MARÇO AMARELO: ENDOMETRIOSE AFETA MAIS DE 7 MILHÕES DE BRASILEIRAS

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A cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, pelo menos uma convive com a endometriose. A doença inflamatória crônica, atinge cerca de 190 milhões de mulheres globalmente. No Brasil, as estimativas indicam que entre 6 e 8 milhões de brasileiras convivem com o problema. Mesmo com números expressivos, o diagnóstico ainda costuma ser tardio e muitas pacientes passam anos lidando com dores intensas antes de descobrir a causa.

O tema ganha destaque durante o Março Amarelo, campanha internacional de conscientização sobre a endometriose. A iniciativa busca ampliar a informação sobre a doença e alertar para sinais que muitas vezes são ignorados ou normalizados, como cólicas menstruais incapacitantes e dor pélvica persistente.

A endometriose é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, em outras partes do corpo, como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse tecido também responde às alterações hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação, dor e, em alguns casos, aderências entre órgãos.

Segundo a médica especialista em reprodução assistida Maria Luisa Capriglione, os sintomas podem variar bastante entre as pacientes, mas geralmente incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual e alterações intestinais ou urinárias no período menstrual. “O principal sintoma é a dor. Muitas mulheres apresentam cólicas muito intensas e progressivas. Também podem ocorrer dor durante a relação sexual, dor para evacuar ou urinar durante o período menstrual e alterações intestinais cíclicas”, detalha.

Outro ponto frequentemente associado à doença é a dificuldade para engravidar. Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose possam enfrentar problemas de fertilidade.

Ainda assim, a especialista ressalta que os índices não traduzem uma regra.

“Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar, mas sabemos que a doença pode impactar a fertilidade. A inflamação na pelve pode alterar o funcionamento das trompas, dos ovários e até a qualidade dos óvulos. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com especialista são fundamentais”, afirma a médica.

O caminho até descobrir a doença, no entanto, ainda pode ser longo. Muitas mulheres escutam desde cedo que cólicas fortes fazem parte do ciclo menstrual, o que contribui para atrasar a investigação. “Infelizmente ainda existe uma banalização da dor menstrual. Muitas mulheres escutam que ‘cólica é normal’ e acabam convivendo com sintomas importantes por anos antes de investigar”, ressalta Capriglione.

O diagnóstico costuma começar com uma avaliação clínica detalhada e conversa sobre o histórico da paciente. Em seguida, exames de imagem especializados ajudam a confirmar a suspeita. Entre os mais utilizados está a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, que permite mapear a pelve e identificar focos da doença.

Embora não exista uma cura única para a endometriose, há diferentes formas de tratamento voltadas para o controle dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida. As opções incluem terapias hormonais para suspender a menstruação, uso de analgésicos e, em alguns casos, cirurgia para retirada dos focos de endometriose.

Para a arquiteta Ingrid Baruch, o diagnóstico só veio depois de anos convivendo com dores que pareciam não ter explicação. Ela conta que os primeiros sinais surgiram ainda na adolescência. “Desde a adolescência eu tinha cólicas muito fortes, mas sempre ouvi que isso era normal. Com o tempo a dor foi piorando e começou a atrapalhar minha rotina. Tinha dias em que eu não conseguia ir para o trabalho ou estudar”, relembra.

A busca por respostas foi longa e marcada por consultas médicas e exames até que surgisse uma suspeita concreta para explicar os sintomas. Ingrid conta que levou anos até receber o diagnóstico definitivo. “Demorou bastante. Passei por vários médicos e fiz alguns exames até que finalmente investigaram a possibilidade de endometriose. Até receber o diagnóstico definitivo foram alguns anos convivendo com dor e sem entender exatamente o que estava acontecendo”, conta.

Entre os sintomas que mais afetavam o cotidiano da arquiteta estavam as cólicas intensas e dores abdominais que ultrapassavam o período menstrual. “Isso afetava muito minha qualidade de vida e até meu humor, porque eu vivia preocupada com a próxima crise de dor”, relata.

Após iniciar o tratamento adequado, Ingrid afirma que a rotina começou a mudar. “Foi um grande alívio entender o que eu tinha e saber que existiam opções de tratamento. Aos poucos, minha qualidade de vida melhorou e hoje consigo levar uma rotina muito mais normal”, afirma.

Para ela, o principal aprendizado foi não ignorar os sinais do próprio corpo. “Eu diria para não normalizar a dor. Cólica incapacitante não é normal. Se algo está atrapalhando sua rotina, vale a pena procurar um especialista e investigar”, alerta.

Março amarelo
O Março Amarelo é uma campanha internacional de conscientização sobre a endometriose, doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres no mundo. Criada em 1993, em Milwaukee, nos Estados Unidos, pela ativista Mary Lou Ballweg, fundadora da Endometriosis Association, a iniciativa busca alertar para a importância do diagnóstico precoce e reforçar que dores pélvicas intensas e cólicas incapacitantes não são normais. O objetivo é ampliar a informação sobre a doença e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pacientes, além de ajudar na preservação da fertilidade.


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CARNAVAL DE NATAL 2026 CRESCE 75% E MOVIMENTA QUASE R$ 400 MILHÕES

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O Carnaval de Natal 2026 consolidou-se como um dos maiores eventos do calendário cultural e turístico do Rio Grande do Norte. Com programação oficial realizada entre os dias 12 e 17 de fevereiro e polos distribuídos em Ponta Negra, Petrópolis e Redinha, a festa reuniu mais de 1 milhão de pessoas e movimentou R$ 346,1 milhões na economia da capital potiguar. O resultado representa um crescimento de 75,9% em relação ao ano anterior.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Impacto Econômico e Satisfação do Carnaval de Natal, divulgada nesta terça-feira (17) pelo Instituto Fecomércio RN (IFC). O levantamento analisou o perfil do público participante, a percepção dos comerciantes de bens e serviços e o desempenho econômico durante o período festivo.

Para o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, os números reforçam o papel do evento como vetor de desenvolvimento para a cidade. Segundo ele, o estudo permite avaliar os resultados de forma objetiva e orientar o planejamento das próximas edições. “A pesquisa traz esse diagnóstico e mostra que tivemos mais de um milhão de participantes e uma movimentação financeira superior a 346 milhões de reais. Isso demonstra um crescimento muito grande e confirma o acerto da prefeitura em investir no evento”, afirma.

Queiroz ressalta que iniciativas desse porte devem ser entendidas como investimento e não como despesa pública, já que geram retorno econômico direto para diversos setores. “Muitas pessoas veem isso como gasto, mas nós enxergamos como investimento, porque gera emprego, renda e movimentação econômica para a cidade”, diz.

De acordo com o levantamento, a cada R$ 1 investido na realização da festa, cerca de R$ 19 circularam na economia local. O impacto foi percebido em diferentes níveis do comércio, desde ambulantes até grandes redes varejistas. “São recursos que circulam em toda a economia, do ambulante ao grande supermercado. As pessoas compram bebidas, alimentos e outros produtos, o que acaba movimentando diversos segmentos”, explica Queiroz.

O desempenho positivo também aparece na avaliação do setor empresarial. A pesquisa mostra que 80,2% dos empresários consideraram o movimento do período como bom ou muito bom, enquanto a nota média geral atribuída ao desempenho do Carnaval chegou a 8,12.

Entre os participantes, a satisfação também foi elevada. A avaliação média do evento alcançou 9,22, superando a registrada em 2025, que havia sido de 8,94. Além disso, 92,2% dos entrevistados afirmaram que pretendem voltar ao Carnaval de Natal em futuras edições.

“Mais de 80% dos empresários avaliaram o evento como bom ou muito bom, e mais de 92% das pessoas disseram que pretendem voltar no próximo ano. Esses são números muito positivos e mostram que a festa foi bem recebida”, destaca o presidente da Fecomércio RN.

Programação impulsiona resultado positivo
A pesquisa também indica que as atrações musicais e a programação gratuita foram os principais fatores que motivaram a presença do público. Grandes nomes da música brasileira, como Xanddy Harmonia, Alceu Valença, Jorge Aragão, Carlinhos Brown e Olodum, estiveram entre as atrações que animaram os polos da cidade.

Para o prefeito de Natal, Paulinho Freire, os resultados confirmam o impacto positivo do evento não apenas na área cultural, mas também na economia e no turismo da capital. “Foi com grande satisfação que recebemos esses números. Mais de 346 milhões circularam na economia da cidade e mais de um milhão de pessoas participaram do Carnaval”, afirma.

Segundo o prefeito, a festa conseguiu unir entretenimento, geração de renda e fortalecimento da atividade turística. “A alegria que se manifestou na folia, nos polos e na Avenida da Alegria, também se refletiu na economia de Natal”, ressalta.

Paulinho destaca ainda que o evento tem potencial para fortalecer a cidade como destino turístico durante diferentes períodos do ano. A estratégia, segundo ele, é ampliar a programação de grandes eventos para atrair visitantes e estimular o consumo local. “Natal tem uma característica diferente de outras cidades. Temos turismo, temos praia, e as pessoas podem passar o dia na praia e à noite ir brincar o carnaval. Hoje podemos dizer que Natal tem um carnaval de qualidade”, afirma.

O prefeito também observa que a presença de atrações reconhecidas nacionalmente contribuiu para ampliar o público e atrair visitantes de outras regiões. “São artistas desejados pelo público e que muitas pessoas não teriam condições de assistir em um show pago. No carnaval, elas têm essa oportunidade de forma gratuita”, diz.

Além da programação musical, a infraestrutura e a organização do evento também receberam avaliações positivas do público. Entre os itens mais bem avaliados estão a estrutura dos espaços, a organização, o acesso aos polos e a segurança.

Para os próximos anos, a prefeitura pretende analisar os dados da pesquisa e aperfeiçoar a realização do evento. “Nós vamos estudar os resultados e identificar o que foi positivo e o que pode ser melhorado para aprimorar ainda mais o carnaval”, afirma o chefe do Executivo municipal.

O prefeito também reforça que os resultados econômicos fortalecem a decisão de investir em grandes eventos culturais. “Para cada real investido, tivemos um retorno de 19 reais circulando na economia. Isso mostra que estamos no caminho certo”, conclui.

A pesquisa foi realizada durante o período do Carnaval e ouviu 300 empresários e 708 participantes. O levantamento possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Paulinho Freire anuncia transporte público gratuito aos domingos

Paulinho Freire: “A alegria que se manifestou na folia, nos polos e na Avenida da Alegria, também se refletiu na economia de Natal” – Foto: Reprodução

Durante a coletiva de apresentação dos resultados do Carnaval de Natal, o prefeito Paulinho Freire também anunciou uma nova medida voltada à mobilidade urbana e ao acesso ao lazer na capital. A Prefeitura pretende implantar transporte público gratuito aos domingos.

Segundo o gestor, a proposta ainda será apresentada e discutida com vereadores antes da implementação oficial. A iniciativa busca facilitar o deslocamento da população para atividades de lazer e convivência familiar. “Nós vamos inovar e colocar transporte gratuito aos domingos para as famílias de Natal. A ideia é garantir que as pessoas tenham mais acesso ao lazer”, afirma.

De acordo com o prefeito, a equipe da gestão municipal prepara os detalhes da proposta para apresentação ao Legislativo e posterior divulgação à população. “A equipe técnica está organizando o projeto para que possamos mostrar aos vereadores como isso vai funcionar e, depois, anunciar oficialmente para a população”, conclui.


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“NUNCA ME GUIEI POR OPORTUNISMO. A CORAGEM SEMPRE ME ACOMPANHOU”

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A decisão foi comunicada por meio da leitura de uma carta direcionada ao povo potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT) oficializou que não irá renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em coletiva realizada na tarde desta terça-feira (17), no auditório da Governadoria, em Natal. A gestora detalhou as motivações políticas e pessoais que a levaram a permanecer à frente do Executivo estadual até o fim do mandato.

A governadora destacou a coragem da sua decisão, especialmente em relação ao cenário político nacional e a necessidade da esquerda avançar no Senado. Segundo ela, a candidatura era desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Partido dos Trabalhadores e por parte significativa do eleitorado, conforme pesquisas. Ela justificou a desistência da disputa.

“Tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária, por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia, e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.

“Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas” foi o motivo maior apontado para permanecer no cargo e evitar perder a eleição indireta para um nome da oposição caso renunciasse. A governadora reforçou ainda que irá honrar “até o último dia de mandato” os mais de um milhão de votos recebidos na reeleição.

“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, declarou.

Na carta, ela elencou prioridades administrativas que vai continuar com a decisão de permanecer no cargo. A governadora citou como exemplo a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco.

Fátima resgatou sua trajetória política marcada por decisões consideradas ousadas. Lembrou da mudança da Paraíba para estudar, quando renunciou eleições asseguradas para se lançar a desafios até então “impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo”.

Segundo ela, o projeto de nação e de sociedade é maior que a sua própria vida. Por isso, relatou, teve coragem de disputar o Senado, em 2014, “colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional”. Relembrou quando renunciou à metade do mandato de Senadora, em 2018, para disputar o governo do estado “em situação crítica e precária”. “Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora”, complementou Fátima, durante o anúncio da decisão de recuo.

“Ele rompeu o compromisso firmado em 2022”
Ao abordar o cenário político que inviabilizou sua candidatura ao Senado, Fátima Bezerra fez referência direta ao vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ela, para viabilizar a disputa, seria necessário que o vice assumisse o governo, o que não ocorreu.

“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”, afirmou.

A governadora classificou o episódio como parte de um movimento político mais amplo. “São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir”, declarou.

Em tom de mobilização política, Fátima encerrou a carta com uma mensagem de continuidade do projeto político do campo progressista. “Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luiz Inácio Lula da Silva presidente!”, concluiu.


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FÁTIMA: “VOU PRA RUA! VOU PARTICIPAR INTENSAMENTE DA CAMPANHA DE 2026”

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou nesta terça-feira (17), durante entrevista coletiva em Natal, que pretende manter uma atuação política ativa após o fim do seu mandato, em janeiro de 2027. Antes disso, vai manter o foco, além na continuidade dos projetos na gestão estadual, na campanha eleitoral de 2026 e na reorganização do grupo político no Estado. Ao ser questionada, pelo Diário do RN, sobre o futuro fora de cargos eletivos, situação inédita em sua trajetória desde a primeira eleição em sua história, Fátima destacou que sua atuação política não está condicionada ao exercício de mandato.

“Minha militância política e social sempre fez parte da minha vida. Eu faço política movida pelo espírito público, pela defesa das causas em que acredito. Para mim, a política nunca foi um projeto individual”, declarou.

A governadora foi enfática ao destacar o papel que pretende desempenhar no próximo ciclo. “Vou sim participar intensamente da campanha eleitoral de 2026, junto com os nossos aliados. Vou para a rua! Campanha!”, afirmou.

Sobre especulações em torno de um possível convite para assumir um ministério, caso o presidente Lula seja reeleito, Fátima evitou antecipar cenários e ressaltou que sua prioridade segue sendo a gestão estadual até o fim do mandato. “Vou continuar até dezembro conforme a decisão do povo do Rio Grande do Norte em 2022. Vou cuidar da gestão em primeiro lugar, com tantas obras importantes em curso”, afirmou.

A governadora também detalhou a estratégia do Partido dos Trabalhadores para as eleições, ressaltando tanto a disputa majoritária, quanto a proporcional. “O PT vai ter ao Senado prioridade absoluta, absoluta mesmo, com a candidatura de Cadu ao Governo, com todo o nosso time, com as nossas candidaturas ao Senado, nossa nominata para federal e para estadual”, disse.

Segundo ela, a definição de não renunciar ao cargo repercutiu diretamente na direção nacional do partido. Fátima relatou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi surpreendido com os desdobramentos recentes, mas garantiu apoio integral à sua decisão. “O presidente Lula me disse: ‘qualquer que seja a decisão que você tomar, eu estarei ao seu lado’”, afirmou.

A governadora acrescentou que também recebeu respaldo do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que deve visitar o Estado em breve. “Ele reiterou todo o apoio e deixou muito claro que o Nordeste é muito importante no contexto da disputa nacional”, destacou.

Ao responder os questionamentos da imprensa durante a coletiva, Fátima ainda reiterou que o cenário político sofreu impacto com a mudança de posição do vice-governador Walter Alves, classificada por ela como inesperada, o que exigiu readequação da estratégia partidária no Estado.

Diante do novo quadro, a governadora reforçou que seguirá dividindo esforços entre a gestão e a articulação política. “Vamos continuar cuidando da gestão para consolidar conquistas, mas também preparar o nosso projeto político para 2026”, concluiu.

PT indicará primeiro nome ao Senado

Presidente do PT no RN, Samanda Alves, pode ser o nome para o Senado – Foto: Francisco de Assis

Em meio à reorganização do grupo político para 2026, a governadora Fátima Bezerra detalhou como deve se dar a formação da chapa ao Senado dentro do campo aliado. Segundo ela, o processo será conduzido em diálogo com os partidos que integram a base, mas com uma definição já estabelecida: o Partido dos Trabalhadores indicará um dos nomes para a disputa.

“Dialogo com os partidos que formam o campo democrático. Já comunicamos que o PT vai indicar o nome para uma das vagas ao Senado. Essa discussão passa pelo partido, inclusive já foi comunicada ao presidente nacional”, afirmou.

A governadora ressaltou que, além da definição para o Senado, o grupo trabalha na montagem completa da chapa majoritária e proporcional. “Temos o pré-candidato ao Governo, ainda vamos definir a vice, temos as duas vagas para o Senado e as suplências. Agora é organizar o time do presidente Lula”, disse, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionada sobre possíveis nomes, Fátima admitiu que a vereadora Samanda, presidente estadual do PT, pode entrar na disputa, mas reforçou que qualquer definição passará pelas instâncias internas do partido. “É um nome que pode estar sendo colocado, mas essa discussão passa inicialmente pelo partido”, explicou.

Questionada, pelo Diário do RN, sobre o nome da deputada federal Natália Bonavides (PT) ao Senado, ela destacou a parlamentar como um dos principais quadros da legenda, mas indicou que, neste momento, a tendência é de que Natália busque a reeleição. “Natália já se colocou diversas vezes cumprindo uma missão muito importante, que é a reeleição para deputada federal”, pontuou.

Ao tratar da formação das nominatas, Fátima destacou a expectativa de fortalecimento eleitoral do grupo, mencionando nomes como Fernando Mineiro, além de lideranças locais e novos quadros políticos. Segundo ela, o objetivo é ampliar a representação na Câmara dos Deputados.

“O dado concreto é que temos uma expectativa muito confiante. A disputa para federal, na chapa da federação, se Deus quiser, vamos dobrar: sair de dois para quatro”, afirmou.

A governadora concluiu reforçando que o momento é de organização interna, com foco na construção de uma chapa competitiva tanto no plano majoritário quanto proporcional.

Fátima descarta reaproximação com Zenaide e reforça foco no “time de Lula”

Fátima: “Zenaide fez outra opção partidária, escolheu outro caminho” – Foto: Reprodução

A governadora Fátima Bezerra afastou a possibilidade de reaproximação política com a senadora Zenaide Maia, ao comentar o atual cenário de alianças no Rio Grande do Norte. Segundo ela, a parlamentar fez uma escolha partidária distinta, o que reposiciona automaticamente os campos políticos para a disputa de 2026.

“Em relação à senadora, ela fez outra opção partidária, escolheu outro caminho. Nós estamos tratando da nossa aliança, o time do Lula”, afirmou.

O PSD de Zenaide Maia definiu apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (UB) e alinhamento com partidos de centro no RN, como Progressistas e MDB. Apesar de exercer a vice-liderança do Governo Lula no Senado, no Estado, o partido rompeu com o projeto eleitoral do PT.

Fátima destacou que o foco do seu grupo político está na consolidação de uma frente alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo partidos do campo que classificou como “popular e democrático”, com objetivos eleitorais bem definidos tanto no plano estadual quanto nacional.

De acordo com a governadora, a estratégia passa pela reeleição de Lula e pelo fortalecimento da candidatura governista no Estado. “Estamos organizando esse campo para garantir a reeleição do presidente Lula e levar nosso candidato ao Governo ao segundo turno, evitando retrocessos”, disse, em referência ao projeto político liderado pelo grupo.

A chefe do Executivo estadual também adotou um tom mais ideológico ao tratar da conjuntura eleitoral, defendendo a união das forças aliadas como forma de enfrentamento ao avanço da direita no país. “Essa eleição coloca uma tarefa imperiosa: defender a democracia e barrar o avanço do fascismo. Para isso, é fundamental a unidade do campo popular democrático para derrotar a extrema direita e o bolsonarismo”, declarou.


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CONTRATO DE R$ 2,8 MILHÕES DE ALLYSON NA EDUCAÇÃO ENTRA NO RADAR DO MPRN

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Um contrato de R$ 2.803.500,00 firmado pela Secretaria Municipal de Educação de Mossoró para aquisição de computadores e equipamentos de informática passou a integrar investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte sobre possíveis irregularidades no pagamento de fornecedores da pasta durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra.

A apuração teve início a partir de denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público e seguiu uma sequência de procedimentos administrativos até resultar na abertura de um inquérito civil.

O caso começou com a Notícia de Fato nº 02.23.2027.0000048/2025-20, instaurada em 7 de maio de 2025, após manifestação da Ouvidoria que apontava possíveis irregularidades no pagamento de fornecedores da Secretaria Municipal de Educação de Mossoró.

Com o avanço das diligências e análise inicial de documentos, o promotor de Justiça Fábio de Weimar Thé, da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró, decidiu converter o procedimento em Procedimento Preparatório nº 03.23.2027.0000122/2025-42, instaurado em 11 de setembro de 2025, etapa em que o Ministério Público aprofundou a coleta de informações e documentos.

Durante essa fase, foram requisitadas informações à Secretaria Municipal de Educação, à Controladoria do Município, além da juntada de contratos, notas fiscais, notas de empenho e comunicações administrativas relacionadas a fornecedores da pasta.

Após a análise do material reunido, o Ministério Público decidiu avançar na investigação e instaurou, em 16 de março de 2026, o Inquérito Civil nº 04.23.2027.0000034/2026-70, considerado um instrumento mais robusto de apuração de possíveis irregularidades administrativas.

Entre os contratos que passaram a integrar os autos da investigação está o Contrato nº 36/2024, firmado após o Processo Administrativo nº 350/2024, derivado do Pregão nº 13/2023-SME.

O contrato teve como objeto a aquisição de computadores e utensílios de informática para atender à rede municipal de ensino, sendo firmado com a empresa BX Distribuidora de Equipamentos Ltda., inscrita no CNPJ nº 48.849.767/0001-16, sediada no município de São José dos Pinhais, no Paraná.

De acordo com o extrato contratual, o acordo possui vigência de 12 meses, com período de 14 de novembro de 2024 a 14 de novembro de 2025, e foi firmado por meio de adesão a ata de registro de preços, mecanismo que permite que órgãos públicos utilizem resultados de licitações realizadas por outros entes.

Nos autos do procedimento também constam manifestações encaminhadas pela própria empresa BX Distribuidora, além de documentos administrativos e registros extraídos do Portal da Transparência municipal.

O objetivo do inquérito civil é esclarecer se houve descumprimento da ordem cronológica de pagamentos a fornecedores, prática que pode configurar irregularidade administrativa caso seja comprovado favorecimento ou priorização indevida no pagamento de determinadas empresas.

Ao final da investigação, o Ministério Público poderá arquivar o caso, propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou ingressar com ação civil pública, caso sejam constatadas irregularidades ou eventual prejuízo aos cofres públicos.

Até o momento, o Inquérito Civil nº 04.23.2027.0000034/2026-70 segue em tramitação na 7ª Promotoria de Justiça de Mossoró, sem decisão final.

Justiça
A investigação sobre o contrato de equipamentos de informática da Secretaria de Educação ganha novo desdobramento após decisão judicial que reconheceu a existência de débito do Município com a BX Distribuidora de Equipamentos Ltda.

Em sentença proferida pelo juiz Pedro Cordeiro Junior, a Justiça julgou procedente a ação monitória nº 0814153-10.2025.8.20.5106
e determinou o pagamento de R$ 1.702.900,00, valor referente ao fornecimento de computadores e equipamentos destinados à rede municipal de ensino.

A decisão rejeitou os argumentos da Prefeitura, que alegava ausência de comprovação da dívida.

Para o magistrado, documentos como notas fiscais, empenhos e comprovantes de entrega demonstram que os produtos foram efetivamente fornecidos.

O juiz ressaltou ainda que falhas administrativas não podem justificar o não pagamento, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração.

Além do valor principal, o Município foi condenado ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação.

A decisão reforça pontos que também estão sob análise do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que apura possíveis irregularidades na ordem de pagamentos a fornecedores da Educação.


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BÁRBARA AZEVEDO ASSUME REITORIA DA UNP E DESTACA LIDERANÇA FEMININA

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A professora Bárbara Azevedo assumiu, neste mês de março, a reitoria da Universidade Potiguar (UnP), instituição na qual construiu uma trajetória de quase duas décadas. A nomeação ocorre em um momento simbólico para a universidade, que completa 45 anos de atuação no ensino superior do Rio Grande do Norte e, pela primeira vez, tem uma reitoria formada exclusivamente por mulheres. Em entrevista ao Diário do RN, a nova reitora fala sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira, a importância da representatividade feminina em espaços de liderança e as prioridades da gestão para os próximos anos, entre elas, o fortalecimento da qualidade acadêmica, a inovação no ensino superior e a ampliação do impacto social da universidade.

Diário do RN: A senhora construiu uma trajetória de mais de 16 anos dentro da Universidade Potiguar até chegar ao cargo de reitora. O que essa nomeação representa pessoal e profissionalmente?
Bárbara: Assumir a reitoria da Universidade Potiguar representa uma grande honra e também uma enorme responsabilidade, ainda mais ao integrar a primeira reitoria 100% feminina da instituição, ao lado de Jussele Santiago, pró-reitora acadêmica, e Tâmara Souza, pró-reitora administrativa. Minha trajetória na UnP vem sendo construída ao longo de quase 20 anos, marcada por aprendizado, diálogo e trabalho coletivo, e faz parte importante da minha história profissional e pessoal, é uma oportunidade de contribuir ainda mais para o fortalecimento de uma instituição que desempenha papel fundamental na formação de profissionais e no desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

Diário do RN: No mês dedicado à reflexão sobre os direitos e conquistas das mulheres, que significado tem assumir a reitoria de uma universidade e representar, de certa forma, um avanço nessa caminhada por mais espaço e reconhecimento feminino?
Bárbara: Assumir a reitoria da UnP neste momento tem um significado simbólico muito importante. É uma oportunidade de reforçar que as mulheres têm um papel fundamental em todos os espaços da sociedade, inclusive na liderança acadêmica, e que estamos plenamente preparadas para ocupar essas posições com competência e responsabilidade.

Quando ampliamos a presença feminina na liderança, não estamos criando um novo centro. Estamos tornando o todo mais completo. E é essa visão de diversidade, colaboração e construção coletiva que acredito que deve guiar o desenvolvimento.

Diário do RN: Mesmo com avanços, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras estruturais para alcançar cargos de liderança. Quais foram os principais desafios que encontrou ao longo da sua trajetória até chegar à reitoria?
Bárbara: Infelizmente, ainda é uma realidade para muitas mulheres no mercado de trabalho a necessidade de provar constantemente sua capacidade e competência. Esse é um desafio que persiste em diferentes setores da sociedade. No meu caso, procurei sempre focar no trabalho, na formação contínua e na construção de relações de confiança dentro da instituição. Vejo cada avanço não pelo peso da ausência histórica, mas pelo orgulho do caminho que estamos construindo.

Tenho também muito orgulho de fazer parte de um ecossistema educacional liderado por uma mulher, a CEO da Ânima Educação, Paula Harraca, o que reforça a importância da presença feminina em posições de liderança. Ao longo da minha trajetória na UnP, tive líderes inspiradores que sempre confiaram no meu trabalho e me apoiaram profissionalmente, algo pelo qual sou muito grata. Isso mostra que a construção de ambientes mais igualitários passa pelo compromisso coletivo.

Diário do RN: Ao assumir a reitoria, a senhora também se torna uma referência para muitas mulheres que estão construindo suas carreiras. Sente esse peso simbólico da representatividade? Como enxerga esse papel?
Bárbara: Encaro essa questão muito mais como uma responsabilidade do que como um peso. Se a minha trajetória pessoal e profissional puder inspirar outras mulheres, ajudá-las a acreditar em seu potencial e incentivá-las a buscar posições de liderança, isso já terá um significado enorme.

Cada trajetória individual fortalece o tecido coletivo. E quanto mais diverso esse tecido, mais forte ele se torna.

Diário do RN: Acredita que a presença feminina em espaços de decisão contribui para transformar a forma de gerir instituições? Que tipo de olhar ou sensibilidade as mulheres podem trazer para a gestão universitária?
Bárbara: A diversidade sempre fortalece os processos de decisão, seja de gênero, orientação sexual, raça ou classe social. Promover a igualdade de oportunidades e o respeito às diferentes identidades é fundamental para a construção de ambientes mais justos e inclusivos. Quando diferentes experiências e visões de mundo estão presentes, conseguimos realizar análises mais amplas, equilibradas e conectadas com as realidades da sociedade.

Essa pluralidade não apenas impulsiona o crescimento das instituições, como também contribui para a nossa evolução enquanto indivíduos. A presença feminina na gestão também fortalece o diálogo, a construção coletiva e a atenção às pessoas. Em uma universidade, que é um espaço de formação humana e profissional, cultivar esses valores é essencial para preparar cidadãos e profissionais mais conscientes, respeitosos e comprometidos com a transformação social.

Diário do RN: Em um contexto em que se discute cada vez mais a equidade de gênero, qual o papel das universidades na formação de uma sociedade mais igualitária e na promoção da liderança feminina?
Bárbara: Como educadora, acredito que as universidades têm um papel fundamental nesse processo, pois são espaços de formação de profissionais, lideranças e cidadãos. Além de produzir conhecimento, também precisamos estimular valores entre os estudantes, como respeito, diversidade e igualdade de oportunidades.

Promover ambientes acadêmicos mais inclusivos e incentivar o protagonismo feminino em diferentes áreas são caminhos concretos para contribuir com uma sociedade mais justa e equilibrada. É esse compromisso que buscamos fortalecer cada vez mais em nossa gestão.

Diário do RN: A sua posse acontece justamente no ano em que a universidade completa 45 anos de história. Quais são os principais desafios e prioridades dessa nova gestão para os próximos anos?
Bárbara: Nosso principal desafio é continuar fortalecendo a qualidade acadêmica e ampliando a relevância da universidade para a sociedade. Vivemos um momento de profundas transformações na educação superior, e a UnP precisa acompanhar esse movimento com inovação, sem perder a essência que construiu ao longo de sua história.

Queremos ampliar oportunidades para os estudantes, fortalecer a pesquisa, expandir projetos com impacto social e seguir formando profissionais preparados para os desafios do presente e do futuro.

Diário do RN: Como a nova gestão pretende fortalecer a instituição mantendo sua tradição e, ao mesmo tempo, inovando?
Bárbara: A história da UnP sempre esteve ligada à sua capacidade de evoluir e acompanhar as transformações da sociedade. Hoje fazemos parte da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o que nos permite compartilhar metodologias inovadoras e fortalecer continuamente a formação acadêmica.

Ao mesmo tempo, não perdemos de vista nossas raízes. Antes de tudo, somos potiguares. Mantemos um olhar atento às demandas locais e ao desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

Nosso objetivo é justamente unir tradição e inovação para seguir oferecendo uma educação de qualidade, conectada com o presente e preparada para o futuro.

Diário do RN: Muitas jovens estudantes enxergam a universidade como um espaço de construção de futuro. Que mensagem a senhora gostaria de deixar para essas mulheres que sonham em ocupar cargos de liderança em suas áreas?
Bárbara: A principal mensagem é que a educação tem o poder de transformar trajetórias. A universidade não é apenas um espaço de formação técnica, é um ambiente onde se desenvolvem competências para a vida, para o trabalho e para o exercício de uma liderança consciente.

Para as jovens que sonham em ocupar espaços de liderança, minha mensagem é: invistam em sua formação, busquem experiências diversas, desenvolvam confiança em suas capacidades e mantenham a curiosidade viva. Liderança não surge de um cargo. Ela é construída ao longo da jornada, com propósito, preparo e coragem para transformar realidades.


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NOMINATAS A ESTADUAL: PARTIDOS CORREM PARA FECHAR CHAPAS À ALRN

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A menos de um mês do fim da janela partidária, que se encerra em 4 de abril, partidos intensificam no Rio Grande do Norte a formação das nominatas que disputarão vagas na Assembleia Legislativa em 2026. Cada legenda pode apresentar até 25 candidatos a deputado estadual, e as negociações seguem baseadas em cálculos de viabilidade eleitoral e potencial de votos.

Na base governista, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também organiza sua nominata. Entre os nomes estão os deputados estaduais Isolda Dantas, Francisco do PT e Divaneide Basílio, o vereador de Natal Daniel Valença, a secretária estadual de Turismo Marina Marinho e o ex-vereador Milklei Leite. O PCdoB indica o subsecretário de Esportes Cezinha e uma suplente de vereadora, enquanto o PV trabalha o nome de Kaline, ligada ao grupo do deputado federal Dr. Bernardo.

Na oposição, o PL articula chapa com nomes como o vereador de Parnamirim Gabriel César; a ex-candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante Gabi Trajano; a médica Roberta Lacerda; o presidente do partido em Macaíba; o presidente do PL em Mossoró Jorge do Rosário; o ex-deputado Getúlio Rêgo e também o ex-prefeito de Assú Gustavo Soares, que aparece simultaneamente em conversas com outras legendas.

Já o MDB enfrenta maior dificuldade para consolidar sua nominata, estruturada principalmente com o objetivo de viabilizar a eleição do vice-governador Walter Alves para deputado estadual.

Entre os nomes estão o ex-deputado Antônio Jácome; o ex-prefeito de Serra do Mel Josivan Bibiano; o ex-prefeito de Assú Ivan Júnior; o ex-vice-prefeito de João Câmara Holderlin Silva e o ex-vereador de Natal Carlos Eduardo Santos, atualmente primeiro suplente de deputado estadual.

Aliados do partido de Walter, o União Brasil e o PP também buscam consolidar suas chapas. Entre os nomes citados estão os deputados estaduais Nelter Queiroz, Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes e Galeno Torquato, além do ex-prefeito de Ceará-Mirim Júlio César Câmara e do vereador de Parnamirim Vavá Azevedo. O deputado Taveira Júnior e o vereador Robson Carvalho, que aparecem nessa articulação, também são citados em negociações com o Republicanos.

E são as articulações do Republicanos que mais chamam atenção com a reorganização do partido no Estado liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que trabalha pela própria reeleição e pela montagem de uma chapa competitiva. O movimento ganhou força após mudanças no cenário político envolvendo o vice-governador Walter Alves e o MDB. A coordenação da nominata também vem sendo feita pelo prefeito de Natal, Paulinho Freire (UB), que pode migrar para o partido após divergências com o União Brasil sobre anuência para vereadores, incluindo a esposa, a vereadora licenciada Nina Souza (UB).

Entre os nomes cotados para a nominata do Republicanos estão o próprio Ezequiel Ferreira; as deputadas estaduais Cristiane Dantas; Terezinha Maia; o deputado Ivanilson Oliveira; além dos deputados estaduais Ubaldo Fernandes e Eudiane Macedo, que mantêm conversas avançadas; além do ex-prefeito de Assú Gustavo Soares; do presidente da Câmara Municipal de Natal Eriko Jácome; do vereador de Natal Léo Souza; do deputado estadual Taveira Júnior; do vereador natalense Robson Carvalho; da vereadora natalense Anne Lagartixa; da jornalista Juliana Celli; da primeira-dama de Parelhas Dra. Júlia e do ex-prefeito de Caicó Bibi Costa. Estes dois últimos, entretanto, também estão em tratativas com o Avante, mas com quadro incerto.

Nos bastidores, aliados afirmam que outros nomes hoje considerados certos em outras nominatas ainda podem migrar para a legenda para completar um grupo de 25 candidatos considerados competitivos, além de nomes à federal.

Outro ponto observado nas articulações é a baixa presença feminina nas nominatas em formação. Pela legislação eleitoral, cada partido ou federação precisa garantir o mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero, o que tem levado as legendas a intensificar a busca por mulheres para completar as chapas.


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FÁBIO DANTAS: “CAMINHAMOS PARA ELEGER PELO MENOS SETE ESTADUAIS”

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O partido Republicanos no Rio Grande do Norte intensificou nas últimas semanas a articulação para formação de nominatas competitivas visando as eleições de 2026. A estratégia vem sendo conduzida por um grupo que reúne o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, o presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, e o ex-vice-governador Fábio Dantas. Nesta segunda-feira (16), eles registraram um dos encontros frequentes de articulações das nominatas a estadual e federal.

Nos bastidores, a expectativa do grupo é montar uma nominata robusta para a Assembleia Legislativa, com cerca de 25 nomes competitivos. Pelas projeções internas, a chapa pode alcançar até sete cadeiras estaduais, além de tentar viabilizar duas ou três vagas para a Câmara Federal.

“Está se conversando, mas caminha para eleger pelo menos sete estaduais e se viabilizar a eleição de dois ou três federais”, avaliou.

A montagem da chapa federal, segundo ele, ainda está em fase inicial: “Ezequiel e Paulinho é quem têm os nomes a serem trabalhados. Eles estão nesse trabalho”, pontuou.

Ao Diário do RN, Fábio Dantas afirmou que tem auxiliado diretamente na montagem da nominata, embora não pretenda disputar eleições: “Eu estou ajudando o presidente Ezequiel nesse período.

Cristiane [Dantas] provavelmente vai se filiar lá. Eu estou no Solidariedade, mas como não serei candidato a nada, não precisaria de filiação. Não disputarei mais eleições”, afirmou o marido da deputada estadual Cristiane Dantas, que deverá disputar a reeleição pela legenda.

Segundo ele, o trabalho tem sido focado em construir uma nominata equilibrada e competitiva, especialmente diante da dificuldade de montagem das chapas proporcionais neste ciclo eleitoral.

O Republicanos surge como uma saída para Ezequiel Ferreira diante das alterações provocadas por Walter Alves (MDB), que após o rompimento com a governadora Fátima Bezerra (PT) e escolha pela aliança com a federação União Progressista e Allyson Bezerra (UB), viu desfeita também a parceria com Ezequiel.

Apesar das especulações sobre possíveis alinhamentos políticos com a direita de Rogério Marinho (PL) em apoio ao Álvaro Dias para a disputa majoritária no Estado, Dantas afirmou que o foco atual da articulação está exclusivamente nas eleições proporcionais.

“Isso não foi discutido. O Republicanos é um partido de centro e deve receber gente de ambas as vertentes, com filiados que apoiam direita, esquerda e centro. Acredito que com liberdade de escolhas majoritárias. A prioridade agora é o mandato proporcional”, disse, reforçando que, até o fim da janela partidária, o esforço seguirá concentrado nas filiações.

Nomes em articulação
Entre os nomes já citados nos bastidores para compor a nominata estadual estão os deputados Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, Ubaldo Fernandes, Cristiane Dantas, Terezinha Maia e Eudiane Macedo, além do próprio Ezequiel Ferreira.

Outros nomes considerados fortes na formação da chapa incluem o médico e ex-prefeito de Assú Gustavo Soares, o presidente da Câmara de Natal Ériko Jácome, o vereador de Natal Robson Carvalho, o apresentador de TV Léo Souza, o ex-deputado Getúlio Rego e o ex-prefeito de Nova Cruz Flávio de Berói.

Também aparecem como possíveis novidades na nominata a apresentadora da Band Natal Juliana Celli.

Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que a diversidade regional e de perfis, reunindo parlamentares, ex-prefeitos, vereadores e nomes da comunicação, é parte da estratégia para ampliar o alcance eleitoral da legenda no Estado.


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CELLI: “AS PESSOAS ESTÃO CANSADAS DESSA BRIGA DA DIREITA E DA ESQUERDA” POPULAÇÃO”

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A jornalista e influenciadora digital Juliana Celli confirmou ao Diário do RN que entrará na política partidária e colocará seu nome à disposição do Republicanos nas eleições de 2026. A comunicadora deverá integrar a nominata que vem sendo estruturada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira, com foco na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Ao Diário do RN, ela afirmou que a candidatura ainda está em definição, podendo ocorrer tanto para deputada estadual quanto para deputada federal: “Meu nome está à disposição. Para deputada estadual ou federal”.

A entrada de Juliana na política representa um novo desafio em sua trajetória pública, construída principalmente nas redes sociais e na comunicação. Juliana Celli já atuou como apresentadora em programas jornalísticos e de entretenimento em rádio e TV. Atualmente apresenta o Band Mulher e acumula cerca de 60 mil seguidores no Instagram. Além disso, atua como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa.

Juliana tem a política no sangue. Seu pai, Bastinho da Campel, é ex-prefeito de Taipu. Segundo a jornalista, a decisão de se lançar oficialmente na disputa eleitoral ocorre após anos acompanhando os bastidores da política e da atividade parlamentar.

“Já estou na política há anos, nos bastidores. Entendo como funciona de perto esses bastidores e também a atividade parlamentar. A decisão de me filiar e colocar meu nome à disposição agora se deve, ao meu ver, à necessidade de novos nomes surgirem, que não estejam preocupados em defender esquerda ou direita, mas sim a população, principalmente as mulheres que vivem hoje talvez o momento mais triste de sua história, com recordes em números de violência”, declarou ela, que, além disso, já foi secretária de Estado da Comunicação e assessora do ex-governador Iberê Ferreira de Souza.

Juliana explicou que optou pelo Republicanos por considerar que a legenda oferece liberdade de posicionamento político e espaço para um perfil mais independente.

“É um partido de centro. Lá terei a liberdade de me posicionar do jeito que eu quiser. Posso criticar a esquerda quando acho necessário e a direita também. Acredito que é um partido que me dê essa liberdade. As pessoas estão cansadas dessa briga da direita e esquerda sem soluções para a população, inclusive eu”, avaliou.

Juliana Celli é assessora do presidente da Assembleia Legislativa há anos e reconhece que sua entrada no processo eleitoral também ocorre sob a liderança política de Ezequiel Ferreira. Segundo ela, a estratégia eleitoral ainda está sendo discutida.

“A gente está conversando com Ezequiel. Sou liderada dele. Sou assessora dele há anos. Ele confia em mim e sabe que serei a voz dele também onde eu estiver, inclusive numa dobradinha para federal”, afirmou.

A jornalista também ressaltou que sua candidatura não será apenas para cumprir cota de gênero, caso venha a se confirmar.

“Jamais aceitaria ser uma candidata laranja. Se for isso, todos sabem que estou fora. O Republicanos é um partido de grande expressão nacional e aqui no Estado virá forte para estadual e federal”, declarou.

Nesse sentido, a proteção às mulheres e a atenção à população mais vulnerável estão entre as pautas que pretende defender: “Sem dúvida, lutar pelo direito das mulheres e da população menos favorecida. Sempre lutei nas redes sociais e me coloquei, onde tive espaço, pelas minorias”, disse.

Ela destacou ainda a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de poder e reforçou que as mulheres precisam ocupar posições de decisão para avançar em políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.

“Pedimos por leis mais eficazes, mas são as mulheres no poder que nos garantirão essas conquistas. Mulheres devem estar nesses espaços se quisermos equidade de gênero”, afirmou.

Confiança na nominata
Ao comentar a formação da nominata do Republicanos no Rio Grande do Norte, que vem sendo conduzida por Ezequiel Ferreira, Juliana demonstrou confiança no potencial eleitoral do partido para 2026.

“Ezequiel é um grande articulador e um grande gestor. O Republicanos será o maior partido do Estado e poderá ser o que tenha mais êxito nas eleições. Ezequiel é o maior estrategista desse Estado. Ele não dá ponto sem nó”, afirmou.

Para ela, a presença de nomes vindos de diferentes áreas da sociedade faz parte da estratégia de fortalecimento da legenda.

“A minha possível candidatura tem o dedo dele porque sabe que o partido precisa estar em todas as esferas da sociedade. Atrair gente como eu, que nunca imaginou entrar numa disputa, mas que já impacta na sociedade positivamente”, concluiu.


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FÁTIMA: “O FEMINISMO É A LUTA PELA VIDA E PELA DIGNIDADE DAS MULHERES”

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No mês dedicado à reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade, o Diário do RN conversou com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), sobre sua trajetória política, os desafios de ocupar espaços historicamente dominados por homens e as inspirações que marcaram sua caminhada. Da infância em uma família pobre do interior à chegada aos principais cargos da política potiguar, deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora, ela relembra as motivações que a levaram à militância, fala sobre referências femininas que moldaram sua visão de mundo e analisa o cenário atual da participação das mulheres na política.

Na entrevista a seguir, a governadora também comenta sua visão sobre o feminismo, os avanços conquistados e os obstáculos que ainda persistem para que mulheres ocupem, de forma mais ampla, os espaços de poder e decisão.

Diário do RN – Por que resolveu entrar na política?
Fátima Bezerra – Isso tem origem na minha própria condição de classe social. Venho de uma família muito pobre, que enfrentou muitas dificuldades na vida. Acho que isso está na essência de eu ter sido atraída para a militância política e social. De uma forma que não foi planejada, a política foi se apresentando para mim como um caminho para enfrentar a injustiça, a opressão e as desigualdades. Surgiu como uma forma de lutar em defesa dos excluídos, dos que foram destituídos do direito de viver com dignidade, cidadania e sem violência.

Minha entrada no PT se encaixou nesse contexto, pelo próprio DNA do partido, que nasceu para lutar pelos direitos do povo trabalhador. E imagine: que outro partido possibilitaria que uma pessoa com a origem que tenho pudesse chegar aonde cheguei? Essa essência continua até hoje me inspirando: o sentido de me juntar a outras pessoas para lutar por mais direitos, oportunidades, justiça e cidadania.

Um exemplo muito concreto disso é a conclusão da transposição do São Francisco. A alegria que tenho de, junto com Lula, entregar a conclusão das águas do São Francisco pelo caráter civilizatório dessa obra. Para quem, quando menina, sentiu a sede de perto, hoje poder celebrar um ato desses é reafirmar que a política vale a pena. A política feita com seriedade, com espírito público e compromisso com a coletividade, pensando em melhorar a vida do povo, vale a pena. E faz compensar inclusive as agruras que nós mulheres ainda enfrentamos na participação política, embora já tenhamos vencido muitas barreiras.

DRN – Quais foram as inspirações para iniciar na política, e quais são inspirações hoje?
Fátima Bezerra – Quem primeiro me inspirou foi D. Luzia, minha mãe. Uma mulher nordestina que enfrentou tempos muito difíceis e conseguiu cuidar da família e dos filhos com tanta amorosidade. Ela foi um exemplo permanente de dedicação ao próximo. Como parteira, passou a maior parte da vida cuidando e dando assistência a mulheres em um dos momentos mais sagrados da vida, que é o momento do parto. Minha mãe nos deu lições profundas de solidariedade e generosidade que até hoje estão marcadas em nosso coração como fonte e propósito de vida.

Tínhamos uma família pobre, mas ela sempre enxergava que havia pessoas ainda mais pobres do que nós. E quanto mais difícil era a situação de alguém, maior era o zelo e a dedicação dela para ajudar. Ao jeito dela, e sem conhecer esses termos, minha mãe fazia uma militância social e humana extraordinária. Era uma mulher com um profundo senso de justiça.

Hoje há inúmeras mulheres desbravadoras que me inspiram. Mas gostaria de citar Dilma Rousseff, pela resiliência, pela altivez e pela história de vida. E Michelle Bachelet [ex-presidente do Chile], que cunhou uma frase muito forte: “quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política”.

DRN – Deputada estadual, federal, senadora e governadora, qual foi o cargo mais desafiador até agora como mulher na política?
Fátima Bezerra – Sem dúvida, o de governadora, pelas condições em que encontramos o Rio Grande do Norte. Era o estado mais violento do país, que não conseguia honrar seu compromisso mais básico, que era pagar os servidores públicos, e tinha serviços públicos essenciais completamente sucateados.

Mas, se foi o cargo mais desafiador, também é motivo de muito orgulho ter sido eleita e reeleita governadora pelo povo do Rio Grande do Norte. Tenho muito orgulho do trabalho que temos realizado junto à nossa equipe de governo e dos legados que estamos construindo.

Na segurança pública, na saúde, no enfrentamento à violência, conquistamos avanços importantes que impactam diretamente a vida das mulheres potiguares. Além disso, há obras estruturantes como a conclusão da transposição do São Francisco e a duplicação da BR-304. São entregas que dão sentido à nossa luta e ao nosso trabalho.

Sou eternamente grata ao povo do RN, que me acolheu de forma tão generosa e me permitiu ser deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora, dando a oportunidade de defendê-los em todos os espaços que ocupei. É uma honra imensa trabalhar todos os dias para melhorar a vida do nosso povo.

Em todos os lugares onde estive e estarei, sigo guiada pela defesa dos interesses do povo, especialmente dos que mais precisam, fazendo política com dignidade, honestidade e com a cabeça erguida.

DRN – Quais são os desafios de ser uma mulher num espaço ainda majoritariamente masculino?
Fátima Bezerra – A política é um retrato da sociedade. Muitas das dificuldades que enfrentamos como mulher na política são enfrentadas pelas mulheres no mundo corporativo, jurídico, no mercado de trabalho de forma geral. Apesar dos avanços que conquistamos, a política ainda é um espaço onde as mulheres são minoria. Estamos sub-representadas.

Na eleição de 2018, por exemplo, fui eleita a única governadora em 27 estados do país. No parlamento também não chegamos sequer a 20% de mulheres na Câmara ou no Senado. E as que estão nesses espaços sofrem ataques, tentativas de desqualificação, ameaças e até processos de cassação de seus mandatos.

Há mulheres, como Marielle, que pagaram com a vida pela ousadia de fazer política. Mesmo assim seguimos firmes, porque sabemos que cada mulher que rompe essa barreira e ocupa um espaço de poder ajuda a abrir portas para outras.

Se o Brasil tem maioria feminina na população, essa representação precisa ser melhor distribuída. Essas vozes precisam ser ouvidas. Mulheres que defendem a democracia, quando chegam à política, governam e legislam de forma mais inclusiva e abrangente.

DRN – Como a sra enxerga o feminismo, o que entende pelo movimento? Se sente acolhida pelo feminismo?
Fátima Bezerra – O feminismo é a luta pela vida e pela dignidade das mulheres. Muitas conquistas que temos hoje no mercado de trabalho, na política e na sociedade são fruto dessa luta histórica. É um movimento cada vez mais necessário diante de tempos de misoginia, de discursos de ódio, de opressão e de violência que continuam ceifando a vida de tantas mulheres e deixando marcas profundas por meio da violência física, sexual, psicológica e patrimonial.

O feminismo nunca quis estabelecer uma rivalidade entre mulheres e homens. Ao contrário, ele busca respeito. É um movimento que defende igualdade, paz e não violência. Afirma que a vida das mulheres importa e que mulheres são seres humanos, não objetos de poder, posse ou dominação.

Também precisamos compreender que o machismo prejudica toda a sociedade. Ele impõe aos meninos modelos de masculinidade muitas vezes violentos e adoecedores. Para as mulheres, porém, o machismo significa medo, abuso e morte desde muito cedo. Por isso, toda a sociedade precisa se unir para enfrentar essa epidemia de feminicídios, estupros e violência doméstica.

O Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado recentemente pelo próprio presidente da República e que convoca todos os poderes, é uma iniciativa extremamente necessária. A sociedade precisa se comprometer com essa luta.

Como governadora, não medi esforços para contribuir com a construção de um estado mais justo, democrático, inclusivo e acolhedor para todas as pessoas, em especial para as mulheres. Entre as ações realizadas, destaco a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, a criação da Casa Abrigo, a implementação da Patrulha Maria da Penha em todas as regiões do estado e o fortalecimento de programas como o Maria da Penha Vai à Escola e o Maria da Penha Vai às Cidades.


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PF FLAGRA SÓCIOS DA DISMED DISCUTINDO PAGAMENTO COM AUXILIAR DE ALLYSON

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Documentos da investigação da Operação Mederi, da Polícia Federal, revelam a atuação de mais uma personagem dentro da estrutura investigada por suspeita de fraude na contratação de medicamentos pela Prefeitura de Mossoró na gestão Allyson Bezerra (UB). A servidora Poliana Rezende Dantas, que ocupou cargos na área financeira da Secretaria Municipal de Saúde entre 2024 e 2025, aparece citada em pelo menos nove interceptações ambientais realizadas entre maio e junho de 2025 na sede da distribuidora de medicamentos DISMED.

As informações fazem parte de documentos aos quais o Blog do Dina, do jornalista Dinarte Assunção, teve acesso com exclusividade. Segundo decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), Poliana ocupa a quinta posição em uma estrutura formada por nove pessoas descritas no processo. Na decisão judicial, ela é apontada como “contato de confiança dentro da Secretaria Municipal de Saúde”, cuja participação seria considerada indispensável para a execução do esquema investigado.

Poliana foi nomeada pelo prefeito Allyson Bezerra por meio de portaria publicada em 31 de janeiro de 2025. O próprio documento judicial identifica o prefeito como o topo da estrutura investigada. Antes mesmo da nomeação, porém, já havia registros de contato entre a servidora e integrantes do grupo investigado.

Os autos obtidos pelo Blog do Dina apontam que 23 dias antes da nomeação, a servidora manteve troca de mensagens com Oseas Monthalggan Fernandes da Costa, sócio da DISMED e apontado como um dos principais operadores do esquema. Conforme os documentos, “verificou-se trocas de mensagens entre Poliana e o investigado Oseas Montalgghan, que foram realizadas nos dias 07, 08, 09, 14, 15, 16 e 17 de janeiro de 2025”.

O material indica que foram sete dias de conversas entre os dois. O conteúdo dessas mensagens não foi transcrito nos documentos disponibilizados à reportagem. Ainda assim, chama atenção o fato de que menos de um mês depois do último contato registrado, Poliana já estava oficialmente nomeada diretora financeira da Secretaria Municipal de Saúde.

A primeira menção direta ao nome da diretora nas interceptações ocorre em 9 de maio de 2025. Na conversa registrada pela investigação, Sidney, representante comercial que atuava como intermediário da DISMED, informa a Oseas que Mossoró havia recebido um ofício licitatório e que o documento tinha sido entregue à diretora financeira.

Na conversa interceptada, ele diz: “MOSSORÓ recebeu o ofício, viu, hoje! POLIANA, pra POLIANA, dá CARONA. Ela disse que segunda-feira respondia; a resposta de Oseas é direta: “Show de bola!”.

De acordo com os investigadores, a expressão “carona” refere-se à adesão a atas de registro de preços de outros entes públicos. Esse mecanismo permite que um município contrate produtos ou serviços a partir de licitações realizadas por outros órgãos, sem a necessidade de abrir um novo processo licitatório próprio. Segundo a investigação, o ofício mencionado seria o passo formal para ativar esse mecanismo, passando pela mesa da diretora financeira.

Quatro dias depois, em 13 de maio de 2025, uma nova interceptação registra Oseas planejando uma conversa reservada com Poliana. Pelo conteúdo da conversa, os investigadores inferem que a escolha do horário do almoço e a preocupação de encontrá-la sozinha indicariam a tentativa de estabelecer contato fora do ambiente institucional formal. A expressão “ver até onde vai dar pra ir” aparece no processo analisada dentro do contexto de tentativa de ampliar o volume das ordens de compra de Mossoró.

De acordo com outra interpretação dos investigadores, de 15 de maio de 2025, a diretora teria fornecido um modelo oficial de documento em formato Word, retirado do sistema da prefeitura, para orientar a distribuidora na apresentação da documentação exigida. Para a Polícia Federal, esse episódio reforçaria o papel de facilitadora atribuído a Poliana dentro da estrutura investigada.

Uma das escutas consideradas mais diretas envolve uma nota fiscal de R$ 231 mil. Em 2 de junho de 2025, Moabe Zacarias Soares, outro sócio da DISMED, liga para o telefone de Poliana. O pedido principal era para que ela localizasse no sistema da prefeitura a nota paga em 28 de abril de 2025 e desse baixa na contabilidade.

Minutos depois, em outra escuta do mesmo dia, Oseas comenta sobre a mesma nota: “Essa nota aqui só tem comissão de 15 mil, de Mossoró”. Para os investigadores, o valor de R$ 15 mil corresponderia à comissão ou propina vinculada ao pagamento.

Em 29 de maio de 2025, as interceptações registram sinais de tensão na relação entre o grupo investigado e a diretora. Em uma das conversas, Oseas tenta ligar para Poliana sem sucesso e comenta que ela poderia estar desconfiada. Minutos depois, outra conversa trata da necessidade de autorização dela para o andamento de determinada licitação comentada por eles.

Segundo informações administrativas da prefeitura, Poliana recebia salário base de R$ 3.020,00, acrescido de R$ 4.530 de representação pela função de gestora de contratos, totalizando R$ 7.550 mil mensais.

Dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró indicam que a DISMED Distribuidora de Medicamentos recebeu R$ 4.978.999,75 do município entre 1º de julho de 2024 e 1º de julho de 2025, período que coincide com a atuação de Poliana em cargos ligados à área financeira da Secretaria de Saúde.

Nas escutas interceptadas pela investigação, os próprios sócios da empresa descrevem uma divisão percentual dos contratos: 15% para o prefeito, 10% para a assessora, 25% de lucro da empresa e 50% em medicamentos fornecidos.

Aplicando essa fórmula ao volume de contratos registrados no período, a estimativa de propina gerada pelos contratos de Mossoró poderia chegar a R$ 1.244.749,94, sendo R$ 746.849,96 atribuídos ao prefeito Allyson Bezerra. Os próprios documentos da investigação ressaltam, no entanto, que os valores são projeções baseadas nas conversas interceptadas e não foram confirmados individualmente pelos investigadores.

A defesa da servidora foi procurada pelo Blog do Dina para comentar as citações nas investigações, mas informou que, como o processo tramita sob sigilo, não poderia se manifestar sobre o conteúdo.


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“TEM GENTE MAIS PREOCUPADA COM O GÊNERO DO QUE COM FEMINICÍDIO”

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A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou reações divergentes no cenário político nacional.

Em Natal, a vereadora Thabatta Pimenta (PSOL) saiu em defesa da parlamentar e classificou como “criminosa” a fala do apresentador Ratinho, que questionou a identidade de gênero da deputada durante programa exibido no SBT, em reação à escolha da deputada em presidir o colegiado.

Aliada política e amiga pessoal de Erika Hilton, Thabatta afirmou ao Diário do RN que o episódio expõe preconceitos ainda presentes na sociedade e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre os direitos das mulheres em suas diferentes realidades.

“Primeiro que transfobia é crime. Essa é uma fala totalmente criminosa, porque coloca corpos dissidentes, que somos nós pessoas trans e travestis, como se nem mulheres a gente pudesse ser, mas nós somos mulheres. É necessário dizer que nenhuma mulher é igual, todas nós somos diferentes. A questão é todinha em cima de preconceito, é apenas puro preconceito”, afirmou.

A parlamentar natalense alerta que o episódio também revela uma distorção nas prioridades do debate público: “Quando a gente debate as mulheridades numa comissão como a Comissão da Mulher, a gente precisa falar das violações que esses corpos sofrem. A gente vive num país com uma pandemia de feminicídio e de transfeminicídio, mas tem gente mais preocupada com a identidade de gênero dessa mulher”, disse.

A vereadora relatou que conversou com Erika Hilton logo após a repercussão das declarações e manifestou apoio à decisão da deputada de acionar o Ministério Público Federal para investigar o caso. “Ontem ela mesma disse que já ia entrar com a ação e ela entrou hoje, por danos coletivos, porque a fala dele não afeta só a Érika, ele afeta todas nós, mulheres trans e travestis”, disse.

Erika Hilton foi eleita nesta quarta-feira (11) para comandar a comissão da Câmara com 11 votos favoráveis contra dez votos em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado. No discurso de posse, a deputada afirmou que pretende conduzir os trabalhos com diálogo e foco na diversidade das mulheres brasileiras. Para Thabatta Pimenta, a eleição da parlamentar é legítima e reflete uma escolha política feita pelas próprias integrantes da comissão.

“Qual mulher mais não teria legitimidade como ela? Erika levou, por exemplo, o debate da escala 6×1. Ela está mostrando que nós não nos resumimos à pauta LGBT, como muitas vezes querem nos colocar. A comissão pauta todos os direitos de todas as mulheres”, afirmou.

A vereadora também destacou que a eleição foi resultado de votação entre deputadas e deputados que integram o colegiado, incluindo mulheres cisgênero.

“Ela não chegou ali por acaso. Foi escolha de muitas outras mulheres que também não são trans.

Essas mulheres que votaram para que ela presidisse a comissão sabem que ela é um corpo importante naquele lugar e legítimo para pautar diversas questões”, acrescentou.

Thabatta avalia ainda que parte das críticas à eleição de Erika Hilton ignora a diversidade de experiências femininas e pode acabar reproduzindo exclusões: “Quando alguém diz que só é mulher quem gesta, quem pare ou quem amamenta, também ataca outras mulheres cis que não conseguem passar por isso. O maternar não se resume a isso. É muito triste ver outras mulheres legitimando esse discurso de ódio”, afirmou.


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COM WALTER ALVES, JADER FILHO ANUNCIA NOVAS UNIDADES HABITACIONAIS PARA O RN

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O presidente do MDB no Rio Grande do Norte, Walter Alves, esteve reunido nesta quinta-feira (12) em Brasília com o ministro das Cidades, Jader Filho. Ele ouviu do ministro que, em breve, serão anunciadas novas unidades do programa Minha Casa Minha Vida para o Rio Grande do Norte.

Walter Alves agradeceu ao ministro as 12 mil unidades com as quais o estado já foi contemplado e as 6 mil contratadas. Ele explicou que o pleito agora é para que seja agilizada a construção e a entrega dessas casas. E pediu também por novas unidades.

“Eu recebo os prefeitos, os vice-prefeitos e é aquele pleito: Walter, fala lá com o Ministério das Cidades para apressar as casas aqui. E não só o beneficiário, Jader, como também a economia gira rápido. Então, assim, a gente está muito animado com a perspectiva auspiciosa com relação a isso também”, disse o presidente do MDB.

O ministro Jader Filho elogiou o “grande trabalho que tem sido feito pelo nosso governador Walter Alves em defesa do povo do Rio Grande do Norte”. Ele explicou que a meta traçada pelo presidente Lula era de 2 milhões de casas por todo o país, mas que essa marca já foi superada.

“Nós já temos contratadas 2.220.000 casas, gerando emprego, renda e realizando o sonho da casa própria das famílias, tanto no Brasil como no nosso querido Rio Grande do Norte. E dizer que a gente vai ampliar ainda mais”, afirmou.

Jader Filho lembrou que atualmente está aberta uma seleção do Minha Casa Minha Vida Rural e do Minha Casa Minha Vida Entidades. “Atenção as entidades e as prefeituras que quiserem ter casas tanto na área rural quanto também na zona urbana, estamos aqui neste momento finalizando o processo”, alertou.

E acrescentou, anunciando mais unidades para o RN: “Vamos fazer a seleção e, daqui a pouquinho, a gente anuncia mais casas para o povo do meu querido estado do Rio Grande do Norte”.


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“PRECISAMOS OCUPAR ESPAÇOS DE PODER PARA CONSTRUIR DECISÕES MAIS JUSTAS”

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A presença feminina na política ainda é minoritária no Brasil, mas, para a vice-prefeita de Natal, Joana Guerra (Republicanos), ocupar esses espaços é parte essencial do processo de transformação social. Em entrevista ao Diário do RN, ela fala sobre sua trajetória na gestão pública, os desafios enfrentados por mulheres em ambientes políticos majoritariamente masculinos e a importância de ampliar a participação feminina nas decisões que impactam a vida da população.

Ao refletir sobre o papel das mulheres na política, a vice-prefeita reconhece que ainda existe uma predominância masculina nos espaços de poder e admite que, muitas vezes, as mulheres precisam demonstrar mais competência para obter o mesmo reconhecimento. Para ela, a melhor forma de enfrentar esse cenário é com trabalho, preparo e resultados, ajudando a quebrar preconceitos e consolidar a presença feminina na política.

Joana também destaca que Natal tem buscado avançar na participação das mulheres na gestão pública. De acordo com ela, atualmente cerca de 45% do primeiro escalão da administração municipal é composto por mulheres, o que considera um sinal de compromisso com maior representatividade.

Além da atuação na gestão municipal, Joana Guerra também tem papel na organização partidária. Ela preside o Republicanos em Natal e atua como secretária estadual de Mulheres da legenda no Rio Grande do Norte, defendendo que os partidos avancem além das cotas eleitorais e invistam na formação e no fortalecimento de lideranças femininas.
A seguir, a entrevista concedida ao Diário do RN.

Diário do RN – Em que momento da sua vida você percebeu que a política seria um caminho possível?
Joanna Guerra – Minha trajetória começou muito antes de disputar um cargo eletivo. Sou formada em Gestão de Políticas Públicas pela UFRN, com especialização em Gestão Pública pelo IFRN e mestrado em Estudos Urbanos e Regionais também pela UFRN, e durante muitos anos atuei na área de planejamento e gestão pública. Foi nesse contato direto com a construção de políticas públicas, participando da elaboração de projetos e acompanhando decisões que impactam a vida das pessoas, que percebi que a política também poderia ser um caminho natural para ampliar essa contribuição e ajudar a transformar realidades.

DRN – Ser mulher influenciou de alguma forma sua decisão de entrar na política? Como?
Joanna Guerra – Ser mulher certamente influencia nossa forma de olhar para a política. Ao longo da minha trajetória, sempre tive consciência de que ainda somos minoria nos espaços de poder. E isso não me afastou da política, pelo contrário, reforçou a convicção de que precisamos ocupar esses espaços, levar nossa perspectiva e contribuir para decisões mais justas, sensíveis e representativas da sociedade.

DRN – Como é ocupar hoje o cargo de vice-prefeita em um ambiente político ainda majoritariamente masculino?
Joanna Guerra – É uma grande responsabilidade, mas também uma oportunidade de contribuir para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. A política brasileira ainda tem predominância masculina, mas em Natal temos buscado dar um exemplo diferente. Hoje, a gestão municipal conta com um percentual expressivo de mulheres no primeiro escalão, chegando a cerca de 45% do secretariado, o que demonstra um compromisso real com a participação feminina na condução das políticas públicas da cidade.

Além disso, o Rio Grande do Norte tem uma história muito forte de pioneirismo feminino na política, o que aumenta ainda mais o senso de responsabilidade de quem ocupa um cargo público hoje. Foi aqui que tivemos Alzira Soriano, a primeira mulher eleita prefeita na América Latina, ainda em 1928. Também tivemos lideranças marcantes como Wilma de Faria, primeira mulher prefeita de Natal e depois governadora do estado, além de outras mulheres que abriram caminhos na política e na gestão pública.

Estar hoje como vice-prefeita de Natal significa dar continuidade a esse legado e, ao mesmo tempo, trabalhar para que cada vez mais mulheres possam participar da política não como exceção, mas como parte natural da construção das decisões que impactam a sociedade.

DRN – Você sente que precisa provar mais competência do que colegas homens para ocupar o mesmo espaço?
Joanna Guerra – Infelizmente, em muitos momentos as mulheres ainda precisam demonstrar mais para ter o mesmo reconhecimento. Mas eu acredito que o melhor caminho é responder com trabalho, seriedade e resultados. Quando mostramos capacidade, preparo e dedicação, ajudamos a desconstruir preconceitos e a consolidar o espaço das mulheres na política.

DRN – Houve algum episódio marcante em que você sentiu claramente o peso do machismo na política?
Joanna Guerra – A política, como outros ambientes de poder, ainda carrega práticas e visões antigas. Em alguns momentos percebemos questionamentos ou julgamentos que muitas vezes não seriam feitos da mesma forma a um homem. Essas situações existem, mas procuro encará-las como parte de um processo maior de transformação, em que cada avanço das mulheres ajuda a mudar essa cultura.

DRN – Quais pautas relacionadas às mulheres ainda precisam avançar mais no poder público municipal?
Joanna Guerra – O enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo uma das maiores prioridades. Em Natal, temos fortalecido a rede de proteção com o trabalho da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Semul), que atua no acolhimento, orientação e desenvolvimento de ações de prevenção e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Outro instrumento muito importante é a atuação da Patrulha Maria da Penha, que tem reforçado o acompanhamento e a proteção de mulheres com medidas protetivas, garantindo mais segurança e presença do poder público na defesa de suas vidas.

Também avançamos em políticas que impactam diretamente o cotidiano das mulheres. Um exemplo importante foi zerar a fila por vagas em creches em Natal, uma conquista que representa mais dignidade e oportunidade para muitas mães que precisam trabalhar, estudar ou empreender com a tranquilidade de ter seus filhos em um espaço seguro e de qualidade.

Mas ainda precisamos seguir avançando em outras frentes igualmente estratégicas, como a autonomia econômica das mulheres, ampliando oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e apoio ao empreendedorismo feminino.

DRN – Os partidos políticos realmente incentivam candidaturas femininas ou ainda tratam as mulheres como cota eleitoral?
Joanna Guerra – Houve avanços importantes na legislação e dentro dos partidos, mas ainda precisamos evoluir muito. Não basta apenas cumprir cotas formais! É fundamental investir na formação, no apoio e na visibilidade das mulheres na política.

Falo também a partir da experiência prática. Hoje tenho a responsabilidade de presidir o Republicanos em Natal e de atuar como secretária estadual de Mulheres do partido no Rio Grande do Norte. Há um movimento a nível nacional neste Partido e temos trabalhado para fortalecer cada vez mais a participação feminina, estimulando a formação política, o surgimento de novas lideranças e a construção de candidaturas competitivas.

No Republicanos, o movimento feminino tem ganhado força e organização, justamente com o objetivo de garantir que as mulheres não estejam na política apenas para cumprir uma exigência legal, mas para ocupar espaços de decisão, influenciar agendas e contribuir efetivamente para o desenvolvimento das cidades e da sociedade. Quando os partidos realmente acreditam no protagonismo feminino, o resultado é mais diversidade, mais representatividade e uma democracia mais forte. E aqui em Natal e no Rio Grande do Norte, dentro das minhas atribuições partidárias, busco fortalecer as mulheres republicanas e incentivar também uma participação feminina não só em maior número, mas projetos cada vez mais fortes de ocupação de mulheres na política Norte-Rio-Grandense.


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OPOSIÇÃO APOSTA QUE FÁTIMA BEZERRA NÃO RENUNCIA E VAI CONCLUIR MANDATO

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A possibilidade de uma eleição indireta para o Governo do Rio Grande do Norte, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar o Senado em 2026, ainda é tratada com cautela por parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa. Para o deputado estadual da direita, Tomba Farias (PL), o cenário mais provável é que a governadora permaneça no cargo até o fim do mandato. “Ela fica no governo até o fim. Porque ela não tem os votos. Ela só renunciará se tiver a certeza de que tem os votos”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Diário do RN.

Pelas regras, caso a renúncia ocorra no último ano de mandato, a escolha do novo governador é feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa, que reúne 24 deputados estaduais. Para vencer, o candidato precisa de maioria simples, ou seja, pelo menos 13 votos. Segundo Tomba, a direita ainda não discute nomes para uma eventual disputa justamente porque não acredita que a governadora vá abrir mão do cargo sem a garantia de eleger um sucessor.

“Deixa eu fazer uma pergunta: Fátima vai renunciar? Fátima sai do governo? Se ela não tiver votação, ela sai? Então, se ela não sai, não tem eleição. Como é que nós vamos botar os carros na frente dos bois? Nem Rogério Marinho conversou nada com a gente ainda sobre isso. A gente não tem nem certeza que tem que começar a trabalhar nisso. Quem está trabalhando muito é a esquerda, mas a esquerda está trabalhando para ver se tem os votos”, afirmou.

O deputado avalia que, hoje, nenhum dos grupos políticos possui os 13 votos necessários para garantir a eleição de um candidato. Para ele, esse equilíbrio de forças explica por que o debate ainda não avançou de forma concreta entre os parlamentares. “O problema é que nós (a direita) temos hoje dez votos. Precisa de 13. Quem é que tem 13 votos? Ninguém. Se tem alguém que tem votos, somos nós da direita. A esquerda não tem 13. O centro não tem 13”, disse.

A lógica do deputado vem sendo considerada nos bastidores por diferentes grupos políticos. Se Fátima não conseguir a maioria, não haverá eleição indireta, porque ela não renunciará.

Nesse cenário de forças equilibradas, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), é apontado por diferentes grupos como o principal articulador e possível fiel da balança na definição de um nome capaz de reunir maioria. Recentemente, chegou a circular nos bastidores a hipótese de um nome considerado conciliador: o do secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha (PSD), que possui trânsito em diferentes grupos políticos.

No entanto, fontes próximas à presidência da Assembleia negam que essa possibilidade esteja sendo discutida neste momento. Segundo essas fontes, o nome de Saldanha não foi tratado por Ezequiel nem com o próprio secretário nem com o governo estadual, o que indica que, ao menos por enquanto, ele não integra as negociações.

Nomes ligados ao PT afirmam que o partido vai continuar insistindo em um candidato dos seus quadros. “O PT vai bater o pé. Tem que ser alguém do PT”, afirmou à reportagem um interlocutor próximo ao partido.

O partido da governadora insiste em Cadu Xavier, o candidato que vem sendo trabalhado até agora. Entretanto, entende que o pré-candidato enfrenta mais dificuldades por ser o nome do grupo para a eleição de outubro, enquanto Francisco do PT poderia representar uma alternativa de negociação. O deputado, inclusive, é apontado por parlamentares de centro pela maior capacidade de diálogo por já integrar a própria Assembleia.

Francisco admitiu, em conversa com o Diário do RN, que a prioridade pessoal é disputar a reeleição para deputado estadual em 2026, mas não descarta participar de um eventual projeto partidário caso seja necessário: “O projeto que eu venho trabalhando é o da reeleição à deputada estadual. Eu tenho dito isso em todo lugar. Mas eu tenho 35 anos de filiação ao PT, todos os mandatos que exerci foram pelo partido, então tenho compromisso partidário e coletivo”, disse.

Nos bastidores da Casa, o cenário é de forte resistência a um nome diretamente ligado ao PT.

Mesmo assim, o partido ainda aposta na construção de um acordo político mais amplo e não trabalha, neste momento, com outras alternativas fora da legenda. Cadu continua sendo prioridade do projeto, mas o grupo dá a entender que tem uma carta na manga: “Ainda vamos usar acordo. Então não se discute isso agora”, garante o interlocutor do PT.


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DEFINIÇÃO DE NOMINATAS: PL SAI NA FRENTE; FEDERAÇÃO DE ESQUERDA AVANÇA

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A menos de um mês do fim da janela partidária, prazo que se encerra em 4 de abril, os partidos intensificam articulações para fechar as nominatas que disputarão as oito cadeiras do Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Das maiores chapas, até o momento, três movimentos se destacam no cenário potiguar: a nominata já fechada do Partido Liberal (PL), a composição quase concluída da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e a dificuldade de organização da federação União Progressista (União Brasil e PP), que enfrenta perda de nomes e incertezas internas.

O PL foi o primeiro partido a apresentar uma nominata completa para disputar a Câmara Federal no Rio Grande do Norte. A lista, divulgada nesta semana, reúne nove nomes e tem como meta eleger quatro deputados federais, metade da bancada potiguar em Brasília.

Entre os confirmados estão os atuais deputados federais Sargento Gonçalves, General Girão e Carla Dickson, além de lideranças com atuação em diferentes regiões do Estado. Também integram a nominata a secretária municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal e vereadora licenciada Nina Souza, o coronel Brilhante, o ex-prefeito de Caraúbas Juninho Alves, a ex-candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante Gabriela Trajano, a ex-reitora da Ufersa Ludmila Oliveira e o vereador de Assú Pedro Filho, ligado ao segmento evangélico.

O partido aposta na soma do capital eleitoral de nomes que já demonstraram força nas urnas com candidatos que possuem capilaridade regional. Nas eleições de 2022, por exemplo, General Girão foi eleito com 76.698 votos, enquanto Sargento Gonçalves conquistou 56.315 votos. Já Nina Souza teve 6.127 votos na eleição municipal de Natal em 2024, mas deve herdar parte da base política do marido, o prefeito da capital Paulinho Freire, que foi eleito deputado federal em 2022 com 77.906 votos. Carla Dickson teve 43.191 votos e ficou na suplência de Paulinho Freire.

Federação Brasil da Esperança organiza chapa competitiva
No campo oposto ao PL, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também avança na organização da nominata para deputado federal. Entre os nomes já colocados como pré-candidatos estão os atuais deputados Natália Bonavides e Fernando Mineiro, ambos do PT. A chapa também reúne a vereadora de Mossoró Marleide Cunha, a vereadora de Natal e presidente estadual do PT Samanda Alves, o ex-prefeito de Currais Novos, Odon Júnior, o secretário estadual de Agricultura Familiar ,Alexandre Lima, o deputado estadual Doutor Bernardo, pelo PV, e a vereadora natalense Thabatta Pimenta, também pelo PV.

A definição do nono integrante da nominata ainda depende de negociação. A vaga pode ficar com a vereadora de Natal Brisa Bracchi, do PT, ou com o ex-deputado federal Rafael Motta, que vem conversando com o PCdoB sobre uma possível filiação para compor a chapa.

A federação também reúne nomes com histórico eleitoral expressivo. Natália Bonavides foi a deputada federal mais votada do estado em 2022, com 157.565 votos. Fernando Mineiro obteve 83.481 votos na mesma eleição. Já Thabatta ultrapassou 50 mil votos na disputa para a Câmara em 2022, embora não tenha sido eleita em razão do cálculo proporcional. Na eleição municipal de 2024, ela recebeu 7.085 votos em Natal para vereadora.

Em Mossoró, a vereadora Marleide Cunha obteve 13.333 votos, representando uma aposta da federação para garantir presença eleitoral na segunda maior cidade do estado — fator considerado estratégico na montagem da nominata.

União Progressista enfrenta dificuldade para fechar chapa
Já a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, vive um cenário de incerteza. Até o momento, três nomes permanecem como pré-candidatos: o deputado João Maia, do PP, e os deputados Benes Leocádio e Robinson Faria, do União Brasil. Nas eleições de 2022, os três registraram votações expressivas: João Maia recebeu 104.254 votos, Benes Leocádio obteve 100.693 votos e Robinson Faria conquistou 93.319 votos.

Mesmo com esse capital eleitoral, a formação da nominata enfrenta obstáculos. A dificuldade de atrair novos candidatos e de cumprir a cota mínima de candidaturas femininas tem gerado preocupação entre os integrantes da federação.

Além disso, o ex-deputado Kelps Lima, que era cotado para integrar a nominata, já comunicou ao grupo que mudou de planos. Nesta quarta-feira (11), ele esteve em Brasília em reuniões com dirigentes partidários e publicou nas redes sociais uma foto ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos. A movimentação reforça a possibilidade de Kelps migrar para o Republicanos, legenda que vem sendo articulada no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, dentro de um novo arranjo político no campo da direita.

Diante da dificuldade para completar a chapa e garantir competitividade no sistema proporcional, os próprios da federação União Progressista já avaliam a possibilidade de buscar outras legendas que ofereçam melhores condições de eleição.


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ACESSO À INTERNET EM ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DO RN SUPERA MÉDIA NACIONAL

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O Rio Grande do Norte está muito próximo da universalização do acesso à internet em escolas públicas de ensino básico. Informações divulgadas pelo Censo Escolar 2025 indicam que o estado deu um salto de 42,9 pontos percentuais em dez anos. Em 2015, 55,2% das instituições públicas de ensino infantil, fundamental e médio estavam conectadas à internet no Rio Grande do Norte.

Em 2025, o percentual chegou a 98,1%. O percentual do estado supera a média nacional, que registrou 93,1% em 2025.

Levando em conta apenas as instituições em áreas urbanas, a evolução no Rio Grande do Norte foi de 79% para 99,5% entre 2015 e 2025 (20,5 pontos percentuais). Já nas áreas rurais, o avanço foi de 66,6 pontos percentuais: saiu do patamar de 29,6% em 2015 para 96,2% em 2025. O mesmo fenômeno se refletiu em escolas quilombolas e de educação especial. Nas quilombolas, o avanço foi de 58 pontos percentuais, de 35,3% em 2015 para 93,3% em 2025. Na educação especial, o salto foi de 69,9% para 98,7% (28,8 pontos percentuais).

No plano mais diretamente conectado ao cotidiano dos estudantes no Rio Grande do Norte, subiu 76,9 pontos percentuais (de 30,3% para 76,9%) o número de escolas públicas com internet disponível para atividades de ensino e aprendizagem entre 2019 e 2025, e cresceu 22,8 pontos percentuais (de 48,5% para 71,2%) o número de escolas com computadores disponíveis para alunos (desktops ou laptops) entre 2019 e 2025.

ESTRATÉGIA NACIONAL

Os avanços no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas – Foto: Reprodução

Os avanços observados no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas nos últimos anos para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas. Lançada em setembro de 2023, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) articula ações voltadas à expansão do acesso à internet de qualidade, à melhoria da infraestrutura elétrica e de rede interna (Wi-Fi) e à promoção do uso pedagógico das tecnologias digitais. Entre 2023 e 2025, foram destinados aproximadamente R$ 3 bilhões para ações de conectividade em escolas estaduais e municipais, em regime de colaboração com estados e municípios.

FINS PEDAGÓGICOS
“Nós queremos a tecnologia na escola com fins pedagógicos, para auxiliar a aprendizagem do aluno e ser elemento complementar do professor. Há um esforço do governo de garantir 100% da conectividade para fins pedagógicos das escolas”, afirmou o ministro Camilo Santana (Educação).

A Estratégia opera de forma integrada. Combina expansão da infraestrutura, monitoramento técnico da qualidade da conexão e apoio às redes de ensino para garantir que o acesso esteja associado a condições efetivas de aprendizagem e uso pedagógico.

“O censo apresenta a conectividade em geral, mas ela pode ser para a sala do professor, para o diretor, para a área administrativa. O que queremos é que o professor possa transmitir um vídeo em sala. E é por isso que criamos a Estratégia de Conectividade de Escolas, e passamos de 45% em 2023 para 70% este ano”, completou Santana.

COMO É FEITO
O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e contabiliza 178,8 mil escolas de educação básica no Brasil. A divulgação dos resultados de 2025 foi realizada em 26 de fevereiro de 2026. O levantamento apresenta dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades de ensino.

PARA QUE SERVE
Os indicadores do censo são usados para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Os resultados servem, ainda, para a definição de programas e critérios para atuação do MEC junto às escolas, aos estados e aos municípios. Além disso, subsidiam o cálculo de indicadores, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e possibilita contextualizar os resultados das avaliações, bem como o monitoramento da trajetória dos estudantes desde seu ingresso na escola. A precisão dos dados é base para o repasse de recursos de federais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), no ano seguinte.

INDICADOR COMPLEMENTAR
Complementarmente ao Censo, o Ministério da Educação usa o Indicador Escolas Conectadas (INEC), no âmbito da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, para avaliar se essa internet atende às condições necessárias para o uso pedagógico. O indicador considera a velocidade da conexão, a presença de Wi-Fi nos ambientes escolares e a infraestrutura elétrica compatível, além de integrar diferentes fontes de informação, como medições de velocidade da internet, registros contratuais e dados validados por gestores.


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AVANÇO DAS DOENÇAS RENAIS NO PAÍS LANÇA ALERTA SOBRE RISCOS E PREVENÇÃO

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Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim chama a atenção para um problema de saúde pública que cresce de forma silenciosa no Brasil e no mundo: as doenças renais crônicas. A data busca ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico, especialmente entre pessoas com fatores de risco.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e do Ministério da Saúde, cerca de 12 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de doença renal. Estimativas mais amplas indicam que a Doença Renal Crônica (DRC) pode atingir até um em cada dez brasileiros, o que representa mais de 20 milhões de pessoas.

Apesar da dimensão do problema, muitos casos ainda não são diagnosticados. A nefrologista e vice-presidente da SBN no Nordeste, Kalyanne Cabral, explica que a doença costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce.

“A doença renal crônica é geralmente assintomática até as fases finais. Então, se o paciente que é hipertenso, diabético, obeso ou cardiopata não fizer um rastreio da função renal, ele pode ter a doença e não saber”, alerta.

Segundo a especialista, os primeiros sinais costumam surgir quando o comprometimento dos rins já está avançado, muitas vezes próximo da necessidade de hemodiálise ou transplante. Por isso, a realização de exames preventivos é fundamental.

Entre as principais causas da doença renal crônica estão a hipertensão arterial, responsável por cerca de 33% dos casos, e o diabetes, que responde por aproximadamente 30%. Outros fatores, como obesidade, doenças cardíacas e o uso frequente de anti-inflamatórios, também contribuem para o desenvolvimento da doença.

“É importante destacar que as principais causas da doença renal são muito comuns na população, como hipertensão e diabetes. Por isso a doença renal crônica acaba sendo tão prevalente”, explica a médica.

Os rins desempenham funções essenciais para o organismo, como filtrar o sangue, eliminar toxinas, controlar a pressão arterial e produzir hormônios importantes. Quando deixam de funcionar adequadamente, podem surgir complicações graves que exigem tratamento contínuo.

No Brasil, mais de 140 mil pessoas realizam diálise regularmente. O Sistema Único de Saúde financia cerca de 90% desses tratamentos, incluindo hemodiálise e diálise peritoneal. Em 2024, o governo federal anunciou um reajuste de aproximadamente R$ 600 milhões no financiamento da terapia renal substitutiva.

Mesmo assim, os desafios permanecem. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas morram todos os anos no país antes de conseguir acesso à diálise ou ao transplante renal.

A nefrologista também destaca que o tratamento da doença renal em estágios avançados traz impactos que vão além da saúde, incluindo o alto consumo de recursos naturais e a geração de resíduos.

“Quando a doença só é tratada nas suas fases finais, ela acaba sendo de tratamento muito caro e de alto impacto ambiental, principalmente em relação à diálise. Cada sessão usa muitos litros de água. E tem também a questão do acúmulo de lixo biológico e do consumo de energia elétrica.

Então, é um tratamento muito caro e que pode ser evitado se a gente conseguir um diagnóstico precoce da doença renal”, observa.

A médica lembra, no entanto, que o diagnóstico pode ser feito de forma simples, por meio de exames acessíveis.

“Basta realizar dois exames disponíveis no SUS [Sistema Único de Saúde], a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. São exames simples que permitem avaliar a função renal”, explica.

Panorama do RN
No Rio Grande do Norte, o cenário acompanha a tendência nacional de crescimento das doenças renais. Com isso, o estado tem registrado aumento na demanda por tratamentos e também por transplantes.

Em 2025, o RN alcançou um recorde histórico ao realizar 426 transplantes de órgãos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública. Entre eles, os transplantes renais estão entre os mais frequentes. Mesmo com o avanço, ainda existem filas de espera por esse tipo de procedimento.

Ações de conscientização
Para marcar o Dia Mundial do Rim, profissionais de saúde e instituições ligadas à nefrologia realizam ações de conscientização em diferentes cidades do Rio Grande do Norte.

Segundo a nefrologista Kalyanne Cabral, a programação inclui atividades de orientação e exames voltados principalmente para pessoas com fatores de risco.

“Na quinta-feira vamos ter ações em Natal e também no interior, organizadas pelos serviços de nefrologia e de diálise, com verificação de pressão arterial, testes de glicemia, distribuição de vouchers para exames de creatinina e atividades de conscientização da população”, explica.

A programação será encerrada no domingo (15), com um evento aberto ao público no Parque das Dunas, em Natal, promovido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia no estado (SBN-RN).

“Vamos ter palestras de conscientização, atividades físicas orientadas e esclarecimento de dúvidas. Será um momento importante de orientação e cuidado com a saúde”, pontua a médica.


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“NOVA PONTA NEGRA”: TERCEIRA AUDIÊNCIA PÚBLICA CONSOLIDA PROPOSTAS PARA PROJETO

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A Prefeitura do Natal realizou na manhã desta terça-feira (10) a terceira e última audiência pública do projeto “Nova Ponta Negra”, que prevê a requalificação da orla de Ponta Negra, encerrando o ciclo inicial de encontros destinados à escuta da população e à consolidação de contribuições para o futuro projeto de urbanização da orla. O evento ocorreu na sede da Associação dos Moradores dos Parques Residenciais Alagamar e Ponta Negra (AMPA) e reuniu representantes do poder público, do setor turístico e da sociedade civil.

Participaram da audiência secretários municipais, representantes do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes e Similares do Rio Grande do Norte (SHBRS/RN) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), além de comerciantes, moradores e outras entidades representativas da região. O vereador Irapoã Nóbrega, vice-presidente da Comissão de Indústria, Turismo, Comércio e Empreendedorismo da Câmara Municipal de Natal, também esteve presente representando o Legislativo.

Durante o encontro, foi apresentado o diagnóstico consolidado a partir das oficinas e audiências públicas realizadas desde fevereiro deste ano. Ao todo, quase 200 contribuições foram registradas ao longo do processo participativo, reunindo sugestões encaminhadas por moradores, entidades, profissionais do setor turístico e representantes da sociedade civil. As propostas foram coletadas tanto em encontros presenciais quanto por meio de canais de participação abertos pelo Grupo de Trabalho Nova Ponta Negra.

Durante a audiência, o secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae), Arthur Dutra, destacou que a participação popular foi determinante para fortalecer o planejamento do projeto. “Recebemos quase 200 contribuições pelos canais que os grupos de trabalho abriram, que enriqueceram o projeto. Esse processo foi intensificado pela participação popular. Essa é a fase final do projeto para o lançamento do edital do concurso, que vai ser impregnado de muitas contribuições que a cidade trouxe”, afirmou.

Segundo o secretário, o envolvimento de diferentes setores da sociedade ampliou o debate sobre o futuro de Ponta Negra, um dos principais cartões-postais da capital potiguar. “Agradeço o empenho das entidades e da população durante todo esse processo. Sem essa participação o projeto não teria o mesmo valor e a mesma qualidade que estamos conseguindo construir.

Estamos todos em prol de Ponta Negra, que é o nosso principal cartão postal”, acrescentou.

A audiência desta terça-feira encerrou o ciclo de três encontros públicos promovidos pela Prefeitura para discutir as diretrizes do projeto. A primeira oficina foi realizada no dia 23 de fevereiro e marcou o início do processo de escuta com moradores, comerciantes e representantes do trade turístico.

Durante a programação, o diretor de Planejamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Luiz Augusto Correia, apresentou os principais dados ambientais já existentes sobre a área de intervenção na orla de Ponta Negra.

Segundo ele, as informações utilizadas no diagnóstico foram reunidas a partir de estudos técnicos já realizados por diferentes órgãos da administração municipal.

“Esses dados foram reunidos a partir de levantamentos já existentes na Semurb, na Secretaria Municipal de Infraestrutura e em outros estudos técnicos relacionados ao território. Esse conjunto de informações foi organizado para subsidiar tecnicamente o concurso público e orientar os profissionais que irão apresentar propostas para a intervenção na orla”, explicou.

Para o vereador Irapoã Nóbrega, o debate sobre o futuro de Ponta Negra precisa envolver não apenas os profissionais do setor turístico, mas toda a população. Segundo ele, o desenvolvimento da região deve estar associado à preservação ambiental e à valorização do patrimônio natural.

“Não só quem trabalha diretamente com o turismo, mas toda a população merece um turismo de meio ambiente e sustentável para a nossa cidade. A gente precisa unir essas duas ideias, porque Natal precisa se desenvolver bem mais do que vemos hoje”, afirmou.

O vereador também ressaltou que as críticas e sugestões apresentadas durante o processo participativo podem contribuir para fortalecer o planejamento da nova orla e o desenvolvimento turístico da cidade. “A gente vê as pessoas comparando a nossa orla com a de outros estados, mas precisamos somar esforços, unir o setor formal e o informal, hotéis, guias e comerciantes, para que Natal se desenvolva mais e consiga manter o turista dentro da cidade”, disse.

A audiência pública também contou com espaço para manifestações da sociedade civil, mediante inscrição prévia e dentro do tempo estabelecido no regimento do encontro. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal oficial da Prefeitura do Natal no YouTube, garantindo transparência e acesso público às discussões.

Sobre o “Nova Ponta Negra”
O projeto Nova Ponta Negra prevê a requalificação urbanística e paisagística da orla, com diretrizes voltadas à melhoria da infraestrutura, ampliação de áreas verdes, criação de espaços de convivência, conforto térmico, iluminação pública e ampliação da acessibilidade. A proposta também busca reorganizar o uso dos espaços públicos e fortalecer o potencial turístico da região.

A iniciativa ganhou impulso após a conclusão da obra de engorda da praia, finalizada em janeiro de 2025, que ampliou a faixa de areia em até 100 metros. A partir dessa nova configuração, a Prefeitura iniciou o processo de discussão sobre o planejamento urbanístico e paisagístico da área.

O processo participativo integra a fase preparatória do Concurso Nacional de Arquitetura e Urbanismo que será promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), com apoio técnico da Prefeitura e acompanhamento do Grupo de Trabalho Nova Ponta Negra. A expectativa é que as propostas apresentadas no certame reflitam as demandas levantadas ao longo das audiências e oficinas.

Com a conclusão das audiências públicas, o Grupo de Trabalho Nova Ponta Negra dará continuidade às próximas etapas do processo, que incluem a elaboração e o lançamento do edital do concurso nacional de arquitetura. A iniciativa deverá selecionar a melhor proposta de urbanização e paisagismo para a orla da Praia de Ponta Negra, avançando no projeto de requalificação de um dos principais cartões-postais de Natal.


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“PARA MIM É PÁGINA VIRADA E VAMOS EMBORA”, DIZ NINA SOBRE UNIÃO BRASIL

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A vereadora licenciada de Natal e secretária municipal de Assistência Social, Nina Souza (União Brasil), afirmou que recebe “com tranquilidade” a nota divulgada nesta terça-feira (10) pela direção nacional e estadual do partido que nega a concessão de carta de anuência para mandatários no Rio Grande do Norte. A manifestação foi publicada após reportagem do Diário do RN revelar articulações políticas que indicavam a possibilidade de liberação de vereadores da legenda para disputar as eleições de 2026 por outras siglas sem risco de perda de mandato.

Assinada pelo presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e pelo presidente estadual da sigla, José Agripino Maia, a nota afirma que, conforme o estatuto do partido, a concessão de carta de anuência depende de decisão colegiada da comissão executiva competente e da convergência de três quintos dos votos de seus membros. O documento afirma que “não houve e não haverá a expedição de carta de anuência para nenhum mandatário no âmbito do Estado do Rio Grande do Norte”.

A resposta do partido confronta informações publicadas pelo Diário do RN nesta terça-feira, segundo as quais articulações do prefeito de Natal, Paulinho Freire (UB), junto à direção nacional da legenda teriam garantido a anuência para vereadores do partido migrarem para outras siglas dentro do projeto político da direita potiguar para 2026.

Entre os nomes citados nas articulações estava Nina Souza, que já anunciou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados na nominata do PL. Diante da nota divulgada pela direção do União Brasil, a vereadora afirmou à 98 FM que seguirá seu caminho político sem confrontos com o partido.

“Olha, eu recebo com tranquilidade essa nota, porque num passado bem remoto, o União Brasil aqui no município foi um partido que nós acolhemos, que nós resolvemos ingressar nele.

Fizemos o nosso trabalho, o nosso papel, trabalhamos juntos para que ele fosse erguido. Então hoje ele é um partido que criou envergadura, tem vereadores, deputados estaduais e tem também deputado federal. A questão de dar ou não a carta é discricionária. Eu sei das consequências. E os mandatos que eu tive, quem me deu foi o povo. E só o povo pode tirar”, afirmou.

A vereadora ressaltou que pretende seguir com o projeto político já anunciado e que não pretende entrar em embates com a legenda. Para Nina, mesmo correndo risco de perda do mandato, há potencial de se eleger deputada federal, e mesmo assim, ela tem espaço garantido à frente da pasta de assistência social do município.

“Vou para a minha missão. Minha missão será na legenda e vou entregar ao povo do Rio Grande do Norte o meu destino político, com muita tranquilidade. Sem brigas, sem embates com ninguém. Não quero brigas nem embates com ninguém. Recebo tranquilo e vou seguir a minha vida e o meu trabalho como sempre fiz. Então é isso. Para mim é página virada e vamos embora”, completou.

Além de Nina, outros vereadores do União Brasil em Natal são citados nas articulações políticas que envolvem a reorganização das nominatas para 2026. Entre eles estão Camila Araújo e Robson Carvalho, mencionados como possíveis reforços em chapas proporcionais de partidos aliados ao grupo político que reúne o senador Rogério Marinho (PL), o prefeito Paulinho Freire, o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).

Procurada pelo Diário do RN, Camila Araújo confirmou apenas que pretende deixar o União Brasil para se filiar ao PL, mas não respondeu se aceitaria fazer a mudança sem a carta de anuência do partido. Já o vereador Robson Carvalho não respondeu aos contatos da reportagem.

As articulações fazem parte de um movimento mais amplo de reorganização partidária do grupo político de direita no Estado, que também envolve conversas para que o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, assuma o comando do Republicanos no Rio Grande do Norte e conduza a formação das nominatas do partido para a disputa proporcional de 2026.


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