto Update, Dany Fioravanti, a campanha surgiu após a constatação de que milhões de brasileiros deixam de exercer plenamente o direito ao voto por falta de informação.
“A gente percebeu que precisava levar essa informação para a população, de que esse ano a gente tem dois votos para o Senado, que esses votos não podem ser repetidos. A gente precisa escolher duas pessoas diferentes e chegar na urna sabendo como funciona a votação”, afirmou.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2018, última eleição em que duas vagas ao Senado estavam em disputa, foram registrados 63,3 milhões de votos brancos e nulos para o cargo. Em 2022, quando cada eleitor escolheu apenas um senador, esse número caiu para 23 milhões.
Repetir o número anula o segundo voto A campanha destaca que o eleitor deve escolher dois candidatos diferentes ao Senado. Caso repita o número do mesmo candidato nas duas votações, apenas o primeiro voto será considerado válido.
“São dois votos para o Senado, para pessoas, candidaturas diferentes. Se a gente repete o número, esse segundo voto é anulado”, explicou Dany Fioravanti.
Entre os erros mais frequentes apontados pela campanha estão deixar de registrar o segundo voto, votar em branco por não ter uma segunda opção definida ou repetir o número do primeiro candidato. A orientação é que o eleitor leve uma “colinha” com os números dos candidatos, já que o uso do celular é proibido na cabine de votação.
Senado influencia decisões nacionais Além de aprovar leis junto com a Câmara dos Deputados, o Senado exerce funções exclusivas, como analisar indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF), Banco Central, Procuradoria-Geral da República e embaixadas, além de julgar autoridades em processos de impeachment.
Para a diretora do Instituto Update, o eleitor deve dar atenção ao cargo devido ao impacto das decisões tomadas pelos senadores.
“O Senado tem uma influência muito grande nas decisões que impactam a nossa vida, como segurança pública, saúde, transporte e economia. Além disso, exerce a função de fiscalizar o Poder Executivo e analisar indicações para cargos importantes”, afirmou.
A campanha “Voto pro Senado” está sendo divulgada nas redes sociais, em rádio, mídia exterior e no site oficial da iniciativa, com o objetivo de reforçar que, nas eleições deste ano, cada eleitor deve escolher dois candidatos diferentes para o Senado Federal.
O Instituto Update é uma organização sem fins lucrativos que atua como uma plataforma de inovação e imaginação política no Sul Global.
O bullying e o cyberbullying deixaram de ser tratados apenas como “brincadeira de criança” para ocupar espaço entre os principais desafios enfrentados por famílias, escolas e profissionais de saúde. Além dos impactos emocionais que podem acompanhar crianças e adolescentes por muitos anos, a intimidação sistemática passou a contar com previsão específica no Código Penal e exige uma atuação conjunta de pais, educadores, profissionais de saúde e do sistema de Justiça.
O debate ganha força em meio ao crescimento das notificações. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 5.226 ocorrências de bullying e cyberbullying envolvendo crianças e adolescentes em 2025, contra 3.161 no ano anterior, alta de 67,3%.
Na esfera estadual, em 24 de outubro de 2025, o Governo do RN instituiu a Lei Nº 12.486/2025, que trata de notificação compulsória de casos de bullying e cyberbullying cometidos contra menores em instituições de ensino, abrangendo episódios ocorridos tanto no ambiente presencial quanto no digital. Pela nova norma, a direção da escola deve comunicar obrigatoriamente o Conselho Tutelar em até 24 horas após a confirmação da intimidação sistemática, informando dados de identificação do possível autor e da vítima com base nos critérios do artigo 146-A do Código Penal. Após receber o relato, cabe ao Conselho Tutelar encaminhar o caso às autoridades competentes com apoio no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), enquanto as escolas ficam autorizadas a afixar cartazes e comunicados em áreas de uso comum para conscientizar e incentivar a comunidade escolar a denunciar tais práticas.
Para o médico psiquiatra Adriano Araújo, entretanto, esse aumento não significa necessariamente que a violência tenha crescido na mesma proporção. Na avaliação do especialista, a criminalização do bullying e do cyberbullying pela Lei nº 14.811/2024, que inclui os crimes de bullying e cyberbullying no Código Penal, contribuiu para ampliar o reconhecimento das situações de violência e estimular as denúncias.
“Minha leitura é que esse crescimento provavelmente reflete, em grande medida, maior reconhecimento, conscientização e registro. E é possível que os números continuem aumentando nos próximos anos justamente porque estamos aprendendo a identificar melhor algo que durante décadas foi naturalizado como ‘brincadeira de criança’”, afirmou Adriano Araújo.
Muito além de uma brincadeira. Situação pode provocar sofrimento emocional Segundo o psiquiatra, a principal diferença entre uma brincadeira e o bullying está no sofrimento provocado à vítima.
“Existe uma diferença fundamental: em uma brincadeira, todos deveriam estar se divertindo. Se uma criança se diverte enquanto a outra sente medo, vergonha, humilhação ou sofrimento, precisamos parar de chamar aquilo de brincadeira”, explicou Adriano Araújo.
O especialista ressalta que infância e adolescência representam fases decisivas para a construção da autoestima e da identidade. Quando uma criança é submetida repetidamente a humilhações, esses episódios podem alterar a forma como ela passa a enxergar a si mesma.
“Quando uma criança ou adolescente é sistematicamente humilhado justamente nessa fase, aquelas agressões podem começar a fazer parte da maneira como ele se percebe. Ele deixa apenas de ouvir ‘você é feio’, ‘você é estranho’ ou ‘ninguém gosta de você’ e pode começar a pensar: ‘eu sou assim’”, afirmou.
Embora o bullying possa ocorrer em diferentes ambientes, o cyberbullying ampliou significativamente o alcance das agressões.
“O cyberbullying é a extensão dessa violência para os ambientes digitais. Pode ocorrer por redes sociais, aplicativos de mensagens, grupos, jogos on-line, publicação ou compartilhamento de fotografias e vídeos, montagens, criação de perfis falsos e diversas outras formas de exposição ou perseguição”, explicou Adriano Araújo.
Segundo ele, a principal diferença está na impossibilidade de a vítima encontrar um espaço de proteção.
“Antigamente, uma criança que sofria bullying na escola podia encontrar algum refúgio ao chegar em casa. Hoje, muitas vezes, o agressor vai junto no bolso. A agressão chega pelo celular ao quarto, à mesa do jantar e até à madrugada”, destacou.
Essa exposição contínua pode provocar ansiedade, alterações do sono, isolamento social, queda no rendimento escolar e até quadros de depressão.
“A vítima pode começar a viver em estado permanente de alerta. Uma notificação deixa de ser apenas uma notificação. Pode ser uma nova mensagem, uma nova postagem, alguém compartilhando uma fotografia ou fazendo um comentário”, alertou o psiquiatra.
Na prática clínica, Adriano Araújo afirma que muitos pacientes não chegam ao consultório relatando diretamente que sofrem bullying.
“Muitas vezes ele chega por ansiedade, sintomas depressivos, alterações do sono, queda no rendimento escolar, isolamento, recusa em ir à escola ou perda de autoestima. Quando começamos a compreender melhor o contexto, aparecem episódios de humilhação, exclusão de grupos, comentários sobre aparência, exposição de fotografias ou perseguição no ambiente digital”, comentou.
O psiquiatra alerta que o bullying pode funcionar como fator de risco para transtornos mentais e destaca a associação com automutilação e comportamento suicida.
“Existe uma consequência que precisamos levar muito a sério: a associação com automutilação, ideação suicida e comportamento suicida”, afirmou.
Lei prevê punição para bullying e cyberbullying Além das consequências para a saúde mental, o bullying passou a ter consequências jurídicas.
O advogado criminalista Jackson Ribeiro explica que a legislação diferencia o bullying presencial do cyberbullying, que recebe tratamento mais rigoroso devido ao potencial de disseminação das agressões.
“Bullying é a intimidação sistemática: agressão física ou psicológica, feita de propósito e de forma repetida, sem motivo aparente, por uma pessoa ou por um grupo, para humilhar, amedrontar ou excluir alguém. O cyberbullying é a mesma conduta levada para o ambiente digital”, esclareceu Jackson Ribeiro.
Segundo ele, enquanto o bullying presencial prevê pena de multa, quando não houver crime mais grave, o cyberbullying pode resultar em reclusão de dois a quatro anos, além de multa.
“É uma diferença grande, e ela é intencional: o legislador entendeu que o dano causado no ambiente virtual é mais amplo e mais duradouro”, afirmou.
Jackson Ribeiro ressalta ainda que adolescentes menores de 18 anos não respondem criminalmente como adultos, mas podem cumprir medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Já na esfera civil, os pais podem responder pelos danos causados pelos filhos menores.
“Os pais podem ser condenados a pagar indenização por danos morais e materiais à vítima. A escola, pública ou particular, também pode ser responsabilizada quando o bullying acontece sob a guarda dela”, explicou o advogado.
O especialista alerta ainda que compartilhar ou republicar conteúdos ofensivos também pode gerar responsabilização.
“Quem compartilha ou republica conteúdo ofensivo ajuda a espalhar o dano e pode responder junto, tanto criminalmente quanto no dever de indenizar. O recado é simples: na internet, quem espalha também agride”, destacou Jackson Ribeiro.
Combate depende de prevenção e acolhimento Para Adriano Araújo, o enfrentamento ao bullying depende de uma mudança de comportamento de toda a sociedade. O psiquiatra orienta que pais e educadores estejam atentos às mudanças de comportamento de crianças e adolescentes e acolham os relatos sem minimizar o sofrimento.
“Às vezes, nossa reação é dizer ‘não ligue’, ‘isso passa’, ‘você precisa aprender a se defender’. Para um adulto, determinado comentário pode parecer pequeno. Para um adolescente que está construindo sua identidade e tentando encontrar seu lugar no grupo, aquilo pode assumir uma dimensão completamente diferente”, afirmou.
O especialista também deixou um recado aos adolescentes.
“Pedir ajuda não é fraqueza e denunciar não é exagero. Ninguém precisa suportar violência para provar que é forte”, concluiu Adriano Araújo.
Durante a campanha eleitoral de 2026, o nome do empresário Oséas Monthalggan, vem sendo levado aos debates pelo então candidato Álvaro Dias, que questiona o ex-prefeito Allyson Bezerra sobre quem é o empresário e qual era sua relação com a gestão municipal. As provocações ocorreram enquanto a Dismed Distribuidora de Medicamentos, da qual Oséas é sócio-administrador, acumulava milhões de reais em contratos com a Prefeitura de Mossoró. Naquele momento, o nome ainda era pouco conhecido do público. Hoje, Oséas aparece nas investigações da Operação Mederi, da Polícia Federal, em gravações nas quais são mencionados percentuais atribuídos a Allyson Bezerra e sua ex-assessora Fátima Dantas.
O empresário Oséas Monthalggan Fernandes Costa passou a ocupar posição central no cenário eleitoral de 2026. O nome dele aparece nas investigações da Operação Mederi, da Polícia Federal, em gravações ambientais nas quais ele detalha uma suposta divisão de valores envolvendo contratos de medicamentos em Mossoró e menciona percentuais atribuídos a Allyson Bezerra e sua ex-assessora Maria de Fátima Dantas dos Santos.
Antes de aparecer nas gravações analisadas pela PF, Oséas já tinha sido alvo de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa envolvendo a Drogaria Mais Saúde Sociedade Empresária Ltda. O processo tramitou na Vara Única da Comarca de Santana do Matos e teve como autor o Ministério Público do Rio Grande do Norte. Figuram como réus Oséas, Roberta Ferreira Praxedes Costa, Mônica Maria Damasceno e a empresa.
O caso terminou com um Acordo de Não Persecução Civil firmado entre o Ministério Público e os envolvidos. A Justiça homologou o acordo, que estabeleceu, entre outras condições, o ressarcimento do dano e o pagamento de multa civil. A homologação judicial ocorreu em dezembro de 2023, com determinação para cumprimento das obrigações pactuadas. A partir da Operação Mederi, a Polícia Federal passou a analisar a atuação de Oséas dentro do grupo empresarial ligado à distribuição de medicamentos. Segundo o relatório policial, ele é sócio da Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda e aparece como um dos principais integrantes do núcleo investigado. A PF também registrou que a empresa mantinha relação comercial com diversos municípios potiguares.
Trecho de documento do MPRN, após acordo de “Não percecursão cível” em favor de Oséas Monthalggan – Foto: Reprodução
No caso de Mossoró, a investigação passou a olhar os contratos firmados entre a Dismed e a Prefeitura durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra. Dados Dde despesas públicas do município apontam que a empresa acumulou R$ 17.035.297,10 em valores empenhados. Desse montante, R$ 14.218.661,89 foram liquidados e R$ 13.616.217,29 foram pagos pelos cofres públicos municipais.
Os pagamentos envolvem principalmente áreas ligadas à saúde pública, mas também registros em diferentes unidades administrativas da Prefeitura de Mossoró, incluindo Fundo Municipal de Saúde, Fundo Municipal de Assistência Social e outras secretarias municipais.
A “matemática de Mossoró”
Imagens da Operação Mederi mostram o empresário na sede da Dismed – Foto: Reprodução
O ponto mais sensível da investigação está em uma gravação ambiental feita pela Polícia Federal dentro da sede da Dismed. No diálogo entre Oséas e o também sócio José Moabe Zacarias Soares, o empresário apresenta uma conta que chama de “matemática de Mossoró”.
Segundo a transcrição da PF, Oséas fala sobre uma ordem de compra de R$ 400 mil e afirma que, após os cálculos, “dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil a Allyson e a Fátima”, mencionando “dez por cento de Fátima e quinze por cento de Allysson”.
Em outro trecho analisado pelos investigadores, a PF registra que Oséas teria explicado anteriormente uma divisão de percentuais, falando em 15% como “a parte do homem” e 10% como “a parte disso aí”. Segundo o relatório policial, somente depois das conversas posteriores teria sido possível associar os percentuais aos nomes mencionados pelos interlocutores.
A Polícia Federal afirma no relatório que considera “muito provável” que a referência ao nome “Allyson” corresponda ao prefeito de Mossoró, Allyson Leandro Bezerra Silva.
Crescimento empresarial O relatório da PF também destaca a evolução da Dismed após a entrada de Oséas no quadro societário. Segundo o documento, ele passou a integrar a empresa em fevereiro de 2021. A investigação registra que o faturamento da empresa cresceu no período analisado, chegando a mais de R$ 11 milhões em 2023.
Oséas também tem trajetória política. A PF registra que ele exerceu mandato de vereador entre 2017 e 2020 e disputou a Prefeitura de Upanema nas eleições de 2024.
Além dos contratos e das gravações, a investigação analisou movimentações financeiras relacionadas às empresas. O relatório cita saques em espécie e operações consideradas suspeitas pelos investigadores, incluindo retiradas associadas ao núcleo empresarial comandado por Oséas.
A governadora Fátima Bezerra (PT) entra nos últimos dias da campanha intensificando a participação nas agendas de Cadu de Lula (PT) e confiante na presença do candidato no segundo turno da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, Fátima afirmou que a mobilização foi ampliada nesta reta final e apostou na força eleitoral do presidente Lula como um fator que pode impulsionar a candidatura petista no Estado.
“Tenho participado ativamente da campanha, estamos muito mobilizados, entusiasmados e confiantes nesta reta final. A eleição aqui no Rio Grande do Norte será definida em dois turnos.
Cadu de Lula estará no segundo turno e sairemos vitoriosos”, afirmou a governadora.
Segundo Fátima, a reta final será marcada pela intensificação da presença nas ruas e pela mobilização do grupo político ligado ao presidente. Para ela, a associação entre Cadu e Lula pode ampliar o desempenho do candidato petista entre os eleitores potiguares.
“Vale lembrar que Lula será eleito, e isso deve ampliar a votação aqui no Estado e beneficiar ainda mais a eleição de Cadu”, declarou.
A estratégia de aproximar as duas candidaturas também tem sido reforçada pelo próprio presidente. Em um vídeo recente, Lula voltou a pedir votos para o candidato petista e destacou a vinculação entre os dois projetos eleitorais.
“Para governador, vote Cadu de Lula. Quem vota Lula, presidente treze, vota Cadu, governador treze”, afirmou o presidente.
Não é a primeira vez nesta campanha que Lula grava material de apoio a Cadu no Rio Grande do Norte. O presidente já havia participado de vídeos e agendas ao lado do candidato, reforçando a estratégia da campanha de associar o voto estadual ao projeto nacional do PT.
A confiança da governadora acompanha o crescimento apresentado por Cadu ao longo da pré-campanha e da campanha. O petista saiu de um patamar de 4,11% das intenções de voto em outubro de 2025 para assumir a segunda colocação na rodada mais recente da DataVero/Diário do RN.
De 4,11% à segunda colocação Em outubro do ano passado, quando o cenário eleitoral ainda reunia outros nomes, Cadu aparecia com 4,11%. Na primeira pesquisa DataVero/Diário do RN após o início oficial da campanha, divulgada em 14 de agosto, já alcançava 22,66%.
O crescimento ocorreu justamente em um período no qual a campanha passou a explorar de forma mais intensa a associação com Lula e Fátima. O próprio nome eleitoral “Cadu de Lula” passou a reforçar essa vinculação, enquanto a governadora ampliou sua participação nas agendas pelo Estado.
Na rodada seguinte da DataVero/Diário do RN, divulgada em 28 de agosto, Cadu chegou a 23,21%.
O salto mais significativo veio no levantamento de setembro: com 28,28%, ultrapassou Álvaro Dias (PL), que registrou 23,11%, e assumiu a segunda colocação. Allyson Bezerra (União Brasil) aparecia na liderança, com 35,18%.
Entre outubro de 2025 e setembro deste ano, portanto, Cadu saiu de 4,11% para 28,28%, crescimento de mais de 24 pontos percentuais. A evolução também mudou a configuração da disputa, com o petista passando da condição de candidato ainda pouco conhecido do eleitorado para a segunda posição no levantamento mais recente do instituto.
É sobre esse avanço que Fátima sustenta a confiança para os últimos dias. A governadora avalia que a mobilização em torno de Lula pode produzir reflexos adicionais na eleição estadual e ampliar o espaço de Cadu entre os eleitores que apoiam o presidente, levando o petista ao segundo turno da disputa.
Na reta final da campanha, Álvaro Dias (PL) intensificou nesta quarta-feira (30) a agenda política entre Natal e Mossoró, em uma mobilização voltada a reforçar a estrutura do grupo e ampliar a presença do candidato nos dois principais polos eleitorais do Estado. Na capital, o candidato ao Governo percorreu bairros da Zona Oeste ao lado do prefeito Paulinho Freire (União Brasil), da vice-prefeita Joana Guerra (PL) e de vereadores aliados.
A agenda passou por bairros como Bom Pastor, Cidade da Esperança e Dix-Sept Rosado, com caminhadas e contato direto com eleitores. A presença de integrantes do grupo político que sustenta a candidatura buscou dar corpo à mobilização nos últimos dias antes da votação.
Enquanto Álvaro concentrava esforços em Natal, o candidato a vice-governador, Babá Pereira (PL), participava de uma motocarreata em Mossoró. A movimentação no Oeste também recebeu reforço político de Flávio Bolsonaro e do senador Rogério Marinho, que divulgaram um vídeo convocando apoiadores para a “Motocarreata da Liberdade”, marcada para a tarde desta quarta-feira.
“Você do Rio Grande do Norte, Flávio Bolsonaro aqui, quero agradecer a todos vocês, organizando essas motocarreatas, paredão pelas ruas do Rio Grande do Norte, até mesmo sem a minha presença. Então fico muito feliz de ver esse movimento no Rio Grande do Norte, que está acontecendo também, graças a Deus, em todo o Brasil”, afirmou Flávio.
Na sequência, Rogério Marinho reforçou o chamado para a mobilização em Mossoró.
“O Rio Grande do Norte e o Nordeste do Brasil acordou e está fazendo a sua parte. Alegria está contagiando todo o Estado do Rio Grande do Norte. Dezenas de carreatas, motocarreatas, motossíatas, adesivaços espontaneamente estão acontecendo por todo o Estado”, declarou.
A concentração da “Motocarreata da Liberdade”, segundo os organizadores, teve início às 16h22, na Avenida Rio Branco, principal via da cidade, seguida de percurso por bairros e avenidas de Mossoró.
Motocarreata em Mosssoró se concentrou na Avenida Rio Branco, principal via da cidade – Foto: Reprodução
Reforço na reta final A mobilização ocorre em um momento em que Álvaro tenta recuperar espaço na disputa pelo Governo. Na pesquisa mais recente DataVero/Diário do RN, divulgada em 10 de setembro, o candidato registrou 23,11% no cenário em que os principais apoios políticos foram apresentados aos eleitores. Cadu de Lula (PT) apareceu com 28,28% e Allyson Bezerra (União Brasil), com 35,18%.
O levantamento mostrou uma disputa mais acirrada pela segunda colocação. Na rodada anterior do mesmo instituto, Álvaro tinha 25,85%, enquanto Cadu aparecia com 23,21%. No cenário com os apoios, porém, o petista avançou para 28,28%, enquanto Álvaro recuou para 23,11%.
A ofensiva dos últimos dias combina agendas próprias do candidato com a presença de prefeitos, vereadores e lideranças do PL, além da mobilização vinculada à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em Natal, Álvaro buscou ampliar a presença no eleitorado da capital. Em Mossoró, o grupo apostou na estrutura política local e na mobilização de apoiadores.
A concentração de atividades nas duas cidades ocorre justamente na última semana antes da votação, quando a campanha tenta transformar a estrutura política reunida em torno de Álvaro em mobilização eleitoral e captação de resultados.
A Casa Durval Paiva está novamente entre as 100 Melhores ONGs do Brasil. A instituição potiguar recebeu o reconhecimento na edição 2026 do Prêmio Melhores ONGs, iniciativa que avalia critérios como gestão, governança, transparência, sustentabilidade financeira e impacto social.
Com 31 anos de atuação, a Casa Durval Paiva desenvolve um trabalho voltado ao acolhimento e à assistência integral de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas, além do suporte oferecido às famílias durante o tratamento.
O prêmio, que completa dez edições em 2026, reconhece organizações da sociedade civil que apresentam boas práticas de administração e resultados sociais. As instituições selecionadas são divulgadas em ordem alfabética, sem estabelecer uma classificação entre as 100 escolhidas.
Para o diretor-presidente da Casa Durval Paiva, Rilder Campos, o reconhecimento representa a confirmação de uma trajetória construída com responsabilidade e compromisso social.
“Esse reconhecimento representa a valorização de uma trajetória de 31 anos dedicada ao acolhimento e à assistência de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas, bem como, de suas famílias. É, também, a confirmação de que estamos no caminho de uma gestão comprometida com a transparência, a responsabilidade e o impacto social”, afirmou.
Segundo ele, a conquista envolve toda a rede que participa da manutenção da instituição.
“Essa conquista pertence a todos que fazem parte da nossa história: colaboradores, voluntários, parceiros e doadores, que acreditam na nossa missão e contribuem diariamente para transformar vidas. Mais do que um prêmio, é um incentivo para continuarmos trabalhando com dedicação e responsabilidade”, destacou.
Reconhecimento nacional acompanha trajetória consolidada da instituição
Apesar do reconhecimento nacional, uma das principais necessidades ainda é garantir a sustentabilidade financeira – Foto: Reprodução
A Casa Durval Paiva participa do Prêmio Melhores ONGs desde as primeiras edições e já recebeu outros reconhecimentos nacionais e regionais.
Entre eles estão os títulos de Melhor ONG do Nordeste, em 2017; Melhor ONG do Brasil, em 2018; e Melhor ONG do Rio Grande do Norte, em 2021 e 2024.
Para Rilder Campos, manter o reconhecimento ao longo dos anos exige planejamento e aperfeiçoamento constante.
“Manter esse padrão é resultado de um trabalho contínuo, construído com planejamento, compromisso e responsabilidade na aplicação dos recursos. Buscamos aprimorar nossos processos, investir na qualificação da equipe, fortalecer parcerias e acompanhar os resultados das nossas ações”, explicou.
O diretor ressalta que a missão da instituição exige uma atuação permanente.
“Temos uma missão que exige dedicação permanente, porque lidamos diariamente com crianças, adolescentes e famílias que precisam de acolhimento e suporte durante o tratamento.
Por isso, cada reconhecimento também renova o nosso compromisso de evoluir, sem perder a essência do cuidado humanizado que marca a história da Casa Durval Paiva”, afirmou.
Os critérios avaliados pelo prêmio fazem parte da rotina administrativa da instituição. Segundo Rilder Campos, a gestão responsável envolve planejamento, acompanhamento dos recursos e definição de processos.
“A transparência se concretiza na prestação de contas e na divulgação dos resultados alcançados.
Já a sustentabilidade financeira depende da mobilização de doadores, da construção de parcerias e da diversificação das fontes de recursos”, explicou.
O diretor destaca que o impacto social está diretamente relacionado à aplicação desses recursos.
“Tudo isso está diretamente ligado ao impacto social, que se traduz nos atendimentos realizados e no suporte oferecido às crianças, aos adolescentes e às famílias. Nosso compromisso é garantir que os recursos recebidos sejam convertidos em cuidado, assistência e qualidade de vida”, afirmou.
Até agosto de 2026, a Casa Durval Paiva acompanhava 419 crianças e adolescentes ativos, com famílias vindas de 201 municípios.
Somente em 2026, a instituição realizou 8.997 atendimentos, ofereceu 4.166 hospedagens, serviu 20.287 refeições e distribuiu 2.144 cestas básicas.
Os números refletem a necessidade de uma assistência ampla para famílias que muitas vezes precisam deixar suas cidades de origem para realizar o tratamento.
“A assistência integral é especialmente importante para as famílias que precisam se deslocar de seus municípios para realizar o tratamento”, destacou Rilder Campos.
Instituição depende de doações para manter serviços Apesar do reconhecimento nacional, a Casa Durval Paiva afirma que uma das principais necessidades continua sendo garantir a sustentabilidade financeira para manter os projetos e atendimentos.
A instituição é mantida integralmente por doações de pessoas físicas e jurídicas, responsáveis por apoiar serviços como acolhimento, hospedagem, alimentação e atendimentos multiprofissionais.
“Nossa principal necessidade é garantir a sustentabilidade financeira da instituição para manter os serviços e projetos que beneficiam crianças, adolescentes e suas famílias”, afirmou o diretor.
Rilder Campos reforça o convite para que a sociedade participe da manutenção da causa.
“Cada contribuição, independentemente do valor, ajuda a manter o acolhimento, a alimentação, a hospedagem e os atendimentos multiprofissionais oferecidos pela Casa”, disse.
As doações podem ser realizadas pelo site da instituição ou por meio do telefone (84) 4006-1600.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com apoio da Fecomércio-RN, avaliou como positiva a Medida Provisória nº 1.394/2026, que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. Para a entidade, a restrição às plataformas de apostas pode ajudar a proteger o orçamento das famílias e reduzir impactos sobre a capacidade de consumo da população.
Segundo a CNC, a expansão das chamadas bets passou a representar uma preocupação econômica diante do comprometimento da renda dos brasileiros, especialmente em um cenário de endividamento e perda do poder de compra.
A entidade afirma ainda que a interrupção das operações, isoladamente, não resolve todos os fatores que afetam o consumo, como o alto nível das taxas de juros, mas considera a medida necessária para reduzir riscos de agravamento da inadimplência e contribuir para o equilíbrio financeiro das famílias.
Ao reduzir a destinação de recursos para apostas online, a avaliação da CNC é de que parte da renda pode voltar a ser direcionada para despesas essenciais, pagamento de dívidas e consumo de bens e serviços, fortalecendo a economia.
Especialista alerta para impactos na saúde mental Além dos efeitos econômicos, o fim das plataformas autorizadas também amplia o debate sobre os impactos das apostas na saúde mental. Para o psicólogo Renato Rosa, especialista em Tratamento das Dependências Digitais, a redução do acesso pode contribuir para diminuir danos, mas não deve ser vista como única resposta ao problema.
Segundo o especialista, o crescimento das apostas digitais criou uma nova demanda para a área da saúde, principalmente pela facilidade de acesso aos jogos, que podem ser realizados a qualquer momento pelo celular, com pagamentos instantâneos.
“Medidas que reduzem o acesso e a exposição às apostas, com certeza podem contribuir para a redução de danos, mas elas acabam não sendo suficientes sozinhas. É necessário investir muito em prevenção, em educação, educação financeira e em tratamento para quem já desenvolveu ali um padrão problemático relacionado a esta demanda, relacionada ao jogo”, afirmou Renato Rosa.
A medida do Governo Federal determina o encerramento das autorizações concedidas para empresas de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online, em ambientes físicos e virtuais. As empresas que atuavam de forma autorizada terão prazo até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios relacionados às bets.
A decisão também prevê fiscalização contra plataformas ilegais e a criação de um comitê para coordenar ações de prevenção, fiscalização e repressão à exploração irregular das apostas.
Facilidade de acesso favorece comportamento compulsivo
Renato Rosa, psicólogo: “Precisamos aproveitar esse momento para ampliar também a prevenção e o cuidado com quem já está em sofrimento” – Foto: Reprodução
Para Renato Rosa, a popularização das apostas digitais está relacionada a fatores que aumentam o risco de desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
“Nos últimos anos elas cresceram muito e aí a gente vê alguns fatores como a disponibilidade 24 horas na palma da nossa mão, a velocidade com que você pode apostar, com que alguns resultados saem e a facilidade de se enviar ali pagamentos que é pela modalidade PIX e você concretizar ali as apostas e você pode acabar entrando num processo repetitivo, repetitivo e aí compulsivo”, explicou.
O psicólogo destaca que um dos mecanismos envolvidos nesse processo é a chamada recompensa variável, conceito utilizado pela psicologia para explicar como a imprevisibilidade dos resultados pode estimular a repetição de determinado comportamento.
“O indivíduo, quando ele aposta, ele não sabe exatamente quando ele vai ganhar, mas ele tem a expectativa de que ele ganhe. Então, esse fato dele não saber quando, mas saber que há chance de eventualmente ter algum ganho, essa imprevisibilidade, acaba favorecendo a repetição do comportamento do indivíduo”, afirmou.
Segundo o especialista, o problema surge quando a aposta deixa de ser uma forma de entretenimento e passa a representar perda de controle.
“O grande problema para essas pessoas é que o jogo vai deixando de ser entretenimento e começa a se transformar ali na perda de controle, que é a principal característica do transtorno do jogo”, explicou.
Um dos sinais mais comuns em casos de dependência é a tentativa de recuperar valores perdidos por meio de novas apostas, comportamento conhecido como chasing losses.
“A pessoa perdendo dinheiro, ela passa a apostar novamente para tentar recuperar o que ela perdeu. É o que nós chamamos de chasing losses, é a corrida para recuperar as perdas, só que a próxima aposta que na cabeça dela pode salvá-la, pode ser cavar mais um pouco aquele buraco”, afirmou Renato Rosa.
Para o psicólogo, o alerta não aparece apenas quando existem grandes perdas financeiras, mas quando a pessoa começa a perder autonomia sobre a própria relação com o jogo.
“O problema não começa necessariamente quando a pessoa perde muito dinheiro. Muitas vezes começa quando ela percebe que está perdendo o controle e aí quando ela percebe que está perdendo o controle da situação, do seu querer, da sua vontade, do seu desejo, a gente já tem ali uma bandeira vermelha levantada”, destacou.
Apesar de considerar a medida positiva, Renato Rosa alerta para o risco de crescimento das plataformas clandestinas caso não haja fiscalização adequada.
“Com essa proibição das bets legalizadas, uma outra porta está se abrindo ainda mais, que é das bets ilegais, e com isso muitas pessoas que estão tendo seu acesso restrito, em virtude do seu adoecimento, da sua condição de saúde, podem migrar para essas outras casas”, afirmou.
O especialista defende que o momento deve ampliar a discussão sobre prevenção e atendimento às pessoas que já apresentam sinais de dependência.
“Mais do que discutir apenas o fim das plataformas, eu acho importante aproveitar esse momento para discutir saúde mental, prevenção, tratamento, porque o problema não começa necessariamente quando a pessoa perde muito dinheiro”, disse.
Dados indicam crescimento dos impactos O Governo Federal também passou a tratar os efeitos das apostas online como uma questão de saúde pública. Estudos apontam relação entre o transtorno do jogo e problemas como ansiedade, depressão, alterações no sono, conflitos familiares e isolamento social.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde indicam que, entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados ao jogo patológico e problemas associados às apostas cresceram cerca de 140%.
Para Renato Rosa, o enfrentamento do problema precisa envolver diferentes áreas.
“Essas pessoas precisam ter acesso a tratamentos, precisam ter acesso ali a psicólogos, a médicos, a uma equipe de saúde porque a dependência atua no cérebro do indivíduo fazendo algumas mudanças, trazendo alguns comportamentos, trazendo sofrimentos relacionados ali à sua saúde”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a restrição às plataformas representa um passo inicial, mas precisa estar acompanhada de políticas de educação, prevenção e cuidado.
“Do ponto de vista da saúde mental, considero que essa medida pode rep
Um homem percebe sangue na urina. O sinal desaparece e, com ele, também vai embora a preocupação. Sem dor e sem outros sintomas, decide esperar. Se voltar a acontecer, pensa, aí procura um médico. O exemplo, relatado pelo urologista Maryo Kempes, ajuda a ilustrar um comportamento ainda frequente entre homens: adiar o cuidado até que o organismo obrigue a interromper a rotina.
Para o especialista, o problema não está apenas na resistência a procurar um urologista. É uma relação mais ampla com a própria saúde, construída desde cedo e marcada pela ideia de que o homem precisa suportar dores, evitar demonstrar fragilidade e continuar trabalhando mesmo quando alguma coisa não vai bem.
“Ele foi criado com aquela ideia de que ele é super-herói, que não pode adoecer, não pode mostrar fraqueza”, afirma Kempes.
Um hábito que pode começar na adolescência Na avaliação do urologista, a prevenção masculina começa antes da vida adulta. Enquanto as meninas costumam entrar em contato com o ginecologista ainda na adolescência, os meninos nem sempre recebem a mesma orientação sobre o próprio corpo, desenvolvimento sexual e infecções sexualmente transmissíveis.
Kempes considera que essa diferença ajuda a explicar por que muitos homens chegam à idade adulta sem uma rotina de acompanhamento médico.
“Do mesmo jeito que a menina pega as ISTs, o menino também pega. Do mesmo jeito que a menina tem dúvida do que é certo e errado, o menino também tem”, afirma.
A falta desse hábito pode se prolongar por décadas. Um dado informado pelo especialista chama atenção: 60% dos homens que procuraram pela primeira vez o urologista para avaliação da saúde prostática foram levados por terceiros, principalmente mulheres, entre filhas e parceiras.
O levantamento não representa todos os homens que procuram atendimento médico, mas evidencia a participação da família na decisão de buscar acompanhamento. Para Kempes, muitos homens chegam ao consultório porque alguém próximo tomou a iniciativa.
“Quando a gente pergunta para muitos homens por que eles vieram ao consultório, eles dizem: ‘Minha mulher marcou e me trouxe’”, relata.
Urologia vai muito além da próstata A ideia de que o urologista seria apenas o “médico da próstata” também limita a compreensão sobre a especialidade. A urologia acompanha doenças do aparelho urinário de homens e mulheres e também do sistema reprodutor masculino.
“A urologia é uma especialidade médica e cirúrgica que trata do aparelho urinário feminino e masculino e do aparelho reprodutor masculino”, explica Kempes.
Na infância, podem aparecer situações como fimose, testículos que não desceram para a bolsa escrotal e alterações congênitas. Na adolescência, entram questões relacionadas à sexualidade, ISTs, ejaculação precoce e disfunção erétil.
“Temos urologia pediátrica, urologia feminina, uro-oncologia, tratamento de cálculos, reprodução e andrologia”, enumera o especialista.
Na vida adulta, cálculos renais, infecções urinárias e alterações da função sexual estão entre os motivos que podem levar ao consultório. Com o envelhecimento, problemas urinários relacionados ao crescimento benigno da próstata e disfunção erétil tornam-se mais frequentes, além da necessidade de avaliação individualizada para o câncer de próstata.
Os sinais que não devem ser ignorados Não existe uma idade única para todos os homens começarem a procurar um urologista. A necessidade de acompanhamento depende da história familiar, dos fatores de risco, da idade e dos sintomas. O que não deve ser adiado é a investigação de alterações persistentes ou recorrentes.
Sangue na urina, dificuldade ou dor para urinar, mudança importante no fluxo urinário, necessidade frequente de levantar à noite para urinar, alterações nos testículos e problemas persistentes de ereção estão entre os sinais que justificam avaliação médica.
Para o urologista, um dos principais problemas é esperar que os sintomas desapareçam. “Às vezes, o homem vê sangue na urina, aquilo para e ele pensa que está tudo bem. Mas o fato de ter parado não significa que a causa desapareceu”, alerta.
A consulta, porém, não precisa ser motivada por um sintoma. O acompanhamento preventivo permite avaliar fatores de risco e definir, junto ao médico, quais exames são indicados para cada pessoa.
O desafio de transformar prevenção em hábito Para Kempes, mudar esse comportamento exige criar, desde a juventude, uma cultura em que o homem entenda que procurar atendimento não significa admitir fraqueza.
“O homem acha que precisa ser forte o tempo todo, que não pode parar para cuidar dele”, afirma.
A resistência, segundo o especialista, não se limita à urologia. Muitos homens também deixam de acompanhar outras áreas da saúde, fazendo com que a procura por atendimento aconteça apenas quando algum problema já interfere na rotina.
A mudança passa por deixar de associar cuidado à fragilidade e entender que a prevenção pode evitar complicações e preservar a qualidade de vida.
“Quem não cuida da saúde cuidará da doença”, resume Kempes.
O desafio, portanto, é fazer com que procurar um médico deixe de ser o último recurso e passe a fazer parte da rotina masculina.
A condenação definitiva pela Justiça Federal não encerrou a relação política e profissional entre o advogado Kadson Eduardo de Freitas Alexandre e Allyson Bezerra (União Brasil). Ex-secretário da gestão de Allyson em Mossoró, Kadson permaneceu no primeiro escalão após o trânsito em julgado, deixou a Prefeitura em abril de 2024 e, nas eleições de 2026, voltou a aparecer formalmente na estrutura do candidato ao Governo do Rio Grande do Norte.
Além de atuar como encarregado de dados da candidatura, seu escritório consta na prestação de contas parcial como contratado por R$ 50 mil para “assessoria jurídica de campanha”.
A relação entre os dois atravessa diferentes momentos da trajetória política de Allyson. Kadson integrava a administração desde o primeiro mandato e, em 6 de janeiro de 2023, foi nomeado secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão. A nomeação foi assinada pelo então prefeito.
Posteriormente, tornou-se definitiva uma condenação por uso de documento falso, crime previsto no artigo 304 do Código Penal. A imprensa local registrou que a pena aplicada foi de dois anos, substituída por prestação de serviços, além de multa.
Mesmo depois da condenação, Kadson continuou no primeiro escalão. Em setembro de 2023, por exemplo, ato oficial ainda o identificava como secretário de Planejamento. Em fevereiro de 2024, Allyson ampliou suas atribuições e o designou para responder interinamente também pela Secretaria Municipal de Cultura, acumulando as duas funções.
Exoneração “a pedido” A saída ocorreu somente em 19 de abril de 2024. A Portaria nº 222, assinada por Allyson, determinou a exoneração de Kadson do cargo de secretário de Planejamento e registrou expressamente que ela ocorreu “a pedido”.
A permanência de Kadson na Prefeitura depois da condenação chegou ao Ministério Público do Rio Grande do Norte. O Procedimento Preparatório nº 03.23.2039.0000062/2024-30 tinha como objeto justamente apurar “suposta irregularidade na permanência” do então secretário após condenação pelo crime previsto no artigo 304 do Código Penal. O procedimento acabou arquivado pelo Ministério Público em 2024.
Escritório foi aberto em 2025 Menos de um ano depois da exoneração, Kadson constituiu sua própria sociedade de advocacia. A Kadson Freitas Sociedade Individual de Advocacia, CNPJ 59.252.167/0001-92, foi aberta em 24 de janeiro de 2025, em Mossoró. O cadastro aponta Kadson como titular, capital social de R$ 25 mil e serviços advocatícios como atividade principal.
Em 2026, o advogado reaparece na estrutura oficial de Allyson. Conforme os registros eleitorais apresentados à Justiça Eleitoral, Kadson figura como encarregado de dados da candidatura.
Paralelamente, a prestação parcial de contas registra seu escritório entre os fornecedores da campanha, com contratação de R$ 50 mil para serviços jurídicos.
Prestação parcial de contas registra escritório de Kadson entre os fornecedores da campanha, com contratação de R$ 50 mil para serviços jurídicos – Foto: Reprodução
A contratação eleitoral, por si só, não demonstra irregularidade. O conjunto dos registros, entretanto, documenta a continuidade da relação profissional entre Kadson e Allyson: da participação no primeiro escalão da Prefeitura à estrutura da campanha estadual. Mesmo após a condenação definitiva, a investigação posteriormente arquivada pelo Ministério Público, Kadson voltou a ocupar uma função formal na campanha, enquanto seu escritório, constituído em janeiro de 2025, passou a prestar serviços jurídicos à candidatura.
Na reta final da campanha, a candidata a vice-governadora Larissa Rosado (PSB) concentra sua atuação no Oeste, enquanto o líder da chapa, Cadu de Lula (PT), intensifica as agendas em outras regiões do Estado. A estratégia busca ampliar o corpo a corpo nos últimos dias antes da votação.
Em entrevista ao Diário do RN, Larissa demonstrou confiança no avanço da candidatura e afirmou que o trabalho tem sido redobrado na região de Mossoró, principal base política de Allyson Bezerra (União Brasil).
“Estou muito animada. Nós vamos para o segundo turno. Durante essa última semana, nós redobramos o nosso trabalho. Eu fiquei muito localizada aqui na cidade de Mossoró e na nossa região, e Cadu fazendo outras visitas. E, se Deus quiser, dia 4 de outubro vamos comemorar essa nossa passagem para o segundo turno”, afirmou.
Na principal base eleitoral de Allyson Bezerra (União Brasil), Larissa acusa o grupo adversário de utilizar o peso da estrutura municipal na disputa. Segundo ela, a estratégia da chapa de Cadu tem sido enfrentar esse cenário com presença nas ruas e contato direto com os eleitores.
“Mossoró é uma cidade livre, mas nós sabemos da força que a Prefeitura de Mossoró tem, do abuso de poder econômico que acontece diariamente numa campanha. Nós estamos, mesmo com tudo isso, visitando o nosso eleitor, conversando olho no olho, dialogando, mostrando que Cadu é o melhor, que Cadu é o governador que faz parte do time de Lula”, declarou.
Ao tratar das suspeitas de uso da máquina, Larissa fez uma comparação com a eleição municipal de 2012 e pediu que a população fiscalize e denuncie eventuais irregularidades.
“Nós já assistimos a um filme parecido com esse, de uso de poder econômico, no ano de 2012, aqui em Mossoró. Aquela campanha foi marcada pelo uso da máquina da Prefeitura e terminou em pelo menos 13 cassações da prefeita que foi eleita à época. Nós estamos assistindo novamente isso. Estamos, inclusive, pedindo às pessoas que fiscalizem, que nos avisem, que façam denúncia, porque o voto é livre, o voto do eleitor é secreto. O voto não pode ser tomado por uma moeda de troca”, afirmou.
“É tudo muito sério” Outro ponto explorado por Larissa é a Operação Mederi. Allyson está entre os investigados no caso, que apura suspeitas relacionadas a contratos para aquisição de medicamentos. Ao comentar os desdobramentos da investigação, a candidata a vice classificou o cenário como grave e disse aguardar novas fases da apuração.
“É tudo muito sério o que está acontecendo no nosso Estado. O ex-prefeito ser citado como mentor intelectual, como uma das principais figuras de um escândalo de corrupção no nosso Estado. E vamos aguardar os próximos capítulos, as próximas fases dessa operação”, declarou.
Expectativa x Realidade Para Larissa, os episódios relacionados à investigação se somam a problemas enfrentados pelos moradores e estariam mudando a percepção de parte da população sobre o ex-prefeito.
“Muitas pessoas já o veem de maneira diferente. Além dessa questão do escândalo da Operação Mederi, nós temos fatos de uma gestão que não atende aos anseios da população. Nos bairros mais afastados, são ruas esburacadas, problemas em construções mal feitas pelo município, medicamentos que não se encontram nos postos de saúde, uma série de problemas que mostram, para quem mora em Mossoró e sabe o que vive, que o atendimento não está chegando”, afirmou.
É nesse cenário que Larissa avalia que a imagem construída em torno da administração municipal começa a perder força e que problemas enfrentados pela população têm contribuído para mudar a percepção sobre Allyson. “Com certeza, a maquiagem está começando a cair. É uma maquiagem que vem sendo desfeita, porque, quando o nosso povo precisa, não encontra o cuidado básico vindo da Prefeitura de Mossoró”, afirmou.
Depois de perder espaço em diferentes momentos da articulação eleitoral de 2026, Carlos Eduardo Alves (União Brasil) recebeu de Allyson Bezerra (União Brasil) um reconhecimento público na reta final da campanha. Ao lado do ex-prefeito, o candidato ao Governo destacou as obras realizadas por Carlos em Natal, reconheceu sua força política na capital e classificou como “fundamental” a participação do aliado em sua campanha.
“O ex-prefeito dessa cidade, que fez inúmeras obras, e que me impressiona a capacidade que ele teve de executar tantas escolas, Unidades Básicas de Saúde, UPAs, pavimentações, tantas entregas. O prefeito Carlos Eduardo, muito obrigado, meu amigo. Seu apoio foi fundamental nessa caminhada”, afirmou Allyson.
O discurso contrasta com o caminho percorrido por Carlos Eduardo ao longo deste ano. Ele deixou o PSD e se filiou ao União Brasil quando ainda buscava viabilizar uma candidatura ao Senado. A possibilidade, porém, não avançou por falta de apoio. Allyson manteve Zenaide Maia (PSD) como prioridade para a casa e Carlos acabou fora da disputa.
Em seguida, o ex-prefeito passou a trabalhar uma candidatura a deputado estadual. O projeto também não chegou às urnas. Carlos desistiu da disputa proporcional para assumir a coordenação da campanha de Allyson em Natal.
Mesmo na nova função, enfrentou resistência dentro do próprio grupo para ser reconhecido como o principal coordenador político da campanha na capital. Mas o que despertou a atenção nos bastidores é que, agora, Allyson reconhece justamente a capacidade do ex-prefeito de mobilizar o eleitor natalense.
“Eu ouvi de muitas pessoas que a sua disposição de estar nas ruas todos os dias parecia que era até mais forte do que você tinha tido até nas próprias campanhas. E eu lhe agradeço. Eu lhe agradeço porque você vestiu essa camisa, pegou na minha mão, me abraçou e foi especialmente naqueles locais que você ia realizar para pedir o voto”, disse.
O elogio ganha peso porque Allyson foi além de agradecer pelo apoio. O candidato reconheceu Carlos como uma liderança respeitada em Natal e destacou sua influência junto ao eleitorado da capital.
“Desde o primeiro dia, 16 de agosto, no Bar das Rocas, quando nós começamos aquela caminhada, domingo pela manhã, eu cheguei e ouvi de muitas pessoas que lhe tem como líder, e que lhe escuta, lhe respeita, e que sabe ficar atento ao seu pedido. E naquele momento até hoje, foi isso que eu escutei na cidade de Natal, que lhe respeita. Muito obrigado”, declarou.
O reconhecimento de Allyson contrasta, no entanto, com o resultado da última disputa municipal, quando Carlos Eduardo iniciou a campanha de 2024 como favorito, mas terminou em terceiro lugar, com 23,95% dos votos válidos, e não avançou ao segundo turno. Paulinho Freire ficou em primeiro, com 44,08%, votação quase duas vezes maior que a alcançada pelo ex-prefeito. Natália Bonavides (PT) obteve 28,45% e ficou com a segunda vaga.
Reconhecimento já aponta para 2028 De acordo com interlocutores, a manifestação foi interpretada nos bastidores como uma sinalização de Allyson para uma eventual candidatura de Carlos Eduardo à Prefeitura de Natal em 2028. Caso entre novamente na disputa, será a quinta eleição municipal de Carlos como candidato a prefeito da capital.
Outra leitura que circula nos bastidores é de que o reconhecimento público funcionaria como uma espécie de “prêmio de consolação” depois dos episódios de desprestígio político enfrentados pelo ex-prefeito em 2026: chegou ao União Brasil mirando o Senado, ficou fora da chapa majoritária, tentou construir uma candidatura à Assembleia e terminou a eleição trabalhando pela candidatura de Allyson.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) rejeitou os pedidos apresentados pelo candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil) e pela Coligação Esperança e Trabalho para obter direito de resposta e suspender uma propaganda eleitoral da campanha de Cadu Xavier (PT) e da Coligação Time Que Cuida. A decisão mantém a veiculação da peça no horário eleitoral gratuito do rádio e da televisão.
O pedido de Allyson questionava uma inserção exibida em 23 de setembro, que fazia referência à investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Mederi. A campanha de Cadu afirmou que “Allyson é investigado pela Polícia Federal por ficar com 15% do dinheiro em contratos que somam cerca de R$ 14 milhões” e, na sequência, exibiu um trecho de um programa da CNN com a declaração: “É pegar o dinheiro público e fazer o quê? Roubar”.
Ao analisar o caso, o desembargador eleitoral Fábio Luiz de Oliveira Bezerra entendeu que a propaganda não apresentava uma condenação contra o candidato e considerou que a referência à investigação possui respaldo nos elementos apresentados no processo.
Ao fundamentar a decisão no processo nº 0601147-40.2026.6.20.0000, o desembargador afirmou que a existência de investigação envolvendo Allyson Bezerra na Operação Mederi está amparada pelos documentos apresentados no processo: “A existência de investigação envolvendo o primeiro requerente no âmbito da Operação Mederi encontra suporte nos documentos juntados”, registrou o relator.
O magistrado também avaliou que as referências ao percentual de 15% e ao montante aproximado de R$ 14 milhões citados na propaganda possuem respaldo em informações divulgadas anteriormente.
Segundo a decisão, “a cobertura jornalística utilizada como fonte apresentava elementos relacionados ao percentual mencionado e aos valores dos contratos investigados”.
Com base nesses elementos, o relator concluiu que a afirmação exibida pela campanha de Cadu não poderia ser considerada uma informação inverídica.
“A afirmação de que ‘Allyson é investigado pela Polícia Federal por ficar com 15% do dinheiro em contratos que somam cerca de R$ 14 milhões’ não se mostra sabidamente inverídica”, afirmou o desembargador.
Ao rejeitar o argumento de divulgação irregular de informação, o relator afirmou que a propaganda utilizou elementos baseados em fontes públicas: “foram indicadas fontes jornalísticas anteriores à propaganda e convergentes quanto aos elementos centrais da informação divulgada”.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) também se manifestou pela improcedência dos pedidos apresentados pela defesa de Allyson Bezerra.
Na decisão, o relator avaliou que a propaganda eleitoral informou a existência de uma investigação e, a partir dela, formulou uma crítica política, sem apresentar responsabilidade criminal como fato definitivo.
Ao tratar dos limites do direito de resposta, o desembargador afirmou: “O direito de resposta não se destina a equilibrar versões políticas nem a moderar o tom da crítica eleitoral. Sua concessão exige a configuração das hipóteses previstas no art. 58 da Lei nº 9.504/1997, o que não ocorre no caso”.
Com a decisão, a propaganda permanece autorizada para veiculação no horário eleitoral gratuito.
Diário do RN revelou conteúdo de vídeo que integra investigação da PF sobre pagamento de propina a Allyson
Imagens mostram sócios da DISMED conversando sobre divisão de valores relacionados a um contrato público – Foto: Reprodução
O Diário do RN divulgou, na última quinta-feira (24), um vídeo que integra o material da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades em contratos da área da saúde durante a gestão do então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
As imagens mostram dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, conversando sobre a divisão de valores relacionados a um contrato público. Durante o diálogo, os empresários mencionam supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e a uma mulher identificada na gravação como “Fátima”. Ainda conforme o relatório da Polícia Federal, a mulher citada na gravação seria Maria de Fátima Dantas dos Santos, empresária do ramo de eventos.
Conforme dados do portal da transparência da Prefeitura de Mossoró, Maria de Fátima ocupa o cargo de coordenadora de Cerimônias da Secretaria Municipal de Cultura de Mossoró atualmente.
O vídeo faz parte de uma escuta ambiental realizada pela Polícia Federal na sede da empresa e foi incorporado ao conjunto de provas reunidas na Operação Mederi.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, os homens que aparecem na gravação foram identificados como os sócios da DISMED Distribuidora Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.
Durante a conversa, um dos empresários utiliza uma ordem de compra no valor de R$ 400 mil como exemplo e explica o que chama de “matemática de Mossoró”, detalhando uma suposta divisão de valores entre envolvidos no contrato.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
O material passou a integrar a investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Mossoró na área da saúde.
A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) chega à última semana de campanha confiante na conquista de uma das duas vagas em disputa no Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, ela afirma que o crescimento registrado em pesquisas recentes acompanha um movimento que também tem percebido nas ruas.
“Nós já nos colocamos em segundo lugar. A gente segue crescendo. Acho que a gente tem andado por todos os cantos e tem percebido o sentimento. Além de mais gente chegando junto, é também uma vontade, um brilho no olhar, de querer construir e fazer parte da vitória do time de Lula”, afirmou.
Samanda cita levantamentos nacionais recentes em que aparece na segunda colocação. Para a candidata, mais do que os números isoladamente, a reta final mostra uma ampliação da mobilização em torno de seu nome e da participação de lideranças e apoiadores na campanha.
A petista chega aos últimos dias contabilizando o apoio de 45 prefeitos, além de vice-prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Segundo ela, a estrutura vai além das alianças partidárias e alcança todo o território potiguar por meio de apoiadores e movimentos sociais.
“A gente tem movimentos organizados em todos os municípios do Estado. Então, é uma campanha que foi crescendo, que foi chegando aos lugares, com mais gente pegando junto. E agora, nessa reta final, é intensificar esse trabalho, intensificar a caminhada e conversar ainda mais com as pessoas”, declarou.
“Nossa agenda tem sido corpo a corpo” Apesar do crescimento que aponta, Samanda diz que não pretende alterar o formato adotado ao longo da disputa. A reta final terá mais caminhadas e contato direto com o eleitor, inclusive na Região Metropolitana, além das agendas realizadas ao lado dos demais candidatos do grupo.
“A nossa agenda tem sido corpo a corpo desde o início. A gente tem as agendas conjuntas com o time, sim, mas são agendas muito nesse formato de pé no chão. É continuar fazendo isso e, agora, intensificando a caminhada nessa reta final”, explicou.
A candidata também pretende concentrar esforços na busca pelo segundo voto. Neste ano, o eleitor potiguar poderá escolher dois nomes para o Senado, e Samanda avalia que ainda existe espaço para conquistar quem definiu apenas uma das opções.
“São dois votos para o Senado. É importante que as pessoas tenham essa compreensão e olhem para as candidaturas, porque estamos falando de um mandato de oito anos. É uma escolha que vai representar o Rio Grande do Norte por muito tempo”, destacou.
Samanda também chama atenção para a composição completa das chapas. Para ela, a análise do eleitor não deve se limitar ao candidato titular.
“É muito comum ter um suplente que assuma. Então, a gente tem que ter mais atenção para que as pessoas percebam quem são os suplentes em cada candidatura. O que eles representam e se têm condições de assumir, se houver necessidade”, afirmou.
“Uma senadora para enfrentar as bets” Entre as pautas que pretende levar ao Congresso, Samanda coloca o enfrentamento às plataformas de apostas online entre suas prioridades. A candidata defende que o Senado tenha uma atuação mais firme sobre o tema e pretende explorar essa bandeira nos últimos dias de campanha.
“As bets estão adoecendo as famílias, estão destruindo lares, tirando dinheiro de dentro de casa, da comida das crianças. A gente precisa ter coragem para enfrentar esse problema, e eu quero ser uma senadora que vai fazer esse enfrentamento”, afirmou Samanda.
O Rio Grande do Norte alcançou, em 2025, o maior número de pessoas ocupadas desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento divulgado nesta quarta-feira (23) aponta que 1,367 milhão de potiguares estavam trabalhando no período.
O resultado representa crescimento de 103 mil pessoas ocupadas em comparação com 2012, primeiro ano da série histórica. No mesmo intervalo, a taxa de desocupação caiu para 8,07%, o menor índice registrado desde o início da pesquisa.
Os dados também mostram mudanças no perfil do mercado de trabalho do estado, com aumento da escolaridade e maior formalização dos trabalhadores. Entre 2012 e 2025, a participação de pessoas ocupadas com pelo menos o ensino médio completo passou de 42,7% para 66,3%.
Outro avanço ocorreu entre trabalhadores por conta própria. No período analisado, a proporção de profissionais com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) praticamente dobrou, passando de 13,8% para 25,7%.
IBGE aponta que, no período analisado, a proporção de profissionais com registro no CNPJ praticamente dobrou, passando de 13,8% para 25,7% – Foto: Reprodução
Para o Governo do Rio Grande do Norte, o desempenho está relacionado a políticas de incentivo à produção, atração de investimentos e estímulo à geração de empregos. Entre as iniciativas citadas está o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROEDI), que atualmente beneficia 381 empresas em diferentes regiões e setores.
“A economia precisa estar a serviço das pessoas. Esses números mostram que o Rio Grande do Norte está avançando na geração de oportunidades e que estamos construindo as condições para que as empresas possam investir, produzir e gerar empregos. O PROEDI faz parte dessa política, porque significa incentivo à produção, mas também compromisso com o desenvolvimento do nosso estado”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.
Governo relaciona desempenho ao incentivo à produção, atração de investimentos e estímulo à geração de empregos. PROEDI beneficia 381 empresas – Foto: Reprodução
Serviços, saúde e administração impulsionam empregos A pesquisa do IBGE aponta que o crescimento do mercado de trabalho potiguar ocorreu principalmente em áreas ligadas aos serviços, administração pública, educação e saúde.
Entre 2012 e 2025, os setores de administração pública, educação, saúde e atividades relacionadas registraram aumento de 120 mil pessoas ocupadas. Já os segmentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas acrescentaram 60 mil trabalhadores no período.
O levantamento também destaca a participação dos pequenos negócios na geração de empregos no estado. Em 2025, 54,7% das pessoas ocupadas no setor privado trabalhavam em empresas com até cinco empregados.
As empresas de grande porte, com 51 trabalhadores ou mais, concentravam 25,1% das ocupações no setor privado. Somados, os dois grupos representavam quase 80% dos empregos privados no Rio Grande do Norte.
Política industrial busca ampliar oportunidades O PROEDI é apontado pelo Governo do Estado como uma das principais ferramentas de estímulo ao desenvolvimento industrial. O programa oferece incentivos fiscais vinculados à instalação, expansão e permanência de empresas no território potiguar, com foco na atividade produtiva e na geração de empregos.
Além dos incentivos à indústria, o Estado destaca ações voltadas ao apoio aos pequenos negócios, qualificação profissional, melhoria da infraestrutura e atração de novos investimentos.
Segundo a gestão estadual, a estratégia busca ampliar a capacidade produtiva do Rio Grande do Norte e fazer com que o crescimento econômico tenha impacto direto na geração de renda e oportunidades para a população.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT), repercutiu o vídeo divulgado pelo Diário do RN na quinta-feira (24), que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal. A gravação faz referência a uma mulher identificada como “Fátima”, apontada pela investigação como Maria de Fátima Dantas dos Santos.
O vídeo foi obtido a partir de uma escuta ambiental realizada por agentes federais no escritório da DISMED Distribuidora e integra o material reunido pela Polícia Federal na investigação que apura supostas irregularidades em contratos de fornecimento de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró durante a gestão do então prefeito e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
Maria de Fátima Dantas dos Santos exerce o cargo de coordenadora de Cerimônias da Secretaria Municipal de Cultura de Mossoró.
Ao comentar a menção ao nome “Fátima” na gravação, Cadu de Lula fez referência à governadora Fátima Bezerra (PT) e afirmou que a divulgação do vídeo permite que os eleitores acompanhem os fatos investigados.
“Era a grande questão que se perguntava, né, porque ele sempre me chama de Cadu de Fátima, mas todo mundo sabe quem é Fátima Bezerra: uma mulher honesta. A dele (a Fátima dele) está se revelando agora: é suspeita de ter recebido propina, está sendo investigada, assim como ele. Cada um tem a Fátima que merece, né?”, disse Cadu de Lula.
O candidato afirmou que a divulgação das informações ajuda a ampliar o conhecimento da população sobre os envolvidos na disputa eleitoral.
“Mas é bom que os fatos estão se tornando públicos, o povo do Rio Grande do Norte, cada vez mais, tendo consciência de quem é cada candidato, de em que eles estão envolvidos. Eu tenho muito orgulho de não ter nenhum envolvimento em processos desses, dessa natureza. E é importante que esses fatos venham à tona agora, antes do processo eleitoral, para que o povo conheça cada vez mais os candidatos e saiba o que está em risco nessa eleição do dia 4 de outubro”, afirmou.
Cadu de Lula também criticou possíveis prejuízos causados por desvios de recursos públicos e afirmou que a população é a principal afetada.
“Que o eleitor faça uma reflexão do que está em jogo: a honestidade é, sim, fundamental, porque a corrupção tira recurso público que deveria ser investido em segurança, saúde, educação e o desvio desse recurso acaba prejudicando diretamente a população. O principal prejudicado em desvios de corrupção é o povo. E o recurso, ao invés de ir para a saúde, está indo para o mundo político corrupto”, concluiu o candidato.
Vídeo integra investigação da Operação Mederi O nome de “Fátima” aparece em um vídeo analisado pela Polícia Federal no qual os sócios da DISMED Distribuidora, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, conversam sobre uma suposta divisão de valores relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos ao município.
Na gravação, um dos empresários apresenta uma espécie de cálculo sobre a distribuição dos valores de uma ordem de compra de R$ 400 mil e menciona supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e à mulher identificada como “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
Allyson Bezerra silencia Enquanto o vídeo divulgado pelo Diário do RN repercutia no cenário político estadual, Allyson Bezerra optou por não se manifestar sobre o caso.
Nas redes sociais, o candidato publicou outros conteúdos ao longo do dia, mas não fez nenhuma postagem relacionada à divulgação da gravação ou às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O Diário do RN procurou a assessoria de imprensa de Allyson Bezerra, por meio do assessor Vonúvio Praxedes, e abriu espaço para que o candidato apresentasse seu posicionamento. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria não havia encaminhado resposta.
A Operação Mederi segue em andamento e apura supostas irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante a gestão de Allyson em Mossoró.
s candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL) e Robério Paulino (Psol), comentaram o vídeo que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal, divulgado pelo Diário do RN na quinta-feira (23). Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, mencionam supostos repasses destinados ao então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), durante uma conversa sobre a divisão de valores de um contrato público da saúde.
O material faz parte da investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades em contratos da saúde durante a gestão de Allyson Bezerra à frente da Prefeitura de Mossoró. O vídeo foi obtido a partir de uma escuta ambiental realizada pelos agentes federais no escritório da DISMED e integra o conjunto de provas reunidas na Operação Mederi.
Álvaro Dias: “A máscara de Allyson caiu”
“A máscara de Allyson caiu. Estamos falando de dinheiro que deveria comprar medicamentos” – Foto: Reprodução
O candidato ao Governo do RN Álvaro Dias (PL) afirmou que o vídeo divulgado pelo Diário do RN representa um momento de esclarecimento sobre as investigações envolvendo Allyson Bezerra.
“A máscara de Allyson caiu. O candidato Tik Tok que passou a campanha inteira fugindo das perguntas sobre a Operação Mederi. Agora a gente entende a razão. As gravações feitas pela Polícia Federal mostram empresários falando claramente em 15% para Allyson na divisão do dinheiro de contratos superfaturados da saúde de Mossoró. É isso que está nos autos da investigação. Estamos falando de dinheiro que deveria comprar medicamentos e cuidar da saúde do povo. A investigação aponta um esquema milionário e traz o nome de Allyson associado a esse percentual. Isso é gravíssimo. Ele deve explicações ao Rio Grande do Norte. Como um camarada desse ainda tem coragem de pedir voto para ser governador do RN? A população espera agora o levantamento do sigilo de toda essa operação. O Rio Grande do Norte merece respostas”, afirmou Álvaro Dias.
Robério Paulino: “Polícia Federal deve ter indícios muito sérios sobre essas acusações” O candidato do PSOL ao Governo do RN, professor Robério Paulino, afirmou que é necessário respeitar o princípio da presunção de inocência, mas avaliou que a permanência da investigação indica a existência de elementos analisados pela Justiça.
“Nós temos que partir do princípio da presunção da inocência, agora, se ele pediu o fechamento do processo e a Polícia Federal e a Justiça Federal não aceitaram, é porque a Justiça Federal e a Polícia Federal devem ter indícios muito sérios sobre essas acusações”, argumentou Robério Paulino.
A repercussão do vídeo da Operação Mederi segue ampliando o debate político em torno da investigação da Polícia Federal, que segue em andamento. processo.
O vídeo que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal, e que foi divulgado pelo Diário do RN na última quinta-feira (23), provocou forte repercussão nas redes sociais. Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, mencionam supostos repasses destinados ao então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), durante uma conversa sobre a divisão de valores de um contrato público da saúde.
Após a publicação da reportagem pelo Diário do RN, dezenas de internautas utilizaram as redes sociais para comentar o conteúdo do vídeo. A maior parte das manifestações demonstrou indignação diante das acusações investigadas pela Polícia Federal.
“Já disse e vou falar novamente, quem rouba dinheiro da saúde não era nem pra ser candidato”, “O menino do chapéu adora dinheiro”, “É isso que o RN quer para o Estado?”, “Agora é a PF prender o papangu e colocar ordem na casa”, “Já pode tirar o chapéu e raspar o cabelo!”, foram alguns dos comentários sobre o vídeo nas redes sociais.
A moda potiguar ganhou uma vitrine internacional durante a Semana de Moda de Milão, na Itália.
Quatro marcas do Rio Grande do Norte participam da White Milano, feira de negócios realizada durante o calendário do evento e voltada à conexão entre marcas, compradores, lojistas, distribuidores e representantes comerciais.
As marcas potiguares que participam da White Milano entre os dias 24 e 27 de setembro são: Fio a Fio, Villa Dharma, Arrocho e Maria Genuíno. Com apoio do Sebrae-RN e da Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), em parceria com a ApexBrasil, a presença no evento busca combinar geração de negócios, pesquisa de mercado e conexão com compradores internacionais. Realizada no Tortona Fashion District, a feira reúne marcas, designers e empresas de diferentes países em um ambiente voltado ao mercado profissional da moda.
Para Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial, a participação representa uma oportunidade para as empresas ampliarem seus mercados e avançarem na internacionalização dos produtos.
“É extremamente importante para que essas marcas estejam participando desse evento. A importância principal é justamente a possibilidade de ampliação de mercado e de vislumbrar a exportação dos seus produtos”, afirmou.
Segundo ela, a White Milano reúne oportunidades especialmente relacionadas aos mercados de luxo e sustentabilidade. As marcas potiguares participam de um espaço coletivo de exposição e poderão apresentar suas coleções a profissionais interessados em produtos autorais e com maior valor agregado.
A presença em Milão também é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos para preparar as empresas para novos mercados. De acordo com Verônica, o Sebrae realiza consultorias e acompanha as marcas no desenvolvimento de produtos e processos, buscando adequá-las às exigências dos mercados nacional e internacional.
“E acessar esse mercado internacional é mais uma validação de que essa estratégia de trabalhar produtos de valor agregado, produtos que tragam a identidade, a nossa cultura, a nossa manualidade nas coleções, é o que o mercado internacional deseja”, explicou.
Identidade e produção artesanal A valorização da identidade regional aparece como um dos principais elementos levados pelas marcas potiguares para Milão. Para Verônica, o público europeu demonstra interesse por produtos que tenham história, manualidade e características autorais.
“O mercado europeu está ávido para adquirir uma coleção, peças que contem história, que tenham manualidade, que tenham um produto mais autoral”, afirmou.
Entre as empresas está a Villa Dharma, marca fundada em Pium, no Rio Grande do Norte, que participa da Semana de Moda de Milão pelo segundo ano consecutivo. Nesta edição, a empresa apresentou a coleção “Patuá”, verão 2027, na terça-feira (22), durante o Brazilian Sustainable Fashion in Milan, realizado no claustro I Chiostri di San Barnaba.
A coleção utiliza técnicas e matérias-primas associadas ao Nordeste, como renda de bilro, richelieu, bordados em junco, fibra de carnaúba e tingimento natural com pau-brasil. A marca também prepara suas criações para serem apresentadas a compradores europeus.
“Estar em Milão é colocar o Rio Grande do Norte numa vitrine que o mundo inteiro observa”, afirmou Vanessa Stadtlober, fundadora e diretora criativa da Villa Dharma.
A empresa também busca abrir pontos de venda em lojas multimarcas e concept stores europeias. Segundo a marca, 98% das pessoas envolvidas na produção são mulheres, entre modelistas, costureiras, tingidoras, bordadeiras e artesãs. Ao todo, 20 famílias são diretamente impactadas pela produção.
Fio a Fio celebra 40 anos A Fio a Fio também participa da programação internacional no ano em que celebra 40 anos de atuação. Para Alexandra Serejo, supervisora de marketing da empresa, chegar a Milão representa uma oportunidade de apresentar a produção potiguar e, ao mesmo tempo, observar o que está sendo desenvolvido por marcas de diferentes partes do mundo.
“Está sendo um privilégio enorme ir para Milão participar desta feira que é referência no mundo da moda, e contamos com o Sebrae e com a ABEST para fazer esse sonho acontecer”, afirmou.
A marca levou peças de diferentes coleções, incluindo produtos feitos à mão, com o objetivo de valorizar o trabalho manual desenvolvido na região. A experiência também será utilizada como pesquisa de mercado para identificar tendências e referências que possam contribuir para os próximos lançamentos.
“Estamos levando para Milão os próximos lançamentos e alguns spoilers bem especiais do melhor verão das nossas vidas”, disse Alexandra.
Arrocho leva crochê contemporâneo A Arrocho é outra marca potiguar presente na Semana de Moda de Milão. Com origem em um trabalho artesanal e autoral desenvolvido no Rio Grande do Norte, a empresa leva ao evento peças de crochê contemporâneo e design próprio.
Para a diretora criativa da Arrocho, Gabriela Nicolau, a participação simboliza a possibilidade de mostrar internacionalmente uma produção que começou de forma artesanal e que mantém a identidade regional como parte de sua proposta.
“É perceber que um trabalho que começou pequeno, feito à mão, com muito cuidado e identidade, pode ocupar espaços importantes da moda”, afirmou.
A marca trabalha com materiais como a ráfia e técnicas artesanais, buscando aproximar o fazer manual de uma linguagem contemporânea.
“A Arrocho está levando para Milão a nossa identidade. Está levando o crochê contemporâneo, o trabalho artesanal, o design autoral e, principalmente, um produto que carrega a nossa origem”, destacou.
Para a empresa, a experiência também contribui para ampliar contatos, abrir possibilidades comerciais e dar visibilidade à produção potiguar.
“Quando uma marca daqui consegue chegar a um espaço internacional, ela mostra que existe talento, criatividade e produção de qualidade sendo desenvolvidos no nosso estado”, afirmou.
Articulação amplia oportunidades A participação das quatro marcas foi construída a partir da articulação do Sebrae com instituições nacionais ligadas ao setor. Entre elas estão a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a ApexBrasil.
Segundo Verônica, a atuação também se conecta ao programa RN Mais Exportação, parceria do Sebrae com o Governo do Estado que oferece orientação sobre aspectos como preços, logística e procedimentos necessários à exportação.
A gerente destaca ainda que a presença em Milão vai além da possibilidade de fechar negócios. As quatro marcas passaram por uma curadoria antes de chegar ao evento, o que, segundo ela, representa uma etapa importante no processo de internacionalização.
“Não é só querer estar no evento. Elas participaram de uma curadoria, então elas já foram selecionadas”, ressaltou.
Para Verônica, o resultado é fruto da atuação conjunta de diferentes instituições em torno do fortalecimento da moda potiguar. A expectativa é que a participação do estado em eventos internacionais continue crescendo e que, nos próximos anos, mais marcas possam ocupar espaços no calendário mundial da moda.
O Hospital Infantil Varela Santiago promove, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, a Cleft Week 2026, uma mobilização voltada à conscientização sobre as fissuras labiopalatais e ao fortalecimento da rede de atendimento no Rio Grande do Norte. A iniciativa é realizada pelo Centro de Reabilitação de Fissuras Labiopalatais do Rio Grande do Norte (CREFIRN), com apoio da Smile Train, e pretende ampliar o encaminhamento de novos pacientes ao serviço especializado.
Além de apresentar os resultados do trabalho desenvolvido pelo CREFIRN, a programação busca aproximar maternidades e profissionais da rede pública de saúde para que crianças nascidas com fissuras labiopalatais sejam encaminhadas precocemente ao tratamento. Segundo o Centro, o número de pacientes regulados pelo SUS atualmente está abaixo da capacidade de atendimento da unidade.
No dia 30 de setembro, o evento reunirá representantes das secretarias municipal e estadual de Saúde, pacientes e familiares para apresentação de indicadores sobre atendimentos, cirurgias e atuação da equipe multidisciplinar. Já em 1º de outubro, a programação será voltada às crianças e suas famílias, com atividades recreativas e momentos de convivência.
Diagnóstico precoce melhora resultados do tratamento A odontopediatra do CREFIRN, Vanessa Barbosa de Freitas, explica que a fissura labiopalatina é uma malformação congênita provocada pela falta de união completa de estruturas da face entre a quarta e a 12ª semana de gestação.
“A fissura labiopalatina é uma anomalia craniofacial congênita, ou seja, é uma alteração no desenvolvimento embrionário provocada pela falta de união completa de algumas estruturas faciais no período entre a 4ª e a 12ª semana de gestação”, explicou.
Segundo a especialista, alguns tipos de fissura podem ser identificados ainda durante o pré-natal, por meio da ultrassonografia morfológica. Já os casos que atingem apenas o palato costuma ser diagnosticados somente após o nascimento do bebê.
Com base em dados do Ministério da Saúde, a incidência da condição no Brasil é de um caso a cada 650 nascidos vivos. Embora não existam estatísticas públicas atualizadas para o Rio Grande do Norte, a estimativa é que o Estado registre cerca de 53 a 54 novos casos por ano, sendo aproximadamente 15 a 16 apenas em Natal.
Vanessa destaca que o impacto da fissura varia conforme sua extensão, podendo comprometer alimentação, audição, fala, desenvolvimento dentário, crescimento facial e autoestima da criança.
“Os desafios e dificuldades a ser enfrentadas estão diretamente atrelados à complexidade da fissura que o bebê possa apresentar”, explicou.
O atendimento no CREFIRN começa com uma avaliação multiprofissional, envolvendo psicóloga, fonoaudióloga, nutricionista e odontopediatra. A partir dessa primeira consulta, é definido o plano terapêutico individual.
A especialista ressalta que o tratamento não se resume à cirurgia.
“Esse tratamento não se restringe apenas à realização de uma cirurgia”, afirmou.
O acompanhamento, ainda conforme a odontopediatra, envolve assistência social, apoio psicológico, nutrição, fonoaudiologia, odontopediatria, ortodontia e cirurgia, formando uma rede integrada de cuidados para garantir o desenvolvimento da criança.
Apesar de ser referência no Estado, o CREFIRN ainda recebe menos pacientes do que poderia.
“Acreditamos que ainda deva existir desconhecimento sobre a existência e modo de funcionamento do nosso centro, por isso a importância de divulgar nosso serviço e facilitar o acesso ao agendamento da primeira consulta”, explicou Vanessa.
Ela ressalta que não há dificuldade para o encaminhamento dos pacientes.
“Não existe dificuldade. Caso qualquer profissional de saúde diagnostique um bebê fissurado, o encaminhamento pode ser realizado pelo referenciamento do SUS ou por ligação direta à central de agendamento do HIVS”, esclareceu.
Segundo a odontopediatra, famílias que recebem o diagnóstico devem procurar um centro de referência o mais cedo possível.
“Primeiramente, fiquem tranquilos, pois a fissura labiopalatina tem tratamento. Segundo passo é procurar um centro de atendimento de referência para o tratamento da fissura labiopalatina o quanto antes”, orientou.
Mobilização quer ampliar acesso ao tratamento De acordo com Vanessa, a principal mensagem da Cleft Week é conscientizar profissionais de saúde e famílias sobre a importância do encaminhamento precoce.
“A intenção é levar a mensagem de que ‘30 dias mudam 20 anos’. A importância desse encaminhamento precoce precisa chegar à população e a todos os profissionais da área de saúde”, explicou.
Ela afirma que aproximar maternidades, unidades de saúde e o CREFIRN permitirá que mais crianças iniciem rapidamente o acompanhamento especializado.
“O estreitamento dessa relação vai impactar diretamente na agilidade com que esses pacientes possam ser direcionados ao nosso centro. Assim nenhuma família ficará sem saber onde pode levar seu bebê fissurado para iniciar o tratamento”, concluiu.
A mulher citada como “Fátima” em uma conversa gravada entre sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, é apontada pela Polícia Federal como Maria de Fátima Dantas dos Santos. A informação consta em relatório da investigação da Operação Mederi, que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos da área da saúde durante a gestão do então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
Cadu de Lula para Allyson: “Quem é a ‘sua Fátima’? Responda, enfrente essa questão” O nome da “Fátima”, citado na gravação também foi mencionado pelo candidato ao Governo do RN, Cadu de Lula (PT), na última segunda-feira (21) durante o debate com os candidatos promovido pela TV Tropical.
Durante o debate, Cadu chegou a questionar Allyson sobre quem seria “Fátima”.
“Eu nunca tive a Polícia Federal na minha casa. Eu queria dar mais uma oportunidade para ele (Allyson), de explicar para o povo do Rio Grande do Norte, ele que diz que tem coragem, que diz que tem “mãos limpas”, quem é a personagem “Fátima”, citada nos áudios, e inclusive agora vídeos que estão vazando por aí, que é citada no suposto escândalo de corrupção da Operação Mederi, em Mossoró? Ele me chama de Cadu de Fátima, de Fátima Bezerra, eu não tenho problema nenhum com isso. Tem vídeos de gente dizendo, de empresários dizendo que ele é ladrão. Quem é a sua “Fátima”? Responda, enfrente essa questão”, questiona.
Durante os dois minutos concedidos para a resposta, Allyson não respondeu quem seria “Fátima”, acusou Cadu de Lula de “baixar o nível” e manteve o discurso de que tem “as mãos limpas”, embora siga como investigado na Operação Mederi.
Quem é Maria de Fátima Dantas dos Santos? Allyson não respondeu no debate quem seria ‘a Fátima’, no entanto, o documento da Polícia Federal revela que trata-se de Maria de Fátima Dantas dos Santos. O documento ao qual o Diário do RN teve acesso revela ainda divisões de lucros e mencionam que a ausência de repasses ilícitos poderia impedir a realização de um show do cantor Gustavo Lima em Mossoró. A investigação identifica Maria de Fátima Dantas dos Santos como a provável destinatária dos valores, ligando sua empresa de eventos às negociações suspeitas. O relatório ressalta que o grupo utilizava licitações públicas para camuflar o pagamento de comissões indevidas a terceiros. Por fim, as autoridades indicam a necessidade de novas diligências para confirmar a participação exata de todos os envolvidos no suposto crime.
“Há nos arquivos da escuta ambiental várias referências feitas ao nome “FÁTIMA” como sendo destinatária de valores pagos pelos sócios da DISMED a título de supostas propinas ou comissões.
Em consultas ao Portal da Prefeitura de Mossoró/RN e em fontes abertas foi possível identificar a pessoa de nome MARIA DE FÁTIMA DANTAS DOS SANTOS, CPF:904.474.684-72, titular da empresa com razão social Maria de Fatima Dantas dos Santos, CNPJ 46.927.710/0001-62, com endereço declarado à Rua Vicente Leite, 420 – Planalto Treze de Maio, em Mossoró/RN. Sua atividade principal é de Serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas, de acordo com o código CNAE N-8230-0/01. Referida empresa tem como data de abertura registrada em 27/06/2022. Consubstanciado no teor dos referidos áudios, sobretudo no exato momento em que há referência direta ao nome do cantor GUSTAVO LIMA que, segundo os interlocutores, não cantaria no evento em MOSSORÓ caso os valores acertados nas licitações da DISMED a título de comissões/propinas não fossem repassados, há indicativos aqui de que a FÁTIMA destinatária desses valores provavelmente seja a empresária MARIA DE FÁTIMA DANTAS DOS SANTOS.
Entretanto, essa confirmação demandará a realização de novas diligências para tal”, mostra o documento.
Ainda segundo o relatório da Polícia Federal, posteriormente aos fatos, Maria de Fátima Dantas dos Santos foi nomeada para um cargo comissionado na Prefeitura de Mossoró, onde atuou como Assessora de Comunicação, vinculada à Secretaria Municipal de Comunicação Social, ligada diretamente ao gabinete do prefeito.
O nome de “Fátima” aparece em um vídeo analisado pela PF, no qual os sócios da DISMED, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, conversam sobre uma suposta divisão de valores relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos ao município.
Na gravação, um dos empresários apresenta uma espécie de cálculo sobre a distribuição de valores e menciona supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e à mulher identificada como “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
Investigação da Operação Mederi O vídeo integra o conjunto de elementos reunidos pela Operação Mederi, conduzida pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de favorecimento em contratos públicos na área da saúde durante a administração municipal de Allyson Bezerra.
A operação analisa contratos firmados entre a Prefeitura de Mossoró e empresas fornecedoras de medicamentos, incluindo a DISMED Distribuidora.
O relatório da PF relaciona a identificação de “Fátima” a partir dos elementos reunidos na investigação, incluindo informações sobre pessoas que tiveram vínculo com a administração municipal.