SURTO DE BICHO-DE-PÉ TRAZ ALERTA SOBRE PREVENÇÃO E CUIDADOS

O diagnóstico de cerca de 100 crianças e adolescentes com tungíase, conhecida popularmente como bicho-de-pé, no assentamento Luiz Beltrame, no conjunto Parque dos Coqueiros, Zona Norte de Natal, chamou a atenção para uma doença ainda presente em comunidades com infraestrutura precária.
Alguns pacientes apresentavam entre 30 e 40 lesões provocadas pelo parasita, evidenciando o impacto da infecção quando não há prevenção e tratamento precoces.
Diante da repercussão dos casos, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) esclareceu que a situação não configura um surto capaz de gerar alarme na população. Segundo a pasta, a tungíase integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas, que afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade social, com acesso limitado à água potável, saneamento básico e serviços de saúde.
Em nota, a secretaria informou que já desenvolve ações periódicas de assistência aos moradores do assentamento Luiz Beltrame e que uma atividade da equipe do Distrito Sanitário Norte II, inicialmente prevista para este mês, será antecipada em razão dos relatos dos casos.
“A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informa que realiza periodicamente ações de saúde para os moradores do Assentamento Luiz Beltrame, no Parque dos Coqueiros, com a intenção de atender às demandas relacionadas ao bem-estar desta população. Com relação aos casos de tungíase, uma ação com a equipe do Distrito Sanitário Norte II já estava programada para acontecer este mês no local, e devido aos relatos, a ação será antecipada”, informou a pasta.
A tungíase é uma infecção provocada pela penetração da fêmea da pulga Tunga penetrans na pele, parasita permanece alojado no tecido, onde provoca inflamação, dor e coceira.
A médica infectologista Mônica Bay ressalta que a doença está diretamente associada às condições ambientais.
“É uma infecção associada a condições precárias de moradia e acesso à água corrente. Não existe nenhuma vacina ou medicamento para prevenção. O tratamento é a remoção do parasita, que pode ser feito em consultório ou numa unidade básica de saúde”, explica.
Segundo ela, embora seja popularmente conhecida como bicho-de-pé, a infecção não se limita aos pés.
“Pode ocorrer em outras partes do corpo. Se a pessoa deitar no solo, por exemplo, o verme pode atingir costas, pernas e outras regiões. O parasita fica no solo e penetra na pele quando existe contato prolongado com terra, areia ou grama”, afirma.
Prevenção depende de medidas simples
A infectologista destaca que não existe vacina nem medicamento capaz de impedir a infecção. A principal forma de proteção continua sendo evitar o contato direto da pele com o solo contaminado.
“A prevenção é não andar descalço, especialmente em contato direto com o solo, e sempre lavar bem os pés com água e sabão”, orienta.
Os primeiros sinais da tungíase costumam surgir poucos dias após a penetração do parasita na pele.
“Coceira intensa, vermelhidão, dor, sensação de corpo estranho e inchaço na região afetada estão entre os principais sintomas”, explica a infectologista.
Quando o parasita permanece por muito tempo na pele, pode aumentar de tamanho e formar uma pequena lesão esbranquiçada com um ponto escuro no centro, característica típica da doença.
Sem tratamento adequado, o quadro pode evoluir para complicações.
“No local onde está o parasita ocorre uma infecção sobreposta por bactérias. É o que chamamos de infecção secundária”, afirma Mônica Bay.
A orientação é que pessoas que apresentem lesões suspeitas procurem uma Unidade Básica de Saúde para avaliação e retirada adequada do parasita. O procedimento deve ser realizado por um profissional de saúde, evitando tentativas caseiras que podem provocar ferimentos ou favorecer infecções.



























