AOS 17 ANOS, CUQUINHA TRANSFORMA LEITE DA FAMÍLIA EM NEGÓCIO PROMISSOR

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os 17 anos, enquanto muitos jovens ainda buscam definir os próximos passos da vida profissional, Cuquinha já administra uma marca própria e transforma o leite produzido no campo em uma variedade de produtos artesanais. Morador de Bom Jesus (RN), o jovem produtor rural criou a Laticínios Cuquinha e encontrou no beneficiamento do leite uma oportunidade para empreender sem deixar suas raízes.

A trajetória dele ganha uma nova vitrine ao longo da 64ª Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. O evento segue até o dia 17 de outubro e reúne produtores, criadores, empresas e instituições ligadas ao agronegócio, além de negócios, gastronomia, cultura e lazer.

A participação de Cuquinha acontece por meio da Associação dos Empreendedores do Leite do Rio Grande do Norte (Empreleite), que estará presente na feira com produtos artesanais potiguares, mostrando como a transformação do leite pode gerar mais renda para pequenos produtores e fortalecer a sucessão familiar no campo.

A história da Laticínios Cuquinha começou ainda na infância. Aos 12 anos, ele aprendeu a produzir queijo com Marinho de Sousa, da Fazenda Caju. O contato inicial despertou uma curiosidade que, anos depois, se transformaria em um projeto de vida.

“Através de Marinho, da Fazenda Caju, que me ensinou a fazer queijo quando eu tinha apenas 12 anos. Gostei de fazer e fui aprimorando, vendo que era mais lucrativo beneficiar o leite com esses produtos”, explicou.

A ligação com o campo foi determinante para a escolha profissional. Para Cuquinha, permanecer na zona rural representa uma oportunidade de construir uma trajetória ligada àquilo que sempre fez parte da sua vida.

“Primeiramente porque tenho amor ao campo e à vida rural. Decidi seguir esse caminho porque vi que é ali que eu me identifico, e assim vou trabalhando e empreendendo juntamente aos meus pais”, afirmou.

Do incentivo da família ao nascimento da marca
Antes de criar a própria empresa, o jovem começou compartilhando os produtos com amigos e familiares. A aprovação das pessoas próximas serviu como incentivo para transformar a produção em um negócio.

“Com o tempo, mandando meus produtos para os amigos e familiares provarem, recebi muito apoio e elogios que me incentivaram. Assim tomei a iniciativa de criar minha própria marca, e surgiu a Laticínios Cuquinha”, contou.

A produção tem como base o leite fornecido pela própria família. A mãe do jovem, Dafne Araújo, participa da cadeia produtiva, fornecendo a matéria-prima utilizada na fabricação dos produtos.

Atualmente, a marca compra cerca de 100 litros de leite por dia, mas o projeto é ampliar a produção e, no futuro, utilizar todo o leite produzido pela vacaria da família, que chega a aproximadamente 600 litros diariamente.

A Laticínios Cuquinha produz atualmente dez sabores de queijo artesanal, além de bebidas lácteas, iogurtes e doce de leite zero açúcar.

Entre as opções estão queijo coalho tradicional e versões com camarão, carne de sol, bacon, salame, calabresa, mortadela defumada, alho frito e orégano.

A linha de bebidas lácteas também ganhou espaço com sabores como morango, açaí com banana, salada de frutas, graviola, geleia de morango e geleia de ameixa.

Para o produtor, a experiência mostrou que transformar a matéria-prima é uma forma de valorizar o trabalho desenvolvido no campo.

“Aprendi que o leite em si não é valorizado como deveria ser. Empreender nisso será bem mais viável do que só produzir a matéria-prima”, disse.

Mesmo com a expansão da marca, Cuquinha afirma que a regularização do empreendimento ainda é um dos principais desafios.

“O maior desafio foi e é registrar minha marca. É um processo delicado, mas está dando certo”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o jovem acredita que o agronegócio oferece oportunidades para quem deseja construir uma carreira no campo.

“O agro é uma oportunidade para os jovens e eu sou a prova viva disso. Falta mostrar para essas pessoas que o agro é viável e tem várias possibilidades para se fazer dinheiro, mesmo sendo jovem. Basta ter coragem, responsabilidade, criatividade, resiliência e, o mais importante, fé que vai dar certo”, destacou.

O objetivo dele é ampliar o negócio e inspirar outros jovens a enxergarem possibilidades dentro da própria terra.

“Sonho em chegar a uma grande empresa e poder influenciar outros jovens e pessoas a acreditarem que o agronegócio dá certo. Basta querer e enfrentar os desafios”, afirmou.

A mensagem para quem pensa em deixar o campo é baseada na própria experiência.

“Sempre procurem inovar e se conectar com o campo, pois é um mundo de possibilidades. Não tenham medo do processo nem dos desafios. Não deixem para trás aquilo que herdaram. Eu tenho orgulho de ser do campo e quero que vocês também tenham”, concluiu.

Empreleite defende transformação do leite para fortalecer produtores

“Quando você transforma esse leite em queijo, você valoriza o seu produto” – Foto: Reprodução

A história de Cuquinha também representa um movimento defendido pela Empreleite: incentivar produtores rurais a transformar o leite em produtos com maior valor agregado.

Segundo o presidente da associação, Marinho de Sousa, a produção artesanal de derivados cria novas possibilidades econômicas para as propriedades rurais.

“A atividade de leite é uma atividade desacreditada. Temos problemas climáticos, dificuldade de mão de obra e, historicamente, é um produto em que quem indica o preço e as condições de pagamento é o comprador. Quando você transforma esse leite em queijo, você valoriza o seu produto, toda a sua cadeia, e consegue ter três, quatro, cinco vezes mais valor”, afirmou.

Para ele, a agregação de valor também é uma estratégia para estimular a permanência dos jovens no campo.

“Historicamente, temos poucos casos de sucessão familiar porque a atividade tem baixa rentabilidade. Quando você transforma esse leite em queijo e incentiva o produtor a dar mais um passo no empreendedorismo, a conta começa a fechar e ele passa a enxergar valor no que faz”, comentou.

A Empreleite reúne produtores artesanais do Rio Grande do Norte e atua na regularização, qualificação e divulgação dos produtos derivados do leite. A entidade participa da Festa do Boi, no Pavilhão 4, como uma forma de aproximar consumidores e produtores e apresentar a diversidade da produção potiguar.

“A Festa do Boi é a maior feira agropecuária do nosso estado e uma das maiores do Brasil. Nesse evento, apresentamos à sociedade o trabalho que a associação vem fazendo na valorização do produtor artesanal, mostrando que é possível, com uma pequena produção da agricultura familiar, agregar valor e viver bem da atividade”, ressaltou Marinho.

Durante os nove dias de evento, o público poderá conhecer produtos artesanais, acompanhar atividades ligadas ao agronegócio e observar como histórias como a de Cuquinha mostram novas possibilidades para quem escolhe permanecer no campo.


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SETOR IMOBILIÁRIO RETOMA CRESCIMENTO EM NATAL E AGUARDA CENÁRIO PÓS-ELEIÇÃO

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Depois de um longo período de baixo número de lançamentos, o mercado imobiliário de Natal voltou a crescer e encerra o terceiro trimestre de 2026 com indicadores positivos. O setor, entretanto, acompanha com atenção o cenário econômico que será consolidado após as eleições, já que fatores como taxa de juros, oferta de crédito e previsibilidade são considerados decisivos para manter o ritmo de expansão.

Dados da Brain Inteligência Estratégica, em levantamento encomendado pelo Sinduscon-RN e pelo Sebrae-RN, mostram que Natal comercializou 1.720 apartamentos verticais nos 12 meses encerrados em junho deste ano. O resultado representa crescimento de 78% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, foram lançadas 1.596 novas unidades, avanço de 34%. O Valor Geral de Vendas (VGV) também cresceu, passando de R$ 671 milhões para R$ 931 milhões, enquanto o preço médio do metro quadrado alcançou R$ 9.780, valorização de 17% em um ano.

Para o diretor da Emobi Imobiliária, Valdomiro Júnior, a recuperação é resultado da combinação entre demanda reprimida, novos empreendimentos e maior segurança jurídica proporcionada pela revisão do Plano Diretor.

“Vejo uma combinação de fatores: havia demanda represada, o mercado voltou a oferecer novos produtos e a revisão do Plano Diretor trouxe mais segurança para novos investimentos. Também pesa a procura de famílias que querem sair do aluguel ou melhorar de moradia”, afirmou.

Segundo ele, embora os indicadores apontem crescimento, o mercado ainda vive o início de um novo ciclo.

“Há sinais de que sim, mas eu diria que estamos no começo desse ciclo. Depois de um período com poucos lançamentos, voltamos a ver novos projetos e mais confiança. Para que essa expansão se sustente, precisamos de crédito acessível, previsibilidade e continuidade dos investimentos”, explicou.

Apesar da recuperação, o custo do financiamento imobiliário continua sendo apontado como o principal entrave para ampliar as vendas. Na avaliação do especialista, pequenas variações nas taxas de juros têm impacto direto sobre o orçamento das famílias.

“Porque a grande maioria das famílias depende de financiamento para comprar. A taxa de juros define o valor da parcela e, consequentemente, o quanto a pessoa consegue financiar. Uma variação pequena nos juros muda o tamanho do imóvel que cabe no orçamento. Por isso, mesmo com vontade de comprar, o custo do crédito muitas vezes é o que decide se a compra acontece agora ou fica para depois”, explicou.

Caso a trajetória de redução da Selic continue e seja refletida nas linhas de financiamento, a expectativa é de aumento da demanda.

“Se a queda da Selic continuar e chegar de fato às taxas de financiamento, a expectativa é de aumento nas vendas. Famílias que hoje estão esperando voltariam ao mercado, com a renda melhor enquadrada para conseguir uma linha de crédito maior e o investidor também ganha estímulo”, afirmou.

Segundo Valdomiro, existe uma demanda reprimida significativa.

“Atendemos com frequência famílias que já escolheram o imóvel, já fizeram a simulação e estão só esperando uma parcela que caiba no orçamento. Há também quem já tem o imóvel atual e quer trocar por um maior ou mais bem localizado, mas aguarda condições melhores”, comentou.

Na avaliação do empresário, o calendário eleitoral costuma afetar mais os investidores do que quem procura um imóvel para moradia.

“Na EMOBI, percebemos alguns investidores pedindo mais tempo antes de fechar negócio nos últimos meses, enquanto quem procura um imóvel para morar seguiu ativo, porque a necessidade da família não espera o calendário eleitoral. O ponto importante é que o investidor adia, mas não desiste. Com o cenário mais claro, essa demanda tende a voltar”, afirmou.

Ele ressalta que, independentemente do resultado das urnas, o mercado espera estabilidade para planejar novos investimentos.

“Passada a eleição, mais do que um resultado específico, o setor precisa de previsibilidade e de regras claras. Um empreendimento imobiliário leva anos entre a concepção e a entrega, então quem constrói e quem investe precisa enxergar o cenário à frente. Estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e continuidade das políticas de crédito são o que permite às empresas planejar novos lançamentos com segurança”, destacou.

Natal mantém preços competitivos
Mesmo com a valorização registrada nos últimos meses, Natal continua apresentando um dos menores preços médios do metro quadrado entre as capitais nordestinas pesquisadas pela Brain, fator que ajuda a atrair investidores de outras regiões do país.

“O valor mais competitivo atrai investidores, mas eles também analisam localização, infraestrutura, liquidez e potencial de valorização. O que torna Natal atrativa é justamente essa combinação entre preço competitivo, qualidade de vida e vocação turística”, explicou Valdomiro.

Entre as áreas com maior potencial de crescimento, o especialista destaca a Zona Sul da capital.

“Ponta Negra se destaca pela retomada de empreendimentos de médio e alto padrão e pelo interesse de investidores, inclusive de fora do estado. Capim Macio também vem ganhando força pela infraestrutura consolidada e pelos novos lançamentos. Tirol e Petrópolis seguem valorizados pela localização central e pela oferta de serviços”, afirmou.

Segundo ele, investimentos públicos em infraestrutura também podem impulsionar a valorização imobiliária.

“Obras de requalificação urbana tornam as áreas mais atraentes para moradores e investidores. A orla de Ponta Negra é um bom exemplo: uma orla bem cuidada valoriza o entorno e reforça a imagem de Natal como destino. O impacto, porém, depende da execução e da continuidade desses projetos”, concluiu.


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MDB DO RN ANUNCIA APOIO A BOLSONARO APÓS PROMETER APOIO À REELEIÇÃO DE LULA

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A divisão nacional do MDB na disputa presidencial ficou mais clara nesta terça-feira (13). Ao todo, 17 diretórios estaduais e o Distrito Federal declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), enquanto dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram apoio à reeleição de Lula (PT). O Rio Grande do Norte está entre os diretórios alinhados ao candidato do PL, em uma posição que contrasta com o compromisso anunciado por Walter Alves em janeiro.

Na ocasião, o presidente estadual do MDB afirmou que a legenda potiguar apoiaria a reeleição de Lula. A declaração foi divulgada em nota no dia 19 de janeiro, quando Walter anunciou que não assumiria o Governo do Estado e que disputaria uma vaga de deputado estadual.

“Ainda sobre as Eleições 2026, ratifiquei o posicionamento já alinhado com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, de apoiar a reeleição do presidente Lula (PT)”, declarou Walter.

O compromisso foi anunciado no mesmo documento em que Walter comunicou o rompimento político com a governadora Fátima Bezerra e informou que o MDB potiguar caminharia, na disputa estadual, com a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e com o PSD. Naquele momento, ele separava a aliança estadual do apoio à candidatura de Lula.
Henrique cobra coerência

Diante da ausência de uma manifestação pública da direção potiguar em favor de Lula, Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara dos Deputados e uma das figuras históricas do MDB, cobrou um posicionamento nesta terça-feira (13), em publicação na rede social X, antigo Twitter.

“Já que o MDB não se manifestou publicamente assumo responsabilidade em nome dos meus 52 anos de Partido. O MDB sempre apoiou Lula e até indicou o vice de Fátima a pedido dele! Pres.

Baleia, pela coerência, história e democracia, MDB do RN de novo com Lula! Atenção MDB de todo Estado!”, escreveu.

A cobrança ocorreu no mesmo dia em que Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia assinaram uma manifestação conjunta em defesa da reeleição do presidente.

O MDB do Rio Grande do Norte não aparece entre os signatários do documento e agora está alinhado ao movimento favorável a Flávio Bolsonaro. A posição, no entanto, contrasta com o compromisso anunciado por Walter no início do ano e evidencia a divergência dentro da própria legenda, explicitada pela manifestação de Henrique em defesa de Lula.

O Diário do RN procurou Walter Alves para esclarecer a mudança de posicionamento, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.


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MINEIRO CONTESTA NEUTRALIDADE DO PL E DIZ QUE BOLSONARISMO APOIA ALLYSON

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O deputado federal Fernando Mineiro (PT) classificou como uma estratégia eleitoral o discurso de neutralidade institucional anunciado pelo senador Rogério Marinho (PL) para o segundo turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao Diário do RN, Mineiro afirmou que, apesar da posição oficial do partido, o bolsonarismo potiguar já está claramente alinhado à candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil).

Para o petista, a neutralidade anunciada pelo PL não representa uma ausência de posicionamento, mas uma tentativa de preservar o eleitorado que votou em Allyson no primeiro turno e que agora poderia migrar para Cadu de Lula.

“O bolsonarismo no estado está apoiando Allyson. Basta ver as declarações e ações de suas lideranças no estado e nos municípios. O discurso de neutralidade foi combinado para tentar estancar a migração de votos para Cadu do eleitor lulista que votou em Allyson no primeiro turno”, afirmou.

Mineiro também apontou a movimentação de parlamentares do PL em favor do candidato do União Brasil, apesar da decisão formal da legenda.

“No melhor estilo bolsonarista, parlamentares do PL declararam apoio e fazem campanha para Allyson. Mais do que fizeram para Álvaro”, disparou.

Na avaliação do deputado, a aproximação entre o bolsonarismo e Allyson não seria um movimento novo, mas algo que teria sido disfarçado durante a primeira etapa da disputa para ampliar o alcance eleitoral do candidato.

“E tem coerência neste posicionamento deles. Allyson é o candidato do bolsonarismo no estado.

No primeiro turno ele conseguiu esconder isso para ganhar votos do lulismo. Mas agora, com duas candidaturas ao governo, a tática de ‘comer dos dois lados’ fica evidente”, afirmou.

Mineiro sustenta que a nova configuração da disputa expõe uma divisão que, segundo ele, estava menos evidente no primeiro turno: de um lado, o eleitorado bolsonarista; de outro, o eleitor identificado com Lula que havia escolhido Allyson.

“O eleitor lulista que votou com Allyson no primeiro turno está migrando para Cadu, que é o candidato do Lula”, declarou.

PL mantém neutralidade institucional
O posicionamento de Mineiro ocorre após Rogério Marinho anunciar, na última sexta-feira (9), que o PL adotará neutralidade institucional na eleição estadual. A legenda não fará uma declaração formal de apoio a Allyson, mas deixou seus filiados e lideranças livres para escolherem individualmente o candidato.

Na prática, a decisão abriu espaço para que parlamentares e lideranças do PL se manifestem em favor de Allyson. O ex-candidato Álvaro Dias confirmou que seguirá a orientação de neutralidade, enquanto integrantes do grupo político já sinalizam apoio ao candidato do União Brasil.

O impasse para um apoio oficial do PL a Allyson esteve relacionado à eleição presidencial.

Segundo Marinho, o candidato do União Brasil procurou o partido, mas informou que não poderia assumir compromisso público com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

A neutralidade, contudo, tem um limite explícito em relação ao PT. Rogério Marinho descartou apoio a Cadu e explicou que o PL também não irá formalizar apoio a Allyson: “E, claro, não iremos votar no PT, mas como partido não iremos endossar a sua candidatura, já que ele não vai endossar a candidatura do Flávio Bolsonaro”, declarou.

Com isso, o PL manteve a prioridade na campanha presidencial e liberou seus integrantes para decidir individualmente sobre a disputa estadual. Assim, lideranças e parlamentares da legenda podem apoiar Allyson, enquanto a direção partidária não formaliza a adesão

Disputa começa praticamente empatada
A nova configuração do segundo turno parte de uma diferença mínima entre os dois candidatos.

Allyson terminou a primeira etapa com 36,75% dos votos válidos, enquanto Cadu alcançou 36,28%, uma distância de apenas 0,47 ponto percentual.

Álvaro Dias ficou em terceiro, com 26,71%. Com isso, o seu grupo passou a ser alvo da disputa por apoios. O PL, porém, optou pela neutralidade institucional, concentrando sua atuação oficial na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.


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PAULINHO REÚNE MAIORIA DA CÂMARA DE NATAL E DECLARA APOIO A ALLYSON

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O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), declarou nesta terça-feira (13) apoio a Allyson Bezerra (União Brasil) no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado e reuniu 23 vereadores da capital e dois suplentes em torno da decisão. O movimento representa a adesão de uma parcela expressiva da Câmara Municipal e coloca no palanque de Allyson uma das principais bases políticas de Natal.

A decisão foi tomada após conversas de Paulinho com sua base. O prefeito afirmou que o grupo avaliou a necessidade de escolher um candidato com compromisso com a capital.

“Conversando com a nossa base aliada, todos os vereadores concordaram que o nosso caminho seria Allyson, porque ele tem compromisso com a nossa cidade. A gente precisa de um governador que seja parceiro da capital, e Allyson se comprometeu com isso”, declarou.

Paulinho também explicou a mudança em relação ao primeiro turno. Apesar de ser filiado ao União Brasil, ele havia apoiado Álvaro Dias (PL), seu antecessor na Prefeitura de Natal, que terminou a primeira etapa em terceiro lugar.

“Eu sou do União Brasil, vale salientar isso. Apenas fui apoiado por Álvaro Dias e cumpri o meu papel dando o apoio a ele no primeiro turno. Gostaria muito que ele tivesse ido para o segundo turno, não foi. Então, o caminho natural era apoiar Allyson Bezerra, até porque ele tem propostas para Natal”, afirmou.

No primeiro turno, Álvaro foi o mais votado em Natal, com 39,69% dos votos válidos. Cadu de Lula (PT) ficou em segundo, com 35,43%, enquanto Allyson obteve 24,49%. A adesão de Paulinho e dos vereadores ocorre, portanto, em um cenário no qual o candidato do União Brasil busca ampliar sua presença eleitoral na capital.

Vereadores acompanham decisão
Entre os vereadores que anunciaram apoio estão Aldo Clemente (PSDB), Anne Lagartixa (PL), Camila Araújo (PL), Cláudio Custódio (PP), Cleiton da Policlínica (PSDB), Daniell Rendall (Republicanos), Daniel Santiago (PP), Eribaldo Medeiros (Rede), Eriko Jácome (PSDB), Fúlvio Saulo (Solidariedade), Herberth Sena (PV), Irapoã Nóbrega (Republicanos), João Batista Torres (DC), Kleber Fernandes (Republicanos), Léo Souza (PSDB), Luciano Nascimento (PSD), Nina Souza (PL), Pedro Henrique (PP), Preto Aquino (Podemos), Robson Carvalho (União Brasil), Subtenente Eliabe (PL), Tércio Tinôco (União Brasil) e Tony Henrique (PL).

Também declararam apoio os suplentes Felipe Alves (União Brasil) e Leila Maia (União Brasil).

O grupo reúne parlamentares que permanecerão na Câmara e outros que deixarão o Legislativo municipal após a eleição, como Camila Araújo e Robson Carvalho, eleitos para a Assembleia Legislativa, e Nina Souza, eleita deputada federal.

Ezequiel ainda não define posição
A movimentação de Paulinho ocorre enquanto outra liderança que esteve no palanque de Álvaro no primeiro turno ainda não definiu sua posição. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), reeleito para o sétimo mandato, mantém conversas com lideranças de sua base antes de anunciar apoio no segundo turno.

Ezequiel apoiou Álvaro na primeira etapa, mas preservou durante a campanha a relação institucional com a governadora Fátima Bezerra (PT). Na ocasião, fez questão de diferenciar a divergência política da relação administrativa, mantendo aliados em espaços do Governo do Estado.

Agora, segundo apuração do Diário do RN, Ezequiel vem dialogando com lideranças dos 72 municípios onde recebeu votos antes de definir o próximo passo. Aliados apontam uma tendência de aproximação com Cadu de Lula, mas o presidente da Assembleia ainda não oficializou seu posicionamento.

A definição de Ezequiel será acompanhada pela base política do deputado, especialmente no interior, onde mantém uma rede de alianças construída ao longo de sucessivos mandatos.


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DA SALA DE AULA À REGÊNCIA: BANDA DE ESCOLA EM LAGOA AZUL FORMA MÚSICOS

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Quando Mateus Emanuel entrou na Banda Alceu, em 2017, ele tinha 12 anos e ainda estava no sexto ano da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, em Lagoa Azul, na Zona Norte de Natal.

Gostava de bateria e queria conhecer o universo da música. Começou tocando atabaque. Quase dez anos depois, aos 22, continua ligado ao projeto, mas agora em outra posição: é um dos maestros que ensinam os alunos mais novos.

“Passei seis anos como tocador e vou fazer agora, em dezembro, quatro anos como maestro”, conta Mateus. Para ele, a permanência na banda está relacionada menos a qualquer retorno financeiro e mais ao vínculo criado ao longo dos anos. “O que fez eu continuar na banda foi o amor mesmo. Por mais que a gente não ganhasse nada, mas o amor de querer participar, de querer estar presente, isso não tem preço.”

A trajetória de Mateus ajuda a explicar como funciona hoje a Banda Alceu e a Fanfarra dos Meninos (FDM). Embora tenham formações e dinâmicas próprias, os dois grupos estão ligados pelo mesmo processo de formação: os integrantes mais experientes ensinam os mais novos e, depois de deixar a escola, alguns continuam participando do projeto.

A história, porém, começou antes de a banda existir de fato. Em 2012, a escola recebeu instrumentos pelo programa federal Mais Educação, mas, até 2016, não havia um formador para preparar os ritmistas. A mudança veio em 2017, quando as então alunas Karol e Joana assumiram a regência e deram início à formação que colocou a banda nas apresentações.

Embora o Mais Educação ainda funcionasse em 2017 e 2018, a formação era conduzida pelas próprias estudantes. A principal contribuição do programa havia sido a disponibilização dos instrumentos iniciais. O modelo precisou ser reinventado pouco depois.

Com o fim do Mais Educação e do recurso destinado à contratação de um maestro, a escola perdeu a possibilidade de manter um formador remunerado. Em vez de encerrar a banda, a equipe gestora decidiu preparar os próprios alunos para assumir a condução do grupo.

“Esses alunos que têm mais experiência vêm formando os mais novos. E quando esse aluno com mais experiência chega ao nono ano e sai da escola, os outros já estão prontos para poder tomar a frente da banda”, explica Reinan Alessandro de França, atual diretor da escola.

Foi assim que a banda passou a funcionar também como uma espécie de cadeia de transmissão de conhecimento. Alunos aprendem a tocar, ganham experiência e, posteriormente, alguns passam a ensinar quem está chegando.

Foi esse processo de continuidade entre diferentes gerações que permitiu a reconstrução do grupo e fortaleceu a participação dos ex-alunos.

Entre os que permaneceram ligados ao projeto está Mateus. Ao longo da trajetória, ele aprendeu diferentes instrumentos e passou a criar, junto com outros músicos, os próprios toques da banda.

Segundo ele, o repertório atual reúne 22 toques criados pelos integrantes antigos.

“Você fica com um negócio na sua mente para você criar toques. Então você vai criando, vai encaixando instrumento por instrumento”, explica.

“Foi uma virada de chave, algo que mudou por completo minha vida”

Arthur Oliveira, de 16 anos, é um dos integrantes que passaram de alunos a formadores de novos músicos – Foto: Reprodução

Em 2025, a permanência dos ex-alunos ganhou uma nova estrutura com a criação da Fanfarra dos Meninos. A FDM reúne antigos integrantes e atua também na formação dos alunos que ainda estão na Banda Alceu. A ideia é que o conhecimento adquirido pelos veteranos continue circulando mesmo depois que eles deixem a escola.

Arthur Oliveira, de 16 anos, é também um dos integrantes que passaram de alunos a formadores.

Ele conheceu a banda por meio dos colegas e entrou depois de ser convidado por Mateus. Hoje, ajuda a ensinar os mais novos.

“Foi uma virada de chave, algo que mudou por completo minha vida. A sensação de participar de uma banda é única. A gente ganha uma nova família”, relata.

A nova geração já começa a experimentar esse mesmo vínculo. Isac Oliveira, de 16 anos, entrou em 2024, influenciado por amigos e pelo irmão mais velho. Começou no tarol e passou a tocar repique. Para ele, a banda também produziu mudanças fora da música.

“Eu era um aluno muito respondão, brincalhão, não ligava muito”, conta. Segundo Isac, a participação no projeto o ajudou a mudar o comportamento e a perder a vergonha de se expressar.

Paulo Juscyan, de 15 anos, teve o primeiro contato com a banda ao assistir a um desfile da Chegança, em 2022. Entrou no projeto em 2024. Ele diz que encontrou na atividade uma forma de lidar com momentos difíceis. “Estava quase entrando em depressão. E a banda me ajudou muito nisso.”

Nos meses de setembro, a experiência dos ensaios ganha as ruas. Neste ano, a Banda Alceu participou das atividades do 7 de Setembro na Praça Cívica, em Natal, um dos momentos destacados pelos próprios estudantes. Para Isac, representar a escola e participar do desfile foi uma experiência de “felicidade” e “honra”. A apresentação também marcou, diante do público, o resultado de um processo de formação que acontece durante todo o ano.

Os relatos dos estudantes ajudam a dimensionar o projeto para além das apresentações. Segundo Andrey, atualmente cerca de 70 pessoas participam da iniciativa, entre aproximadamente 50 alunos e 20 ex-alunos. O grupo mantém ensaios duas vezes por semana e participa de diferentes eventos culturais.

A manutenção, porém, não depende apenas dos instrumentos que deram origem ao projeto. Dos equipamentos antigos, segundo Andrey, 17 permanecem. Novos instrumentos foram comprados por ele, por famílias de alunos e também obtidos por meio de doações da comunidade. O professor estima que, somente para colocar a banda nas ruas em setembro, sejam gastos cerca de R$ 8 mil.

Para Reinan, a continuidade dos ex-alunos mudou também a dimensão do projeto. “Ele passa a ser um projeto social, que funciona dentro da própria comunidade”, afirma. No centro desse processo estão músicos que começaram como crianças ou adolescentes e hoje ensinam outros a tocar. Mateus resume a lógica que mantém a banda funcionando: “Você cria uma família dentro da banda. Você literalmente tem uma família lá. Por mais que não seja de sangue, eles viram seus irmãos.”


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ODETE LOPES, SUPLENTE DE ZENAIDE: “NÓS ESPERÁVAMOS MAIS DE MOSSORÓ”

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A derrota de Zenaide Maia (PSD) na disputa pelo Senado não deve alterar seu posicionamento no segundo turno. Segundo Odete Lopes (União Brasil), ex-vereadora de Macau e segunda suplente da senadora, Zenaide deve permanecer no palanque de Allyson Bezerra (União Brasil), mantendo a aliança formada no primeiro turno.

Em entrevista ao Diário do RN, Odete afirmou que conversou com Zenaide na segunda-feira, após a eleição, e percebeu entusiasmo para continuar na campanha de Allyson.

“Conversei com ela na segunda-feira. Notei nela o entusiasmo de estar na campanha de Allyson.

Ela disse: ‘Vamos para a luta, vamos lutar’”, afirmou.

Zenaide terminou o primeiro turno em quarto lugar em Mossoró, com 41.437 votos, ou 16,12%.

Allyson, no mesmo município, recebeu 82.286 votos, equivalentes a 56,15%. A diferença entre os dois passou de 40 mil votos.

O desempenho da senadora na cidade ganhou ainda mais peso porque, no resultado estadual, ela ficou a menos de seis mil votos de Samanda de Lula (PT), que conquistou a segunda vaga ao Senado. Para Odete, porém, a votação em Mossoró não pode ser atribuída à falta de empenho de Allyson ou do grupo político do ex-prefeito.

“Realmente, nós esperávamos mais de Mossoró. Mas entendemos também que Allyson tinha a campanha dele. Eu acredito que, se tivesse casado mais os votos, o resultado poderia ter sido diferente, porque realmente foi muito pouco. E não foi só Mossoró. Eu também acho que Natal, Pau dos Ferros, algumas outras cidades nos decepcionaram também”, afirmou.

“O voto não casou”
Segundo Odete, Zenaide tinha mais de cem prefeitos, mas houve dificuldade para transformar esse apoio em votos. “Até porque Zenaide tinha 120 prefeitos apoiando o projeto dela. Mas o voto não casou”, disse.

A ex-vereadora também comentou a ausência do nome de Zenaide em materiais de campanha de alguns aliados de Allyson em Mossoró. O Diário do RN havia identificado santinhos do vereador John Kenneth, aliado próximo do candidato ao Governo, com apoio a Allyson e Cinthia de Allyson, mas sem o número da senadora.

Odete afirmou que situações semelhantes ocorreram em outras cidades e não representam necessariamente falta de compromisso do grupo.

“A gente sabe que não existe a unanimidade. Por exemplo, Natal nós tínhamos 19 vereadores apoiando o projeto. Mas nem todos tiveram o mesmo empenho que deveriam ter tido. Alguns, muito mais”, disse.

Sobre Mossoró, ela reforçou: “Eu não atribuo a ele a falta desse interesse. Porque foi feito o trabalho. Eu vi o empenho, principalmente do prefeito Marcos, e eu acho que o grupo político trabalhou. Agora o voto, infelizmente, não casou”, observou.

Odete também avalia que o próprio Allyson ficou abaixo da votação que esperava no município.

“Allyson mesmo, talvez, não tenha tido a votação que ele esperava. Então, se não teve para ele, não acredito que tenha sido por maldade e não ter sido esperado”, afirmou.

Zenaide deve seguir com Allyson
Apesar do convite feito pelo grupo de Cadu de Lula para uma aproximação no segundo turno, Odete não acredita que Zenaide vá mudar de posição.

“Até porque o PT foi quem derrotou a senadora, né? Então, eu não acredito que ela vá, de jeito nenhum, tomar uma posição favorável à candidatura de Cadu”, afirmou.

Segundo ela, Zenaide ainda não havia manifestado uma posição sobre a disputa presidencial após a chegada de Lula ao Estado. A senadora estava em Brasília e deveria conversar novamente com aliados.

A própria Odete, entretanto, confirmou que seguirá apoiando Allyson. “Não, não muda, não. Meu posicionamento é favorável à candidatura de Allyson”, declarou.


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FÁTIMA CELEBRA “VITÓRIA EXTRAORDINÁRIA” E QUER AMPLIAR VOTOS PARA CADU E LULA

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governadora Fátima Bezerra (PT) classificou o resultado do primeiro turno como uma “vitória extraordinária” e convocou a militância e os eleitores do campo governista a ampliarem a votação de Cadu de Lula (PT) e do presidente Lula no segundo turno. Em entrevista ao Diário do RN, ela destacou o desempenho do grupo, que elegeu Samanda de Lula para o Senado, garantiu a maior votação para Natália Bonavides na Câmara Federal e ampliou a bancada na Assembleia Legislativa.

“Antes de tudo, eu quero, mais uma vez, agradecer ao povo do Rio Grande do Norte pela vitória extraordinária que tivemos no primeiro turno. Diante de tantas adversidades se torna mais emblemática, ainda, a vitória que colhemos. Seguramente é o melhor resultado do ponto de vista político e eleitoral das forças do campo democrático popular do Rio Grande.”

Fátima destacou que o resultado, na avaliação dela, ultrapassa as conquistas individuais e representa a força do grupo político.

“Conquistamos a vaga do Senado com Samanda, ampliamos a bancada de deputados estaduais e tivemos Natália a mais votada deputada federal no Rio Grande do Norte. A chegada de Cadu ao segundo turno com votação muito robusta e a votação robusta do presidente Lula.”

Segundo a governadora, a vitória de Samanda e a chegada de Cadu ao segundo turno representam a continuidade de um projeto político.

“A vitória de Samanda para o Senado e a chegada de Cadu de Lula ao segundo turno representam muito mais do que resultados eleitorais. Representam a força de um projeto que acredita no Rio Grande do Norte, que sabe que ainda há muito a fazer e que não tem medo de seguir em frente.”

Para a governadora, a segunda etapa da eleição será decisiva para consolidar o resultado obtido no primeiro turno.

“E agora no segundo turno é ampliar a votação para consolidar a vitória de Cadu e a reeleição do presidente Lula.”

Fátima também ampliou o tom político da convocação e afirmou que a eleição envolve decisões que terão efeitos para além dos próximos quatro anos.

“Não se trata apenas de mais uma eleição, se trata de escolhas que vão influir nos destinos das nossas vidas pelos próximos anos e nas próximas décadas. E mais uma vez, queira ou não queira, o tema da democracia está no centro do debate”, pontuou.

Dois projetos em disputa
Ao falar sobre a segunda etapa da eleição, Fátima defendeu que a campanha apresente ao eleitor as diferenças entre os projetos em disputa.

“Agora, temos uma nova caminhada. Temos o segundo turno de Lula e Cadu. E é muito importante que a gente mostre, com clareza, que existem projetos diferentes em disputa. E essa diferença não está apenas nos discursos. Ela está na vida real, nas escolhas que fazemos e, principalmente, no impacto que essas escolhas têm na vida das pessoas e no futuro que queremos construir.”

A governadora resumiu o projeto que pretende defender na campanha, apresentando as diferenças entre as duas propostas em disputa.

“De um lado, está um projeto que acredita que o Estado pode ser parceiro da população. Que defende investimento em saúde e educação, políticas de moradia, geração de emprego e renda, valorização dos trabalhadores, infraestrutura e desenvolvimento regional. Um projeto que acredita que o crescimento econômico precisa chegar à vida das pessoas e que ninguém pode ficar para trás. É um projeto que defende a democracia, o diálogo e a capacidade de trabalhar junto para enfrentar os grandes desafios do nosso Estado e do nosso país”, pontuou.

Na avaliação de Fátima, o contraponto está em uma visão que, segundo ela, representa confronto e redução da atuação do poder público.

“Do outro lado, temos uma visão que tantas vezes tentou transformar diferenças políticas em divisão, que questionou a democracia e que apresenta como solução o confronto, o retrocesso e a redução do papel do Estado justamente quando a população mais precisa de políticas públicas”, observou.

A governadora encerrou a convocação pedindo mobilização direta dos aliados.“Por isso, eu quero pedir a cada companheira, a cada companheiro, a cada pessoa que acredita em um Rio Grande do Norte mais justo: vamos conversar. Vamos dialogar. Vamos mostrar o que está em jogo.Vamos falar com nossa família, com nossos amigos, com nossos vizinhos. Vamos defender, com respeito e firmeza, o futuro que queremos construir. Porque nós não podemos parar nem retroceder.

Precisamos seguir em frente”, convocou.

Fátima concluiu reafirmando confiança no resultado da segunda etapa: “Eu tenho muito orgulho da nossa caminhada. E tenho ainda mais esperança no que podemos construir juntos. Vamos juntos. Com coragem, com esperança e com a certeza de que o futuro ainda pode ser muito melhor”, concluiu.


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EZEQUIEL DEVE ANUNCIAR APOIO A CADU DE LULA NA PRÓXIMA SEMANA

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O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), ainda não anunciou apoio a Cadu de Lula (PT) ou Allyson Bezerra (União Brasil) no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado. Depois de apoiar Álvaro Dias (PL) no primeiro turno, o deputado iniciou conversas com seu grupo político antes de definir o caminho que seguirá na nova etapa da eleição.

A decisão ocorre em um cenário diferente daquele do primeiro turno. Em julho, Ezequiel oficializou o apoio a Álvaro depois de uma decisão majoritária do PSDB e de seu grupo político. Na ocasião, porém, fez questão de preservar a relação institucional com a governadora Fátima Bezerra (PT), deixando claro que a divergência eleitoral não significava rompimento administrativo.

A manutenção dessa relação, inclusive com espaços ocupados por aliados de Ezequiel na estrutura do Governo, foi interpretada nos bastidores como uma porta aberta para uma eventual reaproximação política com o campo governista após a saída de Álvaro da disputa.

Agora, com Cadu e Allyson no segundo turno, essa possibilidade volta a ganhar peso. Ezequiel deverá ouvir as lideranças que participaram de sua campanha antes de tomar uma decisão. O movimento já foi confirmado publicamente: o presidente da Assembleia pretende reunir seu grupo para discutir o posicionamento.

Relação com Fátima foi preservada
A relação entre Ezequiel e Fátima tem uma trajetória que antecede a eleição de 2026. Durante os dois mandatos da governadora, o presidente da Assembleia manteve uma relação política e institucional próxima ao governo estadual, mesmo quando passou a integrar movimentos de oposição.

Em 2022, Ezequiel chegou a ser procurado por setores da oposição para disputar o Governo contra Fátima, mas optou por permanecer no campo político da governadora e contribuir para sua reeleição.

O rompimento ocorreu apenas no contexto da eleição de 2026, quando Ezequiel e o PSDB decidiram apoiar Álvaro. A própria comunicação feita à época ressaltava que os caminhos seriam diferentes “na parte política”, mas que a relação em defesa dos interesses do Estado permaneceria.

Essa separação entre a escolha eleitoral e a relação administrativa acabou preservando uma ponte entre os dois grupos. Agora, com Álvaro fora da disputa, a definição de Ezequiel volta a ser acompanhada tanto pelo grupo de Cadu quanto pelo de Allyson.

Dois caminhos no segundo turno
Ezequiel chega à nova etapa da eleição com força política ampliada. O presidente da Assembleia foi reeleito para o cargo de deputado estadual com 73.217 votos, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa.

O peso de sua decisão, porém, não está apenas na votação individual. Ezequiel lidera um grupo com prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças espalhadas pelo Estado, cuja posição pode influenciar diferentes municípios.

Durante o primeiro turno, o tucano chegou a participar de agendas ao lado de Allyson em municípios onde seus aliados apoiavam o candidato do União Brasil, mas manteve formalmente o apoio a Álvaro. A situação evidenciou a autonomia existente dentro de sua base e agora deverá ser considerada na definição do segundo turno.

Com a disputa entre Allyson e Cadu definida por uma diferença de 15.509 votos no resultado final, os dois candidatos passaram a buscar os grupos que ficaram fora da segunda etapa. O TSE registrou 733.809 votos para Allyson, contra 718.300 para Cadu.

Nesse cenário, o silêncio de Ezequiel não representa ainda uma escolha por nenhum dos dois lados. A decisão dependerá das conversas com sua base, mantendo em aberto uma definição que poderá reorganizar parte das alianças construídas no primeiro turno.


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PRODUTORA TRANSFORMA HERANÇA FAMILIAR EM REFERÊNCIA NO QUEIJO ARTESANAL NO RN

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uanto muitos jovens deixam o campo em busca de oportunidades nas cidades, a trajetória de Micarla Fernandes seguiu o caminho inverso. Nascida e criada na zona rural de São Pedro, no Agreste potiguar, ela se formou em Pedagogia, morou em Natal por alguns anos, mas decidiu retornar às origens. Hoje, é referência na produção de queijos artesanais no Rio Grande do Norte e conquistou reconhecimento nacional com o queijo maturado no café, premiado no maior concurso de queijos artesanais do país.

À frente da Fazenda Lima, Micarla encontrou no campo não apenas qualidade de vida, mas também uma forma de empreender valorizando a tradição familiar.

“Eu nasci e me criei no interior. Meus pais eram caseiros de fazendas e eu sempre vivi na zona rural. Quando casei e fui morar em Natal, essa ligação com o campo nunca deixou de existir. O que mais me motivou a voltar foi exatamente estar no lugar que eu amo e construir minha família perto das minhas raízes”, afirmou.

Ela conta que o retorno também representou uma reconexão com a história construída pelo pai, João da Silva, e pelo esposo, Rassio Henrique, que a incentivou a investir na produção de queijos.

Embora tenha crescido em uma família ligada à produção de leite, Micarla revela que não imaginava seguir esse caminho.

A produção de queijos surgiu inicialmente como uma alternativa para aumentar a renda da família, proposta apresentada pelo marido. No começo, ela resistiu à ideia, mas acabou descobrindo uma nova vocação.

“Hoje percebo que estou dando continuidade à tradição que herdei do meu pai. Ao mesmo tempo, consigo agregar valor ao leite e mostrar que é possível transformar uma atividade tão difícil quanto a pecuária leiteira em um negócio sustentável”, explicou.

Queijo maturado no café nasceu em evento do Sebrae

Foto: Reprodução

O produto que hoje se tornou símbolo da Fazenda Lima surgiu de maneira inesperada.
Durante um evento promovido pelo Sebrae voltado à cafeicultura, Micarla participava como expositora apresentando os queijos maturados que já produzia. Foi naquele momento que teve a ideia de unir duas cadeias produtivas do Rio Grande do Norte.

“Quando participei do evento, pensei em desenvolver um queijo com café. Mas eu não queria utilizar qualquer café. Foi quando conheci o Café Jaçanã, produzido aqui no Rio Grande do Norte, e começamos essa parceria”, contou.

O desenvolvimento do produto levou cerca de um ano.
“Passei um ano fazendo testes até chegar ao resultado que tenho hoje. Foi uma oportunidade que surgiu naquele evento e acabou dando origem ao Potiguar, o nosso queijo maturado no café”, disse.

Mais do que produzir, Micarla acredita que é preciso ensinar o consumidor a conhecer um tipo de queijo ainda pouco difundido no Nordeste.

Ao longo do ano, ela participa de feiras e faz questão de conduzir pessoalmente as degustações.

“É um produto diferente da cultura que temos aqui, que é o queijo coalho e o queijo manteiga.

Então faço um trabalho de apresentação, conto o processo de produção e conduzo a degustação para que as pessoas entendam o que estão consumindo”, explicou.

Segundo ela, a resistência diminuiu nos últimos anos.

“Hoje percebo que os consumidores já conhecem mais esse tipo de queijo. Quando a pessoa prova pela primeira vez, estranha um pouco, mas logo fica encantada com o sabor. É um trabalho de construção e de informação”, comentou.

Na Fazenda Lima, a inovação convive com receitas preservadas há gerações.

Enquanto investe em queijos maturados de diferentes estilos — como o maturado de 60 dias, o de seis meses, o queijo ao vinho e o queijo maturado no café —, Micarla mantém inalterada a receita da manteiga da terra aprendida com o pai. “Quando as pessoas provam a nossa manteiga da terra, muitas dizem que voltaram à infância. Elas lembram da casa da avó, da fazenda, do pai ou da mãe. É muito comum ver pessoas se emocionando porque o sabor desperta essa memória afetiva”, relatou.

Para ela, conservar a tradição é justamente permitir que ela dialogue com a inovação.

“A Fazenda Lima tem essa preocupação de preservar a tradição e, ao mesmo tempo, agregar valor por meio da inovação. O artesanal dá identidade ao produto e expressa o nosso território”, destacou.

Primeira mulher com queijaria artesanal registrada no RN
Micarla também abriu espaço para outras mulheres dentro da cadeia produtiva do queijo artesanal potiguar.

Ela é a primeira mulher do Rio Grande do Norte a possuir uma queijaria artesanal registrada em seu próprio nome.

Apesar dos avanços, acredita que ainda há desafios para que o trabalho feminino receba o devido reconhecimento.

“Na grande maioria das propriedades, quem beneficia o leite e faz o queijo é a mulher. Mas, historicamente, o reconhecimento sempre ficou com os homens. Ainda existem muitas barreiras para serem vencidas”, afirmou.

Segundo ela, conciliar os papéis de empresária, mãe, esposa e produtora rural exige equilíbrio diário.

“Não é fácil estar à frente do negócio, produzir, comercializar e administrar tudo ao mesmo tempo. A mulher ainda precisa conquistar mais visibilidade dentro desse segmento”, ressaltou.

Em julho deste ano, a Fazenda Lima conquistou reconhecimento nacional durante o 9º Prêmio Queijo Brasil, realizado em Blumenau (SC), considerado o maior concurso de queijos artesanais do país.

A queijaria integrou a comitiva organizada pelo Sebrae-RN e levou ao evento produtos desenvolvidos a partir da identidade do território potiguar.

Novidades para a Festa do Boi 2026
Na 64ª Festa do Boi, a Fazenda Lima apresentará uma nova identidade visual e os queijos ganharão nomes próprios, reforçando a ligação com o Rio Grande do Norte.

Segundo Micarla, a mudança também reflete o aperfeiçoamento técnico conquistado após sua formação como Mestre Queijeira em Minas Gerais.

“Os nossos queijos não são apenas um alimento. Eles proporcionam uma experiência. No sabor, no aroma e na textura, expressam o clima, o ambiente, a alimentação das vacas e a mão de quem produz. Cada queijo conta a história do nosso território”, explicou.

Além dos queijos maturados, o público encontrará no estande manteiga da terra, ricota e queijo coalho artesanal.

Para os jovens que ainda têm dúvidas entre permanecer na cidade ou voltar às origens, Micarla deixa um conselho baseado na própria experiência.

“Volte para o lugar que proporciona bem-estar e qualidade de vida. Com responsabilidade, conhecimento e visão, é possível gerar renda e prosperar”, concluiu.


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PROJETO TRANSFORMA CICATRIZES EM AUTOESTIMA PARA MULHERES

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Vencer o câncer de mama nem sempre significa o fim da jornada. Depois da cirurgia, da quimioterapia e da reconstrução da mama, muitas mulheres ainda convivem com uma marca que vai além da cicatriz física: a ausência da aréola. Foi justamente para ajudar essas pacientes a encerrarem esse ciclo que a enfermeira oncologista e esteticista Aline Costa criou um projeto de reconstrução gratuita de aréolas hiper-realistas.

A iniciativa nasceu de uma experiência pessoal. Quando tinha apenas 12 anos, Aline viu a mãe, Maria Ludeni, receber o diagnóstico de câncer de mama. Durante mais de uma década, acompanhou de perto os tratamentos, as cirurgias e as mudanças provocadas pela doença.

“Eu ainda era uma menina, mas acompanhei de perto uma doença que mudou a nossa família. Vi minha mãe atravessar tratamentos, cirurgias, medos e recomeços. Durante muitos anos também vi as marcas que ficaram no corpo dela”, relembrou.

Segundo Aline, mesmo após vencer o câncer, a mãe nunca conseguiu enxergar a própria mama como completamente reconstruída.

“Ela viveu 12 anos depois do diagnóstico. Durante esse tempo, algo no olhar dela diante do espelho chamava minha atenção. A mama remetia a uma mama adoecida, mutilada, porque não existia mais o detalhe da aréola. Talvez para algumas pessoas isso parecesse apenas um detalhe.

Mas, para ela, não era”, contou.

Foto: Reprodução

Saudade que se transformou em propósito
A mãe de Aline faleceu 12 anos após o diagnóstico. Com o tempo, a dor deu lugar a um propósito.

A enfermeira especializou-se em oncologia e, mais tarde, encontrou na dermopigmentação paramédica uma forma de oferecer a outras mulheres aquilo que sua mãe nunca teve.

“Comecei a estudar reconstrução areolar, micropigmentação paramédica, realismo tridimensional, colorimetria e anatomia com um único objetivo: fazer por outras mulheres aquilo que eu não pude fazer por Mainha. Devolver a feminilidade perdida”, afirmou.

“Cada aréola reconstruída carrega uma história. Quero que esse projeto seja sobre mulheres que passaram por uma doença, por uma cirurgia, por uma transformação corporal e que agora possam olhar novamente para o próprio corpo e enxergar não apenas a cicatriz do que viveram, mas também a beleza do que reconstruíram”, disse.

Embora a procura aumente durante a campanha Outubro Rosa, Aline faz questão de manter o projeto ativo o ano inteiro.

Ela desenvolve o trabalho com recursos próprios e reserva espaço permanente na agenda para atender mulheres mastectomizadas.

“Elas têm prioridade na minha agenda e não existe limite de vagas ou um mês específico. Comigo, o ano todo é cor-de-rosa”, explicou.

Antes da micropigmentação, a profissional realiza um estudo individual para definir posição, formato e tonalidade da aréola.

O procedimento utiliza pigmentos específicos, máquina de tatuagem e técnicas de desenho tridimensional, que reproduzem efeitos de luz e sombra para criar uma aparência natural.

“Como normalmente é um tecido mais fragilizado, divido o procedimento em duas ou três sessões, com intervalo de 30 dias entre elas”, explicou.

Por segurança, nem todas as pacientes podem realizar o procedimento imediatamente.

“Elas precisam ter o aval positivo dos oncologistas. Por mais que seja um procedimento minimamente invasivo, pode gerar algum risco. Tudo é feito com muita cautela. O fato de eu ser enfermeira oncologista me dá respaldo para orientar cada caso”, esclareceu.

“A sensação de cura vem depois da reconstrução”
Ao longo dos atendimentos, Aline percebeu que a reconstrução da aréola representa, para muitas mulheres, o verdadeiro encerramento do tratamento.

“Eu sinto que a real sensação de cura vem após a reconstrução. Antes elas veem uma mama mutilada, sem o detalhe da aréola. Isso remete a uma mama doente. Quando eu reconstruo, sinto que elas colocam, de fato, um ponto final no pesadelo”, afirmou.

Ela conta que já ouviu inúmeras histórias de superação e também relatos de abandono após o câncer de mama. Entre todas, uma permanece especialmente viva na memória.

Uma filha procurou Aline para presentear a mãe com o procedimento, sem que ela soubesse.

Depois da reconstrução, as duas decidiram fazer uma surpresa ao marido da paciente, que estava viajando.

“No dia seguinte, a filha me ligou para contar que, assim que chegaram em casa, a mãe abriu a porta, tirou a blusa e o sutiã e fez uma chamada de vídeo para o marido mostrar o resultado. Os três choraram juntos”, lembrou.

Para Aline, aquele momento mostrou que o procedimento vai além da reconstrução física.

“Acredito que esse procedimento não muda apenas a vida de uma mulher. Ele consegue melhorar tudo o que está ao redor dela. Uma mulher com a autoestima elevada é capaz de muitas coisas”, destacou.

Legado também inspira projeto de lei
O legado de Maria Ludeni também inspira uma proposta legislativa. Um projeto de lei protocolado no Senado Federal leva seu nome e busca ampliar os direitos das mulheres mastectomizadas.

A proposta prevê que o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a garantir o acesso à reconstrução areolar para pacientes submetidas à mastectomia.

Para Aline, a iniciativa representa uma forma de manter viva a história da mãe e permitir que outras mulheres tenham oportunidades que ela não teve.

“Minha mãe não teve essa oportunidade. Mas a história dela pode ajudar outras mulheres a terem. Esse projeto é a forma que encontrei de transformar saudade em propósito. E propósito em cuidado”, concluiu.


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“FARSANTE” E “PÉSSIMO GESTOR”: ATAQUES INVIABILIZAM APOIO DE ÁLVARO A ALLYSON

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A decisão de Álvaro Dias (PL) no segundo turno vai além de escolher entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT). Para o candidato que terminou a primeira etapa da disputa com mais de 530 mil votos, uma eventual aproximação com Allyson significaria também ter de explicar ao eleitor as duras críticas que fez ao adversário durante a campanha. Depois de questionar sua gestão, cobrar explicações sobre investigações e chamá-lo publicamente de “farsante” e “embusteiro”, transformar o adversário em aliado exigiria de Álvaro uma justificativa política para a mudança de posição.

O peso dessa decisão aumentou com o resultado apertado das urnas. Allyson chegou ao segundo turno com 733.809 votos, 36,94% dos válidos, contra 718.300 votos, 36,16%, de Cadu. Álvaro terminou em terceiro, com 530.580 votos, ou 26,71%, tornando-se uma liderança disputada nesta nova etapa da eleição.

Os votos conquistados por Álvaro, naturalmente, não são automaticamente transferidos para quem receber seu apoio. Mas o posicionamento do candidato e de seu grupo político passou a ter relevância na construção dos palanques para o segundo turno.

É justamente aí que está o dilema. Durante a campanha, Álvaro não tratou Allyson apenas como um adversário eleitoral. Fez do então prefeito de Mossoró alvo de alguns dos ataques mais duros da disputa pelo Governo do Estado.

Em debate promovido pelo Grupo Dial, Álvaro chamou Allyson de “farsante” e “embusteiro”. Na mesma ocasião, cobrou do adversário explicações relacionadas à Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que alcançou contratos de medicamentos da Prefeitura de Mossoró. “Agora explique a Operação Mederi. Explique, candidato”, disparou.

A investigação também foi explorada por Álvaro em uma peça de campanha divulgada nas redes sociais. Ao comparar sua trajetória política com a de Allyson, o candidato do PL afirmou: “Nesses 38 anos de vida pública, diferente de alguns, eu nunca acordei com a Polícia Federal na minha porta”. A declaração fazia referência à operação da PF que teve entre seus desdobramentos o cumprimento de medidas relacionadas ao então prefeito de Mossoró.

O ataque foi além. Na mesma ofensiva política, a campanha de Álvaro questionou o discurso de renovação apresentado por Allyson e encerrou a provocação com a pergunta: “Allyson é mudança ou é bronca?”. A estratégia reforçava a tentativa de associar o adversário às investigações e confrontar a imagem de novidade política defendida por ele.

Em outro debate, desta vez na Band RN, Álvaro voltou a explorar o assunto e questionou Allyson sobre celulares apreendidos durante a investigação. No confronto, também usou expressões relacionadas aos “segredos” do adversário, ampliando o embate entre os dois candidatos.

As críticas chegaram ainda diretamente à capacidade administrativa de Allyson. Mesmo depois do primeiro turno, Álvaro voltou a questionar a gestão realizada em Mossoró e declarou considerar o adversário um “péssimo gestor”, ao defender que o PL adotasse uma posição de neutralidade no segundo turno.

A declaração torna uma eventual aproximação ainda mais delicada. Já não se trata apenas de relativizar palavras ditas no calor dos debates. Álvaro manteve críticas a Allyson mesmo depois de encerrada a primeira etapa da eleição, quando o cenário do segundo turno já estava definido.

É nesse cenário que a neutralidade aparece como uma alternativa defendida por Álvaro. A escolha, porém, envolve também as articulações nacionais e estaduais do PL e o papel que o partido pretende desempenhar na reta final da eleição.

A decisão de Álvaro terá de medir não apenas alianças e interesses partidários, mas também o peso das palavras que dirigiu aos dois adversários. No caso de Allyson, elas foram especialmente duras. Se decidir apoiá-lo, o desafio será explicar como aquele que durante a campanha foi apresentado como “farsante”, “embusteiro” e “péssimo gestor” passou, poucas semanas depois, a reunir condições para receber seu apoio político.


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PREFEITO E EX-PREFEITO DE NOVA CRUZ, QUE APOIARAM ÁLVARO NO PRIMEIRO TURNO, ANUNCIAM ADESÃO A CADU NO 2º TURNO

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Cadu de Lula começou a semana buscando ampliar a base de apoio nos municípios potiguares e, no início da noite desta quarta-feira anunciou a adesão de duas importantes lideranças da região Agreste ao projeto governista.

O atual prefeito de Nova Cruz, Joquinha Nogueira, e o ex-prefeito Flávio de Beroi estiveram no palanque de Álvaro Dias no primeiro turno das eleições e já fecharam o segundo turno com Cadu, que logo fez o anunciou em suas redes sociais. “A semana começou muito bem por aqui, com muito diálogo pensando no futuro do nosso Rio Grande do Norte.

Que alegria receber @flaviodeberoi e @joquinhanogueira, ex-prefeito e atual prefeito de Nova Cruz”.
No primeiro turno, dos 27.945 eleitores aptos a votar no município, 31,84% escolheram Allyson Bezerra. 30,49% optaram por Cadu de Lula. Enquanto isso, apoiado pelas lideranças locais, Álvaro Dias teve 37,56%. São exatos 7.505 votos a serem disputados por Cadu e Allyson para o segundo turno.


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ALLYSON ABANDONA ZENAIDE MAIA EM MOSSORÓ E TRAIÇÃO PROVOCA DERROTA

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A derrota de Zenaide Maia (PSD) na disputa pelo Senado teve em Mossoró um de seus principais pontos de atenção. No principal reduto eleitoral de Allyson Bezerra (União Brasil), a senadora terminou apenas na quarta colocação, com 41.437 votos, equivalentes a 16,12%, enquanto o candidato ao Governo apoiado pelo mesmo grupo alcançou 82.286 votos, ou 56,15%.

A diferença entre os dois passou de 40 mil votos. O resultado chama atenção porque Zenaide e Allyson estiveram no mesmo palanque no primeiro turno e havia expectativa de que a estrutura eleitoral do grupo do candidato ao Governo também pudesse contribuir para uma votação mais expressiva da senadora em Mossoró.

O desempenho local ganha ainda mais peso diante do resultado estadual. Zenaide terminou a eleição com menos de seis mil votos de diferença para Samanda de Lula (PT), que conquistou a segunda vaga ao Senado. A votação obtida em Mossoró, portanto, aparece como um dos fatores que ajudaram a derrota da senadora que concorria à reeleição.

Os números também expõem um contraste que pode ser interpretado como sinal de abandono político. Em 2022, quando Allyson ainda estava na metade de seu primeiro mandato, Rogério Marinho recebeu 47.089 votos em Mossoró, equivalentes a 41,20%, contando com forte mobilização do grupo político local. Quatro anos depois, Zenaide, que estava no mesmo campo de Allyson não recebeu o mesmo apoio. A diferença sugere que a estrutura que impulsionou Rogério não foi colocada à disposição de Zenaide com a mesma intensidade, deixando a senadora com uma votação muito aquém da força eleitoral demonstrada pelo próprio grupo na cidade.

Outro sinal dessa falta de mobilização apareceu no material de campanha. Santinhos do vereador John Kenneth (União Brasil), candidato a deputado federal e um dos aliados mais próximos de Allyson, circularam em Mossoró sem o número de Zenaide. Outros aliados também foram vistos em materiais eleitorais sem indicação de voto para a senadora.

Porta aberta para Zenaide
Com o segundo turno definido, Zenaide passou a ser alvo de uma nova disputa política. Em entrevista à Rádio Universitária, na noite desta terça-feira (6), Samanda de Lula afirmou que a senadora seria bem-vinda ao palanque de Cadu de Lula (PT) e defendeu que ela tivesse liberdade para pedir votos para Lula e para o candidato petista ao Governo.

“Sem dúvida. O presidente Lula precisa, inclusive, não só mais do voto dela, mas que ela tenha um palanque de liberdade para ela pedir voto para o presidente Lula, inclusive para Cadu. Vamos lembrar que o que foi prometido para ela não foi entregue em Mossoró”, afirmou Samanda.

A senadora eleita também citou investimentos destinados por Zenaide ao município, especialmente na área da saúde, como um dos motivos para que ela pudesse se afastar do grupo de Allyson no segundo turno.

“É muito simbólico o que ela fez com as UBS. Foram oito UBS, se eu não me engano. Então, ela tem razão e motivos para agora se sentir mais livre. Para não só votar no Lula, mas para pedir voto para o Lula”, declarou.

Samanda também relacionou a escolha de Zenaide ao cenário nacional e à disputa pelo Governo do Estado.

“Ela também sabe da importância de a gente ter no Rio Grande do Norte um governo federal com um governo do Estado alinhado”, disse.

O Diário do RN procurou a senadora Zenaide para obter um posicionamento oficial sobre o segundo turno, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.


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GRUPO DE ÁLVARO DIAS E BABÁ DEFENDE NEUTRALIDADE NO SEGUNDO TURNO NO RN

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O grupo político de Álvaro Dias (PL) caminha para adotar uma posição de neutralidade no segundo turno da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao jornalista Saulo Vale, Álvaro afirmou que, pessoalmente, defende que o grupo não apoie nenhum dos dois candidatos, Cadu de Lula (PT) ou Allyson Bezerra (União Brasil), mas que seguirá a decisão coletiva das lideranças que integram o bloco.

“Defendo uma posição de neutralidade por não concordar com a candidatura de Allyson. Na minha avaliação, foi um péssimo gestor. Destruiu o Nogueirão, deixou 300 famílias na comunidade Belo Monte sem casas e há bairros esquecidos pela gestão, com ruas esburacadas. Quanto ao PT de Cadu, não há como apoiar, porque temos ideias diametralmente opostas”, afirmou Álvaro ao jornalista.

A posição também foi confirmada por Babá Pereira (PL), candidato a vice-governador na chapa de Álvaro. Em entrevista ao Diário do RN, ele afirmou que a prioridade do grupo, nesta segunda etapa, será a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, enquanto a disputa estadual deverá ficar sem apoio formal.

“Tenho conversado com o senador Rogério, com o nosso candidato Álvaro Dias, com o Paulinho Freire, com o Coronel Hélio, com o senador Styvenson e o nosso foco agora nesse segundo turno será a campanha de Flávio Bolsonaro. Então, o nosso sentimento é que [para o Governo] seja de neutralidade nessa eleição”, afirmou Babá.

Segundo ele, uma reunião deve ocorrer neste fim de semana para definir coletivamente a posição do grupo. Devem participar das conversas Álvaro, Rogério Marinho, Paulinho Freire, Styvenson Valentim, Coronel Hélio e o próprio Babá.

“Vamos sentar, nesse final de semana agora, com o senador Rogério, com o Paulinho, com o Styvenson, também com o Álvaro e com o próprio Coronel Hélio, para a gente tomar essa posição juntos”, explicou.

Grupo concentra forças em Flávio
Embora a prioridade do grupo seja a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, a posição, no entanto, não significa que todos os aliados necessariamente permanecerão neutros. Babá reconheceu que lideranças municipais poderão tomar decisões próprias de acordo com a realidade de cada cidade.

“Tenho conversado muito com alguns prefeitos, tenho me ligado com lideranças e cada um vai tomar posição. Poucos, acredito, continuam na neutralidade. Alguns vão tomar decisões de acordo com a realidade local”, afirmou.

Cadu e Allyson procuram aliados
Babá também revelou que tanto Allyson quanto Cadu fizeram contato com ele após o resultado do primeiro turno. Segundo ele, as conversas foram cordiais, mas não houve negociação sobre eventual apoio.

“Tanto Allyson quanto Cadu ligaram para mim. Foi uma conversa cordial e, claro, expus meu posicionamento. Eu sou uma pessoa de partido, de grupo, eu não tomaria uma decisão isolada e o nosso objetivo agora é a campanha de Flávio Bolsonaro”, reforçou.

Ao ser questionado se apoiaria a neutralidade caso a decisão dependesse exclusivamente dele, Babá respondeu que sim, desde que nenhum dos candidatos ao Governo esteja condicionado a um eventual apoio a Flávio.

A posição do grupo de Álvaro representa um novo desafio para os dois candidatos que avançaram ao segundo turno. Com a disputa estadual praticamente empatada no primeiro turno, Cadu e Allyson iniciaram a busca por novos apoios, especialmente entre lideranças que ficaram fora da segunda etapa.

Álvaro terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 26,71% dos votos válidos, e não avançou à disputa pelo Governo. Agora, seu grupo concentra a atuação na eleição presidencial, deixando em aberto a possibilidade de que prefeitos e lideranças locais façam escolhas próprias no segundo turno estadual.


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HÁ 10 ANOS, INSTITUTO BONITAS OFERECE ACOLHIMENTO PARA MULHERES COM CÂNCERPARA MULHERES COM CÂNCER

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dez anos, um gesto de cuidado deu origem a uma rede de acolhimento que hoje oferece apoio gratuito a mulheres com câncer e seus familiares no Rio Grande do Norte. Criado a partir de uma experiência pessoal da advogada Adilza Holanda, o Instituto Bonitas se consolidou como referência no atendimento humanizado, reunindo assistência psicológica, social, fisioterapêutica e ações voltadas à autoestima e à qualidade de vida.

A história da instituição ganha ainda mais significado durante o Outubro Rosa 2026, campanha anual de conscientização voltada à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer de mama e do colo do útero. Além de alertar sobre a importância dos exames preventivos e do acompanhamento médico, a campanha também reforça a necessidade de oferecer suporte emocional e social às pacientes durante todas as etapas do tratamento.

Segundo Adilza Holanda, o Instituto Bonitas nasceu em 2015 após ela acompanhar a cunhada durante o tratamento oncológico e perceber que muitas mulheres precisavam de muito mais do que assistência médica.

“Eu acompanhava minha cunhada durante o tratamento contra o câncer e, naquele ambiente, percebi o quanto muitas mulheres precisavam não apenas de atendimento, mas de acolhimento, informação e apoio para enfrentar as dificuldades do tratamento. Começamos com um grupo de WhatsApp, que foi crescendo e se transformou em uma rede de apoio. Com o tempo, essa iniciativa ganhou estrutura e se tornou o Instituto Bonitas. Hoje, dez anos depois, seguimos com a mesma essência: acolher pessoas com câncer e seus familiares, oferecendo apoio e mostrando que ninguém precisa passar por esse processo sozinho”, contou.

Os atendimentos são gratuitos e adaptados às necessidades de cada assistida. Além do acompanhamento psicológico, da assistência social e da fisioterapia, o Instituto promove atividades voltadas ao fortalecimento da autoestima, da convivência e da reconstrução da qualidade de vida.

“Nosso objetivo é olhar para a pessoa além do diagnóstico, entendendo suas necessidades e oferecendo uma rede de apoio para que ela se sinta cuidada e não precise enfrentar esse processo sozinha”, afirmou.

Para Adilza, o cuidado integral faz diferença no enfrentamento da doença. Ela destaca que o tratamento oncológico precisa ir além dos procedimentos médicos.

“O câncer não afeta apenas o corpo. O diagnóstico e o tratamento mexem com a autoestima, as emoções, a rotina, a família e muitas vezes com a própria capacidade de seguir a vida. O tratamento médico é fundamental, mas o apoio emocional, psicológico e social também faz parte desse cuidado. Quando a pessoa se sente acolhida, ouvida e amparada, ela consegue atravessar esse processo com mais segurança, dignidade e esperança”, destacou.

Música para acolher e transformar vidas
Entre os projetos desenvolvidos pelo Instituto está o Acordes que Curam, iniciativa que utiliza a música como instrumento de inclusão, convivência e fortalecimento emocional. As aulas de violão são oferecidas às assistidas e já formaram a primeira turma da instituição.
Um dos diferenciais do projeto é que a professora também faz parte da história do Bonitas.

Curada do câncer, ela hoje atua como voluntária e ensina outras mulheres que enfrentam a doença.

“A música tem um papel muito especial porque ajuda a trazer leveza para um momento que muitas vezes é marcado pelo medo e pela insegurança. O projeto nasceu para mostrar que, mesmo durante o tratamento, existem espaço para aprender, criar, sorrir e descobrir novas possibilidades. Hoje já temos a primeira turma formada, que recebeu seus diplomas, e nossa professora é uma assistida que venceu o câncer e voltou como voluntária para ajudar outras mulheres”, comentou.
Em 2026, o Instituto Bonitas celebra uma década de atuação. Para a fundadora, a data representa a consolidação de uma missão construída diariamente por meio do acolhimento e da solidariedade.
“Completar 10 anos de Instituto Bonitas significa olhar para trás e perceber que uma iniciativa que nasceu de um gesto de cuidado se transformou em uma missão de vida. São 10 anos acolhendo vidas, transformando histórias e aprendendo, todos os dias, que cuidar de alguém vai muito além de tratar uma doença. É estar presente, ouvir, estender a mão e devolver esperança.

Para mim, esses 10 anos representam perseverança, compromisso e, acima de tudo, a certeza de que vale a pena fazer o bem. E essa missão continua: seguir acolhendo, fortalecendo e mostrando que ninguém precisa enfrentar o câncer sozinho”, disse.

Além de ampliar o debate sobre a prevenção e o diagnóstico precoce, o Outubro Rosa também evidencia iniciativas que ajudam pacientes a enfrentar o tratamento com mais dignidade. No Rio Grande do Norte, o Instituto Bonitas se tornou um exemplo de que informação, acolhimento e cuidado caminham juntos e podem transformar a experiência de quem convive com o câncer e de toda a família.


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FIM DA 6×1: 51% DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NÃO VEEM IMPACTOS NEGATIVOS

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O Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que debate o fim da escala 6×1 está de volta ao Plenário do Senado após o primeiro turno das eleições 2026. A PEC 221/2019 será discutida esta semana e poderá ser votada em primeiro turno na semana que vem, segundo informou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à Agência Senado, nesta terça-feira (07).

Ainda segundo a Agência, Alcolumbre também informou que vai “cumprir integralmente o rito constitucional”, ou seja, em tese a PEC será debatida em cinco sessões no Plenário antes de ser votada em primeiro turno, estando as três primeiras previstas para esta semana; e por mais três sessões antes de ser votada em segundo turno.

“Cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre arbítrio de votar com seu coração, com sua consciência e com a sua convicção se acha razoável nós diminuirmos a escala de trabalho de quase 40 milhões de brasileiros que vivem na escala 6×1 há décadas, e se acha razoável o trabalhador brasileiro ter condição de ter mais um dia na sua vida de descanso, para ficar com a família e para descansar” afirmou o presidente do Senado.

O tema é polêmico e divide opiniões não só no meio político, mas também entre trabalhadores e empresários. A 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae e divulgada no mês de abril, aponta que mais da metade dos donos de micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais (MEI) avalia que o fim da escala de trabalho 6×1 não deve provocar impactos em seus negócios.

Segundo o levantamento, 51% dos empreendedores afirmaram que a mudança não deve afetar suas empresas. O percentual representa um crescimento em relação à pesquisa anterior, realizada em 2024, quando 47% dos entrevistados tinham essa percepção.

O estudo também mostra uma redução entre os empresários que enxergam possíveis efeitos negativos com o fim da escala. Em 2024, 32% avaliavam que a medida poderia prejudicar seus negócios. Em 2026, esse número caiu para 27%. Já a parcela que acredita em impactos positivos aumentou de 9% para 11%.

A pesquisa aponta ainda que 87% dos empreendedores afirmam estar informados sobre a proposta de alteração da jornada de trabalho. Entre os segmentos, a Economia Criativa aparece com a maior percepção de impacto positivo, com 24%, seguida por Logística e Transporte (17%) e Indústria Alimentícia (16%).

Em entrevistas, o presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, já declarou que o fim da 6×1 elimina um atraso histórico, devolve dignidade ao trabalhador e traz vigor para a economia nacional.

“Esse modelo precisa urgentemente ser estabelecido como um marco regulatório no Brasil para que nós possamos induzir uma economia humanizada que valorize o povo brasileiro e que permita que a gente esteja em sintonia com aquilo que é importante, que são os modelos hoje dos países de primeiro mundo que já há muito tempo tratam essa condição como fundamental, inclusive, para aumentar o próprio processo produtivo”, afirmou.

A mudança é vista como uma modernização do mercado de trabalho, embora destaque a necessidade de regras de transição para proteger os pequenos negócios. “Não é uma preocupação para micro e pequena empresa, até porque nós teremos processos de transição. Mas 73% do povo brasileiro quer o fim da escala 6×1”, pontuou em declaração recente o presidente nacional do Sebrae.

“Precisamos encontrar formas de produzir mais e melhor durante o tempo de trabalho”

“É preciso cautela do empreendedor e olhar para a operação de cada empresa, reorganizar horários, avaliar a produtividade, investir em tecnologia” – Foto: Reprodução

O diretor superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, destaca a necessidade de planejamento e reorganização das empresas para o fim da 6×1. Apesar da avaliação positiva entre parte dos empreendedores, o Sebrae destaca que a mudança exige uma transição planejada, especialmente para setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, alimentação, turismo e serviços.

Para Zeca Melo, a adaptação dos pequenos negócios dependerá de planejamento e reorganização das atividades. Segundo ele, empresas com estruturas mais enxutas precisarão avaliar seus processos antes de implementar mudanças.

“A mudança da escala de trabalho exige planejamento, sobretudo dos pequenos negócios, que trabalham com estruturas mais enxutas. Não é simplesmente trocar uma escala por outra. É preciso cautela do empreendedor e olhar para a operação de cada empresa, reorganizar horários, avaliar a produtividade, investir em tecnologia e, quando necessário, redimensionar as equipes”, afirmou.

Atualmente, o Rio Grande do Norte possui 266.226 micro e pequenos negócios, sendo 205.371 empresas optantes pelo Simples Nacional, segundo dados do Sebrae-RN até julho de 2026. O segmento representa uma parcela significativa da economia estadual e responde por cerca de 58,11% dos empregos gerados no Estado.

Zeca Melo ressaltou que a previsibilidade será um dos principais pontos para que os empreendedores consigam se preparar para uma eventual mudança na legislação.

“Também é importante que essa transição seja construída com previsibilidade. O pequeno empresário precisa saber com antecedência quais serão as novas regras para poder fazer as contas e se preparar. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade para buscar soluções que aumentem a produtividade e permitam que a empresa mantenha sua competitividade sem comprometer o emprego”, explicou.

De acordo com o diretor superintendente do Sebrae-RN, os segmentos que mantêm funcionamento prolongado, incluindo finais de semana e feriados, devem enfrentar os maiores desafios caso a redução da jornada seja aprovada.

“Os maiores desafios estarão, naturalmente, nas atividades que funcionam por mais horas, inclusive aos fins de semana e feriados. É o caso do comércio, alimentação, bares e restaurantes, turismo, hotelaria, shopping centers e alguns segmentos de serviços. São atividades que dependem de uma operação contínua e, portanto, terão de reorganizar suas equipes para manter o atendimento”, disse.

Para o representante do Sebrae, a discussão também precisa considerar o aumento da produtividade dentro das empresas. Ele defende que tecnologia, qualificação profissional e melhoria dos processos podem ajudar os negócios a enfrentar o novo cenário.

“Mas eu vejo essa discussão não apenas pelo lado do custo. É preciso pensar também em produtividade. Se vamos trabalhar com jornadas diferentes, precisamos encontrar formas de produzir mais e melhor durante o tempo de trabalho. Tecnologia, qualificação profissional, organização dos processos e gestão serão cada vez mais importantes para os pequenos negócios”, destacou.


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COM APOIO DE PREFEITOS, ALLYSON PERDEEM PARNAMIRIM, CAICÓ E CEARÁ-MIRIM

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O resultado das urnas nas principais cidades do RN mostra que o candidato do União liderou em redutos de aliados como Mossoró, Macaíba e São Gonçalo, mas apoio de gestores não foi suficiente para colocá-lo em primeiro em outros locais.

O apoio de prefeitos considerados importantes cabos eleitorais não foi suficiente para colocar Allyson Bezerra (União) na liderança em todas as cidades onde contou com a estrutura política dos gestores municipais. O resultado das urnas mostra derrotas em Parnamirim, Caicó e Ceará-Mirim, apesar do apoio declarado dos prefeitos desses municípios.

O caso de maior peso eleitoral é Parnamirim. A prefeita Nilda Cruz apoiou Allyson, mas quem terminou na primeira colocação foi Álvaro Dias (PL). Álvaro recebeu 43.023 votos, equivalentes a 38,76%, enquanto Allyson ficou com 36.937, ou 33,28%. A diferença foi de 6.086 votos. Cadu de Lula (PT) apareceu em terceiro, com 30.650 votos (27,61%).

Em Caicó, o resultado foi ainda mais adverso para o candidato do União. Apoiado pelo prefeito Judas Tadeu, Allyson terminou apenas na terceira colocação. Foram 9.666 votos, ou 27,71%.

Álvaro liderou com 13.734 votos (39,38%), seguido por Cadu, que obteve 11.419 (32,74%). A distância entre Álvaro e Allyson chegou a 4.068 votos.

Ceará-Mirim também escapou do candidato apoiado pelo prefeito. Antônio Henrique estava com Allyson, que recebeu 18.077 votos (41,26%). Cadu, entretanto, alcançou 18.365 (41,92%) e terminou na frente por apenas 288 votos. Álvaro ficou com 7.278 votos (16,61%).

Em outros redutos, o cenário foi diferente. Em São Gonçalo do Amarante, Allyson contou com o apoio do prefeito Jaime Calado e liderou com 26.783 votos (45,01%). Álvaro teve 16.537 (27,79%) e Cadu, 16.045 (26,96%). A vantagem de Allyson sobre o segundo colocado ultrapassou 10 mil votos.

Em Macaíba, com o apoio do prefeito Emídio Júnior, Allyson passou da metade dos votos considerados no levantamento. Foram 20.666 votos, correspondentes a 50,33%. Cadu ficou com 12.138 (29,56%) e Álvaro com 8.179 (19,92%).

Mossoró apresentou a maior votação proporcional de Allyson entre as cidades analisadas. No município administrado pelo prefeito Marcos Medeiros, aliado do candidato, Allyson alcançou 82.286 votos, ou 56,15%. Cadu registrou 44.202 (30,16%) e Álvaro, 19.759 (13,48%).

O desempenho dos aliados de Álvaro também permite comparação. Em Natal, com o apoio do prefeito Paulinho Freire, Álvaro terminou na primeira colocação, somando 165.210 votos (39,69%). Cadu recebeu 147.509 (35,43%) e Allyson ficou com 101.941 (24,49%). A vantagem de Álvaro sobre Cadu foi de 17.701 votos.

Em Extremoz, onde a prefeita Jussara Sales apoiou Álvaro, o candidato do PL também liderou.

Foram 11.430 votos (38,25%), contra 9.960 (33,33%) de Allyson e 8.416 (28,16%) de Cadu.

O recorte das oito cidades mostra, assim, resultados distintos para a capacidade dos grupos municipais de transferir apoio eleitoral. Allyson liderou em Mossoró, Macaíba e São Gonçalo do Amarante, onde tinha prefeitos aliados, mas não conseguiu repetir o desempenho em Parnamirim, Caicó e Ceará-Mirim. Em Caicó, além de não vencer, terminou em terceiro. Já Álvaro confirmou a liderança em Natal e Extremoz, dois municípios onde contou com o apoio dos respectivos prefeitos.


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LULA VEM AO RN PARA AMPLIAR VOTAÇÃO DE CADU E VENCER NO SEGUNDO TURNO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará no Rio Grande do Norte neste sábado (10) para reforçar a campanha de Cadu de Lula (PT) no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado. A agenda está prevista para acontecer a partir das 14h, na Praça do Panatis, na Zona Norte de Natal, e deverá incluir uma passagem do presidente em veículo aberto pelas ruas da região.

A confirmação da visita ocorreu após uma reunião realizada em Brasília entre Lula, Cadu, a governadora Fátima Bezerra, a senadora eleita Samanda de Lula (PT) e Rafael Motta (PDT). O encontro marcou o início da articulação para a segunda etapa da disputa e reforçou a estratégia petista de ampliar a presença de Lula na campanha estadual.

Após a reunião, Cadu publicou um vídeo ao lado de Fátima, Samanda e Rafael e afirmou que a orientação recebida do presidente será transformar a presença de Lula no Estado em mobilização eleitoral.

“Acabamos de nos reunir com o presidente Lula. Missão dada, governadora: ampliar a votação do presidente Lula no Rio Grande do Norte. Vamos ampliar a sua votação e vamos fazer uma campanha para me eleger governador do Rio Grande do Norte”, afirmou Cadu.

A vinda do presidente ocorre poucos dias depois de Cadu terminar o primeiro turno apenas 0,47 ponto percentual atrás de Allyson Bezerra (União Brasil), que alcançou 36,75% dos votos contra 36,28% do petista. A proximidade entre os dois resultados abriu uma disputa equilibrada para o segundo turno.

No primeiro turno, Lula foi o mais votado no RN, com 59,75% (1.237.963 votos), contra 34,77% (720.493 votos) de Flávio Bolsonaro. Esse resultado já havia sido antecipado pela última rodada da DataVero/Diário do RN, divulgada em 2 de outubro, que apontava vantagem semelhante do presidente no Estado.

Cadu venceu em 74 municípios
No primeiro turno, Cadu terminou à frente em 74 dos 167 municípios potiguares. Allyson venceu em 66 cidades. O resultado mostra uma distribuição territorial da votação que deixou o segundo turno aberto e amplia a importância das articulações municipais para a nova etapa da campanha.

A estratégia de Cadu para os próximos dias passa pela manutenção da mobilização já construída e pela ampliação dos apoios. Nesta terça-feira (6), depois de retornar de Brasília, o candidato recebeu lideranças que decidiram aderir e reforçar apoio à candidatura.

Entre os novos aliados estão o ex-prefeito de Alto do Rodrigues, Nixon Baracho, e o prefeito de Serra Negra do Norte, Acácio, que apoiaram Álvaro Dias (PL) no primeiro turno e agora chegam para reforçar a campanha de Cadu no segundo turno.

Também nesta terça-feira, Cadu recebeu o prefeito de Canguaretama, Leandro Varela, que já integrava o grupo e reafirmou o compromisso com a candidatura petista na nova etapa da disputa.

Lula como principal cabo eleitoral

Lula foi o mais votado no RN, com 59,75%, contra 34,77% de Flávio Bolsonaro.Cenáro antecipado pela pesquisa DataVero divulgada em 2 de outubro – Foto: Reprodução

A participação do presidente ganha peso na campanha de Cadu pelo papel que Lula desempenhou durante o primeiro turno. O petista chegou à disputa com pouco mais de 4% nas primeiras pesquisas e cresceu ao longo da campanha, passando a ocupar a segunda colocação nos levantamentos DataVero/Diário do RN.

A associação com Lula esteve entre os principais eixos da estratégia eleitoral. O presidente já esteve no Rio Grande do Norte em agosto, quando participou de agenda política no Estado, e também gravou vídeos de apoio a Cadu, reforçando a ligação entre as duas candidaturas e pedindo votos para o petista.

Na reta final do primeiro turno, Lula voltou a gravar material para Cadu: “Para governador, vote Cadu de Lula. Quem vota Lula, presidente treze, vota Cadu, governador treze”, disse.

Agora, uma nova visita do presidente amplia esse movimento. A campanha pretende transformar o apoio nacional em mobilização local justamente em uma disputa que começa com uma diferença inferior a meio ponto percentual entre os dois candidatos.

A visita de Lula ao Rio Grande do Norte será o primeiro grande ato da campanha de Cadu no segundo turno e deverá marcar o tom da nova etapa da disputa, com o candidato petista buscando ampliar a votação obtida no primeiro turno e conquistar novos apoios municipais.


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VOTOS QUE NÃO GARANTIRAM VAGAS: ELEIÇÃO EXPÕE PESO DO QUOCIENTE ELEITORAL NO RN

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A eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte produziu um contraste entre votação individual e conquista de uma vaga. Enquanto alguns candidatos chegaram às urnas com votações expressivas e terminaram eleitos, outros obtiveram mais votos do que candidatos que conseguiram entrar, mas ficaram fora por causa da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.

Na disputa para deputado federal, Natália Bonavides (PT) foi a candidata mais votada do Estado, com 215.509 votos. No outro extremo, Karine da Vila (Mobiliza) teve apenas 25 votos e terminou entre os candidatos com menor votação.

O caso mais emblemático, porém, envolve Robinson Faria (PP). O ex-governador recebeu 123.008 votos, mais de 30 mil acima da votação de Thabatta Pimenta (PV), que foi a última candidata eleita, com 92.743 votos. Mesmo assim, Robinson terminou como suplente.

Robinson ficou a apenas 32 votos de superar a votação do último candidato de sua composição partidária, João Maia, diferença que acabou sendo decisiva na distribuição da vaga. O resultado deixou o ex-governador fora da Câmara mesmo com uma votação individual superior à de uma candidata eleita.

A diferença mostra que a votação individual não é suficiente para garantir uma vaga na Câmara.

Pelo sistema proporcional, os votos também são considerados na composição das bancadas e federações, e as vagas são distribuídas de acordo com o desempenho coletivo das legendas.

Outro nome que terminou como suplente apesar de uma votação elevada foi Cabo Deyvison (PL), que recebeu 100.795 votos. A votação também superou a de Thabatta, mas não foi suficiente para garantir uma vaga.

Assembleia tem cenário semelhante
Na disputa pela Assembleia Legislativa, o fenômeno se repetiu de maneira ainda mais evidente.

Coronel Azevedo (PL) foi o candidato mais votado, com 105.403 votos, enquanto Daniel Santos (PRD) teve apenas oito votos, ficando entre os menos votados.

A última candidata a conquistar uma vaga foi Camila Araújo (PL), com 31.438 votos. A votação dela, entretanto, ficou abaixo da de pelo menos quatro candidatos que terminaram como suplentes.

Galeno Torquato (União Brasil) recebeu 46.129 votos; Eriko Jácome (PSDB), 45.883; Ubaldo Fernandes (PV), 44.748; e Walter Alves (MDB), 44.217. Todos tiveram votações individuais superiores às de Camila, mas não conseguiram transformar o desempenho nas urnas em uma vaga.

O resultado evidencia, mais uma vez, que o sistema proporcional produz situações em que candidatos individualmente mais votados podem ficar fora, enquanto outros, com menos votos, conseguem entrar graças ao desempenho de seus partidos na distribuição das vagas.

No caso da Assembleia, a diferença entre Camila e os quatro suplentes é significativa. Galeno, por exemplo, teve quase 15 mil votos a mais que a última eleita. Eriko ficou mais de 14 mil votos à frente, enquanto Ubaldo e Walter também superaram a votação da candidata do PL por mais de 12 mil votos.

A eleição deixa, portanto, dois recortes distintos. Natália Bonavides e Coronel Azevedo demonstraram força individual ao liderar as votações para deputado federal e estadual. Já os casos de Robinson Faria, Cabo Deyvison, Galeno Torquato, Eriko Jácome, Ubaldo Fernandes e Walter Alves mostram que, no sistema proporcional, uma votação expressiva não garante, isoladamente, a conquista de uma vaga.

É nesse ponto que o sistema proporcional faz a diferença. Parte das vagas é definida pelo desempenho dos partidos e federações no quociente partidário, enquanto as restantes são distribuídas pelas chamadas sobras, por média. Thabatta e Camila, por exemplo, foram eleitas por média. Por isso, as candidatas conquistaram vagas mesmo com menos votos que concorrentes de outras legendas, que acabaram suplentes.

O desempenho das legendas, federações e a distribuição das vagas pelas regras do quociente eleitoral e das médias podem, portanto, ser determinantes para transformar votos individuais em representação parlamentar.


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