O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança isolada da corrida pela Presidência da República entre os eleitores do Rio Grande do Norte, segundo a mais recente pesquisa do Instituto DataVero, realizada em parceria com o Diário do RN, divulgada nesta quinta-feira (10).
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula registra 55,21% das intenções de voto, mais que o dobro do segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 25,44%.
Na sequência, Escritor Augusto Cury (Avante) soma 5,44%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 1,81%, Renan Santos (Missão), com 1,30%, e Romeu Zema (Novo), com 0,50%.
Também foram citados Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC), ambos com 0,16%; Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,10%; Veterinária Wilson Grassi (Democracia Cristã), com 0,06%; e Edmilson Costa (PCB), com 0,05%. Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) não pontuaram.
Entre os entrevistados, 4,02% disseram não saber ou preferiram não responder, enquanto 5,77% afirmaram que votariam em branco ou anulariam o voto.
Flávio Bolsonaro é o nome mais rejeitado entre os eleitores com 49,71% A pesquisa também aferiu a rejeição dos possíveis candidatos à Presidência. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro lidera com 49,71%, sendo o nome em que os eleitores afirmam que não votariam “de jeito nenhum”.
Lula aparece em segundo lugar, com 31,01% de rejeição.
Os demais candidatos registram índices inferiores a 1%: Ronaldo Caiado (0,74%), Escritor Augusto Cury (0,69%), Edmilson Costa (0,31%), Clariana Barão e Rui Costa Pimenta (0,16% cada), Renan Santos (0,15%), Zema (0,11%), Hertz Dias (0,10%) e Leonardo Avalanche (0,09%).
Veterinária Wilson Grassi não registrou rejeição.
Outros 8,30% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder, enquanto 7,91% disseram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. Já 0,52% afirmaram que votariam em qualquer um dos candidatos.
Pesquisa mostra crescimento de Escritor Augusto Cury Na comparação com o levantamento divulgado pelo Instituto DataVero em 28 de agosto, o cenário eleitoral no Rio Grande do Norte permaneceu praticamente estável, com oscilações dentro da margem de erro de 2,53 pontos percentuais para os dois principais candidatos.
Lula passou de 54,38% para 55,21%, crescimento de 0,83 ponto percentual. Já Flávio Bolsonaro variou de 25,60% para 25,44%, oscilação negativa de 0,16 ponto percentual.
Entre os demais candidatos, Ronaldo Caiado passou de 1,99% para 1,81%, enquanto Renan Santos manteve estabilidade, variando de 1,31% para 1,30%. Romeu Zema recuou de 1,80% para 0,50%.
O principal movimento do levantamento foi o crescimento de Escritor Augusto Cury, que passou de 0,95% na pesquisa anterior para 5,44% nesta rodada.
Também houve redução no percentual de eleitores que disseram votar em branco ou anular o voto, índice que caiu de 9,42% para 5,77%. Já os que não souberam ou não responderam oscilaram de 4,36% para 4,02%.
dados da pesquisa A pesquisa DataVero/Diário do RN entrevistou 1.500 eleitores em municípios de todas as regiões do Rio Grande do Norte entre os dias 6, 7 e 8 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-00919/2026 e RN-08285/2026.
A nova faixa de areia da Praia de Ponta Negra ganhará, nos próximos meses, um complexo esportivo com 12 quadras destinadas à prática de vôlei de praia, futevôlei e beach tennis. O projeto da Prefeitura do Natal, que receberá investimento de R$ 232.615,77, prevê ainda iluminação em LED, bancos, telas de proteção e paisagismo, transformando o espaço em um novo polo para lazer, esporte e turismo na capital potiguar.
Para o prefeito Paulinho Freire, o empreendimento amplia as possibilidades de utilização da área criada pela obra de engorda da praia e fortalece um dos principais cartões-postais da cidade.
“Desde o início, entendemos as novas condições de Ponta Negra como propícias para ampliar o melhor uso da praia pelos natalenses e também pelas muitas pessoas que visitam a nossa maior atração turística. As novas quadras se encaixam perfeitamente nesse projeto. Com elas, a nossa população terá em breve equipamentos à disposição para se exercitar e adotar práticas esportivas e saudáveis. Da mesma forma, acontecerá com os visitantes, que contarão com o espaço para manter suas rotinas de exercícios. Há ainda o potencial que elas terão no objetivo extra de atrairmos competições e eventos que tragam ainda mais gente para usufruir de todas as maravilhas que Ponta Negra continuará proporcionando”, enfatizou.
Além do incentivo à prática esportiva, o município aposta no complexo para impulsionar o turismo esportivo e atrair competições de grande porte. As quadras serão construídas com dimensões oficiais, permitindo a realização de campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais.
Segundo o secretário municipal de Esporte e Lazer, Hermes Câmara, a iniciativa aproveita a nova configuração da praia para consolidar Natal como referência nos esportes de areia.
“É um projeto muito importante porque fomenta os esportes de areia e não só o esporte, como também o turismo esportivo, que está em alta. A engorda de Ponta Negra foi uma obra muito importante para o turismo de Natal e essas quadras vêm para valorizar ainda mais aquele espaço.
Vamos ter capacidade de atrair eventos nacionais e internacionais de vôlei de praia, beach tennis e futevôlei. Será um complexo esportivo preparado para receber diversas modalidades”, destacou.
Após a conclusão das obras, a administração e a manutenção do complexo ficarão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEL). O acesso às quadras será organizado por meio de um sistema de agendamento eletrônico, mas parte dos espaços ficará disponível para utilização espontânea da população.
“Teremos um sistema de agendamento pelo site da Prefeitura, que será gerenciado pela Secretaria de Esporte. Também teremos profissionais atuando no local. Aos fins de semana, estamos programando para que algumas quadras fiquem livres para o acesso da população. São 12 quadras e queremos atender tanto quem faz esporte organizado quanto quem está aproveitando a praia. As federações, associações e também as escolinhas da secretaria terão acesso ao espaço”, explicou.
Hermes Câmara informou que a Prefeitura pretende implantar projetos permanentes para incentivar a prática esportiva entre crianças, jovens e adultos.
“Vamos implantar escolinhas de beach tennis, vôlei de praia e futevôlei. Também teremos parcerias com as federações para fortalecer essas modalidades e ampliar o acesso ao esporte”, detalhou.
Estrutura permitirá receber grandes competições O projeto prevê a construção de três módulos, cada um composto por quatro quadras. As áreas de jogo terão dimensões de 8 metros por 16 metros, padrão oficial das modalidades, além de áreas de segurança e telas de proteção.
Para o secretário, essa estrutura coloca Natal em condições de disputar eventos importantes do calendário esportivo.
“As dimensões oficiais permitem que a cidade receba competições nacionais e internacionais. É um conjunto de benefícios que reúne esporte, lazer e turismo em um único espaço”, enfatizou.
Entre as modalidades contempladas, o beach tennis deverá receber atenção especial da Prefeitura. De acordo com Hermes Câmara, o crescimento do esporte em Natal justifica a criação de ações permanentes voltadas à modalidade.
“O beach tennis vive um crescimento muito grande e hoje é um dos esportes que mais ganha adeptos. Natal, por ser uma cidade litorânea, possui grandes atletas, grandes eventos, clubes bem organizados e federações bastante ativas. Teremos projetos específicos para o beach tennis, para o futevôlei e também para o vôlei de praia”, afirmou.
A expectativa da gestão municipal é que o novo equipamento fortaleça a economia da região, ampliando o fluxo de visitantes e beneficiando hotéis, bares, restaurantes, quiosques e ambulantes.
“O impacto econômico será muito positivo. Além de atrair turistas para Natal, vamos fortalecer o trabalho dos ambulantes, aumentar a ocupação dos hotéis e movimentar bares e restaurantes da região. As quadras funcionarão também à noite, permitindo que comerciantes e quiosques tenham movimento durante os três turnos do dia. Isso muda completamente o cenário econômico daquele espaço”, argumentou.
Na avaliação do secretário, o complexo esportivo deverá transformar Ponta Negra em uma referência nacional para os esportes de areia.
“Imagino uma praia que se torne referência nacional e internacional, recebendo grandes eventos.
Uma praia autossustentável, bonita, agradável para convivência e para a prática esportiva, fortalecendo também o turismo e o comércio”, destacou.
Entrega está prevista para dezembro O investimento de R$ 232.615,77 será realizado com recursos do Fundo de Urbanização (FURB), gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A obra terá fiscalização da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, infraestrutura executada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e iluminação instalada pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).
Segundo Hermes Câmara, a Prefeitura trabalha para concluir o complexo antes do início da alta estação.
“A empresa está finalizando a documentação e a assinatura do contrato. Depois dessa etapa administrativa, a previsão é de execução entre 60 e 90 dias. Estamos trabalhando para entregar as quadras até dezembro e iniciar o verão de Natal já utilizando esse novo complexo esportivo”, explicou.
Com a entrega do equipamento, a Prefeitura pretende iniciar o calendário de verão já com competições, projetos esportivos e atividades abertas ao público, aproveitando a estrutura da nova faixa de areia de Ponta Negra para consolidar Natal como um dos principais destinos brasileiros para os esportes de praia.
Natal passou a contar oficialmente com 38 bairros após a sanção da Lei Municipal nº 8.197, de 2 de setembro de 2026, que criou o bairro Morro Branco. Embora a mudança seja administrativa, ela desencadeia uma série de atualizações nos sistemas da Prefeitura e de outros órgãos públicos, além de alterar o mapa oficial da cidade e a forma como o município realiza seu planejamento urbano.
O novo bairro ocupa uma área que anteriormente integrava os bairros Nova Descoberta, Tirol e Lagoa Nova. Seus limites são definidos pela Avenida Alexandrino de Alencar, ao norte; Rua da Saudade, ao sul; Parque das Dunas, a leste e Avenida Senador Salgado Filho, a oeste.
Segundo a secretária adjunta de Planejamento Urbanístico e Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Eudja Mafaldo, a criação de um novo bairro vai muito além da mudança no mapa da cidade e representa um importante instrumento para o planejamento das políticas públicas.
“Quando você subdivide bairros, normalmente precisa fazer toda a atualização dos dados daquela região para utilizar essas informações como instrumento de planejamento, na definição de equipamentos públicos, como escolas, unidades de saúde e outros serviços. A importância é exatamente essa: permitir uma gestão mais eficiente do espaço urbano”, explicou.
Mas, como nasce um novo bairro? A criação de bairros poder ser proposta tanto pelo poder público, quanto pela própria população.
A iniciativa que resultou no bairro Morro Branco partiu da Câmara Municipal. O projeto começou a tramitar ainda em 2012 e foi apresentado pelos vereadores da época como uma demanda da própria comunidade.
“Essa iniciativa de subdivisão pode partir tanto do poder público quanto da comunidade. No caso de Morro Branco, ela não surgiu por iniciativa do município. Esse projeto tramita desde 2012 e foi apresentado pelos vereadores como representantes da população. O processo seguiu sua tramitação na Câmara Municipal e somente agora foi concluído”, comentou.
Atualização dos mapas será o primeiro passo
Criação do novo bairro retirou áreas que pertenciam a Nova Descoberta, Tirol e Lagoa Nova; Semurb fará atualização de indicarores e outros dados – Foto: Reprodução
Com a sanção da lei, a Semurb passa a ter a responsabilidade de atualizar toda a base cartográfica do município. Isso porque a criação do novo bairro retirou áreas que antes pertenciam aos bairros de Nova Descoberta, Tirol e Lagoa Nova.
“Nosso papel agora é atualizar toda a base cartográfica do município. Como houve a retirada de porções de três bairros para formar um quarto bairro, todos os indicadores que antes pertenciam àquelas áreas precisarão ser recalculados. Teremos que atualizar dados censitários, mapas, informações sobre serviços públicos e comunicar essas mudanças às concessionárias e demais órgãos”, detalhou.
De acordo com a secretária, esse trabalho será fundamental para que os indicadores utilizados pela administração municipal reflitam a nova realidade territorial da capital.
Embora a criação do bairro não altere a propriedade dos imóveis, os moradores e empresas instalados na área precisarão atualizar seus cadastros à medida que o município concluir as alterações oficiais.
“A Prefeitura terá que atualizar os endereços de todos os imóveis localizados no novo bairro e comunicar essas mudanças aos moradores, às concessionárias e à Secretaria Municipal de Tributação. Empresas instaladas na área também precisarão atualizar seus contratos sociais e demais registros cadastrais. Não muda a titularidade dos imóveis; trata-se apenas de uma atualização das informações de endereço”, afirmou.
Segundo Eudja Mafaldo, questões relacionadas ao IPTU serão analisadas pela Secretaria Municipal de Tributação, já que a mudança cria oficialmente um novo endereço administrativo para os imóveis localizados na área.
Mudança também será incorporada ao Plano Diretor
A criação de Morro Branco também terá reflexos na próxima revisão do Plano Diretor de Natal, prevista para começar no próximo ano. Isso porque o novo bairro passa a ser considerado uma nova unidade de planejamento urbano.
“Na próxima revisão do Plano Diretor, essa nova divisão territorial precisará constar dos estudos.
O bairro Morro Branco estará inserido em duas regiões administrativas da cidade e isso exigirá ajustes em diversos cadastros, inclusive no cadastro imobiliário do município”, explicou.
Enquanto o próximo Censo Demográfico não é realizado, a população do novo bairro será estimada pela Prefeitura com base nas informações disponíveis.
“A população de Morro Branco será estimada pelo município. Oficialmente, esse número só será conhecido quando o IBGE realizar o próximo Censo, mas precisaremos trabalhar com estimativas para subsidiar o planejamento urbano”, destacou.
Bairro mais populoso continua sendo Nossa Senhora da Apresentação Com a criação de Morro Branco, Natal passa a ter oficialmente 38 bairros. Segundo dados da Semurb, Nossa Senhora da Apresentação continua sendo o mais populoso da capital, com 76.177 habitantes. Em seguida aparecem Pajuçara, com 56.454 moradores, Lagoa Azul, com 55.607, e Potengi, com 48.596 habitantes.
A oficialização de Morro Branco não altera esses números neste momento, mas inaugura uma nova etapa de reorganização territorial da cidade. A partir de agora, a Prefeitura iniciará a atualização dos mapas oficiais, dos cadastros públicos e dos indicadores urbanos que servirão de base para o planejamento de investimentos e serviços públicos nos próximos anos.
A candidata a deputada federal Nina Souza (PL) manifestou, em entrevista ao Diário do RN, solidariedade às candidatas progressistas Brisa Bracchi, Natália Bonavides e Juliana Garcia, que relataram ameaças e episódios de violência política nos últimos dias no Rio Grande do Norte.
Mesmo em campos políticos distintos, Nina defendeu união contra a violência e repudiou os ataques.
“Minha posição quanto a esses casos é de total repúdio. Afinal de contas, são três mulheres, três mulheres que exercem as suas atividades políticas, três mulheres que merecem respeito, e a gente não pode, de nenhuma maneira, minimizar esse tipo de atividade”, afirmou.
Nina relacionou os episódios ao cenário de violência enfrentado pelas mulheres no país e disse que as ameaças também geram preocupação entre outras candidatas.
“Nós vivemos num país, lamentavelmente, extremamente violento, onde o feminicídio a cada dia só aumenta, por mais que nós venhamos conscientizando, falando, alertando. Então, ver três mulheres em atividade política sendo ameaçadas dessa forma nos traz medo também, porque, na hora que a gente banaliza com elas, isso pode acontecer comigo também”, declarou.
Para a candidata do PL, o enfrentamento à violência deve ultrapassar as divisões políticas. “É a hora de todo mundo largar as bandeiras partidárias e nos unirmos contra qualquer tipo de violência”, defendeu.
Nina também cobrou a identificação e responsabilização de quem estiver por trás das ameaças.
“Fica aqui minha solidariedade às três e, mais do que isso, que seja elucidado, que as pessoas ou a pessoa responsável por isso seja encontrada e punida na forma da lei”, completou.
Ameaças e hostilizações Os casos envolvendo as três candidatas vieram a público de forma concentrada nos primeiros dias deste mês e provocaram manifestações de solidariedade e cobranças por investigação.
Brisa Bracchi, vereadora de Natal e candidata a deputada federal, recebeu em 1º de setembro dois e-mails contendo ameaças de morte e violência sexual, incluindo referência a “estupro corretivo”. As mensagens também traziam informações privadas da parlamentar e de familiares.
O caso foi posteriormente encaminhado às autoridades policiais.
Natália Bonavides, deputada federal e candidata à reeleição, também denunciou ameaças recebidas por e-mail. O conteúdo fazia referências a violência sexual e esquartejamento e incluía dados pessoais de familiares. A parlamentar formalizou a denúncia e entregou o material às autoridades em 5 de setembro.
Já Juliana Garcia, candidata a deputada estadual, relatou episódios de hostilização e violência psicológica durante a primeira semana de setembro. Segundo os relatos reunidos, ela foi alvo de ataques relacionados ao histórico de violência que sofreu anteriormente. Diante dos ataques, a candidata precisou fechar os comentários de seu perfil no Instagram.
Investigações em andamento Os episódios mobilizaram diferentes órgãos de investigação e provocaram manifestações de solidariedade às candidatas. As ameaças contra Brisa Bracchi são apuradas pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte e pela Polícia Federal, e o caso também foi levado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
Já Natália Bonavides acionou a Polícia Civil, a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados e o MPE, aos quais encaminhou o material recebido.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 e orientou seus integrantes a apoiar também candidaturas que integram a base política do petista nos estados. O posicionamento foi aprovado por unanimidade pela organização e formalizado em uma carta pública. No Rio Grande do Norte, a decisão alcança as disputas majoritárias e proporcionais e inclui, portanto, a candidatura de Cadu de Lula (PT) ao Governo do Estado.
Em entrevista ao Diário do RN, o pastor Orivaldo Pimentel Júnior, coordenador estadual da organização, explicou que a decisão foi tomada em agosto, durante reunião realizada no Rio de Janeiro, e não será submetida a uma nova deliberação local.
“A orientação nacional já foi estabelecida numa reunião que tivemos em agosto, no Rio de Janeiro.
Então, é o que ficou sintetizado na carta que a gente distribuiu”, explicou.
A organização realiza nesta quarta-feira (9), às 19h30, no Hotel Monza, em Natal, um encontro para planejar a atuação durante a campanha. Candidatos que concordem com o conteúdo da carta foram convidados a participar.
“Não vai haver, assim, uma aprovação ou não, porque já está firmado nacionalmente. O entendimento é que, se há uma concordância por parte do candidato com o conteúdo da carta, então a gente entende que é uma candidatura simpática à proposta das pessoas ligadas à Frente e que poderão ser estimuladas a votar nesses candidatos”, afirmou.
O apoio, porém, não se restringe à candidatura presidencial. A orientação é acompanhar a base de Lula nas disputas majoritárias e proporcionais, o que, no RN, inclui Cadu de Lula para o Governo. Nos cargos proporcionais, não haverá indicação de um único nome, mas a escolha ficará a critério dos membros.
“A decisão foi apoiar o presidente Lula e toda a sua base, tanto nas proporcionais quanto nas majoritárias”, afirmou Orivaldo. “A gente apoia os candidatos que são da base da candidatura do presidente Lula”, reforçou.
O documento Na carta que formaliza o apoio a Lula, a Frente apresenta os argumentos políticos e religiosos que fundamentam sua decisão. A organização afirma que as eleições de 2026 ultrapassam a disputa entre partidos e candidatos e representam uma escolha entre diferentes projetos para o país.
“As próximas eleições ultrapassam os interesses imediatos de partidos, grupos e candidatos”, afirma o documento. Na sequência, a Frente detalha o que considera estar em jogo no pleito: “Elas representam uma escolha entre projetos distintos de sociedade: de um lado, a defesa da democracia, da soberania nacional, da garantia de direitos, da dignidade da população e da proteção das famílias e do meio ambiente; de outro, o autoritarismo, a violência política e a retirada de direitos”.
A argumentação também parte da fé cristã. A Frente recorre a passagens bíblicas para relacionar o cristianismo à proteção dos mais pobres, à justiça, à paz e ao bem comum. “Defende os direitos do pobre e do necessitado”, cita o documento. Em outra passagem, reforça: “Falem em defesa dos que não podem se defender”.
Ao justificar o apoio a Lula, a entidade destaca o papel do presidente na defesa da ordem constitucional e considera sua liderança necessária para “enfrentar o extremismo, preservar a democracia e defender a soberania nacional”. Ao final, sintetiza a decisão eleitoral: “Para 2026, somos Lula para presidente do Brasil”.
A Frente Evangélica Criada em 2016, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) é um movimento formado por cristãos evangélicos, entre pastores, teólogos e fiéis. Surgiu no contexto do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff e tem entre seus objetivos a defesa da democracia e da justiça social.
A organização também defende a pluralidade política e religiosa dentro das igrejas e busca se contrapor à ideia de que exista um pensamento político único entre os evangélicos brasileiros, além de se posicionar contra o fundamentalismo e o uso político da fé.
O advogado e ex-vereador de Natal Cícero Martins criticou a distribuição dos recursos partidários entre os candidatos do PL no Rio Grande do Norte e afirmou que os valores revelam uma escolha política sobre quais nomes a direção da legenda pretende fortalecer nas eleições. Em entrevista ao Diário do RN, ele atribuiu ao senador Rogério Marinho, presidente estadual do partido, e ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, influência na definição das candidaturas que recebem os maiores repasses.
“Eles estão selecionando quem eles querem eleger. É diferente. Quem é de interesse deles”, afirmou Cícero. “Ele está selecionando os candidatos que ele quer que ganhe”, disse, se referindo à interferência direta do senador Rogério Marinho na divisão dos recursos.
Para sustentar a crítica, o ex-vereador compara os valores destinados aos candidatos à Câmara dos Deputados. Segundo ele, Sargento Gonçalves recebeu R$ 3 milhões e General Girão, R$ 2,7 milhões, enquanto Nina Souza recebeu R$ 2,4 milhões. Juninho Saia Rodada teria recebido R$ 600 mil; Cabo Deyvison, R$ 500 mil; Coronel Brilhante, R$ 600 mil; Pedro Filho, R$ 710 mil; e Gabi Trajano, R$ 300 mil.
Cícero contesta a justificativa de que os maiores repasses estariam relacionados à existência de mandato. Para ele, o caso de Nina contraria esse critério, já que a candidata disputa uma vaga na Câmara, mas não exerce mandato federal.
“Nina Souza não é detentora de mandato federal e recebeu R$ 2,4 milhões. Então, esse critério não combina”, afirmou.
Na avaliação do ex-vereador, a diferença compromete uma condição mínima de equilíbrio entre candidatos da mesma legenda. “Eu acho injusto, porque, a partir do momento que você propõe uma igualdade partidária mínima para aquelas pessoas que estão trabalhando tanto, se doando, que estão realmente fazendo tudo possível e impossível para vencer a campanha”, criticou.
“Privilégios dentro do partido” As críticas também alcançam a nominata para deputado estadual. Cícero comparou os R$ 1,2 milhão que, segundo ele, foram destinados a Bispo Paulo Luiz com os R$ 200 mil recebidos por Jorge do Rosário, candidato apoiado pelo ex-vereador. Ele também citou Getúlio Rêgo, detentor de dez mandatos, entre os nomes que receberam R$ 200 mil.
“Como é que o presidente do PL de Mossoró, que teve votações expressivas anteriores, recebe R$ 200 mil e uma pessoa que nunca teve mandato nem nada recebe R$ 1,2 milhão? Qual é a justificativa que o partido tem sobre isso?”, questionou.
Para Cícero, os números evidenciam tratamento diferenciado dentro da legenda. “Está havendo uma parcialidade escancarada. Não é normal, não. Privilégios dentro do partido escancarados para quem eles querem eleger”, afirmou.
Ele também chamou atenção para a origem pública dos recursos. “É importante que as pessoas saibam como está sendo utilizado esse dinheiro público”, disse.
Bolsonarismo x “Valdemarismo” Ao tratar do comando político das decisões, Cícero atribuiu a distribuição dos recursos a uma articulação entre Rogério Marinho e Valdemar Costa Neto. “Eu acredito que isso é uma situação selecionada por Rogério Marinho à mando de Valdemar da Costa Neto”, declarou.
Na avaliação do ex-vereador, a distribuição estaria ligada à estratégia da cúpula nacional do PL para definir quais candidaturas à Câmara dos Deputados terão prioridade no RN. Ele sustenta que os maiores repasses foram direcionados para fortalecer nomes considerados prioritários pelo comando partidário.
É nesse contexto que diferencia o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro do que chama de “valdemarismo”, em referência à influência de Valdemar sobre o partido. “Existe o bolsonarismo e o valdemarismo. Ele é valdemarista agora”, afirmou sobre Rogério.
Para Cícero, a concentração dos recursos evidencia essa influência na composição da bancada federal que o PL pretende eleger pelo Estado. “Valdemar mandou dinheiro para eleger os dois deputados dele”, afirmou.
O ex-vereador ressalta que a crítica é à diferença entre os valores destinados aos candidatos.
“Ninguém aqui está criticando o PL, só querendo um pouco de igualdade”, concluiu.
Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada nesta quinta-feira (3) ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) busca investigar se recursos supostamente desviados de contratos da saúde de Mossoró podem ter sido reservados ou destinados ao financiamento de projetos eleitorais, entre eles a campanha de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado.
A ação, de número 0600728-20.2026.6.20.0000, distribuída à Relatoria do Corregedor Regional Eleitoral João Batista Rebouças, foi ajuizada pela coligação Endireita RN e tem como investigados Allyson, o candidato a vice-governador Hermano Morais, o atual prefeito de Mossoró e ex-secretário interino do Fundo Municipal de Saúde, Marcos Antônio Bezerra de Medeiros; além de Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio-administrador da DISMED; e José Moabe Zacarias Soares, apontado na investigação criminal como administrador de fato da empresa. O processo trata de possíveis abusos de poder político e econômico.
O ponto central é reconstruir o caminho do dinheiro. A coligação quer cruzar pagamentos do Fundo Municipal de Saúde à DISMED, a movimentação posterior dos recursos, provas da Operação Mederi e as prestações de contas eleitorais de 2026.
A petição ressalta que a eventual destinação eleitoral ainda precisa ser comprovada. “A tese ora deduzida não é a de que o abuso já se encontra demonstrado, mas a de que há conjunto indiciário suficientemente concreto para instaurar a investigação judicial e produzir as provas necessárias à demonstração do abuso”, sustenta.
Além de Allyson, são investigados o seu candidato a vice, o atual prefeito de Mossoró e dois empresários – Foto: Reprodução
“Campanha de Allyson” Entre os principais elementos apresentados estão captações ambientais realizadas com autorização judicial na sede da DISMED, em 13 e 14 de maio de 2025. Segundo a ação, os diálogos tratam da destinação de valores para campanhas políticas, com referência expressa à “campanha de ALLYSON” e ao projeto político para o Governo do Estado.
Em uma das conversas reproduzidas, Oseas fala sobre acumular valores para utilização futura: “Será que não é melhor essa PROPINA você ir juntando ou você dizer, […] guarde, pra quando chegar a campanha […] Você bota aí um ano e nós junta aqui quinhentos…”.
Em outro trecho, José Moabe menciona R$ 200 mil e a reserva de metade para campanha. “Eu tenho que dar aqui a você duzentos mil de PROPINA hoje. Aí eu pago cem […] e cem… você guardando pra sua CAMPANHA”.
Ao analisar o diálogo na investigação criminal, o relator no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), conforme reproduzido na AIJE, afirmou que a fala “não deixa muita margem a outras interpretações”. A decisão registra que os interlocutores discutiam pagamento de propina e sua destinação para campanha política.
A ação cita ainda “tratativas explícitas para a retenção e acúmulo de parcelas de propina destinadas à formação de caixa para campanhas políticas”. A eventual ligação desses valores com a candidatura de Allyson é o que a coligação pretende esclarecer na Justiça Eleitoral.
“Matemática de Mossoró” Outro ponto é a chamada “Matemática de Mossoró”, expressão relacionada aos diálogos que descrevem percentuais de distribuição de valores. Ao justificar a investigação de Allyson, a petição cita “referências nominais a ‘ALLYSON’ e a percentual de 15% nas captações”, além de menções à “campanha de ALLYSON”.
A ação também destaca uma coincidência de data e valores. Em uma gravação de 13 de maio de 2025 é mencionada uma operação na faixa de R$ 400 mil. No mesmo dia, o Fundo Municipal de Saúde emitiu três empenhos para a DISMED, que somaram R$ 802.087,70. Um deles, destinado a materiais médico-hospitalares, foi de R$ 400.930,60, dos quais R$ 396.119,43 foram pagos.
A própria petição ressalva: “Não se afirma, com isso, que os dois valores se refiram à mesma operação; não há, até o momento, prova que permita estabelecer essa correspondência”. Ainda assim, sustenta existir uma “correlação temporal e numérica objetiva” a ser aprofundada com o cruzamento de ordens de compra, documentos de entrega e o conteúdo integral das gravações.
Dinheiro público x campanha de 2026 Para investigar a possível conexão, a coligação pede o compartilhamento das provas da Operação Mederi, incluindo gravações, transcrições integrais e laudos de identificação dos interlocutores.
Também solicita as conversas de WhatsApp entre Oseas Monthalggan e Marcos Antônio Bezerra de Medeiros.
Os pedidos incluem ainda bases financeiras da DISMED e da Drogaria Mais Saúde, relatórios do Coaf, quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático e informações extraídas dos 32 aparelhos eletrônicos apreendidos na Mederi.
Da Prefeitura de Mossoró, são requeridos os processos completos de quatro pregões relacionados à DISMED, com contratos, notas fiscais, ordens de fornecimento, comprovantes de recebimento, liquidações e pagamentos. O objetivo é confrontar o que foi contratado e faturado com o que efetivamente foi entregue.
“Não se trata de requerimento genérico de acesso a acervo investigativo alheio, mas de pedidos vinculados a documentos identificados e a perguntas objetivas”, afirma a ação.
Também é solicitado o rastreamento dos pagamentos à DISMED entre 2022 e 2025, com atenção aos empenhos nº 13050002/2025, 13050003/2025 e 13050004/2025, para confronto com a investigação criminal e os registros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN).
A coligação pede ainda a oitiva de testemunhas que possam esclarecer “a destinação dos recursos gerados pelo mecanismo descrito nas captações ambientais” e “a finalidade eleitoral dos valores nelas mencionados”. Entre os depoimentos requeridos estão o de um auditor da Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pelo relatório de auditoria citado na ação; o de um delegado da Polícia Federal ou perito criminal federal ligado às informações produzidas na investigação; e o do empresário Francisco Wilton Cavalcante Monteiro, que deverá ser ouvido sobre questionamentos relacionados ao Pregão Eletrônico nº 17/2024-SMS e às circunstâncias da habilitação da DISMED no certame.
Por fim, a ação pretende cruzar os pagamentos públicos com a movimentação financeira posterior da DISMED e de seus sócios e confrontar os resultados com as prestações de contas eleitorais de 2026. O objetivo é verificar se recursos relacionados ao núcleo investigado pela Mederi chegaram, direta ou indiretamente, ao projeto eleitoral de Allyson.
A influência de uma trajetória familiar ligada à política e aos movimentos sociais, somada ao desafio de disputar uma eleição com poucos recursos, marca a primeira candidatura de Renan Ribeiro (Rede Sustentabilidade) a deputado estadual. Em entrevista ao Diário do RN, o candidato afirmou que constrói a campanha desde abril, tendo Macau como principal base política, e pretende chegar à Assembleia Legislativa com atuação concentrada em três eixos: trabalho, educação e dignidade.
A decisão começou a ser amadurecida antes mesmo da campanha. Renan conta que consultou inicialmente 18 pessoas, número escolhido em referência à legenda eleitoral da Rede Sustentabilidade. Começou pela própria família e, diante do incentivo recebido, ampliou as conversas.
“Desde abril nós estamos contatando as pessoas. Como o número da Rede Sustentabilidade é 18, idealizei que deveria consultar 18 primeiras pessoas sobre essa minha intenção de disputar a eleição. Consultei essas 18 pessoas e elas disseram: ‘Pode ir em frente’. Primeiramente, a família”, relata.
O principal obstáculo, segundo Renan, é financeiro. Ele afirma que, até o momento, não recebeu recursos partidários e tem custeado a campanha com recursos próprios. Para o candidato, a situação evidencia a desigualdade entre as candidaturas.
“Há uma grande desigualdade econômica entre as candidaturas, refletindo a realidade que existe na sociedade brasileira”, avalia. A falta de recursos, segundo ele, exige mais esforço para colocar as ações em prática. “Temos que trabalhar muito mais. Temos que ter 500 ideias para poder praticar apenas uma, porque os recursos são poucos”.
Renan afirma ter levado a insatisfação internamente ao partido e avalia que a dificuldade não é exclusiva de sua candidatura. “Nós reclamamos internamente no partido, mas fiz aquela reclamação que não tem resposta. Vejo que isso está acontecendo com outros partidos também e isso deve ser uma deformação do próprio sistema, que está precisando ser melhorado para que possa acontecer, na prática, com um mínimo de desigualdade entre os candidatos que estão disputando o pleito”, afirmou.
Macau como base Natural de Macau, Renan coloca o município no centro de sua estratégia eleitoral. É também na cidade que está parte importante de sua ligação familiar com a política, através do pai, Floriano Bezerra de Araújo, ex-deputado estadual e liderança histórica do movimento sindical potiguar.
Floriano construiu sua trajetória principalmente na defesa dos trabalhadores salineiros e rurais.
Presidiu o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Sal, participou da organização sindical rural no Estado e exerceu três mandatos como deputado estadual. Após o golpe militar de 1964, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos, além de ter sido preso e perseguido pelo regime. Morreu em outubro de 2024, aos 96 anos.
Para Renan, a principal herança deixada pelo pai está nos princípios que pretende levar para a vida pública. “A influência do meu pai na minha vida política eu acho que é total no sentido de princípios, de honestidade, de firmeza, de honradez”, afirma.
Ele também destaca como legado a atenção aos trabalhadores. “Meu pai sempre falou que o grande realizador é o povo trabalhador”, recorda.
Além de Macau, Renan afirma ter encontrado apoio em municípios como Guamaré, Pendências e Alto do Rodrigues. A expectativa é ampliar a votação pela região salineira, Costa Branca, Natal e Região Metropolitana.
Projetos para a Assembleia Caso eleito, Renan pretende orientar o mandato a partir do tripé “trabalho, educação e dignidade”. Entre as prioridades, cita iniciativas voltadas aos trabalhadores e pequenos empreendedores, incluindo mototaxistas e vendedores ambulantes.
“Nós iremos levantar a nossa voz em defesa dos interesses maiores e mais legítimos do povo trabalhador em geral e ser um aliado firme dos pequenos empreendedores”, afirma.
A produção cultural também aparece entre as propostas, com a defesa de incentivos e abertura de espaços para artistas potiguares. Outro eixo será a sustentabilidade, com atuação voltada à preservação ambiental e à biodiversidade diante dos eventos climáticos extremos.
Ao falar sobre a expectativa eleitoral, Renan voltou a destacar o peso de Macau em sua primeira candidatura. Para ele, a mobilização de sua cidade natal pode ser decisiva para chegar à Assembleia. “Nós saberemos ser a voz dos interesses e das reivindicações do povo de Macau, da região salineira, da Costa Branca, de Natal e do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.
O debate entre os candidatos ao Governo do RN, promovido pelo Grupo Dial Natal (98 FM e Jovem Pan Natal), nesta quarta-feira (2), teve embates diretos envolvendo Allyson Bezerra (União Brasil).
Mediado pelo comunicador Felinto Filho, o encontro teve críticas à imagem política do ex-prefeito de Mossoró, chamado pelos adversários de “farsante”, “ator”, “embusteiro”, “palhaço, mentiroso” e “santo do pau oco”.
Robério Paulino (PSOL) elevou o tom ao questionar a imagem projetada pelo candidato do União Brasil. “Esse senhor é um farsante, é uma fantasia, um personagem, um ator, um santo do pau oco”, afirmou.
Em outro momento, Robério manteve as críticas: “O senhor é um palhaço. O senhor é um ator, o senhor engana a população dando pulinho”. Allyson rebateu e questionou: “Qual o problema com pulinho e chapéu?”. Robério respondeu com uma provocação: “O problema do senhor não é o chapéu, é o que tem embaixo do chapéu”.
Álvaro Dias (PL) seguiu a mesma linha e chamou Allyson de “farsante” e “embusteiro”, além de cobrar explicações sobre a Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que voltou ao debate como ponto de confronto entre os candidatos.
“Um farsante, um embusteiro, como o professor Robério está dizendo. Agora explique a Operação Mederi. Explique, candidato”, disparou Álvaro.
Cadu Xavier (PT) adotou uma crítica menos baseada em adjetivos, mas também questionou a forma como Allyson apresenta sua atuação política. O petista contrapôs o conhecimento dos problemas do Estado à exposição nas redes sociais e às visitas realizadas pelo adversário ao interior.
“A gente estuda, conhece e está pronto para resolver os problemas do nosso Estado. Não fazer ilusão, dizer que foi em 167 municípios para tirar foto em placa”, afirmou.
Mederi volta ao debate A Operação Mederi também voltou à tona e ganhou espaço nos confrontos. A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos na área da saúde envolvendo a Prefeitura de Mossoró. O caso segue em apuração e, até o momento, não resultou em condenação dos investigados.
Robério retomou o assunto ao fazer um alerta direto ao eleitor. “Pense mil vezes antes de votar. Pesquise o que é Operação Mederi antes de votar”, declarou. Em outro momento, reforçou: “Eu peço a você que está em casa: pesquise o que é a Operação Mederi”.
Álvaro também recorreu à investigação ao comparar sua trajetória administrativa com a situação enfrentada pelo prefeito de Mossoró. “Nós nunca recebemos visita da Polícia Federal, nunca fomos investigados pela Polícia Federal por desvio de recursos, por corrupção, por compra de medicamentos que foram pagos, mas não foram recebidos”, afirmou.
Cadu, por sua vez, trouxe o episódio para o embate ao responder a críticas sobre a gestão estadual. “Desmantelo é Polícia Federal na porta da casa do prefeito. No governo da professora Fátima não tem desmantelo”, provocou.
Diante das cobranças, Allyson não respondeu diretamente aos questionamentos sobre a Mederi e direcionou o confronto para outros episódios. Ao rebater Álvaro, citou uma abordagem ocorrida no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em setembro de 2023, quando uma arma pertencente ao então prefeito de Natal foi encontrada em sua bagagem e retida. Allyson afirmou que Álvaro havia sido “detido” pela Polícia Federal, versão contestada pelo adversário, que confirmou ser proprietário da arma, mas negou ter sido detido e afirmou que seguiu viagem para Brasília.
O candidato do União Brasil também mencionou a Operação Lectus, investigação sobre suspeitas de irregularidades em contratos da saúde estadual durante a pandemia da Covid-19, deslocando o embate para a administração do Governo do Estado.
A retomada da Mederi reforçou o tom adotado pelos adversários de Allyson desde a pré-campanha, com questionamentos à imagem política do candidato e críticas à sua gestão em Mossoró. No debate, enquanto Robério, Álvaro e Cadu recorreram à investigação para confrontar o discurso do prefeito, Allyson respondeu trazendo outros episódios para a discussão, sem entrar diretamente no mérito das cobranças sobre a operação.
A experiência política e administrativa de Álvaro Dias (PL) é apontada pela candidata a deputada federal Nina Souza (PL) como um dos principais diferenciais na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, ela afirmou que o momento enfrentado pelo Estado exige experiência e capacidade de articulação, e defendeu que a eleição não comporta “aventuras”.
Para Nina, o crescimento da candidatura de Álvaro está relacionado à trajetória de aproximadamente 30 anos na vida pública, à experiência administrativa acumulada e à capacidade de reunir diferentes forças políticas. Vereadora licenciada de Natal, ela também cita a passagem do candidato pela Prefeitura da capital e destaca seu perfil “aglomerador” e “aglutinador”.
“As pessoas já entenderam que o Estado está em uma situação muito grave e que a gente não pode cair em aventuras. Álvaro tem mais experiência, aglomera, aglutina forças políticas que podem ajudá-lo. Porque, na política, a gente não vai a lugar nenhum só”, afirmou.
Na avaliação da candidata, essa articulação será fundamental para uma eventual gestão estadual, sobretudo na relação com a bancada federal. “A gente precisa ter apoio de deputados federais, de senadores. Precisa ter interlocução em nível federal. Então, a candidatura de Álvaro reúne vários pré-requisitos. É uma candidatura que tem raiz”, declarou.
Ao falar da trajetória do candidato, Nina fez uma analogia com o próprio nome de Álvaro. “É aquela árvore que tem raiz. Olha, 30 anos de vida pública, ele aprendeu muito. Ele tem credibilidade”, disse.
A candidata também citou a experiência que teve como vereadora durante a gestão de Álvaro na Prefeitura de Natal. Para ela, as mudanças ocorridas na capital demonstram a capacidade administrativa do ex-prefeito.
“Eu, que sou vereadora de Natal e vi Natal antes de Álvaro e Natal após Álvaro, acredito que ele é o único que tem capacidade, de fato, de fazer o Rio Grande do Norte voltar a se desenvolver”, afirmou.
Campanha à Câmara Federal Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, Nina afirma estar satisfeita com a receptividade encontrada nas primeiras semanas de campanha. Ela relata uma rotina intensa de viagens e contato direto com os eleitores, mas classifica a campanha como “leve” e baseada no diálogo.
“Eu estou muito feliz e bem emocionada, porque onde a gente chega vê um carinho enorme das pessoas. É uma campanha leve, tranquila. A gente fala em amor, saudade, compaixão, esperança, futuro e em realmente resgatar o Estado, colocar ele no trem do desenvolvimento”, afirmou.
Apesar de estar na disputa por uma cadeira na Câmara Federal, esta não é a primeira candidatura de Nina à nível estadual. Em 2018, quando já exercia mandato de vereadora em Natal, ela concorreu a deputada estadual e recebeu mais de 20 mil votos, mas não foi eleita.
“Foi uma campanha em que eu era vereadora. Naquela campanha, eu tive voto para me eleger.
Tive 21.300 votos. A legenda é que não deu. Naquela época ainda tinha a coligação, mas foi uma experiência boa, em que eu aprendi muito, e foi bem bacana”, relembrou.
Desta vez, Nina demonstra otimismo também em relação ao desempenho da nominata do PL. A projeção inicial é de eleger entre três e quatro deputados federais, mas ela já considera possível alcançar o patamar mais alto.
“Nós vamos fazer de três a quatro. Eu já estou começando a acreditar que não é impossível que façamos quatro”, afirmou. Segundo Nina, o otimismo se deve ao equilíbrio entre os nomes apresentados pelo partido. “A nominata é muito homogênea. Todo mundo é forte, todo mundo está se movimentando e se dedicando”, completou.
Uma das mais tradicionais instituições religiosas da capital potiguar inicia um novo capítulo de sua história. A Primeira Igreja Batista de Natal (PIB Natal), fundada em 13 de maio de 1919, passou a ser liderada pelo pastor Sagay Kened do Nascimento Silva, que tomou posse no último dia 29 de agosto diante de cerca de 400 pessoas e na presença de 71 pastores de diferentes igrejas.
A cerimônia marcou o início de um novo ciclo para a igreja, que encerrou recentemente um dos ministérios mais longevos de sua história. Durante 26 anos e seis meses, a PIB Natal foi conduzida pelo pastor Edison Vicente do Nascimento, cuja despedida ocorreu em 1º de agosto em um culto marcado por homenagens e emoção.
Aos 46 anos, casado há 22 anos com a assistente social Gissiane Oliveira e pai de Sarah e Samuel, Sagay Kened chega à capital após quase duas décadas de ministério na Primeira Igreja Batista de São José de Mipibu, onde atuou como pastor titular por 19 anos. Também exerceu a função de pastor interino na Igreja Batista Renascer, em Goianinha, durante períodos de transição pastoral.
Com formação pelo Seminário e Instituto Bereano, Seminário Batista Equatorial e Seminário Batista Potiguar, o novo líder afirma que recebeu o convite para assumir a igreja centenária com gratidão, mas também consciente da responsabilidade.
“Recebi esse chamado com muita gratidão a Deus e também com um grande senso de responsabilidade. Pastorear uma igreja com 107 anos de história é uma honra e, ao mesmo tempo, um grande desafio”, afirma.
Segundo ele, o primeiro sentimento ao ser escolhido foi uma mistura de surpresa, temor e alegria.
“Entendi que Deus estava abrindo uma nova porta e colocando diante de mim uma missão muito especial. Quero honrar a história dessa igreja, cuidar das pessoas no presente e, juntos, construir o futuro que Deus tem preparado para nós”, destaca.
Transformação social e espiritual Ao assumir o novo ministério, Sagay Kened afirma que uma das prioridades será fortalecer o papel da igreja como agente de transformação social e espiritual em Natal.
“Amamos Natal e queremos ser uma igreja para a cidade, um farol de esperança para o nosso tempo”, ressalta.
Para o pastor, os desafios enfrentados pela igreja mudaram ao longo das últimas décadas. Se antes a preocupação estava concentrada em ampliar a presença do Evangelho, hoje o contexto exige diálogo com uma sociedade marcada pela velocidade da informação, pelas transformações tecnológicas e pelas divisões ideológicas.
“Vivemos em um mundo marcado pela polarização, tecnologia e excesso de informação. O desafio da igreja é comunicar a verdade de Cristo com fidelidade, relevância, amor e esperança, sem perder sua essência”, avalia.
Ao suceder o pastor Edison Vicente, Sagay Kened afirma que pretende preservar a história construída pela igreja, ao mesmo tempo em que exercerá seu ministério de acordo com os dons e a vocação que acredita ter recebido de Deus.
“O pastor Edison deixou um legado muito bonito e importante, que merece ser honrado. Não venho para apagar o que foi construído, mas para dar continuidade a essa história”, afirma.
Segundo ele, cada pastor possui características próprias de liderança, mas a missão da igreja permanece inalterada.
“Quero servir com a identidade e os dons que Deus me deu. Creio que cada pastor tem seu jeito de pastorear, mas a missão continua sendo a mesma: cuidar de pessoas, anunciar o evangelho e conduzir a igreja para aquilo que Deus tem preparado”, comenta.
A Primeira Igreja Batista de Natal foi organizada oficialmente em 13 de maio de 1919, após anos de evangelização iniciados pelo Tenente Henrique, militar do Exército Brasileiro enviado à capital potiguar durante a Primeira Guerra Mundial para atuar na defesa da costa brasileira.
Paralelamente ao serviço militar, ele iniciou um trabalho missionário que resultou na formação da primeira comunidade batista da cidade.
Os primeiros cultos aconteceram em uma sala da residência do sapateiro Pedro Henrique, onde um pequeno grupo de cristãos deu início à igreja que, mais de um século depois, permanece como uma das instituições evangélicas mais tradicionais de Natal.
Agora, sob a liderança de Sagay Kened, a PIB Natal inicia uma nova etapa de sua trajetória, mantendo o compromisso histórico com a pregação do Evangelho e buscando responder aos desafios de uma sociedade em constante transformação.
A Prefeitura do Natal iniciou a programação do Setembro Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer infantojuvenil e à importância do diagnóstico precoce. Durante todo o mês, serão realizadas ações de sensibilização, capacitação de profissionais e atividades educativas em unidades de saúde e equipamentos da assistência social da capital.
O lançamento institucional da campanha aconteceu nesta quarta-feira (2), no Salão Nobre do Palácio Felipe Camarão, reunindo representantes do município e instituições parceiras, como a Casa Durval Paiva de Apoio à Criança com Câncer, Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Rio Grande do Norte (GACC-RN), Hospital Infantil Varela Santiago e Liga Norte Riograndense Contra o Câncer.
A iniciativa busca fortalecer a identificação dos sinais da doença ainda nos estágios iniciais, aumentando as chances de encaminhamento adequado, tratamento e cura.
Para o prefeito Paulinho Freire, ampliar a informação e preparar a rede municipal são medidas fundamentais para proteger crianças e adolescentes.
“A saúde das nossas crianças e adolescentes é uma prioridade. O Setembro Dourado nos ajuda a levar informação para as famílias e, ao mesmo tempo, a fortalecer a nossa rede de atendimento para que os sinais do câncer infantojuvenil sejam identificados o mais cedo possível”, destacou.
Segundo o prefeito, a união entre poder público e instituições especializadas fortalece o atendimento.
“A Prefeitura do Natal tem unido esforços com profissionais, instituições e entidades parceiras para garantir um cuidado cada vez mais atento, humanizado e eficiente”, afirmou.
A programação inclui atividades educativas nos territórios da capital e capacitações voltadas aos profissionais da rede municipal de saúde. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os principais sinais de alerta e fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada para investigação de possíveis casos.
A vice-prefeita Joanna Guerra destacou que a campanha busca envolver profissionais, famílias e comunidade.
“Esse é um mês que a gente utiliza para potencializar a importância do diagnóstico precoce, tanto capacitando profissionais que lidam diariamente com esse público, como também munindo a nossa população de informação para identificação de qualquer tipo de enfermidade”, disse.
O secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, ressaltou que a identificação de alterações persistentes pode fazer diferença no início do tratamento.
“O Setembro Dourado é uma oportunidade de ampliar o olhar de toda a rede para o câncer infantojuvenil. Queremos que profissionais, famílias e comunidade compreendam a importância de observar sinais persistentes e procurar o serviço de saúde”, explicou.
Entre os sinais que devem ser observados estão palidez ou cansaço prolongado, dores ou inchaços persistentes nos ossos ou articulações, perda de peso sem explicação, manchas brancas ou alterações nos olhos, aumento abdominal, surgimento de caroços, hematomas ou sangramentos repentinos, dores nos membros e sudorese noturna.
Diagnóstico precoce é fundamental O presidente da Casa Durval Paiva, Rilder Campos, reforçou que os sintomas do câncer infantojuvenil podem ser confundidos com manifestações de doenças comuns nessa faixa etária.
“Para tratar uma criança com câncer, são necessárias três coisas: do hospital, das casas de apoio e do diagnóstico precoce. Nós precisamos fazer com que essas crianças cheguem cedo para o tratamento e evitar o diagnóstico tardio”, afirmou.
Segundo ele, a mobilização conjunta é essencial para ampliar as possibilidades de cura.
“Quanto mais cedo percebemos os sinais, maiores são as possibilidades de um diagnóstico oportuno e de cura”, enfatizou.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer infantojuvenil está entre as principais causas de mortalidade por doenças em crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Os tipos mais frequentes são leucemias, tumores cerebrais, linfomas e tumores sólidos, como neuroblastomas e tumor de Wilms.
Programação do Setembro Dourado em Natal
As ações seguem durante todo o mês de setembro, com atividades de conscientização e atualização profissional
UBS Mista de Mãe Luiza Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 10 de setembro – 9h USF Aparecida Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 10 de setembro – 14h USF Nova Aliança Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 15 de setembro – 9h USF KM6 Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 17 de setembro – 8h às 12h Auditório da Casa Durval Paiva Oficina de atualização sobre diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil para profissionais da Rede Municipal de Saúde. 18 de setembro – 9h USF Gramoré / Projeto Dom Bosco Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 21 de setembro – 9h UBS Nova Descoberta Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 21 de setembro – 15h CRAS Leste Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 22 de setembro – 9h UBS Quintas Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 22 de setembro – 14h e 15h CRAS África Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 24 de setembro – 8h às 12h Universidade Potiguar (UnP) Oficina de atualização sobre diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil para profissionais da Rede Municipal de Saúde. 24 de setembro – 14h CRAS Mãe Luiza Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 29 de setembro – 9h UBS Brasília Teimosa Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 29 de setembro – 14h CRAS Leste Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil. 30 de setembro – 9h CRAS Nordelândia Sensibilização sobre o câncer infantojuvenil.
Quatro anos depois de se tornar a primeira mulher eleita governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria voltou às urnas em 2006 para tentar renovar o mandato. A disputa colocou frente a frente duas das principais lideranças políticas do Estado naquele momento e teve uma particularidade até então inédita entre os potiguares: pela primeira vez, uma eleição para o Governo do RN precisou ser decidida no segundo turno.
Wilma, do PSB, disputava a reeleição ao lado de Iberê Ferreira de Souza. Do outro lado estava Garibaldi Alves Filho (PMDB), que havia governado o Estado por dois mandatos, entre 1995 e 2002, e exercia mandato de senador. O candidato a vice era o então deputado federal Ney Lopes (PFL).
O equilíbrio apareceu já no primeiro turno, realizado em 1º de outubro. Wilma recebeu 764.016 votos, equivalentes a 49,58% dos válidos, ficando a menos de meio ponto percentual da vitória.
Garibaldi alcançou 749.003 votos, ou 48,60%. A diferença entre os dois foi de apenas 15.013 votos.
Outros quatro candidatos completaram a disputa. Sandro Pimentel (PSOL) recebeu 14.172 votos (0,92%); José Geraldo Fernandes (PSL), 5.907 (0,38%); Humberto Silva (PTC), 5.582 (0,36%); e Antônio José Bezerra (PCB), 2.470 (0,16%). Com nenhum candidato alcançando a maioria absoluta dos votos válidos, a decisão ficou para 29 de outubro.
Material de camapanha usado por Wilma em 2006, responsável pela divulgação da candidata no RN – Foto: Reprodução
Primeiro segundo turno Wilma e Garibaldi voltaram às urnas quatro semanas depois, inaugurando uma situação até então inédita no Rio Grande do Norte: desde que o sistema de dois turnos passou a vigorar, nenhuma disputa pelo Governo do Estado havia chegado à segunda votação.
O segundo turno trouxe uma particularidade nos números. Wilma passou de 764.016 para 824.101 votos, conquistando pouco mais de 60 mil novos eleitores. Garibaldi, por outro lado, praticamente repetiu o desempenho da primeira votação: saiu de 749.003 para 749.172, acréscimo de apenas 169 votos.
Ao final, Wilma venceu com 52,38% dos votos válidos, contra 47,62% de Garibaldi. Foram 824.101 votos para a governadora e 749.172 para o adversário, uma diferença de 74.929 votos. O resultado garantiu mais quatro anos no cargo e fez de Wilma a primeira mulher reeleita governadora do Rio Grande do Norte.
A vantagem também apareceu na distribuição territorial. No segundo turno, Wilma venceu em 115 dos 167 municípios potiguares, enquanto Garibaldi ficou à frente em 52.
A escolha de Ney Vinte anos depois daquela disputa, Ney Lopes relembrou, em entrevista ao Diário do RN, os bastidores da eleição de 2006, quando integrou como candidato a vice a chapa de Garibaldi Alves Filho. À época deputado federal pelo PFL, ele conta que sua chegada à composição ocorreu depois de outros nomes terem sido considerados para a vaga.
“Em 2006, eu fui candidato a vice-governador com Garibaldi por acaso”, resume.
Segundo Ney, inicialmente o nome indicado para vice era o do deputado estadual Getúlio Rêgo. A composição, no entanto, encontrou resistência dentro do próprio grupo político. “Getúlio Rêgo tinha um atrito em Umarizal com o deputado Zé Dias, que é da família do senador Garibaldi, e Zé Dias vetou Getúlio”, relatou.
Depois, José Adécio (PFL) também chegou a ser cogitado, mas uma nova divergência dificultou a indicação. “Outra dificuldade foi que José Adécio era inimigo do pai de Garibaldi”, explicou Ney ao Diário do RN.
Foi nesse contexto que seu nome passou a ser considerado. Ney também relaciona a escolha às articulações internas do PFL naquele ano, quando José Agripino Maia buscava fortalecer a candidatura do filho, Felipe Maia, à Câmara dos Deputados.
“Dentro desse contexto, o meu nome foi indicado”, relembrou ao Diário do RN.
A composição reunia PMDB e PFL em torno da candidatura de Garibaldi. A coligação Vontade Popular, porém, contou ainda com PP, PSDB, PTN, PRP e PV. Wilma, por sua vez, liderava a Vitória do Povo, formada por PSB, PTB, PT, PL, PPS, PCdoB, PHS, PMN e PTdoB.
O palanque de Garilbadi Filho contou com o reforço do PFL, tendo Ney Lopes como vice e Rosalba senadora – Foto: Reprodução
Disputa acirrada Ao Diário do RN, Ney definiu o segundo turno como uma etapa especialmente difícil da campanha e apontou o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos fatores que contribuíram para o crescimento de Wilma na reta final da disputa. Na avaliação dele, a influência do Governo Federal teve peso no desfecho da eleição.
“O segundo turno foi uma luta muito acirrada, muito difícil. Lula teve uma participação muito grande no apoio a Wilma. Ela dispôs de recursos federais e pôde ampliar sua base de assistencialismo. A recordação que tenho é de uma disputa que terminou decidida, sobretudo, pela influência do Governo Federal”, afirmou Ney.
Um episódio na memória Entre as lembranças que Ney guarda da campanha, uma ocorreu durante um debate promovido pela Federação do Comércio. Segundo ele, Garibaldi o havia credenciado para representar a chapa no evento, mas, ao chegar ao local, foi impedido de entrar.
“Garibaldi me credenciou, como eu era deputado federal e candidato a vice, para ir ao debate, para participar do debate. Chegando lá, fui barrado na porta”, relatou.
Ney afirma não guardar ressentimento, mas considera que o episódio merece ser lembrado. “Eu baixei a cabeça, saí e voltei”, recordou ao Diário do RN.
Apesar de ter estado no palanque adversário, duas décadas depois Ney faz uma avaliação elogiosa da trajetória de Wilma. Ao recordar o resultado de 2006, ele destaca a força política alcançada pela então governadora e reconhece o significado daquela vitória.
“A eleição de 2006 consolidou a liderança da governadora Wilma de Faria. Ela, inegavelmente, foi uma mulher que deixou uma marca de luta muito grande na política do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Ney também presta uma homenagem à antiga adversária ao avaliar sua trajetória política. “Wilma foi uma pessoa que merece todas as homenagens póstumas pelas suas atitudes de grandeza e firmeza”, acrescentou.
Wilma permaneceu à frente do Governo até abril de 2010, quando deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Mais tarde, retornou à política municipal de Natal, onde exerceu os cargos de vice-prefeita e vereadora. Morreu em 15 de junho de 2017, aos 72 anos, vítima de um câncer.
Senado e proporcionais A eleição de 2006 também renovou a representação potiguar no Congresso. Na disputa pelo Senado, Rosalba Ciarlini (PFL) foi eleita com 645.869 votos, ou 44,18%. Fernando Bezerra (PTB) ficou logo atrás, com 634.738 votos (43,42%), enquanto Geraldo Melo (PSDB) alcançou 155.608 (10,65%). Paulinho Freire integrou, como segundo suplente, a chapa de Fernando Bezerra.
Para a Câmara dos Deputados, Fábio Faria foi o mais votado, com 195.148 votos, seguido por João Maia, com 193.296. Também foram eleitos Henrique Eduardo Alves, Rogério Marinho, Felipe Maia, Fátima Bezerra, Nélio Dias e Sandra Rosado.
Na Assembleia Legislativa, Robinson Faria liderou a votação, com 70.782 votos. Entre os 24 eleitos estavam ainda Walter Alves, Márcia Maia, Álvaro Dias, Ricardo Motta, Ezequiel Ferreira, Lavoisier Maia, Nelter Queiroz, Getúlio Rêgo e Fernando Mineiro.
O Diário do RN revelou nesta quarta-feira (2) que chegou à Justiça Eleitoral uma representação contra o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim, com pedido de cassação de seu registro de candidatura por suposta utilização de serviço público em benefício eleitoral. Agora, um novo despacho do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) amplia a apuração e determina que a Meta e a Prefeitura de Natal apresentem informações consideradas relevantes para esclarecer os fatos.
O caso tramita no processo nº 0600722-13.2026.6.20.0000, na classe Representação Especial (REPESP), com procedência em Natal. O despacho é assinado pelo desembargador eleitoral Lourinaldo Silvestre de Lima Filho, que determinou uma série de diligências antes da análise definitiva da representação.
A ação foi apresentada pela candidata a senadora “Samanda de Lula” e pela coligação Time que Cuida, formada por PDT, PSB e Federação Brasil da Esperança. Os autores sustentam possível prática das condutas vedadas previstas no artigo 73, incisos I e IV, da Lei nº 9.504/1997.
O ponto central é uma publicação feita no perfil de Styvenson no Instagram relacionada às unidades móveis do programa “Saúde+Perto – Exames para Todos”, da Prefeitura de Natal. A acusação sustenta que o serviço público teria sido utilizado em benefício da candidatura, acompanhado de pedido expresso de votos.
Após conhecimento da ação, a postagem foi retirada voluntariamente por Styvenson. Para o TRE-RN, isso elimina, neste momento, a necessidade de uma ordem judicial específica para remoção do conteúdo, mas não elimina a necessidade de investigar o episódio.
É justamente aí que o novo despacho ganha peso. A Meta Platforms Inc./Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. terá cinco dias para preservar e apresentar os dados técnicos da publicação, incluindo alcance, impressões, engajamento e comentários.
A plataforma também deverá informar se houve impulsionamento pago. Em caso positivo, terá de apresentar o valor contratado, o período da divulgação e quem foi responsável pelo pagamento.
O tribunal considerou esses dados relevantes para avaliar o alcance da publicação e a eventual gravidade dos fatos, inclusive para eventual aplicação de sanções eleitorais.
A Prefeitura de Natal também foi citada. A Secretaria Municipal de Saúde terá cinco dias para informar se as unidades móveis do Saúde+Perto foram viabilizadas por emenda parlamentar, qual foi a fonte e o montante dos recursos e quem é responsável pela contratação, operação, custeio e regulação dos atendimentos.
O município terá ainda de confirmar se os exames são integralmente gratuitos e apresentar o cronograma de execução do programa.
O despacho deixa claro que o TRE busca esclarecer a natureza pública do serviço, a titularidade dos bens eventualmente utilizados, a origem dos recursos e o regime de gratuidade. São informações consideradas necessárias para avaliar a possível incidência do artigo 73 da Lei das Eleições.
Além de Styvenson, foram notificados as suplentes do candidato, Kelly Valentim e Milena Galvão. Os três terão cinco dias para apresentar defesa.
Depois das manifestações e das respostas da Meta e da Prefeitura, os autos serão encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral, que deverá emitir parecer como fiscal da ordem jurídica.
O TRE-RN ainda não concluiu que houve irregularidade eleitoral. O que o novo despacho demonstra é que a representação avançou para uma fase de produção de provas, com a Justiça Eleitoral buscando informações técnicas sobre a publicação e dados oficiais sobre a origem e execução do serviço público divulgado.
A disputa agora deixa de estar apenas no campo político e passa a depender de respostas documentais: quanto a publicação alcançou, se houve dinheiro para impulsioná-la, quem pagou eventual divulgação e de onde vieram os recursos utilizados no programa de saúde apresentado na postagem.
FALA DE STYVENSON SOBRE TRABALHADORES VIRA CRÍTICA NO PROGRAMA DE SAMANDA A fala de Styvenson Valentim sobre trabalhadores da construção civil ganhou um novo ingrediente na disputa pelo Senado. Em seu programa eleitoral, Samanda Alves resgatou a declaração do senador, contrapôs sua própria avaliação e ainda puxou para o debate a presença da irmã dele como primeira suplente.
Styvenson afirma que a principal dificuldade enfrentada pela construção civil no interior seria encontrar trabalhadores. “Porque hoje a maior dificuldade do interior da construção civil, e a gente fala com propriedade, para conseguir um trabalhador. Por quê? Porque o cabra não vai trabalhar. Ele trabalha de terça à quarta, o resto é tomando cachaça.”
A declaração é seguida, no programa de Samanda, por uma resposta em tom de ironia: “Esse Styvenson aí que estão falando mal da gente, é? É ele mesmo. Ainda achou pouco e colocou a irmã como suplente.”
É nesse ponto que a propaganda transforma a fala sobre a rotina do trabalhador em munição eleitoral. Samanda apresenta Styvenson como alguém que, segundo sua crítica, cobra do trabalhador, enquanto mantém a própria família próxima da disputa política. A candidata então completa: “Na hora de votar para o Senado, escolha quem defende você, trabalhador.”
O vídeo termina com o pedido de voto para Samanda, número 131, identificada na peça como “a senadora de Lula” e “a senadora da gente”.
O contraste não é sutil. De um lado, Styvenson atribui a dificuldade de contratação a trabalhadores que, segundo ele, não estariam dispostos a trabalhar durante toda a semana. Do outro, a propaganda de Samanda aproveita a declaração para se apresentar como defensora do trabalhador e questionar a presença de Anne Kelly Valentim Mendes, irmã de Styvenson, como primeira suplente.
A fala coloca mais um elemento no confronto eleitoral entre os dois candidatos: enquanto Styvenson faz uma crítica ao comportamento de parte dos trabalhadores da construção civil, Samanda utiliza a declaração para devolver a cobrança e transformar o episódio em argumento de campanha sobre trabalho, representação e família na política.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Entre os representantes do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL) votou contra o texto, enquanto Zenaide Maia (PSD) e Styvenson Valentim (Podemos) se posicionaram favoravelmente.
Relatada por Omar Aziz (PSD-AM), a proposta foi aprovada em votação simbólica. Dos 27 senadores presentes, apenas Rogério, Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram voto contrário ao parecer.
A discussão provocou um dos principais embates da sessão entre Rogério e Aziz. Ex-ministro do Trabalho e defensor de maior flexibilidade nas relações trabalhistas, o senador potiguar argumentou que a redução da jornada com manutenção dos salários terá impacto direto sobre os empregadores.
“Porque não tem mágica. Reduzir jornada e manter o nível salarial significa que o empresário vai ter que repassar os custos. É óbvio, é ululante, é claro, é transparente, é cristalino e quem diz o contrário ou tem má-fé ou é burro”, declarou.
Aziz reagiu e afirmou que as mudanças defendidas por Marinho atendem aos interesses dos empregadores. “É sim um projeto para patrões. Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benefícios para o trabalhador”, afirmou. O relator também criticou a possibilidade de acordos individuais, classificando a medida como “assédio ao trabalhador”.
Em meio ao clima de tensão, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), ironizou o nervosismo de Rogério. “Eu trouxe até Lexotan, se o senhor quiser. Quer o Lexotan?”, perguntou ao senador potiguar.
Resistência anterior A posição adotada na CCJ reforça uma resistência que Rogério já vinha manifestando ao fim da escala 6×1 nos moldes propostos.
Em maio, Marinho apresentou emenda para flexibilizar as regras de jornada, rejeitada pela comissão. Nesta quarta-feira, também pediu vista da proposta, suspendendo temporariamente a análise.
Já no mês de julho, durante discurso no plenário do Senado, ele questionou a aplicação de uma jornada com dois dias de repouso a diferentes atividades, citando trabalhadores de plataformas de petróleo, pescadores e profissionais da saúde e da segurança.
“A escala é um processo de negociação levando em consideração a tipicidade de cada ação laboral”, afirmou. Para Marinho, a diversidade do mercado de trabalho não estaria sendo considerada. “O governo sabe que não é possível implementar essa medida. A diversidade do mercado de trabalho não está sendo levada em consideração, ou por leviandade ou porque o discurso é eleitoreiro”, declarou.
O que muda Pelo texto aprovado na CCJ, a jornada máxima cairá gradualmente de 44 para 40 horas semanais.
Dois meses após a promulgação, o limite passaria para 42 horas e, após um ano e dois meses, chegaria às 40 horas.
A PEC também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução dos salários. A mudança valerá para os contratos em vigor.
Com a aprovação na CCJ, a PEC segue para o Plenário do Senado, onde precisará passar por dois turnos de votação e obter pelo menos 49 dos 81 votos em cada um. Se for aprovada sem alterações, poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional. Caso o texto seja modificado, retornará à Câmara dos Deputados para nova análise.
mês de setembro marca mais uma edição da campanha Setembro Amarelo, movimento nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida. Em 2026, o tema escolhido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) é “Escutar é estar presente”, destacando a importância da escuta acolhedora, empática e sem julgamentos para pessoas que enfrentam sofrimento emocional.
A campanha integra o lema global “Mudar a Narrativa”, adotado para o período de 2024 a 2026, incentivando conversas abertas e seguras sobre saúde mental. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro.
Para o médico psiquiatra Hugo Saily, iniciativas como o Setembro Amarelo são fundamentais para combater o preconceito em torno das doenças mentais e estimular as pessoas a procurarem ajuda.
“A campanha do Setembro Amarelo é fundamental para que a gente perca o medo e vá aprendendo a lidar com essas situações tão difíceis, que é uma emergência médica, quando a gente pensa no risco de suicídio, numa depressão tão grave que leve alguém a perder esse tipo de pensamento de morte”, declarou.
Um dado recente revelou uma estatística preocupante: Quase 12% da população natalense apresenta algum quadro depressivo. O maior índice entre as capitais do Nordeste, segundo o psiquiatra.
“Hoje, Natal é a capital do Nordeste com maior índice de pessoas com depressão. Antes a gente era o segundo lugar, perdia para Recife, mas infelizmente hoje estamos na liderança em prevalência da população com depressão. Chega a quase 12% da nossa população, o que representa mais de 200 mil pessoas com depressão em Natal. É muita gente mesmo”, esclareceu.
Segundo o especialista, a sociedade precisa compreender que depressão e risco de suicídio são doenças que exigem tratamento, assim como qualquer outra enfermidade.
“Quando a gente faz uma campanha como essa, a gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças. E como a hipertensão é doença, a gente vai no cardiologista, a pneumologia trata as doenças do pulmão, a depressão e o risco de suicídio são doenças da mente, então a gente precisa de uma equipe multidisciplinar para tratar de forma farmacológica, psicoterápica e tantas outras medidas para tratar esse tipo de doença e hoje cada vez mais a gente tem sucesso nesse tratamento”, explicou.
Hugo Saily afirma que ainda existe uma barreira cultural que impede muitas pessoas de procurar atendimento especializado, mas ressalta que esse cenário precisa mudar.
“Então é uma campanha como a de setembro amarelo ela é fundamental para derrubar esses tabus e aí a gente perder essa última barreira que eu vejo na medicina como um todo das pessoas ainda não procurarem uma assistência médica adequada quando a gente de fato está tratando de doenças tão comuns. Eu lembro que antigamente você, por exemplo, não podia operar o coração.
Os primeiros cirurgiões cardíacos foram excomungados pela igreja porque o coração era considerado o local da alma. Hoje ninguém questiona mais se deve fazer uma cirurgia cardíaca quando há indicação porque, se não fizer, a pessoa pode morrer. Para depressão e suicídio é da mesma forma. Se a gente não trata quem tem necessidade, mais e mais pessoas vão continuar morrendo”, afirmou.
“A gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças” – Foto: Reprodução
Escutar sem julgar pode salvar vidas O tema escolhido para a campanha deste ano reforça justamente a importância da escuta como primeiro passo para acolher quem enfrenta sofrimento emocional.
Segundo Hugo Saily, familiares e amigos não precisam ter todas as respostas, mas podem oferecer apoio por meio da presença e da escuta.
“E aí o que é que você pode fazer se você passa por uma situação como essa de uma depressão grave, um pensamento suicida ou algum parente, alguma pessoa querida sua? É você emprestar seu ouvido de uma maneira muito isenta, sem julgamento. Você pode não concordar, você pode achar que é frescura. No final das contas, se você só pode oferecer sua ajuda e se não quiser ajudar, não souber como, fique calado. De fato, só empreste seu ouvido porque quando a pessoa que está no sofrimento intenso se sente validada, acolhida naquela dor dela, você já está fazendo um bem enorme”, orientou.
O médico reforça que, além da escuta, é indispensável buscar atendimento profissional o mais rapidamente possível.
“E o segundo passo é procure ajuda. Lembre: depressão e suicídio são emergências médicas quando são graves. Você não deixa alguém que está com início de infarto ficar em casa, você leva para a urgência. Alguém com risco de suicídio, da mesma forma, tem que ter um acompanhamento médico e psicológico o mais breve possível. O foco é mostrar: eu posso não entender ou não concordar com o que você está passando, mas existe esperança. Vamos buscar o tratamento para você melhorar”, disse.
Hugo Saily também destacou os avanços da psiquiatria no tratamento dos casos mais graves de depressão.
“E hoje a gente foca muito nos tratamentos mais atuais, por exemplo, o tratamento com escetamina. Ela é uma medicação que se faz em hospital, em uma sessão de duas horas, e a pessoa entra muito mal, deprimida, pensando em morrer, e sai da sessão feliz, tranquila. A gente chegou nesse nível de avanço científico”, explicou.
O psiquiatra comparou a evolução da psiquiatria ao avanço obtido em outras áreas da medicina.
“Assim como crianças que descobriam diabetes tipo 1 há um século morriam porque não existia insulina, hoje elas vivem plenamente graças ao tratamento. Pessoas com depressão grave e risco de suicídio também podem e devem ter uma vida plena e feliz, mas precisam de ajuda profissional. Esse medo de procurar um psiquiatra por achar que é coisa de doido é coisa do passado. Todo mundo, ao longo da vida, está sujeito a ter um episódio depressivo. Sabendo que um dia pode ser a gente, a gente vai ajudar quem está ao nosso lado”, afirmou.
Pessoas que enfrentam sofrimento emocional ou pensamentos suicidas podem procurar atendimento nas unidades de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em serviços de urgência e emergência ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso por telefone, chat, e-mail e atendimento presencial em diversas cidades do país. O atendimento pelo telefone 188 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O caso de uma adolescente de 16 anos que morreu em Mossoró após uma situação de sofrimento relacionada ao ambiente escolar trouxe novamente ao debate a importância do combate ao bullying e da atenção à saúde mental dos jovens.
A adolescente, que possuía vitiligo, uma doença de pele crônica e não contagiosa, teria relatado à família dificuldades enfrentadas dentro do Colégio Diocesano Santa Luzia, além de tristeza, crises de ansiedade e sentimento de isolamento. Em mensagens enviadas à mãe, a jovem pediu para não frequentar mais o ambiente escolar e afirmou que não se sentia bem no local.
“Mãe, deixa eu faltar, por favor, eu não me sinto bem na escola, eu fico chorando o tempo todo. Eu fico com vergonha, eu não consigo parar de chorar, fica todo mundo me olhando”, escreveu a adolescente em uma das mensagens.
Em outro momento, ela relatou dificuldades emocionais e disse: “Eu só queria sair daqui logo”.
As provocações foram tantas que chegou ao ponto em que a menina não suportou mais e acabou tirando a própria vida.
Após a repercussão do caso, familiares e ex-alunos passaram a compartilhar relatos nas redes sociais sobre outras situações de bullying envolvendo estudantes do Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró.
Um familiar da adolescente afirmou que pretende buscar esclarecimentos na Justiça e pediu que outras pessoas compartilhassem relatos que pudessem ajudar a compreender o que teria acontecido. “Sou o primo de ***, vítima de bullying na escola Diocesano, Mossoró-RN. Vamos levar isso à justiça, e eu preciso da ajuda de todos vocês nisso. Me mandem relatos, caso ela tenha citado os nomes das pessoas, desabafos dela, tudo ajuda, por favor”, relatou um familiar na rede social X.
Psicóloga alerta para sinais de sofrimento entre adolescentes Para a psicóloga Débora Sampaio, situações envolvendo suicídio entre adolescentes exigem cuidado, acolhimento e uma análise ampla, sem julgamentos precipitados.
“Uma morte por suicídio deixa muita dor, muitas perguntas sem respostas, sentimento de culpa e impotência entre todos aqueles que amavam esse adolescente”, afirmou.
Segundo a profissional, o suicídio é um fenômeno complexo e não pode ser explicado por uma única causa ou por um único acontecimento.
“A gente precisa entender que o suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial, que não existe uma única causa, uma única conversa ou uma única pessoa que possa explicar uma morte como essa”, destacou.
A psicóloga ressaltou ainda que familiares, escolas e a sociedade precisam estar atentos aos sinais apresentados pelos adolescentes.
“Quando um adolescente diz que não está bem, que está se sentindo sozinho, que não está conseguindo dormir, que está ansioso, que não consegue frequentar determinado ambiente ou que já não suporta alguma situação, a gente precisa tentar compreender o que aquela fala está comunicando”, explicou.
Débora destacou que o sofrimento emocional nem sempre aparece de forma clara e pode ser percebido por mudanças de comportamento.
“Às vezes isso vai aparecendo assim, nas faltas na escola, em uma mudança de comportamento, no isolamento, na irritabilidade, na queda do rendimento ou no afastamento das pessoas e até das atividades que ele gostava”, afirmou.
Para a psicóloga, é necessário abandonar a ideia de que o sofrimento dos jovens é apenas uma fase ou exagero.
“A gente ainda comete o erro de chamar esse sofrimento do adolescente de exagero, drama, preguiça, falta de vontade ou coisa da aborrecência”, disse.
Ela reforçou que validar a dor de um adolescente não significa concordar com tudo, mas reconhecer o sofrimento e oferecer apoio.
“Validar é a gente poder dizer: eu não compreendo tudo que você está sentindo, mas eu reconheço que isso está sendo muito difícil para você. Eu acredito no seu sofrimento e eu estou do seu lado para lhe ajudar”, explicou.
“Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola”
Além do caso envolvendo a adolescente, outros estudantes e familiares relataram nas redes sociais possíveis episódios de intolerância e violência entre alunos da instituição.
Entre os relatos divulgados, há a denúncia de que um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) teria sido vítima de agressões praticadas por colegas, com registro em vídeo. O caso também passou a circular nas redes sociais e gerou manifestações de pessoas que afirmam ter estudado na instituição.
Ex-alunos também relataram experiências relacionadas ao bullying.
“Meus três anos no Diocesano foram implorando para coordenação se importar com bullying e ultimamente tem acontecido tanta coisa naquela escola que parece que eu estava prevendo que ia piorar muito”, escreveu uma ex-aluna.
Outra ex-estudante afirmou: “Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola. Os casos vêm se repetindo todos os anos e nada é feito e nenhuma medida é tomada”.
Uma mãe de alunos também relatou preocupação com a situação.
“Meus filhos estudam nessa escola, posso confirmar que acontecem casos de bullying com frequência e a escola se omite sim”, afirmou.
Em maio, um vídeo compartilhado nas redes sociais ganhou ampla repercussão. Nas imagens, alunos da instituição aparecem humilhando e proferindo ofensas de cunho racista contra um menino que vendia paçoca em um sinal no bairro Nova Betânia. Nas imagens, é possível ver o momento em que os jovens fingem comprar os produtos e derrubam parte deles no chão.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA), identificou e ouviu os adolescentes envolvidos. O ato foi classificado como análogo ao crime de injúria racial.
O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário (Vara da Infância e da Juventude) e ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para as providências legais cabíveis. O adolescente que dirigia o veículo também foi responsabilizado por dirigir sem CNH.
Escola foi procurada pelo Diário do RN e silenciou A psicóloga Débora Sampaio reforça que a prevenção passa pela construção de uma rede de apoio capaz de acolher os adolescentes.
“Famílias e escolas não precisam ter todas as respostas, mas precisam formar uma rede capaz de escutar, acolher, compartilhar preocupações e buscar ajuda profissional quando é necessário”, afirmou.
Segundo ela, o caminho passa pela atenção aos sinais e pela disponibilidade para ouvir.
“Talvez a gente não possa antecipar todos os desfechos, mas a gente pode estar mais atentos aos sinais, mais disponíveis para escutar e mais preparados para intervir”, concluiu.
A reportagem do Diário do RN procurou o Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, para solicitar um posicionamento sobre os relatos e as denúncias divulgadas.
O contato foi realizado pelo telefone disponibilizado pela instituição. Inicialmente, a equipe foi direcionada para o atendimento via WhatsApp. Após a tentativa de contato com os setores indicados pela assistente virtual da escola, não houve retorno da instituição até o fechamento desta matéria.
Depois de cogitar desistir da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ivan Baron (PT) decidiu manter a candidatura, mas com uma campanha redimensionada diante das limitações financeiras. Em entrevista ao Diário do RN, o ativista afirmou que recebeu, até agora, R$ 24.275 em recursos partidários e, após se reunir com sua equipe, optou por recalcular a estratégia, com maior presença digital e uma estrutura mais enxuta.
“Nós nos reunimos, o grupo, e a gente decidiu não desistir. Até porque, apesar das inúmeras dificuldades, dos desafios que foram impostos, inclusive questão de falta de orçamento, de apoio, a gente vai recalcular a maneira como seguir a campanha, seguir uma campanha mais digital, mais pé no chão”, afirmou.
O valor recebido foi um dos principais fatores para a reavaliação. Para Ivan, os R$ 24.275 são insuficientes para sustentar uma campanha com presença em todo o Estado, especialmente diante das necessidades de estrutura e acessibilidade.
“Para uma campanha estadual é muito pouco. E para rodar os 167 municípios, com as limitações que a gente tem, é impossível”, avaliou.
Ivan, que tem paralisia cerebral e construiu sua atuação pública em defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência, ressalta que o questionamento não se limita ao dinheiro, mas passa pelas condições oferecidas para que diferentes candidaturas possam competir.
“Quando eu falo em relação a esse assunto, não é apenas sobre dinheiro, mas é sobre o valor que é uma candidatura de um jovem com paralisia cerebral, que fala sobre acessibilidade, sobre inclusão”, explicou.
Para ele, uma estrutura maior permitiria ampliar o alcance dessas pautas. “A nossa maior crítica é nesse ponto, porque eu acredito que a gente, com as mesmas condições que os demais, com certeza, muita gente se sentiria representada”, acrescentou.
Diálogo partidário Em meio ao recálculo da campanha, Ivan mantém conversas com integrantes do PT em nível nacional. Segundo ele, pessoas ligadas ao partido o procuraram e se solidarizaram com a situação, enquanto são discutidas alternativas para fortalecer a candidatura.
“A nível nacional, eu já estou em diálogo, inclusive, com pessoas do PT, que me procuraram, que se solidarizaram e a gente está encontrando as melhores soluções para isso”, contou. Ivan confirmou ainda que existe a possibilidade de revisão dos recursos destinados à campanha.
No Rio Grande do Norte, o diálogo com o diretório estadual também começa a ser estabelecido em busca de um entendimento. A expectativa é de que as conversas avancem nos próximos dias.
“Vamos ter ainda respostas em breve, mas até agora é só a nível nacional”, afirmou.
Enquanto isso, Ivan pretende concentrar esforços nas redes sociais, onde já acumulava presença antes da candidatura. A estratégia digital ganha importância diante da necessidade de reduzir custos e adequar a campanha às condições disponíveis.
“A gente está aí para disputar em nível de equidade. A gente só quer ser respeitado enquanto tal”, destacou.
Convite de Lula e Janja A candidatura de Ivan à Assembleia nasceu da aproximação com o PT em nível nacional. O ativista se filiou ao partido e entrou na disputa após incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva.
A relação ganhou projeção em janeiro de 2023, quando Ivan foi uma das pessoas escolhidas para subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula durante a cerimônia de posse, em Brasília. O momento projetou nacionalmente o ativista potiguar.
Mais recentemente, a aproximação voltou a ganhar destaque durante o Carnaval do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. Ivan participou do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Marquês de Sapucaí, e encontrou o presidente e Janja após a apresentação.
Na ocasião, segundo relato do próprio Ivan, Lula brincou que ele já era o “candidato de Janja” e afirmou que assinaria sua ficha de filiação ao PT.
Porém, antes desses episódios, Ivan já atuava na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, utilizando principalmente as redes sociais para ampliar o debate sobre acessibilidade, representatividade e combate ao capacitismo.
A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) protocolou nesta terça-feira (1º), no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), uma representação por conduta vedada contra o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos). A ação questiona uma publicação feita pelo parlamentar nas redes sociais envolvendo as carretas do programa “Saúde+Perto”, da Prefeitura do Natal, e pede a retirada do conteúdo, aplicação de multa e cassação do registro da candidatura.
A representação, também assinada pelos advogados Altair Soares da Rocha Filho e Nicole Coimbra Souza Mesquita, do escritório Castro, Smith, Duarte e Rocha , tem como alvo uma postagem feita por Styvenson no Instagram no último sábado (29). No vídeo, o senador aparece ao lado de uma das unidades móveis destinadas à realização de exames de diagnóstico por imagem, associa a estrutura a uma emenda parlamentar de sua autoria e, na legenda, faz o pedido explícito de votos.
“Essa é do Ministério da Saúde, contratada pelo Governo Federal. E essa daqui é a contratada para a Prefeitura de Natal com emenda nossa”, afirma Styvenson. Mais adiante, acrescenta: “Essa aqui foi contratada pelo nosso mandato, e essa é do Governo Federal”. Na legenda, escreve: “Gostou? Eu adoro cuidar de todos vocês. VOTA 200 esse voto dá gosto e te orgulha 200 vota”.
A associação entre o serviço público e o pedido de voto é o principal fundamento da representação. Os advogados de Samanda sustentam que Styvenson teria utilizado um bem da administração pública em benefício da própria candidatura e feito uso promocional de um serviço de saúde custeado pelo Poder Público.
“O Representado atrelou a própria imagem – e o próprio número de urna – a serviço gratuito de saúde custeado pelo Poder Público, apresentou-se ao eleitorado como o responsável pessoal pela benesse e arrematou a mensagem com pedido expresso de sufrágio”, argumentam os advogados.
Serviço público As carretas fazem parte do “Saúde+Perto – Exames para todos”, anunciado pela Prefeitura do Natal no final de agosto. Segundo as informações apresentadas na ação, as unidades foram viabilizadas por emenda parlamentar indicada por Styvenson, em parceria com o Município, com investimento superior a R$ 12 milhões.
A representação aponta possível violação aos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições. O primeiro proíbe o uso de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública em benefício de candidato, partido ou coligação. Já o segundo veda o uso promocional, em favor de candidatura, de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público.
A ação não questiona a indicação da emenda parlamentar, mas a utilização eleitoral que, segundo a acusação, teria sido feita posteriormente. “A prerrogativa de indicar a destinação de recursos orçamentários esgota-se no plano institucional; o que a lei veda é a conversão do serviço público dela resultante em vitrine eleitoral personalizada”, afirma a representação.
Em outro trecho, os advogados distinguem a divulgação da atuação parlamentar do uso do resultado da emenda durante a campanha. “Divulgar ato parlamentar seria informar que o Senador indicou emenda de determinado valor para determinada finalidade”. Segundo a representação, porém, “o que se fez foi captar imagens da estrutura pública de saúde, dizer que ela é ‘nossa’, exaltar os exames gratuitos que serão prestados à população e pedir votos”.
Pedido de cassação Ao sustentar a gravidade do episódio, a representação destaca que a postagem foi feita durante a campanha, contém pedido explícito de voto e envolve um serviço de saúde com investimento superior a R$ 12 milhões. O documento também cita o alcance do perfil de Styvenson, que reúne mais de 264 mil seguidores.
Em caráter de urgência, Samanda pede a retirada imediata da publicação e que Styvenson se abstenha de veicular novos conteúdos vinculando as unidades do “Saúde+Perto” ou os exames oferecidos à candidatura ou ao número 200.
No mérito, Samanda e a coligação pedem o reconhecimento das duas condutas vedadas apontadas, a cassação do registro da candidatura de Styvenson ao Senado e a aplicação de multa no patamar máximo previsto para cada infração. Segundo a representação, a penalidade varia de R$ 5.320,50 a R$ 106.410,00 por conduta.
Como a ação aponta duas supostas infrações, previstas nos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições, o valor das multas pode chegar a R$ 212.820,00 caso a Justiça Eleitoral reconheça ambas as condutas e aplique, de forma cumulativa, o valor máximo pedido pela representação.
Os pedidos feitos pelos advogados de Samanda de Lula serão analisados pela Justiça Eleitoral.
As campanhas majoritárias no Rio Grande do Norte receberam novos reforços financeiros nos últimos dias. Desde a semana passada, candidatos ao Governo e ao Senado vêm registrando repasses das direções partidárias para custear a disputa eleitoral. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, os valores recebidos pelos principais nomes variam, até o momento, de R$ 921,5 mil a R$ 3,8 milhões. Os candidatos do PL foram os últimos a receber os recursos.
Na corrida pelo Governo, Álvaro Dias (PL) recebeu o maior repasse partidário até agora: R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL. O montante representa 42,2% do limite de R$ 7.115.522,46 estabelecido pela Justiça Eleitoral para os gastos de campanha no primeiro turno.
Allyson Bezerra (União Brasil) aparece na sequência, com R$ 1,25 milhão recebido do partido. Desse total, R$ 1 milhão foi repassado pela Direção Nacional do União Brasil e outros R$ 250 mil pela direção estadual.
Cadu de Lula (PT), por sua vez, registra R$ 921.552,25 provenientes das direções partidárias. A maior parcela, de R$ 711.552,25, veio da Direção Nacional do PT. Outros R$ 210 mil foram repassados pela Direção Nacional do PSB, partido da qual a vice da chapa, Larissa Rosado, faz parte.
Apesar da diferença entre os valores recebidos, os três candidatos estão submetidos ao mesmo teto de gastos. Segundo a Justiça Eleitoral, cada campanha ao Governo do RN poderá gastar até R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Em caso de segundo turno, o limite é de R$ 3.557.761,23.
Disputa pelo Senado Entre os candidatos ao Senado, Styvenson Valentim (Podemos) registra o maior volume de recursos partidários. A Direção Nacional do Podemos repassou R$ 3.811.887,03 à candidatura, valor que corresponde exatamente ao limite legal de gastos informado pela Justiça Eleitoral para a disputa ao Senado no Rio Grande do Norte.
Rafael Motta (PDT) e Zenaide Maia (PSD), candidata à reeleição, receberam R$ 3 milhões cada das respectivas direções nacionais. O montante corresponde, para cada um, a cerca de 78,7% do teto permitido para a campanha.
Samanda de Lula (PT) recebeu R$ 1.905.943,52 da Direção Nacional do PT, equivalente a praticamente metade do limite de gastos. Já Coronel Hélio (PL) recebeu R$ 1,5 milhão da Direção Nacional da legenda.
Assim como na disputa pelo Governo, o PL foi o último entre os partidos dos principais candidatos ao Senado a efetuar o repasse. Com a entrada dos recursos para Álvaro Dias e Coronel Hélio, as duas candidaturas majoritárias da legenda passaram a somar R$ 4,5 milhões em recursos provenientes da direção nacional.
Valores podem aumentar Os números disponíveis na Justiça Eleitoral, consultados até o fechamento desta edição, representam o cenário registrado até o momento e ainda podem ser atualizados ao longo da campanha. As direções partidárias podem realizar novos repasses, e os candidatos também podem receber doações de pessoas físicas e recursos de outras fontes permitidas pela legislação eleitoral.
A arrecadação, portanto, ainda pode aumentar para a maioria das candidaturas. A exceção é Styvenson Valentim (Podemos), que já recebeu R$ 3.811.887,03, valor equivalente ao teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado. Nos demais casos, independentemente do volume arrecadado, as despesas devem permanecer dentro dos limites definidos pela Justiça Eleitoral para cada cargo.