CENTENÁRIO DE DOM HEITOR CELEBRA VIDA DEDICADA À IGREJA E SERVIÇO AO PRÓXIMO

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Neste dia 29 de julho, a Arquidiocese de Natal celebra os 100 anos de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito que marcou a história da Igreja Católica no Rio Grande do Norte. A programação terá início às 17h, com uma missa em ação de graças na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso. A cerimônia reunirá bispos e arcebispos de diversas dioceses do país, entre eles o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.

Além da celebração religiosa, a data será marcada pelo lançamento de um livro biográfico, de um documentário e de uma edição especial da revista A Ordem, dedicada ao centenário do religioso. A missa também será transmitida ao vivo pelo canal da Arquidiocese de Natal no YouTube.

Natural de São José de Mipibu, Dom Heitor completa um século de vida mantendo a serenidade que marcou sua atuação como sacerdote, bispo da Diocese de Caicó e, posteriormente, arcebispo metropolitano de Natal. Em entrevista concedida à Arquidiocese por ocasião do centenário, ele revisitou lembranças da infância, da vocação e da missão que abraçou ainda jovem.

Ao recordar as origens, Dom Heitor falou da simplicidade da vida em família e da convivência com os pais.

“Minha mãe era Josefa de Araújo Sales, conhecida como Teca, e meu pai era Celso Sales. Minha relação com eles foi sempre muito boa”, lembrou.

Após a morte do pai, ainda na infância, a família cresceu com o segundo casamento da mãe. Segundo ele, a convivência entre os irmãos sempre foi marcada pela harmonia.

“Do primeiro matrimônio de mamãe foram Eugênio, Sílvio, Alaíde, Cleomar e eu. Depois, ela casou novamente, e do segundo matrimônio são Max, Ney e Otto. A relação sempre foi muito boa com todos eles”, recordou.

O despertar da vocação
As brincadeiras de infância deram lugar, ainda na juventude, ao gosto pela leitura e a uma convivência cada vez mais intensa com a Igreja. A influência da família e da formação recebida no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, foi decisiva para a escolha do sacerdócio.

“Desde a infância, tive uma forte relação com a Igreja, tanto em casa, com meus pais, como no Colégio Santo Antônio, dirigido pelos Irmãos Maristas, que nos dava uma sólida formação religiosa”, disse.

Foi, porém, o exemplo do irmão mais velho, Dom Eugênio de Araújo Sales, que consolidou sua decisão.

“Ao acompanhar a caminhada vocacional de Eugênio, também despertou em mim o desejo de ser padre”, comentou.

A escolha nunca foi colocada em dúvida. Mesmo após décadas de ministério, Dom Heitor afirma que jamais cogitou seguir outro caminho profissional.

“Eu sempre quis ser sacerdote. Por isso, nunca pensei em ter outra ocupação ou profissão”, afirmou.

Ordenado sacerdote em 1950, Dom Heitor iniciou o ministério em Nova Cruz e, no ano seguinte, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha, no Tirol, em Natal. Também atuou como professor do Seminário de São Pedro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de exercer diversas funções pastorais antes de ser nomeado bispo de Caicó, em 1978.

Em 1993, foi escolhido arcebispo metropolitano de Natal, cargo que ocupou durante dez anos. Nesse período, fortaleceu a formação de novos sacerdotes, promoveu a ampliação do Seminário de São Pedro, incentivou o diaconato permanente e acompanhou a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em 2000.

Questionado sobre o principal aprendizado de mais de sete décadas dedicadas ao sacerdócio, Dom Heitor resume sua missão em uma única inspiração.

“Procurar seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, em todas as fases da vida”, respondeu.

Ordenado em 1950, Dom Heitor iniciou o ministério em Nova Cruz – Foto: Reprodução

Fé e longevidade
Aos cem anos, Dom Heitor evita estabelecer uma relação direta entre fé e longevidade. Para ele, o tempo de vida não mede a profundidade da experiência religiosa.

“Eu creio que não existe propriamente uma vida longa por causa da fé, porque alguém que tem uma vida breve pode também ter uma fé mais profunda do que alguém que viveu muito tempo”, ponderou.

A serenidade com que atravessa um século de vida, segundo ele, está ligada menos à idade e mais à forma de viver.

“Deus nos deu a vida e cabe a nós buscarmos viver de forma cada vez mais próxima a Ele e aos irmãos.

O segredo é viver em paz, em comunhão com as pessoas, cumprindo sempre o mandamento de Jesus Cristo: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”, concluiu.

Livro e documentário preservam legado

Dom Heitor recebeu homenagens e é sócio de honra da ANRL – Foto: Reprodução

Como parte das homenagens pelo centenário, a Arquidiocese de Natal lançará o livro “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”, escrito pelo jornalista Adriano de Sousa. A obra será apresentada ao público logo após a missa deste dia 29 e ficará disponível para venda na loja da Catedral Metropolitana.

Também integra a programação um documentário biográfico, roteirizado por Adriano de Sousa e com direção de fotografia de Giovanni Sérgio. A estreia ocorrerá no dia 31 de julho, em sessão para convidados, no Midway Mall. Depois, o filme será exibido em cidades como Caicó, Currais Novos e Mossoró, além de ser disponibilizado no canal da Arquidiocese de NatalNeste dia 29 de julho, a Arquidiocese de Natal celebra os 100 anos de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito que marcou a história da Igreja Católica no Rio Grande do Norte. A programação terá início às 17h, com uma missa em ação de graças na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso. A cerimônia reunirá bispos e arcebispos de diversas dioceses do país, entre eles o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.

Além da celebração religiosa, a data será marcada pelo lançamento de um livro biográfico, de um documentário e de uma edição especial da revista A Ordem, dedicada ao centenário do religioso. A missa também será transmitida ao vivo pelo canal da Arquidiocese de Natal no YouTube.

Natural de São José de Mipibu, Dom Heitor completa um século de vida mantendo a serenidade que marcou sua atuação como sacerdote, bispo da Diocese de Caicó e, posteriormente, arcebispo metropolitano de Natal. Em entrevista concedida à Arquidiocese por ocasião do centenário, ele revisitou lembranças da infância, da vocação e da missão que abraçou ainda jovem.

Ao recordar as origens, Dom Heitor falou da simplicidade da vida em família e da convivência com os pais.

“Minha mãe era Josefa de Araújo Sales, conhecida como Teca, e meu pai era Celso Sales. Minha relação com eles foi sempre muito boa”, lembrou.

Após a morte do pai, ainda na infância, a família cresceu com o segundo casamento da mãe. Segundo ele, a convivência entre os irmãos sempre foi marcada pela harmonia.

“Do primeiro matrimônio de mamãe foram Eugênio, Sílvio, Alaíde, Cleomar e eu. Depois, ela casou novamente, e do segundo matrimônio são Max, Ney e Otto. A relação sempre foi muito boa com todos eles”, recordou.

O despertar da vocação
As brincadeiras de infância deram lugar, ainda na juventude, ao gosto pela leitura e a uma convivência cada vez mais intensa com a Igreja. A influência da família e da formação recebida no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, foi decisiva para a escolha do sacerdócio.

“Desde a infância, tive uma forte relação com a Igreja, tanto em casa, com meus pais, como no Colégio Santo Antônio, dirigido pelos Irmãos Maristas, que nos dava uma sólida formação religiosa”, disse.

Foi, porém, o exemplo do irmão mais velho, Dom Eugênio de Araújo Sales, que consolidou sua decisão.

“Ao acompanhar a caminhada vocacional de Eugênio, também despertou em mim o desejo de ser padre”, comentou.

A escolha nunca foi colocada em dúvida. Mesmo após décadas de ministério, Dom Heitor afirma que jamais cogitou seguir outro caminho profissional.

“Eu sempre quis ser sacerdote. Por isso, nunca pensei em ter outra ocupação ou profissão”, afirmou.

Ordenado sacerdote em 1950, Dom Heitor iniciou o ministério em Nova Cruz e, no ano seguinte, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha, no Tirol, em Natal. Também atuou como professor do Seminário de São Pedro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de exercer diversas funções pastorais antes de ser nomeado bispo de Caicó, em 1978.

Em 1993, foi escolhido arcebispo metropolitano de Natal, cargo que ocupou durante dez anos. Nesse período, fortaleceu a formação de novos sacerdotes, promoveu a ampliação do Seminário de São Pedro, incentivou o diaconato permanente e acompanhou a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em 2000.

Questionado sobre o principal aprendizado de mais de sete décadas dedicadas ao sacerdócio, Dom Heitor resume sua missão em uma única inspiração.

“Procurar seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, em todas as fases da vida”, respondeu.

Ordenado em 1950, Dom Heitor iniciou o ministério em Nova Cruz – Foto: Reprodução

Fé e longevidade
Aos cem anos, Dom Heitor evita estabelecer uma relação direta entre fé e longevidade. Para ele, o tempo de vida não mede a profundidade da experiência religiosa.

“Eu creio que não existe propriamente uma vida longa por causa da fé, porque alguém que tem uma vida breve pode também ter uma fé mais profunda do que alguém que viveu muito tempo”, ponderou.

A serenidade com que atravessa um século de vida, segundo ele, está ligada menos à idade e mais à forma de viver.

“Deus nos deu a vida e cabe a nós buscarmos viver de forma cada vez mais próxima a Ele e aos irmãos.

O segredo é viver em paz, em comunhão com as pessoas, cumprindo sempre o mandamento de Jesus Cristo: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”, concluiu.

Livro e documentário preservam legado

Dom Heitor recebeu homenagens e é sócio de honra da ANRL – Foto: Reprodução

Como parte das homenagens pelo centenário, a Arquidiocese de Natal lançará o livro “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”, escrito pelo jornalista Adriano de Sousa. A obra será apresentada ao público logo após a missa deste dia 29 e ficará disponível para venda na loja da Catedral Metropolitana.

Também integra a programação um documentário biográfico, roteirizado por Adriano de Sousa e com direção de fotografia de Giovanni Sérgio. A estreia ocorrerá no dia 31 de julho, em sessão para convidados, no Midway Mall. Depois, o filme será exibido em cidades como Caicó, Currais Novos e Mossoró, além de ser disponibilizado no canal da Arquidiocese de Natal


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CADU OFICIALIZA “DE LULA” NO NOME DE URNA PARA DISPUTA AO GOVERNO DO RN

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Após ter a candidatura ao Governo do Estado homologada na convenção do último sábado (25), Cadu Xavier (PT) avançou na estratégia de associar seu projeto eleitoral ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista deu entrada no pedido de registro junto à Justiça Eleitoral com “Cadu de Lula” como nome de urna, oficializando uma identificação que já vinha sendo utilizada ao longo da pré-campanha.

Em entrevista ao Diário do RN, o coordenador da campanha majoritária, Raimundo Alves, explicou que a escolha busca apresentar Cadu ao eleitor a partir de uma das principais referências políticas do petista e da força que o presidente mantém no Estado.

“É uma caracterização que a gente está fazendo da candidatura, porque é uma situação que nos remete à referência do principal eleitor desse Estado. A principal referência política que eu acho que o Rio Grande do Norte tem, entre as figuras nacionais, é a figura do presidente Lula”, afirmou.

Para Raimundo, a associação também é natural pela própria trajetória partidária de Cadu. “É o partido de Lula, é o partido que Lula fundou, é o candidato do PT, é o candidato de Lula”, resumiu.

A coordenação acredita que essa identificação deverá ganhar ainda mais peso quando a campanha chegar efetivamente às ruas e Cadu ampliar o contato com o eleitorado. Segundo Raimundo, levantamentos internos já permitem ao grupo acompanhar esse movimento.

“Estamos fazendo um monitoramento interno da campanha, então isso já é visível para a gente”, afirmou.

Fátima terá destaque
Raimundo também rejeitou a interpretação da oposição de que a adoção de “Cadu de Lula” represente um distanciamento de Fátima Bezerra. Para ele, a relação do candidato com a governadora já é conhecida e vai além da identidade escolhida para as urnas.

“O nome de Fátima também é um nome muito forte, mas essa ligação com Fátima já é mais natural e eu acho que o povo do Rio Grande do Norte já entende isso como natural”, avaliou.

O coordenador ressaltou que Cadu representa politicamente os dois governos e afirmou que essa ligação envolve também compromissos com o projeto defendido pelo grupo.

“O Cadu não está só representando Lula nessa eleição, mas também Fátima. Então, é uma representação política que, para além do nome de campanha, é uma representação de compromisso também”, declarou.

Segundo Raimundo, a presença da governadora ficará mais evidente com o avanço da campanha. “As pessoas vão se surpreender quando a campanha começar com a importância e com a presença de Fátima”, antecipou.

Vínculos impulsionam Cadu
O efeito da associação com Lula e Fátima já apareceu na pesquisa DataVero/Diário do RN divulgada neste mês. No cenário estimulado sem a apresentação dos apoios políticos, Cadu tinha 10,8% das intenções de voto. Quando identificado como candidato apoiado pelo presidente e pela governadora, alcançou 19,6%.

O salto foi de 8,8 pontos percentuais, praticamente dobrando o desempenho do petista. Cadu permaneceu na terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil) e Álvaro Dias (PL), mas o resultado indicou o potencial eleitoral da vinculação às duas principais lideranças do PT.


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DEYVISON REAGE A ALLYSON: “SE FAZ DE VÍTIMA, MAS É ALGOZ EM MOSSORÓ”

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O candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil) publicou nesta terça-feira (28) um vídeo em que acusa Álvaro Dias (PL) de tentar censurá-lo e retirar seu perfil do Instagram do ar. Na gravação, chamou o adversário de “truculento”, “coronel” e “antidemocrata”. A manifestação provocou reação do vereador de Mossoró e candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL), que contestou o discurso de Allyson sobre censura.

A reação de Cabo Deyvison veio após a publicação do vídeo. Líder da oposição na Câmara Municipal de Mossoró, o vereador afirmou que Allyson tenta se apresentar como vítima, mas, segundo ele, adota postura diferente diante dos adversários políticos no município.

“Ele é um impostor. Porque seus atos não condizem com o que ele vem falando nas redes sociais. Ele prega isso daí, se faz de vítima, mas, na verdade, ele é algoz aqui em Mossoró, ele é coronel”, disparou.

Deyvison também classificou a manifestação como uma estratégia eleitoral que, segundo ele, Allyson já teria utilizado anteriormente. “O que ele está fazendo aí, ele já fez na primeira eleição que ganhou aqui para prefeito. Ele está achando que pode fazer novamente, mas o povo não é bobo, não. O povo já sabe dessa estratégia”, afirmou.

O parlamentar relacionou ainda o vídeo ao cenário da disputa estadual e à mobilização demonstrada nas convenções do último fim de semana. “É até uma tentativa desesperadora por parte dele. É mais sobre desespero do que sobre falar a verdade, o vídeo dele”, declarou.

Ataques a Álvaro
No vídeo publicado nas redes sociais, Allyson atribuiu a Álvaro a iniciativa da ação judicial que pede a retirada de seu perfil do Instagram. Ao fazer a acusação, associou o adversário a problemas ocorridos durante sua gestão à frente da Prefeitura de Natal.

“O candidato das obras inacabadas, o candidato que acabou com Ponta Negra, o candidato que entregou um hospital há quase dois anos e nunca funcionou de verdade, o candidato que deu um calote nos artistas de Natal, entrou com ação na Justiça contra mim para retirar o meu perfil do Instagram do ar”, afirmou.

Na sequência, Allyson sustentou que a medida teria como objetivo impedir sua atuação política nas redes sociais. “Ele quer que o meu perfil deixe de existir. […] Ele quer que eu pare de fazer qualquer tipo de postagem. Ele quer me calar. Ele quer me amordaçar”, declarou.

O candidato também partiu para ataques diretos ao perfil político de Álvaro. “Você é conhecido por ser um truculento. Você é conhecido por ser um cara que age como um coronel, bate na mesa, humilha as pessoas”, disparou. Em outro momento, acrescentou: “Você é conhecido pela forma mais mesquinha e nojenta de fazer política. Você representa o atraso da política do nosso Estado”.

Allyson ainda classificou o adversário como “antidemocrata” e voltou a usar a expressão “coronel” ao criticar a iniciativa judicial. “Uma vergonha para você, que usou um partido seu, usou o seu advogado para entrar contra mim num processo como esse, totalmente arbitrário e agindo como coronel, de quem está querendo mandar acima de tudo”, afirmou.

A representação mencionada por Allyson, entretanto, foi apresentada pelo Partido Novo, que deverá integrar a mesma coligação de Álvaro Dias. O presidente estadual da legenda, Renato Cunha Lima, afirmou anteriormente ao Diário do RN que a iniciativa partiu do próprio Novo e tem como fundamento supostas irregularidades eleitorais que ainda serão analisadas pela Justiça.

Deyvison relata ações e tentativa de silenciamento
A reação ocorre em meio a um histórico de embates judiciais relatado pelo próprio Deyvison. Ao Diário do RN, ele afirmou ter sido alvo de três ações somente em 2026 envolvendo conteúdos sobre pessoas ou empresas que associa ao grupo político de Allyson, com pedidos de retirada de publicações, indenizações e segredo de Justiça.

Em um dos casos, relacionado a uma publicação após a Operação Mederi, da Polícia Federal, Deyvison afirma que teve um vídeo retirado das redes e foi acionado por supostos crimes contra a honra. “A Justiça pediu para derrubar e entraram com ação contra a gente por calúnia, difamação e injúria. Na Justiça, pediram segredo de Justiça, para que eu não pudesse falar”, relatou. Outros processos citados envolvem o empresário Diego Dantas, conhecido como Diego da Sama, e uma empresa ligada aos enfeites natalinos de Mossoró.

Líder da oposição na Câmara Municipal, Deyvison mantém atuação crítica à administração e ao grupo político de Allyson, tanto na tribuna quanto nas redes sociais. O vereador usa esse histórico para contestar agora o discurso de censura apresentado pelo ex-prefeito e afirma também ser alvo de medidas que considera tentativas de restringir sua atuação política.


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NOVO ACUSA ALLYSON DE PROPAGANDA ANTECIPADA E PEDE SUSPENSÃO DE PERFIL

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O Partido Novo ingressou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) com uma nova representação contra o candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil), por suposta propaganda eleitoral antecipada. Na ação, protocolada no último dia 27, a legenda questiona a realização de dois eventos apresentados como convenções partidárias e aponta uma possível atuação coordenada de perfis nas redes sociais para ampliar a exposição do candidato antes do período permitido para a propaganda eleitoral.

A Representação nº 0600279-62.2026.6.20.0000 pede, em caráter liminar, a suspensão do perfil oficial de Allyson no Instagram, @allysonbezerra.rn, até 15 de agosto. Caso o pedido não seja acolhido, o Novo solicita, alternativamente, a retirada das publicações relacionadas ao evento realizado no último domingo (26), no Palácio dos Esportes, em Natal.

Um dos principais argumentos do Novo é a realização de dois eventos apresentados como convenções.

O primeiro ocorreu em 20 de julho, na sede estadual do União Brasil, quando foram formalizadas a candidatura de Allyson ao Governo, a composição da coligação e outras definições eleitorais. Seis dias depois, o grupo promoveu a “Grande Convenção da Esperança e do Trabalho”, no Palácio dos Esportes, reunindo candidatos, lideranças e apoiadores.

Em entrevista ao Diário do RN, o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, afirmou que é justamente a realização do segundo ato, após a formalização da candidatura, que sustenta o questionamento levado à Justiça Eleitoral. Na avaliação dele, o evento do dia 26 teria ultrapassado os limites de uma convenção partidária.

“O que caracteriza cabalmente, sem nenhuma dúvida, é comício antecipado, porque a legislação não permite”, afirmou.

Renato argumentou que a homologação de Allyson caberia à convenção do próprio União Brasil e já havia ocorrido no primeiro encontro. “Ele só pode ser aprovado pela convenção do União Brasil, porque ele é do União Brasil”, explicou.

O dirigente diferenciou o caso das convenções realizadas pelos demais partidos da aliança, destacando que cada legenda pode promover seu próprio ato e registrar apoio às candidaturas da coligação. “No dia 30 eu vou fazer a minha convenção e vou dizer lá que o Partido Novo está coligado com os demais partidos. Isso é de praxe, isso é normal”, exemplificou.

A caracterização do segundo evento como propaganda eleitoral antecipada, entretanto, é uma tese apresentada pelo Novo e ainda depende da análise da Justiça Eleitoral. “O juiz ainda não analisou.

Esperamos que o juiz analise”, ponderou Renato.

“Não tem nada a ver com censura”
O presidente do Novo também rejeitou a interpretação de que o pedido para suspender o perfil oficial de Allyson represente tentativa de censura. Segundo ele, a iniciativa busca fazer cumprir as mesmas regras eleitorais aplicáveis a todos os candidatos.

“Não tem nada a ver com censura. Tem a ver com cumprir a regra do jogo, a legislação que está posta, que é para mim, para ele, para qualquer pessoa”, afirmou.

Renato acrescentou que a nova representação faz parte de uma sequência de medidas adotadas pelo partido ao longo da pré-campanha envolvendo páginas que o Novo aponta como ligadas ao projeto político de Allyson.

“Isso não é do dia para a noite. Primeiro foram perfis apócrifos, anônimos. A gente pediu à Justiça Eleitoral para dizer quem são os donos desses perfis. Depois disso, em diversos momentos, a gente pediu a retirada dessas postagens e também a aplicação de multa”, relatou.

O dirigente ressaltou que o partido não questiona o direito de manifestação do adversário, mas sustenta que existem limites antes do início oficial da propaganda. “Ele pode falar o que quiser, pode criticar quem quiser, a liberdade de expressão precisa ser mantida, mas a gente precisa cumprir a legislação”, declarou.

Astroturfing também é apontado
Outr a frente da representação envolve a suspeita de astroturfing, estratégia de comunicação em que uma atuação coordenada busca produzir a aparência de apoio espontâneo nas redes sociais. Na ação, o Novo cita perfis que teriam atuado de forma articulada na divulgação de conteúdos favoráveis ao candidato.

Ao Diário do RN, Renato Cunha Lima afirmou que uma investigação eleitoral poderá verificar “se houve conduta vedada, abuso de poder econômico e político, se essa coordenação houve impulsionamento de rede social, se houve emprego de dinheiro, o alcance, a capacidade de influir no resultado das eleições”.

O presidente do Novo relacionou a situação ao caso de Pablo Marçal, então candidato à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024, cuja campanha também foi marcada por discussões judiciais envolvendo estratégias de divulgação nas redes sociais. Renato, no entanto, condicionou a comparação à eventual confirmação das suspeitas levantadas contra o grupo de Allyson. “Se tudo se corroborar nesse sentido, o caso dele vai se semelhar ao de Pablo Marçal”, afirmou.


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FECOMÉRCIO PROMOVE DEBATE SOBRE IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA: “EXIGE ATUALIZAÇÃO”

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A implementação da Reforma Tributária começará a exigir mudanças operacionais das empresas já a partir de agosto. Os prazos e os impactos das novas regras foram debatidos nesta terça-feira (28), durante mais uma edição do RN em Foco, promovida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN).

Na abertura do evento, o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, ressaltou a importância de preparar o setor produtivo para a transição ao novo modelo tributário.

“O Sistema Fecomércio RN acompanha esse processo com atenção, mas nossa missão não se limita à representação institucional. Ela também passa por preparar empresários, gestores e profissionais para compreender as mudanças em curso, avaliar seus impactos e identificar caminhos para uma adaptação segura e sustentável”, afirmou.

Entre as mudanças que passam a valer está o preenchimento obrigatório dos campos relativos ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos emitidos por empresas do regime regular. Em setembro, empresas optantes pelo Simples Nacional também deverão decidir se recolherão os novos tributos por meio da guia única ou pelo regime regular durante o primeiro semestre de 2027.

Segundo Thiago Diniz, o momento exige planejamento e adequação dos sistemas para evitar problemas na emissão de documentos fiscais e impactos financeiros nos próximos meses.

“Um empresário que ainda não fez as contas, não buscou compreender a Reforma Tributária e não tomou essa decisão com base em dados pode enfrentar grandes problemas no próximo ano. É importante contar com uma assessoria atualizada e uma contabilidade estratégica, capazes de apoiar as decisões”, alertou.

O especialista destacou ainda que os efeitos da reforma vão além das obrigações fiscais e atingem diretamente a gestão financeira das empresas.

“A reforma fala sobre caixa. Por isso, é muito importante que as empresas tenham equipes e assessorias preparadas, acompanhando diariamente as mudanças”, acrescentou.

Durante o painel, Vanildo Fausto reforçou a necessidade de revisão dos contratos com fornecedores, da análise dos créditos tributários e da atualização das equipes responsáveis pelas áreas fiscal e contábil.

“A Reforma Tributária não é mais um futuro distante. Os empresários precisam se preparar agora, revisando contratos, avaliando a tomada de créditos e garantindo que os créditos de PIS e Cofins estejam devidamente levantados e registrados na escrituração fiscal. São muitas regras e especificidades, o que exige atualização das equipes contábeis”, afirmou.

O debate permitiu ainda que empresários e representantes do setor produtivo esclarecessem dúvidas sobre a implementação da reforma e os desafios que as empresas deverão enfrentar durante o período de transição para o novo sistema tributário.

Empresários tiraram dúvidas sobre a reforma e os desafios da transição – Foto: Reprodução

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GINGA MODA RN APOSTA EM CONEXÕES PARA AMPLIAR MERCADO DA INDÚSTRIA

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Mais do que uma vitrine para coleções, o Ginga Moda RN nasceu com a proposta de conectar empresas, compradores e especialistas para impulsionar a indústria da moda do Rio Grande do Norte. Realizado pelo Sebrae-RN em parceria com o Senai-RN, o Governo do Estado e o Governo Federal, o primeiro showroom da indústria da moda potiguar acontece no Hotel Praiamar Arena, em Natal, reunindo 40 empresas expositoras e cerca de 200 compradores do Brasil e do exterior.

Voltado aos empreendedores da cadeia produtiva da moda, o evento reúne expositores dos segmentos de moda feminina, praia, infantil, uniformes, modelagem e bordados. Durante a manhã, o público pode visitar os estandes, enquanto, a partir das 13h, a programação inclui palestras, talks e painéis sobre criatividade, branding, sustentabilidade, inteligência artificial e tendências de mercado. Também estão previstos desfiles de marcas potiguares voltados à valorização da identidade cultural e da criatividade local.

Segundo o diretor-superintendente do Sebrae-RN, João Hélio, o principal diferencial do Ginga Moda RN é promover conexões comerciais capazes de ampliar a presença das empresas potiguares em novos mercados.

“Quando recebemos aproximadamente 200 compradores de todo o país, inclusive compradores de fora do Brasil, e apresentamos uma vitrine com 40 empresas, criamos conexões que geram negócios. É um impulso para que essas empresas cresçam, ampliem mercados, gerem emprego, renda e muito trabalho para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

De acordo com o dirigente, o evento já contabiliza mais de dois mil inscritos e oferece espaços voltados tanto para rodadas de negócios entre empresários quanto para o público em geral. A programação aborda ainda temas como inteligência artificial aplicada ao setor, mostrando que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta para ampliar a competitividade das empresas, sem substituir as relações comerciais construídas presencialmente.

Destaque para a moda sustentável

Além da geração de negócios, o Ginga Moda RN também abre espaço para discussões sobre sustentabilidade e moda circular. A fundadora e diretora criativa da Villa Dharma, Vanessa Stadtlober, destacou que a marca desenvolve peças utilizando linho, algodão orgânico, tingimentos naturais e aviamentos biodegradáveis, buscando reduzir os impactos ambientais da indústria da moda.


Para Vanessa, o conceito vai além da escolha dos tecidos e envolve todo o ciclo de vida da peça, desde a produção até o descarte. A proposta, explica, é mostrar que uma moda sustentável também pode ser sofisticada, autoral e comercialmente competitiva.

“A gente entende que deve pensar na peça desde o início até o final da sua vida útil. É possível desenvolver produtos com responsabilidade ambiental, design e qualidade, desconstruindo a ideia de que moda sustentável precisa ser sem beleza ou sem valor agregado”, ressaltou

A Villa Dharma participou da programação da segunda-feira com palestra sobre negócios na moda e desfile da coleção “Encantarias do Nordeste”, apresentada na Semana de Moda de Milão em 2025. A marca também foi selecionada para representar o Rio Grande do Norte novamente na edição de 2026 do evento italiano.

Outro exemplo do potencial da moda autoral potiguar é a marca Arrocho, comandada pela artesã Rejane Nicolau. Selecionada pelo programa RN Mais Exportações, a empresa realizou recentemente sua primeira venda internacional.

Segundo Rejane, uma cliente residente em Londres entrou em contato para importar as bolsas produzidas artesanalmente pela marca. O primeiro lote, com 24 peças, já foi enviado para a Inglaterra.

“O Sebrae entrou muito cedo na história da Arrocho, por meio de consultorias, e o programa RN Mais Exportações abriu novas possibilidades. Esperamos que essa seja a primeira de muitas exportações. Nosso processo é totalmente manual, feita com tempo, cuidado e valorizando o trabalho artesanal”, destacou.

Além das rodadas de negócios, o Ginga Moda RN reúne uma programação voltada à capacitação e à inovação. Ao longo dos dois dias, o público acompanha palestras, desfiles, exposição de marcas autorais e ativações promovidas pelos parceiros do evento.

Segundo a designer de moda, professora do Senai-RN e pesquisadora na área de processos da moda, Jéssica Cerejeira, o showroom marca um novo momento para a cadeia produtiva da moda no estado.

“É realmente um momento de celebração. Temos palestras, desfiles, exposição das marcas autorais do nosso estado, ativações em todos os estandes e um espaço voltado às rodadas de negócios com compradores de todo o Brasil. É um marco, um divisor de águas para a moda do Rio Grande do Norte e para a integração de toda a cadeia produtiva”, afirmou.

No estande do Senai, os visitantes encontram estúdio para produção de fotografias profissionais, podcasts ao vivo e demonstrações de tecnologia aplicada ao setor. A programação também apresenta equipamentos industriais e robôs utilizados nas ações de formação da instituição, aproximando empresários e estudantes das inovações disponíveis para a indústria.

Para Jéssica, a tecnologia já faz parte da formação oferecida pelo Senai e deve ser incorporada ao cotidiano das empresas do setor.

“O Senai trabalha esse alinhamento com a tecnologia por meio dos cursos, consultorias e formações.

Trouxemos para o evento um pouco dessa realidade, com maquinários, robôs e outras ferramentas para mostrar como a inovação está presente na qualificação dos profissionais e no desenvolvimento da indústria da moda”, destacou.

O Ginga Moda RN segue até esta terça-feira (28), às 21h, no Hotel Praiamar Arena, em Natal, consolidando-se como um espaço voltado ao fortalecimento da indústria da moda potiguar, à geração de negócios e à projeção das marcas do estado no mercado nacional e internacional.


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PALAVRAS QUE CURAM: PSIQUIATRA LANÇA LIVRETO DE “REMÉDIO POÉTICO”

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Entrar pela primeira vez em um consultório de psiquiatria costuma despertar sentimentos como medo, ansiedade e insegurança. Agora imagine sair da consulta, em vez de apenas com uma receita de medicamentos, levando um poema como parte do tratamento. Essa é a proposta do psiquiatra natalense Adriano Marcos Araújo de Souza, que transformou a literatura em instrumento de acolhimento emocional reunidas no livro “Palavras que Curam”.

Amante da poesia desde a adolescência, Adriano Araújo conta que o interesse em reunir poemas já conhecidos e suas próprias reflexões em um livro era um desejo antigo.

“Ou seja, essa ideia de um olhar terapêutico sobre a poesia é algo antigo, mas eu ainda não sabia como fazer isso. Minha ideia é criar com esse livro uma ferramenta terapêutica. Com o tempo fazer uma curadoria de textos, poesias que possam ajudar as pessoas. E ainda de forma mais ousada, que possa fazer as pessoas gostarem mais de ler, talvez para se sentir melhor”, afirmou.

Em uma conversa com uma amiga psicóloga, o psiquiatra falou sobre suas ideias. Como resposta, recebeu poesia. “Uma vez perguntei a uma psicóloga amiga, o que ela acharia se eu ao invés de prescrever remédios, começasse a prescrever poesias. Ela respondeu com um provérbio chinês: Se tiveres dois pães, vende um e compra um lírio”, lembrou.

Natalense, Adriano teve uma infância comum, de brincadeiras na rua, no bairro de Lagoa Nova, do jeitinho que se fazia antigamente.

“Eu era uma criança que gostava muito das brincadeiras na rua com as outras crianças, mas também era curioso. Sempre amei a escola e a aprender”, recordou.

E foi a partir dos livros que o pai costumava levar para casa, que encontrou prazer na leitura.

“Aprendi a gostar de ler muito cedo, meu pai trazia muitos livros para casa. Por volta dos 10 aos 13 anos já lia clássicos da literatura. Era excelente aluno. Fiz escola técnica, ETFRN (Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte), curso de mecânica. Na época participei de um movimento literário dentro da escola. Chamávamos nosso grupo de “Sótão 277” e lançamos vários fanzines, jornais e lancei um livro de poesias na época”, comentou.

A paixão pelo gênero literário começou a aflorar a partir do momento em que conheceu obras de grandes poetas. “Quando entrei em contato com vários poetas, Rimbaud, Baudelaire, Rilke, e tantos outros. Fui conhecendo mais e me apaixonando pelo gênero. Na poesia nacional tenho Manoel de Barros como minha bússola.”

ara ele, a poesia tem a capacidade de transcrever aquilo que, muitas vezes, não é possível se colocar em palavras, podendo, inclusive, trazer o alívio para a dor sentida naquele momento.

“A poesia de verdade toca no sentimento. E muitas vezes fala o que não conseguimos pôr em palavras. E muitas vezes, a cura ou o alívio do sofrimento vem a possibilidade de pôr em palavras o que sentimos.

Por isso, acredito que a poesia tem esse poder: conseguir enxergar em palavras o que não consigo falar para poder me ajudar”, explicou.

Nem sempre a psiquiatria esteve à frente dos seus planos para o futuro. Inicialmente, pensou em ser engenheiro mecânico, dando sequência ao curso dos tempos da Escola Técnica. Mas foi a paixão pela arte, pela poesia que acabaram o conduzido para a profissão que exerce com um olhar humanizado e afetuoso.

“Foi a arte que me aproximou da psiquiatria, foi me aproximando do humano. Quando pensei em fazer medicina, o fiz por causa da psiquiatria”, esclareceu.

No dia-a-dia, o exercício da profissão, segundo ele, traz alguns desafios, principalmente no que diz respeito ao autocuidado.

“O exercício da psiquiatria traz sim alguns desafios: lidar com o sofrimento e ajudar, conseguindo manter empatia, sem se misturar a esse sofrimento; enxergar a necessidade de acesso aos cuidados e ver que muitas pessoas não podem e não conseguem ter esse acesso”, comentou.

E é justamente no tratamento humanizado, na empatia com a dor do paciente, que o psiquiatra se diferencia. Com formação em Terapia Cognitivo Comportamental pela Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva (ABPC), o paciente que entra pela porta do seu consultório e se vê diante dele, não sai com um receituário sem antes ser ouvido, olhado nos olhos.

Sobre a abordagem Cognitivo Comportamental, ele explica importância de o profissional estar atento à subjetividade de cada paciente.

“Na minha opinião qualquer abordagem psicoterapêutica pode favorecer um tratamento mais humanizado, porque faz com que o médico possa ficar mais atento a subjetividade da pessoa. Estar atento ao sofrimento psíquico, à subjetividade, comportamentos e relações, melhora a compreensão e possibilita uma visão mais ampla do sujeito”, esclareceu.

Na sua visão, de certa forma, a abordagem mais humanizada poderia ser vista como uma “via de mão dupla”, ou seja, auxiliar o paciente e ser auxiliado nos dias difíceis.

“A técnica pode ajudar o terapeuta se pautar melhor na relação com as pessoas. Entendendo exatamente o que pode fazer e qual seu papel na relação”, avaliou.

Em “Palavras que Curam”, Adriano Araújo traz suas reflexões e reúne também poemas de outros autores que, para ela, “tocam a alma”. A escolha por esses poemas, todavia, não foi uma tarefa fácil.

“Essa foi a parte mais difícil. Porque não foi uma escolha aleatória, são textos que me tocam como pessoa primeiramente e que fazem sentido para mim. Primeiro separei as indicações e fui garimpar os textos”, falou.

“Modo de Usar”
A primeira página do livro, ao contrário de ser apresentada como “Apresentação da Obra”, vem no estilo “Modo de Usar”, como uma bula de medicamento. A orientação é clara:
Este livreto é um estojo de primeiros socorros para a ajuda da alma. Cada página contém um “medicamento poético” prescrito para diferentes estados da alma.

Posologia geral:

  • Abra o livreto em qualquer página, ao acaso, como quem tira um oráculo do bolso.
  • Leia atentamente, como se fosse um bilhete escrito só para você.
  • Respire entre os versos.
  • Permita que as palavras dissolvam na boca do pensamento.
    Advertência Afetuosa:
  • Não há doses certas, nem quantidade máxima permitida.
  • Pode tomar de manhã, à tarde ou de madrugada.
  • Pode repetir a dose quantas vezes quiser.
  • Pode compartilhar com quem você ama.
    Sobre a escrita como forma de tratamento, o psiquiatra é enfático: “Não só escrever de forma mecânica, mas escrever de forma emocional, tentando pôr em palavras o que sente. Isso é reconhecidamente terapêutico”, finaliza.

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“A POLÍTICA ECONÔMICA QUE EU DEFENDO É A POLÍTICA DA LIBERDADE”

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O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União Brasil) prometeu dar autonomia a Hermano Morais (MDB), candidato a vice-governador, caso a chapa vença as eleições.

Durante a convenção realizada neste domingo (26), no Palácio dos Esportes, em Natal, o ex-prefeito de Mossoró também defendeu sua capacidade de articulação política, falou sobre prioridades de uma eventual gestão e apresentou o desenvolvimento do interior como uma das bandeiras do projeto.

Ao falar sobre a participação de Hermano em um eventual governo, Allyson usou como referência a relação que manteve com Marcos Medeiros (Republicanos), seu vice na Prefeitura de Mossoró e atual prefeito do município. Segundo ele, Marcos tinha liberdade para participar das decisões e conduzir atividades administrativas.

“Ele sentava na minha cadeira no dia em que ele quisesse sentar. Ele estava no meu gabinete no dia em que ele quisesse estar. Ele despachava no Palácio no dia em que ele quisesse despachar. Ele reunia os secretários quando achava que tinha que reunir. Eu não tenho limite para as pessoas que estão do meu lado. Eu tenho pessoas para me ajudar a governar”, afirmou.

Allyson garantiu que pretende reproduzir essa relação com Hermano e permitir que o vice tenha participação efetiva na administração.

“Hermano, você vai ter a oportunidade, assim como Marcos, que hoje é prefeito da minha cidade, de implementar o seu tipo de gestão, a sua marca de gestão”, declarou.

Diálogo e articulação política
Em outro momento do discurso, Allyson rebateu críticas que, segundo ele, recebeu ao longo de sua trajetória sobre uma suposta dificuldade de articulação com a classe política. A composição apresentada na convenção reúne lideranças e partidos de diferentes origens políticas.

“Diziam que eu não sabia conversar com os políticos, que eu não tinha habilidade, que eu não sabia sentar na mesa, que eu não sabia dialogar, que eu não sabia conversar e articular”, relembrou.

O candidato afirmou que o diálogo fará parte de sua atuação, mas disse que as negociações terão como limite aquilo que considera ser o interesse do Estado. “Eu sei conversar, eu sei dialogar, eu sei sentar na mesa e dizer quais são os interesses do Rio Grande do Norte. O que eu não sei é baixar a cabeça”, afirmou.

Allyson também recorreu à própria origem para defender uma gestão direcionada à população mais vulnerável. “Governarei esse Estado olhando para as pessoas mais simples que estão precisando de forma urgente e levando o desenvolvimento para o interior”, declarou.

Na economia, afirmou que pretende reduzir entraves para quem empreende. “A política econômica que eu defendo é a política econômica da liberdade”, disse.

Hermano defende gestão interiorizada
Oficializado como candidato a vice, Hermano Morais (MDB) reforçou a proposta de descentralização das ações estaduais. “Tenho muita honra de estar nesse projeto. Eu estou irmanado, pronto e preparado para ajudar a construir um futuro no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Ainda durante o discurso, Hermano fez um diagnóstico crítico das contas estaduais. “Nunca tivemos uma crise fiscal e financeira tão grande. Estado endividado, sem capacidade de investimento”, declarou.

Apesar das dificuldades apontadas, o candidato a vice defendeu que o RN reúne potencial econômico para ampliar seu desenvolvimento, citando petróleo, gás, mineração, energias renováveis, fruticultura e turismo. Para ele, o aproveitamento dessas atividades deverá alcançar também as diferentes regiões potiguares.

“O Estado é potencialmente rico, rico por natureza”, afirmou. Ao defender que investimentos e ações governamentais não fiquem concentrados na capital, resumiu uma das propostas da chapa: “Nossa gestão vai ser interiorizada”, garantiu.


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ROGÉRIO: “A MAIOR CONVENÇÃO QUE EU JÁ ASSISTI NO ESTADO. CHEIRO DE VITÓRIA”

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Principal liderança do PL no Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho projeta que o partido sairá das eleições de 2026 com as maiores bancadas potiguares na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Em entrevista ao Diário do RN durante a convenção do PL e partidos aliados, realizada neste domingo (26), no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte de Natal, ele demonstrou confiança na força das candidaturas proporcionais e no desempenho da chapa majoritária encabeçada por Álvaro Dias (PL).

Ao falar sobre a estrutura montada para a disputa, Rogério afirmou acreditar na ampliação da representação do partido nos Legislativos estadual e federal.

“Eu tenho certeza que faremos aqui, com o PL, a maior bancada na Câmara Federal, a maior bancada na Assembleia Legislativa”, projetou.

O otimismo também se estende à chapa majoritária. “Vamos reeleger Styvenson Valentim, o Coronel Hélio; vamos eleger o nosso presidente Flávio Bolsonaro e, principalmente, o nosso governador Álvaro Dias e Babá”, declarou.

Para o senador, a convenção representou a largada de uma campanha que buscará aproximação com eleitores e lideranças em todas as regiões do Estado. “É o ponto de partida, o início de um processo que já mostra o entusiasmo da população”, afirmou.

“Cheiro de vitória”
Com quase quatro décadas de atuação na vida pública, Rogério classificou o encontro como o maior ato partidário do tipo que já acompanhou no Rio Grande do Norte.

“Eu tenho quase 40 anos de vida pública. Essa é, sem dúvida, a maior convenção partidária que eu já assisti aqui no Estado”, declarou.

Na avaliação do senador, a presença de caravanas e lideranças de diferentes municípios demonstrou a mobilização alcançada pelo grupo. “Pessoal energizado, muita alegria, muita participação. Parabéns aos que vieram de todo o estado do Rio Grande do Norte. É cheiro de vitória”, afirmou.

Rogério disse ainda que a campanha buscará ampliar o contato com a sociedade. “Vamos seguir com essa campanha, nos conectar com toda a sociedade, com as lideranças, com o povo potiguar”, declarou.

Paulinho Freire destaca legado de Álvaro Dias em Natal

Também em entrevista ao Diário do RN, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), classificou a convenção como o início de uma mudança política no Estado e destacou a formação do grupo em torno de Álvaro.

“É um momento muito importante, é o primeiro passo para a verdadeira mudança do Rio Grande do Norte. Formamos um time de parlamentares, de pessoas comprometidas com essa mudança”, afirmou.

Paulinho antecipou ainda a estratégia que pretende adotar a partir do início oficial da campanha, em 16 de agosto. Segundo ele, o grupo levará às ruas realizações de Álvaro quando prefeito de Natal e ações de sua própria administração para defender a candidatura ao Governo.

“Vamos começar dia 16, que é o primeiro dia de campanha, vamos botar o nosso bloco na rua, mostrando o que Álvaro já fez em Natal, mostrando o que eu estou fazendo e mostrando à população a importância de se ter um governador que foi prefeito, que conhece os problemas de Natal e eu tenho certeza que irá ajudar Natal”, declarou.

O prefeito também definiu os nomes que apoiará nas eleições: Álvaro Dias para o Governo, Coronel Hélio e Styvenson Valentim para o Senado, além de Nina Souza e Ériko Jácome nas disputas proporcionais para Câmara Federal e Assembleia, respectivamente.


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“VAMOS FAZER UMA CAMPANHA DE PÉ NO CHÃO, SEM ENGANAR NINGUÉM”

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Candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT) afirmou que pretende conduzir uma campanha de “pé no chão”, baseada no diálogo direto com a população e na defesa de sua trajetória na administração pública. Em entrevista ao Diário do RN, durante a convenção que homologou as candidaturas do chamado “Time de Lula”, no último sábado (25), no Ginásio do DED, em Candelária, Zona Sul de Natal, o petista demonstrou otimismo com o início da disputa e disse chegar à campanha impulsionado pela mobilização da militância.

“Meu coração está cheio de esperança, alimentado pela energia dessa militância. A gente vai fazer uma campanha de pé no chão, uma campanha falando a verdade para o povo, sem querer enganar ninguém, sem querer fingir que a gente acredita em pautas, como tem gente fazendo por aí”, afirmou.

Na avaliação de Cadu, o eleitor saberá identificar, ao longo da campanha, as diferenças entre os projetos apresentados e a postura de cada candidato. “O povo não é bobo. O povo sabe quem tem compromisso com o povo e quem é personagem para enganar a vida das pessoas pensando só em si próprio”, disse.

Cadu também colocou sua trajetória política e administrativa como um dos argumentos que pretende apresentar ao eleitorado. Ao ser questionado sobre as críticas que tem feito aos adversários e sobre sua própria reputação, destacou o cuidado com os recursos públicos e afirmou que não pretende transformar a política em instrumento de interesses particulares.

“É minha história. É o compromisso, o zelo com recurso público, de governar para o povo, de não fazer política para mim, para minha família, para os meus amigos”, declarou.

O candidato associou esse perfil à trajetória da governadora Fátima Bezerra (PT), de quem foi secretário da Fazenda e um dos principais auxiliares durante a atual gestão.

“É uma história muito parecida com a história de Fátima, uma mulher que está há 40 anos na vida pública e sempre manteve os pés no chão”, acrescentou.

Fátima reforça palanque de Cadu

Convenção do último sábado homologou Cadu de Lula e Larissa Rosado para o Governo do RN – Foto: Reprodução

Durante a convenção, Fátima Bezerra buscou delimitar o campo governista na eleição estadual e associá-lo diretamente à candidatura do presidente Lula. A governadora citou Cadu Xavier, Larissa Rosado (PSB), Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) como os representantes do grupo petista no Estado.

“Eu quero dizer aqui para vocês que o palanque de Lula, aqui no Rio Grande do Norte, é o palanque liderado por Cadu Xavier, por Larissa, por Samanda e por Rafael, palanque que tem compromisso para o Rio Grande do Norte e o Brasil não retroceder”, afirmou.

Fátima também colocou a defesa da democracia e a continuidade de políticas de perfil popular no centro do discurso eleitoral. “O que está em jogo aqui é muito claro: em primeiro lugar, é a consolidação da democracia, garantir os projetos com perfil popular e democrático, para que o Rio Grande do Norte não sofra retrocesso”, declarou.

A governadora ainda destacou a escolha de Larissa Rosado para vice, ressaltando que, entre as principais candidaturas ao Governo, a chapa de Cadu é a única que apresenta uma mulher nessa posição.

“A Larissa é uma figura extraordinária. Ela traz a força da mulher, traz o protagonismo das mulheres. É a única chapa que tem a presença de uma mulher na chapa majoritária para o Executivo”, disse.

Para Fátima, a composição representa uma demonstração prática do compromisso do grupo com a participação feminina. “Não é só com discurso, é na prática. É trazendo uma mulher que foi deputada estadual, foi vereadora, que tem uma trajetória de lutas e compromissos com o Rio Grande do Norte”, concluiu.

“O palanque de Lula, aqui no Rio Grande do Norte, é o palanque liderado por Cadu Xavier, por Larissa, por Samanda e por Rafael, palanque que tem compromisso para o Rio Grande do Norte e o Brasil não retroceder”

Fátima Bezerra
Governadora


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QUASE METADE DOS HOMENS COM MENOS DE 50 ANOS DESCOBRE CÂNCER JÁ COM METÁSTASE

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Quase metade dos homens com menos de 50 anos diagnosticados com câncer de próstata já recebe a notícia quando a doença se espalhou para outros órgãos, reduzindo as chances de cura e exigindo tratamentos mais complexos. O dado é de um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), baseado no Painel Oncologia do DataSUS. Entre 2024 e 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 9.352 diagnósticos da doença em homens com menos de 60 anos, sendo 940 em pacientes abaixo dos 50 anos.

Segundo a cirurgiã oncológica e diretora da vice-presidência da SBCO, Viviane Rezende de Oliveira, os números revelam um problema estrutural no diagnóstico da doença no país.

“Quando a gente fala que quase metade dos jovens brasileiros apresenta doença metastática ao diagnóstico, isso revela nada mais do que uma falha crítica no diagnóstico precoce”, explicou.

A especialista atribui esse cenário às barreiras de acesso ao sistema de saúde, às desigualdades socioeconômicas, à dificuldade de acesso aos serviços especializados e ao preconceito de muitos homens em procurar atendimento preventivo.

Outro fator apontado pela médica é que pacientes mais jovens costumam desenvolver formas mais agressivas da doença, reduzindo o tempo disponível para identificá-la ainda em fase inicial. “Ao contrário do paciente idoso, que geralmente apresenta um crescimento mais lento do tumor, o paciente mais jovem pode ter uma janela mais curta para detecção antes do aparecimento dos sintomas”, comentou.

É preciso ficar atento aos sinais de alerta para qualquer sintoma – Foto: Reprodução

Segundo ela, quando alterações urinárias ou dores ósseas surgem, “frequentemente esse paciente já está com uma doença localmente avançada ou metastática”, argumentou.

Viviane também ressalta que a percepção de que o câncer de próstata é uma doença exclusiva da terceira idade contribui para o diagnóstico tardio.

“Essa é uma percepção real e termina contribuindo significativamente para o diagnóstico tardio em homens mais jovens”, afirmou.

A SBCO lembra também que, além da idade, histórico familiar, obesidade e raça negra aumentam o risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Homens com pai ou irmão diagnosticados com a doença, especialmente antes dos 60 anos, apresentam maior probabilidade de desenvolver o tumor e devem discutir com o médico quando iniciar o acompanhamento.

No que diz respeito ao tratamento, quando o câncer permanece restrito à próstata, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia ou, em casos selecionados, vigilância ativa, estratégia indicada para tumores de baixo risco e crescimento lento. Já nos casos em que a doença é diagnosticada após atingir outros órgãos, a estratégia passa a priorizar o controle do tumor e a preservação da qualidade de vida, utilizando recursos como hormonioterapia, radioterapia, cirurgia em indicações específicas e outras terapias sistêmicas.

A entidade também reforça que a prevenção vai além dos exames. Não fumar, praticar atividade física regularmente, manter o peso adequado e adotar uma alimentação equilibrada ajudam a reduzir o risco de diversos tipos de câncer.


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ESPECIALISTA APONTA AS CONSEQUÊNCIAS LEGAIS DO CASO DE RACISMO EM MOSSORÓ

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A professora da rede estadual afastada após a divulgação de falas racistas durante uma aula em uma escola de Mossoró poderá responder nas esferas penal, administrativa e cível, além de correr o risco de perder o cargo público. A avaliação é do advogado criminalista e professor Emmanoel Lundberg, que afirma que, diante do conteúdo das declarações registradas em vídeo, o caso pode ser enquadrado como crime de racismo, considerado pela Constituição Federal inafiançável e imprescritível.

Segundo o especialista, a responsabilização da servidora não se limita ao processo administrativo instaurado pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC).

“A legislação brasileira prevê uma responsabilização rigorosa e multifacetada para atos dessa natureza, atuando simultaneamente nas esferas penal, administrativa e cível. A conduta relatada transcende a ofensa individual e se enquadra no crime de racismo, pois atinge a dignidade de toda uma coletividade”, explica Lundberg.

O advogado destaca que, na esfera criminal, o caso independe da manifestação das vítimas para seguir adiante.

“O racismo é um crime de ação penal pública incondicionada. Cabe ao Ministério Público promover a persecução penal caso existam elementos suficientes para a denúncia”, afirma.

O caso
A análise jurídica ocorre após a repercussão de um vídeo gravado na última terça-feira (21), durante uma aula da Escola Estadual Gilberto Rola, localizada no Assentamento Maísa, na Zona Rural de Mossoró.

Nas imagens, a professora relata aos alunos uma conversa com o marido sobre uma possível adoção.

Segundo ela, ele teria sugerido adotar “um pretinho, bem pretinho”. Em seguida, afirma que rejeitou a ideia. “Eu disse assim: se você chegar, eu boto na vizinha.”

Ainda durante a conversa, a docente afirma que nunca namorou nem sentiu atração por pessoas negras.

As declarações provocam reação imediata dos estudantes. Uma aluna chega a dizer que a professora “tem cara de racista”. Outro aluno questiona se a diferença estaria apenas na cor da pele.

Em resposta, a docente afirma: “É uma coisa minha, eu não consigo enxergar só a cor.”

O vídeo passou a circular nas redes sociais e gerou ampla repercussão.

Após tomar conhecimento do caso, a Secretaria de Estado da Educação informou que instaurou uma sindicância para apurar os fatos e determinou o afastamento preventivo da professora.

Em nota, a pasta afirmou que não compactua com qualquer forma de discriminação ou racismo e que adotará as medidas cabíveis conforme o resultado das investigações.

Para Emmanoel Lundberg, o afastamento é uma providência prevista na legislação administrativa.

“O afastamento preventivo resguarda tanto a investigação quanto o ambiente escolar. Durante o Processo Administrativo Disciplinar são assegurados o contraditório e a ampla defesa, mas a gravidade da conduta pode justificar a aplicação da pena de demissão.”

Perda do cargo pode ocorrer nas esferas administrativa e criminal
Segundo o advogado, caso fique comprovada a prática discriminatória, a professora poderá perder o cargo público tanto por decisão administrativa quanto por eventual condenação criminal.

“A jurisprudência tem sido firme em reconhecer que manifestações discriminatórias praticadas por servidores públicos violam deveres de moralidade e urbanidade, podendo ensejar demissão.”

Na esfera penal, acrescenta, uma eventual sentença condenatória também pode produzir o efeito da perda definitiva do cargo.

Além das consequências para a servidora, o Estado do Rio Grande do Norte poderá responder judicialmente pelos danos causados, uma vez que a professora atuava como agente pública durante o episódio.

Segundo Lundberg, isso pode ocorrer por meio de uma Ação Civil Pública para reparação por danos morais coletivos.

Caso haja condenação do Estado ao pagamento de indenização, a legislação prevê a possibilidade de ação regressiva para cobrar da própria servidora os valores pagos, desde que fique comprovado o dolo da conduta.

Embora o caso tenha repercutido nacionalmente, o advogado esclarece que uma eventual prisão não ocorre de forma automática.

Como o episódio já aconteceu, não há hipótese de prisão em flagrante. Já uma prisão preventiva somente poderia ser decretada em situações excepcionais, como ameaça a testemunhas ou risco concreto às investigações.

A hipótese mais provável, explica Lundberg, seria a chamada prisão-pena, após uma condenação definitiva.

O crime de racismo prevê pena de um a três anos de reclusão, além de multa. No entanto, por ser inferior a quatro anos, a legislação permite, em determinadas situações, a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos, decisão que dependerá da análise do Judiciário sobre a gravidade da conduta e seus impactos.


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CADU: ALLYSON DESTRUIU TRANSPORTE EM MOSSORÓ E QUER ENGANAR EM NATAL

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O pré-candidato ao Governo do Estado Cadu Xavier (PT) repercutiu, nesta quinta-feira (23), reportagem do Diário do RN que revelou que Mossoró recebeu nota zero em transparência sobre emendas parlamentares em auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN). Adversário de Allyson Bezerra (União Brasil) na disputa estadual, o petista usou o resultado para ampliar as críticas ao ex-prefeito e confrontar seu discurso sobre transporte público durante passagem pela Zona Norte de Natal.

“Allyson Bezerra, nota zero em transparência pública dado pelo Tribunal de Contas do Estado. O pré-candidato que a Polícia Federal bateu na porta dele veio à Zona Norte de Natal tentar enganar o povo, coisa que ele faz o dia todo, o tempo todo, falando sobre transporte público”, disparou Cadu, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Na sequência, o petista direcionou as críticas à mobilidade urbana. Cadu defendeu melhorias para o setor em parceria com o Governo Federal, mas confrontou as declarações do adversário com a situação do transporte público em Mossoró.

“Nós precisamos, sim, junto do presidente Lula, melhorar a mobilidade urbana, principalmente na Região Metropolitana de Natal. Mas você precisa dizer para o povo da Zona Norte, para o povo do Rio Grande do Norte, que você acabou com o transporte público em Mossoró”, afirmou.

Cadu reforçou a crítica ao afirmar que o problema permanece na cidade administrada por Allyson durante seis anos. “Mossoró hoje não tem transporte público”, declarou.

Em seguida, voltou a confrontar o discurso apresentado pelo adversário na capital. “Vir falar de transporte público aqui em Natal, você precisa dizer que Mossoró, a cidade que você administrou por seis anos, não tem transporte público”, acrescentou.

O pré-candidato petista também ampliou as críticas ao mencionar a candidatura da esposa de Allyson, Cinthia Pinheiro (União Brasil), a deputada estadual, a eleição do primo do ex-prefeito, Marcos Medeiros (Republicanos), para sucedê-lo em Mossoró, e a homenagem à avó em uma unidade de saúde municipal.

“Você, que do mesmo jeito que o senador Styvenson Valentim quer botar a irmã como suplente, você que quer sua esposa deputada estadual, que colocou o seu primo para ser prefeito de Mossoró, que colocou o nome da sua avó numa clínica, precisa dizer a verdade para o povo”, afirmou.

Ao encerrar a manifestação, Cadu reforçou o discurso de que pretende confrontar, durante a campanha estadual, a imagem construída por Allyson a partir da administração de Mossoró. “O Rio Grande do Norte vai conhecer a Mossoró de verdade”, concluiu.

Nota zero em trans-parência
A manifestação ocorreu após o Diário do RN revelar que Mossoró recebeu índice de conformidade de 0% em auditoria da Secretaria de Controle Externo do TCE-RN sobre a transparência das emendas parlamentares.

Concluído em 15 de janeiro de 2026, o relatório avaliou os portais das 167 prefeituras potiguares e do Governo do Estado. Mossoró não atendeu nenhum dos 16 critérios estabelecidos para transparência e rastreabilidade dos recursos provenientes de emendas.

Entre as exigências estavam informações como identificação do parlamentar autor da emenda, partido, número e valor do recurso, objeto financiado, órgão responsável pela execução e cronograma físico-financeiro.

Nenhuma prefeitura alcançou conformidade integral. Ainda assim, municípios como Ipueira e São Francisco do Oeste cumpriram 56,2% dos critérios avaliados, enquanto Mossoró permaneceu com índice zero.

A auditoria foi concluída quando Allyson ainda exercia o cargo de prefeito. Ele deixou a administração no fim de março de 2026 para disputar o Governo do Estado. O resultado do TCE passa agora a integrar o embate eleitoral, com Cadu utilizando o diagnóstico do órgão de controle para questionar a gestão de Mossoró apresentada pelo adversário como uma das vitrines de seu projeto estadual.


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CONVENÇÕES OFICIALIZAM CHAPAS AO GOVERNO DO RN NESTE FIM DE SEMANA

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O fim de semana será marcado pela oficialização das principais chapas que disputarão as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. Entre sábado (25) e domingo (26), convenções partidárias irão homologar candidatos ao Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, consolidando alianças e preparando os grupos para o início efetivo da campanha eleitoral.

As convenções representam uma etapa obrigatória do calendário eleitoral. É nesse momento que partidos e federações formalizam as candidaturas escolhidas, definem coligações para a disputa majoritária e aprovam as nominatas proporcionais. Após essa etapa, as legendas terão até 15 de agosto para apresentar à Justiça Eleitoral os pedidos de registro dos candidatos que disputarão as eleições de 2026.

No Rio Grande do Norte, quatro atos concentram as atenções neste fim de semana, reunindo os grupos liderados por Cadu Xavier (PT), Álvaro Dias (PL), Allyson Bezerra (União Brasil) e Robério Paulino (PSOL).

Cadu reúne partidos no sábado
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, realiza sua convenção neste sábado (25), a partir das 9h, no Ginásio do DED, em Natal. O ato oficializará Cadu Xavier como candidato ao Governo do Estado.

A convenção também contará com a participação do PSB e do PDT, partidos que integram a aliança em torno da candidatura petista. O PDT homologará o nome de Rafael Motta para a disputa pelo Senado, enquanto o PT oficializará Samanda Alves para a segunda vaga e o PSB, Larissa Rosado como vice. O encontro também deverá formalizar as candidaturas proporcionais dos partidos que compõem o grupo.

Álvaro oficializa chapa no Nélio Dias
No domingo (26), será a vez do grupo liderado por Álvaro Dias (PL). A convenção está marcada para as 9h, no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte de Natal, e oficializará a candidatura do ex-prefeito ao Governo do Estado, tendo Babá Pereira (PL) como vice.

O ato também homologará as candidaturas de Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL) às duas vagas em disputa para o Senado, além das nominatas para deputado estadual e federal. A convenção deverá reunir as principais lideranças e aliados que passaram a integrar o projeto político do ex-prefeito de Natal.

Allyson reúne coligação de oito partidos
Também no domingo, o grupo do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) realizará sua convenção festiva. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já cumpriu a etapa cartorial na última segunda-feira (20), quando formalizou a candidatura de Allyson e a coligação “Esperança e Trabalho”, que terá Zenaide Maia (PSD) e Tércio Tinôco (União Brasil) como candidatos às duas vagas ao Senado, além das nominatas para estadual e federal.

Oito partidos integram a aliança. Além de União Brasil e PP, participam Avante, Republicanos, Federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD, PSD e MDB.

A ata já registrada e publicada no Tribunal Superior Eleitoral formaliza a composição. Antes do ato do domingo, o MDB realiza sua convenção nesta sexta-feira (24), a partir das 9h, para a oficialização do deputado estadual Hermano Morais como candidato a vice-governador.

PSOL oficializa Robério Paulino
A quarta convenção será realizada pelo PSOL, também no domingo (26), a partir das 10h, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

O partido oficializará Robério Paulino para a disputa pelo Governo do Estado. Para o Senado, a chapa terá Sandro Pimentel e Sônia Godeiro.


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LEI MUNICIPAL RECONHECE E FORTALECE TRADIÇÃO DAS RENDEIRAS DE PONTA NEGRA

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“Foi um nó na garganta que finalmente se desfez em alívio e alegria.” É assim que a coordenadora da Associação Rendeiras da Vila de Ponta Negra, Maria Marhé, define o momento em que recebeu a notícia de que as rendeiras de bilro haviam sido reconhecidas oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Natal. Para ela, a conquista representa mais do que uma lei: simboliza a valorização de gerações de mulheres que fizeram da renda de bilro um dos maiores patrimônios culturais do Rio Grande do Norte.

“Este momento do reconhecimento das Rendeiras da Vila e do Ponto de Memória como Patrimônio Vivo Cultural Imaterial representa a coroação de uma caminhada coletiva, mas também a validação de cada gota de suor, de cada projeto escrito à mão e de cada conversa travada para proteger os nossos saberes ancestrais. Ao saber do reconhecimento foi um nó na garganta que finalmente se desfez em alívio e alegria”, afirmou.

Segundo Maria Marhé, a sanção da lei representa a confirmação de que a tradição da renda de bilro permanece viva graças às mulheres que, durante séculos, transformaram conhecimento, trabalho e resistência em identidade cultural.

“Esse reconhecimento é ver o tempo se curvar diante da força de mulheres que, durante séculos, sustentaram famílias e mantiveram viva uma identidade com o bater dos bilros. Como articuladora da cultura popular de tradição, a sensação foi de dever cumprido na salvaguarda; como eterna rendeira aprendiz, senti minhas mãos tremerem. Não é apenas um título burocrático: é a validação de que a nossa memória popular é sagrada, viva e inegociável”, disse.

O reconhecimento foi oficializado por meio de lei sancionada pelo prefeito Paulinho Freire, que declara patrimônio cultural imaterial as Rendeiras de Bilros da Vila de Ponta Negra, grupo responsável pela preservação de uma das mais tradicionais manifestações artesanais da capital potiguar.

A legislação também reconhece o Memorial das Rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, nº 484, como espaço cultural destinado à preservação da memória da atividade. O texto ainda prevê a inclusão do local no roteiro turístico oficial de Natal e determina que o Município realize os registros necessários para formalizar o reconhecimento patrimonial.

Para Maria Marhé, o reconhecimento também representa uma mudança na forma como a Vila de Ponta Negra passa a ser vista, valorizando um território muitas vezes associado apenas ao turismo ou aos problemas urbanos.

“Para as rendeiras e para a comunidade da Vila representa dignidade e visibilidade. A Vila de Ponta Negra, tantas vezes olhada apenas sob a ótica da violência, da especulação imobiliária e do turismo comercial, afirma-se agora como o coração pulsante da cultura tradicional da nossa cidade. Para as mestras rendeiras, é a certeza de que elas não são ‘passado’, mas o próprio presente e futuro da nossa identidade. Para a comunidade, o reconhecimento fortalece o sentimento de pertencimento, mostrando para os nossos jovens que o território onde pisam é solo sagrado de patrimônio, arte e sabedoria popular”, explicou.

Na avaliação da coordenadora, a conquista chega justamente quando a tradição enfrentava um dos momentos mais delicados de sua história, diante do envelhecimento das mestras e do risco de desaparecimento do ofício.

“Estávamos correndo contra o tempo diante do envelhecimento das nossas mestras e do risco real de silenciamento dos bilros. O reconhecimento chega como um escudo e uma ferramenta de luta. Ele nos dá fôlego institucional e respaldo para exigir políticas públicas permanentes de salvaguarda, garantindo que o saber não se perca com o tempo, mas ganhe novos espaços e incentivos para continuar florescendo”, ressaltou.

Ela acredita que o título também amplia o reconhecimento econômico e cultural do trabalho desenvolvido pelas artesãs.

“A renda de bilro deixa de ser vista como um mero artesanato de lembrancinha e passa a ser reconhecida como alta arte têxtil, patrimônio e design vivo. Isso agrega valor real ao produto das artesãs, gera sustentabilidade econômica justa e desperta a curiosidade de pesquisadores, estudantes, turistas e amantes do patrimônio que buscam experiências autênticas e históricas”, afirmou.

Trajetória construída entre os bilros
Dedicada à preservação da renda de bilro,, Maria Marhé conta que sua relação com a tradição nasceu da convivência diária com as mestras da Vila de Ponta Negra.

“A renda entrou na minha vida não apenas como uma técnica, mas como uma linguagem ancestral.

Minha relação com a arte de tradição e cultura popular se deu pelo encanto da observação e pela convivência afetuosa com as amigas mestras da Vila. Aprendi, e sigo aprendendo todos os dias, no ritmo do ‘fazer e refazer’, ouvindo as histórias entre o vai e vem dos bilros e observando o movimento ágil dos dedos de mulheres que transformaram a linha e o tempo em poesia. Sou uma eterna aprendiz diante da imensidão de saberes que cada mestra carrega”, recordou.

Ela afirma que sua atuação vai além da pesquisa e da gestão cultural, sendo resultado de uma construção coletiva.

Sua caminhada já soma 14 anos dedicados a essa causa. Maria gosta de dizer que não conta o tempo apenas em anos do calendário, mas no volume de afetos, de projetos conquistados, de encontros e ações promovidas para manter a almofada e os bilros vivos. “É uma entrega de vida com propósito”, concluiu.


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ARRAIÁ DA INCLUSÃO REÚNE CULTURA, LAZER E SERVIÇOS GRATUITOS NO BOSQUE DAS MANGUEIRAS

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A tradição das festas juninas também abre espaço para a inclusão. No dia 25 de julho, das 16h às 21h, o Bosque das Mangueiras recebe a terceira edição do Arraiá da Inclusão, evento gratuito voltado para toda a população, com atenção especial às pessoas com deficiência e às famílias atípicas.

A iniciativa integra as ações voltadas à inclusão e à convivência entre as famílias. A programação reúne atrações culturais, atividades recreativas e serviços gratuitos em um espaço preparado para atender públicos de diferentes idades.

A programação reúne atrações culturais e atividades recreativas – Foto: Reprodução

Diversos órgãos municipais participarão da programação. A Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Semtas) realizará a Feira de Artesanato Inclusiva. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), por meio do projeto Planta Natal, fará a distribuição de mudas. A Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação (Sepae), em parceria com a JET, disponibilizará patinetes, enquanto a Funcarte será responsável pela estrutura e pelas atrações musicais do evento.

Também serão oferecidos serviços como emissão do Cartão de Estacionamento para Pessoas com Deficiência, (STTU), da Carteira da Pessoa com Deficiência (PCD), através da SEL, e da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), pela SEMIDH, além de cadastro de currículos para pessoas em busca de oportunidades no mercado de trabalho.

Para o prefeito Paulinho Freire, a iniciativa demonstra que é possível promover eventos públicos com lazer, cultura e acesso aos serviços para todos. “O Arraiá da Inclusão vai além da programação cultural.

É um momento de encontro entre as famílias, com atividades, serviços e um ambiente preparado para receber todas as pessoas.”

O vereador Daniel Santiago afirma que a proposta é ampliar a participação das pessoas com deficiência e das famílias atípicas em espaços de convivência e nas atividades culturais da cidade. “Queremos mostrar que a inclusão também faz parte da cultura, do entretenimento e dos espaços públicos, para que todos possam participar dessa celebração.”

A programação musical começa às 17h com apresentação da Banda Cítrika. Em seguida, a dupla Bisteca e Bochechinha sobe ao palco com repertório de forró. O público também poderá participar de atividades como brinquedos infláveis, feira de empreendedorismo, praça de alimentação, adoção de animais, distribuição de mudas, sala sensorial, brincadeiras, pintura infantil e outras ações gratuitas. O evento conta com o apoio do Instituto Le Blue, ABA Clinic, APAZN, JET, IWOF e Universidade Potiguar (UnP


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STYVENSON TRAI O DISCURSO E CONFIRMA A PRÓPRIA IRMÃ COMO SUA SUPLENTE

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O senador Styvenson Valentim (Podemos) confirmou a própria irmã, Anny Kelly Valentim, como primeira suplente na chapa com a qual disputará a reeleição ao Senado. A confirmação foi feita nesta quarta-feira (22), em entrevista ao Portal BNews, após semanas de especulações sobre a composição. Ao justificar a escolha familiar, o parlamentar apontou a confiança como fator determinante, argumento que contrasta com um episódio de 2020, quando criticou publicamente a irmã após descobrir que ela havia recebido o auxílio emergencial durante a pandemia.

“Uma já está certa. Demorei para convencer”, confirmou Styvenson. A segunda suplência, segundo ele, permanece indefinida e poderá ser ocupada por outra irmã, uma prima ou alguém que considere de confiança e com perfil adequado para acompanhá-lo.

Antecipando críticas pela escolha de um familiar, Styvenson argumentou que sua trajetória política não é marcada por acusações de corrupção, negociação de cargos ou irregularidades e afirmou estar preparado para responder aos questionamentos durante a campanha.

“Estou doido para começar os debates. Estão questionando meu caráter porque coloquei minha irmã porque não têm nada para dizer sobre dinheiro, sobre negociação de projeto ou qualquer irregularidade.

Como não encontram nada, tentam criar um problema onde não existe”, declarou.

Confiança pesou na escolha
A possibilidade de escolher a irmã já havia sido discutida por Styvenson em entrevista recente ao comunicador Bruno Giovanni, no Meio Dia RN, da 96 FM. Na ocasião, o senador afirmou que, em vez de definir um suplente apenas pela capacidade de agregar votos ou recursos à campanha, considerava fundamental ter alguém de confiança para assumir a cadeira em uma eventual ausência.

“Ninguém leva em consideração a confiabilidade de ter uma pessoa na cadeira que dê a tranquilidade de uma ausência de um senador”, afirmou.

Essa segurança também pode estar relacionada a projetos políticos futuros. Questionado sobre uma eventual candidatura ao Governo do Estado em 2030, Styvenson admitiu a possibilidade. “Pode ser, pode ser”, respondeu, lembrando que, em 2022, não teria se sentido seguro para disputar outro cargo por não confiar no suplente. A possibilidade é levantada mesmo com o senador integrando atualmente o grupo político do pré-candidato ao Governo Álvaro Dias (PL).

Ao tratar especificamente da irmã, reforçou o vínculo familiar como fator decisivo. “Minha irmã pode até me trair, mas é sangue do meu sangue, é dentro da minha casa. É mais fácil a gente confiar em quem conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda”, declarou.

Questionado também sobre a falta de experiência política de Anny, Styvenson relativizou esse aspecto e usou a própria trajetória como exemplo. “Se a gente for discutir competência, eu não tinha nenhuma em 2018, não tinha perfil político nenhum, e a competência foi se construindo. Nada melhor do que o modelo para ser seguido. É só dar continuidade ao que já foi feito”, argumentou.

Irmã já foi alvo de críticas

Em 2020, Anny Kelly foi exposta pelo próprio irmão por ter recebido auxílio emergencial na pandemia – Foto: Reprodução

A confiança destacada agora contrasta com um episódio ocorrido durante a pandemia. Em 2020, Styvenson criticou publicamente Anny Kelly após descobrir que ela havia recebido uma parcela de R$ 600 do auxílio emergencial.

Na época, a irmã estava desempregada e, como o próprio senador reconheceu, enquadrava-se nos critérios legais para receber o benefício. Styvenson, porém, considerou inadequado que ela recorresse ao auxílio por entender que poderia pedir ajuda financeira a ele.

O parlamentar descobriu o pagamento ao consultar o Portal da Transparência, no mesmo dia em que havia criticado nas redes sociais pessoas que, em sua avaliação, recebiam o benefício sem precisar. Anny explicou que estava desempregada, precisava do dinheiro e não queria recorrer ao irmão.

Mesmo reconhecendo que ela tinha direito ao benefício, Styvenson tornou o episódio público e defendeu a devolução dos R$ 600. O recurso foi posteriormente devolvido à União, conforme consta no Portal da Transparência.

Seis anos depois, Anny passa de alvo de uma repreensão pública do irmão a primeira suplente de sua candidatura à reeleição, escolhida justamente sob o argumento da confiança para assumir e dar continuidade ao mandato em uma eventual ausência.


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AUDITORIA DO TCE DÁ NOTA ZERO PARA ALLYSON BEZERRA EM TRANSPARÊNCIA

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O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, encerrou sua gestão com o Portal da Transparência da Prefeitura entre os piores do Estado na divulgação de informações sobre emendas parlamentares. Relatório técnico da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), elaborado pelos auditores de controle externo Alexandre Luiz Galvão Damasceno, Elke Andrea Silva e Thazia Cortez Teixeira de Carvalho e concluído em 15 de janeiro de 2026, atribuiu índice de conformidade de 0% ao município, que não atendeu nenhum dos 16 critérios estabelecidos pela Corte de Contas para avaliar a transparência das emendas parlamentares.

A auditoria foi realizada após o encerramento, em 31 de dezembro de 2025, do prazo concedido às prefeituras para adequação às exigências fixadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da ADPF nº 854, e pela Resolução nº 034/2025 do próprio TCE-RN. O levantamento analisou os portais eletrônicos das 167 prefeituras potiguares e do Governo do Estado para verificar se os gestores disponibilizavam informações suficientes para garantir transparência e rastreabilidade na aplicação dos recursos provenientes de emendas parlamentares.

Entre os itens avaliados estavam a existência de página específica sobre emendas, identificação do parlamentar autor do recurso, partido político, número da emenda, indicação da Lei Orçamentária, descrição do objeto financiado, valor destinado, órgão responsável pela execução, município beneficiado, cronograma físico-financeiro, instrumentos jurídicos vinculados e demais informações necessárias ao acompanhamento da aplicação dos recursos públicos. Segundo o relatório, Mossoró não atendeu nenhum desses requisitos, recebendo nota zero na avaliação.

A conclusão do Tribunal é ainda mais contundente. O TCE afirma que nenhuma das unidades jurisdicionadas avaliadas estava apta a cumprir integralmente os requisitos de transparência definidos pelo STF e pela Resolução nº 034/2025. O relatório ressalta que, no âmbito municipal, embora parte das prefeituras possuísse área específica para divulgação de emendas, a qualidade das informações disponibilizadas era, em regra, “precária e insuficiente”, com ausência generalizada de dados considerados essenciais, como cronograma físico-financeiro, identificação dos órgãos responsáveis pela execução e outras informações indispensáveis ao controle social.

O diagnóstico também revela que nenhuma prefeitura do Rio Grande do Norte atingiu conformidade total. Mesmo assim, municípios como Ipueira e São Francisco do Oeste alcançaram 56,2% dos critérios avaliados, enquanto Mossoró permaneceu sem cumprir qualquer exigência prevista pelo TCE-RN para esse tipo de transparência.

O Tribunal ainda alerta que, mantido o cenário de desconformidade, a execução orçamentária e financeira das emendas parlamentares permanece condicionada à emissão da Certidão de Regularidade prevista na Resolução nº 034/2025. O documento recomenda que os gestores promovam a imediata adequação dos portais institucionais, fortaleçam os mecanismos internos de governança e transparência e adverte que, persistindo as falhas, poderão ser realizadas fiscalizações específicas, inclusive com adoção de medidas cautelares, quando cabíveis.

À época da conclusão do relatório, Allyson Bezerra ainda exercia o cargo de prefeito de Mossoró, deixando a administração apenas no fim de março de 2026 para disputar o Governo do Estado. O levantamento do TCE passa a integrar o conjunto de documentos oficiais que retratam a situação do Portal da Transparência do município ao término de sua gestão, apontando deficiência total no cumprimento dos critérios de publicidade e rastreabilidade exigidos para a execução das emendas parlamentares.

A reportagem procurou o assessor do ex-prefeito Allyson Bezerra, Vonúvio Praxedes, para comentar as conclusões do relatório do Tribunal de Contas do Estado. Segundo ele, desconhecia o documento e, por esse motivo, não se manifestou sobre o seu conteúdo até o fechamento desta edição.

Governo Fátima lidera ranking de transparência do TCE

Enquanto muitas prefeituras potiguares não conseguiram atender integralmente às exigências do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) e do Supremo Tribunal Federal (STF), o Governo do Rio Grande do Norte apresentou o melhor desempenho na avaliação dos portais da transparência. O Estado alcançou índice de 73,33% de conformidade, atendendo a 11 dos 15 critérios analisados pela equipe técnica da Corte de Contas.

Segundo o relatório, o portal estadual disponibiliza ambiente específico para divulgação das emendas parlamentares estaduais e federais, permitindo maior rastreabilidade da aplicação dos recursos públicos. Ainda assim, o TCE identificou pontos que precisam ser aperfeiçoados, como a inclusão de cronograma físico-financeiro das ações, a vinculação das emendas aos respectivos atos normativos, a identificação da localidade beneficiada e a divulgação dos instrumentos jurídicos relacionados à execução dos recursos.

Na conclusão da auditoria, o Tribunal reconhece que nenhuma unidade fiscalizada alcançou conformidade plena, mas o desempenho do Governo do Estado ficou acima do registrado pelos municípios, cujos melhores índices não ultrapassaram 56,2%. O relatório recomenda a continuidade das adequações para que todas as exigências de transparência e rastreabilidade sejam integralmente atendidas.


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CADU XAVIER REÚNE 40 PREFEITOS E REFORÇA ARTICULAÇÃO PELA CANDIDATURA

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O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) reuniu cerca de 40 prefeitos e prefeitas de diferentes regiões do Estado, na segunda-feira (21), em jantar realizado em sua residência, em Natal. O encontro reforçou a articulação municipal em torno da chapa governista e reuniu ainda a governadora Fátima Bezerra (PT) e a pré-candidata a vice-governadora Larissa Rosado (PSB), às vésperas da convenção partidária marcada para sábado (25).

A presença dos gestores foi utilizada pelo grupo para demonstrar a capilaridade que a pré-candidatura busca construir pelo interior. Entre os participantes estavam Lula Soares, de Assú; Aize Bezerra, de João Câmara; Joazinho, de Itajá; Reginaldo Vitorino, de Jandaíra; César Móveis, de Martins; e Pedro Henrique, de Pedra Grande, além de prefeitos de outras regiões.

Ao receber os gestores, Cadu defendeu que uma eventual administração sob seu comando mantenha uma relação direta com as prefeituras, independentemente das demandas locais.

“No nosso governo vamos manter uma relação de diálogo, de abertura, de construção coletiva. É esse o meu compromisso com o nosso Estado e é esse o meu compromisso com os municípios”, afirmou.

Nas redes sociais, o petista também destacou a dimensão política do encontro e relacionou a mobilização ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Time de Lula segue unido para seguir com o Rio Grande do Norte no rumo certo. Muito feliz em abrir as portas da minha casa para receber mais de 40 prefeitos e prefeitas de todas as regiões do Estado, fortalecendo um projeto que tem lado: o lado de quem cuida das pessoas, amplia oportunidades e trabalha para transformar a vida do povo potiguar”, publicou.

O movimento reforça uma estratégia que já vinha sendo apontada pelo coordenador da campanha majoritária, Raimundo Alves. Em entrevista recente ao Diário do RN, ele destacou a receptividade de Cadu pelo interior e a capilaridade construída pela pré-candidatura.

“Cadu tem uma aceitação muito boa por onde passa e vem construindo uma capilaridade muito grande em todo o Rio Grande do Norte”, afirmou Raimundo, ao avaliar o avanço das articulações pelo Estado.

Larissa reforça parceria com municípios
Recém-confirmada como pré-candidata a vice-governadora, Larissa Rosado (PSB) também falou aos prefeitos e defendeu uma atuação integrada com Cadu e os gestores municipais.

“Eu venho para esse projeto, Cadu, não para dizer que vou ser uma vice diferente. Vou ser uma vice parceira, parceira de Cadu no que ele pensa para o Rio Grande do Norte, no que ele defende para o Rio Grande do Norte, e reforçar essa parceria com vocês”, afirmou.

A presença da ex-deputada na chapa acrescenta ao grupo uma liderança com atuação política especialmente na região Oeste e em Mossoró, principal base eleitoral do adversário Allyson Bezerra (União Brasil).

Durante o encontro, prefeitos de diferentes regiões também discursaram. A prefeita de João Câmara, Aize Bezerra, representante da região do Mato Grande potiguar, destacou o simbolismo de o encontro ocorrer na residência do pré-candidato.

“A casa da gente é um lugar sagrado e esse lugar sagrado a gente só chama para ele quando quer mesmo a pessoa perto, quando tem como um amigo, com consideração e respeito”, declarou.

Já o prefeito de Assú, Lula Soares, representando o Vale do Açú, destacou a parceria de seu município com a atual gestão estadual e defendeu sua continuidade com Cadu.

“Posso dizer aqui de muitas conquistas para o povo do nosso município e da nossa região que alcançamos a partir dessa parceria, que continuará quando a administração do Estado for passada para Cadu”, afirmou.

O encontro também serviu de mobilização para a convenção deste sábado (25), que deverá oficializar Cadu Xavier e Larissa Rosado na chapa governista, além de Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) para o Senado e os candidatos às disputas proporcionais.


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SÓ UM EM CADA TRÊS BRASILEIROS TIRA OS 30 DIAS DE FÉRIAS GARANTIDOS PELA CLT

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Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) assegure 30 dias de férias remuneradas aos trabalhadores com carteira assinada, apenas um em cada três brasileiros usufrui integralmente desse período de descanso. Os demais acabam reduzindo as férias, seja pela venda de parte dos dias, pelo fracionamento permitido pela legislação ou por dificuldades financeiras e exigências da rotina profissional.

Os dados são de um levantamento da plataforma global de recursos humanos Deel, que analisou mais de 1,5 milhão de registros de férias em 150 países, incluindo 993 solicitações feitas no Brasil. Segundo o estudo, os brasileiros utilizam, em média, apenas 22 dias de férias por ano, o equivalente a 72% do período a que têm direito.

Desde a Reforma Trabalhista de 2017, a legislação passou a permitir que as férias sejam divididas em até três períodos, desde que haja concordância entre empregado e empregador. Também é possível converter até um terço das férias em abono pecuniário, prática conhecida como “venda de férias”.

Para a consultora especializada em Direito do Trabalho e Previdenciário Karenina Dantas, cabe à empresa organizar o calendário de férias de forma a assegurar tanto o descanso do trabalhador quanto a continuidade das atividades.

“A empresa tem um papel fundamental na organização das férias, porque cabe a ela fazer esse planejamento de forma responsável, garantindo tanto o direito do trabalhador ao descanso quanto a continuidade das atividades da empresa. Recomendamos, sempre que possível, que esse planejamento seja feito com diálogo e antecedência, considerando também as necessidades e preferências do colaborador”, afirmou Karenina Dantas.

Segundo a especialista, além de definir o período de gozo dentro do prazo legal, o empregador também deve cumprir uma série de obrigações previstas na legislação.

“Além de definir o período de gozo dentro do prazo legal, a empresa deve comunicar as férias com antecedência mínima de 30 dias, efetuar o pagamento da remuneração das férias e do adicional de um terço até dois dias antes do início do descanso e respeitar as regras sobre fracionamento e início do período de férias”, explicou.

Karenina destaca ainda que o trabalhador deve conhecer os próprios direitos.

“A legislação prevê possibilidades de fracionamento e também a conversão de até um terço das férias em abono pecuniário. Essas opções foram pensadas para dar mais flexibilidade às relações de trabalho e podem ser vantajosas, desde que atendam aos requisitos legais”, pontuou.

Segundo ela, o descanso anual continua sendo um direito fundamental para preservar a saúde física e mental do empregado.

“Mais importante do que pensar em ‘aceitar ou não’ menos de 30 dias é conhecer os direitos, entender as possibilidades previstas na legislação, garantir que qualquer decisão seja tomada dentro dos limites legais e sem imposição e que o empregado consiga ter o seu período de descanso”, ressaltou.

Férias são uma necessidade para preservar a saúde mental e a capacidade produtiva dos trabalhadores
A experiência de um estudante universitário de 27 anos, que terá a identidade preservada por se tratar de questões trabalhistas, ilustra os efeitos da redução do período de descanso. Após permanecer cerca de um ano e meio sem férias, ele vendeu dez dias para a empresa onde trabalhava e hoje afirma que se arrepende da decisão.

“Fiz a venda de dez dias, mas acabou fazendo falta. Quando voltei, percebi que teria de esperar outro ciclo inteiro para conseguir férias novamente. Hoje acredito que o melhor é tirar o período completo e me organizar financeiramente antes”, relatou.

Segundo ele, o pouco tempo de descanso teve reflexos diretos na saúde mental.

“Prejudicou com o estresse e a ansiedade, devido ao pouco tempo para descansar física e mentalmente.

Depois de alguns dias de trabalho, o cansaço voltou muito rápido”, contou.

Além da queda na produtividade e do déficit de atenção, o estudante afirma que vivia um momento de insatisfação profissional por atuar fora de sua área de formação, o que aumentava a sensação de frustração.

“Cheguei a procurar outras oportunidades e tentei fazer um acordo para ser desligado. Hoje vou trabalhar na área que gosto e acredito que isso vai me proporcionar mais qualidade de vida e perspectivas de crescimento”, comentou.

Atualmente, ele iniciou acompanhamento psicológico e diz perceber mudanças importantes na rotina.

“Faço acompanhamento hoje e isso mudou muito minha qualidade de vida”, acrescentou.

O psicólogo Renato Rosa afirma que as férias devem ser encaradas como uma necessidade para preservar a saúde mental e manter a capacidade produtiva dos trabalhadores.

“As férias são muito mais do que um direito trabalhista. Nosso cérebro não foi desenvolvido para permanecer por longos períodos em estado constante de pressão e produtividade. Ele precisa de pausas para recuperar funções importantes como atenção, memória, criatividade e capacidade de tomar decisões”, afirmou.

Segundo ele, períodos prolongados sem descanso aumentam o risco de ansiedade, alterações do sono, irritabilidade, depressão, síndrome de burnout, dentre outros.

“O descanso faz parte da produtividade. Profissionais que conseguem se recuperar física e emocionalmente retornam ao trabalho mais concentrados, criativos e preparados para lidar com os desafios”, explicou.

Renato destaca ainda um fenômeno observado com frequência nos consultórios: trabalhadores que pedem demissão pouco tempo após retornarem das férias.

“Durante a rotina intensa, muitas pessoas entram no piloto automático. Nas férias, conseguem refletir sobre a própria vida e percebem que o problema não era apenas o cansaço, mas, muitas vezes, um ambiente de trabalho adoecedor, com sobrecarga, conflitos, falta de reconhecimento ou pouco suporte”, avaliou.

Para o psicólogo, as empresas também têm responsabilidade na promoção do bem-estar dos colaboradores, especialmente após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir maior atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

“Mais do que garantir as férias previstas em lei, é preciso construir uma cultura que valorize o descanso, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a saúde mental. Isso reduz afastamentos, melhora o clima organizacional e aumenta a produtividade de forma sustentável”, defendeu.

Ele conclui reforçando que o descanso não deve ser encarado como perda de tempo.

“Férias não são um privilégio. São um investimento na saúde mental, na qualidade de vida e na capacidade de continuar produzindo com equilíbrio e qualidade”, pontuou.

Venda integral das férias é proibida: “descanso não é uma benevolência”

Advogado Tulio Chaves explica as regras para venda de férias obedecendo a legislação trabalhista – Foto: Reprodução

O advogado especialista em Direito do Trabalho Túlio Chaves explica que a legislação brasileira não permite que o trabalhador venda todo o período de férias.

“A lei não permite venda das férias na sua totalidade. O que existe é o abono pecuniário previsto na CLT, que permite ao trabalhador vender apenas dez dos 30 dias de férias, sendo obrigatório usufruir dos outros 20 dias”, explicou.

Segundo ele, empresas que pressionam funcionários a abrir mão do descanso integral, além de descumprirem a legislação, contribuem para o agravamento dos problemas de saúde mental.

“Se existe alguma empresa que força a venda dos 30 dias, ela além de estar descumprindo a lei, também está colocando em risco a saúde do empregado, principalmente a saúde mental, tornando esse trabalhador mais suscetível a transtornos como burnout, ansiedade e depressão”, alertou.

Para Túlio Chaves, embora a empresa tenha o poder de organizar o calendário de férias, esse planejamento deve considerar o descanso como uma medida de saúde e segurança do trabalho.

“O descanso não é uma benevolência da empresa, mas uma medida de saúde e segurança no trabalho.

As férias fazem parte de um conjunto de ações para reduzir os riscos psicossociais no ambiente laboral e preservar a saúde mental dos trabalhadores”, argumentou.


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