SUPERMERCADOS DO RN AVALIAM FIM DA ESCALA 6×1: “A GENTE NUNCA FOI CONTRA”

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso — abre um novo debate entre empresas e trabalhadores sobre os impactos da mudança na rotina dos setores produtivos.
No Rio Grande do Norte, o segmento supermercadista acompanha a transição com atenção. O presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Gilvan Mikelyson, afirma que o setor nunca se posicionou contra a alteração da escala, mas defende que os efeitos da medida sejam avaliados considerando os diferentes perfis de empresas.
“A gente, do setor supermercadista do Rio Grande do Norte e do Brasil, nunca foi contra a mudança da escala 6×1. O que a gente pleiteava, sempre pleiteou, é que fossem enxergados os impactos”, afirmou Gilvan Mikelyson.
Segundo o presidente da entidade, grandes redes possuem maior capacidade de adaptação, enquanto pequenos estabelecimentos podem enfrentar dificuldades para reorganizar equipes e custos.
“Uma empresa maior absorve essas situações numa boa, ela se adapta rápido, inclusive. Se precisar absorver, ela absorve, se precisar repassar, ela repassa. Mas empresas menores, setores que têm uma parte de imparcialidade, precisam entender quais os impactos que vão causar”, explicou.
Para Gilvan, um dos desafios do setor atualmente é justamente a atração e retenção de trabalhadores. Ele avalia que a modernização das relações de trabalho pode contribuir para tornar as vagas mais atrativas, desde que a implementação seja planejada.
“Nós temos uma dificuldade hoje, por exemplo, de ser atrativos a empregos, as pessoas a virem trabalhar no nosso setor. Pelo que eu já sabia, inclusive, dos modelos trabalhistas que nós temos.
Nós temos que modernizar esses modelos”, comentou.
Antes mesmo da aprovação da PEC, algumas empresas do setor já começaram a testar modelos alternativos de jornada. Em agosto, o Favorito Supermercados iniciou a implantação gradual da escala 5×2 em três unidades no Rio Grande do Norte.
O modelo prevê cinco dias de trabalho e dois dias consecutivos de descanso. Segundo a empresa, a mudança busca melhorar as condições de trabalho e contribuir para a permanência dos profissionais.
O diretor comercial da rede, Vinicius Gama, afirmou, à época, que a decisão não está relacionada diretamente ao debate político sobre redução da jornada, mas a uma iniciativa interna voltada aos trabalhadores.
Para Gilvan Mikelyson, experiências como essa ajudam o setor a compreender os impactos antes de uma mudança definitiva.
“Já temos muitos pilotos, inclusive, nós temos um piloto aqui no estado, que já está nos passando. Está dando feedback no que está dando certo e qual é a dificuldade, qual é o impacto que está causando”, esclareceu.
Efeitos positivos da PEC incluem qualidade de vida e produtividade

Na avaliação do presidente da Assurn, a mudança pode trazer efeitos positivos principalmente para a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. Ele considera, porém, que a reorganização das equipes precisa levar em conta os períodos de maior movimento dos supermercados.
“Os impactos positivos, primeiro, a saúde, qualidade de vida, a saúde do trabalhador”, disse.
Gilvan também avalia que uma melhor distribuição da jornada pode refletir na produtividade, desde que as empresas façam um planejamento adequado.
“Se for feito da forma correta, a gente tem que muito bem estudar dias de movimento, horários de movimento”, afirmou.
Ele destacou que o setor supermercadista funciona em uma dinâmica contínua, com necessidade de trabalhadores em diferentes horários e dias da semana.
“A atividade não pode parar. Alguém vai estar em casa descansando e alguém vai estar trabalhando. Nós temos que ter pessoas para trabalhar. Então, talvez, modernizando esses modelos de relação trabalhista, as coisas melhorem”, explicou.
Gilvan também acredita que a mudança na escala pode ajudar a ampliar o interesse dos trabalhadores pelo setor supermercadista, que já oferece oportunidades de crescimento profissional.
“Com esse aumento da escala, voltamos a ser atrativos, porque já temos muitos benefícios no nosso setor para os trabalhadores”, comentou.
Segundo ele, as empresas supermercadistas oferecem planos de carreira e possibilidade de crescimento para profissionais que permanecem no segmento.
“Hoje, quem se dedica dentro da sua profissão cresce e cresce rápido, porque as lojas estão crescendo, ampliando”, afirmou.
O presidente da Assurn ressaltou ainda que o mercado brasileiro possui características diferentes de outros países, com grande diversidade de empresas e forte concorrência.
“No Brasil, nós temos vários modelos e tamanhos diferentes de empresas. Uma coisa é uma empresa nacional, que tem milhares de empregos e consegue se adaptar facilmente. Outra coisa é uma empresa pequena, familiar, que trabalha ali a família que já tem cinco pessoas e tem cinco funcionários, e vai ter que contratar mais dois”, explicou.
Para o representante do setor, a próxima etapa será acompanhar a aplicação prática da nova regra e buscar equilíbrio entre as necessidades do



































