8 ANOS SEM MAURÍLIO PINTO: FILHOS APONTAM HONESTIDADE COMO MAIOR LEGADO DEIXADO PELO “XERIFE”

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Em 19 de maio de 2018, falecia em Natal, em virtude de complicações causadas pelo diabetes, o delegado aposentado Maurílio Pinto de Medeiros. Conhecido por muitos como “Xerife” — título que ganhou após receber uma homenagem no Texas (EUA) — ele deixou para filhos, netos e atém bisnetos um legado nobre de honestidade. Hoje, já na quarta geração, a família Medeiros conta com 13 integrantes que seguem a carreira policial.

Sua filha mais velha, Ana Cláudia, de 61 anos, decidiu se aposentar do serviço público na Prefeitura do Natal, logo após a morte do pai. A medida visava dedicar mais tempo aos cuidados com a mãe, Dona Clarissa, que veio a falecer em 2020. Com a partida de Maurílio, o que ela mais sentiu foi a redução dos encontros familiares frequentes na casa dos pais, no bairro de Capim Macio, na Zona Sul da capital. Depois da perda da matriarca, essas reuniões se tornaram ainda mais raras.

A mesma sensação de afastamento é compartilhada por sua irmã, Adriana Medeiros, de 59 anos, aposentada há nove anos da Polícia. Atualmente, ela cuida da vida pessoal, dos filhos e dos quatro netos. “Sinto muita falta das histórias sobre casos policiais que papai contava. Mesmo aposentado, permanecia muito ativo e sempre bem informado sobre tudo. Me entristece saber que meus netos não chegaram a conhecê-lo; ele estava tão animado com a chegada do primeiro bisneto menino — até então, só havia uma bisneta. Infelizmente, o menino nasceu poucos dias depois que ele se foi”, relembrou Adriana.

Após a venda da antiga residência da família, Ana Cláudia ficou responsável por todo o acervo particular do pai: fotografias, objetos pessoais e reportagens que registravam sua trajetória. No início, conseguiu manter tudo intacto em sua própria casa, como se tivesse transferido o escritório dele para lá. Hoje, ela divide o tempo entre os cuidados com as filhas e netos, além de viagens frequentes. Embora Maurílio sempre tenha insistido para que ela também seguisse a carreira policial, escolheu outro caminho. “Polícia nunca foi a minha praia. Tenho ótimas lembranças das nossas discussões, pois eu era a filha que mais discordava dele e defendia minhas ideias com firmeza. Mesmo assim, nossa ligação era de muito carinho e amor. Acho que era comigo que ele tinha ‘maior chamego’”, brinca, sorrindo.

Para Cláudia, a dedicação absoluta que o pai devotou à família e à profissão fez dele um homem respeitado e admirado por todos. “Na polícia, ele sempre defendia a união da equipe e não cansava de cobrar dos governantes mais investimentos para a categoria, especialmente na modernização de equipamentos, armas e viaturas”.

Adriana complementa, destacando os valores herdados: honestidade, disciplina, dedicação e amor — tanto na vida pessoal quanto na profissão que se escolhe. Uma lembrança que sempre lhe vem à mente é ver o pai chorar quando algum policial da sua equipe era ferido gravemente em serviço. “Isso mostrava o quanto ele se entregava de corpo e alma à profissão. Ele sempre dizia que o trabalho enobrece o ser humano e que quem faz o que gosta, não sofre com estresse”, lembra.

Facções Criminosas
Maurílio Pinto de Medeiros Júnior, que também se aposentou aos 53 anos como agente da Polícia Civil, exalta a postura firme do pai no combate ao crime organizado. “Ele acompanhava o crescimento das facções criminosas no país, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e garantia que, enquanto estivesse na ativa, esses grupos nunca se instalariam no Rio Grande do Norte. Durante os muitos anos em que comandou a Polícia Civil, jamais se deixou corromper.

Quando morreu, deixou apenas um Honda Civic, uma casa e um exemplo enorme de integridade”, ressalta.

Candidato
Mesmo com toda a intensidade da carreira policial, Maurílio resolveu, no final dos anos 1980, se candidatar ao cargo de deputado estadual. Com a campanha sob o slogan “O Xerife do Povo”, não obteve sucesso nas urnas, mas também não se abalou com o resultado: “Não esperávamos a derrota, pois sua votação foi muito expressiva aqui na capital. Se ele tivesse conseguido levar sua campanha para o interior do Estado, certamente teria vencido. Mas, no fundo, talvez não fosse feliz se tivesse sido eleito, pois não tinha vocação nenhuma para a política. Talvez por isso ele tenha se empenhado menos na campanha”, avalia Adriana.

Júnior concorda que o pai não teria se saído bem na como parlamentar, principalmente porque ele reprimia a ideia de “ficar devendo favores”. “Muitas pessoas diziam que bastava ele pedir um cargo ou uma indicação para ser Secretário de Segurança. Mas ele sempre respondia, sem hesitar, que jamais iria pedir nada a ninguém — fosse deputado, prefeito ou governador”, conta o filho caçula.

Como forma de reconhecer toda a sua trajetória e trabalho, foi instituída, por meio do Decreto Legislativo nº 453/2018, a Comenda Maurílio Pinto de Medeiros. A honraria tem como objetivo homenagear profissionais que se destacam por serviços relevantes prestados à segurança pública no estado.

HISTÓRICO

Foto: Acervo Familiar

Nascido na cidade de Pau dos Ferros em 24 de Agosto de 1941, Maurilio Pinto de Medeiros entrou para a polícia em 1º de Julho de 1964. Filho do Coronel Bento Manuel de Medeiros, Maurílio herdou do pai a dedicação à Segurança Pública. Do seu início como motorista de viatura aos 16 anos, na cidade de Patu, antes mesmo de se tornar uma agente; depois se formando bacharel em Direito e passando em 1975 a exercer o cargo de coordenador de Polícia da Capital, se destacou na realização de operações até então inéditas na história da polícia potiguar. Uma das mais célebres foi o caso do assalto ao Banco do Nordeste de Assu, quando pela primeira vez no Estado houve uma perseguição aérea que terminou com a prisão do foragido em Belém/PA.

A trajetória de vida de Maurílio Pinto de Medeiros foi sempre marcada com êxito no seu trabalho de investigar e elucidar crimes diversos, desde assassinatos a sequestros. Apesar do caráter operacional, o Xerife atuou em funções administrativas de subsecretaria e secretaria adjunta de Segurança Pública, onde fazia questão de comandar e acompanhar, principalmente, as missões de captura de criminosos considerados e alta periculosidade. Ele aposentou em 2011, deixando a titularidade na Delegacia Especializada de Capturas (Decap). Foram 47 anos de serviços prestados ao Rio Grande do Norte.


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“A GENTE SABE A IMPORTÂNCIA QUE TEM PARA NÓS A DUPLICAÇÃO DESSA BR 304”

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e o ministro de Estado dos Transportes, George Santoro, cumpriram agenda nesta segunda-feira (18), em Assú e Macaíba. No início da tarde foi realizada visita técnica às obras de duplicação da BR-304/RN, no trecho entre Mossoró e Assú, iniciadas em 22 janeiro deste ano e com prazo de execução estimado de dois a três anos.

“As três principais prioridades do governo do Rio Grande do Norte, junto ao PAC do governo federal do presidente Lula, todas três já estão em andamento e algumas já em fase de conclusão, como é a transposição das obras do São Francisco. Não é pouca coisa a gente estar aqui falando da duplicação da BR304. Nós, que moramos aqui, a gente sabe a importância que tem para nós a modernização e a duplicação dessa BR304”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.

Já no final da tarde, em Macaíba, foi assinada a ordem de serviço para início das obras remanescentes da Travessia Urbana de Macaíba, além da assinatura do contrato para duplicação da BR-304/RN no trecho entre Macaíba e Riachuelo.

“Não foi fácil, Lula pegou uma terra arrasada. Mas as obras chegaram. Nossa integração, governo do estado com o governo Lula, foi responsável por iniciar essa verdadeira transformação estruturante para RN”, disse a governadora em referência às dificuldades declaradas pelo governo federal.

As obras da Travessia Urbana de Macaíba contemplam a conclusão da duplicação da Reta Tabajara e a construção do viaduto de acesso ao Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante. O investimento é de R$ 78 milhões, em um trecho de 4,4 quilômetros da rodovia.

Já o contrato para duplicação da BR-304/RN entre Macaíba e Riachuelo prevê intervenções em 38,1 quilômetros da rodovia, com investimento estimado em cerca de R$ 204 milhões. As obras incluem adequação de capacidade, melhorias de segurança viária e eliminação de segmentos críticos.

A BR-304/RN é estratégica para o desenvolvimento econômico e turístico do Rio Grande do Norte.

Com 418 quilômetros de extensão, a rodovia começa em Natal (RN) e segue até Beberibe (CE), além de ser a principal ligação entre a capital potiguar e importantes municípios do interior, como Mossoró.

“A minha alegria, eu quero aqui declarar nesse momento, enquanto governadora, agradecer primeiro a Deus, depois ao povo do Rio Grande do Norte que me elegeu governadora para, junto ao presidente Lula, termos conseguido colocar a modernização e a duplicação da BR 304 no centro da agenda do desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, destacou Fátima Bezerra, citando ainda outras duas conquistas na área da mobilidade e da infraestrutura rodoviária. “Me refiro, por exemplo, à federalização da RN226. Eu falo do trecho Florânia-São Vicente-Currais Novos, mais de 40 quilômetros. Era uma luta que vinha há cerca de 20 anos e a gente conseguiu, inclusive já entregue ao povo do Seridó, ao povo do RN. Outra federalização, a RN 104 já foi federalizada”


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HOSPITAL DE ALLYSON É “UMA FARSA” E NÃO ATENDE DEMANDA DE MOSSORÓ

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A inauguração do Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, em janeiro deste ano, foi cercada de forte promoção por parte da gestão do prefeito Allyson Bezerra, que apresentou a unidade como um marco histórico para a saúde pública de Mossoró. Quatro meses após a entrega, porém, a estrutura passou a ser alvo de críticas da população mossoroense, que questiona a falta de estrutura, como leitos de UTI (Unidade de Terapia Intesiva) e a seletividade nos atendimentos e na abertura do hospital, que não funciona nos finais semana e não pode atender a casos graves de urgência.

Em entrevista ao Diário do RN, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, reforçou as críticas e afirmou que, tecnicamente, a unidade não possui capacidade para funcionar como um hospital de maior complexidade.

Segundo Motta, o equipamento possui estrutura limitada, com apenas 10 leitos e sem UTI, o que restringe o atendimento a cirurgias eletivas simples e pacientes considerados de baixo risco. “O hospital não tem UTI e não tem uma demanda para fazer algo que exija maior complexidade”, afirmou o secretário.

De acordo com ele, os pacientes são previamente selecionados justamente para evitar situações de agravamento. “Todas as cirurgias que vão ser feitas lá são de pessoas que não envolvem risco.

Qualquer um que tem um pouco mais de complicação eles não fazem, exatamente porque não têm estrutura suficiente para dar uma resposta”, criticou Motta.

A preocupação da Sesap, segundo o secretário, é justamente a ausência de suporte para eventuais intercorrências médicas. “Toda cirurgia tem algum grau de imprevisibilidade. Se acontecer uma situação dessa lá, ele vai ter que encaminhar esse paciente para alguma porta de urgência”, alertou. De acordo com Motta, pacientes que apresentem complicações precisam ser transferidos para hospitais estaduais com suporte de UTI. Inclusive, segundo o secretário, recentemente dois pacientes foram encaminhados para o Hospital Regional Tarcísio Maia após intercorrências registradas no hospital municipal.

Outro ponto questionado é o funcionamento restrito da unidade, sem atendimento de urgências e emergências nos finais de semana, o que caracterizaria a modalidade de Policlínica. “O Hospital de Mossoró consegue fazer cirurgias eletivas de pequeno porte e, quando chega no final de semana, fecha”, afirmou o secretário ao Diário do RN. Questionado sobre a normalidade desse tipo de operação em uma unidade hospitalar, respondeu: “Do ponto de vista normal, não”.

Na avaliação da Sesap, o hospital também não funciona integrado à rede pública de saúde. “Todos os hospitais agem dentro de uma rede. O hospital de Mossoró age só para ele”, afirmou Motta.

Segundo ele, a própria Prefeitura regula os atendimentos e seleciona os procedimentos realizados. “Ele escolhe o que vai fazer. Vai pegar aqueles casos de média e baixa complexidade que não vão complicar”, declarou o secretário.

De acordo com Motta, a estrutura também não ajuda a desafogar os hospitais estaduais, especialmente o Hospital Regional Tarcísio Maia, principal unidade de urgência e emergência da região Oeste. “O que Mossoró sempre precisou foram leitos de retaguarda. Isso, sim, ajudaria o sistema como um todo”, afirmou.

Na época da inauguração, a Prefeitura informou que o equipamento possuía três salas cirúrgicas, enfermarias, radiologia, central de esterilização, gerador de energia, usina de oxigênio e prontuário eletrônico, além de acessibilidade para pessoas com deficiência. O município também destacou que o hospital atuaria na redução das filas de cirurgias eletivas.

Porém, na avaliação da pasta estadual, o impacto prático da unidade é reduzido diante das necessidades da população. “Da forma como está, ajuda muito a imagem do prefeito, mas resolve pouco da vida da saúde do povo de Mossoró”, criticou Motta.

O secretário estadual também declarou desconhecer vistorias recentes do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) na unidade municipal. “Talvez fosse interessante verificar se cumpre aquilo que se espera de uma unidade hospitalar”, disse. Procurado pela reportagem do Diário do RN, o Cremern não retornou o contato até o fechamento desta edição.

Apesar das críticas, Motta reconheceu que a unidade pode contribuir para procedimentos simples e redução parcial das filas de cirurgias eletivas. Ainda assim, reforçou que a estrutura está distante do que Mossoró necessita. “Não é que seja ruim, mas é absolutamente insuficiente para o que Mossoró precisa”, concluiu o secretário.


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MONSENHOR ALDO PIMENTEL CELEBRA 35 ANOS DE SACERDÓCIO, EM EXTREMOZ

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A comunidade católica de Extremoz viverá um momento especial de fé e celebração neste sábado (16), com as comemorações pelos 35 anos de vida sacerdotal do Monsenhor Aldo Alves Pimentel.

A programação será realizada na Matriz de São Miguel Arcanjo, a partir das 18h, reunindo fiéis de diversas cidades do Rio Grande do Norte em uma noite marcada pela gratidão, espiritualidade e confraternização.

A celebração terá início com a Santa Missa em ação de graças, presidida pelo próprio Monsenhor Aldo, ao lado do arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, do Bispo Auxiliar, Dom Silvio Brito, do vigário-geral da Arquidiocese de Natal, Padre Valquimar Nunes, além de padres, monsenhores e lideranças religiosas da região.

Após a celebração eucarística, a programação segue com um festival de prêmios beneficente e apresentação musical do Padre Andreson Madson. As cartelas da ação entre amigos continuam sendo vendidas por R$ 10 na secretaria paroquial, no plantão do dízimo e com animadores das comunidades. Entre os prêmios anunciados estão animais e valores em dinheiro.

Toda a renda arrecadada durante o evento será destinada à construção do Salão Paroquial Irmã Dionice, projeto desenvolvido pela Paróquia de São Miguel Arcanjo para ampliar as atividades pastorais e comunitárias.

Segundo Monsenhor Aldo, o evento representa não apenas a celebração de uma trajetória pessoal, mas também um momento de agradecimento coletivo pela caminhada construída ao lado das comunidades por onde passou.

“Vai ser um momento muito forte de agradecimento a Deus pela passagem desses 35 anos de sacerdócio. Gente de Natal e de toda a região estará presente conosco nesse momento tão especial”, afirmou.

O sacerdote ressaltou que o principal objetivo da programação é mobilizar a comunidade em torno da conclusão do salão paroquial. “O presente que nós pedimos é que cada pessoa compre uma cartela para ajudar na construção do Salão Paroquial Irmã Dionice. Se todos participarem, com certeza iremos concluir esse sonho da comunidade”, disse.

Na entrevista ao Diário do RN, Monsenhor Aldo também relembrou parte da sua trajetória religiosa e social, marcada pela atuação junto às populações mais vulneráveis, especialmente no interior da Bahia, onde exerceu grande parte do ministério sacerdotal.

Vida e Sacerdócio
Natural do Rio Grande do Norte, Monsenhor Aldo Alves Pimentel nasceu em 15 de fevereiro de 1961 e foi ordenado padre em 13 de maio de 1991, na Catedral de Nossa Senhora de Fátima, sede da Diocese de Paulo Afonso, na Bahia. Ao longo de 35 anos de sacerdócio, construiu uma trajetória marcada pela atuação pastoral, educacional e social, com passagens por comunidades da Bahia e do Rio Grande do Norte.

Durante mais de duas décadas na Bahia, atuou em diversas paróquias e participou diretamente da Pastoral Rural, acompanhando ações voltadas à convivência com o semiárido e à luta pela terra. Entre os projetos desenvolvidos estavam iniciativas de construção de cisternas, poços artesianos, barragens subterrâneas e assentamentos rurais, beneficiando milhares de famílias da região.
“Através das pastorais, dos movimentos e da luta pela terra, fomos construindo uma caminhada junto ao povo. Só tenho muito a agradecer a Deus e às comunidades por onde passei”, afirmou.

Outro trabalho marcante da sua trajetória foi a coordenação da Casa de Reabilitação de Dependentes Químicos Padre Jorge Fetsch, também na Bahia, onde acompanhou durante anos ações de recuperação e reinserção social de pessoas em situação de dependência química.

Além da atuação religiosa, Monsenhor Aldo construiu trajetória acadêmica nas áreas de Filosofia, História e Teologia, com experiência como professor, gestor educacional e coordenador de projetos sociais e formativos.

Após retornar ao Rio Grande do Norte, passou a integrar a Arquidiocese de Natal, atuando em paróquias de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e São José do Campestre. Desde 2023, está à frente da Paróquia de São Miguel Arcanjo, em Extremoz.

Na atual missão, também desenvolve iniciativas voltadas à inclusão social, como um curso preparatório gratuito para o Enem destinado a jovens de baixa renda, além de ações de acolhimento a famílias migrantes venezuelanas atendidas pela paróquia.

Para o sacerdote, a caminhada ministerial é construída coletivamente. “Ninguém trabalha sozinho. Trabalhamos juntos. Isso faz parte do projeto de Deus chamado sinodalidade, caminhar junto com as pessoas e construir uma Igreja missionária e misericordiosa”, declarou.


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“ALLYSON E ÁLVARO DIAS SÃO DO MESMO CAMPO DA DIREITA”, DIZ ROBÉRIO PAULINO

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Pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PSOL, Robério Paulino afirmou, em entrevista ao Diário do RN, que não vê diferenças ideológicas entre o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, ambos cotados para a disputa estadual de 2026. Para o professor da UFRN, os dois representam projetos alinhados à direita conservadora no Estado.

“Eu não vejo uma candidatura de centro e outra de direita. Eu vejo duas candidaturas de direita.

Allyson e Álvaro são do mesmo campo da direita”, afirmou Robério ao comentar o atual cenário político potiguar.

Segundo ele, Allyson tenta construir uma imagem moderada, mas está inserido em um partido de orientação conservadora. “O União Brasil é um partido de direita. Está no Centrão, votando contra pautas progressistas no Congresso Nacional”, disse.

Robério também criticou o posicionamento recente do ex-prefeito de Mossoró sobre o fim da escala 6×1. “Ele falou que é a favor do fim da escala, mas qual é a posição do partido dele? O União Brasil é contra. Então ele sabe que a maioria do povo do Rio Grande do Norte vai votar em Lula e tenta não chocar esse eleitorado”, declarou.

Na entrevista, o pré-candidato do PSOL ainda acusou Allyson de incoerência política e de proximidade com grupos tradicionais da política potiguar. “Ele fez ascensão política criticando oligarquias e hoje está abraçado com as principais oligarquias do Estado, os Alves e os Maia”, afirmou.

O professor também citou críticas à gestão do ex-prefeito em Mossoró, especialmente na relação com os servidores públicos. “Ele tratou os servidores de forma muito dura, muito intolerante e intransigente. Se comportou como inimigo dos servidores públicos”, disse.

Sobre Álvaro Dias, Robério afirmou que o ex-prefeito representa uma direita “radical neoliberal” e voltou a condenar declarações relacionadas à possibilidade de privatização ou federalização da UERN.

“Álvaro e Rogério Marinho são inimigos do serviço público. Se depender deles, privatizam tudo.

Num país pobre como o Brasil, a população precisa da escola pública e da saúde pública”, declarou.

O pré-candidato defendeu o fortalecimento da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte como ferramenta estratégica de desenvolvimento regional. “Eu não privatizaria nem federalizaria a UERN. Nós vamos fortalecer, ampliar e abrir mais campos avançados. Uma universidade estadual é uma alavanca fundamental para o desenvolvimento do Estado”, afirmou.

Ao comentar a pré-candidatura de Cadu Xavier, Robério disse que o petista herda o desgaste da gestão da governadora Fátima Bezerra. “Cadu carrega o desgaste do governo da professora Fátima, um dos governos mais rejeitados do país. Eu lamento profundamente porque torci pelo governo dela, mas acho que deixou muito a desejar”, declarou.

Entre as críticas, ele apontou problemas na educação estadual e na condução de greves do funcionalismo. “Por que o analfabetismo não acabou? Por que o IDEB do Rio Grande do Norte continua tão baixo depois de dois mandatos de uma professora? O PT chegou a judicializar greve das trabalhadoras da saúde”, afirmou.

Aberto ao diálogo com o PT
Apesar das críticas, Robério Paulino afirmou que mantém diálogo com o PT e não descarta entendimentos futuros, desde que haja compromisso programático.

“No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, disse.

Ele ressaltou, porém, que não pretende conceder “apoio em branco”. “O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, afirmou.

Propostas de governo
Ao detalhar suas propostas, Robério afirmou que pretende priorizar mudanças estruturais no Estado, sobretudo na educação.

“Vamos fazer um grande mutirão para erradicar o analfabetismo em até dois anos, envolvendo professores e estudantes da UFRN, UERN, UFERSA e outras instituições”, disse.

O professor também propõe ampliar o número de escolas estaduais em tempo integral. “O Rio Grande do Norte não chega a 30% de escolas em tempo integral, enquanto Ceará, Pernambuco e Piauí já têm cerca de 70%. Nossa meta é chegar a 50% em quatro anos”, afirmou.

Na área econômica, Robério defende um processo de industrialização acelerada do Estado. “Não podemos continuar importando produtos básicos que poderiam ser produzidos aqui. Precisamos construir nossas próprias indústrias e governar com a inteligência das universidades”, declarou.

Outra proposta destacada é o plantio de cinco milhões de árvores no semiárido potiguar já no primeiro mandato. “O nosso semiárido está virando deserto rapidamente. Vamos plantar árvores nativas e frutíferas para recuperar áreas degradadas, gerar empregos e fortalecer uma agroindústria sustentável”, afirmou.


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ALLYSON MIRA ESTRADAS DO RN, MAS MP EXPÕE ABANDONO DE RUAS EM MOSSORÓ

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte abriu um novo foco de desgaste para a gestão do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, após expedir recomendação cobrando providências urgentes para recuperação das vias do bairro Alto do Sumaré.

A medida integra o Inquérito Civil nº 04.23.2022.0000018/2026-92, conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça de Mossoró, sob responsabilidade da promotora Ana Araújo Ximenes.

Segundo o procedimento, moradores denunciaram ao Ministério Público que, desde 2021, ruas do bairro apresentam condições consideradas intrafegáveis, com buracos, erosões, lama e dificuldades de acesso às residências. As reclamações também relatam prejuízos constantes a veículos e riscos à segurança de motoristas, pedestres e moradores.

Durante a instrução do inquérito, a própria Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEINFRA) realizou vistoria técnica no local e confirmou a existência de graves irregularidades, principalmente na Rua Enéas da Silva Negreiros.

O parecer técnico anexado ao procedimento reconhece que a situação não será solucionada apenas com operações paliativas. O documento admite a necessidade de uma “intervenção corretiva planejada”, incluindo reconstrução integral das vias, regularização da base e recomposição completa da pavimentação.

O caso ganha repercussão justamente porque ocorre após a Prefeitura de Mossoró ter destinado cifras milionárias para obras de pavimentação durante a gestão Allyson Bezerra.

Segundo dados oficiais do Portal da Transparência, as despesas com pavimentação de avenidas e ruas somaram cerca de R$ 9,3 milhões em 2021; R$ 32,9 milhões em 2022; R$ 23,6 milhões em 2023; R$ 69,2 milhões em 2024; e mais R$ 16 milhões em 2025.

Ao todo, os investimentos ultrapassam R$ 151 milhões em cinco anos — montante que amplia os questionamentos sobre a permanência de ruas em situação crítica em bairros periféricos da cidade, como o Alto do Sumaré.

Os números oficiais também expõem divergência em relação ao discurso adotado publicamente por Allyson Bezerra durante sua gestão.

Em publicação institucional divulgada em 2022, o então prefeito afirmou que os investimentos em pavimentação chegariam a aproximadamente R$ 47 milhões naquele ano e citou o Sumaré entre os bairros contemplados pelo programa.

Entretanto, dados do próprio Portal da Transparência do Município apontam que as despesas liquidadas com pavimentação em 2022 ficaram em torno de R$ 23,6 milhões, praticamente metade do valor anunciado publicamente pela gestão.

A diferença entre o discurso político e os números oficiais amplia os questionamentos sobre a efetividade dos investimentos divulgados, principalmente diante do cenário agora exposto pelo Ministério Público, onde moradores relatam anos convivendo com lama, erosões e ruas praticamente intrafegáveis.

O desgaste político se amplia porque a cobrança do Ministério Público surge exatamente no momento em que Allyson Bezerra percorre o Rio Grande do Norte apresentando-se como solução para os problemas de infraestrutura do estado.

Em entrevista à rádio 105 FM, em Ceará-Mirim mês passado, o pré-candidato ao Governo do Estado classificou a situação das estradas potiguares como uma “calamidade” e assumiu publicamente compromissos para recuperação de rodovias na região metropolitana.

Durante a entrevista, Allyson prometeu lutar pela duplicação da BR que liga Ceará-Mirim ao aeroporto, reconstrução da estrada entre Ceará-Mirim e Extremoz, “O problema das estradas é muito crônico. Estamos chegando em muitas cidades e a situação é uma calamidade”, declarou o ex-prefeito.

A declaração, porém, entra em choque com a realidade exposta agora pelo Ministério Público em Mossoró. Enquanto Allyson critica a precariedade das rodovias estaduais e promete reconstruir estradas pelo RN, moradores do Alto do Sumaré denunciam que convivem há anos com ruas intrafegáveis, lama, erosões e abandono dentro da própria cidade administrada por ele até março deste ano.

O contraste se torna ainda mais sensível porque a situação denunciada ao Ministério Público não foi apenas relatada por moradores. A própria Secretaria Municipal de Infraestrutura reconheceu, em parecer técnico anexado ao inquérito, que as vias do bairro apresentam problemas graves e que o cenário exige reconstrução completa da pavimentação, admitindo que operações paliativas não resolvem mais o problema.

No documento, o Ministério Público fundamenta sua atuação no dever constitucional do poder público de assegurar infraestrutura urbana adequada e cita entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 698, segundo o qual a falta de recursos não pode servir de justificativa para omissão prolongada do Estado diante da violação de direitos fundamentais.

O episódio atinge diretamente o discurso político construído por Allyson Bezerra na tentativa de ampliar sua projeção estadual. Embora tenha deixado a Prefeitura em março deste ano para disputar o Governo do Estado, o cenário descrito pelo Ministério Público reforça críticas sobre problemas estruturais acumulados em áreas periféricas de Mossoró durante sua gestão.


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PRATES DEFENDE TRANSFORMAR ENERGIA RENOVÁVEL EM VANTAGEM INDUSTRIAL

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O ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean Paul Prates (PDT) participará nesta quinta-feira, no Estádio do Pacaembu (SP), da São Paulo Innovation Week – uma estratégia nacional de eletrificação da economia, baseada no fortalecimento das energias renováveis, da infraestrutura elétrica e da neoindustrialização verde brasileira. A programação do evento dedicada à energia propõe debater o contexto global do setor, os desafios do Brasil e a transição energética em si.

No painel “Energia Eólica em terra e mar e a eletrificação da economia”, Prates destacará o papel estratégico do chamado Brasil Equatorial, faixa territorial que vai do Nordeste Setentrional ao Norte Oriental do país e concentra alguns dos maiores potenciais mundiais em energia renovável, eólicas offshore, hidrogênio e combustíveis sustentáveis.

Prates destacará o papel estratégico do chamado “Brasil Equatorial” – Foto: Reprodução

A apresentação deverá enfatizar que a nova economia global será estruturada em torno da eletricidade, impulsionada por inteligência artificial, data centers, automação industrial e mobilidade elétrica. “Hoje, o Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo. O próximo passo é transformar essa vantagem natural em vantagem industrial. Energia limpa e competitiva pode atrair data centers, hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, fertilizantes, siderurgia de baixo carbono e uma nova geração de indústrias intensivas em eletricidade. Em outras palavras, a transição energética não deve ser vista apenas como agenda ambiental, mas como uma estratégia concreta de reindustrialização, geração de empregos qualificados e aumento da competitividade do país”, observou.

Ao lado de Elbia Gannoum (ABEEólica) e Roberta Cox (GWEC), o ex-senador também defenderá maior investimento em transmissão, armazenamento de energia, digitalização do sistema elétrico e modernização regulatória para evitar desperdício de energia renovável no país, especialmente diante do aumento dos episódios de curtailment.

Segundo ele, o Brasil pode transformar sua liderança renovável em política industrial, atraindo cadeias produtivas intensivas em energia limpa e consolidando uma nova fronteira de desenvolvimento econômico sustentável.

Ao Diário do RN, Prates destacou a pujança potiguar nesse tipo de energia e explica como acelerar o processo de industrialização: “O Rio Grande do Norte continua sendo uma das regiões mais promissoras do mundo para a expansão da energia renovável. Além da liderança histórica na energia eólica em terra, o estado reúne excelentes condições para avançar em eólica offshore, solar, hidrogênio e armazenamento de energia. Para acelerar esse processo, precisamos de maior capacidade de transmissão, contratação de baterias, segurança regulatória e infraestrutura portuária e logística adequada. Se essas condições forem asseguradas, o RN pode consolidar-se como um dos principais polos globais da nova economia elétrica, atraindo investimentos, tecnologia e desenvolvimento para todo o Nordeste.”


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PREFEITURA ANUNCIA OBRA DE R$ 21 MI PARA CONTER IMPACTOS EM PONTA NEGRA

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A Prefeitura do Natal anunciou novas obras de drenagem e contenção na região da engorda da Praia de Ponta Negra durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (13). Na ocasião, a gestão também rebateu críticas e negou irregularidades apontadas em uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF).

O principal anúncio foi a publicação de um edital para uma obra complementar de drenagem, orçada em R$ 21 milhões, que prevê a construção de três reservatórios de retenção e infiltração em vias públicas da região. Segundo a Prefeitura, a intervenção busca reduzir a velocidade e o volume da água que chega à faixa de areia em períodos de chuva intensa, diminuindo a formação dos chamados “espelhos d’água”.

De acordo com informações técnicas apresentadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), os reservatórios foram projetados para suportar chuvas de até 60 milímetros. O sistema funciona armazenando temporariamente a água da drenagem para que ela se infiltre gradualmente no solo. Quando o volume de chuva ultrapassar esse limite, a água seguirá para a faixa de areia de forma lenta e controlada.

Ainda segundo a Seinfra, os reservatórios também possuem função sustentável, já que realizam a filtragem da água antes que ela seja direcionada ao mar, reduzindo impactos ambientais e melhorando a qualidade da água que chega à praia.

Os três reservatórios serão implantados nas ruas Francisco Gurgel, João Rodrigues de Oliveira e Praia de Pirangi. Juntos, eles terão capacidade total de armazenamento de aproximadamente 4.955 metros cúbicos de água e área total de infiltração de 5.162 metros quadrados.

O maior reservatório será construído na Rua Francisco Gurgel, com capacidade de 2.291,40 metros cúbicos. Outro será implantado na Rua Praia de Pirangi, com volume de 1.676,64 metros cúbicos, enquanto o terceiro ficará na Rua João Rodrigues de Oliveira, com capacidade de 987,36 metros cúbicos.

A coletiva contou com representantes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que apresentaram esclarecimentos técnicos sobre o sistema de drenagem implantado junto à obra de engorda.

O secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita, destacou a dimensão da bacia de drenagem da região e o volume de água que chega à orla durante eventos de chuva intensa.

“Nós temos uma bacia de drenagem de aproximadamente 400 mil metros quadrados, e em eventos de chuva intensa cerca de 120 milhões de litros de água chegam até a praia de Ponta Negra”, afirmou.

Mesquita também defendeu a solução adotada no sistema de drenagem e afirmou que não há alternativa física para o escoamento da água.

“Não existe outra alternativa física para essa água senão chegar à praia de Ponta Negra”, disse o secretário.

Ele também reforçou o caráter contínuo das intervenções na região. “É importante entender que estamos falando de uma bacia urbana extremamente consolidada. Não existe solução simples ou única. O que existe é gestão contínua da infraestrutura, com correções ao longo do tempo.”

Segundo o secretário, a nova etapa representa um avanço no sistema já existente. “O que estamos fazendo agora é uma segunda etapa de qualificação do sistema. A engorda resolveu o problema da faixa de areia, mas a drenagem urbana precisa ser continuamente aprimorada para acompanhar a intensidade das chuvas em Natal.”

Defesa técnica da drenagem
A secretária da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal, Shirley Cavalcanti, rebateu críticas relacionadas à execução da obra e afirmou que os questionamentos levantados decorrem de interpretações equivocadas.

Segundo ela, todos os dissipadores estão em funcionamento e cumprem a função prevista no projeto executivo.

“O dissipador está em pleno funcionamento. A prova disso é a formação dos espelhos d’água, porque a água está chegando à faixa de areia”, afirmou.

Shirley também negou a existência de irregularidades estruturais e afirmou que ajustes foram feitos ao longo da execução da obra por decisões técnicas de engenharia.

“Não existe tubulação falsa. O que existe são adequações de campo, decisões técnicas tomadas durante a obra para garantir melhor desempenho do sistema”, disse.

Ela destacou ainda que a nova obra complementar representa uma evolução do projeto. “Essa obra complementar não significa que o sistema anterior não funcione. Significa evolução do projeto. Obras costeiras são dinâmicas e exigem ajustes constantes.”

A secretária explicou que os reservatórios terão função hidráulica estratégica. “Os três reservatórios vão atuar em pontos estratégicos da bacia de drenagem. Eles funcionam como amortecedores hidráulicos, reduzindo a energia da água antes que ela chegue aos dissipadores e, posteriormente, à praia.”

Shirley também afirmou que a intervenção deve impactar diretamente o uso da praia. “Essas intervenções também têm impacto direto na experiência do usuário da praia. Quanto menor a lâmina d’água acumulada, maior a área útil de uso e menor o impacto visual e operacional no local.”

Sistema em fase de ajustes
A secretária ainda destacou que o sistema de drenagem está em fase de adaptação, etapa considerada natural em obras de grande porte em áreas costeiras.

“A gente está em uma fase de acomodação do sistema. Isso é natural em obras desse porte.

Identificamos pontos de melhoria e estamos atuando com manutenção e obras complementares”, explicou.

Segundo ela, o comportamento atual da praia após a engorda segue padrões observados em outras intervenções semelhantes no país.

“É um processo dinâmico. A praia responde, a drenagem responde e o sistema vai sendo ajustado até atingir o equilíbrio”, afirmou.

Posição da Procuradoria
O procurador-geral do município, Fernando Benevides, afirmou que a Prefeitura está tranquila em relação à ação movida pelo MPF e que o processo será uma oportunidade de esclarecimento técnico.

“A obra é responsável, precisa de aperfeiçoamentos, mas está cumprindo sua função”, declarou.

Já a procuradora-chefe da Procuradoria Ambiental do Município, Cássia Bulhões de Souza, destacou que a discussão deve ser conduzida no âmbito judicial com base em critérios técnicos.

“Eu acho extremamente saudável que isso seja levado realmente à Justiça para que haja manifestação sobre esse documento técnico, tanto no tocante à execução da drenagem quanto ao controle e fiscalização da obra”, afirmou.

Ação do MPF
A ação civil pública do MPF questiona pontos relacionados à drenagem e à execução da engorda de Ponta Negra. A Prefeitura afirma que apresentará todos os projetos, estudos e medidas complementares no decorrer do processo judicial.


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CADU XAVIER: “O ESQUISITO É USAR CHAPÉU DE COURO PARA ENGANAR O POVO”

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A polêmica envolvendo o uso do chapéu de couro na pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (13) com a entrada do pré-candidato petista Cadu Xavier no debate. Após a repercussão da fala do senador Rogério Marinho sobre o “chapéu esquisito” usado pelo ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, Cadu publicou vídeo nas redes sociais em defesa do símbolo nordestino, mas aproveitou para atacar o adversário político.
“O chapéu de couro não é esquisito. O chapéu de couro é um patrimônio do povo sertanejo que acorda todo dia de madrugada e usa o chapéu de couro para se proteger do sol, para batalhar pela vida”, afirmou.

Na sequência, porém, o pré-candidato do PT mudou o foco da crítica para Allyson Bezerra, questionando a utilização do acessório como ferramenta política. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que tem a pré-campanha mais cara, uma estrutura maior do que muitos chefes de Estado, usar o chapéu de couro”, declarou.

Cadu também direcionou críticas à relação do ex-prefeito com os servidores municipais durante sua gestão em Mossoró e ao posicionamento recente sobre pautas trabalhistas. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró que, quando era prefeito, massacrou os servidores do município e agora fala a favor do fim da escala 6×1”, disse.

O petista ainda apontou contradição entre o discurso atual de Allyson e os apoios políticos recebidos pelo ex-prefeito nas últimas eleições. “O esquisito é o ex-prefeito que votou em Bolsonaro, votou em Rogério Marinho, agora militar pelas pautas que esses sempre foram contra”, afirmou.

Em outro trecho, Cadu criticou a composição política em torno da pré-candidatura adversária. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que tem no seu palanque todos os parlamentares que votam contra as pautas do presidente Lula, falar agora a favor de uma delas”, declarou.

Ao concluir a fala, o petista voltou a diferenciar o símbolo cultural nordestino do uso político que, segundo ele, estaria sendo feito por Allyson. “Usar chapéu de couro não é esquisito. O esquisito, o feio, o reprovável é usar o chapéu de couro para ir para as ruas e para as redes para enganar o povo do nosso Estado”, afirmou.

A declaração de Cadu ocorre após forte repercussão provocada pela entrevista de Rogério Marinho à 96 FM. Durante a conversa, o senador fez referência indireta a Allyson Bezerra ao criticar uma candidatura “que não fede nem cheira” e que estaria “andando com um chapéu esquisito”.

A fala gerou reação imediata do ex-prefeito de Mossoró, que publicou vídeo nas redes sociais em defesa do chapéu de couro como símbolo do povo nordestino e acusou Rogério de preconceito e arrogância. “Esse chapéu esquisito é símbolo do homem que acorda cedo, trabalha na roça e enfrenta o sol para sobreviver”, afirmou Allyson.

O ex-prefeito também acusou o senador de ser “inimigo do trabalhador” e criticou pautas defendidas pelo parlamentar em Brasília, além de associar a fala ao preconceito contra o povo nordestino. Em outro trecho do vídeo, Allyson afirmou que o grupo adversário “não gosta de gente” e “faz acordos em salas fechadas”.

A troca de declarações intensificou o embate antecipado entre os grupos políticos que já se movimentam de olho na disputa pelo Governo do Estado em 2026.


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ROGÉRIO “TEM GOSTO DE PRECONCEITO E CHEIRO DE ARROGÂNCIA”, DIZ ALLYSON

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Uma declaração do senador Rogério Marinho durante entrevista recente à 96 FM provocou forte repercussão política e está movimentando as redes sociais. Ao comentar o cenário eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte, o parlamentar fez referência indireta ao ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, criticando o uso do tradicional chapéu de couro adotado pelo gestor em agendas políticas pelo interior do Estado.

“Tem uma candidatura que não é uma coisa nem outra, que não fede, que não cheira, que fica o tempo todo dando saltos para o ar e andando com um chapéu esquisito”, afirmou Rogério durante entrevista.

A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais e gerou reação do adversário. Nesta quarta-feira, Allyson Bezerra publicou vídeo em defesa do símbolo nordestino e acusou o senador de preconceito, arrogância e distanciamento popular.

“Esse chapéu esquisito, senador, que o senhor está falando, é um chapéu que é símbolo do povo nordestino brasileiro. É um chapéu que é símbolo do homem que acorda cedo, tem que trabalhar na roça, tem que trabalhar no meio do sol, tem que passar por tanta luta para sobreviver. Coisa que o senhor nunca teve que fazer na vida”, declarou.

Ao longo da resposta, Allyson elevou o tom das críticas e associou a fala do senador a uma postura elitista. “Senador, o senhor é um grande preconceituoso, que tem gosto de preconceito e tem cheiro de arrogância”, afirmou.

O ex-prefeito de Mossoró também relembrou a campanha eleitoral de 2022, quando Rogério Marinho disputou o Senado com apoio de lideranças políticas do interior. Segundo Allyson, o senador chegou a elogiar o chapéu de couro em agendas realizadas em Mossoró. “O senhor é ingrato porque no ano de 2022 o senhor queria se eleger senador, percorreu as cidades do nosso estado e aqui na minha cidade o senhor elogiou meu chapéu de couro”, disse.

A resposta do ex-prefeito avançou ainda para críticas relacionadas a pautas defendidas pelo senador no Congresso Nacional. Allyson acusou Rogério de apoiar medidas contrárias aos trabalhadores. “O senhor deveria achar esquisito é o senhor ser chamado de inimigo do trabalhador, porque é assim que o senhor é. Porque o senhor deveria achar esquisito também defender que aquele cidadão que é trabalhador, que sai de casa cedo, tenha que trabalhar até o dia dele morrer.” O ex-prefeito também voltou a atacar a possibilidade de privatização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), tema que vem sendo explorado no debate político estadual. Segundo Allyson, a universidade representa oportunidade para jovens de origem popular do interior do Estado. “O senhor deveria achar esquisito defender a privatização e venda da Uern, a nossa Universidade Estadual, que é o único local de sonhos de muitos dos jovens, de filhos, de pais, que usam chapéu de couro em todo o Rio Grande do Norte”, disse.

Allyson também acusou o senador de ter evitado disputar o Governo do Estado por receio da rejeição popular. “Esquisito é a covardia que o senhor teve. O senhor se acovardou porque sabia da sua rejeição, sabia da sua desaprovação e sabia que o povo do Estado não suporta as pautas que o senhor defende em Brasília”, disse.

Em outro trecho que ganhou repercussão nas redes sociais, Allyson acusou o grupo político adversário de desprezar o contato popular. “Eles não gostam de gente. Eles têm nojo de gente.

Eles não suportam estar no meio das pessoas. O que eles fazem são acordos em salas fechadas, frias, geladas. Eu gosto de gente. Eu gosto do calor humano. Eu gosto de estar no meio do povo”, declarou.

O ex-prefeito também afirmou que continuará utilizando o chapéu de couro como marca política e símbolo de identificação com o interior nordestino. “Eu não vou deixar de usar o chapéu de couro. Vou usar cada vez mais. Porque eu não posso deixar o meu Estado nas mãos de pessoas como o senhor ou dos seus fantoches”, disse.


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“A MÁSCARA CAIU”, DISPARA MINEIRO APÓS VAZAMENTO DE ÁUDIOS DE FLÁVIO

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O vazamento de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou repercussão no meio político nacional e também no Rio Grande do Norte. As mensagens, divulgadas pelo Intercept Brasil, mostram negociações para obtenção de recursos milionários destinados à produção do filme “Dark Horse”, longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria destinado ao menos 10 milhões de dólares para a produção, valor que, na cotação atual, supera os R$ 50 milhões. Nos áudios vazados, Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos e demonstrando preocupação com a paralisação do projeto cinematográfico. De acordo com a publicação, o orçamento total do filme chegaria a R$ 134 milhões.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, Daniel, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Mas é porque está num momento muito decisivo aqui do filme”, afirmou o senador em um dos trechos divulgados.

Na sequência, Flávio alerta para o risco de interrupção da produção caso os pagamentos não fossem realizados. “Como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso. Imagina a gente dando calote nos atores, no diretor, na equipe. A gente perde tudo”, declarou.

A repercussão do caso chegou ao RN por meio de lideranças do PT. Em entrevista ao Diário do RN, o deputado federal Fernando Mineiro afirmou que o episódio expõe a relação entre o bolsonarismo e o Banco Master.

“A máscara caiu definitivamente. O rapaz que estrelou a fantástica fábrica de chocolate agora está estrelando o poderoso chefão”, ironizou.

Mineiro também questionou os valores envolvidos na produção cinematográfica. “Você veja, R$ 134 milhões que certamente não foi para um filme. Filmes brasileiros indicados ao Oscar mobilizaram menos recursos do que isso”, afirmou.

O parlamentar elevou o tom ao relacionar o episódio diretamente à família Bolsonaro. “Ficou escancarado para o Brasil o caráter e as atitudes dessa família. Uma família que pensa em saquear o país e faz tudo por dinheiro”, declarou.

O deputado ainda cobrou posicionamento de aliados bolsonaristas no Rio Grande do Norte e criticou o silêncio de parlamentares ligados ao ex-presidente. “Até agora estão calados, não falaram nada, mas é importante que venham a público se pronunciar sobre isso”, disse.

Para Mineiro, o caso reforça suspeitas sobre a proximidade entre o grupo político bolsonarista e o Banco Master. “Está muito claro quem se beneficiou com isso. É o Bolso Máster, claramente”, afirmou.

A presidente estadual do PT, Samanda Alves, também comentou o episódio e afirmou que o caso amplia os indícios de ligação política e financeira entre aliados de Bolsonaro e o banco.

“A notícia de Flávio Bolsonaro negociando diretamente mais de R$ 130 milhões para bancar um filme do pai dele é mais uma prova do envolvimento da família Bolsonaro no centro desse escândalo do Banco Master”, afirmou.

Samanda citou ainda outros episódios já associados ao banco e ao entorno bolsonarista. “Tem o empréstimo de avião para campanha, as doações milionárias e até a atuação de marqueteiros ligados à disseminação de fake news. Está muito claro que a família Bolsonaro está no centro desse escândalo criminoso”, declarou.

O Diário do RN procurou parlamentares bolsonaristas do Estado para comentar o caso. Por meio da assessoria, o deputado federal General Girão (PL) informou que, por orientação jurídica, não irá se pronunciar sobre o caso. Já a deputada federal Carla Dickson (PL) não respondeu aos contatos da reportagem até o fechamento desta edição.

Além de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, as mensagens analisadas pelo Intercept mencionam ainda o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-secretário especial da Cultura Mário Frias, apontado como roteirista do projeto cinematográfico.


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MANIPULAÇÃO EM REDE: BIG TECHS MOLDAM A DESINFORMAÇÃO NO BRASIL

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Com o celular como extensão da mão, o aparelho revela-se uma passagem para um universo de informações fragmentadas. Vídeos, mensagens e áudios se entrelaçam em uma rede invisível, trazendo promessas, alertas e denúncias que se espalham com a velocidade do toque.

O caso recente envolvendo a marca Ypê exemplifica essa dinâmica. Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento de lotes de detergentes da marca por potencial risco de contaminação microbiológica, publicações enganosas começaram a se espalhar rapidamente nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Entre os conteúdos compartilhados estavam alegações falsas sobre mortes causadas pelos produtos, teorias de perseguição política e imagens adulteradas atribuídas à empresa.

Essa rotina, tão comum quanto invisível, é parte de um fenômeno que assombra o Brasil: a desinformação. E no centro dele, estão as Big Techs.

Segundo o relatório Digital 2025 do Instituto We Are Social, 67,8% dos brasileiros estão nas redes sociais, cerca de 144 milhões de pessoas. Não por acaso, o Brasil tornou-se um dos terrenos mais férteis para a disseminação de desinformação digital.

Quem nos ajuda a entender essa dinâmica é José Germano Neto, professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN. Com anos de pesquisa nas áreas de ciência, tecnologia e sociedade, ele afirma: “As big techs têm um papel muito importante no Brasil no que diz respeito à disseminação de informações.”

Capitalismo da Emoção
Germano evoca o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han para descrever o cenário atual: vivemos sob o “capitalismo da emoção”, onde o que nos prende às telas são os afetos. “Aquilo que desperta em nós grande emoção nos faz permanecer por vezes em diversos espaços e nos faz propagar mais certas informações”, afirma o professor.

É por isso que conteúdos virais, sejam eles verdadeiros ou não, tendem a ser os mais lucrativos. E, nesse modelo de negócios baseado em engajamento, as Big Techs tornam-se coautoras do problema: “Quando um conteúdo provoca lucro, a Big Tech automaticamente se vincula àquele material e se torna corresponsável por ele”, diz Germano.

Entre o Lucro e a Responsabilidade
A ausência de uma regulação eficaz amplia o abismo entre o interesse público e os interesses corporativos. “É muito importante que haja um fortalecimento das políticas de moderação. Mas não só isso: o poder público precisa cumprir seu papel fiscalizador”, defende Germano. Para ele, a resposta não está apenas na autorregulação das plataformas, “mas em uma governança digital participativa, que envolva sociedade civil, usuários, pesquisadores e o Estado”.

Conectividade que (des)informa
No Nordeste, os desafios ganham novas camadas. “Quando a gente está falando de Nordeste e de algumas áreas, em especial áreas que têm menor acesso à internet, é muito importante que a gente consiga fazer a discussão sobre conectividade significativa”, pontua Germano. “Não se trata apenas de estar online, mas de entender por que se está, como e para quê”, continua.

“Em áreas rurais, onde a conexão é intermitente e os dados móveis são preciosos, o WhatsApp reina soberano. É a ‘internet do povo’. Mas também é por onde circulam as maiores distorções da realidade. Em contextos de baixa escolaridade e falta de acesso a fontes confiáveis, boatos ganham status de verdade e viram decisões de voto, de saúde, de vida”, afirma o professor.

Resistências locais: vozes do Nordeste

Entre as iniciativas que combatem a desinformação no Nordeste está a Pajubá Tech, do Recife, que oferece curadoria de notícias confiáveis – Foto: Reprodução

Apesar dos desafios, o Nordeste também é berço de resistência e inovação. Germano cita iniciativas como o Pajubá Tech, de Recife, que atua na inclusão digital de pessoas LGBTQIA+ e periféricas, e a newsletter Cajueira, feita por jornalistas nordestinos e que oferece uma curadoria de notícias regionais confiáveis, com olhar crítico e engajado.

“Essas experiências mostram que é possível combater a desinformação com iniciativas locais, pensadas a partir das necessidades e culturas de cada território”, diz.


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“ESTOU CADA VEZ MAIS IMPULSIONADA A LUTAR PELOS DIREITOS DAS MULHERES”

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A ativista Juliana Garcia, vítima de uma tentativa de feminicídio que ganhou repercussão nacional no ano passado, afirmou ao Diário do RN que ainda não definiu se pretende disputar um cargo eletivo em 2026, apesar de admitir que tem sido incentivada a ingressar na política institucional após se filiar recentemente ao Partido dos Trabalhadores (PT). A filiação, anunciada na última quinta-feira (7), provocou nova onda de ataques e ameaças nas redes sociais, incluindo mensagens violentas direcionadas à ativista.

Durante a entrevista, Juliana evitou confirmar qualquer projeto eleitoral imediato, mas reconheceu que a possibilidade passou a fazer parte das discussões após a repercussão de sua atuação pública na defesa das mulheres vítimas de violência. “Eu prefiro não responder essa pergunta claramente agora”, afirmou, ao ser questionada sobre uma eventual candidatura. Em seguida, admitiu que tem recebido incentivos para entrar na disputa eleitoral. “Eu tenho sido muito estimulada”, disse.

Segundo ela, a eventual entrada na política teria como foco ampliar a defesa das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero. “Caso eu me candidate e seja eleita, eu vou lutar não apenas por quem votou em mim, mas também pelas mulheres que hoje acham que eu merecia sofrer ainda mais pelo posicionamento político que escolhi ter”, declarou.

Juliana ficou conhecida nacionalmente após ser brutalmente agredida pelo ex-namorado, Igor Cabral, com 61 socos dentro do elevador do prédio onde morava, em Ponta Negra, Zona Sul de Natal, em julho do ano passado. As imagens registradas pelas câmeras de segurança chocaram o país. O agressor está preso desde então e responde por tentativa de feminicídio.

Ao falar sobre a decisão de ingressar oficialmente no PT, Juliana afirmou que a aproximação ideológica com o partido já existia antes da filiação. “Eu já tinha proximidade ideológica, sempre votei no PT. Eu era simpatizante e essa é minha primeira filiação partidária”, disse.

Segundo ela, a repercussão da entrada no partido foi marcada tanto por manifestações de apoio quanto por ataques violentos nas redes sociais, cenário que Juliana associa à polarização política no país. “Eu recebi muito ataque. Certas pessoas se sentem muito à vontade depois que o discurso de ódio foi normalizado no país”, afirmou. Para a ativista, a violência sofrida após a filiação ultrapassa a divergência partidária e se conecta à misoginia. “Essa violência virtual vem do bolsonarismo, vem dessa polarização e da normalização de discursos que colocam as mulheres em posição de inferioridade”, declarou.

A ativista revelou ter recebido ameaças explícitas após anunciar a filiação. Uma das mensagens divulgadas por ela dizia: “Você tem é que tomar mais 122 socos dessa vez para ficar sem a cabeça, sua puta petista”.

Juliana recebeu inúmeras mensagens de ódio nas redes após a filiação – Foto: Reprodução

Ao Diário do RN, Juliana classificou os ataques como uma nova forma de violência. “Quando uma pessoa que passou pelo que eu passei é agredida novamente, mesmo que de maneira psicológica ou virtual, você está revitimizando uma mulher que já foi vítima de violência em vários aspectos”, declarou.

Ao comentar o processo de recuperação emocional após a agressão sofrida há cerca de oito meses, Juliana afirmou que ainda convive com lembranças traumáticas, frequentemente reativadas pelos ataques virtuais. “Infelizmente não é algo fácil de esquecer. Às vezes a memória fica mais amena, mas aí alguém tenta me revitimizar e traz aquilo de volta da pior maneira possível”, disse.

Mesmo diante das ameaças, ela afirma que transformou a dor em combustível para continuar atuando na defesa das mulheres. “Ao contrário do que estão tentando fazer, que é me desestabilizar emocionalmente, isso está servindo como mola. Estou cada vez mais impulsionada a lutar pelo direito das mulheres”, afirmou.

Juliana destacou ainda que nunca considerou obrigação se tornar porta-voz da pauta, mas decidiu assumir esse papel por entender que sua história pode ajudar outras mulheres vítimas de violência. “Muitas não tiveram a segunda chance que eu tive. Então, se eu posso dar voz a isso de forma digna, eu vou fazer”, concluiu.


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CRIANÇAS E MULHERES FICARAM SEM ATENDIMENTO NA GESTÃO DE ALLYSON

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A crise no atendimento de crianças e mulheres em Mossoró, denunciada ainda durante a gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra, evoluiu para um Inquérito Civil do Ministério Público do Rio Grande do Norte após a Promotoria identificar um cenário de “desassistência sistêmica” e “iminência de colapso” na unidade de saúde.

A investigação teve início oficialmente em 3 de fevereiro de 2026, quando foi autuada a Notícia de Fato nº 02.23.2021.0000015/2026-28, a partir da manifestação nº 3509324012026-1 encaminhada à Ouvidoria do MPRN. A denúncia apontava falta de profissionais e graves deficiências nos serviços prestados pelo AMI, unidade vinculada à rede municipal administrada à época pela gestão Allyson Bezerra.

Logo na abertura do procedimento, o promotor de Justiça Rodrigo Pessoa de Morais expediu despacho inaugural sob documento nº 9038721, determinando diligências e solicitação formal de informações à Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró por meio do Ofício nº 9044492.

Com o avanço das apurações, o Ministério Público realizou inspeções na unidade e reuniu uma série de documentos internos do ambulatório. Em março, diante da gravidade dos indícios encontrados, o MP prorrogou o prazo investigativo através do documento nº 9306787.

Os dados mais preocupantes vieram à tona no Relatório Técnico nº 002/2026 do Ambulatório Materno Infantil, juntado ao procedimento em 28 de abril de 2026 sob documento nº 9566558. O relatório descreveu um quadro crítico na assistência à população materno-infantil e reforçou o agravamento da crise sanitária herdada da administração anterior.

Na própria recomendação ministerial, o MP afirma ter identificado “um cenário de desassistência sistêmica e iminência de colapso no Ambulatório Materno Infantil (AMI) de Mossoró/RN”.

O órgão também registrou que contratos temporários de profissionais essenciais “têm encerramento previsto para 15 de abril de 2026, sem previsão formal de reposição, configurando grave risco de paralisação dos serviços”.

Entre os pontos apontados pela investigação estão:
fila de 1.288 pacientes aguardando atendimento psicológico;
76,7% da fila composta por crianças;
pacientes esperando atendimento há até dois anos;
667 crianças e adolescentes classificados como Prioridade 0 e 1 (urgência e emergência) sem acesso efetivo ao atendimento;
99,1% das solicitações prioritárias paradas no sistema sob status “pendente”;
813 mulheres aguardando atendimento ginecológico;
ausência de estratégias de atendimento para 188 famílias da zona rural;
contratos temporários de psicólogos e psicopedagogos próximos do encerramento sem previsão de reposição.

O Ministério Público ainda destacou “a existência de uma fila de espera alarmante de 1.288 usuários para psicologia, sendo 76,7% crianças, com casos de espera que chegam a 2 anos”.

Em outro trecho duro da recomendação, o MP apontou que “667 crianças e adolescentes estão classificados em situação de emergência e urgência (Prioridades 0 e 1), mas permanecem retidos em um fluxo burocrático estagnado, onde 99,1% das solicitações estão paradas sob o status ‘pendente’”.

O relatório ministerial ainda revelou que a unidade operava com forte dependência de contratos temporários e sem planejamento para substituição dos profissionais, situação que poderia provocar interrupção completa de atendimentos especializados.

Outro problema identificado foi o uso excessivo do CID genérico Z00 nos encaminhamentos médicos, fator que, segundo o MP, compromete a regulação adequada das filas e dificulta a priorização dos casos mais graves.

Diante da gravidade da situação encontrada na estrutura de saúde deixada pela gestão Allyson Bezerra, o caso foi convertido em Inquérito Civil nº 04.23.2021.0000066/2026-72 no dia 7 de maio de 2026, através da Portaria nº 9624999.

No mesmo dia, o promotor Rodrigo Pessoa de Morais expediu a Recomendação Ministerial nº 9625073, direcionada à Prefeitura de Mossoró e à Secretaria Municipal de Saúde, determinando medidas urgentes para evitar o agravamento da crise.

Na recomendação, o MP cobrou:
Reposição imediata e ampliação do quadro de psicólogos, psicopedagogos e ginecologistas;
Convocação de aprovados em concurso público;
Criação de mutirões para pacientes classificados em situação grave;
Transparência nos critérios das filas de espera;
Melhoria na qualidade dos encaminhamentos clínicos feitos pelas unidades básicas de saúde.

Os ofícios encaminhando oficialmente a recomendação ao prefeito e à Secretaria Municipal de Saúde foram expedidos em 10 de maio de 2026 sob os números 9633350 e 9633311.

Já em 11 de maio, novas movimentações registraram solicitações formais de entrega dos documentos à Prefeitura e à Secretaria de Saúde, demonstrando que o Ministério Público intensificou a pressão institucional sobre a gestão municipal.

O órgão ministerial estabeleceu prazo de 10 dias úteis para que a Prefeitura informe se irá cumprir as medidas recomendadas. Caso contrário, o MP alerta que poderá adotar medidas judiciais cabíveis.

O avanço da investigação aumenta a pressão política sobre o legado administrativo da gestão Allyson Bezerra na saúde pública municipal, principalmente após o Ministério Público descrever oficialmente o cenário do AMI como de “desassistência sistêmica” e sob “iminência de colapso”.


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“PREGO BATIDO”, AFIRMA O PRÉ-CANDIDATO CORONEL HÉLIO SOBRE CHAPA DA DIREITA

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As movimentações de bastidores em torno da composição da chapa da direita para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte ganharam novos capítulos nos últimos dias após especulações de uma possível resistência do senador Styvenson Valentim (Podemos) ao nome do coronel Coronel Hélio (PL) para disputa ao Senado. Segundo interlocutores políticos, a insatisfação estaria ligada a uma preferência do senador pelo empresário Flávio Rocha (Novo), que teria voltado a ter o nome ventilado para integrar a chapa majoritária do grupo conservador.

Em entrevista ao Diário do RN, Coronel Hélio negou qualquer possibilidade de substituição de sua candidatura e afirmou que a composição já está definida. Segundo ele, a chapa formada por Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado, Babá Pereira (PL) como vice e Styvenson Valentim para o Senado segue unida.

“Não, não, não. Tá descartado. Prego batido, ponta virada. O senador Rogério Marinho já bateu o martelo, inclusive”, afirmou, ao ser questionado sobre uma eventual entrada de Flávio Rocha na vaga ao Senado.

O pré-candidato do PL ressaltou que mantém diálogo constante com Styvenson e minimizou a ausência do senador em eventos políticos recentes do grupo. Segundo ele, a falta de agendas conjuntas até o momento ocorre por incompatibilidade de compromissos parlamentares pré-agendados.

“Eu estive com o senador Styvenson em Brasília e estarei com ele novamente na próxima semana. Essa informação eu não tenho, porque percebo que ele está dentro da nossa chapa majoritária. Inclusive, me convidou para assinar uma ordem de serviço junto com ele na Base Aérea de Natal, agenda que acabou sendo adiada”, declarou.

Coronel Hélio também afirmou que a integração entre os componentes da chapa deverá se tornar mais visível nas próximas semanas. “Nós estamos juntos, sim, dentro da chapa majoritária. O senador Styvenson, o Coronel Hélio, o Álvaro e o Babá. Acredito que é uma chapa unida, forte e convicta”, disse.

As especulações sobre mudanças na composição ganharam força após informações de bastidores indicarem uma possível aproximação entre Styvenson e Flávio Rocha. O empresário, que é filiado ao Partido Novo, já teve o nome cogitado anteriormente para disputar o Senado ou até compor alianças alternativas no Estado.

Nos bastidores, interlocutores chegaram a mencionar uma possível articulação envolvendo o União Brasil de José Agripino Maia para aproximar Flávio Rocha da senadora Zenaide Maia (PSD), hipótese que não chegou a ser confirmada oficialmente.

Presidente estadual do Novo no Rio Grande do Norte, Renato Cunha Lima também comentou ao Diário do RN as especulações envolvendo uma possível aproximação entre Styvenson Valentim e Flávio Rocha para a disputa ao Senado em 2026. Embora tenha ressaltado que o cenário ainda está apenas no campo das articulações políticas, ele admitiu ver com entusiasmo uma eventual composição entre os dois nomes.

“Sem dúvidas, seria uma dupla imbatível. Uma coligação com Styvenson e Flávio para o Senado. Imbatível”, afirmou.

Renato ainda citou possíveis nomes para suplência em uma eventual chapa, mencionando a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, irmã do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, além do ex-vice-governador do RN Fábio Dantas.

“Mas tudo ainda está no campo das hipóteses”, ponderou.

Apesar das especulações, Coronel Hélio insistiu que a definição política do grupo já foi consolidada internamente. “Agora é muito em breve que a gente vai estar andando juntos e essa chapa majoritária vai estar mais perceptível na caminhada pelo Estado”, afirmou.


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LEGADO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL MARCA OS 80 ANOS DO SESC E SENAC RN

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Em 2026, o Rio Grande do Norte celebra oito décadas de duas das instituições fundamentais para o seu tecido socioeconômico: o Sesc (Serviço Social do Comércio) e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Fundadas em 1946, as entidades chegam aos 80 anos de história não apenas como prestadoras de serviço, mas como verdadeiros motores de desenvolvimento e inclusão social no estado.

Como marco simbólico das celebrações, o Sesc RN entregou nesta segunda-feira (11), a reforma completa da Unidade Sesc Potilândia, em Natal. Após ampla modernização, a unidade foi transformada em um centro de referência esportiva e social na Zona Sul da capital.

“A entrega da unidade Potilândia totalmente reformada neste aniversário de 80 anos é o exemplo prático da nossa missão: investir no ser humano para fortalecer o estado”, destacou recentemente o empresário Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN.

A reforma ampliou a área construída em quase 60%, totalizando mais de 4,3 mil metros quadrados de estrutura de ponta. Entre as novidades, a unidade passa a contar com novas modalidades esportivas, espaços de convivência modernizados e uma infraestrutura totalmente acessível. A reinauguração de Potilândia simboliza a visão de futuro do Sesc: unidades que acompanham a evolução das necessidades da população potiguar, oferecendo tecnologia e conforto sem perder a essência do atendimento humanizado.

Outro marco é a Sessão Solene na Assembleia Legislativa em homenagem aos 80 anos do Sesc RN e do Senac RN, uma proposta do presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, em reconhecimento à história e impacto social das instituições.

Sesc RN: Bem-estar que gera cidadania
Desde sua criação, o Sesc RN tem sido o braço do Sistema Fecomércio voltado à qualidade de vida. A instituição democratizou o acesso à cultura, saúde e lazer, com unidades fixas em Natal, Macaíba, Mossoró, Caicó, Nova Cruz e São Paulo do Potengi, e com capacidade de expansão para mais cidades potiguares através de eventos, unidades móveis e projetos especiais, como na “Semana S”.

Destaques como o programa Mesa Brasil Sesc, que combate a fome e o desperdício, e as unidades móveis de saúde, como o OdontoSesc, reforçam o papel da entidade em levar atendimento de ponta a comunidades que muitas vezes estariam desassistidas.

No campo cultural, os teatros e galerias do Sesc seguem como palcos essenciais para a produção artística local. Neste campo, destaque para o Teatro Sandoval Wanderley que, após 15 anos de portas fechadas, foi devolvido à cidade sob a gestão do Sesc RN. Com um investimento superior a R$ 6 milhões em modernização e equipamentos, o Sesc assumiu a missão de revitalizar o espaço, garantindo uma programação cultural pulsante e acessível, reafirmando seu compromisso histórico com a arte e a memória dos potiguares.

Senac RN: A força da educação profissional de excelência

Enquanto o Sesc cuida do bem-estar, o Senac RN constrói o futuro profissional. Ao longo de 80 anos, a instituição consolidou-se como a principal ponte entre os potiguares e o mercado de trabalho. Setores vitais da economia, como o comércio e o turismo, foram profissionalizados através de sua excelência educacional.

O Hotel Barreira Roxa, reconhecido internacionalmente como uma escola-modelo, é o exemplo máximo dessa trajetória, unindo hospitalidade de alto nível à formação prática de jovens. Além disso, o Programa Senac de Gratuidade (PSG) garante que o conhecimento chegue a quem mais precisa, transformando potencial em carreira para milhares de pessoas anualmente.

Um sistema, um propósito
O Sesc e o Senac RN são braços operacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, formando juntos o Sistema Fecomércio RN. A Fecomércio atua como a entidade gestora e representativa, enquanto Sesc e Senac executam ações sociais e de qualificação para os comerciários.

Ao atingir a marca histórica, o foco volta-se para a inovação digital e a sustentabilidade, com o Senac avançando em trilhas de tecnologia e o Sesc expandindo sua infraestrutura física e social, mantendo-se ambas instituições indispensáveis para um Rio Grande do Norte mais qualificado e igualitário, como enfatiza o deputado Ezequiel Ferreira ao justificar a homenagem concedida pela ALRN.

O presidente da Casa justifica que o Sesc e o Senac não são apenas entidades privadas, mas parceiras vitais do poder público, suprindo lacunas em áreas onde o Estado muitas vezes não consegue chegar com a mesma agilidade, especialmente em saúde e educação profissional.

O deputado enfatiza ainda que o Senac é o grande responsável por manter o setor de serviços do RN (o que mais emprega no estado) competitivo e qualificado, sendo fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável, e também menciona projetos como o Mesa Brasil e o Programa de Gratuidade, justificando que a homenagem é um reconhecimento por “formar cidadãos e não apenas profissionais”, além d


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ÁUDIOS SINALIZAM USO DA MÁQUINA PÚBLICA NA ELEIÇÃO DE OURO BRANCO

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Áudios atribuídos ao prefeito interino de Ouro Branco, Amariudo Santos, têm provocado repercussão política no município ao levantarem suspeitas de uso da estrutura pública para obtenção de favorecimento eleitoral durante a campanha suplementar, cuja votação acontece no próximo domingo (17). O gestor, que também é presidente da Câmara licenciado e candidato à reeleição, é apontado nas gravações como figura central em articulações envolvendo procedimentos de saúde oferecidos a eleitores.

O conteúdo, que circula nas redes sociais e aplicativos de mensagens, sugere uma possível troca de votos por exames e cirurgias, prática que, se confirmada, pode configurar abuso de poder político e econômico, além de infração à legislação eleitoral brasileira.

Embora grande parte dos áudios esteja com trechos inaudíveis, uma das gravações mostra o prefeito conversando com um morador sobre a realização de um procedimento na área de cardiologia. Na fala, Amariudo indica que acionaria diretamente a estrutura da saúde municipal para agilizar o atendimento.

“Eu vou tirar uma foto aqui e enviar direto pra ela”, afirma, fazendo referência a uma servidora ligada, possivelmente, à Secretaria Municipal de Saúde. Em seguida, complementa: “Eu vou pegar seu nome e CPF, que é o que preciso para agilizar o exame. Não se preocupe que vou acionar a secretaria. Então, se for demorar, eu vou na casa do senhor para a gente fazer particular”.

Em outro trecho que circula nas redes, o prefeito interino alerta o cidadão sobre possíveis consequências do episódio. “Assim como o candidato pode se prejudicar, o cidadão também pode”, afirma.

As gravações intensificaram o debate político no município às vésperas da eleição suplementar e ampliaram questionamentos sobre eventual utilização da máquina pública em benefício eleitoral. Especialistas em direito eleitoral apontam que o uso de serviços públicos para obtenção de apoio político compromete a igualdade de condições entre candidatos e pode resultar em cassação de mandato, inelegibilidade e outras sanções previstas na legislação.

O caso deverá ser acompanhado por órgãos de fiscalização, entre eles o Ministério Público Eleitoral, responsável por apurar possíveis irregularidades durante o processo eleitoral. A reportagem do Diário do RN procurou o prefeito Amariudo Santos para comentar o conteúdo das gravações e as acusações levantadas após a divulgação dos áudios, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

A repercussão ocorre em um momento decisivo para o cenário político local. Amariudo Santos disputa a eleição suplementar após assumir interinamente a Prefeitura na condição de presidente da Câmara Municipal. A nova eleição foi convocada após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte cassar os mandatos do então prefeito Samuel Souto (PL) e do vice-prefeito Dr. Araújo (PP), por abuso de poder político e conduta vedada. A decisão foi mantida posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A trajetória política de Amariudo no município começou em 2004, quando foi eleito vice-prefeito ao lado de Nilton Medeiros, ambos pelo antigo PTB. A dupla foi reeleita em 2008.

Em 2020, Amariudo foi eleito vereador pelo PL e voltou a conquistar mandato em 2024, chegando à presidência da Câmara antes de assumir interinamente o comando do Executivo municipal.


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FALA DE ÁLVARO DIAS SOBRE UERN E CAERN PROVOCA REAÇÃO DE ADVERSÁRIOS

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Uma declaração do pré-candidato ao Governo do Estado pelo PL, Álvaro Dias, sobre a possibilidade de federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e privatização da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) repercutiu no meio político durante o último fim de semana e provocou reações dos demais pré-candidatos ao Executivo estadual.

Durante passagem por Mossoró, ao ser questionado por veículos de imprensa locais sobre os dois temas, Álvaro afirmou que as propostas ainda estão em fase de análise e que qualquer decisão dependerá de estudos técnicos mais aprofundados. O ex-prefeito de Natal ressaltou que o assunto está sendo discutido por uma equipe coordenada pela ex-secretária de Planejamento, Joana Guerra, e pelo economista Soares Júnior.

“Privatização são questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas”, afirmou. Segundo ele, há uma discussão em andamento sobre diferentes alternativas administrativas para o Estado.

“Como, por exemplo, a privatização da Caern, é uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada”, disse.

Álvaro ponderou ainda que uma eventual privatização exigiria investimentos elevados para reestruturar a companhia e melhorar os serviços prestados à população. “Hoje, para você privatizar a Caern, você precisa fazer um investimento importante para melhorar os serviços que a Caern oferece à população. Me deram uma estimativa de que precisa o governo investir em torno de R$ 10 bilhões”, declarou.

Sobre a Uern, o pré-candidato afirmou que também não há definição fechada. “Essa questão da Uern também precisa de um aprofundamento. Todas essas questões não precisam de uma decisão imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para posteriormente tomar essa decisão”, afirmou.

Apesar da cautela adotada pelo pré-candidato ao tratar dos temas, as declarações repercutiram entre adversários políticos, levando Álvaro Dias a reagir novamente após a repercussão negativa das falas. Em nova declaração, ele acusou opositores de distorcerem sua entrevista e negou ter defendido a federalização da universidade estadual.

“Eu tenho mais de 30 anos de vida pública, mas nunca vi algo tão sórdido, tão sujo, tão difícil como essa pré-campanha que nós estamos vendo”, afirmou. Segundo Álvaro, houve uma tentativa deliberada de deturpar o conteúdo da entrevista. “Pessoas fazem armações, preparam armadilhas, usam da astúcia para tentar distorcer a realidade do que é falado”, declarou.

O ex-prefeito também negou ter defendido diretamente a federalização da Uern. “Em nenhum momento eu falei em federalização da Uern. Isso é mentira, isso é fake news”, disse. Em seguida, afirmou que pretende manter o foco da pré-campanha em propostas administrativas. “Vamos debater o Rio Grande do Norte, apresentar soluções e discutir o quadro dramático que o Estado enfrenta. O povo não suporta mais política arcaica, velha e ultrapassada”, completou.

Reação dos adversários
Ao Diário do RN, o pré-candidato do PT, Cadu Xavier, reagiu de forma direta à possibilidade de federalização da universidade estadual. “Federalização? Nunca! A Uern é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico e social do nosso estado”, afirmou.

Já o pré-candidato do União Brasil, Allyson Bezerra, publicou vídeo nas redes sociais defendendo a permanência da universidade sob gestão estadual e criticando qualquer debate sobre privatização ou mudança estrutural da instituição.

“Não mexa com a Uern. A Uern não é problema, a Uern é solução para o Rio Grande do Norte”, declarou. Em outro trecho, Allyson afirmou que “a educação não está à venda e o futuro da nossa juventude não está à venda”.

O ex-prefeito de Mossoró também destacou a importância histórica e social da universidade para o Estado. Segundo ele, a instituição já formou mais de 60 mil profissionais e possui presença em todas as regiões potiguares. “Mais de 80% dos professores das redes municipais e estaduais dos 167 municípios são formados pela Uern”, disse.

Ao defender o modelo de universidades estaduais, Allyson citou exemplos de outros estados brasileiros. “O Ceará possui três universidades estaduais. O Paraná possui sete universidades estaduais. Esses estados entenderam, lá atrás, que investir em educação e interiorização do ensino era investir no desenvolvimento”, afirmou.

A repercussão das declarações ocorre em um momento de intensificação da pré-campanha ao Governo do Estado, em que temas ligados à educação, gestão pública e serviços essenciais começam a ocupar espaço central no debate político para 2026.


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EM “TOM DE DEBOCHE”, STYVENSON VOLTA A DIZER QUE “CONSTRÓI HOSPITAIS”

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O senador e pré-candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) voltou a provocar repercussão nas redes sociais ao afirmar, em tom de deboche, que “constrói hospitais” no Rio Grande do Norte com recursos de emendas parlamentares. A declaração reacendeu críticas sobre a forma como o parlamentar apresenta o destino das verbas enviadas para instituições filantrópicas de saúde, já que, legalmente, emendas parlamentares não podem ser destinadas à construção de equipamentos privados, caso da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer e do Hospital Infantil Varela Santiago.

Em vídeo publicado no último fim de semana, Styvenson afirma repetidas vezes que está “construindo hospitais” no Estado ao citar recursos destinados ao Hospital Infantil Varela Santiago, ao Hospital Oncológico Infantil, no bairro do Alecrim, em Natal, e à Apamim (Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró, responsável por manter o Hospital Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.

“Tu sabe, né, que a gente constrói hospitais?”, inicia o senador. Em seguida, ao mencionar unidades de saúde financiadas parcialmente com emendas parlamentares, reforça a narrativa: “A gente pegou R$ 15 milhões de emenda e mandou para lá e está construindo mais um hospital. Deixa eu dizer de novo: construindo”.

Ao longo do vídeo, Styvenson também usa tom provocativo contra críticos e adversários políticos.

“Pega esse teu dedo aí que tu aponta pra vagabundo, político safado e espalha o vídeo”, afirma.

Em outro momento, declara: “Nenhum político teve olhar para criança”. O senador ainda ironiza outros parlamentares ao afirmar que eles deveriam “fazer igual” ao seu mandato.

Apesar do discurso adotado nas redes sociais, as emendas destinadas pelo senador para as entidades citadas são classificadas como recursos de custeio, modalidade voltada para manutenção das atividades hospitalares, medicamentos, folha de pagamento e serviços. A legislação impede o envio de emendas parlamentares para construção de unidades pertencentes a instituições privadas, ainda que elas atendam pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática, o que ocorre é que os recursos de custeio ajudam as instituições a aliviar despesas correntes, permitindo que parte do orçamento próprio seja direcionado para obras estruturantes.

O mecanismo já foi explicado publicamente pelas próprias entidades beneficiadas em ocasiões anteriores.

Discurso reincidente
A insistência de Styvenson nessa narrativa já havia sido tema de reportagem publicada anteriormente pelo Diário do RN. Em agosto do ano passado, o senador fez publicação semelhante ao afirmar que usava emendas parlamentares para “CONSTRUIR HOSPITAIS DESSE PORTE”, em referência ao hospital da Liga em Mossoró. Na postagem, escrita em letras maiúsculas, o senador dizia ter “a honra e o compromisso” de custear a obra com recursos do mandato.

As declarações, no entanto, já foram desmentidas publicamente por representantes da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer e da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer. As instituições explicaram ao Diário do RN, em diferentes ocasiões, que os recursos parlamentares recebidos são de custeio, nunca para construção direta das unidades.

O Relatório Anual de 2023 da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer aponta, por exemplo, que a construção do Hospital do Seridó, em Currais Novos, foi viabilizada com recursos provenientes da economia obtida após despesas correntes serem custeadas por emendas parlamentares. O valor citado no documento foi de R$ 29,1 milhões em emendas de bancada, e não exclusivamente individuais.

Situação semelhante ocorre em Mossoró. Dados do Portal da Transparência mostram que o hospital da Liga na cidade recebeu recursos por meio do Fundo Municipal de Saúde, enquanto parte das emendas destinadas pelo senador foi utilizada para custeio da instituição.

No caso do Hospital Oncológico Infantil, em Natal, relatórios da própria Liga indicam que a principal fonte de financiamento da obra veio do Ministério Público do Trabalho, responsável pela destinação de mais de R$ 22 milhões oriundos de ações trabalhistas.

Mesmo já tendo reconhecido em transmissões ao vivo que a legislação não permite emendas para construção de hospitais privados, Styvenson segue utilizando o discurso como peça central de comunicação política, frequentemente associando as obras diretamente ao próprio mandato e apresentando-se como responsável direto pela construção das unidades hospitalares.


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CRIADORAS DE CONTEÚDO TRANSFORMAM A MATERNIDADE EM REDE DE APOIO DIGITAL

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Dando continuidade a uma série de reportagens especiais sobre maternidade, hoje o Diário do RN conta histórias de mulheres que transformaram experiências pessoais em conexão com milhares de pessoas nas redes sociais. Em comum, elas compartilham a maternidade sem filtros: com cansaço, inseguranças, recomeços e afeto. Em Natal, as influenciadoras Silvana Melo e Karoline Rodrigues usam a internet para mostrar que a vida materna vai muito além da perfeição exibida nas telas.

À frente do perfil @dicasdamamaededuas, Silvana Melo começou a produzir conteúdo ainda com a primeira filha, registrando momentos da rotina, dicas de introdução alimentar e experiências de viagens. Na época, o perfil era fechado. “Eu sempre ouvia: ‘abre esse perfil’. Mas nunca achei que tivesse potencial para isso”, conta.

Foi depois da chegada da segunda filha, conciliando trabalho CLT, home office e duas crianças pequenas, que ela decidiu investir profissionalmente na criação de conteúdo. Estudando de madrugada e nos intervalos do dia, encontrou um nicho pouco explorado: mostrar a estrutura de espaços infantis e brinquedotecas em Natal. O perfil cresceu e passou a atrair marcas locais.

Mas a maternidade, para Silvana, também é marcada por dores. Antes do nascimento da filha mais velha, ela enfrentou uma perda gestacional durante a pandemia. “Foi a pior sensação da minha vida. Mas aquele anjinho trouxe em mim uma vontade ainda maior de ser mãe”, relembra.

Hoje, o diferencial do conteúdo dela está justamente na sinceridade. “O que mais me conecta com as seguidoras é mostrar os perrengues reais: eu me escondendo para comer, a gritaria, a rotina puxada”, afirma. Apesar da exposição, ela diz ter cuidado com o que publica sobre as filhas.

“Penso muito no respeito e no futuro delas. ”

Silvana também reconhece os impactos emocionais da profissão. “A internet é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que ajuda, gera uma cobrança imensa pela perfeição. ” Para ela, falta humanizar a maternidade nas redes. “Gostaria que parassem de cobrar perfeição, porque isso não existe. ”

Já Karoline Rodrigues, influenciadora com mais de 294 mil seguidores, encontrou nas redes um espaço para compartilhar a experiência da maternidade solo. Natural de João Pessoa, mas vivendo no RN há mais de duas décadas, ela trabalhava com viagens e estilo de vida quando descobriu uma gravidez não planejada, no fim de 2022.

“O pai optou por não assumir as responsabilidades. E, quando me tornei mãe solo, precisei amadurecer muito rápido”, relata. Sem romantizar a situação, Karol começou a dividir a própria realidade na internet. O primeiro vídeo sobre maternidade solo viralizou e abriu espaço para milhares de relatos semelhantes.

“Percebi a quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa. Muitas diziam: ‘você está contando a minha história’”, lembra.

Ela afirma que a sociedade ainda responsabiliza a mulher pela ausência paterna. “As pessoas dizem que a mãe solo ‘não soube escolher o pai’. Mas a ausência paterna é uma decisão exclusivamente do homem.”

Hoje vivendo integralmente da internet, Karol divide a rotina entre a criação da filha, campanhas publicitárias e empreendedorismo digital. Mesmo assim, reconhece o peso da cobrança. “Existe uma expectativa absurda para que a mãe solo seja forte o tempo inteiro.”

Assim como Silvana, ela acredita que mostrar vulnerabilidade ajuda outras mulheres. “Muitas mães acham que estão falhando, quando na verdade estão apenas cansadas.”

Entre algoritmos, vídeos e publicidade, as duas influenciadoras transformaram a maternidade em comunidade. Mais do que números, seguidores ou engajamento, encontraram nas redes uma forma de acolher outras mães, mostrando que a maternidade real também merece espaço, voz e pertencimento.


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