MULHERES NEGRAS LIDERAM LUTA POR IGUALDADE NO RIO GRANDE DO NORTE

  • por
Compartilhe esse post

Na semana em que o país celebra as conquistas femininas, dados mostram que a realidade nem sempre é igual para todos. No Rio Grande do Norte, o racismo contra mulheres segue como uma das faces mais duras da desigualdade social. Estrutural e muitas vezes silencioso, ele se manifesta nos indicadores de violência, renda, saúde e representatividade política.

De acordo com dados das Nações Unidas no Brasil, mulheres negras nordestinas têm quatro vezes mais chances de serem assassinadas do que mulheres brancas. No Rio Grande do Norte, esse índice é ainda mais alarmante, chegando a ser oito vezes maior. Os números revelam uma vulnerabilidade que atravessa gerações e expõe o peso combinado do racismo e do machismo.

Entre janeiro e novembro de 2025, o estado registrou aumento de 10,2% nos casos de feminicídio, com 21 mortes, superando o total contabilizado em 2024. Levantamentos indicam um cenário ainda mais preocupante, com o Rio Grande do Norte figurando entre as maiores taxas de feminicídio do Nordeste, segundo o estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

No mercado de trabalho, a desigualdade também se impõe. No RN, mulheres negras recebem, em média, 33% a menos que mulheres brancas. Elas ocupam com maior frequência postos informais e funções com menor proteção social. A exclusão se estende aos espaços de poder: embora representem parcela significativa do eleitorado, ainda são minoria em cargos de decisão.

A violência institucional é outro ponto crítico. Mulheres negras figuram entre as principais vítimas de violência obstétrica e relatam atendimentos marcados por negligência, longas esperas e menor oferta de anestesia durante o parto. Casos de discriminação em serviços públicos e privados também compõem o cenário de racismo estrutural no estado.

Paradoxalmente, o aumento das denúncias pode ser interpretado como sinal de maior conscientização. Registros de violações racistas no Rio Grande do Norte mais que dobraram entre 2023 e 2024, acompanhando uma alta de 101,5% na região Nordeste. Contudo, especialistas apontam que, embora haja atualmente uma elevação dos casos, há mais informação e incentivo para que vítimas busquem seus direitos.

Diante desse contexto, movimentos de mulheres negras têm intensificado ações de mobilização e formação política. Integrante da organização Kilombo, da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e do Comitê Impulsor de Mulheres Negras Potiguares, Dalvaci Neves afirma que março é um período simbólico de fortalecimento da luta.

“As mulheres negras estão organizadas com o intuito de acabar com o racismo e com o machismo. O ‘março de lutas’ vem dar visibilidade à violência contra a mulher negra”, destaca.

Segundo ela, o racismo estrutural empurra mulheres negras para os piores indicadores sociais.

“Os dados mostram que estamos nas piores rendas, exercemos trabalhos mais precários e somos minoria nos quadros de gestão pública e privada. Assim como na política e no mercado de trabalho, também na questão da violência somos as mais atingidas”, afirma.

A pauta da educação também aparece como prioridade. Dalvaci defende o cumprimento das leis que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, não apenas em datas comemorativas. “A educação precisa enfrentar o racismo no dia a dia e promover igualdade de gênero e raça. Esperamos que o novo Plano Nacional de Educação traga diretrizes concretas nesse sentido”, pontua.

Outro aspecto ressaltado é o enfrentamento ao padrão de embranquecimento imposto historicamente às mulheres negras. “Durante muito tempo fomos pressionadas a mudar nossa aparência para sermos aceitas. Queremos que cada mulher possa assumir sua identidade e ser respeitada por sua competência”, diz.

Encerrando a programação do mês, o movimento promove, no próximo dia 19, às 14h, um curso de letramento racial, com aula inaugural online. O evento contará com a participação de Nayara Leite, representante do Instituto Odara, da Mulher Negra, sediado em Salvador, e coordenadora da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

De acordo com Dalvaci, mais do que um encontro virtual, a atividade simboliza um esforço coletivo para transformar estatísticas em mudança concreta. Em meio aos desafios, mulheres negras potiguares seguem organizadas, reafirmando que igualdade não é concessão, é direito.

Políticas públicas no RN
No campo das políticas públicas, o Rio Grande do Norte sancionou recentemente a Lei nº 11.938, de iniciativa da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), que institui a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo Institucional. Para as ativistas, o avanço é importante, mas precisa sair do papel e alcançar a vida cotidiana.


Compartilhe esse post

EMPREENDEDORISMO FEMININO: FOCO EM PLANEJAMENTO E VISÃO ESTRATÉGICA MARCAM AVANÇO DA PETISQUERIA

  • por
Compartilhe esse post

O empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte atravessa um período de crescimento consistente e transformação estrutural. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae/RN), com base em levantamentos do IBGE, apontam que entre 2021 e 2024 o número de novos registros de Microempreendedor Individual feitos por mulheres saltou de 10.298 para 15.793, um aumento de 53%.

Hoje, elas estão à frente de aproximadamente 30% das empresas no estado, o que representa mais de 100 mil negócios sob liderança feminina. Mais de 90% dessas iniciativas são microempresas ou MEIs, um retrato de um perfil empreendedor marcado pela formalização, atuação por conta própria e busca por independência financeira. Só nos primeiros meses de 2025 mais de 4 mil empresas foram formalizadas por mulheres.

A maior presença feminina nos negócios também revela um recorte social importante: cerca de 46% das empreendedoras no RN são chefes de domicílio. Muitas encontram no próprio negócio uma alternativa para conciliar renda, flexibilidade e autonomia. Ainda assim, desafios persistem.

Segundo o Sebrae/RN, 63,7% apontam a dificuldade de acesso a capital como principal barreira ao crescimento, enquanto homens seguem majoritários nas lideranças de empresas de maior porte.

História de Sucesso
É nesse cenário de avanço e desafios que histórias de consolidação ganham destaque, especialmente no setor de alimentação, um dos mais ocupados por mulheres no estado. Em Natal, o Grupo Petisqueria é um desses exemplos de profissionalização, identidade de marca e expansão planejada.

Fundado há mais de cinco anos, o negócio nasceu da união de três mulheres, amigas e também com laços familiares, que identificaram um nicho de mercado voltado à gastronomia para celebrações e eventos. A proposta inicial era oferecer petiscos sofisticados, com apresentação artesanal e serviço que unisse sabor, estética e praticidade.

A operação começou de forma enxuta, estruturada a partir das experiências complementares das sócias Cecilia Madruga, Emanuele Belchior e Sanylle Faraj. O que era uma produção voltada a encontros sociais evoluiu gradualmente para uma empresa estruturada, com atuação consolidada em eventos corporativos e sociais na capital potiguar.

Com equipe composta quase integralmente por mulheres, o grupo aposta na valorização feminina em todas as etapas do processo, da produção à gestão. A combinação entre visão empresarial, controle administrativo e desenvolvimento constante de produto sustenta o crescimento planejado.

CEO responsável pelo comercial e relacionamento institucional do grupo, Cecilia Madruga destaca o protagonismo feminino como elemento central da cultura da empresa. “Acreditamos na força do empreendedorismo feminino e na capacidade de gestão das mulheres. Nossa equipe é majoritariamente feminina, e isso se reflete na atenção aos detalhes, no cuidado com o atendimento e na construção da experiência”, ressalta.

À frente da gestão administrativa, Emanuele Belchior explica que o crescimento foi sustentado por organização e capacitação contínua. “A profissionalização da operação sempre foi uma prioridade. Investimos em capacitação, planejamento financeiro e organização de processos para garantir crescimento estruturado”, diz.

Segundo ela, o empreendedorismo feminino exige preparo permanente. “Trabalhamos com indicadores, metas e planejamento de expansão. O empreendedorismo feminino exige preparo e consistência, e estamos construindo isso diariamente junto com toda a nossa equipe”, completa.

Ao longo da trajetória, o grupo ampliou o portfólio e diversificou serviços. Torres de salame, quiches artesanais, tábuas personalizadas e sobremesas com sabores regionais tornaram-se marca registrada da casa. A identidade visual cuidadosa e o padrão de qualidade ajudaram a fortalecer o reconhecimento da marca no mercado local.

Em 2026, a Petisqueria inicia uma nova etapa estratégica com a inauguração da loja física em formato de empório, instalada no mesmo endereço do espaço para eventos, no bairro Lagoa Nova.

A proposta é concentrar no local toda a experiência construída ao longo dos anos e ampliar as frentes de receita.

Atualmente, o grupo concentra suas atividades em três frentes: buffet para eventos corporativos e sociais, operação da loja física em formato takeaway e produção própria, que inclui almoço executivo e linha de congelados. O planejamento para o ano também prevê a ampliação do espaço destinado às celebrações, fortalecendo a estrutura que já conta com ambiente garden para encontros de menor porte.

Para Cecilia Madruga, o movimento representa um passo natural dentro do planejamento estratégico do grupo. “Atuamos desde o início com a convicção de que a Petisqueria poderia se tornar mais do que um buffet. Sempre enxergamos potencial de marca. A loja física no formato empório representa um passo estratégico dentro do nosso planejamento para 2026. É uma forma de consolidar a identidade do grupo e aproximar ainda mais o cliente da nossa proposta”, afirma.

Na área técnica e de desenvolvimento de produtos, Sanylle Faraj reforça que a expansão acompanha o comportamento do público. “O cardápio da Petisqueria foi construído com base em identidade de anos de experiência profissional e alto padrão de qualidade. Ao longo dos anos, fomos entendendo o comportamento do nosso público e ampliando as possibilidades de consumo”, afirma.
Ela explica que o novo almoço executivo e a linha de congelados surgem como desdobramento dessa escuta. “É o mesmo sabor já reconhecido nos eventos, agora disponível no dia a dia.

Acredito muito na sensibilidade feminina na gastronomia, no cuidado com apresentação, equilíbrio e acabamento. Isso faz parte do nosso diferencial competitivo”, ressalta.

Em meio aos dados que apontam o crescimento do empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte, a trajetória da Petisqueria exemplifica esse movimento. O caso evidencia mulheres à frente de negócios estruturados, com foco em gestão, posicionamento de marca e expansão planejada, transformando uma operação de pequeno porte em empresa consolidada no mercado local.


Compartilhe esse post

DIVANEIDE: “MUITAS VEZES É PRECISO ‘BATER NA MESA’ PARA GARANTIR RESPEITO”

  • por
Compartilhe esse post

Socióloga, professora e doutora em Ciências Sociais pela UFRN, a deputada estadual Divaneide Basílio (PT) tem trajetória marcada por origem, identidade e compromisso social: “Sou filha de trabalhadores rurais, nascida em Pedro Avelino e criada na zona Norte de Natal, região onde resido até hoje”. Foi nesse território e no exemplo da família que Divaneide construiu a compreensão de que a política não se limita aos espaços institucionais.

“Cresci vendo meus pais lutarem pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, acreditarem profundamente na educação como ferramenta de transformação”, destaca a deputada ao Diário do RN.

A formação nas pastorais sociais, nos movimentos populares e na universidade consolidou essa visão. O ingresso na política institucional, segundo ela, foi consequência de uma militância que já existia na vida comunitária. As inspirações que moldaram essa caminhada também têm raízes profundas.

“Minhas primeiras inspirações vieram de casa: meus pais, meus avós, especialmente meu avô Chico, que fortaleceu minha identidade racial: de mulher negra de comunidade, e minha avó Generosa, com sua sabedoria popular. Hoje, minha maior inspiração continua sendo o povo que represento, mulheres, mães atípicas, população negra, trabalhadores e trabalhadoras, além dos meus filhos, que renovam diariamente meu compromisso com um futuro mais digno”, ressalta.

Ser mulher na política já impõe obstáculos, mas, para Divaneide, o desafio se intensifica pela dimensão racial: “Ser mulher, e especialmente mulher negra, na política é enfrentar diariamente o machismo e o racismo estruturais. É precisar provar o tempo todo a própria capacidade, lidar com tentativas de silenciamento e com a deslegitimação constante da nossa voz. Muitas vezes é preciso ‘bater na mesa’ para garantir respeito. Ainda assim, seguimos ocupando esses espaços com cuidado, porque nossa presença é transformação”.

Ao falar sobre feminismo, a deputada faz questão de situá-lo a partir da realidade concreta das mulheres que representa. Para ela, não há dissociação entre gênero, raça e classe.

“Para mim, só é válido um feminismo popular, que dialoga com a realidade das mulheres trabalhadoras, negras, dos bairros, mães, que enfrentam múltiplas opressões. Além do conceito, é um instrumento de libertação coletiva”, define a deputada.

Divaneide afirma se reconhecer e se sentir fortalecida nesse campo: “Eu sou uma mulher feminista, e sou acolhida especialmente pelo feminismo que reconhece as interseccionalidades e compreende que raça, classe e território atravessam a experiência das mulheres. É nesse campo que me sinto representada e fortalecida, porque ele dialoga com minha trajetória e com o projeto de sociedade que defendo”, reforça.

Isolda Dantas: “O feminismo é a luz, é a bandeira que nos conduz”

“Muitas vezes há uma invisibilidade da gente como representante” – Foto: Reprodução

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) tem caminho inseparável dos movimentos sociais e da luta feminista. Sua entrada na política não foi motivada por projeto individual, mas resultado de um processo de formação política e consciência crítica construída ao longo da vida. “A minha história sempre foi uma história muito ligada aos movimentos sociais. Eu comecei pelo movimento estudantil, depois me encontrei com o feminismo e depois fui participar do governo Lula e do governo Dilma”, relata.

A experiência institucional veio depois, primeiro como vereadora em Mossoró, por dois anos, e em seguida como deputada estadual, cargo que hoje exerce em seu segundo mandato.

“O que me fez ingressar na política foi exatamente essa construção de uma consciência crítica, de que era possível mudar a vida das pessoas para melhor através da política”, define.

Ao falar sobre suas inspirações, Isolda afirma que não se trata de qualquer referência feminina, mas de mulheres comprometidas com a transformação social. Nesse percurso, ela cita feministas do Brasil e do mundo e faz referência especial à militante Nalu Faria, destacando sua atuação na construção de um feminismo de base, coletivo e enraizado na organização das mulheres rurais.

Também lembra Celina Guimarães, símbolo da luta pelo direito ao voto no Rio Grande do Norte.

“Hoje, a minha inspiração é quando eu vejo mulheres rurais se organizando em grupo querendo transformar a vida. Quando eu vejo as jovens que se desafiam a entrar na política, mesmo com todos os desafios que elas enfrentam de violência política”, destaca a parlamentar.

Para a deputada, os principais desafios de ser mulher na política passam pelo reconhecimento enquanto sujeito político: “Os principais desafios hoje da política é a gente ser respeitada como sujeitos que pensa. Muitas vezes há uma apropriação indevida das nossas ideias, do nosso lugar, e há uma invisibilidade da gente como representante”.

Ela alerta que a desigualdade estrutural tem consequências diretas na vida das mulheres: “O que a gente tem hoje, dessa forma de que a sociedade nos vê como cidadã não pensante, que acha no direito de nos matar, é porque a gente não tem um mundo de igualdade”.

Nesse contexto, Isolda Dantas define o feminismo como elemento central da história política das mulheres. Por isso, critica tentativas de negar esse legado.

“Foi o feminismo quem nos fez votar, foi quem nos fez ter o direito de trabalhar, foi quem nos fez ter o direito de falar, de gritar e de dizer que nós queremos construir um mundo igual. Hoje tem muitas mulheres que querem entrar na política negando o feminismo. Nós não podemos negar o feminismo porque foi ele que nos trouxe até aqui”, ressaltou Isolda.

Para esta reportagem, o Diário do RN buscou as cinco parlamentares que compõem a bancada feminina da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. As deputadas Cristiane Dantas (Solidariedade), Eudiane Macedo (PV) e Terezinha Maia (PL) não encaminharam suas respostas até o fechamento.


Compartilhe esse post

ÁLVARO DIAS DEFENDE UM NOME DE CONSENSO PARA O MANDATO-TAMPÃO

  • por
Compartilhe esse post

Em meio à possibilidade de uma eleição indireta no Rio Grande do Norte, o pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (Republicanos) avaliou que o cenário ideal seria a escolha de um nome de consenso para assumir um eventual mandato tampão, embora reconheça que esse entendimento é difícil diante da atual polarização política.

Em entrevista concedida ao Diário do RN, Álvaro defendeu que, caso se confirme a necessidade de uma eleição indireta, o Estado deveria ser conduzido por um perfil técnico, sem compromissos políticos imediatos. Para ele, esse seria o caminho mais adequado para enfrentar o momento delicado das finanças e da gestão estadual.

“O mandato tampão, na minha ótica, deve ser assumido por um técnico, uma pessoa que possa assumir sem maiores compromissos políticos, para começar a tomar as medidas duras, difíceis, que o Estado deve tomar para reencontrar os caminhos do desenvolvimento e do progresso perdidos no atual governo da professora Fátima Bezerra”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de esse nome reunir apoio de todos os grupos políticos, inclusive da esquerda, Álvaro destacou que esse seria o cenário ideal, justamente para viabilizar decisões impopulares, mas necessárias. “Eu acho que era o ideal, um nome de consenso, um nome que pudesse realmente, com apoio de todos, tomar medidas impopulares, medidas duras, para que o Estado possa então começar a se preparar para depois da eleição o novo governador realmente dar continuidade a essas medidas”, disse.

Apesar disso, o pré-candidato ponderou que a chance de entendimento amplo é pequena. Segundo ele, a forte polarização nacional tem reflexos no Rio Grande do Norte e pode impedir o entendimento. “A discussão sobre o nome vai ser tomada entre direita e esquerda. Acho difícil se entenderem. A eleição está muito polarizada a nível nacional e essa polarização está refletindo aqui no estado”, avaliou.

Álvaro também afastou a possibilidade de apoio ao nome eventualmente indicado pela governadora Fátima Bezerra. Na visão dele, a tendência é que a direita apresente um nome próprio, buscando diálogo com o maior número possível de lideranças.

“O nome técnico deverá ser apresentado pelo nosso grupo político. Nós vamos procurar dialogar, conversar com o maior número de lideranças possível, para que essa pessoa que venha assumir interinamente o governo possa ter um apoio consistente, relevante, para iniciar essas medidas impopulares que são necessárias”, afirmou.

Em entrevistas anteriores, o líder do grupo integrado por Álvaro, Rogério Marinho (PL), apontou como as chamadas “medidas impopulares” para o novo governador, a privatização da Caern, a federalização da UERN, fim do aumento real de salário para servidores e um Plano de Demissão Voluntária para os trabalhadores do Estado.

O grupo também inclui Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB) e deve ter oficializada aliança com Ezequiel Ferreira (PSDB), que pode assumir o Republicanos. Ezequiel Ferreira deve ser o elo decisivo para as definições do candidato e dos votos para a eventual eleição indireta, que deve acontecer caso a governadora Fatima Bezerra (PT) decida pela renúncia para concorrer ao Senado Federal.

Até agora, os três grupos presentes na Assembleia Legislativa conversam entre si para avaliar a possibilidade de acordo. Por enquanto, o único grupo que apresenta candidato é a esquerda, diante do projeto político do PT nacional de ampliar a bancada no Senado, incluindo Fátima. A governadora tenta emplacar Cadu Xavier, que já é o pré-candidato do sistema governista nas eleições de outubro.

O centro está até agora dividido entre apoiar a cadeira do Executivo, em caso de dupla vacância, nas mãos do PT, ou apresentar nome próprio. Já a direita, segundo Álvaro Dias, deve seguir projeto próprio.


Compartilhe esse post

ZÉ AUGUSTO REGO ASSUME A FEMURN E DEFENDE UNIÃO EM PROL DOS MUNICÍPIOS

  • por
Compartilhe esse post

A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) realizou, na manhã desta quarta-feira (4), a solenidade de posse de seu novo presidente, o prefeito de Portalegre, José Augusto de Freitas Rêgo (UB), conhecido como Zé Augusto. O evento reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de prefeitos, prefeitas, autoridades e lideranças municipalistas de diversas regiões do estado.

Durante a cerimônia, foi assinada a ata que oficializou Zé Augusto no comando da entidade. Ele assume a presidência após a renúncia de Babá Pereira (PL), que deixou o cargo para se dedicar à pré-candidatura a vice-governador do RN nas eleições de outubro, em decisão que, segundo afirmou, preserva a isenção institucional da federação perante os 167 municípios filiados.

“Entendo que não compatibilidade em estar pré-candidato a um cargo majoritário e continuar presidente da federação, então por isso resolvi antecipar minha saída”, afirma Babá Pereira.

Zé Augusto cumprirá o mandato à frente da FEMURN até o final de 2026. Em seu discurso de posse, o novo presidente destacou o compromisso com o fortalecimento do municipalismo potiguar e com uma gestão aberta ao diálogo.

Em entrevista, Zé Augusto também apresentou diretrizes para sua gestão, ressaltando a necessidade de modernização da entidade e de fortalecimento das finanças municipais. “Temos que ver a questão do fortalecimento das receitas, modernizar e inovar a FEMURN, como também criar um fórum de inter-poderes para que a gente possa debater os problemas dos municípios. A presença dos representantes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo nesta solenidade demonstra que o municipalismo é uma causa coletiva. Precisamos caminhar juntos para garantir mais autonomia, recursos e respeito às nossas cidades”, disse.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, presente na solenidade, também destacou o papel estratégico da FEMURN para a economia.

“É uma entidade importante nesse aspecto de articulação e de proposição. Ela se alinha muito à Federação das Indústrias, já que ambas buscam o desenvolvimento e apoiar os municípios, que é onde estão as pessoas e de onde surgem as primeiras demandas”, pontuou.

Já o deputado federal e ex-dirigente da entidade, Benes Leocádio, foi o único deputado a prestigiar o evento. “Tenho certeza que um prefeito que foi eleito, reeleito e já conhecedor do trabalho da FEMURN vai representar muito bem o setor municipalista no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Com trajetória iniciada no Legislativo municipal, onde cumpriu dois mandatos como vereador, Zé Augusto foi eleito prefeito de Portalegre em 2020 e reeleito em 2024. Agora, à frente da FEMURN, assume o desafio de conduzir a entidade mantendo o foco na defesa dos interesses dos municípios potiguares e no fortalecimento do municipalismo no estado.


Compartilhe esse post

RN MANTÉM VIGILÂNCIA CONTRA A MPOX; BRASIL JÁ REGISTRA 88 CASOS EM 2026

  • por
Compartilhe esse post

O Brasil registrou 88 casos confirmados de mpox, anteriormente conhecida como monkeypox, nos primeiros meses de 2026. Apesar do aumento recente, não há registro de óbitos neste ano e os quadros têm sido considerados leves a moderados. No Rio Grande do Norte, não há casos confirmados, mas as autoridades de saúde mantêm vigilância ativa após a investigação de uma suspeita em Mossoró, já descartada por exame laboratorial.

De acordo com o panorama nacional divulgado em fevereiro, a maior concentração de casos está em São Paulo, com 62 confirmações. Também há registros no Rio de Janeiro, com 15 casos, além de Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. O aumento recente tem sido associado ao período de carnaval, embora o cenário atual esteja distante do pico observado em 2025, quando o país ultrapassou mil casos ao longo do ano.

No Rio Grande do Norte, o único caso suspeito em 2026 foi registrado em Mossoró. A paciente deu entrada no dia 20 de fevereiro na Unidade de Pronto Atendimento do Alto de São Manoel com sintomas compatíveis com a doença. Segundo a Prefeitura de Mossoró, a Secretaria Municipal de Saúde seguiu o protocolo do Ministério da Saúde, com isolamento, medicação e coleta de material para exame, encaminhado a Natal. O resultado, divulgado no dia 25, foi negativo.

“Desde o primeiro atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde acompanhou o caso, seguindo todos os protocolos estabelecidos pela Vigilância em Saúde e pelo Ministério da Saúde. A paciente recebeu a assistência necessária, os exames foram realizados e, com o resultado negativo, a suspeita foi descartada”, destacou a secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) ressalta que, embora o caso tenha sido oficialmente descartado no último dia 26, o estado segue monitorando a situação, como faz em relação a outras doenças contagiosas.

A mpox é uma doença viral causada por um vírus da mesma família da varíola humana, erradicada há décadas. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais ou objetos contaminados, além de contato íntimo.

Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e o surgimento de lesões na pele, que podem evoluir para pústulas, geralmente dolorosas. A orientação das autoridades de saúde é que pessoas com esses sinais procurem uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para avaliação médica e, se necessário, isolamento até a confirmação ou descarte do diagnóstico.

O infectologista Igor Thiago explica que o vírus tem características semelhantes ao da antiga varíola. “O mpox é um vírus filogeneticamente muito próximo ao vírus da varíola humana, que está erradicada há bastante tempo. A transmissão ocorre principalmente por contato íntimo, pele a pele, o que facilita a disseminação em situações de contato direto”, detalha.

Segundo ele, após o período de incubação, surgem lesões com aspecto característico. “A principal lesão é a pústula, arredondada, com conteúdo purulento e centro umbilicado, como se fosse um pequeno umbigo. Pode haver poucas ou várias lesões espalhadas pelo corpo, muitas vezes na região genital, e elas podem ser bastante dolorosas”, explica.

O diagnóstico é feito por exame molecular, com coleta de material da secreção ou da crosta da lesão para identificação do DNA do vírus. Em relação ao tratamento, o médico ressalta que, na maioria dos casos, a conduta é de suporte. “O tratamento costuma ser sintomático, com analgésicos e medicamentos para aliviar o desconforto. Existe um antiviral, o tecovirimat, mas é de difícil acesso e geralmente reservado para casos mais graves, que necessitam de internação, e mesmo assim sua eficácia ainda é discutida na literatura médica”, afirma.

Igor Thiago acrescenta que não há vacinação específica amplamente disponível no momento e reforça que a prevenção está centrada na redução do risco de exposição. “Evitar contato com pessoas com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e manter higiene frequente das mãos são medidas fundamentais para interromper a cadeia de transmissão”, orienta.


Compartilhe esse post

REPOSICIONAMENTO PROFISSIONAL TRANSFORMA TRAJETÓRIAS DE MULHERES

  • por
Compartilhe esse post

A ideia de que é preciso escolher uma profissão ainda muito jovem e segui-la até a aposentadoria já não representa a realidade de muitas brasileiras. A transição de carreira é uma tendência crescente no mercado de trabalho, impulsionada pela busca por propósito, equilíbrio e desenvolvimento pessoal. Estudos indicam que sete em cada dez mulheres maduras, acima dos 50 anos, estão em transição de carreira ou consideram mudar de profissão, em um movimento de ressignificação da própria trajetória.

Entre os principais motivos estão a vontade de alinhar o trabalho a valores pessoais, a necessidade de conciliar vida profissional e familiar e o desejo de viver um “segundo ato” após os 40 ou 50 anos. Também pesam fatores como ambientes corporativos hostis, falta de reconhecimento, sobrecarga e impactos na saúde mental. O medo da instabilidade financeira e o preconceito etário ainda são obstáculos, mas muitas encontram na maturidade a experiência e a resiliência necessárias para recomeçar.

Foi assim com a psicóloga Maria Beatriz Lago, 36 anos. Formada inicialmente em Engenharia Química em 2013, ela permaneceu na área por três anos, com foco na carreira acadêmica. Mas a inquietação já a acompanhava desde a graduação.

“Já no curso, eu não me sentia identificada com aquela área. Sabia que tinha algo a mais que eu buscava. Sempre gostei muito de ler, de questionar problemas sociais e filosóficos, e isso dentro da engenharia fica difícil”, conta.

Em 2015, durante o mestrado em Engenharia Sanitária, Beatriz tomou a decisão que mudaria sua vida profissional. No ano seguinte, ingressou no curso de Psicologia, área em que se formou há cinco anos e onde encontrou identificação. “Trabalhando como engenheira, eu percebia que eu buscava muito mais entender o outro do que consertar as máquinas”, relembra.

A mudança, segundo ela, não foi simples. Exigiu retorno à universidade, reorganização de planos e, sobretudo, apoio. “Eu tive muito suporte familiar, de amigos, pessoas que estiveram ao meu lado durante esse processo. Nem sempre é possível fazer essa mudança, existem várias realidades”, reconhece.

Para Beatriz, a transição vai além da troca de profissão. Trata-se de sentido. “Nunca é tarde para mudar, mesmo que seja dentro da mesma profissão. Isso diz de algo mais profundo do ser, que é o propósito, fazer aquilo que te preenche e que te faz despertar todos os dias sentindo que deu o seu melhor”, afirma.

Ela observa que muitas pessoas são vistas como más profissionais quando, na verdade, apenas não estão no lugar certo. “Existem perfis diferentes para trabalhos diferentes. Se o trabalho ocupa grande parte do nosso dia, é muito importante buscar aquilo que nos traz satisfação”, ressalta.

No caso das mulheres, a decisão costuma envolver desafios adicionais. “Para nós, essa mudança é bem mais difícil, porque muitas vezes precisamos de uma rede de apoio, especialmente quando se tem filhos. É preciso repensar o compartilhamento de tarefas e criar políticas públicas que incentivem as mulheres a buscar o seu propósito, assim como aconteceu comigo”, conclui.

Um recomeço que nasce do movimento e do propósito de unir forças femininas

Criado por Lela há oito anos, o grupo “Geração Saúde” se reúne três vezes por semana na zona norte de Natal – Foto: Reprodução

Se na juventude a dúvida profissional pode gerar inquietação, na maturidade o recomeço costuma exigir ainda mais coragem. É nesse contexto que a história de Josenira Pereira Pinheiro Silva, conhecida como Lela, se conecta à de tantas outras mulheres que decidiram transformar a própria trajetória.

Aos 57 anos, viúva, ela é criadora do grupo “Geração Saúde”, fundado há oito anos na zona Norte de Natal, onde ensina dança a mulheres da terceira idade. As aulas acontecem no ginásio Nélio Dias, de segunda, quarta e sexta-feira, das 6h às 7h.

Lela relata que a escolha pela dança ajudou a superar depressão – Foto: Reprodução

Antes de se dedicar à dança, Lela trabalhou durante cinco anos como auxiliar em uma creche. Foi um período de aprendizado e cuidado, mas ainda distante do que hoje considera seu verdadeiro propósito.

A dança entrou em sua vida como resposta à dor. “Quando eu comecei a dançar foi quando eu adoeci da depressão. Foi nesse momento que eu vi que nunca é tarde para a gente se libertar dessas coisas da vida, principalmente nós mulheres”, afirma.

O primeiro passo veio com incentivo da mãe e de uma vizinha, que a convidou para caminhar em uma praça e, discretamente, levou uma caixa de som. “Ela ligou o som e eu disse que não ia dançar, porque ainda estava saindo da depressão. Mas ela insistiu. Comecei a dançar e foram chegando outras mulheres. E foi assim que tudo começou”, relembra.

Antes de criar o próprio grupo, Lela também deu aulas em uma academia para mulheres mais jovens. Aos poucos, foi convidada a ministrar atividades em postos de saúde nos conjuntos Santarém e Gramoré, no bairro Potengi, sempre com foco nas mulheres mais velhas. “Meu foco mesmo foi a terceira idade. As histórias delas são lindas. Tudo o que eu passava me fortalecia mais ainda”, destaca.

Hoje, o Geração Saúde reúne cerca de 60 alunas. Para ela, não se trata apenas de dança. “Meu grupo não é só um grupo de dança. Eu levo elas para hospitais, casas de idosos, eventos. A gente passa energia para quem precisa sentir que existe força para continuar”, diz.

Viúva há quase quatro meses, após 47 anos de casamento, ela conta que o apoio do grupo foi essencial para enfrentar o luto. “Ele me apoiava muito, me levava para os eventos. Quando eu voltei, elas me chamaram e disseram: ‘Professora, aqui a senhora tem nosso amor’. Foi isso que me manteve em pé”, emociona-se.

Lela também é mãe atípica e afirma que buscou na dança força para si e para o filho. “Eu fiz por mim e por ele. A dança liberta da depressão, da ansiedade, do medo, da menopausa. Só falta a gente querer sair de casa e enfrentar”, reforça.

Quando uma aluna conta que recebeu alta médica ou conseguiu reduzir medicamentos após se envolver com as aulas, ela celebra. “É muito bom quando elas dizem que o médico perguntou o que mudou, e elas respondem que foi a dança”, completa.


Compartilhe esse post

“PRECISAMOS PROVAR O DOBRO DA COMPETÊNCIA PARA SERMOS OUVIDAS”

  • por
Compartilhe esse post

No Rio Grande do Norte, onde a história insiste em colocar mulheres na linha de frente, o nome de Zenaide Maia (PSD) se ergue como continuidade e consequência. Do sítio em Jardim de Piranhas ao Senado Federal, a única senadora potiguar carrega no mandato não apenas a representatividade institucional, mas uma trajetória marcada por origem simples, vocação para o cuidado e compromisso com as causas coletivas. No mês dedicado às mulheres, sua história é também um retrato da força feminina que atravessa o sertão, ocupa espaços e ressignifica o poder.

A narrativa de Zenaide começa longe dos gabinetes de Brasília. Começa no sítio, em Jardim de Piranhas, no coração do Seridó, onde a vida ensinou cedo o valor da resistência. Filha de um agricultor e de uma costureira, cresceu em uma casa cheia, de 16 filhos, e também repleta de princípios. “Mesmo com muitas dificuldades, meus pais nunca abriram mão da nossa educação”, relembra. Ali, entre o trabalho árduo e os sonhos possíveis, nasceu a mulher que mais tarde entenderia o cuidado como missão.

Foi esse impulso que a levou à medicina. Tornou-se infectologista por vocação, movida pelo desejo profundo de salvar vidas. Durante três décadas, exerceu a profissão com orgulho, percorrendo ambulatórios e hospitais, cuidando de gente. Mas, com o tempo, a médica percebeu os limites do atendimento individual.

“Na política, como secretária de saúde, deputada e agora senadora, eu entendi que as decisões no Congresso e as leis podem curar feridas sociais de cidades e estados inteiros. Entrei na política para ampliar esse cuidado: a política, para mim, é a medicina em larga escala”, disse.

Ao falar de inspiração, a garra do povo do Seridó e o exemplo da própria família foram as primeiras referências. Mas há também uma herança feminina que pesa e impulsiona. O Rio Grande do Norte foi o estado do primeiro voto feminino e da primeira prefeita da América Latina.

Alzira Soriano, Celina Guimarães, Julia Alves Barbosa Cavalcante, Joanna Cacilda Bessa, Maria do Céu Fernandes são algumas das pioneiras potiguares. “Saber que venho de uma terra de mulheres que quebraram barreiras me deu coragem”, diz.

Hoje, sua inspiração se renova no cotidiano das mulheres brasileiras: aquelas que trabalham, estudam, cuidam da casa e ainda encontram forças para lutar por direitos. “É isso que me move: garantir recursos para hospitais, proteção para crianças e dignidade para as famílias”, explica a senadora.

Ser mulher na política, no entanto, não é caminho sem pedras. Zenaide fala sobre os obstáculos.

O maior deles, segundo ela, ainda é o espaço. O machismo, segundo ela, nem sempre aparece de maneira explícita.

“Evoluímos muito, mas o lugar de poder ainda é muito distante da nossa realidade demográfica. A política ainda é um ambiente pensado por homens e para homens. Muitas vezes, precisamos provar o dobro da competência para sermos ouvidas. Além disso, enfrentamos o desafio do machismo estrutural. O preconceito nem sempre vem de forma direta; ele vem na interrupção da nossa fala ou na dúvida sobre nossa capacidade de liderança”, explica, acrescentando que o machismo reproduzido entre as próprias mulheres existe, o que torna a união um exercício permanente de conscientização.

É nesse contexto que ela enxerga o feminismo não como rótulo, mas como instrumento de justiça. Para Zenaide, o movimento foi fundamental para revelar a importância das mulheres em todas as esferas da sociedade.

“Para mim, o movimento é a busca por garantias básicas. O ideal seria chegarmos a um ponto onde não precisássemos de cotas, mas hoje elas são fundamentais. O feminismo é o que sustenta a necessidade de termos Defensorias da Mulher, leis de proteção como a Maria da Penha, e Delegacias Especializadas. É entender que a nossa segurança e nossa voz precisam de políticas públicas específicas”, frisa.

Enquanto mulher e política, Zenaide se sente acolhida pelo feminismo, um acolhimento que também exige responsabilidade. Ela sabe que ocupa um lugar de fala e de escuta.

“Ser uma mulher na política é ser uma porta-voz. Eu me sinto parte desse movimento quando luto por mais saúde, por creches e por segurança para as mulheres. O feminismo nos une na dor das injustiças, mas principalmente na esperança de um país onde o gênero não seja um limitador de sonhos”, reflete.

Natália Bonavides: “Não basta ser mulher para nos representar”

“Existem parlamentares que defendem pautas que atacam a nossa existência e pioram nossas vidas” – Foto: Reprodução

Em segundo mandato de deputada federal, a trajetória de Natália Bonavides (PT) na política nasce antes dos palanques e das urnas. Começa na universidade, no envolvimento com causas sociais e na compreensão da política como prática cotidiana de transformação da realidade.

“Na época da universidade comecei a me envolver mais com temas políticos. E quando falo de política, é no seu sentido mais amplo, muito mais do que estar dentro das disputas eleitorais e institucionais”, relembra.

Foi nesse período que participou do movimento estudantil, integrou o Centro Acadêmico do Curso de Direito da UFRN, atuou em experiências de educação popular inspiradas nas obras de Paulo Freire e se aproximou de organizações populares, como o MST, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e o Movimento da População em Situação de Rua, se tornando advogada popular.

A filiação ao Partido dos Trabalhadores veio em 2012, motivada pela identificação com as referências políticas encontradas nessas lutas. A ideia de disputar eleições, no entanto, não fazia parte dos planos iniciais. “Me filiei porque descobri que nas lutas com as quais me envolvia, as referências de luta eram do PT. No começo, não tinha intenção de ser candidata, nunca foi um sonho. Mas quando me aprofundei no debate sobre a participação das mulheres na política, decidi atuar ativamente para mudar o cenário”, afirma.

Ao falar dos desafios de ser mulher na política, a deputada aponta a violência política de gênero como uma das principais barreiras. Para ela, são usadas estratégias claras de exclusão.

“Um dos pilares da violência política de gênero é dizer que esse não é um espaço nosso, que a gente não deveria estar ali. Imagine, sou uma política mulher, jovem e nordestina”, avalia.

Ela também reflete e faz um alerta sobre representatividade. “Não tenho nenhuma ilusão de que basta ser mulher para nos representar. Hoje existem parlamentares que defendem pautas conservadoras e neoliberais que, na verdade, atacam a nossa existência e pioram nossas vidas”, afirma.

Para Natália Bonavides, o feminismo é central nesse debate: “O feminismo é um movimento que luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens, mas, acima de tudo, pela vida, dignidade e liberdade das mulheres. Graças à luta das mulheres, conquistamos direitos fundamentais, como votar, estudar, trabalhar e ocupar espaços de poder”, coloca, alertando sobre o aumento de casos de violência e feminismo no Brasil.

Nesse contexto, ela vê com preocupação o avanço de discursos conservadores e, por isso, a presença feminina no Parlamento é estratégica.

“Por isso, o feminismo é também uma luta por justiça e sobrevivência. Ele impulsiona políticas públicas, fortalece leis de proteção e enfrenta uma cultura que ainda naturaliza a violência contra as mulheres. Mais do que nunca, precisamos de mais mulheres feministas na política. Somos nós que vivenciamos essas desigualdades e que podemos transformá-las em políticas públicas que salvam vidas”, afirma Natália.

Para esta reportagem, o Diário do RN buscou o posicionamento das três parlamentares da bancada federal potiguar. A deputada federal Carla Dickson não respondeu aos questionamentos.


Compartilhe esse post

SAMANDA ALVES APONTA DESONESTIDADE DE RENDALL E DESMENTE BRISA BRACCHI

  • por
Compartilhe esse post

A presidente da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara Municipal de Natal, Samanda Alves (PT), reagiu às declarações do vereador Daniel Rendall (Republicanos) e a declarações divulgadas em nota pela vereadora Brisa Bracchi (PT) sobre a condução do processo de cassação que tramita na Casa. Em nova conversa com o Diário do RN, nesta terça-feira (03), Samanda afirmou que o relator foi “desonesto” ao acusá-la de má-fé e reiterou que todas as decisões da comissão foram tomadas de forma colegiada, com acompanhamento permanente da Procuradoria da Câmara.

“Não tomei nenhuma decisão sozinha. Todas foram discutidas com os três vereadores”, declarou, sobre a comissão que, além dela e Rendall, tem o vereador Tácio de Eudiane (UB) como membro.

Segundo Samanda, a condução do processo seguiu rigorosamente as orientações técnicas.

“Acompanhei todas as orientações da Procuradoria. Todas”, reforçou, destacando que as únicas decisões que não tiveram unanimidade foram os relatórios, nos quais ela defendeu a manutenção do mandato da vereadora investigada, sendo acompanhada por Tácio, mas teve Rendall como voto contrário.

“Ele está sendo desonesto. Repito: todas as decisões foram tomadas à unanimidade pelos três membros da comissão. Sempre conduzi meus votos ouvindo a Procuradoria, de acordo com a orientação dos procuradores que estiverem presentes na reunião. O desfecho não diz outra coisa”, afirmou.

A parlamentar também contestou a tese de cerceamento de defesa. Sobre a negativa para o depoimento da vereadora neste segundo processo, Samanda explicou que a decisão foi tomada após amplo debate e com respaldo técnico. De acordo com o relato, no dia das oitivas, última reunião antes da votação do relatório final, a defesa pediu que a vereadora fosse ouvida ao final dos trabalhos.

“A comissão não cerceou. Foi negado pela comissão por entender que esse momento para solicitação de diligências já havia passado”, disse.

Ela detalhou que a discussão ocorreu com a presença de procuradores e após suspensão da reunião por cerca de 30 minutos. “Suspendemos a reunião, a defesa saiu da sala, discutimos por quase 30 minutos a decisão que tomaríamos, com a presença de procuradores, e retomamos anunciando que o pedido estava sendo negado”, contou.

Samanda ressaltou que todas as reuniões foram gravadas e contaram com a presença de três a seis procuradores. “As decisões foram tomadas à unanimidade do colegiado”, concluiu.

Ela detalhou que, apesar de feriados, pontos facultativos e de uma espera de 17 dias para que a Mesa Diretora marcasse a primeira sessão de julgamento, os trabalhos foram concluídos dentro do prazo legal de 90 dias.

Brisa afirma que condução da Comissão presidida por Samanda foi ilegal

Em nota enviada à imprensa, a vereadora Brisa Bracchi afirma que a reabertura da fase instrutória do processo de cassação, determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, confirma a existência de irregularidades na condução dos trabalhos da Comissão Especial Processante.

Segundo o comunicado, a comissão marcou para o dia 5 de março, às 17h, a oitiva da parlamentar, após decisão judicial que “reconheceu a necessidade de assegurar a regularidade da instrução processual”.

A intimação foi expedida em 2 de março, e a data teria sido definida pela presidência da comissão como a mais próxima possível, respeitando o prazo mínimo de 72 horas de antecedência previsto no rito.

A nota destaca que, com o novo calendário, o colegiado ficará sem tempo hábil para cumprir as etapas seguintes do processo, o que inviabilizaria a sessão final de julgamento no plenário. De acordo com a defesa, os 90 dias corridos previstos em lei federal para a conclusão de processos dessa natureza, conforme o Decreto-Lei nº 201/1967, adotado pela Procuradoria da Câmara, seriam extrapolados. O prazo final, segundo o texto, se encerraria no dia 4 de março.

Com a reabertura da instrução, a vereadora sustenta que o processo deveria retomar sua tramitação regular, garantindo o depoimento pessoal, a apresentação de alegações finais e a elaboração de novo relatório pela comissão, etapas que, na avaliação da defesa, ultrapassariam de forma significativa o prazo legal.

Na conclusão da nota, Brisa afirma que, diante desse cenário, o processo deverá ser arquivado “devido às ilegalidades ocorridas em todo o processo”, reforçando a tese de que a condução dos trabalhos pela comissão foi irregular desde o início.


Compartilhe esse post

“GESTÃO DO MEDO NÃO PODE GOVERNAR O ESTADO”, DIZ MARLEIDE SOBRE ALLYSON BEZERRA

  • por
Compartilhe esse post

A vereadora de Mossoró Marleide Cunha (PT) fez um alerta sobre o perigo que a eventual chegada do prefeito Allyson Bezerra (UB) ao Governo do Rio Grande do Norte representaria para o Estado, especialmente para os servidores públicos e para a democracia. Em conversa com o Diário do RN, ao comentar a pré-candidatura do gestor, a parlamentar defendeu a construção de uma ampla união de forças políticas, inclusive entre campos ideológicos distintos, para impedir que um perfil como o dele alcance o comando do Executivo estadual.

“Allyson Bezerra mudou o regime jurídico dos servidores de Mossoró, atacando direitos históricos. Esses concursados que estão chegando agora, que batalharam, que estudaram, não terão adicional de tempo de serviço”, disse, avaliando que a medida compromete a carreira e a estabilidade futura do funcionalismo.

A vereadora também apontou outros cortes e retrocessos. “Allyson Bezerra diminuiu o tempo de licença saúde dos servidores. Allyson Bezerra acabou com a data base de reajuste dos servidores.

Allyson Bezerra não deu reajuste anual que todos os prefeitos anteriores davam, não cumpre piso nacional dos professores, não dá reposição da inflação aos servidores públicos”, disse Marleide, que também integra o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum).

No cotidiano da relação entre gestão e trabalhadores, Marleide afirmou haver práticas que caracterizam perseguição e humilhação. Em um dos exemplos, atrasos são contabilizados e transformados em faltas de maneira irregular.

“Humilha, desconta tudo no contra-cheque sem a pessoa ter faltado, desconta, soma cada minuto. Ele soma e no final do mês transforma em faltas de forma irregular. Porque Mossoró não tem banco de horas na administração pública, ele faz irregular isso. Em contrapartida, quando a pessoa chega mais cedo, ele não computa esse tempo. Quando você passa do horário de trabalho também, que acontece muito na saúde e na educação, ele não computa esse tempo que o trabalhador passa a mais”, denuncia.

A educação foi tratada como um dos exemplos mais graves da gestão. Marleide classificou Allyson Bezerra como “o pior prefeito da história de Mossoró para a educação” e denunciou perseguição aos professores.

“O prefeito vem tendo uma perseguição muito forte aos professores, no sentido de não cumprir os reajustes do piso salarial, ainda constrói uma imagem negativa dos professores perante a população”, afirma.

Segundo ela, em seis anos de governo, apenas dois tiveram reajuste do piso nacional.

“Ele pega um salário de uma pessoa que está com 30 anos de serviço, que já tem um doutorado, e diz, por exemplo, que um professor em Mossoró ganha 18 mil reais, porque ele está pegando um salário que a pessoa que ninguém nem chegou ainda na carreira, naquele salário”, acusa.

No retrato das escolas municipais, Marleide apontou precarização estrutural e pedagógica: “Hoje em Mossoró nós temos salas com terceiro, quarto e quinto ano numa sala só com uma professora.

Isso prejudica muito a aprendizagem. Isso é um retrocesso. E as escolas públicas de Mossoró não têm laboratórios, não têm bibliotecas. Os ar-condicionados comprados em 2022 ainda não estão em todas as escolas e quando instala, ninguém pode ligar porque falta energia”, diz ela sobre um dos principais temas dos discursos do prefeito.

A vereadora mencionou dados do Fundo Nacional da Educação (FNDE) para apontar a realidade da área no município.

“A Prefeitura de Mossoró não transmitiu a despesa consolidada de todo 2025, mas até o quinto bimestre investiu apenas 20% em educação. São 32 milhões a menos. O IDEB caiu, voltou ao patamar de 2015. Caiu 10 anos”, disse.

Questionada sobre pesquisas Para ela, o prefeito sustenta sua base política no medo. “Allyson tem um controle muito forte, ele controla as pessoas através do medo. Impõe o medo. É por isso que eu digo que Allyson Bezerra é um demagogo populista, um risco enorme à democracia. É autoritário, é controlador, é perseguidor, e faz um discurso sentimental, que manipula o sentimento, a emoção”.

Deputada Federal
A parlamentar confirmou sua pré-candidatura a deputada federal, somanda na nominata da federação PT-PV-PCdoB, com base política em Mossoró e na região Oeste do Estado.

“Sim, mais do que nunca. Eu sou pré-candidata a deputada federal, porque nós precisamos de pessoas com compromisso coletivo, com um projeto de sociedade”, afirmou.

Para ela, a ausência de representantes locais na disputa atualmente é um problema. “Mossoró é o segundo colégio eleitoral e não tem cabimento Mossoró não ter uma candidata a deputada federal. Eu tenho o dever de oferecer ao povo de Mossoró e da região oeste uma opção. Uma política que não é fundada em espetáculo, mas uma política séria, com responsabilidade”, concluiu.


Compartilhe esse post

ENTRE CARREIRA, MATERNIDADE E AFETO, MULHERES VIVEM MÚLTIPLOS PAPÉIS

  • por
Compartilhe esse post

Na vida cotidiana, as mulheres seguem acumulando funções que vão muito além daquelas tradicionalmente atribuídas a elas. São profissionais, mães, filhas, líderes, cuidadoras, estudantes, empreendedoras e, cada vez mais, protagonistas de suas próprias escolhas. Entre jornadas múltiplas e decisões que moldam o presente e o futuro, elas também refletem as transformações profundas pelas quais passam as famílias brasileiras. O modelo único, centrado no casal com filhos, já não dá conta de explicar a diversidade de arranjos que se consolidam no país.

Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, confirmam essa virada histórica. Pela primeira vez, os casais com filhos deixaram de ser maioria, representando 42% das famílias no Brasil. Em 2000, esse formato ultrapassava a metade dos lares brasileiros. Em paralelo, crescem os domicílios formados por pessoas que moram sozinhas, casais sem filhos e famílias chefiadas por mulheres, um movimento que acompanha mudanças culturais, econômicas e sociais.

Embora o número de famílias com filhos tenha diminuído proporcionalmente, centenas de milhares de mulheres no Rio Grande do Norte e em todo o país seguem se reinventando diariamente para conciliar a vida profissional com os papéis de mães, responsáveis pelo lar e referências emocionais. Longe de ser apenas sinônimo de sobrecarga, essa conciliação, quando possível, também é vivida como exercício de empoderamento, autonomia e desenvolvimento pessoal.

A maternidade, para muitas mulheres, se transforma em uma escola prática de habilidades valorizadas no mercado de trabalho. Paciência, empatia, organização, capacidade de tomar decisões sob pressão e liderança pelo exemplo passam a fazer parte do cotidiano dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo, manter a carreira garante independência financeira, autoestima e a possibilidade de servir de referência para os filhos, que crescem observando modelos mais igualitários de gênero.

Esse equilíbrio, no entanto, não acontece sem desafios. Ele exige escolhas, renegociações constantes e, sobretudo, uma rede de apoio que envolva família, amigos e ambientes de trabalho mais flexíveis. Quando esse suporte existe, a maternidade deixa de ser vista como obstáculo e passa a integrar, de forma mais saudável, o projeto de vida da mulher.

É o que vive Diana Petta, gerente de marketing, casada e mãe de Anita, de 11 anos. À frente da área de marketing de um shopping center em Natal, ela percebe claramente a transformação provocada pela maternidade em sua trajetória pessoal e profissional. “Eu posso dizer que existe uma profissional e uma mulher antes e depois de eu me tornar mãe de Anita. Me tornar mãe foi algo que me transformou não só na minha vida pessoal, mas também na minha vida profissional”, afirma.

Para Diana, a maternidade não compete com a carreira, mas ajuda a estruturá-la. “Ser mãe hoje é minha prioridade, não no sentido de disputar espaço com a profissão, mas de me dar diretriz e propósito. Isso não diminui minha ambição profissional, nem o quanto eu quero crescer”, ressalta. Segundo ela, foi na prática da maternidade que muitas habilidades de gestão se aprofundaram. “Você aprende gestão no dia a dia. Tomada de decisão, lidar com pressão, empatia real, liderança pelo exemplo. A mesma liderança que você exerce em casa é a que leva para o trabalho”, completa.

A gestora destaca que a maternidade ampliou seu olhar humano sobre as equipes que lidera.

“Aprendi a enxergar pessoas além dos cargos. Isso traz um olhar mais consciente sobre o impacto das escolhas que fazemos todos os dias”, diz. Para ela, não há forças opostas entre liderar e maternar. “São papéis complementares. A mulher que educa, acolhe, organiza e resolve conflitos em casa é a mesma que faz isso no ambiente profissional”, afirma.

Mesmo sem acreditar em fórmulas prontas, Diana defende a importância de estabelecer limites e momentos inegociáveis com a filha. “Existem fases em que um pilar exige mais do que o outro. O importante é ter consciência de que ambos são fundamentais”, afirma, ressaltando também o papel das empresas nesse processo. “É valioso encontrar um ambiente de trabalho que permita essa conciliação e reconheça o momento pessoal como algo importante.” Ao olhar sua trajetória, resume: “Não seria a profissional que sou se não pudesse ser a mãe que quero ser”.

Outra realidade, marcada por desafios ainda mais intensos, é a vivida por Gislaine Azevedo, jornalista e mãe de Lucas, de 9 anos. Divorciada, ela administra sozinha a rotina profissional e doméstica, sem uma rede de apoio constante. “Quando decidi me separar, ouvi muitas críticas de que não daria conta de criar meu filho sozinha. Ele tinha seis anos na época”, conta.

Gislaine reconhece o peso da responsabilidade integral. “Não tem pausa, não tem turno, não tem fim de semana. É um desafio enorme, principalmente quando não se tem rede de apoio”, afirma.

O pai de Lucas é presente, mas mora em outro estado e participa mais ativamente durante as férias. No dia a dia, a jornalista conta com o auxílio de uma babá, enquanto os pais vivem em outra cidade e ela não tem irmãos.

Além dos desafios financeiros que surgem ocasionalmente, Gislaine destaca o impacto emocional da maternidade solo. “O mais pesado é o emocional. É precisar ser firme mesmo quando estou desmoronando por dentro. Aprendi a engolir o choro no banho para conseguir sorrir na hora de ajudar na lição de casa”, relata. Há dias em que a sensação de insuficiência aparece, mas pequenos gestos do filho renovam suas forças. “Às vezes ele me abraça sem dizer nada. Aquilo me reabastece”, diz.

Para ela, a maternidade solo revelou uma força desconhecida. “Descobri que criar meu filho, praticamente sozinha, não é sobre dar conta de tudo perfeitamente, mas aceitar que sou humana, que erro, que me canso. E mesmo assim sigo. Porque no fim, quando ele diz ‘mãe, eu te amo’, eu lembro por que continuo”, conclui, emocionada.

Fora do roteiro tradicional, mulheres redefinem o que é realização pessoal

Cintya Bullé: “Aprendemos que a felicidade não tem formas. Estar bem consigo é estar bem com o mundo “ – Foto: Reprodução

Nem todas as mulheres, no entanto, seguem o caminho da maternidade. No Brasil e no mundo, cresce o número daquelas que optam por não ter filhos e por não seguir uma cartilha tradicional que associa realização feminina ao casamento e à maternidade. Entre brasileiras de 50 a 59 anos, a proporção de mulheres sem filhos subiu de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. A taxa de fecundidade nacional caiu para 1,55 filho por mulher, a menor da história, refletindo mudanças profundas nas prioridades e nos projetos de vida.

Fatores como autonomia, foco na carreira, custos financeiros, desejo de liberdade e a compreensão de que o instinto materno não é universal ajudam a explicar essa escolha. Mulheres com ensino superior completo apresentam as menores taxas de fecundidade e adiam a maternidade para idades mais avançadas. Apesar da maior aceitação social, elas ainda enfrentam julgamentos e perguntas invasivas sobre suas decisões.

Prestes a completar 43 anos, a arquiteta Cintya Bullé, traduz esse movimento em palavras. “A maturidade traz uma liberdade que a juventude, às vezes, desconhece. Hoje, a pressão social existe, mas não tem mais o peso de obrigação”, afirma. Para ela, realização não depende de protocolos externos. “Minha vida profissional ativa e uma vida social que eu realmente curto são conquistas. A escolha pela solitude e pela ausência de filhos, neste momento, não é uma falta, mas uma escolha de liberdade”, diz.

Ao fortalecer laços com família e amigos, Cintya constrói a base que sustenta suas decisões.

“Aprendemos que a felicidade tem muitas formas. Estar bem consigo mesma é o primeiro passo para estar bem com o mundo”, conclui.


Compartilhe esse post

VOZES QUE ABRIRAM CAMINHOS: A LUTA DE MULHERES POR IGUALDADE NA POLÍTICA

  • por
Compartilhe esse post

O Rio Grande do Norte ocupa um lugar singular na história política brasileira. O estado rompeu barreiras institucionais ainda no início do século XX e se tornou referência nacional no protagonismo das mulheres na vida pública. São muitas as norte-rio-grandenses que compõem a história da política brasileira. Essa trajetória, no entanto, não é apenas motivo de celebração. Ela também lança luz sobre um paradoxo que persiste até hoje: o pioneirismo histórico convive com a sub-representação feminina nos espaços de poder.

A história começou com um gesto simples e revolucionário. Em 1927, Celina Guimarães Viana, nascida em Natal, tornou-se a primeira mulher a se alistar como eleitora no Brasil, em Mossoró.

Professora, Celina não se limitou a exercer o direito recém-conquistado: telegrafou ao Senado Federal pedindo, em nome das mulheres brasileiras, a aprovação do voto feminino. Era o anúncio de que a política deixava de ser território exclusivamente masculino.

“Isto somente foi possível pelo apoio determinante de políticos potiguares como Juvenal Lamartine e José Augusto Bezerra de Medeiros, que lograram aprovar a Lei Estadual nº 660/1927, a partir da qual a participação feminina na política se viabilizou”, pontua a advogada e consultora, Lígia Limeira, em conversa com o Diário do RN. Lamartine, inclusive, mantinha diálogo com Bertha Lutz, uma das principais lideranças do movimento sufragista no país.

Pouco tempo depois, o país assistiria a um feito ainda mais emblemático. Alzira Soriano, nascida em Jardim de Angicos, foi eleita prefeita de Lajes, tornando-se a primeira mulher a governar um município no Brasil e na América do Sul. Vitoriosa com cerca de 60% dos votos válidos, sua eleição ganhou repercussão internacional e ecoou como símbolo de ruptura em um país ainda resistente à igualdade.

Daí, o avanço das mulheres potiguares na política foi frequente. Júlia Alves Barbosa Cavalcanti foi a primeira mulher a se candidatar eleitoralmente no RN e a segunda eleitora do Brasil. Júlia foi eleita vereadora de Natal. Antes dela, o título de primeira vereadora eleita do Brasil foi dado à Joanna Cacilda Bessa, no município de Pau dos Ferros. Já Maria do Céu Fernandes foi a primeira deputada eleita do Rio Grande do Norte e uma das primeiras do país.

HISTÓRIA RECENTE

Nas últimas décadas, Wilma de Faria foi a primeira mulher a governar o Estado, eleita em 2002 e reeleita em 2006, após também ter sido a primeira prefeita de Natal. A capital teve, ainda, Micarla de Souza como prefeita. Em 2010, Rosalba Ciarlini chegou ao Executivo estadual. Ela foi também a primeira senadora do RN. Em 2018, Fátima Bezerra foi eleita a 3ª governadora do Estado, sendo a única mulher eleita para o cargo no país naquele ano. Fátima foi reeleita em 2022.

Apesar desse legado, a advogada chama atenção para uma contradição que marca a política brasileira contemporânea. As mulheres são maioria do eleitorado, 52,5%, mas seguem minoria nos espaços de decisão.

“Em que pesem os esforços voltados à ampliação da participação da mulher na política, o Brasil ainda amarga uma significativa sub-representação desse público, não só nos parlamentos, mas em praticamente todos os espaços de poder”, afirma.

O país ocupa hoje a 133ª posição no ranking mundial de representação feminina no parlamento, com menos de 20% de mulheres no Senado e cerca de 18% na Câmara dos Deputados, índices inferiores à média da América Latina. Para Lígia, isso revela um atraso que tem raízes históricas profundas.

“Ainda que se registrassem movimentos feministas desde meados do século XIX, o direito de a mulher votar e ser votada somente se concretizaria por meio do Código Eleitoral de 1932, ainda assim se fosse ela casada e obtivesse o aval do marido, o que evidencia a adoção, pelo país, de um modelo social estruturado sob bases patriarcais e excludentes”, esclarece.

Entretanto, segundo ela, deve ser permanente o movimento de inclusão de mais mulheres na política. “Com um universo majoritariamente masculino na política, muito dificilmente as mulheres avançarão no quesito “políticas afirmativas”, poderosa ferramenta de garantia de inclusão, equidade, representatividade, combate a estereótipos e, em última análise, fortalecimento da democracia”, pontua.

Para Lígia Limeira, o pioneirismo não elimina a desigualdade estrutural. Ele apenas demonstra que avanços são possíveis quando há vontade política e pressão social. Segundo ela, enfrentar a disparidade de gênero exige ações combinadas.

“A educação e a formação política, com a consequente implementação de programas de capacitação para mulheres, é medida que se impõe para que esse público se sinta apto a lutar pelos seus direitos. O aprimoramento da legislação e o combate incisivo à violência política de gênero num contexto em que o feminicídio vem ganhando um relevo alarmante, alçando o país à vexatória posição de 5º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres no mundo, são pontos que merecem atenção e imediata retaliação”, defende.

A advogada vê com expectativa a proposta do novo Código Eleitoral que prevê a reserva mínima de cadeiras para mulheres no Legislativo, sem extinguir a cota de candidaturas.

“Isso se deve muito ao fato de os partidos serem livres para fixar os critérios de distribuição dos recursos públicos, deixando, muitas vezes, de contemplar as mulheres de forma mais equânime”, afirma.

PAUTA ESPECIAL
Nos próximos dias, o Diário do RN dá sequência a u


Compartilhe esse post

GRUPO DE ALLYSON PODERÁ APOIAR O CANDIDATO DO PT NO MANDATO-TAMPÃO

  • por
Compartilhe esse post

A possibilidade de eleição indireta no Rio Grande do Norte, aberta caso a governadora Fátima Bezerra (PT) venha a renunciar ao cargo, expôs divisão do grupo de centro que hoje gravita em torno da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB). As conversas existem, os cenários são conhecidos, mas nenhuma decisão foi tomada. A palavra final caberá a Allyson.

Após reunião desta segunda-feira (02), lideranças do grupo admitiram que há, pelo menos, duas correntes de pensamento convivendo no mesmo espaço político. De um lado, parlamentares que defendem que, sendo o governo fruto de uma eleição vencida pelo PT, cabe ao próprio partido conduzir o Estado até o fim do mandato, mesmo em um cenário excepcional de mandato tampão.

De outro, aqueles que avaliam a possibilidade de construção de um nome de consenso fora do PT, reunindo forças do centro e da direita na Assembleia Legislativa.

“Existe uma ala de pensamento que entende que o governo é do PT e quem tem que dar continuidade é o PT. Existe outra ala que acha que pode ser construído um nome entre o centro e a direita”, afirmou o deputado estadual Kléber Rodrigues (UB), presente na conversa.

Apesar do apoio a Allyson, Kléber se posiciona como integrante da base governista e reforça que não pretende agir individualmente. “Eu sou obediente, faço parte da base do governo e vou seguir o grupo. Eu não procuro interesse pessoal. Se Fátima for candidata, eu voto nela pela gratidão, mas vou votar com o grupo. Não existe consenso ainda”, declarou, deixando claro que qualquer definição será coletiva.

O ex-senador José Agripino Maia, presidente do União Brasil no RN, reconheceu a existência de cenários, mas destacou que nenhuma força política, nem PT, nem PL, nem União Brasil, tem hoje uma posição fechada.

Entre os cenários colocados à mesa, segundo Agripino, estão: permitir que o PT assuma integralmente a responsabilidade de concluir o governo ou, alternativamente, tentar construir um nome de entendimento capaz de conduzir um mandato de transição, com foco na reorganização administrativa do Estado. “Quem vai decidir isso são os deputados”, frisou.

O ex-senador também não descartou, no campo das hipóteses, conversas mais amplas envolvendo outros agrupamentos da oposição, inclusive o liderado pelo senador Rogério Marinho (PL). “Em política, há momentos em que você procura entendimentos. Não digo que haja ou não haja, mas é uma hipótese que não pode ser descartada”, afirmou.

O entendimento, segundo o deputado Kleber, é que a próxima rodada, que deve acontecer na semana que vem, será decisiva porque Allyson Bezerra deverá apresentar sua posição, orientando o grupo sobre qual caminho seguir na eventual eleição indireta.

A leitura compartilhada entre os aliados é de que, sendo ele o principal nome do campo de centro para 2026, sua avaliação estratégica será determinante para o alinhamento dos deputados.

Operação da PF sobre Allyson não altera planos eleitorais

O ex-senador José Agripino Maia afirmou que a operação da Polícia Federal citada nos bastidores políticos não interfere em nada na trajetória eleitoral do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado.

“Zero. Não atrapalha em nada. No entendimento dele e no nosso entendimento, não existe nenhum fato determinante que prejudique a candidatura”, declarou Agripino.

Segundo o ex-senador, não há, até o momento, qualquer avaliação interna que aponte para recuo ou mudança de estratégia. José Agripino acena com a leitura do grupo de centro de que o projeto eleitoral de Allyson segue intacto, independentemente do impacto político provocado por investigações em curso: “Não existe nenhuma possibilidade de desistência da candidatura.

Nenhuma”, reforçou.


Compartilhe esse post

SAMANDA ALVES É ACUSADA DE MÁ-FÉ PARA SALVAR BRISA BRACCHI DA CASSAÇÃO

  • por
Compartilhe esse post

O processo da Comissão Especial de Investigação na Câmara de Natal, que avalia pedido de cassação da vereadora Brisa Bracchi, deve, mais uma vez, morrer por perda de prazo. Após decisão judicial que determinou a oitiva da vereadora Brisa, o embate político entre integrantes do colegiado reacendeu. De um lado, o relator Daniel Rendall (Republicanos) sustenta que não houve cerceamento de defesa e acusa a presidente da comissão, Samanda Alves (PT), de agir de má-fé para provocar a caducidade do processo. Do outro, Samanda afirma que todas as decisões foram tomadas colegiadamente, com respaldo da Procuradoria da Câmara, e nega qualquer erro na condução dos trabalhos.

Segundo Daniel Rendall, a definição sobre quem seria ouvido durante a fase de oitivas foi tomada em reunião com a presença dos mandatos envolvidos, cabendo à própria defesa da vereadora indicar se haveria novo depoimento. Ele afirma que Brisa solicitou provas emprestadas de processo anterior, no qual já havia sido ouvida, e que, por isso, não houve novo pedido formal dentro do prazo estabelecido.

“O direito de falar é da defesa. Se quisesse falar novamente, a defesa dela deveria ter solicitado.

Não solicitou”, afirmou o relator, destacando que a alegação de cerceamento só surgiu após o encerramento da fase instrutória.

Daniel também questiona a judicialização do caso às vésperas do fim do prazo legal da comissão, que é de 90 dias. Para ele, a reabertura da instrução neste momento inviabiliza o andamento do processo. “Se ela for ouvida na quinta, não há mais prazo para defesa nem para relatório. O processo morre por prazo decadencial”, disse, acrescentando que respeitará a decisão judicial e não levará o relatório a plenário.

O relator afirmou não acreditar na boa-fé da condução do processo, se referindo à Samanda.

Segundo ele, houve diálogo e estratégia para criação de nulidades que levariam ao arquivamento automático. “Eles criaram as próprias nulidades. Eu acredito que houve má-fé para ganhar isso de W.O.”, declarou.

Já a presidente da comissão, Samanda Alves, rebate as acusações e afirma que a comissão atuou com transparência, reuniões gravadas e acompanhamento constante da Procuradoria da Casa. De acordo com ela, a defesa de Brisa apresentou três pedidos na defesa prévia, provas emprestadas, ofícios e indicação de testemunhas, e o pedido para novo depoimento foi considerado intempestivo.

“A comissão entendeu que ela já havia sido ouvida por meio das provas emprestadas e que o prazo para novo depoimento tinha passado”, explicou. Samanda ressaltou que o calendário do processo foi aprovado e publicado em Diário Oficial e que não havia mais espaço legal para reabrir a fase de instrução sem comprometer o prazo final.

Sobre a decisão judicial, Samanda afirma que irá cumpri-la, convocando a vereadora para depor em até 72 horas úteis, mas reconhece que o processo deve caducar. Ainda assim, nega erro.

“Houve um pedido da defesa e a comissão decidiu não acatar. Isso não é erro, é decisão colegiada”, disse.


Compartilhe esse post

FISCALIZAÇÕES RETIRAM ALIMENTOS VENCIDOS DE PRATELEIRAS EM NATAL

  • por
Compartilhe esse post

Consumir alimentos fora do prazo de validade representa um risco direto à saúde, uma vez que a data impressa nas embalagens indica o limite estabelecido pelo fabricante para garantir segurança, qualidade nutricional e características como cor, cheiro e sabor. Mesmo quando o produto não apresenta sinais visíveis de deterioração, microrganismos invisíveis a olho nu, como bactérias e fungos, podem estar presentes e provocar intoxicação alimentar, com sintomas como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. Por isso, a venda de produtos vencidos é considerada infração grave prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Alimentos fora do prazo de validade podem trazer sérios riscos à saúde humana – Foto: Reprodução

Diante desses riscos, o Procon Natal tem intensificado as fiscalizações em supermercados, mercadinhos, padarias, atacarejos e lojas de conveniência da capital potiguar. As operações buscam coibir a comercialização de alimentos impróprios para o consumo e proteger a saúde da população. Em apenas uma ação recente, o órgão chegou a apreender quase uma tonelada de produtos vencidos. Nesta semana, foram recolhidos 115 quilos de alimentos em um único dia de fiscalização.

De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Perez, o trabalho do órgão ocorre de forma contínua e estratégica. Ela ressalta que as fiscalizações acontecem tanto de maneira rotineira quanto a partir de denúncias feitas pela própria população. “Essas ações de fiscalização dentro dos supermercados, mercadinhos, padarias, atacarejos e lojas de conveniência, com foco na questão da validade, são uma das maiores premissas da atual gestão municipal”, afirma.

Dina Perez acrescenta que o foco da atuação do órgão vai além da precificação e da publicidade, alcançando, sobretudo, a qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor. “O foco é realmente a saúde do consumidor, não apenas com relação à precificação, à publicidade ou à informação clara e precisa, mas, principalmente, à qualidade dos produtos que estão sendo expostos nas prateleiras e também daqueles armazenados nas câmaras frias desses estabelecimentos”, destaca.

Segundo a diretora, a orientação das equipes é verificar minuciosamente todas as áreas dos estabelecimentos fiscalizados, justamente para evitar que produtos impróprios cheguem à mesa da população. “A saúde do consumidor tem que estar sempre em primeiro lugar”, reforça. Ela lembra ainda que a venda de alimentos vencidos configura crime previsto em lei. “É importante deixar bem claro que a comercialização desses produtos é crime, podendo resultar no fechamento do estabelecimento, suspensão das atividades e até na condução dos responsáveis à delegacia do consumidor”, alerta.

Além da atuação fiscalizatória, o Procon Natal reforça o papel do consumidor na prevenção de riscos. Conferir a data de validade antes de finalizar a compra é uma medida simples, mas essencial. Caso o consumidor adquira um alimento vencido, a orientação é não consumi-lo, guardar a nota fiscal e retornar ao estabelecimento para solicitar a troca ou a devolução do valor pago. Em caso de recusa, é possível formalizar denúncia diretamente ao órgão, assegurando o direito à substituição do item ou à restituição do dinheiro, independentemente do valor da compra.

O que diz a legislação

A legislação permite que produtos próximo ao vencimento sejam comercializados – Foto: Reprodução

A legislação brasileira é rigorosa quanto à venda de mercadorias vencidas, tratando a prática como infração administrativa, ilícito cível e, em muitos casos, crime contra as relações de consumo.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece, no artigo 18, que produtos com prazo de validade vencido são considerados impróprios ao uso e consumo. Nesses casos, o consumidor tem direito à substituição imediata por outro da mesma espécie em perfeitas condições ou à restituição do valor pago, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. Se houver dano à saúde, o estabelecimento pode ser responsabilizado civilmente e condenado ao pagamento de indenização.

Na esfera penal, a Lei nº 8.137, de 1990, tipifica como crime vender, expor à venda ou manter em depósito mercadoria imprópria para o consumo. A pena prevista é de detenção de dois a cinco anos ou multa, aplicada aos responsáveis pelo estabelecimento.

A legislação também permite a venda de produtos próximos ao vencimento, desde que essa condição seja informada de forma clara e destacada ao consumidor, geralmente com preços reduzidos. Misturar esses itens com produtos novos, sem aviso, é considerado prática abusiva.

Nestes casos, as denúncias podem ser feitas por meio dos canais oficiais do Procon Natal, que mantém fiscalização permanente e reforça as ações sempre que há reclamações da população.


Compartilhe esse post

CHAPA DA DIREITA ESTÁ MONTADA COM STYVENSON E CORONEL HÉLIO NO SENADO

  • por
Compartilhe esse post

Com a data de 21 de março reservada para lançamento em Natal, a cúpula do PL passou a tratar o Rio Grande do Norte como definido para o partido no Nordeste: anotações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) revelam que no desenho dos palanques estaduais para 2026, com atenção especial ao Nordeste, região considerada decisiva para o desempenho eleitoral do bolsonarismo. No Rio Grande do Norte, o documento indica um movimento direto de reorganização da direita local, com redefinições partidárias e acordos já em estágio avançado.

No caso potiguar, o material aponta que o ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias (Republicanos), deverá migrar para o PL. Atualmente, Álvaro é presidente estadual do Republicanos. A mudança é vista como estratégica para consolidar um palanque robusto da direita no RN, reunindo sob a mesma sigla os principais nomes da oposição ao PT no Estado. O PL na cabeça de chapa visa também fundo partidário e tempo de TV durante a campanha eleitoral. Como vice-governador, a candidatura já está definida para Babá Pereira.

Para o Senado, as anotações registram os nomes do senador Styvenson Valentim (PSDB), que tentará a reeleição, e do Coronel Hélio Oliveira, filiado ao PL. A formação dessa chapa reforça a tentativa de unificar diferentes segmentos da direita potiguar, do bolsonarismo raiz ao eleitorado mais conservador e antipetista.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pelo portal Metrópoles durante entrevista coletiva concedida por Flávio Bolsonaro na sede nacional do PL, em Brasília. As anotações foram feitas ao longo de reuniões internas com dirigentes do partido, incluindo o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.

A consolidação oficial da chapa potiguar está prevista para o dia 21 de março, em evento programado para acontecer em Natal, sinalizando que o PL pretende antecipar definições no Estado e evitar disputas internas prolongadas. A formação de palanques estaduais fortes é considerada essencial para impulsionar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, especialmente em regiões onde o bolsonarismo enfrenta maior resistência eleitoral.

A estratégia segue uma diretriz do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defende o fortalecimento do PL no Congresso Nacional. O partido trabalha para lançar candidatos próprios a até 11 governos estaduais e ampliar sua bancada no Senado, visto como prioridade para garantir governabilidade e influência política a partir de 2027.

Nos bastidores, porém, há divergências na complementação das chapas. O senador Styvenson Valentim já comunicou a aliados que não aceitará negociar os nomes de seus suplentes em troca de apoio político à chapa majoritária. Segundo ele, a experiência de 2018 serviu como alerta: a escolha do primeiro suplente naquele pleito quase inviabilizou sua candidatura ao Governo do Estado em 2022.

Desta vez, Styvenson deixou claro que as indicações serão de caráter pessoal, sem concessões partidárias ou acordos considerados de conveniência. O senador também tem sinalizado, em conversas reservadas, que pode disputar o Governo do RN em 2030, caso Álvaro Dias seja eleito em 2026 e não corresponda às expectativas administrativas do grupo político que hoje se articula em torno da direita potiguar.


Compartilhe esse post

NÃO ESCAPA NINGUÉM. CADU, ÁLVARO E ALLYSON DEIXAM ROMBO NAS FINANÇAS

  • por
Compartilhe esse post

Com a aproximação das eleições estaduais, três nomes cotados para disputar o Governo do Rio Grande do Norte chegam ao debate carregando os resultados fiscais de suas gestões ou áreas sob sua responsabilidade: o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), e o prefeito reeleito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB).
Os números oficiais de execução orçamentária e evolução da dívida consolidada revelam diferenças relevantes na condução das finanças públicas.

Estado amplia dívida em mais de R$ 5 bilhões. Na esfera estadual, onde Cadu Xavier, comanda a política fiscal, o Governo do RN registrou em 2025 o valor de R$ 23,87 bilhões empenhados, R$ 23,36 bilhões liquidados e R$ 21,94 bilhões pagos, ficando uma diferença entre valores liquidados e pagos de aproximadamente R$ 1,41 bilhão, indicando volume significativo inscrito em restos a pagar.

No comparativo da dívida consolidada, o Estado saiu de R$ 4,14 bilhões em 2018 para R$ 9,74 bilhões em 2025, um crescimento nominal de R$ 5,59 bilhões, equivalente a aumento aproximado de 134,8% no período.

A execução orçamentária e a dívida consolidada são conceitos distintos da gestão pública, embora se relacionem. A execução orçamentária diz respeito ao acompanhamento, ao longo de um exercício financeiro, da arrecadação das receitas e da realização das despesas previstas no orçamento aprovado pelo Legislativo. Ela mostra como o governo está colocando em prática aquilo que foi planejado, indicando quanto já foi empenhado, liquidado e pago em áreas como saúde, educação ou infraestrutura. Permite, portanto, avaliar se os gastos estão ocorrendo dentro do que foi autorizado e se a arrecadação está correspondendo às previsões.

Já a dívida consolidada representa o total das obrigações financeiras assumidas pelo ente público que se estendem por mais de um exercício, ou seja, é o estoque de dívidas acumuladas ao longo do tempo. Nela entram, por exemplo, empréstimos, financiamentos, precatórios e parcelamentos previdenciários.

Em termos práticos, a execução orçamentária mostra como o dinheiro público está sendo usado no presente, enquanto a dívida consolidada indica o peso financeiro herdado de decisões anteriores e que impacta a capacidade de investimento do governo.

Com o índice, Cadu Xavier deverá estabelecer como deverá trabalhar a temática na campanha eleitoral, já que a política fiscal promete ser um dos principais pontos de discussão dos palanques eleitorais. O Estado do Rio Grande do Norte viu o crescimento da dívida principalmente sobre a folha de pessoal, com a concessão de direitos, como reajuste e plano de cargos. Os precatórios provenientes de ações judiciais e dívidas fiscais também são responsáveis pelo peso na ampliação.

Já o município de Natal durante a gestão de Álvaro Dias registra maior crescimento proporcional da dívida.

Durante a gestão de Álvaro Dias à frente da Prefeitura de Natal, encerrada em 2024, o último exercício apresentou R$ 4,79 bilhões empenhados. Destes, R$ 4,30 bilhões liquidados e R$ 4 bilhões pagos. A diferença entre liquidado e pago ficou em cerca de R$ 294 milhões.

Em relação à dívida consolidada, o município saltou de R$ 492 milhões, em 2018, para R$ 2,24 bilhões ao final da gestão. O aumento foi de R$ 1,74 bilhão, representando crescimento aproximado de 355%, o maior percentual entre os entes analisados.

Além de ter apresentado o maior rombo entre as gestões dos pré-candidatos, Álvaro Dias deixou obras inacabadas na capital, como o Hospital Municipal, a rua João Pessoa, na Cidade Alta, o Mercado da redinha, e a reurbanização de Ponta Negra, que sequer foi iniciada.

Já em Mossoró, sob a gestão de Allyson Bezerra em seu primeiro mandato (2021–2024), os dados indicam R$ 1,40 bilhão empenhado em 2025. Destes, R$ 1,25 bilhão foi liquidado e R$ 1,24 bilhão pago, a menor diferença de execução orçamentária. A diferença entre liquidado e pago foi de cerca de R$ 11,5 milhões, percentual inferior ao observado no Estado e na capital.

Já a dívida consolidada mossoroense passou de R$ 233 milhões, em 2020, para R$ 588 milhões em 2025, aumento nominal de R$ 355 milhões, equivalente a crescimento aproximado de 152%.

O gestor mossoroense faz questão de se orgulhar de ter equilibrado as contas municipais.

Entretanto, tende a renunciar o mandato para a disputa estadual deixando rombo, e fornecedores e terceirizados com atraso.

Com perfis distintos, um gestor da área fazendária estadual, um ex-prefeito da capital e um prefeito reeleito do segundo maior município do Estado, a responsabilidade fiscal e o controle da dívida tendem a ocupar espaço central no debate eleitoral.


Compartilhe esse post

ALLYSON BARRA CEI SOBRE CONTRATOS DA SAÚDE: “AUTORITÁRIO E PERSEGUIDOR”

  • por
Compartilhe esse post

A tentativa de instalar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar contratos da saúde em Mossoró foi barrada na Câmara Municipal, segundo explicou a vereadora Marleide Cunha (PT) ao Diário do RN. De acordo com ela, a manobra ocorreu após mudanças no regimento interno que passaram a exigir sete assinaturas para o protocolo da comissão, número que a oposição não conseguiu alcançar.

“Nós não conseguimos nem dar entrada na CEI. O regimento foi mudado e só é possível protocolar com sete assinaturas. Nós tivemos apenas cinco”, afirmou a parlamentar. Segundo Marleide, vereadores que compõem a bancada da oposição deixaram de assinar o pedido, inviabilizando a abertura da investigação. “Teve gente que diz que é da oposição, mas não assinou. Não entendo por quê”, acrescentou.

Votaram a favor Marleide Cunha (PT), Plúvia Oliveira (PT), Jailson Nogueira (PL), Cabo Deyvison (MDB) e Wiginis do Gás.

Diante do bloqueio à CEI, a vereadora apresentou um requerimento de informações solicitando cópias de contratos, licitações, dados sobre medicamentos e a relação completa de fornecedores da saúde. O pedido, no entanto, também foi rejeitado.

“Eles derrubaram o requerimento. Ou seja, você não consegue caminhar na Câmara. A gente tenta fazer o debate, mas nada é aprovado”, disse.

Para Marleide Cunha, o barramento sistemático das iniciativas tem um motivo claro: “Eles morrem de medo de Allyson Bezerra”. A vereadora afirma que há uma blindagem política ao prefeito Allyson Bezerra, impedindo qualquer apuração mais profunda sobre a área da saúde.

Marleide Cunha sobre “podridão” na saúde: “Sem surpresa”
A ideia da CEI surgiu após a Operação Mederi, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do prefeito Allyson Bezerra. A investigação apura suspeitas de irregularidades e desvio de recursos públicos da saúde em contratos firmados pela gestão municipal, com atuação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União.

A vereadora afirmou à reportagem que as investigações da Polícia Federal sobre contratos da Prefeitura de Mossoró não representam surpresa para a oposição. Ela disse que as apurações apenas trazem à tona problemas antigos na administração municipal, especialmente em contratos da área da saúde e de obras públicas.

“Para nós não é surpresa nenhuma todas essas denúncias, a investigação da Polícia Federal, o prefeito tendo a Polícia Federal na sua casa, os secretários sendo investigados, porque as pessoas percebem que Mossoró tem uma podridão que está vindo à tona através das investigações da Polícia Federal”, declarou a parlamentar.

Segundo Marleide, embora a operação tenha foco específico na saúde, os indícios alcançam outras áreas da administração.

“Mossoró tem indícios de corrupção, de irregularidades em vários contratos. Vamos lembrar, nesse caso da Polícia Federal, tem a ação conjunta da Controladoria Geral da União, porque é desvio de recursos públicos da saúde. Mas os contratos nas obras do município sempre têm aditivos, sempre. E os aditivos são feitos quando vão encerrar os contratos, já próximos de encerrar, e são aditivos milionários. E a gente não vê esses milhões nessas obras, a gente não vê em serviços em Mossoró”, disse, citando a prática recorrente de aditivos financeiros elevados perto do fim dos prazos contratuais.

“Há um descuido muito grande em Mossoró com relação ao dinheiro público, aos recursos públicos. Allyson Bezerra acha que pode fazer o que quer na administração pública, como se o dinheiro fosse dele, como se pudesse gerir como se fosse da casa dele”, declarou.
Marleide classifica o prefeito como “demagogo populista”. “Ele é um risco à democracia, um risco a o direito às instituições, de cada um a exercer sua representação. Ele é extremamente autoritário, controlador e perseguidor, mas não é todo mundo que tem medo dele. A gente não tem medo dele. Ele não se dá por satisfeito nos contratos, nas obras que ele tem, nas manipulações que ele faz para melhorar a sua popularidade, manipulando o sentimento das pessoas”, concluiu.


Compartilhe esse post

RECONHECIMENTO: TITINA MEDEIROS PODE SE TORNAR PATRIMÔNIO CULTURAL DO RN

  • por
Compartilhe esse post

A deputada estadual Divaneide Basílio (PT/RN) apresentou na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte o Projeto de Lei nº 7/2026, que reconhece como Patrimônio Imaterial, Cultural e Artístico do Estado a vida e a obra da artista potiguar Titina Medeiros.

A proposta tem como objetivo valorizar a trajetória de uma das maiores referências das artes cênicas do Rio Grande do Norte, cuja atuação ultrapassa três décadas dedicadas ao teatro, ao audiovisual e à produção cultural.

Nascida em Currais Novos e criada em Acari, Titina construiu uma carreira sólida, sempre mantendo vínculos profundos com a cultura e a identidade potiguar.

No teatro, destacou-se pela versatilidade, pelo rigor artístico e pela valorização das narrativas nordestinas, integrando grupos reconhecidos como o Grupo Tambor de Teatro, o Clowns de Shakespeare e a Casa de Zoé, contribuindo diretamente para o fortalecimento da cena cultural local.

No audiovisual, alcançou projeção nacional ao interpretar a personagem Socorro na novela Cheias de Charme, da TV Globo, papel que a tornou conhecida em todo o país. Ao longo dos anos, também participou de produções como Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes, Mar do Sertão, Cangaço Novo, No Rancho Fundo e Os Roni, consolidando-se como símbolo de representatividade nordestina na televisão brasileira.

Segundo a deputada Divaneide Basílio, o reconhecimento oficial da vida e obra de Titina Medeiros como patrimônio cultural é um ato de justiça e valorização da cultura potiguar. “Titina viverá sempre em nossos corações, seu legado estará sempre nas artes. Trata-se de uma artista que, mesmo com projeção nacional, nunca se afastou de suas origens e sempre contribuiu para fortalecer a produção cultural do nosso estado”, destacou.

Além de atriz, Titina também atuou como produtora, diretora e articuladora cultural, participando da criação e manutenção de espaços e projetos voltados à formação artística e à difusão cultural no Rio Grande do Norte. Para a parlamentar, sua trajetória representa não apenas sucesso individual, mas um legado coletivo que integra a memória e a identidade do povo potiguar.

O projeto agora segue para tramitação na Assembleia Legislativa.


Compartilhe esse post

INCÊNDIO NO PAJUÇARA: VISTORIA APONTA QUE BASE DE ESTÁTUA NÃO FOI AFETADA

  • por
Compartilhe esse post

A Prefeitura de Natal realizou, na tarde desta quarta-feira, uma vistoria técnica na obra da estátua de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Pajuçara, Zona Norte da capital, após o incêndio registrado na última terça-feira (24). De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura, a estrutura de concreto da base não apresenta comprometimento visível, embora ainda passe por testes para atestar a estabilidade. O episódio ocorreu quando a obra já estava na fase final de montagem, restando acabamentos e pintura.

As chamas atingiram a parte superior da imagem, que terá 35 metros de altura, além de uma base de 8 metros. Segundo o engenheiro responsável pela fiscalização da obra, Sueldo Medeiros, o incêndio teria começado durante um serviço de solda na armação dos módulos superiores, possivelmente após um curto-circuito em uma das máquinas utilizadas por dois operários.

Apesar do susto, ninguém ficou gravemente ferido e o rosto da imagem não foi danificado.

Durante a vistoria desta quarta-feira, a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, esteve no local ao lado do artista plástico Ranilson Viana, responsável pelo projeto. Ela explicou que, neste momento, a prioridade é avaliar tecnicamente os danos e organizar os próximos passos.

“Estamos fazendo essa vistoria, ele está apurando toda essa situação, vendo as peças que ficaram e analisando a estrutura. A partir dessa análise é que vamos traçar os próximos passos de retomada e definir o momento ideal. De imediato, vamos agir com o processo de limpeza da área”, afirmou a secretária.

Segundo ela, a parte estrutural executada pela Prefeitura não apresenta, a princípio, sinais de comprometimento. “Toda a nossa parte de estrutura está visivelmente sem comprometimento, mas essa base de concreto vai passar por testes para verificar a estabilidade. Visivelmente, não houve comprometimento”, ressaltou.

Ainda não há prazo definido para a retomada dos trabalhos nem para a inauguração, inicialmente prevista para abril. “A gente está levantando as peças que não tinham sido colocadas, organizando a fabricação das novas peças e estudando possibilidades para dar mais celeridade.

Por enquanto, não temos uma data fixa para início nem para conclusão”, disse Shirley Cavalcanti, acrescentando que a gestão municipal ficou “estarrecida e triste” com o ocorrido, mas mantém a confiança de que a estátua será erguida.

informou que a perícia está sendo finalizada, mas que já há indícios de que o fogo começou após um curto na máquina de solda. “Houve uma explosão na máquina que atingiu parte da resina. A resina é combustível e começou a pegar fogo. Os operários estavam preparados, um teve uma queimadura leve na mão, mas estão bem”, relatou.

De acordo com o escultor pernambucano Ranilson Viana, responsável pelo projeto, mais de 70% da parte atingida foi comprometida. Ele garantiu, no entanto, que a reconstrução será iniciada o mais rápido possível. “Já identifiquei que mais de 70% queimou. Vamos modelar novamente as peças atingidas, trazer para o local e iniciar a montagem. Vamos entregar mais bonita e mais segura para a população de Natal, do Brasil e do mundo”, declarou.

Ranilson também defendeu o material utilizado na obra, afirmando que trabalha com fibra de vidro e EPS antichama, tecnologia empregada em grandes esculturas ao redor do mundo. “Nada é feito para pegar fogo. Foi uma fatalidade. Já fiz mais de 200 esculturas com esse material em mais de 15 anos e nunca aconteceu isso. Vamos investigar para zerar essa possibilidade”, pontuou.

Shirley Cavalcanti: “A partir dessa análise é que vamos traçar os próximos passos. De imediato, vamos agir com o processo de limpeza da área” – Foto: Reprodução

Santuário deve impulsionar turismo religioso na região
A construção integra o Complexo do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, primeiro santuário da capital potiguar, no conjunto Pajuçara. Além da imagem principal, o projeto inclui praça temática, réplica da Capelinha das Aparições de Fátima, espelho d’água, anfiteatro, vitral de 13 metros e prédio administrativo. A estátua é executada pelo município, enquanto as demais estruturas estão sob coordenação da Arquidiocese de Natal.

Com investimento estimado em R$ 15 milhões, abrangendo pavimentação, iluminação, acessibilidade, cercamento e estacionamento, o complexo é apontado como novo vetor de desenvolvimento para a Zona Norte.

O turismólogo Sidnesio Moura avalia que o espaço pode inserir Natal na rota nacional do turismo religioso. Segundo ele, o fato de a capital ser litorânea amplia o potencial de impacto econômico, já que o visitante também busca lazer, cultura e praia. Ele ressalta, contudo, que o sucesso dependerá de gestão especializada e manutenção adequada.


Compartilhe esse post