Uma reportagem publicada recentemente pelo Intercept Brasil trouxe novamente ao centro do debate nacional o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produção do documentário “Dark Horse” e citada em investigações envolvendo recursos do Sistema S. O que poucos lembram é que a instituição já havia sido alvo de uma ampla auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou sobrepreços, superfaturamento e falhas na aplicação de recursos destinados a eventos realizados no Rio Grande do Norte.
Os apontamentos constam no Relatório de Auditoria nº 996973, elaborado pela Controladoria Regional da União no Rio Grande do Norte. O documento integrou uma fiscalização nacional promovida pela CGU para analisar a regularidade de patrocínios concedidos pelo Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI). Os resultados foram consolidados no Relatório de Avaliação nº 1178459, concluído em 17 de agosto de 2022.
A investigação analisou contratos executados nos exercícios de 2017 e 2018. No Rio Grande do Norte, os auditores examinaram três projetos realizados pelo Instituto Conhecer Brasil durante o ano de 2018: o 3º SESI Futuro – Redescobrindo o Brasil, realizado em Mossoró, além da 8ª Feira da Cidadania e da 10ª Feira da Cidadania, que percorreram municípios do interior potiguar.
Juntos, os três eventos receberam R$ 2,3 milhões em recursos do SESI Nacional.
SOBREPREÇOS E SUPERFATURAMENTO
Planilhas da auditoria da CGU mostram superfaturamento de equipamentos contratados para os eventos – Foto: Reprodução
Segundo a CGU, foram encontradas irregularidades desde a aprovação dos projetos até a prestação de contas dos recursos recebidos.
No projeto 3º SESI Futuro – Redescobrindo o Brasil, os auditores identificaram sobrepreço de R$ 594.422,26 e superfaturamento de R$ 373.186,00.
Na 8ª Feira da Cidadania, o relatório apontou sobrepreço de R$ 450.025,32. O evento foi realizado nos municípios de Campo Grande, Umarizal, Bom Jesus e Jardim do Seridó.
Já na 10ª Feira da Cidadania, os auditores calcularam sobrepreço de R$ 430.131,20. A programação ocorreu em Acari, Caicó, João Câmara e São Miguel do Gostoso.
Somados, os valores de sobrepreço identificados ultrapassam R$ 1,47 milhão apenas nos projetos executados no Rio Grande do Norte. O relatório também registra divergências entre documentos fiscais e registros contábeis que totalizaram R$ 70.594,87.
FALHAS NA APROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO Além dos indícios de sobrepreço e superfaturamento, a CGU identificou uma série de falhas na condução dos projetos.
Entre elas estão a aprovação acelerada das propostas, ausência de análise detalhada dos custos apresentados, deficiência na comprovação da capacidade técnica da entidade executora, início de atividades antes da formalização contratual e fiscalização considerada insuficiente por parte do SESI.
No caso do 3º SESI Futuro, a auditoria afirma que a execução do projeto deixou de observar condições básicas de regularidade e boa gestão dos recursos. Segundo os auditores, a fragilidade dos controles internos possibilitou situações classificadas como potencial desvio de finalidade e má aplicação dos recursos destinados ao evento.
Outro ponto destacado foi a deficiência do acompanhamento realizado pelo SESI Nacional. De acordo com a CGU, em diversos momentos a fiscalização ficou restrita à análise documental apresentada pelas entidades responsáveis, sem mecanismos efetivos para verificar a execução das atividades financiadas.
EVENTOS MENORES DO QUE O PREVISTO A investigação nacional também concluiu que diversos eventos patrocinados pelo SESI foram realizados em dimensões inferiores às previstas nos projetos originais.
Segundo a CGU, houve situações em que as contrapartidas prometidas pelas entidades executoras foram cumpridas apenas parcialmente, apesar da liberação integral dos recursos previstos nos contratos.
O relatório aponta ainda que prestações de contas acabaram sendo aprovadas mesmo diante de inconsistências posteriormente identificadas pela equipe de auditoria.
CGU RECOMENDOU RESSARCIMENTO E APURAÇÃO Ao final dos trabalhos, a Controladoria recomendou ao SESI Nacional a adoção de medidas para aperfeiçoar seus mecanismos de controle e avaliar a viabilidade jurídica de instaurar procedimentos voltados ao ressarcimento dos valores considerados irregulares.
A CGU também sugeriu a apuração de responsabilidades dos agentes envolvidos nos processos de aprovação, fiscalização e prestação de contas dos contratos auditados.
A repercussão do caso ganhou novo fôlego após a reportagem do Intercept Brasil revelar detalhes sobre contratos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil. Embora os fatos analisados pela Controladoria sejam referentes aos anos de 2017 e 2018, os documentos mostram que a entidade já era alvo de questionamentos dos órgãos de controle há vários anos, especialmente em projetos financiados com recursos públicos e parafiscais.
Posicionamento da FIERN O Diário do RN entrou em contato com a Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte) que afirmou estar aguardando informações d
Cotada nos bastidores como um dos nomes do PSDB para compor a chapa governista encabeçada por Cadu Xavier (PT) em 2026, a médica Júlia Almeida, primeira-dama de Parelhas e pré-candidata a deputada estadual, passou a enfrentar resistência crescente dentro do campo aliado ao Governo do Estado. O motivo são as recentes demonstrações públicas de alinhamento político com o senador Styvenson Valentim (Podemos), uma das principais lideranças da oposição potiguar.
O Diário do RN revelou recentemente que Júlia aparecia entre os nomes observados para ocupar a vaga de vice-governadora na chapa governista. A escolha de uma mulher é defendida pelo próprio Cadu Xavier, que já declarou ao jornal enxergar na composição feminina um caminho natural para a construção da aliança. Além disso, informações de bastidores apontam que a vaga deverá ficar com o PSDB, partido presidido no Estado pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira.
Nos últimos dias, porém, declarações da própria Júlia e movimentações do prefeito de Parelhas, Dr. Tiago Almeida, passaram a alimentar dúvidas sobre a viabilidade política de seu nome para integrar um projeto liderado pelo PT.
Em entrevista à 95 FM, a médica declarou voto em Styvenson Valentim para o Senado Federal, destacando os investimentos destinados pelo parlamentar ao município.
“Eu sou uma pessoa ponderada, eu voto em pessoas que acreditam que fazem o bem para a nossa população. Então, assim, o Styvenson investiu muito na saúde de Parelhas, colocou emendas para a gente ter a reforma de uma escola. Quem faz o bem merece o nosso voto. O meu primeiro voto é em Styvenson Valentim, o segundo ainda não tenho”, afirmou declarando o apoio ao senador e deixando a preferência pela segunda vaga em aberto.
A declaração repercutiu nos bastidores políticos justamente porque Styvenson é identificado como uma das principais lideranças do campo conservador e oposicionista no Estado. Embora a médica não tenha feito qualquer referência à disputa pelo Governo do Estado, a fala foi interpretada por interlocutores da base governista como um sinal político relevante.
A situação ganhou novos capítulos na semana com a circulação de registros e postagens do prefeito Dr. Tiago Almeida em colaboração com senador. Em uma publicação sobre o avanço das obras da Central de Imagens de Parelhas, o gestor atribuiu diretamente ao parlamentar a viabilização do projeto.
“Essa conquista só está sendo possível graças à parceria com o senador Styvenson Valentim. Tenho a certeza de que, em 2026, estaremos aqui celebrando a entrega de um equipamento que fará a diferença na vida de milhares de pessoas”, escreveu.
A postagem reforçou a percepção de proximidade entre o grupo político de Parelhas e o senador.
Embora a relação institucional entre prefeitos e parlamentares seja comum, o momento em que ela ocorre chamou atenção, especialmente diante das discussões sobre a composição da chapa governista.
Nos bastidores, a avaliação é que as manifestações públicas de apoio a Styvenson diminuem as chances de Júlia ser escolhida para ocupar a vice de Cadu Xavier. Isso porque a estratégia do grupo governista passa pela construção de um discurso de unidade política em torno da sucessão estadual.
A mudança de cenário ocorre apesar de Júlia ter sido vista recentemente ao lado da governadora Fátima Bezerra e do próprio Cadu Xavier em agendas políticas, o que havia reforçado especulações sobre sua inclusão no projeto governista.
Caso a primeira-dama de Parelhas realmente deixe de ser considerada para a composição majoritária, outros nomes do PSDB passam a ganhar força nas conversas. Entre os mais citados estão a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, irmã de Ezequiel Ferreira, e a deputada estadual Cristiane Dantas, esposa do ex-vice-governador Fábio Dantas.
As declarações do ex-deputado Kelps Lima (União Brasil), que apontou os deputados federais Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria como seus principais adversários na disputa por uma vaga na Câmara Federal em 2026, provocaram reação dentro da própria Federação União Progressista. Em entrevista ao Diário do RN, Benes Leocádio rebateu a tese de concorrência interna, negou qualquer tipo de traição ao correligionário e defendeu que o fortalecimento coletivo da nominata é o caminho para ampliar o número de eleitos.
Para Benes, a postura adotada por Kelps acabou criando dificuldades dentro da própria Federação ao direcionar sua estratégia eleitoral contra os atuais parlamentares do grupo.
“A dificuldade que ele criou é exatamente querendo derrotar os parceiros que poderiam ajudá-lo”, afirmou.
O deputado também rejeitou a narrativa de que os atuais detentores de mandato tenham descumprido compromissos com Kelps. Segundo ele, houve tentativas de construção de apoios, mas a resistência das próprias bases eleitorais inviabilizou avanços.
“Houve conversas. Ele solicitou que os deputados que já tinham mandato e que fossem permanecer na nominata abrissem mão de alguns apoios, mas a resistência de todos os apoiadores consultados foi muito grande”, explicou.
De acordo com Benes, alguns parlamentares chegaram a consultar lideranças e bases eleitorais sobre a possibilidade de redirecionamento de apoios, mas encontraram forte rejeição.
“Houve tentativas de alguns, mas uma resistência incontornável. Não podemos fazer nada. Teve colega que consultou dezenas e dezenas de apoiadores, e a resposta era a mesma”, relatou.
Benes rejeitou a tese de que a Federação tenha descumprido compromissos com Kelps Lima. “De forma nenhuma houve traição. De forma nenhuma”, declarou.
A principal divergência entre os dois está justamente na leitura sobre a disputa proporcional. Enquanto Kelps afirmou que um dos atuais deputados federais da Federação precisaria ficar de fora para que ele conquistasse uma vaga, Benes sustenta que a lógica eleitoral funciona de forma diferente.
“Eu não vejo essa questão de concorrência interna, não. Para mim, quanto mais votos os colegas tiverem, mais chance temos de eleger mais gente”, afirmou ao Diário do RN.
O parlamentar argumenta que, em eleições proporcionais, o crescimento da nominata beneficia todos os integrantes da chapa.
“Se a gente entende de eleição proporcional, quanto mais votos a nominata tiver, mais chance alguém tem de ser eleito. “A Federação disputa bem duas vagas e mais uma. Há chance real de eleger três deputados federais”, ressaltou.
Na avaliação do deputado, o foco deveria estar na construção coletiva da nominata. “Se você quer buscar voto para somar no conjunto, na nominata, eu tenho que pensar em agregar e não desagregar”, disse.
Mesmo diante das críticas feitas por Kelps, Benes afirmou não guardar ressentimentos e declarou que continua torcendo pelo sucesso eleitoral de todos os integrantes da federação.
“Eu desejo muito boa sorte a ele, que tenha muitos votos e que possa ser um dos eleitos no número que a nominata conquistar”, afirmou.
Declaração de Kelps gera repercussão O posicionamento de Benes surge após reportagem publicada na edição anterior do Diário do RN mostrar que Kelps Lima considera seus principais adversários justamente os deputados federais da FederaçãoUnião Progressista. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado chegou a afirmar que “um deles vai ter que sair para a gente poder entrar”, ao citar nominalmente Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria.
As críticas da Sesap (Secretaria de Estado da Saúde Pública) ao equipamento de saúde inaugurado pelo ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), ganharam um novo capítulo nesta segunda-feira (09). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, voltou a questionar a estrutura e o funcionamento da unidade municipal, classificando-a como uma policlínica e não como um hospital, além de associar a estratégia de divulgação do equipamento ao que chamou de “jogo das aparências”.
Na gravação, Motta também direciona críticas pessoais ao pré-candidato ao Governo do Estado, fazendo referência aos frequentes saltos realizados por Allyson em eventos públicos e vídeos publicados nas redes sociais.
“Vocês já pararam para pensar por que o candidato Allyson pula tanto em todos os seus eventos? Afinal, ele não é candidato a saltimbanco, mas a governador do Estado”, afirmou o secretário.
Saltimbanco é o nome dado a artistas populares que costumam se apresentar em ruas, praças e feiras realizando acrobacias e performances. Para Motta, a imagem construída pelo ex-prefeito estaria relacionada a uma estratégia de valorização da aparência em detrimento do conteúdo administrativo.
“A razão está no jogo das aparências. E é mesmo porque ele insiste em chamar a policlínica que inaugurou em Mossoró de hospital”, declarou.
O secretário voltou a sustentar que a unidade municipal não reúne características compatíveis com um hospital de maior porte. Segundo ele, o equipamento realiza exames e cirurgias eletivas de baixo risco, sem estrutura para atender casos mais complexos.
“A policlínica realiza exames eletivos e também cirurgias eletivas de baixo risco em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação”, afirmou.
Na sequência, Motta reforçou que pacientes com quadros mais delicados são encaminhados para outras unidades da rede de saúde.
“Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim [Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró]. E os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos”, disse.
As declarações reforçam críticas feitas anteriormente pelo próprio secretário em entrevista ao Diário do RN. Na ocasião, ele já havia afirmado que a unidade não possui leitos de UTI, não atende urgência e emergência de forma permanente e não funciona durante a noite nem aos finais de semana.
“Lá também não dispõe de atendimento noturno, nem de fim de semana, nem de UTI”, reiterou.
Para o titular da Sesap, embora os serviços ofertados pela unidade tenham importância para a população, eles não seriam suficientes para enfrentar os principais gargalos da saúde pública na região Oeste.
“As ações da policlínica são importantes, mas não são determinantes para mudar o rumo da saúde em Mossoró nem na região hoje”, avaliou.
Segundo ele, o principal problema continua sendo a falta de leitos de retaguarda, fator que contribui para a sobrecarga do Hospital Regional Tarcísio Maia e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município.
“Tarcísio Maia vive sobrecarregado, apesar de contar com 219 leitos de internamento. E as UPAs de Mossoró também. A razão é a mesma: faltam leitos de retaguarda na região”, afirmou.
Motta defendeu que a implantação de uma estrutura hospitalar com maior capacidade assistencial teria impacto mais significativo na rede pública de saúde.
“A presença de um hospital de fato aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada”, declarou.
Ao concluir a crítica, o secretário voltou a associar a discussão à postura política de Allyson Bezerra.
“Faltou pé no chão para o prefeito candidato quando escolheu pular o óbvio em razão das aparências, mais uma vez”, concluiu.
O primeiro fim de semana do São João de Natal confirmou a força da festa junina promovida pela Prefeitura da capital potiguar. Entre sexta-feira (5) e domingo (7), cerca de 290 mil pessoas passaram pelo polo Arena das Dunas para acompanhar os shows e participar da programação cultural, transformando o espaço em um dos principais pontos de encontro da cidade neste início de junho.
Os números divulgados pela organização apontam um crescimento expressivo de público ao longo dos três dias de evento. Na sexta-feira, aproximadamente 20 mil pessoas compareceram ao local. No sábado, o público saltou para 150 mil participantes. Já no domingo, outras 120 mil pessoas acompanharam as apresentações, totalizando cerca de 290 mil visitantes no primeiro fim de semana da programação.
Além da movimentação cultural, a festa também impulsionou diversos segmentos da economia local.
Comércio, bares, restaurantes, hotéis, transporte por aplicativo, vendedores ambulantes e prestadores de serviços registraram aumento na demanda durante os dias de evento. A estrutura necessária para montagem dos palcos, sonorização, iluminação, segurança e apoio logístico também contribuiu para a geração de empregos temporários e oportunidades de renda.
Para o prefeito de Natal, Paulinho Freire, os números alcançados demonstram a dimensão que o evento vem adquirindo na capital potiguar.
“Os números deste primeiro fim de semana mostram a força do São João de Natal. Além de promover cultura e lazer, o evento movimenta a economia, gera oportunidades de trabalho e renda e beneficia diversos setores da cidade”, destacou o prefeito.
A avaliação é compartilhada pela secretária municipal de Cultura e presidente da Funcarte, Iracy Azevedo. Segundo ela, os resultados observados nos primeiros dias reforçam a estratégia de utilizar grandes eventos como ferramenta de desenvolvimento econômico e social.
“Os números do primeiro fim de semana mostram que estamos no caminho certo ao utilizar o entretenimento e o lazer como instrumentos de geração de ocupação e renda. Os resultados desse movimento serão refletidos nos levantamentos econômicos, mas já podem ser percebidos tanto no mercado informal quanto na contratação de profissionais envolvidos na realização de um evento dessa dimensão”, afirmou.
O encerramento do primeiro fim de semana contou com apresentações de Limão com Mel, Kátia e Aduílio, Carcinha Preta, Pablo, Henry Freitas e Natanzinho Lima, que antes do show, destacou a satisfação em integrar a programação do São João da capital.
“Estou muito feliz por fazer parte do São João de Natal e dividir essa programação com tantos artistas.
Vamos apresentar músicas que fazem parte da nossa trajetória e também canções que o público gosta de cantar junto”, afirmou.
Segurança reforçada A grande concentração de público exigiu uma operação especial de segurança, planejada de forma integrada entre diferentes instituições. Um dos principais diferenciais deste ano foi a instalação do Centro de Controle de Operações (CCO), coordenado pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social.
A estrutura reúne monitoramento por câmeras e drones, permitindo acompanhamento em tempo real das áreas de maior circulação e resposta rápida em situações de necessidade. Participam da operação equipes da Guarda Municipal, Defesa Civil, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Corpo de Bombeiros Civil e empresas de segurança privada.
De acordo com a secretária municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Samara Trigueiro, o planejamento começou semanas antes da abertura oficial da festa.
“Um evento desse porte exige planejamento antecipado. Desde o início de maio estamos trabalhando em conjunto com todas as forças envolvidas para garantir uma atuação integrada durante a programação”, explicou.
Segundo a gestora, o esquema foi estruturado para atuar tanto na prevenção quanto no atendimento de ocorrências, incluindo fiscalização nos acessos, revistas pessoais e orientação ao público sobre os itens permitidos dentro da área do evento.
Programação continua A programação será retomada no próximo fim de semana, quando o público poderá acompanhar shows de Circuito Musical, Fagner, Zezé Di Camargo & Luciano, Zezo, Daniel Donato, Matheus & Kauan, Xand Avião e Léo Foguete. A expectativa da organização é manter o grande fluxo de visitantes e ampliar os impactos positivos da festa para a economia e o turismo da capital potiguar.
Uma postagem feita pelo pré-candidato a deputado federal pelo União Brasil, Kelps Lima, em suas redes sociais no último domingo (7), chamou a atenção para uma possível estratégia que poderá ser adotada pelo ex-deputado nas eleições de 2026. Após publicar uma foto ao lado da vereadora de Natal e pré-candidata a deputada federal Nina Souza (PL), Kelps gravou um vídeo para rebater questionamentos de seguidores e explicar a aproximação política com a parlamentar.
A imagem chamou atenção porque Kelps integra a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), enquanto Nina é filiada ao PL, partido que compõe um campo político diferente para a disputa eleitoral de 2026.
No vídeo, o ex-deputado afirmou que não vê Nina como adversária e destacou que seus principais concorrentes estão dentro da própria federação da qual faz parte.
“Tá achando estranho uma foto minha com Nina na minha rede social? Não tem problema nenhum.
Nina, eu gosto dela e ela não é minha adversária”, afirmou.
Kelps foi além e citou nominalmente quem considera seus adversários na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
“Nessa pré-campanha e na campanha, meus adversários serão Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, três deputados federais e um deles vai ter que sair para a gente poder entrar”, declarou.
A fala evidencia o cenário que começa a se desenhar para a disputa proporcional de 2026. Embora faça parte da mesma federação que reúne Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, Kelps admite que sua principal disputa eleitoral ocorrerá justamente contra os atuais deputados federais do grupo.
Na prática, a declaração sugere que o ex-deputado pretende buscar espaço entre os eleitores que atualmente votam nos três parlamentares, considerados por ele os concorrentes diretos por uma das vagas da bancada federal do Rio Grande do Norte.
Enquanto direciona seu discurso para os integrantes da própria federação, Kelps adotou um tom amistoso em relação à pré-candidata do PL.
“Nina está em outra coligação. Não sou adversário dela, gosto dela e torço por ela”, disse.
Em outro trecho da gravação, o ex-deputado afirmou que a renovação da bancada federal passa pela derrota de um dos atuais ocupantes do cargo.
“Nós juntos vamos mandar um desses três deputados federais de volta para o Rio Grande do Norte ano que vem.”
A declaração reforça uma característica das eleições proporcionais: muitas vezes os maiores adversários de um candidato não estão em legendas rivais, mas dentro da própria federação partidária, disputando o mesmo eleitorado e as mesmas vagas.
No entanto, a fala também abre espaço para um contraponto político. Tradicionalmente, candidatos de um mesmo grupo trabalham para fortalecer a nominata e ampliar o número de vagas conquistadas pela federação ou partido político, concentrando os embates e o enfrentamento eleitoral em adversários de outros partidos e blocos políticos, estratégia que Kelps não pretende adotar como bem falou na sua postagem em suas redes sócias.
Ao escolher como alvos justamente Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, todos integrantes da Federação União Progressista, Kelps passa a impressão de que sua estratégia eleitoral está mais voltada para ocupar o espaço dos atuais detentores de mandato do próprio grupo do que para enfrentar candidatos de chapas adversárias.
A leitura ganha ainda mais força quando comparada ao tratamento dispensado a Nina Souza. Embora a vereadora e pré-candidata a deputada federal dispute a eleição por um agrupamento político diferente, o ex-deputado afirmou que torce por sua eleição e não a considera adversária.
Dessa forma, a repercussão da foto acabou revelando mais do que uma simples aproximação política. O vídeo expôs uma estratégia que chama atenção nos bastidores: enquanto demonstra sintonia com uma pré-candidata de outro grupo político, Kelps escolhe como adversários prioritários exatamente os deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio que integram o seu time político no qual ele próprio faz parte.
Em passagem por Mossoró, o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu Xavier, endureceu o tom das críticas ao hospital municipal entregue pelo ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) em janeiro deste ano. Em entrevista ao Diário do RN, o petista afirmou que visitou a unidade após receber informações de que o equipamento encerrava as atividades às 18h e classificou o local como um “hospital fake”.
“Eu estava em Mossoró e recebi a informação de que a policlínica só abria até 18 horas. Fui lá para ver com os meus próprios olhos. Cheguei às 19h30 e o funcionário me informou que estava fechado e que só abriria de manhã no dia seguinte”, relatou.
A partir da visita, Cadu voltou a questionar a estrutura e o funcionamento da unidade inaugurada pela gestão municipal. Segundo ele, o equipamento não reúne características básicas exigidas para funcionar como hospital.
“Não funciona 24 horas, não tem porta aberta. Na verdade, não é um hospital. É uma policlínica. É um hospital fake”, afirmou ao Diário do RN.
O petista também ironizou o modelo de funcionamento da unidade ao afirmar que o equipamento não atende pacientes durante a noite nem nos fins de semana.
“Só pode adoecer de dia. Se adoecer à noite não dá certo. Nem no fim de semana. O que está funcionando é a escala cinco por dois num hospital fake”, declarou.
Na avaliação de Cadu, a entrega da unidade representa mais uma ação de marketing da gestão municipal. “É mais uma ilusão do ilusionista de Mossoró”, criticou, se referindo ao ex-prefeito Allyson Bezerra.
As declarações foram reforçadas em vídeo publicado nas redes sociais. A gravação começa em frente ao Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva. Ao encontrar a unidade fechada, Cadu conversa com pessoas que estavam no local e questiona o horário de funcionamento do equipamento.
“Tá fechado? Fechou que horas? Seis? Tá bom, obrigado”, diz no vídeo ao confirmar que a unidade não estava funcionando naquele horário.
Na sequência, o pré-candidato amplia o tom das críticas e questiona as condições em que o equipamento foi entregue à população.
“Tem ex-prefeito que inaugura hospital que não funciona à noite”, afirmou, se referindo ao hospital municipal inaugurado pela gestão de Allyson Bezerra.
A crítica faz referência ao fato de a unidade funcionar com perfil de policlínica, realizando cirurgias eletivas de menor complexidade, sem UTI e sem atendimento permanente de urgência e emergência.
Após questionar a unidade municipal, Cadu seguiu para o Hospital Regional da Mulher Parteira Maria Correia, entregue pelo Governo do Estado, onde utilizou a estrutura do equipamento para fazer um contraponto à unidade municipal.
“E tem a governadora Fátima que fez o Hospital da Mulher. Esse hospital moderníssimo atende crianças e mulheres de Mossoró e de toda a região”, declarou ao destacar o alcance regional do equipamento estadual.
Durante a visita, a direção da unidade informou que o hospital conta com 139 leitos em funcionamento, incluindo leitos de UTI adulta e neonatal, além de pronto-socorro 24 horas para atendimento ginecológico, obstétrico e pediátrico.
Ao final da gravação, o petista voltou a comparar as duas obras e afirmou que a diferença está na entrega da estrutura já em condições de funcionamento.
“O Hospital da Mulher ficou pronto no governo da professora Fátima e entrou em pleno funcionamento no governo dela. Ou seja, o governo da professora faz obra, inaugura quando está pronta e coloca em pleno funcionamento”, concluiu.
O que caracteriza um hospital De acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), um hospital deve oferecer assistência contínua à população, com atendimento de urgência e emergência 24 horas, funcionando como porta aberta para pacientes encaminhados pelo SAMU, Corpo de Bombeiros e demanda espontânea. A estrutura também deve contar com leitos de UTI, centro cirúrgico, internação e capacidade para atender casos de média e alta complexidade.
A declaração do senador Styvenson Valentim (Podemos) em defesa do fim da escala 6×1 colocou em evidência uma aparente contradição em sua atuação no Senado. Embora tenha afirmado ser favorável à proposta que reduz a jornada de trabalho para cinco dias semanais com dois de descanso, o parlamentar está entre os signatários de PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pelo senador Rogério Marinho que segue caminho oposto ao ampliar a flexibilização das relações de trabalho.
Durante entrevista à Rádio 87 FM de Baía Formosa, Styvenson declarou que pretende votar a favor da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que extingue a escala 6×1 e fixa a jornada semanal em 40 horas.
“Vai ter a votação agora da escala 5×2, 6×1. Chegou no Senado agora. Na CCJ, eu voto favorável que a escala caia para 5×2. Eu sou favorável ao trabalho da PEC [se referindo a PEC 221/2019, que prevê a redução da carga horária] ”, afirmou.
Assinatura em proposta oposta A fala, entretanto, chamou atenção porque ocorreu poucos dias após o senador assinar a PEC 12/2026, de autoria de Rogério Marinho, apresentada justamente como contraponto à proposta apoiada pelo governo federal e pelos defensores da redução da jornada.
A PEC de Rogério Marinho foi protocolada no Senado logo após a aprovação, pela Câmara, da proposta que estabelece a jornada de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias de trabalho. O texto do senador potiguar cria um modelo alternativo ao previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo contratos baseados exclusivamente nas horas efetivamente trabalhadas.
Na prática, a proposta abre espaço para jornadas de 20, 30, 40 ou até 50 horas semanais, conforme acordo entre empregado e empregador. O trabalhador receberia proporcionalmente às horas contratadas e benefícios como férias, FGTS e 13º salário também seriam calculados de forma proporcional.
Além disso, a PEC estabelece que o contrato individual firmado entre patrão e empregado prevaleceria sobre eventuais acordos coletivos, medida que é vista por entidades sindicais como um enfraquecimento da proteção trabalhista.
Ao ser questionado sobre a assinatura na proposta, Styvenson alegou que o gesto não representa apoio ao conteúdo.
“Você assinou a PEC agora do Rogério Marinho. Sim, para tramitar, gente. Existe um bom relacionamento dentro da política. Quando um colega apresenta um projeto de lei que nós assinamos, não quer dizer que a gente concorda”, argumentou.
Discurso semelhante ao de Marinho Apesar de declarar apoio ao fim da escala 6×1, Styvenson também reproduziu argumentos semelhantes aos utilizados por Rogério Marinho para criticar a redução da jornada de trabalho.
Segundo o senador, os custos decorrentes da mudança seriam repassados ao consumidor final.
“O empresário vai suportar custo nenhum. O empresário vai repassar para o consumidor”, afirmou.
Em outro momento da entrevista, reforçou a mesma avaliação. “No final de tudo, todo mundo vai pagar, até o trabalhador que está de folga”, concluiu. ”
O discurso se aproxima das justificativas apresentadas por Marinho ao defender sua PEC. O senador do PL sustenta que a redução da jornada sem diminuição salarial aumentaria os custos de produção, pressionaria a inflação e poderia provocar desemprego e crescimento da informalidade.
Por muito tempo, abrir uma empresa significava alugar um ponto comercial, investir em estoque e conquistar clientes nas ruas. Hoje, em muitos casos, basta um smartphone, conexão à internet e uma audiência disposta a acompanhar a rotina de alguém nas redes sociais.
Em um cenário onde filtros remodelam rostos em segundos, avatares digitais reproduzem expressões humanas e ferramentas de inteligência artificial criam imagens, vídeos e campanhas publicitárias em poucos cliques, surge uma nova geração de empreendedores. Eles vendem influência, estilo de vida, experiências, conhecimento e, muitas vezes, a própria imagem.
A chamada economia dos criadores de conteúdo, ou creator economy, deixou de ser apenas uma tendência para se tornar um mercado bilionário em expansão. O fenômeno também já impacta o Rio Grande do Norte, onde influenciadores, pequenos negócios e criadores digitais transformam perfis em redes sociais em verdadeiras microempresas digitais.
Mas, junto com as oportunidades econômicas, cresce uma discussão que ultrapassa o marketing e alcança aspectos psicológicos, sociais e culturais: o que acontece quando a aparência deixa de ser apenas uma representação e passa a ser constantemente editada, aperfeiçoada e reconstruída por algoritmos?
A empresa sou eu A transformação é visível nos números.
Dados do mercado de influência mostram que o Brasil possui cerca de 500 mil influenciadores digitais ativos e ocupa a segunda posição mundial em presença digital nas redes sociais. A expectativa é de crescimento entre 10% e 20% nos próximos cinco anos. Além disso, 54% das marcas investiram em marketing de influência em 2023 e 68% pretendiam ampliar esses investimentos.
A lógica é simples: em um ambiente saturado por publicidade tradicional, a recomendação de uma pessoa em quem o público confia tornou-se um ativo econômico valioso.
Foi exatamente esse movimento que transformou a rotina da influenciadora Alana Fernandes.
A trajetória começou em 2017, quando ela decidiu compartilhar experiências da gravidez da primeira filha. Sem planejamento empresarial ou estratégia de monetização, o conteúdo tinha caráter pessoal.
Com o passar dos anos, novas fases da vida foram sendo incorporadas ao perfil: decoração, reforma da casa, organização, maternidade, saúde, academia e estilo de vida. O público cresceu junto.
“O que começou como um hobby foi criando conexões genuínas. Vieram os primeiros recebidos, convites de lojas, restaurantes e parcerias locais. Aos poucos, transformei a criação de conteúdo em uma atividade profissional”, relata.
O processo, segundo ela, não foi imediato nem linear. A profissionalização aconteceu à medida que a audiência passou a responder de forma mais consistente ao conteúdo produzido.
“Primeiro vieram os recebidos, depois os convites para lojas, restaurantes e eventos. Eu percebi que aquilo que eu compartilhava tinha valor porque existia uma relação de confiança com quem me acompanhava. Hoje tenho parcerias fixas e uma relação profissional consolidada com diversas empresas. Mas isso levou anos. Não existe crescimento instantâneo”, disse.
Alana também chama atenção para um equívoco comum no mercado digital: a ideia de que o sucesso depende apenas de números.
“Muita gente acha que basta ter seguidores para ganhar dinheiro na internet, mas não é assim. O que realmente importa é a confiança. Existem perfis menores que geram mais resultado do que perfis grandes porque têm uma audiência muito engajada. O seguidor precisa acreditar no que você fala”, explica.
Hoje, Alana mantém contratos fixos com empresas dos segmentos de alimentação, decoração, maternidade e serviços, além de ter sido eleita Melhor Digital Influencer de Parnamirim em quatro edições consecutivas.
A influenciadora destaca ainda que seu conteúdo evoluiu junto com sua vida pessoal, o que reforça a relação de proximidade com o público: ““Quando digo que compartilho uma vida real, é porque meu conteúdo acompanha exatamente as fases que estou vivendo. Falo sobre maternidade, mas também sobre casa, rotina, saúde, academia, moda e empreendedorismo. Essa diversidade faz com que as pessoas se identifiquem comigo de forma verdadeira. ”
Sua história reflete uma mudança estrutural na economia digital: o criador de conteúdo deixou de ser apenas um usuário das redes sociais para se tornar uma marca.
Influenciadores viram microempresas
A transformação dos criadores em empreendedores tem sido acelerada pela inteligência artificial.
Segundo análise publicada pelo Propmark sobre a evolução da creator economy, as ferramentas de IA estão permitindo que influenciadores atuem como verdadeiras microempresas digitais, automatizando tarefas que antes exigiam equipes inteiras de produção, design, atendimento e marketing.
Na prática, um único criador consegue produzir imagens, vídeos, roteiros, campanhas, peças gráficas e até estratégias de conteúdo utilizando ferramentas que reduzem custos e aumentam a produtividade.
Esse movimento aparece também em pesquisas sobre o uso da inteligência artificial no marketing.
Levantamento nacional realizado pelo IAB Brasil em parceria com a Nielsen mostra que quatro em cada cinco empresas já utilizam IA em estratégias de marketing. Entre os principais benefícios apontados estão aumento da eficiência operacional (80%), maior velocidade de execução (68%) e suporte à tomada de decisões (49%). A criação de conteúdo aparece como a principal aplicação da tecnologia, utilizada por 71% das empresas entrevistadas.
Para Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae-RN, a inteligência artificial está diminuindo barreiras históricas para quem deseja empreender no ambiente digital.
“A IA reduz custos de produção, aumenta a frequência de publicação e permite uma presença visual mais profissional. Um criador potiguar pode competir nacionalmente utilizando ferramentas que ampliam sua capacidade operacional”, explica.
Segundo ele, a imagem digital deixou de ser apenas um elemento estético para se tornar um ativo econômico: “Imagem, reputação e presença digital viraram ativos econômicos. A tecnologia não substitui autoridade, mas amplia a capacidade de gerar negócios. ”
O especialista acrescenta que a mudança se assemelha a uma nova fase da internet, em que ferramentas antes restritas a grandes empresas agora estão disponíveis para pequenos empreendedores.
“Hoje é possível produzir campanhas, vídeos e materiais com qualidade profissional sem grandes estruturas. Mas isso não elimina a importância da identidade e da estratégia. Pelo contrário, aumenta a necessidade de diferenciação”, relata.
“Imagem, reputação e presença digital viraram ativos econômicos. A tecnologia não substitui autoridade, mas amplia a capacidade de gerar negócios.”
Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae-RN
O algoritmo como novo mercado Se antes a localização física determinava boa parte das oportunidades de um negócio, hoje a visibilidade é decidida pelos algoritmos. Para pequenos empreendedores criativos, isso representa tanto uma oportunidade quanto um desafio.
Jéssica Matos, analista técnica do Sebrae-RN, observa que as redes sociais passaram a integrar o próprio modelo de negócio das empresas. “As redes deixaram de ser apenas uma vitrine. Hoje elas fazem parte da estratégia de relacionamento e da construção da identidade das marcas “, explica.
Ela reforça que o empreendedorismo digital exige novas competências: “Hoje não basta apenas produzir conteúdo. O empreendedor precisa entender posicionamento, narrativa, dados e comportamento do público. Ele precisa construir comunidade, não apenas audiência. ”
“Um pequeno negócio de moda, gastronomia, artesanato ou beleza no RN pode alcançar novos públicos sem depender de grandes verbas publicitárias. Mas isso exige planejamento, conhecimento de métricas e entendimento profundo da audiência”, conta.
Nesse contexto, os empreendedores passaram a investir não apenas em produtos e serviços, mas também em narrativa, posicionamento e construção de comunidade.
A estética da perfeição Ao mesmo tempo em que cria oportunidades econômicas, o ambiente digital também produz novas pressões.
Nas redes sociais, filtros avançados e ferramentas de edição conseguem afinar rostos, modificar corpos, alterar tons de pele e criar versões altamente idealizadas da aparência humana.
É nesse contexto que surge o conceito de estética pós-humana, uma tendência visual marcada pela mistura entre características humanas e elementos digitais, frequentemente impulsionada por inteligência artificial.
A influenciadora natalense Kaline Cilene percebe diariamente os efeitos dessa lógica. “As pessoas buscam a perfeição o tempo todo. Esse padrão foi estabelecido e muita gente cai nessa armadilha. O problema é que isso não afeta só quem produz conteúdo, mas quem consome também”, relata.
Ela explica que o consumo constante de imagens editadas altera a percepção da realidade: “Muitas pessoas começam a enxergar defeitos que antes nem percebiam. Criam comparações com padrões que não existem na vida real. Isso gera insegurança e uma pressão constante por uma perfeição impossível.”
A dinâmica é reforçada pelo próprio funcionamento das plataformas digitais. “Existe uma pressão implícita para manter uma imagem aperfeiçoada. O conteúdo mais visualmente atraente costuma receber mais engajamento”, conta.
Entretanto, ela acredita que a autenticidade continua sendo o principal diferencial competitivo: “A estética pode atrair, mas é a autenticidade que conecta e converte.”
Quando a vida vira conteúdo A monetização da rotina é uma das características mais marcantes da nova economia digital. Mas ela também levanta questionamentos sobre privacidade, saúde mental e limites da exposição.
A influenciadora e professora Cléa Rocha conhece bem essa realidade. Mãe de três filhos, ela produz conteúdo sobre maternidade e cotidiano familiar. Ao longo dos anos, percebeu que a internet mudou.
“O público gosta de acompanhar a vida real. Quanto mais real, mais as pessoas permanecem assistindo”, relata.
Para ela, essa proximidade com o público é ao mesmo tempo um ativo e um desafio. “As pessoas querem ver os bastidores, o café derramado, os erros, as conquistas. Isso gera identificação, mas também cria uma sensação de intimidade que faz muita gente acreditar que pode opinar sobre tudo da sua vida.”
Cléa afirma que a exposição exige limites claros: “Você precisa mostrar parte da sua vida para criar conexão, mas também precisa proteger o que é íntimo. Esse equilíbrio é difícil e precisa ser revisto constantemente.”
Recentemente, após publicar uma campanha envolvendo a filha para uma marca parceira, Cléa percebeu uma movimentação incomum de perfis masculinos interagindo com o conteúdo.
O episódio levou à retirada imediata da publicação: “A segurança e a paz da minha filha não têm preço.”
Ela também reforça que o trabalho do influenciador ainda é mal compreendido. “As pessoas veem um vídeo de poucos segundos e acham que foi fácil. Mas existe planejamento, edição, negociação, métricas, atendimento e estratégia. Você é praticamente uma empresa inteira. ”
A identidade editável Os filtros, avatares digitais e ferramentas de IA estão produzindo uma mudança que vai além da estética. Especialistas apontam que a identidade digital se tornou cada vez mais editável, performática e moldada pelas plataformas.
Segundo Carlos von Sohsten, a identidade contemporânea já não é apenas física. “Ela passa a ser também algorítmica, replicável e mediada por plataformas. Isso cria oportunidades de expressão, mas exige transparência e responsabilidade.”
A transformação é impulsionada pelo avanço das tecnologias generativas. Pesquisa do IAB Brasil mostra que 43% dos profissionais já utilizam IA para criação e edição de imagens, enquanto 16% usam ferramentas para criação e edição de vídeos.
A tendência aponta para um futuro em que avatares hiper-realistas, vídeos sintéticos, clonagem de voz e influenciadores virtuais estarão cada vez mais presentes nas estratégias de marketing.
A profissionalização do mercado O crescimento acelerado do setor também trouxe uma nova exigência: profissionalização. Se antes bastava acumular seguidores, hoje o mercado exige competências empresariais. Alana Fernandes afirma que a monetização não está diretamente ligada ao tamanho da audiência. “Ter muitos seguidores não significa necessariamente ter influência. O que faz diferença é a confiança construída com o público”, explica.
Cléa Rocha concorda.
“Não importa se você tem cinco mil ou quinhentos mil seguidores. As marcas querem resultado”, explica.
No Sebrae-RN, a percepção é semelhante.
Jéssica Matos destaca que o criador de conteúdo moderno precisa dominar áreas que vão muito além da produção de vídeos: “Hoje o creator precisa entender posicionamento, precificação, negociação, reputação e relacionamento com marcas. Ele não é apenas comunicador, é empreendedo”.
Ela reforça que as empresas passaram a olhar o influenciador como ativo estratégico. “As marcas não compram apenas divulgação. Elas se associam à credibilidade construída com o público. ”
O futuro da economia da influência Os próximos anos prometem aprofundar ainda mais a integração entre tecnologia, identidade e empreendedorismo.
De um lado, ferramentas de inteligência artificial continuarão reduzindo custos, aumentando produtividade e democratizando o acesso à criação de conteúdo.
Do outro, cresce a necessidade de preservar características que nenhuma tecnologia consegue reproduzir integralmente: autenticidade, repertório, experiência e conexão humana.
O próprio mercado reconhece essa dualidade.
Embora 69% dos profissionais considerem a inteligência artificial indispensável para o trabalho, existe preocupação com a excessiva automatização da comunicação e com a perda do senso crítico humano.
A nova economia da imagem nasce justamente dessa tensão.
Entre filtros e realidade.
Entre algoritmos e identidade.
Entre tecnologia e humanidade.
No Rio Grande do Norte, como em todo o mundo, empreendedor
Integrante do chamado “Time de Lula” no Rio Grande do Norte e aliado da pré-candidatura governista de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado, o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Rafael Motta (PDT), tem chamado atenção nos bastidores da política potiguar por dividir agendas com lideranças ligadas ao grupo do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). A aproximação ocorre justamente em um momento de intensificação da pré-campanha e tem gerado questionamentos sobre os sinais políticos transmitidos ao eleitorado.
Conforme apurou o Diário do RN, registros publicados nas redes sociais reforçaram essa movimentação. Em uma postagem colaborativa realizada no último 25 de maio, Rafael aparece ao lado de Allan Cruz, filho de Abraão Lincoln, personagem envolvido nas investigações sobre fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, durante encontro político em Caiçara do Norte. Allan foi candidato a prefeito do município em 2024 e atualmente integra um grupo político alinhado ao projeto de Allyson Bezerra para 2026.
Em outro registro mais recente, também publicado em colaboração entre os perfis de Allan Cruz e Rafael Motta, surge a presença da pré-candidata a deputada estadual Cinthia Pinheiro (União Brasil), conhecida politicamente como “Cinthia de Allyson”, esposa do ex-prefeito mossoroense e pré-candidato a governador pela oposição.
Porém, a sequência de agendas não se restringe a Caiçara do Norte. Em outro compromisso recente, Rafael Motta apareceu ao lado de Kelps Lima, durante celebração religiosa em Pedro Velho, a convite da vereadora e pré-candidata a deputada estadual pelo MDB, Mayara Lemos. Kelps é apontado como um dos nomes que compõem o projeto político aliado a Allyson para as eleições de 2026.
Nos bastidores, os encontros têm provocado questionamentos de aliados e adversários. O principal ponto levantado é a possibilidade de a aproximação transmitir ao eleitorado sinais contraditórios, uma vez que Rafael integra o grupo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao projeto estadual de Cadu Xavier, enquanto participa de agendas ao lado de lideranças vinculadas ao campo político de Allyson Bezerra.
A movimentação tem sido comparada por observadores ao posicionamento da senadora Zenaide Maia (PSD), que apoia o projeto estadual de Allyson Bezerra, mas mantém apoio declarado à reeleição do presidente Lula. Em entrevista recente ao Diário do RN, o próprio Rafael Motta classificou esse tipo de postura como contraditória ao questionar a convivência entre palanques distintos em uma mesma disputa eleitoral.
Críticas à liderança do Psdb Um outro episódio que chamou a atenção recentemente foi o fato de Rafael Motta tecer duras críticas à gestão da prefeita de João Câmara, Aize Bezerra (PSDB), que declarou apoio recente às pré-candidaturas de Cadu Xavier, Samanda Alves (PT) e Zenaide Maia. Durante agenda no município, o pré-candidato ao Senado afirmou que pretende “resgatar a Prefeitura”, declaração que repercutiu negativamente entre aliados da gestora e lideranças locais.
Após o episódio, o Diretório Municipal do PT divulgou uma nota pública de repúdio às declarações do ex-deputado e pré-candidato ao Senado. No documento, os petistas afirmaram que as críticas de Rafael à administração municipal não representam o pensamento da legenda na cidade e defendem cautela por parte de lideranças que integram o mesmo campo político liderado pela governadora Fátima Bezerra.
A nota também reafirmou o apoio do diretório municipal à reeleição do presidente Lula, à pré-candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado e à pré-candidatura de Samanda Alves ao Senado.
Nos bastidores, a manifestação foi interpretada como um sinal do desgaste provocado pelas declarações de Rafael Motta junto a setores do próprio grupo político ao qual ele busca se vincular para a disputa de 2026.
Após rumores de que poderia abrir mão de suas candidaturas majoritárias em favor de uma composição com o PT nas eleições de 2026, o PSOL do Rio Grande do Norte decidiu afastar publicamente as especulações. Em entrevista ao Diário do RN, o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Senado, Sandro Pimentel, afirmou que não existe qualquer diálogo em andamento com os petistas sobre alianças eleitorais no Estado e garantiu que as pré-candidaturas do partido permanecem mantidas.
Segundo Sandro, as informações que circularam nos bastidores políticos nos últimos dias não correspondem à realidade e motivaram, inclusive, a divulgação de uma nota oficial do Diretório Estadual do PSOL, nesta terça-feira (02). O objetivo, segundo ele, foi esclarecer que a legenda segue concentrada na construção de seu próprio projeto para 2026, embora não descarte conversas futuras dentro do campo progressista.
Na nota, o partido afirma que “não existe qualquer diálogo aberto com o PT ou com qualquer outro partido acerca de composição eleitoral para 2026” e reafirma que seguirá cumprindo seu calendário pré-eleitoral e construindo seu programa de governo, informação que foi reforçada durante a entrevista ao Diário do RN:
“O que fez a gente produzir aquela nota foi porque começaram a divulgar que a gente estava em diálogo com o PT. A gente não está em diálogo com o PT em momento nenhum”, afirmou
O dirigente ressaltou que conversar com outras legendas faz parte da dinâmica política, mas frisou que não há qualquer negociação aberta neste momento.
“Pode até vir a ter diálogo. É claro que, se o PT solicitar um diálogo, a gente vai sentar e conversar. Conversar é normal, faz parte do processo político democrático. Mas estar em diálogo significa dizer que a gente está sentando, trocando ideias e discutindo uma composição. Isso não é fato, isso não está acontecendo”, declarou.
Atualmente, o PSOL mantém as pré-candidaturas do professor Robério Paulino ao Governo do Estado e de Sandro Pimentel ao Senado, além da construção das nominatas para deputado federal e estadual.
“O que a gente pode afirmar é que começaram a divulgar que o PSOL estava em diálogo com o PT e que as candidaturas poderiam não ser viabilizadas. Isso não procede”, reforçou, enfatizando a solidez do projeto.
Ao comentar o futuro, Sandro evitou antecipar cenários e afirmou que qualquer discussão sobre alianças ainda é prematura.
“Não dá para conjecturar o futuro com base em algo que a gente nem sabe se vai acontecer e, se acontecer, nem em quais termos irá acontecer. Agora, pode dizer o presente”, afirmou.
Alinhamento da chapa majoritária A posição dialoga com declarações feitas anteriormente pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Robério Paulino, também em entrevista ao Diário do RN. No mês passado, o professor afirmou que o PSOL pretende apresentar seu projeto próprio ao eleitorado, mas admitiu a possibilidade de entendimentos futuros caso exista convergência programática.
“No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, disse.
Na ocasião, Robério deixou claro que qualquer eventual aproximação dependeria da incorporação de pautas defendidas pelo partido.
“O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, afirmou.
Apoio à reeleição de Lula Apesar da negativa em relação a uma composição estadual, Sandro destacou que o partido já definiu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nós aprovamos por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Lula. Isso é um fato, isso foi decidido desde janeiro”, afirmou.
O dirigente, porém, fez questão de separar os cenários nacional e estadual.
“Isso não significa dizer que nos estados a aliança vai seguir a mesma. Os estados têm realidades completamente diferentes”, avaliou.
O Rio Grande do Norte reafirma sua posição de liderança na transição energética brasileira durante a realização do Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX 2026), conferência internacional que reúne, em Natal até quarta-feira (3) especialistas, investidores, pesquisadores e representantes do setor produtivo para debater os caminhos da economia verde, da energia eólica offshore, do hidrogênio verde e da neoindustrialização.
A abertura do evento, realizada nesta segunda-feira (1), no Serhs Natal Grand Hotel, contou com a participação da governadora Fátima Bezerra, que destacou o papel estratégico desempenhado pelo Governo do Estado na construção de um ambiente favorável à atração de investimentos, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável.
O Estado avança para uma nova etapa: transformar seu potencial energético em oportunidades de industrialização, geração de empregos qualificados, agregação de valor à produção e redução das desigualdades regionais.
PROTAGONISMO “O Rio Grande do Norte assumiu o protagonismo da transição energética no Brasil. Temos recursos naturais, capacidade técnica, segurança jurídica e uma visão estratégica de futuro. Estamos construindo um novo modelo de desenvolvimento baseado na economia verde, na inovação e na geração de oportunidades para a população. Queremos que a riqueza produzida pela energia limpa se transforme em emprego, renda, industrialização e redução das desigualdades. Essa é a transição energética que defendemos: sustentável, inclusiva e socialmente justa”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.
O protagonismo do Rio Grande do Norte na transição energética é resultado de uma política pública baseada em planejamento, diálogo e investimentos em infraestrutura. Entre os principais avanços está o Marco Legal do Hidrogênio Verde e da Indústria Verde, que tornou o estado pioneiro na regulamentação do setor, criando condições para atrair investimentos, estimular a inovação e desenvolver novas cadeias produtivas ligadas à economia de baixo carbono.
PORTO-INDÚSTRIA VERDE Outro eixo estruturante é o projeto do Porto-Indústria Verde de Caiçara do Norte, concebido para atender às demandas logísticas da nova indústria da transição energética. Com investimento estimado em R$ 5,6 bilhões, o empreendimento representa uma das maiores iniciativas de infraestrutura voltadas à economia verde no país. Recentemente, o Governo do Estado garantiu os recursos para o início dos estudos de licenciamento ambiental, etapa fundamental para a implantação do complexo.
O BOWPX 2026 ocorre em um momento decisivo para o setor energético mundial. Com uma matriz elétrica composta por 98% de fontes renováveis, considerada a mais limpa do Brasil, o Rio Grande do Norte reúne condições únicas para liderar a nova fase da transição energética. Atualmente, o estado tem 436 empreendimentos de geração em operação, totalizando 13,1 GW de potência instalada, dos quais mais de 10 GW são provenientes da energia eólica.
Para o professor Mario González, idealizador do evento, o desafio agora é utilizar a energia renovável como vetor de transformação industrial. “O Brasil já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável. O próximo passo é ampliar essa transição para a indústria, e o hidrogênio verde surge como elemento central desse processo”, destacou.
LIDERANÇA NA GERAÇÃO DE ENERGIA A necessidade de converter a liderança na geração de energia em desenvolvimento industrial também foi ressaltada por Darlan Santos, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne): “Este estado construiu uma trajetória de sucesso como produtor de energia renovável.
Agora, o desafio é utilizar esse ativo estratégico para atrair indústrias e investimentos que consumam essa energia localmente. Isso significa gerar empregos, agregar valor à produção e fortalecer um processo sustentável de industrialização”, afirmou.
A presidente executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum, destacou o papel transformador que as energias renováveis já exercem no território potiguar. “O Rio Grande do Norte é um exemplo concreto dos impactos positivos que a energia renovável pode gerar para o desenvolvimento econômico e social. A energia eólica transformou a realidade de diversos municípios e agora o estado se prepara para um novo ciclo de crescimento com a energia offshore e a industrialização associada à transição energética”, ressaltou.
Participaram da abertura do evento, o secretário da Infraestrutura, Gustavo Coelho; a coordenadora de Desenvolvimento Energético da Sedec, Emília Casanova; a secretária Nacional do Ministério de Minas e Energia, Karina Souza; o coordenador de Tecnologias Setoriais no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Menezes, o representante da FIERN, Etelvino Patrício e o analista técnico do SEBRAE-RN, Robson Matos.
Com o tema voltado à proteção da fauna, a Semana do Meio Ambiente deste ano reforça a importância de cada espécie para o equilíbrio ecológico e convida a população a participar de ações que aproximam ciência, educação e preservação ambiental.
Na manhã desta segunda-feira (1º), a Prefeitura do Natal realizou, a abertura oficial da Semana do Meio Ambiente 2026, no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte. “Fauna Viva, Natureza Equilibrada – Preservar espécies é proteger o futuro”, é o tem que traz na programação o compromisso do Município com a conservação ambiental e a promoção de ações educativas voltadas à sustentabilidade.
A programação começou com apresentações de estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional João Faustino (CEEP), que expuseram pesquisas científicas desenvolvidas no próprio Parque da Cidade.
Entre os temas abordados estavam o levantamento de resíduos sólidos, a influência da educação ambiental e a análise do lagarto-de-folhiço.
Representando o prefeito Paulinho Freire, o secretário de Governo, Costa Neto, enfatizou que o Parque é uma verdadeira escola a céu aberto e o local ideal para o aprendizado prático e convocou a juventude ao engajamento. “Como jovens que são, o futuro no meio ambiente depende de vocês e vocês também serão os beneficiários desse mesmo futuro”, afirmou o secretário.
Já o diretor de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Luiz Augusto Correia, falou da satisfação em ter os estudantes apresentando suas pesquisas e que, a cada edição da Semana do Meio Ambiente, “renova-se a esperança de avançar na construção de uma cidade mais equilibrada e comprometida com o desenvolvimento sustentável. Como destacou o professor Cláudio, não se trata apenas de preservar a natureza, mas de garantir sua conservação de forma integrada ao desenvolvimento social e ao progresso econômico”, disse.
Em seguida, a programação contou com uma apresentação lúdica da Turma do Teatro Educativo da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), voltada à conscientização sobre segurança no trânsito e do meio ambiente.
O evento também contou com a participação do Projeto Planta Natal, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), que promoveu a palestra “Jornada das Abelhas” e atividades lúdicas com os estudantes. Durante a ação, foi destacada a importância ecológica, cultural e social das abelhas, consideradas essenciais para a alimentação humana e reconhecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das espécies mais importantes para o equilíbrio ambiental do planeta.
Inauguração do Viveiro de Mudas Ainda durante a programação, estudantes e autoridades conheceram a nova estrutura do viveiro de mudas do parque, que foi todo recuperado para ser um novo berço para o desenvolvimento de espécies nativas. Segundo o vereador Professor Cláudio Custódio, que ajudou na reconstrução, o objetivo é contribuir para a melhoria ambiental da cidade. “A grande sacada desse processo de reflorestamento é poder oferecer um clima menos quente para a nossa cidade, com mais árvores, mais equilíbrio térmico e melhor para todo mundo”, destacou.
Para o representante da Semurb, o viveiro terá um papel estratégico no urbanismo de Natal. O monitoramento climático já realizado pela secretaria permitirá direcionar as mudas, de forma precisa, para as ilhas de calor mapeadas no município, contribuindo diretamente para a redução das temperaturas urbanas.
Também foi realizado o plantio simbólico de mudas pelos próprios estudantes. Entre as espécies plantadas estavam duas mudas de craibeira, uma de pau-brasil e duas mudas de ipê-roxo. Ao longo do dia, o público pode desfrutar da feirinha de artesanato e das exposições sobre a fauna de Natal, vegetação dunar, jogos ambientais, aulas de energia e atividades de leitura, todas gratuitas e abertas à população.
Programação segue até 12 de junho A programação segue até 12 de junho, com trilhas ecológicas, oficinas, palestras, ações de educação ambiental nas praias, atividades em escolas municipais e projetos especiais como o Praia Limpa e o Oceanário Sesc nas Escolas.
No mês de maio acompanhamos a intensificação de campanhas de conscientização e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mas é importante manter o debate permanente e. nesse prisma, é crucial a conscientização e, sobretudo, a participação de famílias, escolas e comunidades sabendo como agir diante de suspeitas, relatos ou mudanças de comportamento que indiquem sofrimento infantil. E essa orientação vale não só para os pais, mas também para as crianças próximas de quem sofreu abuso.
De acordo com a servidora pública e psicóloga clínica, especialista em infância e adolescência, Amanda Palácio, o primeiro cuidado é acolher sem julgar. “A criança precisa ser ouvida, acreditada e protegida.
O adulto não deve minimizar, duvidar ou expor. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima”.
Para ela, que atende crianças a partir de três anos, a primeira coisa que deve ser reforçada sempre para pais e educadores é que os ‘pequenos’ precisam se sentir seguros, antes de conseguir falar. Afinal, observou Amanda, muitas vítimas de violência e de abuso nessa faixa etária tem medo de não se sentirem validadas, de serem culpadas, castigadas e até mesmo têm medo de causar um conflito dentro da própria família, quando é o caso.
Diante disso, a postura do adulto que vai conversar faz toda a diferença. “Acredito que o mais importante é acolher a criança sem pressioná-la, escutar com calma, não fazer interrogatório, sem ter perguntas invasivas no primeiro momento, sem expressar choque ou julgamento, a partir daquela informação que está sendo revelada”, orientou.
Outra questão pontuada pela psicóloga diz respeito às consequências cruéis que ficam, após a violência.
“Quando a gente fala de um abuso, de uma exploração sexual, a gente está falando de um trauma, de uma violação de direito que está atingindo ali uma fase do desenvolvimento, que é um alicerce para o resto da vida, que é a infância”.
DISSONÂNCIA COGNITIVA Ancorados nesse vínculo traumático, acrescentou Amanda, crianças e adolescentes vivem uma ambivalência de sentimentos. Passam a sentir medo, culpa e até a dificuldade de reconhecer a violência sofrida. O impacto emocional sofrido ainda pode gerar ansiedade, mudança de comportamento e negação para aceitar novas realidades.
A boa notícia, alivia a psicóloga, é que existe tratamento. Segundo ela, a psicoterapia é fundamental nesse processo de reconstrução emocional pós trauma. “O atendimento vai ajudar a criança ou o adolescente a elaborar o sofrimento, ressignificar essa experiência, fortalecer a autoestima e reconstruir a sensação de segurança que foi quebrada anteriormente”.
Nesse contexto, a profissional salienta a importância da orientação à família, já que se configura um ambiente de proteção. Em alguns casos, acrescenta, pode ser necessário um acompanhamento multiprofissional, envolvendo agente social, escola e psiquiatra. Quanto ao tempo de recuperação da vítima, isso vai depender de cada caso: “Cada criança vai responder de uma forma, vai depender da gravidade, da violência, da frequência e da forma como ela está reagindo ao tratamento. Contudo, a prioridade do foco deve estar no reestabelecimento psicoemocional. A duração da terapia é algo secundário”, explicou.
MENOS É MAIS Com base no olhar clínico, Amanda percebe que, a cada ano, as campanhas de conscientização vêm se fortalecendo e alcançando mais pessoas. A partir daí, os casos vem sendo cada vez menos silenciados, sejam eles praticados por pessoas próxima, vizinhos ou parentes. “Alguém da família nuclear que não é falado, onde existe uma vergonha e um medo por trás, começa a eclodir, vir à tona. Então, a gente percebe que as campanhas, de fato, têm ajudado”.
Os números são preocupantes. De 2020 a 2024, o crime de estupro de vulnerável contra menores de 0 a 17 anos cresceu 106% em Natal e no Rio Grande do Norte. Em outro levantamento divulgado em 2025, mais de quatro meninas são estupradas por hora no Brasil e 76% dos casos de abuso contra vulneráveis acontecem dentro de casa. Já o canal Disque 100 registrou mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes apenas nos quatro primeiros meses de 2023, evidenciando a urgência do tema.
Para Amanda, a triste realidade precisa ser combatida, não só através das campanhas temáticas, mas de um engajamento social mais sólido, onde haja maior fortalecimento da rede de proteção. “É uma responsabilidade coletiva combater a violência infantil. Quanto mais preparada a sociedade tiver, com famílias e Poder Público dispostas a acolher as vítimas e punir os agressores, maior será a chance de proteger essa faixa tão vulnerável”.
NATAL NÃO ‘AMARELA’ PARA O ABUSO Em Natal, a Prefeitura realizou, recentemente, o 1º Fórum Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, evento focado em debater estratégias preventivas e o fortalecimento de políticas públicas. A partir disso, o município vem intensificando as ações em parceria com diversas secretarias, onde a mobilização inclui:
Direitos Humanos (SEMIDH) e o trabalho essencial do Centro de Referência Abraçar.
Assistência Social (SEMTAS) na prevenção e fortalecimento de vínculos.
Segurança Pública (SEMDES) no combate aos crimes, inclusive no ambiente virtual.
Educação (SME) com o projeto Escola que Cuida nas salas de aula.
As Mulheres (SEMUL) no fortalecimento das ações de proteção, conscientização e apoio às vítimas.
Saúde (SMS) no acolhimento e cuidado integral. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar a rede de proteção, como Conselho Tutelar, delegacia especializada, Polícia Militar (190) ou Disque 100.
Um registro publicado e posteriormente apagado das redes sociais movimentou os bastidores da política potiguar neste fim de semana. A protagonista do episódio foi Cinthia Pinheiro, conhecida como Cinthia de Allyson, esposa do prefeito de Mossoró e pré-candidata a deputada estadual pelo União Brasil. A publicação mostrava uma agenda política realizada em Caiçara do Norte, região da Costa Branca, e incluía o ex-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, investigado em escândalos envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
O conteúdo chegou a ser compartilhado também por aliados políticos da pré-candidata, entre eles o ex-deputado Kelps Lima, mas acabou sendo removido das plataformas digitais. Antes disso, porém, capturas de tela circularam em grupos de mensagens e passaram a repercutir em portais de notícias da região.
Embora o registro tenha sido apagado rapidamente, um vídeo divulgado por Cinthia, como publicação oficial, mostra Allan Cruz, filho de Abraão Lincoln, que se apresenta nas redes sociais como “defensor da pesca”, referência direta ao setor onde o pai construiu sua trajetória política e institucional. Na legenda da publicação, a pré-candidata agradeceu o apoio recebido durante a agenda.
“Ter ao nosso lado lideranças comprometidas com o povo mostra que esse projeto cresce com diálogo e união. Mais do que um apoio, é a demonstração de que estamos reunindo pessoas que querem ver o nosso estado avançar”, escreveu.
Em seguida, ela fez referência nominal aos participantes do encontro.
“Meu agradecimento especial a Allan Cruz e à vereadora Hanna, Vaguinho, Cláudio e demais lideranças pela confiança, parceria e apoio nessa caminhada”, registrou.
De acordo com rumores que rondam os bastidores, a presença de aliados diretos de Abraão Lincoln no material oficial da pré-candidata reforça as informações de que o ex-presidente da CBPA também teria participado da agenda em Caiçara do Norte, o que teria chamado atenção pelo fato de Abraão estar no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União.
Investigações e prisão na CPMI Abraão Lincoln Ferreira da Cruz tornou-se um dos principais nomes associados às investigações da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. A apuração investiga suspeitas de descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A CBPA, entidade que ele presidiu, aparece entre as organizações investigadas por suposta participação no esquema. Relatórios analisados pelos órgãos de controle apontam que a confederação movimentou cerca de R$ 221 milhões entre 2023 e 2025, valor que passou a ser alvo das investigações.
A repercussão do caso aumentou em novembro de 2025, quando Abraão Lincoln foi preso durante uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, no Senado Federal.
Parlamentares apontaram contradições entre seu depoimento e documentos obtidos pela comissão, resultando em sua detenção por suspeita de falso testemunho.
Além do caso mais recente, Abraão também teve o nome associado à Operação Enredados, deflagrada pela Polícia Federal em 2015. Na época, a investigação apurava suspeitas de corrupção, tráfico de influência, fraudes na concessão de licenças de pesca e crimes ambientais relacionados ao setor pesqueiro. O ex-dirigente ainda enfrentou condenação eleitoral por caixa dois referente à campanha de 2014.
Abraão Lincoln nega irregularidades tanto no caso envolvendo a CBPA quanto nas demais investigações e afirma que as atividades desenvolvidas por ele e pelas entidades ligadas ao setor seguiram os procedimentos legais. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada às apurações mais recentes.
A governadora Fátima Bezerra elevou o tom da disputa política para 2026 ao defender publicamente a trajetória do pré-candidato governista Cadu Xavier (PT) e associar sua imagem à honestidade e à ausência de investigações policiais. A declaração, dada em entrevista à 94 FM nesta segunda-feira (01), passou a ser interpretada nos bastidores como uma indireta direcionada ao também pré-candidato e ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que teve o nome citado em apurações da Operação Mederi, conduzida pela Polícia Federal, no início deste ano.
Com a pré-campanha ganhando força e a disputa pelo Governo do Estado cada vez mais polarizada, a governadora procurou diferenciar seu grupo político dos adversários ao destacar a conduta do ex-secretário estadual da Fazenda.
“Começando primeiro por um governo honesto, um governo que não tem Polícia Federal batendo na porta, que não tem secretário sendo acusado de desviar dinheiro na saúde e receber propina”, afirmou a governadora ao iniciar sua defesa do aliado.
Na sequência, Fátima reforçou os elogios ao pré-candidato governista e destacou sua passagem pela área econômica do Estado.
“Uma das qualidades extraordinárias de Cadu Xavier é exatamente essa. Além de trabalhador e preparado, ele é honesto”, declarou.
A governadora lembrou ainda que o aliado esteve à frente de uma das áreas mais sensíveis da administração estadual sem ter sido alvo de acusações ou investigações.
“Ele cuida de uma pasta que é exatamente a de Finanças e Tributação desde o início. Graças a Deus, a Polícia Federal nunca bateu na porta da casa dele. Ele nunca foi acusado de receber propina, de desvios na área da saúde e etc.”, afirmou.
Embora sem citar nomes diretamente, a fala foi interpretada no meio político como uma referência ao prefeito mossoroense, que lidera pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado e que recentemente viu seu nome associado aos desdobramentos da Operação Mederi.
Sobre a “Operação Mederi” A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia Federal, em janeiro de 2026, em conjunto com a Controladoria-Geral da União para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas envolvendo contratos da área da saúde em municípios potiguares.
Entre as empresas que aparecem nas investigações estão a Dismed e a Drogaria Mais Saúde, fornecedoras de medicamentos e insumos hospitalares que mantinham contratos com diversas prefeituras do Estado.
O nome de Allyson Bezerra passou a constar nos autos a partir de interceptações telefônicas e relatórios produzidos pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, empresários ligados à Dismed utilizavam a expressão “Matemática de Mossoró” para se referir a uma suposta divisão de recursos oriundos de contratos públicos. Em uma das conversas citadas pela PF, foi mencionada a destinação de 15% dos lucros para “Allyson”, referência que os investigadores atribuem ao então prefeito de Mossoró.
As apurações também analisam possíveis práticas de lavagem de dinheiro, pagamento de propina e direcionamento de contratos públicos em municípios como Mossoró, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha.
Desde que a operação foi deflagrada, a defesa de Allyson Bezerra nega qualquer irregularidade, sustenta que não existem provas que o vinculem aos fatos investigados e afirma que as acusações se baseiam em interpretações da Polícia Federal. Até o momento, não há condenação judicial definitiva contra o prefeito, empresários ou empresas citadas na investigação.
O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves, voltou a comentar neste fim de semana uma das decisões mais controversas de sua trajetória política recente: a escolha de não assumir o Governo do Estado em 2026, diante da possibilidade de renúncia da governadora Fátima Bezerra para disputar uma vaga ao Senado. Em entrevista recente ao programa Politicando, da 98 FM, o emedebista rebateu críticas recebidas desde que anunciou sua decisão e trouxe um argumento inédito para justificar a escolha: segundo ele, nunca houve qualquer compromisso de que seria candidato ao Governo.
Ao abordar o tema, Walter rebateu as acusações de que teria descumprido acordos políticos ao abrir mão de assumir o Governo do Estado.
“Primeiro, não existia compromisso nenhum de eu ser candidato a governador. Quiseram acabar com o nosso legado, mas não conseguiram”, afirmou, ao negar que sua decisão represente ruptura com o projeto político que ajudou a construir ao lado do MDB e dos aliados da atual gestão.
A declaração surge meses depois de o vice-governador comunicar oficialmente que não assumirá o comando do Executivo estadual, em janeiro deste ano. À época, a decisão provocou forte repercussão política. Adversários e até integrantes de grupos aliados passaram a acusá-lo de renunciar à oportunidade de governar o Estado, abandonar o projeto que ajudou a eleger e evitar enfrentar os desafios administrativos e financeiros do Rio Grande do Norte.
O vice-governador também ressaltou que pretende colocar sua trajetória política novamente à avaliação do eleitor e não descartou disputar o Executivo estadual no futuro.
“Eu sou pré-candidato a deputado estadual para julgamento popular e o povo vai julgar e escolher. E um dia, quem sabe, eu possa alcançar esse sonho”, acrescentou, em referência à possibilidade de ainda disputar o Governo do Estado em outro momento de sua carreira.
Ao relembrar o processo que culminou na decisão, Walter reconheceu que chegar ao comando do Executivo era um objetivo político legítimo e que influenciou sua escolha de compor a chapa vencedora em 2022.
“Eu teria a chance de ser governador do Rio Grande do Norte. Não tenha dúvida”, afirmou, destacando que a perspectiva de assumir o cargo fazia parte do planejamento político construído durante a campanha.
Apesar disso, ele disse ter concluído que a oportunidade não compensaria os riscos de administrar o Estado por um período curto e sem tempo suficiente para apresentar resultados.
“Foi uma decisão das mais difíceis da minha vida”, declarou, ao relatar o peso político e pessoal da escolha que acabou contrariando expectativas de aliados e adversários.
Segundo Walter, um mandato de apenas alguns meses seria insuficiente para promover mudanças estruturais na administração estadual e poderia resultar em um julgamento injusto por parte da população.
“É impossível você, em seis meses, conseguir reestruturar e reorganizar. É impossível”, afirmou, argumentando que a falta de tempo comprometeria qualquer tentativa de imprimir uma marca própria de gestão.
Walter contou ainda que consultou o ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho antes de tomar a decisão definitiva e afirmou que também ouviu dirigentes nacionais do MDB. Segundo ele, a avaliação foi unânime de que assumir o Governo por poucos meses poderia comprometer seu futuro político.
“Eu comuniquei, fui a Brasília diversas vezes, conversei com quem nos ajudou. O ministro Renan, o ministro Jader, a Simone Tebet e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, disseram: ‘Walter, se você assumir realmente, você vai se acabar, porque não vai ter tempo de mostrar serviço’”, relatou, ao explicar que a decisão foi amadurecida ao longo de meses e contou com o respaldo de lideranças da legenda.
O pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu Xavier, elevou o tom político e lançou um desafio direto aos adversários nas eleições de 2026. Em entrevista à jornalista Anna Karina Castro, o ex-secretário estadual da Fazenda afirmou que está pronto para debater o Rio Grande do Norte com o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), nomes apontados entre os principais pré-candidatos ao Executivo estadual.
“Eu desafio qualquer um dos dois para debater o nosso Estado comigo”, afirmou Cadu, ao comentar os possíveis cenários de segundo turno. Segundo ele, independentemente de quem avance pela oposição, a pré-candidatura governista chegará fortalecida à disputa decisiva.
O petista também aproveitou a entrevista para endurecer o tom contra o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, especialmente pela tentativa de aproximação com o eleitorado ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Cadu Xavier, o movimento acontece apenas agora, em meio ao cenário eleitoral, apesar do histórico político recente de Allyson ao lado do bolsonarismo no Estado.
“Agora ele está querendo se aproximar do eleitor do presidente Lula de forma oportunista, mas ele nunca esteve aqui”, afirmou o pré-candidato governista, ao lembrar que Allyson apoiou o senador Rogério Marinho e o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A crítica reforça a estratégia do PT de tentar consolidar a disputa entre o campo lulista e os nomes ligados à direita no Rio Grande do Norte.
Ao analisar o cenário da oposição, Cadu avaliou que o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, hoje aparece mais consolidado junto ao eleitorado conservador exatamente por assumir de maneira mais explícita o alinhamento com o bolsonarismo.
“Quando Álvaro se coloca defendendo as bandeiras da direita e do ex-presidente Bolsonaro, ele consolida uma base política”, declarou, ao comparar a postura do ex-prefeito com a de Allyson Bezerra, que, segundo ele, tenta ocupar uma posição mais indefinida no espectro político estadual.
Apesar das críticas aos adversários, Cadu concentrou boa parte da entrevista em defender o crescimento de sua própria pré-candidatura. Segundo ele, a percepção das ruas já não corresponde aos números apresentados por parte das pesquisas eleitorais divulgadas até agora.
“O sentimento nas ruas é completamente diferente dos números que aparecem em algumas pesquisas”, afirmou. O ex-secretário estadual destacou que tem sido reconhecido tanto em Natal quanto em cidades do interior como o nome apoiado pelo presidente Lula e pela governadora Fátima Bezerra.
“As pessoas me abordam como o candidato de Lula e o candidato de Fátima. O povo do nosso estado é louco por Lula”, disse, ao associar diretamente sua imagem ao capital político do presidente da República no Rio Grande do Norte.
Na avaliação de Cadu Xavier, essa identificação tem produzido uma transferência espontânea de apoio popular. “Quando descobrem que o candidato de Lula sou eu, é uma transferência de voto quase automática”, declarou, demonstrando confiança na consolidação do eleitorado governista em torno do seu nome.
O pré-candidato petista também afirmou acreditar que os próximos levantamentos eleitorais já deverão refletir o crescimento que diz perceber durante as agendas políticas pelo Estado. “A gente vai para o segundo turno e vai vencer as eleições”, afirmou.
A entrevista ocorre em meio ao avanço das articulações para 2026 e à disputa pela consolidação dos palanques estaduais. Enquanto Álvaro Dias e Allyson Bezerra ainda travam uma disputa interna pelo espaço do eleitorado conservador, gerando dúvidas sobre quem de fato representará a direita no Rio Grande do Norte, o grupo governista trabalha para fortalecer o nome de Cadu Xavier como principal representante do campo lulista e da continuidade da gestão Fátima Bezerra no Estado.
Aos 79 anos e após duas eleições sem disputar mandato, o ex-senador, ex-governador e ex-ministro Garibaldi Alves Filho voltou ao centro do debate político potiguar ao assumir publicamente o protagonismo na campanha do filho, Walter Alves (MDB), para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, Garibaldi demonstrou entusiasmo com o projeto político do atual vice-governador e confirmou que pretende atuar “intensamente” para garantir a volta de Walter ao Legislativo estadual em 2026.
“Eu estou vendo com muito otimismo”, afirmou Garibaldi ao comentar a pré-candidatura do filho.
Sobre a articulação política em torno do nome de Walter, o ex-senador evitou citar lideranças, mas garantiu que o retorno tem sido positivo. “Essa receptividade tem sido muito boa”, resumiu.
Ao falar sobre a campanha, o ex-governador deixou claro que pretende assumir papel ativo na busca por votos para Walter Alves. “Vou participar intensamente da campanha. O que eu puder dar para a candidatura dele, darei”, declarou.
O ex-ministro também afirmou que pretende usar sua própria trajetória política como argumento durante a campanha. Garibaldi relembrou os mandatos como deputado estadual, prefeito de Natal, governador, senador e ministro da Previdência, além da passagem pela presidência do Congresso Nacional. “Tudo isso não pode deixar de ter continuidade”, disse.
Ao falar sobre o envolvimento direto na campanha do filho, Walter Alves, Garibaldi deixou claro que pretende transferir ao atual vice-governador parte do capital político construído ao longo de décadas de vida pública.
“Eu vou dizer ao eleitor que votar em Walter é como se estivesse votando em mim. E vou dizer isso com a máxima convicção”, afirmou Garibaldi Alves, ao defender que o filho, segundo ele, reúne experiência política e trajetória consolidada para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. “Walter já foi deputado estadual, deputado federal, vice-governador. É merecedor do voto”, completou.
Apoio declarado a Allyson Além de confirmar dedicação à campanha de Walter, Garibaldi assumiu apoio ao projeto do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), pré-candidato ao Governo do Estado. O líder histórico do MDB afirmou que as duas campanhas caminham juntas politicamente.
“A essa altura, eu estou engajado na eleição de Walter e, consequentemente, na eleição de Allyson para governador do Estado”, declarou.
Garibaldi afirmou ainda que tem acompanhado o crescimento político de Allyson em diferentes regiões do Rio Grande do Norte. “Ele tem realmente surpreendido, porque tem recebido apoios em todos os quatro cantos do Rio Grande do Norte”, avaliou.
Mesmo reconhecendo que a polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo pode influenciar o cenário estadual, o ex-presidente do Senado acredita que o fator local terá maior peso na disputa pelo Governo. “Vai haver alguma influência, mas não será determinante”, analisou, sobre o peso da disputa presidencial no cenário potiguar.
Lula “sempre surpreende” Ao comentar o cenário nacional, Garibaldi afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo um nome competitivo eleitoralmente. “Lula sempre surpreende”, resumiu.
Apesar disso, o ex-governador ponderou que o cenário presidencial ainda está indefinido e pode sofrer mudanças, principalmente diante das incertezas envolvendo a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. “Essa polarização pode não se exercer de maneira tão nítida”, observou.
decisão de Walter de não assumir o Governo Durante a entrevista, Garibaldi também saiu em defesa da decisão de Walter Alves de não assumir o Governo do Estado diante da possibilidade de renúncia da governadora Fátima Bezerra em 2026. Segundo ele, a escolha demonstrou coragem política.
“O povo está reconhecendo a atitude dele ao não assumir o Governo do Estado”, afirmou.
Para o ex-senador, Walter avaliou corretamente o cenário administrativo e político que encontraria caso assumisse o Executivo estadual. “Foi uma atitude que não deixou de ter o seu caráter de coragem, de renúncia”, declarou.
O ex-governador disse ainda acreditar que a postura do filho acabou fortalecendo sua imagem junto à opinião pública. “Naquela situação, Walter teve razão. E por ter razão é que nós estamos ao lado dele para que agora ele tenha a sua ascensão à cadeira na Assembleia Legislativa”, afirmou.
Depois de sucessivas reuniões e articulações internas, o PSDB do Rio Grande do Norte definiu que sua bancada na Assembleia Legislativa adotará uma posição conjunta na disputa pelo Governo do Estado em 2026, embora o nome que receberá apoio ainda não tenha sido anunciado. Ao mesmo tempo, a legenda decidiu não impor alinhamento obrigatório às demais lideranças partidárias, permitindo que prefeitos, vereadores e pré-candidatos proporcionais apoiem diferentes nomes na corrida estadual. A decisão deverá ser oficializada em ata partidária.
O entendimento foi fechado em encontro realizado nesta quinta-feira (28), com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira de Souza, da deputada Cristiane Dantas, do líder do PSDB na Casa, deputado Taveira Júnior, além do prefeito de Parelhas e secretário-geral da sigla, Dr. Tiago Almeida. A médica Júlia Almeida, pré-candidata a deputada estadual, também participou da reunião, além do ex-vice-governador Fábio Dantas, que segue integrando o núcleo político que acompanha as definições do partido.
Nos bastidores, a solução construída pela legenda é vista como uma tentativa de manter o grupo unido sem provocar atritos com lideranças regionais que já possuem compromissos políticos distintos para as eleições deste ano.
Ao comentar o encontro, Ezequiel afirmou que a construção da posição partidária continuará sendo feita de forma coletiva e ouvindo representantes do PSDB em todas as regiões do Estado.
Segundo ele, a legenda pretende agir com cautela antes de consolidar qualquer definição oficial.
“O PSDB vai ouvir seus deputados, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e pré-candidatos antes de tomar qualquer decisão”, declarou o parlamentar.
O dirigente tucano também ressaltou que o partido pretende adotar uma postura de responsabilidade diante do cenário político ainda indefinido no Rio Grande do Norte. “Queremos contribuir efetivamente para o futuro do Estado”, afirmou.
Embora a bancada estadual caminhe de forma unificada, o PSDB decidiu preservar posicionamentos já anunciados por outros integrantes da legenda. A liberdade individual desses quadros também deverá constar no documento oficial que será aprovado internamente pelo partido.
Apoios já definidos Atualmente, o PSDB já reúne lideranças ligadas a diferentes projetos para o Governo do Estado. O presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, por exemplo, já confirmou apoio ao ex-prefeito Álvaro Dias (PL). O ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares, deverá acompanhar a pré-candidatura do secretário estadual Cadu Xavier (PT). Já Daiana Valetim, primeira-dama de Pedro Velho e filiada à legenda, declarou apoio ao projeto político do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
Indefinição dentro da legenda Outros nomes tucanos ainda evitam antecipar posicionamento. É o caso do ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Beroi, e do desembargador aposentado Expedito Ferreira de Souza, ambos com influência política em regiões estratégicas do Estado.
O líder da bancada tucana na Assembleia, deputado Taveira Júnior, afirmou que o foco principal do partido neste momento é fortalecer as nominatas proporcionais para 2026. “O PSDB quer construir uma bancada forte e competitiva”, resumiu.
Já a deputada Cristiane Dantas, que tem atuação forte na região Metropolitana e no Agreste potiguar, defendeu a união interna do partido e a construção de uma escolha consensual.
Segundo ela, o PSDB precisa atuar de forma conjunta “na defesa das pautas municipalistas e das mulheres”. A parlamentar afirmou ainda que o grupo está somando forças “para escolher um nome conjunto” para a disputa estadual.
A expectativa é que o PSDB realize nos próximos dias uma reunião ampliada com pré-candidatos proporcionais para formalizar o entendimento construído pela direção estadual e concluir a redação da ata que consolidará as regras internas para o pleito de 2026.