“SOU DA ERA DA DESOBEDIÊNCIA”, DIZ MARIA LIZ SOBRE FAZER MÚSICA AUTORAL

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A relação de Maria Liz com a música começou antes mesmo dos palcos e estúdios. Ainda na infância, em Natal, ela cresceu em um ambiente onde os discos escolhidos pelos pais faziam parte do cotidiano da casa. Antes de se tornar cantora e compositora, no entanto, sua principal forma de expressão era a escrita. A afinidade com as palavras surgiu cedo e acabou se tornando uma das bases de sua produção autoral. “Eu sempre tive um pé na poesia e brincava muito com essa coisa das palavras e rimas. É tanto que até na minha própria fala eu costumo rimar bastante”, conta a artista.

O passo decisivo para a música veio em 2018, quando ela recuperou um violão que havia recebido na infância. Ao consertar o instrumento, começou a experimentar notas e a unir melodia e palavras, dando origem às primeiras canções. “Consertei um violão velho que eu tinha ganhado quando era criança e, a partir disso, comecei a entoar algumas notas musicais. Fui brincando com as palavras junto às notas e então surgiram as canções”, relembra.

Com o tempo, o hábito de compor se tornou constante. Hoje, a artista acumula mais de 150 músicas autorais, muitas delas escritas em inglês. Esse repertório extenso revela não apenas disciplina criativa, mas também um universo musical que dialoga com diferentes influências.

Segundo ela, o processo criativo sempre foi intuitivo e ligado à forma como percebe o mundo.

“Ela nasce de mim de uma forma corriqueira, como nascem as palavras, como a gente aprende a fazer as coisas funcionais do dia a dia”, diz.

As inspirações de Maria Liz nascem, principalmente, das vivências cotidianas. Relações humanas, afetos e experiências pessoais aparecem com frequência em suas letras, marcadas por metáforas e sensibilidade. Musicalmente, a artista transita entre o folk e a MPB, dialogando com referências como Stevie Nicks, Adrianne Lenker, Patti Smith e Joan Baez, além de nomes da música brasileira como Angela Ro Ro, Maria Bethânia, Marina Lima e Gal Costa.

Embora a música já fizesse parte de sua rotina criativa desde 2018, foi apenas alguns anos depois que Maria Liz começou a apresentar suas composições ao público. Em 2023, a cantora passou a subir aos palcos de Natal com apresentações em formato acústico, levando repertório autoral para pequenos shows na cidade.

O mesmo ano marcou sua participação no Festival Natal em Natal, realizado no Largo Ruy Pereira, após ser selecionada por meio de edital municipal. A experiência representou um dos primeiros momentos de contato mais amplo com o público.

A presença de palco também ganhou novos acordes ao longo da trajetória. Em 2024, a artista realizou seu primeiro show com banda, intitulado “FUROR”, ampliando a dimensão sonora de suas composições e explorando novas possibilidades de arranjos.

Outra vertente importante de sua atuação musical é o projeto alternativo “Peixe Boi Também é Sereia”, no qual atua como vocalista. A proposta explora sonoridades experimentais e performances que dialogam com uma estética mais performática.

Apesar das diferentes experiências musicais, foi em sua carreira solo que Maria Liz deu um dos passos mais marcantes até agora. Em 2025, lançou o single “Flerte Tropical”, seu primeiro trabalho oficial nas plataformas digitais.

A canção marca o início de uma nova fase artística e apresenta ao público uma síntese das influências que permeiam sua produção musical. Com uma sonoridade envolvente e produção intimista, a faixa mistura elementos do pop com uma atmosfera leve e tropical.

Segundo a cantora, a música nasceu de forma simples, inicialmente estruturada apenas com voz, violão, letra e melodia. O processo ganhou uma nova dimensão quando a composição chegou ao estúdio. “Enviei a música para o produtor Eduardo Taufic e, a partir daí, a gente começou a construir a produção musical. No estúdio, ela ganhou riffs de guitarra, sintetizadores e bateria”, explica.

O resultado é uma faixa de estrutura melódica direta, com refrão repetitivo e de fácil assimilação, característica que reforça o clima leve da música. “Flerte Tropical” também funciona como um convite ao verão, aos encontros passageiros e às paisagens afetivas que atravessam o imaginário da artista.

Para Maria Liz, o lançamento do single representa mais do que um marco na carreira, é também a abertura de novos caminhos criativos. Nos próximos passos, a cantora pretende explorar outras vertentes sonoras, incluindo influências do folk e de estilos que dialogam com sua fase atual.

Trajetória e desafios
Ao olhar para a própria trajetória, a artista diz que houve um momento decisivo em que percebeu que a música não era apenas um interesse, mas um caminho de vida. “Teve um momento em que eu me vi diante de várias composições e percebi que gostava de escutar o que eu mesma produzia. Quando você gosta de escutar o que faz, isso significa muito. Foi aí que entendi que não me via fazendo outra coisa”, afirma.

Essa certeza, no entanto, não elimina os desafios de seguir uma carreira autoral, especialmente dentro do cenário independente. Para Maria Liz, o contexto local ainda apresenta obstáculos, principalmente quando se trata de abrir espaço para novos artistas e repertórios autorais. “Viver no cenário potiguar é um tanto quanto difícil, principalmente para quem trabalha com música autoral”, observa.

Ainda assim, ela acredita que o cenário cultural do estado tem se transformado e que cada vez mais artistas locais conseguem projetar seus trabalhos para além das fronteiras regionais. A cantora, inclusive, faz questão de questionar uma frase famosa do folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, segundo a qual Natal não consagraria nem desconsagraria ninguém. “Eu discordo. Hoje estamos na era da desobediência”, diz, com convicção.

Para ela, a nova geração de artistas tem mostrado que é possível construir caminhos próprios, mesmo diante das dificuldades. “Estamos vendo vários artistas se consagrando vindos da nossa terra. Eu acredito que é possível sim fazer história e viver da nossa arte”, completa.

No mês em que o protagonismo feminino ganha ainda mais destaque, a trajetória de Maria Liz revela a força de uma artista que encontrou na sensibilidade, na poesia e na persistência as ferramentas para construir sua própria identidade musical.

Entre violão, versos e experimentações sonoras, ela segue escrevendo a própria história, uma canção de cada vez. E, como diz a própria cantora, com o desejo de que sua arte ultrapasse fronteiras.

“Eu espero que a minha arte possa ser semeada por Natal e pelo Brasil afora”, conclui, otimista.


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CAMPANHA MUNICIPAL REFORÇA DIREITOS E ACOLHIMENTO ÀS MULHERES NATALENSES DAS MULHERES NATALENSES

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A Prefeitura do Natal lançou nesta segunda-feira (9) a campanha institucional do Mês da Mulher, com o tema “Nossas Conquistas São Inegociáveis”, marcando o início de uma programação especial que será desenvolvida ao longo de março, com atividades voltadas à valorização, proteção e promoção dos direitos das mulheres.

A programação inclui encontros institucionais, ações de mobilização social, diálogo com a população e iniciativas de conscientização sobre igualdade de gênero, além do fortalecimento da rede municipal de atendimento às mulheres. A campanha também reforça que avanços conquistados nas últimas décadas, como o enfrentamento à violência, a autonomia econômica e a presença feminina em espaços de decisão, não podem sofrer retrocessos, além de reconhecer instituições que desenvolvem boas práticas na promoção da equidade de gênero.

Durante o lançamento, a secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Andrea Dias, destacou que a campanha tem o objetivo de reafirmar compromissos e ampliar o debate sobre os desafios que ainda persistem. Segundo ela, a violência contra a mulher continua sendo uma realidade que exige enfrentamento permanente. “8 de março não é um dia de flores. É um dia de memória, de luta e de responsabilidade histórica. Cada direito que hoje parece natural foi conquistado com muito enfrentamento. Por isso dizemos que nossas conquistas são inegociáveis”, afirma.

A secretária ressalta que, embora avanços importantes tenham sido alcançados, muitas mulheres ainda enfrentam desigualdades estruturais no cotidiano. “A violência contra a mulher continua sendo uma ferida aberta na sociedade. Os números nos desafiam, as histórias nos atravessam.

Não podemos nos calar, não podemos naturalizar e não podemos retroceder”, diz.

Ela lembra que a realidade das mulheres vai além da violência física e inclui desafios como jornadas de trabalho exaustivas, sobrecarga e desigualdade de oportunidades. “Falamos das mulheres que sustentam suas casas sozinhas, das que enfrentam múltiplas jornadas e das que ocupam espaços de liderança e ainda precisam provar todos os dias que merecem estar ali”, acrescenta.

A vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra, destacou que fortalecer políticas públicas para as mulheres é uma responsabilidade permanente da gestão e que garantir direitos exige ações que tenham impacto real na vida da população. “É por isso que o tema que o município do Natal traz neste mês é que nossas conquistas são inegociáveis. Garantir direitos é um dever de todos os dias. Precisamos ampliar direitos e fazer com que eles sejam eficazes para a população feminina da nossa cidade”, afirma.

Segundo a vice-prefeita, a estruturação de equipamentos públicos voltados às mulheres é parte essencial desse processo, mas ainda há desafios importantes a superar. “Precisamos intensificar o trabalho de conscientização, especialmente sobre a importância da denúncia e sobre os caminhos que as mulheres precisam percorrer para acessar os serviços de proteção”, diz.
Ela destaca que a transformação cultural também passa pela educação das novas gerações. “É fundamental trabalhar o lado pedagógico, educar nossos meninos desde a infância para que entendam a importância do respeito e da sensibilidade na relação com as mulheres”, acrescenta.

Rede apoio e acolhimento
A secretária Andrea Dias ressaltou que Natal já conta com uma rede estruturada de atendimento voltada à proteção e ao acolhimento das mulheres em situação de violência. Entre os principais equipamentos está o Centro de Referência Elizabeth Nasser (CREN). “Hoje nós temos uma rede de atendimento com o nosso Cren, o Centro de Referência Elizabeth Nasser, que é uma rede de portas abertas que atende todas as mulheres com atendimento psicológico, socioassistencial e jurídico”, explica.

O serviço funciona diariamente, das 8h às 17h, na avenida Alexandrino de Alencar, e também pode ser acessado por telefone ou WhatsApp. “Essas mulheres podem nos procurar presencialmente ou entrar em contato pelo telefone e pelo WhatsApp. Lá nós teremos todo o apoio e acolhimento necessário”, orienta.

Outro equipamento citado pela secretária é a Casa Abrigo Clara Camarão, destinada a mulheres que se encontram em situação de risco iminente de morte. “Nós temos também a Casa Abrigo Clara Camarão, que é uma casa com endereço sigiloso. Lá abrigamos mulheres que estão em risco iminente de morte, juntamente com seus dependentes e filhos”, explica. Segundo Andrea Dias, o local oferece atendimento psicológico, jurídico e socioassistencial, além de acompanhamento às crianças.

A secretária também destacou ações educativas realizadas pelo município, como o protocolo “Não é Não” e campanhas de conscientização distribuídas em diversos pontos da cidade.

“Convidamos todos os homens a se integrar nessa campanha. Nós mulheres já sabemos que não podemos sofrer violência. Os homens também precisam assumir a responsabilidade de educar seus filhos para que respeitem meninas e mulheres”, afirma.

Selo ELLAS
A programação do Mês da Mulher também dialoga com outras iniciativas municipais voltadas à promoção da equidade de gênero. Entre elas está o Selo ELLAS, criado para reconhecer empresas e instituições que adotam boas práticas de valorização das mulheres no ambiente de trabalho.

Autor da proposta que instituiu o selo, o presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome, destacou a importância da iniciativa como forma de estimular mudanças no setor produtivo. “O Selo ELLAS vem para valorizar aquelas empresas que valorizam as mulheres no ambiente de trabalho. Ele reconhece empresas que promovem a contratação, a valorização profissional e a qualidade de vida das mulheres”, afirma.

Segundo o parlamentar, o reconhecimento também representa uma forma de incentivar outras organizações a adotarem práticas semelhantes. “O poder legislativo presta esse papel de homenagear as empresas que vêm se destacando na valorização da mulher no ambiente de trabalho. Hoje temos centenas de projetos de lei na Câmara Municipal voltados para a proteção e valorização das mulheres”, acrescenta.

8 de Março
Celebrado em todo o mundo no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher simboliza a luta histórica por igualdade de direitos, melhores condições de trabalho e combate à violência de gênero. Oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1975, a data tem origem em mobilizações de trabalhadoras no início do século XX e permanece como um marco de reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda precisam ser enfrentados na busca por uma sociedade mais justa e igualitária.


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VEREADORES DE NATAL CONSEGUEM CARTA DE ANUÊNCIA PARA DEIXAR UNIÃO BRASIL

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A medida nacional que veda aos diretórios estaduais a autorização do União Brasil aos vereadores dos seus quadros que pretendam disputar em outubro por outros partidos ganhou uma brecha no Rio Grande do Norte. Articulações de Paulinho Freire (UB), junto a Antônio Rueda, presidente nacional da sigla, garantiram a anuência dos vereadores de Natal para a mudança partidária sem risco de perda de mandato.

De acordo com informações de bastidores obtidas pelo Diário do RN, a articulação atende ao projeto do grupo da direita, do qual Paulinho Freire faz parte, e beneficia a secretária de Assistência Social de Natal, vereadora Nina Souza (UB). Vereadora licenciada, Nina já anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal na nominata do PL. Além de Nina, o projeto deve auxiliar a composição da nominata do Republicanos, sob comando de Ezequiel Ferreira.

Hoje (10), o prefeito Paulinho Freire deverá conversar com o presidente estadual do União Brasil, José Agripino, sobre o assunto.

A ideia é que os vereadores sigam Paulinho e possam integrar o projeto da direita, cuja articulação vem sendo elaborada em conjunto entre o prefeito de Natal, o senador Rogério Marinho (PL), Styvenson Valentim (PSDB) e Álvaro Dias (Republicanos), pré-candidato ao Governo do RN.

Neste fim de semana, o grupo se reuniu com o presidente da Assembleia Legislativa e avançou na possibilidade de Ezequiel assumir o comando do Republicanos no Estado e integrar formalmente a aliança que se articula para o pleito de 2026.

O movimento ocorre em meio à reorganização partidária do grupo. Álvaro Dias deve deixar o Republicanos para disputar o Governo do Estado pelo PL, partido de Rogério, mantendo-se dentro do mesmo campo político. Com a saída do ex-prefeito da legenda, abre-se espaço para que Ezequiel passe a conduzir o Republicanos no Rio Grande do Norte.

Além da definição partidária, as conversas também avançaram na formação das nominatas proporcionais para a disputa da Assembleia Legislativa e da Câmara Federal. De acordo com interlocutores ouvidos pelo Diário do RN, Ezequiel já trabalha na estruturação da chapa do Republicanos para deputado estadual.

Além dele, entre os nomes citados nas conversas para compor as nominatas estão o presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome (PP), além de Cristiane Dantas (SD), Taveira Júnior (UB), Ivanilson Oliveira (UB) e Gustavo Soares, que conversam sobre seguir Ezequiel para a nova sigla.

A atuação de Paulinho Freire junto à direção nacional do União Brasil é estratégica para o projeto.

Com a anuência da direção nacional, os vereadores poderão migrar para outras legendas e participar da formação das nominatas do grupo aliado.

Entre os nomes citados nesse movimento estão os vereadores Robson Carvalho e Camila Araújo, que podem reforçar a nominata em construção. Eriko Jácome, atualmente filiado ao PP, partido que integra federação com o União Brasil, deve compor a nominata com ou sem anuência do partido onde está atualmente.


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ALLYSON BEZERRA É ALVO DE DENÚNCIA NO TCE SOBRE FRAUDE EM LICITAÇÃO DA SAÚDE

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O prefeito Allyson Bezerra (UB) enfrenta nova polêmica sobre licitação da saúde. Ele é alvo de denúncia apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) por suposta irregularidade no Pregão Eletrônico nº 07/2025. O processo tinha como objetivo a contratação de serviços de engenharia clínica e manutenção de equipamentos médico-hospitalares da Secretaria Municipal de Saúde.

A denúncia foi feita pela empresa TM Soluções Integradas EIRELI, que acusa o processo de favorecer a empresa STIBIO Soluções Tecnológicas Biomédicas Ltda. De acordo com a representação, diversas concorrentes, incluindo a própria denunciante, foram desclassificadas repetidamente sob alegações de falhas em documentos e planilhas não previstas no edital, o que configuraria, segundo a empresa, excesso de formalismo, tecnicidade e possível direcionamento da licitação.

Na denúncia, o autor pede que o Tribunal de Contas receba e analise o caso e que seja concedida uma medida cautelar para suspender a licitação e qualquer contrato decorrente dela, evitando possíveis prejuízos aos cofres públicos. O documento também solicita que, se as irregularidades forem confirmadas, o pregão eletrônico nº 07/2025 da Secretaria de Saúde de Mossoró seja cancelado. Além disso, pede a punição do prefeito e dos membros da Comissão Permanente de Licitação, caso fique comprovado direcionamento no processo, e que o caso seja encaminhado ao Ministério Público e ao Gaeco para apuração de possíveis responsabilidades criminais.

Em despacho de 28 de janeiro de 2026, o conselheiro Antonio Gilberto de Oliveira Jales reconheceu que a denúncia atende aos requisitos formais e determinou o envio do processo para análise técnica preliminar da Diretoria de Controle de Contas de Gestão e Execução da Despesa Pública do TCE.

O caso ainda está em fase inicial de apuração e não há decisão sobre irregularidades.
Dentre medidas possíveis, o Tribunal poderá determinar suspensão cautelar do pregão e do contrato, evitando prejuízos ao erário enquanto a apuração é realizada.

Casos como este podem comprometer a transparência e a competitividade do processo licitatório, além de gerar desgaste político para a nova administração. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o pregão pode ser cancelado, e o prefeito e membros da Comissão de Licitação podem responder administrativa e criminalmente.

Mederi
Em 27 de janeiro de 2026, o prefeito de Mossoró foi alvo de operação da Polícia Federal em sua residência, assim como outros prefeitos e proprietários de empresas com contratos de licitação da Saúde. A Operação Mederi, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União, investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de fornecimento de medicamentos para a rede pública de saúde em municípios do Rio Grande do Norte.

As principais suspeitas apontadas pela investigação são a de que o prefeito teria recebido 15% de propina sobre valores pagos pela Prefeitura de Mossoró a empresas fornecedoras de medicamentos, especialmente a distribuidora Dismed. Com base nos pagamentos realizados entre 2022 e 2025, os investigadores estimam que o valor poderia ultrapassar R$ 2,2 milhões.

Além disso, a operação investiga irregularidades em processos licitatórios e na execução de contratos para fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares. Há suspeita de direcionamento de contratos, pagamentos irregulares e entrega parcial de produtos; ainda há o esquema de divisão de propinas e uso de contas “laranja” para movimentar dinheiro, afirmam os documentos.


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HENRIQUE ALVES CONFIRMA RETORNO AO MDB: “CICATRIZEI UMA FERIDA ABERTA”

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O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, confirmou ao Diário do RN seu retorno ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), legenda que marcou sua trajetória política por mais de cinco décadas. A filiação, segundo ele, foi formalizada diretamente pela Executiva Nacional do partido.

A decisão, afirmou Henrique, foi fruto de uma reflexão pessoal. “Eu comigo mesmo. Meu coração convencendo minha consciência. Diálogo do bem. E cicatrizei uma ferida aberta”, disse, ao lembrar a saída do partido que sempre considerou sua casa política. A saída de Henrique aconteceu em 2022, após desentendimentos com o primo Walter Alves (MDB), que acabara de assumir a presidência do partido.

A filiação foi realizada pela direção nacional do partido, mecanismo previsto no estatuto para quadros de expressão política. O próprio ex-parlamentar confirmou ao Diário do RN que o processo ocorreu dessa forma. “Se deu no nacional”, resumiu.

Henrique explicou que o retorno ocorre sem ressentimentos e com a intenção de retomar uma relação histórica com a sigla.

Questionado sobre a convivência com o atual presidente estadual do MDB, o deputado federal Walter Alves, Henrique disse que o retorno não tem caráter de disputa interna e que pretende manter um ambiente de diálogo. Ele também relatou que tem conversado com o ex-senador Garibaldi Alves Filho, seu histórico parceiro de vida política, nos últimos dias.

“Natural. Sou um homem de paz. Aprendi na luta o diálogo como caminho. Tenho falado com Garibaldi todos esses últimos dias”, disse.

Há algumas semanas, Henrique fez duras críticas a Walter na ocasião da decisão de rompimento do vice-governador com Fátima Bezerra (PT). Para ele, a abordagem representa comportamento democrático. ““Apenas registrei comportamentos diferentes. Eu cumpriria meu dever com o RN e com o MDB. O natural. Sem ódio e sem medo”, afirmou.

Apesar da volta ao partido, Henrique reiterou que é afastada a possibilidade de disputar o comando da legenda no Estado. Após 44 anos de mandato na Câmara dos Deputados e 11 eleições consecutivas como deputado federal, ele diz considerar sua trajetória política encerrada.

“Já presidi por muitos anos e repassei para Garibaldi. Na política, torcedor sempre de camisa verde, honrando uma história de esperanças. Política partidária e eleitoral já fiz muito. Foram 44 anos com 11 mandatos, líder do MDB por seis anos com 82 deputados, presidente da Câmara, ministro do Turismo em dois governos. Missão cumprida”, afirmou.

O ex-deputado complementou que, neste momento, pretende acompanhar a política apenas como observador. “Serei apenas um exigente torcedor de arquibancada. Que vença a melhor proposta para o nosso Estado”, declarou.

Mesmo assim, opinou sobre o ambiente político atual. Questionado se iria seguir a decisão partidária de aliança com o centro, Henrique fez um apelo por mais respeito e menos radicalização e destacou que a democracia e o diálogo devem orientar a vida pública.

“Radicalismo, de direita e de esquerda, acho que nosso povo não quer ver nem ouvir. Respeito é bom e o RN gosta. Que todos consigam o diálogo como a receita do bem. Viva a democracia, forma e essência de viver”, concluiu, sem maiores detalhes.

Henrique Alves deixou o MDB em 2022, após divergências internas com a direção estadual do partido, liderada por Walter Alves. À época, o ex-parlamentar relatou que a decisão foi dolorosa após mais de meio século de filiação.

Durante sua trajetória no MDB, Henrique acumulou 11 mandatos consecutivos como deputado federal pelo Rio Grande do Norte e chegou à presidência da Câmara dos Deputados, além de integrar a executiva nacional do partido por cerca de 40 anos.

Após deixar o MDB, ele se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2022, legenda da qual se desfiliou em fevereiro deste ano. Na ocasião, agradeceu publicamente ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, pela convivência política.

O retorno ao MDB foi anunciado também nas redes sociais por meio de um vídeo publicado pelo próprio Henrique, no qual relembra o início de sua trajetória política e reafirma a ligação histórica com a legenda fundada sob a inspiração de lideranças como Ulysses Guimarães.

O Diário do RN buscou conversar com Garibaldi Alves Filho e com Walter Alves sobre o retorno de Henrique, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.


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THABATTA PIMENTA: “TEM QUE SER MUITO MULHER PARA ESTAR NESSE LUGAR”

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A política de Thabatta Pimenta (PSOL) começa muito antes do plenário da Câmara Municipal de Natal. Começa na luta cotidiana e na decisão de não aceitar que determinados corpos sejam empurrados para fora dos espaços de poder, segundo ela mesma. “Eu decidi entrar na política por causa de um contexto histórico, que é a exclusão de corpos como o meu, de corpos trans, de corpos com deficiência”, afirma ao Diário do RN.

Thabatta conta que a militância começou a partir da luta pelos direitos das pessoas com deficiência, causa diretamente ligada à sua história familiar. Mas, ao mesmo tempo, reconhece que sua própria existência carrega um significado político. Segundo ela, a presença de corpos como o seu ainda provoca resistência em parte da sociedade.

“Por si só, meu corpo já é um corpo político, que é um corpo transvestigênero nessa sociedade. É esse corpo que traz um imagético que a sociedade, por muitas vezes, não quer que ocupe nenhum espaço, nenhum mínimo”, avalia.

Foi com essa consciência que decidiu disputar espaço na política institucional. “O meu primeiro palanque foi um tamburete. E foi nesse tamburete que eu disse que a política era lugar de pessoas, de gente como a gente”.

A maior inspiração para essa trajetória vem de dentro de casa. Thabatta recorda a coragem da mulher que enfrentou preconceitos em uma cidade pequena do interior potiguar.

“Minha inspiração maior, sem dúvida, é a minha mãe. Minha mãe era uma mulher lésbica que enfrentou tudo e todos em uma cidade pequena como Carnaúba dos Dantas, com seu filho com deficiência, em outra época, onde a segregação estava colocada. Ela tinha orgulho da sua filha trans em um contexto de preconceito, do interior do Estado, e nunca teve medo de nada”, afirma.

Estar na política, porém, significa enfrentar desafios constantes, especialmente sendo uma mulher trans: “A gente vive no país que mais mata a população trans e travesti. Não é fácil ouvir no parlamento coisas absurdas que a gente não acessaria em outros lugares. Tem que ser muito mulher mesmo para estar nesse lugar, dizendo que a gente está ali por todas as mulheridades possíveis”, afirma.

Ao mesmo tempo, ela percebe sinais de transformação social: “A mulher trans e travesti foi a mulher mais votada das últimas eleições. Então há uma mudança brusca na sociedade, onde a gente se coloca e diz que esse espaço também é o nosso”, comemora.

Nesse sentido, Thabatta considera o feminismo um dos movimentos mais importantes da história das mulheres, mas defende que ele seja cada vez mais inclusivo, com uma ampliação do movimento para incluir plenamente as mulheres trans e travestis. “O feminismo precisa ser cada vez mais aliado do transfeminismo, porque é uma luta plural de todas as mulheridades”, pontuou.

Apesar de se sentir acolhida pelo feminismo em grande parte de sua caminhada, Thabatta destaca as Radfem, feministas radicais, que negam a identidade de mulheres trans. “Infelizmente há feministas radicais que acham que nós, mulheres trans, estamos ocupando o lugar de mulheres. Que cada vez mais tenhamos mulheres aliadas e que entendam todas as mulheridades possíveis”, finaliza Pimenta.

Camila Araújo e a política como missão de servir

“Muitas vezes me vi frustrada enquanto conselheira tutelar, sem poder” – Foto: Elpídio Júnior

Para a vereadora Camila Araújo (UB), a política não surgiu como um projeto de poder, mas como consequência de uma trajetória dedicada à proteção de crianças e famílias. Antes de chegar à Câmara Municipal de Natal, ela atuou como conselheira tutelar, experiência que, segundo afirma, marcou profundamente sua visão sobre as decisões que moldam a vida das comunidades.

“Acredito que política é um chamado. Sempre tive uma dedicação à infância, à família, e decidi concorrer ao cargo de vereadora, inicialmente, para ampliar minha capacidade de fazer. Muitas vezes me vi frustrada enquanto conselheira tutelar porque a gente não tinha voz, não tinha poder para resolver as coisas, para fazer algo prático por alguém, por alguma família”, explica a vereadora à reportagem.

A candidatura também carregava um simbolismo coletivo. Camila lembra que havia um antigo sonho de representatividade do Bairro Nordeste no Legislativo natalense. Junto com isso, a inspiração que orienta sua atuação política tem origem espiritual.

“Minha inspiração pessoal é Jesus. Sem dúvidas. O maior exemplo de amor e servidão às pessoas que o mundo conheceu. Alguém que abdicou de sua condição divina para ser um servo de quem mais necessitava”, ressalta Camila.

Ao falar sobre o lugar das mulheres na política, Camila reconhece que o ambiente ainda é predominantemente masculino. Ela observa que, muitas vezes, mulheres precisam provar constantemente sua capacidade. Apesar disso, considera fundamental ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.

Mesmo assim, quando o tema é feminismo, a vereadora assume uma posição crítica. Camila afirma não se identificar com o movimento. Segundo ela, a defesa da valorização da mulher não depende da adesão ao feminismo enquanto movimento político organizado.

“Eu sou antifeminista, especialmente em algumas correntes que acabam promovendo uma guerra entre homens e mulheres ou atacando valores importantes como a família, a fé e a maternidade. Se a mulher pode ser o que quiser, por que não legitimar a mulher que sonha em casar, ter filhos e ser dona de casa?”, questiona a vereadora na conversa com o Diário do RN.

Diante desse contexto, afirma que não se sente acolhida pelo movimento: “De maneira alguma.

Basta ver nas minhas redes sociais que a maioria dos ataques que eu recebo por causa das minhas posições políticas são de mulheres. O feminismo não defende todas as mulheres; defende uma parcela que faz parte de um campo de pensamento político mais progressista”, pontua Camila Araújo.

“Sempre entendi a política como instrumento de transformação”: Samanda Alves e a militância que chegou ao plenário

” A gente enfrenta desde a sub-representação até formas de violência política de gênero, que tentam nos silenciar” – Foto: Francisco de Assis

A política, para a vereadora Samanda Alves (PT), nasceu muito antes do mandato. Antes da tribuna, antes das votações no plenário da Câmara Municipal de Natal, veio a militância, caminhada construída ao lado de movimentos sociais, sindicatos e organizações populares.

Engenheira de formação, Samanda conta que a participação política começou ainda na juventude.

“Eu venho da militância política e social. Sou engenheira de formação, mas desde muito jovem me envolvi nas lutas populares, especialmente dentro do Partido dos Trabalhadores. Trabalhei mais de 20 anos ao lado da governadora [Fátima Bezerra] e também em diferentes espaços de governo e de participação social. Sempre entendi a política como um instrumento de transformação da realidade”, narra Samanda.

Quando fala de inspiração, mais do que nomes isolados, ela destaca a força das trajetórias que abriram caminho para outras mulheres. “Minha principal inspiração sempre foi a luta coletiva.

Mulheres que abriram caminho na política e nos movimentos sociais, como a própria governadora Fátima Bezerra, são referências importantes. Também me inspiro muito nas mulheres anônimas, que estão nas comunidades, nos sindicatos, nos movimentos sociais, enfrentando tantas dificuldades e mesmo assim seguem lutando por dignidade”, revela a parlamentar.

A vereadora reconhece que a presença feminina na política ainda enfrenta barreiras profundas, com as cobranças sobre as mulheres costumando ser ainda maiores. “A gente enfrenta desde a sub-representação até formas de violência política de gênero, que muitas vezes tentam nos silenciar ou deslegitimar nossa atuação. Ainda existe uma cobrança muito maior sobre as mulheres do que sobre os homens”, explica.

Mesmo diante dessas dificuldades, ela vê um processo gradual de transformação. Para Samanda, o feminismo é parte fundamental desse processo histórico de ampliação de direitos.

“Eu entendo o feminismo como uma luta por igualdade. É um movimento que busca garantir que mulheres tenham os mesmos direitos, oportunidades e respeito que os homens. É fundamental para enfrentar violências, desigualdades salariais e tantas outras injustiças que ainda atingem as mulheres”, diz Samanda.


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MORAES ARQUIVA INQUÉRITO CONTRA GENERAL GIRÃO SOBRE ATOS GOLPISTAS

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do Inquérito 4.939/DF, que investigava o deputado federal Eliéser Girão Monteiro Filho por possível participação nos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

A investigação foi instaurada a partir de apuração conduzida pela Polícia Federal, que analisou manifestações públicas e publicações do parlamentar em redes sociais no contexto das mobilizações que questionavam o resultado das eleições presidenciais de 2022. Entre as hipóteses investigadas estavam crimes como associação criminosa, incitação ao crime, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.

Após diligências complementares solicitadas pelo STF, a Polícia Federal concluiu que não foram encontrados elementos que comprovassem participação direta do deputado General Girão em atos de vandalismo ou incentivo à depredação ocorrida nas sedes dos Três Poderes, em Brasília.

O relatório policial também registrou que o parlamentar chegou a convocar manifestações em frente ao quartel do Exército em Natal, fato que resultou em condenação na Justiça Federal por danos morais coletivos em ação civil pública. Ainda assim, segundo a análise da investigação, essas condutas não configurariam prova de participação direta nos eventos de 8 de janeiro.

Ao analisar o caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que, mesmo na hipótese de eventual enquadramento no crime de incitação ao crime, a pretensão punitiva do Estado estaria prescrita. A pena máxima prevista para esse delito é de seis meses de prisão, com prazo prescricional de três anos, reduzido pela metade quando o investigado possui mais de 70 anos — caso do General Girão.

Como as publicações investigadas ocorreram em janeiro de 2023, o prazo de um ano e seis meses já teria sido ultrapassado. Além disso, a PGR apontou ausência de provas que demonstrassem adesão direta ou auxílio material do parlamentar aos atos golpistas.

Diante da manifestação do Ministério Público, o ministro Alexandre de Moraes acolheu o pedido e determinou o arquivamento do inquérito. Na decisão, o magistrado ressaltou que a titularidade da ação penal pública é exclusiva do Ministério Público, cabendo ao Judiciário apenas exercer a supervisão da legalidade das investigações.

O arquivamento não impede eventual reabertura do caso, caso surjam novas provas relacionadas aos fatos investigados.


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MULHERES NEGRAS LIDERAM LUTA POR IGUALDADE NO RIO GRANDE DO NORTE

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Na semana em que o país celebra as conquistas femininas, dados mostram que a realidade nem sempre é igual para todos. No Rio Grande do Norte, o racismo contra mulheres segue como uma das faces mais duras da desigualdade social. Estrutural e muitas vezes silencioso, ele se manifesta nos indicadores de violência, renda, saúde e representatividade política.

De acordo com dados das Nações Unidas no Brasil, mulheres negras nordestinas têm quatro vezes mais chances de serem assassinadas do que mulheres brancas. No Rio Grande do Norte, esse índice é ainda mais alarmante, chegando a ser oito vezes maior. Os números revelam uma vulnerabilidade que atravessa gerações e expõe o peso combinado do racismo e do machismo.

Entre janeiro e novembro de 2025, o estado registrou aumento de 10,2% nos casos de feminicídio, com 21 mortes, superando o total contabilizado em 2024. Levantamentos indicam um cenário ainda mais preocupante, com o Rio Grande do Norte figurando entre as maiores taxas de feminicídio do Nordeste, segundo o estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

No mercado de trabalho, a desigualdade também se impõe. No RN, mulheres negras recebem, em média, 33% a menos que mulheres brancas. Elas ocupam com maior frequência postos informais e funções com menor proteção social. A exclusão se estende aos espaços de poder: embora representem parcela significativa do eleitorado, ainda são minoria em cargos de decisão.

A violência institucional é outro ponto crítico. Mulheres negras figuram entre as principais vítimas de violência obstétrica e relatam atendimentos marcados por negligência, longas esperas e menor oferta de anestesia durante o parto. Casos de discriminação em serviços públicos e privados também compõem o cenário de racismo estrutural no estado.

Paradoxalmente, o aumento das denúncias pode ser interpretado como sinal de maior conscientização. Registros de violações racistas no Rio Grande do Norte mais que dobraram entre 2023 e 2024, acompanhando uma alta de 101,5% na região Nordeste. Contudo, especialistas apontam que, embora haja atualmente uma elevação dos casos, há mais informação e incentivo para que vítimas busquem seus direitos.

Diante desse contexto, movimentos de mulheres negras têm intensificado ações de mobilização e formação política. Integrante da organização Kilombo, da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e do Comitê Impulsor de Mulheres Negras Potiguares, Dalvaci Neves afirma que março é um período simbólico de fortalecimento da luta.

“As mulheres negras estão organizadas com o intuito de acabar com o racismo e com o machismo. O ‘março de lutas’ vem dar visibilidade à violência contra a mulher negra”, destaca.

Segundo ela, o racismo estrutural empurra mulheres negras para os piores indicadores sociais.

“Os dados mostram que estamos nas piores rendas, exercemos trabalhos mais precários e somos minoria nos quadros de gestão pública e privada. Assim como na política e no mercado de trabalho, também na questão da violência somos as mais atingidas”, afirma.

A pauta da educação também aparece como prioridade. Dalvaci defende o cumprimento das leis que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, não apenas em datas comemorativas. “A educação precisa enfrentar o racismo no dia a dia e promover igualdade de gênero e raça. Esperamos que o novo Plano Nacional de Educação traga diretrizes concretas nesse sentido”, pontua.

Outro aspecto ressaltado é o enfrentamento ao padrão de embranquecimento imposto historicamente às mulheres negras. “Durante muito tempo fomos pressionadas a mudar nossa aparência para sermos aceitas. Queremos que cada mulher possa assumir sua identidade e ser respeitada por sua competência”, diz.

Encerrando a programação do mês, o movimento promove, no próximo dia 19, às 14h, um curso de letramento racial, com aula inaugural online. O evento contará com a participação de Nayara Leite, representante do Instituto Odara, da Mulher Negra, sediado em Salvador, e coordenadora da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

De acordo com Dalvaci, mais do que um encontro virtual, a atividade simboliza um esforço coletivo para transformar estatísticas em mudança concreta. Em meio aos desafios, mulheres negras potiguares seguem organizadas, reafirmando que igualdade não é concessão, é direito.

Políticas públicas no RN
No campo das políticas públicas, o Rio Grande do Norte sancionou recentemente a Lei nº 11.938, de iniciativa da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), que institui a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo Institucional. Para as ativistas, o avanço é importante, mas precisa sair do papel e alcançar a vida cotidiana.


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EMPREENDEDORISMO FEMININO: FOCO EM PLANEJAMENTO E VISÃO ESTRATÉGICA MARCAM AVANÇO DA PETISQUERIA

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O empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte atravessa um período de crescimento consistente e transformação estrutural. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae/RN), com base em levantamentos do IBGE, apontam que entre 2021 e 2024 o número de novos registros de Microempreendedor Individual feitos por mulheres saltou de 10.298 para 15.793, um aumento de 53%.

Hoje, elas estão à frente de aproximadamente 30% das empresas no estado, o que representa mais de 100 mil negócios sob liderança feminina. Mais de 90% dessas iniciativas são microempresas ou MEIs, um retrato de um perfil empreendedor marcado pela formalização, atuação por conta própria e busca por independência financeira. Só nos primeiros meses de 2025 mais de 4 mil empresas foram formalizadas por mulheres.

A maior presença feminina nos negócios também revela um recorte social importante: cerca de 46% das empreendedoras no RN são chefes de domicílio. Muitas encontram no próprio negócio uma alternativa para conciliar renda, flexibilidade e autonomia. Ainda assim, desafios persistem.

Segundo o Sebrae/RN, 63,7% apontam a dificuldade de acesso a capital como principal barreira ao crescimento, enquanto homens seguem majoritários nas lideranças de empresas de maior porte.

História de Sucesso
É nesse cenário de avanço e desafios que histórias de consolidação ganham destaque, especialmente no setor de alimentação, um dos mais ocupados por mulheres no estado. Em Natal, o Grupo Petisqueria é um desses exemplos de profissionalização, identidade de marca e expansão planejada.

Fundado há mais de cinco anos, o negócio nasceu da união de três mulheres, amigas e também com laços familiares, que identificaram um nicho de mercado voltado à gastronomia para celebrações e eventos. A proposta inicial era oferecer petiscos sofisticados, com apresentação artesanal e serviço que unisse sabor, estética e praticidade.

A operação começou de forma enxuta, estruturada a partir das experiências complementares das sócias Cecilia Madruga, Emanuele Belchior e Sanylle Faraj. O que era uma produção voltada a encontros sociais evoluiu gradualmente para uma empresa estruturada, com atuação consolidada em eventos corporativos e sociais na capital potiguar.

Com equipe composta quase integralmente por mulheres, o grupo aposta na valorização feminina em todas as etapas do processo, da produção à gestão. A combinação entre visão empresarial, controle administrativo e desenvolvimento constante de produto sustenta o crescimento planejado.

CEO responsável pelo comercial e relacionamento institucional do grupo, Cecilia Madruga destaca o protagonismo feminino como elemento central da cultura da empresa. “Acreditamos na força do empreendedorismo feminino e na capacidade de gestão das mulheres. Nossa equipe é majoritariamente feminina, e isso se reflete na atenção aos detalhes, no cuidado com o atendimento e na construção da experiência”, ressalta.

À frente da gestão administrativa, Emanuele Belchior explica que o crescimento foi sustentado por organização e capacitação contínua. “A profissionalização da operação sempre foi uma prioridade. Investimos em capacitação, planejamento financeiro e organização de processos para garantir crescimento estruturado”, diz.

Segundo ela, o empreendedorismo feminino exige preparo permanente. “Trabalhamos com indicadores, metas e planejamento de expansão. O empreendedorismo feminino exige preparo e consistência, e estamos construindo isso diariamente junto com toda a nossa equipe”, completa.

Ao longo da trajetória, o grupo ampliou o portfólio e diversificou serviços. Torres de salame, quiches artesanais, tábuas personalizadas e sobremesas com sabores regionais tornaram-se marca registrada da casa. A identidade visual cuidadosa e o padrão de qualidade ajudaram a fortalecer o reconhecimento da marca no mercado local.

Em 2026, a Petisqueria inicia uma nova etapa estratégica com a inauguração da loja física em formato de empório, instalada no mesmo endereço do espaço para eventos, no bairro Lagoa Nova.

A proposta é concentrar no local toda a experiência construída ao longo dos anos e ampliar as frentes de receita.

Atualmente, o grupo concentra suas atividades em três frentes: buffet para eventos corporativos e sociais, operação da loja física em formato takeaway e produção própria, que inclui almoço executivo e linha de congelados. O planejamento para o ano também prevê a ampliação do espaço destinado às celebrações, fortalecendo a estrutura que já conta com ambiente garden para encontros de menor porte.

Para Cecilia Madruga, o movimento representa um passo natural dentro do planejamento estratégico do grupo. “Atuamos desde o início com a convicção de que a Petisqueria poderia se tornar mais do que um buffet. Sempre enxergamos potencial de marca. A loja física no formato empório representa um passo estratégico dentro do nosso planejamento para 2026. É uma forma de consolidar a identidade do grupo e aproximar ainda mais o cliente da nossa proposta”, afirma.

Na área técnica e de desenvolvimento de produtos, Sanylle Faraj reforça que a expansão acompanha o comportamento do público. “O cardápio da Petisqueria foi construído com base em identidade de anos de experiência profissional e alto padrão de qualidade. Ao longo dos anos, fomos entendendo o comportamento do nosso público e ampliando as possibilidades de consumo”, afirma.
Ela explica que o novo almoço executivo e a linha de congelados surgem como desdobramento dessa escuta. “É o mesmo sabor já reconhecido nos eventos, agora disponível no dia a dia.

Acredito muito na sensibilidade feminina na gastronomia, no cuidado com apresentação, equilíbrio e acabamento. Isso faz parte do nosso diferencial competitivo”, ressalta.

Em meio aos dados que apontam o crescimento do empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte, a trajetória da Petisqueria exemplifica esse movimento. O caso evidencia mulheres à frente de negócios estruturados, com foco em gestão, posicionamento de marca e expansão planejada, transformando uma operação de pequeno porte em empresa consolidada no mercado local.


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DIVANEIDE: “MUITAS VEZES É PRECISO ‘BATER NA MESA’ PARA GARANTIR RESPEITO”

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Socióloga, professora e doutora em Ciências Sociais pela UFRN, a deputada estadual Divaneide Basílio (PT) tem trajetória marcada por origem, identidade e compromisso social: “Sou filha de trabalhadores rurais, nascida em Pedro Avelino e criada na zona Norte de Natal, região onde resido até hoje”. Foi nesse território e no exemplo da família que Divaneide construiu a compreensão de que a política não se limita aos espaços institucionais.

“Cresci vendo meus pais lutarem pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, acreditarem profundamente na educação como ferramenta de transformação”, destaca a deputada ao Diário do RN.

A formação nas pastorais sociais, nos movimentos populares e na universidade consolidou essa visão. O ingresso na política institucional, segundo ela, foi consequência de uma militância que já existia na vida comunitária. As inspirações que moldaram essa caminhada também têm raízes profundas.

“Minhas primeiras inspirações vieram de casa: meus pais, meus avós, especialmente meu avô Chico, que fortaleceu minha identidade racial: de mulher negra de comunidade, e minha avó Generosa, com sua sabedoria popular. Hoje, minha maior inspiração continua sendo o povo que represento, mulheres, mães atípicas, população negra, trabalhadores e trabalhadoras, além dos meus filhos, que renovam diariamente meu compromisso com um futuro mais digno”, ressalta.

Ser mulher na política já impõe obstáculos, mas, para Divaneide, o desafio se intensifica pela dimensão racial: “Ser mulher, e especialmente mulher negra, na política é enfrentar diariamente o machismo e o racismo estruturais. É precisar provar o tempo todo a própria capacidade, lidar com tentativas de silenciamento e com a deslegitimação constante da nossa voz. Muitas vezes é preciso ‘bater na mesa’ para garantir respeito. Ainda assim, seguimos ocupando esses espaços com cuidado, porque nossa presença é transformação”.

Ao falar sobre feminismo, a deputada faz questão de situá-lo a partir da realidade concreta das mulheres que representa. Para ela, não há dissociação entre gênero, raça e classe.

“Para mim, só é válido um feminismo popular, que dialoga com a realidade das mulheres trabalhadoras, negras, dos bairros, mães, que enfrentam múltiplas opressões. Além do conceito, é um instrumento de libertação coletiva”, define a deputada.

Divaneide afirma se reconhecer e se sentir fortalecida nesse campo: “Eu sou uma mulher feminista, e sou acolhida especialmente pelo feminismo que reconhece as interseccionalidades e compreende que raça, classe e território atravessam a experiência das mulheres. É nesse campo que me sinto representada e fortalecida, porque ele dialoga com minha trajetória e com o projeto de sociedade que defendo”, reforça.

Isolda Dantas: “O feminismo é a luz, é a bandeira que nos conduz”

“Muitas vezes há uma invisibilidade da gente como representante” – Foto: Reprodução

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) tem caminho inseparável dos movimentos sociais e da luta feminista. Sua entrada na política não foi motivada por projeto individual, mas resultado de um processo de formação política e consciência crítica construída ao longo da vida. “A minha história sempre foi uma história muito ligada aos movimentos sociais. Eu comecei pelo movimento estudantil, depois me encontrei com o feminismo e depois fui participar do governo Lula e do governo Dilma”, relata.

A experiência institucional veio depois, primeiro como vereadora em Mossoró, por dois anos, e em seguida como deputada estadual, cargo que hoje exerce em seu segundo mandato.

“O que me fez ingressar na política foi exatamente essa construção de uma consciência crítica, de que era possível mudar a vida das pessoas para melhor através da política”, define.

Ao falar sobre suas inspirações, Isolda afirma que não se trata de qualquer referência feminina, mas de mulheres comprometidas com a transformação social. Nesse percurso, ela cita feministas do Brasil e do mundo e faz referência especial à militante Nalu Faria, destacando sua atuação na construção de um feminismo de base, coletivo e enraizado na organização das mulheres rurais.

Também lembra Celina Guimarães, símbolo da luta pelo direito ao voto no Rio Grande do Norte.

“Hoje, a minha inspiração é quando eu vejo mulheres rurais se organizando em grupo querendo transformar a vida. Quando eu vejo as jovens que se desafiam a entrar na política, mesmo com todos os desafios que elas enfrentam de violência política”, destaca a parlamentar.

Para a deputada, os principais desafios de ser mulher na política passam pelo reconhecimento enquanto sujeito político: “Os principais desafios hoje da política é a gente ser respeitada como sujeitos que pensa. Muitas vezes há uma apropriação indevida das nossas ideias, do nosso lugar, e há uma invisibilidade da gente como representante”.

Ela alerta que a desigualdade estrutural tem consequências diretas na vida das mulheres: “O que a gente tem hoje, dessa forma de que a sociedade nos vê como cidadã não pensante, que acha no direito de nos matar, é porque a gente não tem um mundo de igualdade”.

Nesse contexto, Isolda Dantas define o feminismo como elemento central da história política das mulheres. Por isso, critica tentativas de negar esse legado.

“Foi o feminismo quem nos fez votar, foi quem nos fez ter o direito de trabalhar, foi quem nos fez ter o direito de falar, de gritar e de dizer que nós queremos construir um mundo igual. Hoje tem muitas mulheres que querem entrar na política negando o feminismo. Nós não podemos negar o feminismo porque foi ele que nos trouxe até aqui”, ressaltou Isolda.

Para esta reportagem, o Diário do RN buscou as cinco parlamentares que compõem a bancada feminina da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. As deputadas Cristiane Dantas (Solidariedade), Eudiane Macedo (PV) e Terezinha Maia (PL) não encaminharam suas respostas até o fechamento.


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ÁLVARO DIAS DEFENDE UM NOME DE CONSENSO PARA O MANDATO-TAMPÃO

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Em meio à possibilidade de uma eleição indireta no Rio Grande do Norte, o pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (Republicanos) avaliou que o cenário ideal seria a escolha de um nome de consenso para assumir um eventual mandato tampão, embora reconheça que esse entendimento é difícil diante da atual polarização política.

Em entrevista concedida ao Diário do RN, Álvaro defendeu que, caso se confirme a necessidade de uma eleição indireta, o Estado deveria ser conduzido por um perfil técnico, sem compromissos políticos imediatos. Para ele, esse seria o caminho mais adequado para enfrentar o momento delicado das finanças e da gestão estadual.

“O mandato tampão, na minha ótica, deve ser assumido por um técnico, uma pessoa que possa assumir sem maiores compromissos políticos, para começar a tomar as medidas duras, difíceis, que o Estado deve tomar para reencontrar os caminhos do desenvolvimento e do progresso perdidos no atual governo da professora Fátima Bezerra”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de esse nome reunir apoio de todos os grupos políticos, inclusive da esquerda, Álvaro destacou que esse seria o cenário ideal, justamente para viabilizar decisões impopulares, mas necessárias. “Eu acho que era o ideal, um nome de consenso, um nome que pudesse realmente, com apoio de todos, tomar medidas impopulares, medidas duras, para que o Estado possa então começar a se preparar para depois da eleição o novo governador realmente dar continuidade a essas medidas”, disse.

Apesar disso, o pré-candidato ponderou que a chance de entendimento amplo é pequena. Segundo ele, a forte polarização nacional tem reflexos no Rio Grande do Norte e pode impedir o entendimento. “A discussão sobre o nome vai ser tomada entre direita e esquerda. Acho difícil se entenderem. A eleição está muito polarizada a nível nacional e essa polarização está refletindo aqui no estado”, avaliou.

Álvaro também afastou a possibilidade de apoio ao nome eventualmente indicado pela governadora Fátima Bezerra. Na visão dele, a tendência é que a direita apresente um nome próprio, buscando diálogo com o maior número possível de lideranças.

“O nome técnico deverá ser apresentado pelo nosso grupo político. Nós vamos procurar dialogar, conversar com o maior número de lideranças possível, para que essa pessoa que venha assumir interinamente o governo possa ter um apoio consistente, relevante, para iniciar essas medidas impopulares que são necessárias”, afirmou.

Em entrevistas anteriores, o líder do grupo integrado por Álvaro, Rogério Marinho (PL), apontou como as chamadas “medidas impopulares” para o novo governador, a privatização da Caern, a federalização da UERN, fim do aumento real de salário para servidores e um Plano de Demissão Voluntária para os trabalhadores do Estado.

O grupo também inclui Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB) e deve ter oficializada aliança com Ezequiel Ferreira (PSDB), que pode assumir o Republicanos. Ezequiel Ferreira deve ser o elo decisivo para as definições do candidato e dos votos para a eventual eleição indireta, que deve acontecer caso a governadora Fatima Bezerra (PT) decida pela renúncia para concorrer ao Senado Federal.

Até agora, os três grupos presentes na Assembleia Legislativa conversam entre si para avaliar a possibilidade de acordo. Por enquanto, o único grupo que apresenta candidato é a esquerda, diante do projeto político do PT nacional de ampliar a bancada no Senado, incluindo Fátima. A governadora tenta emplacar Cadu Xavier, que já é o pré-candidato do sistema governista nas eleições de outubro.

O centro está até agora dividido entre apoiar a cadeira do Executivo, em caso de dupla vacância, nas mãos do PT, ou apresentar nome próprio. Já a direita, segundo Álvaro Dias, deve seguir projeto próprio.


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ZÉ AUGUSTO REGO ASSUME A FEMURN E DEFENDE UNIÃO EM PROL DOS MUNICÍPIOS

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A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) realizou, na manhã desta quarta-feira (4), a solenidade de posse de seu novo presidente, o prefeito de Portalegre, José Augusto de Freitas Rêgo (UB), conhecido como Zé Augusto. O evento reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de prefeitos, prefeitas, autoridades e lideranças municipalistas de diversas regiões do estado.

Durante a cerimônia, foi assinada a ata que oficializou Zé Augusto no comando da entidade. Ele assume a presidência após a renúncia de Babá Pereira (PL), que deixou o cargo para se dedicar à pré-candidatura a vice-governador do RN nas eleições de outubro, em decisão que, segundo afirmou, preserva a isenção institucional da federação perante os 167 municípios filiados.

“Entendo que não compatibilidade em estar pré-candidato a um cargo majoritário e continuar presidente da federação, então por isso resolvi antecipar minha saída”, afirma Babá Pereira.

Zé Augusto cumprirá o mandato à frente da FEMURN até o final de 2026. Em seu discurso de posse, o novo presidente destacou o compromisso com o fortalecimento do municipalismo potiguar e com uma gestão aberta ao diálogo.

Em entrevista, Zé Augusto também apresentou diretrizes para sua gestão, ressaltando a necessidade de modernização da entidade e de fortalecimento das finanças municipais. “Temos que ver a questão do fortalecimento das receitas, modernizar e inovar a FEMURN, como também criar um fórum de inter-poderes para que a gente possa debater os problemas dos municípios. A presença dos representantes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo nesta solenidade demonstra que o municipalismo é uma causa coletiva. Precisamos caminhar juntos para garantir mais autonomia, recursos e respeito às nossas cidades”, disse.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, presente na solenidade, também destacou o papel estratégico da FEMURN para a economia.

“É uma entidade importante nesse aspecto de articulação e de proposição. Ela se alinha muito à Federação das Indústrias, já que ambas buscam o desenvolvimento e apoiar os municípios, que é onde estão as pessoas e de onde surgem as primeiras demandas”, pontuou.

Já o deputado federal e ex-dirigente da entidade, Benes Leocádio, foi o único deputado a prestigiar o evento. “Tenho certeza que um prefeito que foi eleito, reeleito e já conhecedor do trabalho da FEMURN vai representar muito bem o setor municipalista no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Com trajetória iniciada no Legislativo municipal, onde cumpriu dois mandatos como vereador, Zé Augusto foi eleito prefeito de Portalegre em 2020 e reeleito em 2024. Agora, à frente da FEMURN, assume o desafio de conduzir a entidade mantendo o foco na defesa dos interesses dos municípios potiguares e no fortalecimento do municipalismo no estado.


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RN MANTÉM VIGILÂNCIA CONTRA A MPOX; BRASIL JÁ REGISTRA 88 CASOS EM 2026

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O Brasil registrou 88 casos confirmados de mpox, anteriormente conhecida como monkeypox, nos primeiros meses de 2026. Apesar do aumento recente, não há registro de óbitos neste ano e os quadros têm sido considerados leves a moderados. No Rio Grande do Norte, não há casos confirmados, mas as autoridades de saúde mantêm vigilância ativa após a investigação de uma suspeita em Mossoró, já descartada por exame laboratorial.

De acordo com o panorama nacional divulgado em fevereiro, a maior concentração de casos está em São Paulo, com 62 confirmações. Também há registros no Rio de Janeiro, com 15 casos, além de Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. O aumento recente tem sido associado ao período de carnaval, embora o cenário atual esteja distante do pico observado em 2025, quando o país ultrapassou mil casos ao longo do ano.

No Rio Grande do Norte, o único caso suspeito em 2026 foi registrado em Mossoró. A paciente deu entrada no dia 20 de fevereiro na Unidade de Pronto Atendimento do Alto de São Manoel com sintomas compatíveis com a doença. Segundo a Prefeitura de Mossoró, a Secretaria Municipal de Saúde seguiu o protocolo do Ministério da Saúde, com isolamento, medicação e coleta de material para exame, encaminhado a Natal. O resultado, divulgado no dia 25, foi negativo.

“Desde o primeiro atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde acompanhou o caso, seguindo todos os protocolos estabelecidos pela Vigilância em Saúde e pelo Ministério da Saúde. A paciente recebeu a assistência necessária, os exames foram realizados e, com o resultado negativo, a suspeita foi descartada”, destacou a secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) ressalta que, embora o caso tenha sido oficialmente descartado no último dia 26, o estado segue monitorando a situação, como faz em relação a outras doenças contagiosas.

A mpox é uma doença viral causada por um vírus da mesma família da varíola humana, erradicada há décadas. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais ou objetos contaminados, além de contato íntimo.

Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e o surgimento de lesões na pele, que podem evoluir para pústulas, geralmente dolorosas. A orientação das autoridades de saúde é que pessoas com esses sinais procurem uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para avaliação médica e, se necessário, isolamento até a confirmação ou descarte do diagnóstico.

O infectologista Igor Thiago explica que o vírus tem características semelhantes ao da antiga varíola. “O mpox é um vírus filogeneticamente muito próximo ao vírus da varíola humana, que está erradicada há bastante tempo. A transmissão ocorre principalmente por contato íntimo, pele a pele, o que facilita a disseminação em situações de contato direto”, detalha.

Segundo ele, após o período de incubação, surgem lesões com aspecto característico. “A principal lesão é a pústula, arredondada, com conteúdo purulento e centro umbilicado, como se fosse um pequeno umbigo. Pode haver poucas ou várias lesões espalhadas pelo corpo, muitas vezes na região genital, e elas podem ser bastante dolorosas”, explica.

O diagnóstico é feito por exame molecular, com coleta de material da secreção ou da crosta da lesão para identificação do DNA do vírus. Em relação ao tratamento, o médico ressalta que, na maioria dos casos, a conduta é de suporte. “O tratamento costuma ser sintomático, com analgésicos e medicamentos para aliviar o desconforto. Existe um antiviral, o tecovirimat, mas é de difícil acesso e geralmente reservado para casos mais graves, que necessitam de internação, e mesmo assim sua eficácia ainda é discutida na literatura médica”, afirma.

Igor Thiago acrescenta que não há vacinação específica amplamente disponível no momento e reforça que a prevenção está centrada na redução do risco de exposição. “Evitar contato com pessoas com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e manter higiene frequente das mãos são medidas fundamentais para interromper a cadeia de transmissão”, orienta.


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REPOSICIONAMENTO PROFISSIONAL TRANSFORMA TRAJETÓRIAS DE MULHERES

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A ideia de que é preciso escolher uma profissão ainda muito jovem e segui-la até a aposentadoria já não representa a realidade de muitas brasileiras. A transição de carreira é uma tendência crescente no mercado de trabalho, impulsionada pela busca por propósito, equilíbrio e desenvolvimento pessoal. Estudos indicam que sete em cada dez mulheres maduras, acima dos 50 anos, estão em transição de carreira ou consideram mudar de profissão, em um movimento de ressignificação da própria trajetória.

Entre os principais motivos estão a vontade de alinhar o trabalho a valores pessoais, a necessidade de conciliar vida profissional e familiar e o desejo de viver um “segundo ato” após os 40 ou 50 anos. Também pesam fatores como ambientes corporativos hostis, falta de reconhecimento, sobrecarga e impactos na saúde mental. O medo da instabilidade financeira e o preconceito etário ainda são obstáculos, mas muitas encontram na maturidade a experiência e a resiliência necessárias para recomeçar.

Foi assim com a psicóloga Maria Beatriz Lago, 36 anos. Formada inicialmente em Engenharia Química em 2013, ela permaneceu na área por três anos, com foco na carreira acadêmica. Mas a inquietação já a acompanhava desde a graduação.

“Já no curso, eu não me sentia identificada com aquela área. Sabia que tinha algo a mais que eu buscava. Sempre gostei muito de ler, de questionar problemas sociais e filosóficos, e isso dentro da engenharia fica difícil”, conta.

Em 2015, durante o mestrado em Engenharia Sanitária, Beatriz tomou a decisão que mudaria sua vida profissional. No ano seguinte, ingressou no curso de Psicologia, área em que se formou há cinco anos e onde encontrou identificação. “Trabalhando como engenheira, eu percebia que eu buscava muito mais entender o outro do que consertar as máquinas”, relembra.

A mudança, segundo ela, não foi simples. Exigiu retorno à universidade, reorganização de planos e, sobretudo, apoio. “Eu tive muito suporte familiar, de amigos, pessoas que estiveram ao meu lado durante esse processo. Nem sempre é possível fazer essa mudança, existem várias realidades”, reconhece.

Para Beatriz, a transição vai além da troca de profissão. Trata-se de sentido. “Nunca é tarde para mudar, mesmo que seja dentro da mesma profissão. Isso diz de algo mais profundo do ser, que é o propósito, fazer aquilo que te preenche e que te faz despertar todos os dias sentindo que deu o seu melhor”, afirma.

Ela observa que muitas pessoas são vistas como más profissionais quando, na verdade, apenas não estão no lugar certo. “Existem perfis diferentes para trabalhos diferentes. Se o trabalho ocupa grande parte do nosso dia, é muito importante buscar aquilo que nos traz satisfação”, ressalta.

No caso das mulheres, a decisão costuma envolver desafios adicionais. “Para nós, essa mudança é bem mais difícil, porque muitas vezes precisamos de uma rede de apoio, especialmente quando se tem filhos. É preciso repensar o compartilhamento de tarefas e criar políticas públicas que incentivem as mulheres a buscar o seu propósito, assim como aconteceu comigo”, conclui.

Um recomeço que nasce do movimento e do propósito de unir forças femininas

Criado por Lela há oito anos, o grupo “Geração Saúde” se reúne três vezes por semana na zona norte de Natal – Foto: Reprodução

Se na juventude a dúvida profissional pode gerar inquietação, na maturidade o recomeço costuma exigir ainda mais coragem. É nesse contexto que a história de Josenira Pereira Pinheiro Silva, conhecida como Lela, se conecta à de tantas outras mulheres que decidiram transformar a própria trajetória.

Aos 57 anos, viúva, ela é criadora do grupo “Geração Saúde”, fundado há oito anos na zona Norte de Natal, onde ensina dança a mulheres da terceira idade. As aulas acontecem no ginásio Nélio Dias, de segunda, quarta e sexta-feira, das 6h às 7h.

Lela relata que a escolha pela dança ajudou a superar depressão – Foto: Reprodução

Antes de se dedicar à dança, Lela trabalhou durante cinco anos como auxiliar em uma creche. Foi um período de aprendizado e cuidado, mas ainda distante do que hoje considera seu verdadeiro propósito.

A dança entrou em sua vida como resposta à dor. “Quando eu comecei a dançar foi quando eu adoeci da depressão. Foi nesse momento que eu vi que nunca é tarde para a gente se libertar dessas coisas da vida, principalmente nós mulheres”, afirma.

O primeiro passo veio com incentivo da mãe e de uma vizinha, que a convidou para caminhar em uma praça e, discretamente, levou uma caixa de som. “Ela ligou o som e eu disse que não ia dançar, porque ainda estava saindo da depressão. Mas ela insistiu. Comecei a dançar e foram chegando outras mulheres. E foi assim que tudo começou”, relembra.

Antes de criar o próprio grupo, Lela também deu aulas em uma academia para mulheres mais jovens. Aos poucos, foi convidada a ministrar atividades em postos de saúde nos conjuntos Santarém e Gramoré, no bairro Potengi, sempre com foco nas mulheres mais velhas. “Meu foco mesmo foi a terceira idade. As histórias delas são lindas. Tudo o que eu passava me fortalecia mais ainda”, destaca.

Hoje, o Geração Saúde reúne cerca de 60 alunas. Para ela, não se trata apenas de dança. “Meu grupo não é só um grupo de dança. Eu levo elas para hospitais, casas de idosos, eventos. A gente passa energia para quem precisa sentir que existe força para continuar”, diz.

Viúva há quase quatro meses, após 47 anos de casamento, ela conta que o apoio do grupo foi essencial para enfrentar o luto. “Ele me apoiava muito, me levava para os eventos. Quando eu voltei, elas me chamaram e disseram: ‘Professora, aqui a senhora tem nosso amor’. Foi isso que me manteve em pé”, emociona-se.

Lela também é mãe atípica e afirma que buscou na dança força para si e para o filho. “Eu fiz por mim e por ele. A dança liberta da depressão, da ansiedade, do medo, da menopausa. Só falta a gente querer sair de casa e enfrentar”, reforça.

Quando uma aluna conta que recebeu alta médica ou conseguiu reduzir medicamentos após se envolver com as aulas, ela celebra. “É muito bom quando elas dizem que o médico perguntou o que mudou, e elas respondem que foi a dança”, completa.


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“PRECISAMOS PROVAR O DOBRO DA COMPETÊNCIA PARA SERMOS OUVIDAS”

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No Rio Grande do Norte, onde a história insiste em colocar mulheres na linha de frente, o nome de Zenaide Maia (PSD) se ergue como continuidade e consequência. Do sítio em Jardim de Piranhas ao Senado Federal, a única senadora potiguar carrega no mandato não apenas a representatividade institucional, mas uma trajetória marcada por origem simples, vocação para o cuidado e compromisso com as causas coletivas. No mês dedicado às mulheres, sua história é também um retrato da força feminina que atravessa o sertão, ocupa espaços e ressignifica o poder.

A narrativa de Zenaide começa longe dos gabinetes de Brasília. Começa no sítio, em Jardim de Piranhas, no coração do Seridó, onde a vida ensinou cedo o valor da resistência. Filha de um agricultor e de uma costureira, cresceu em uma casa cheia, de 16 filhos, e também repleta de princípios. “Mesmo com muitas dificuldades, meus pais nunca abriram mão da nossa educação”, relembra. Ali, entre o trabalho árduo e os sonhos possíveis, nasceu a mulher que mais tarde entenderia o cuidado como missão.

Foi esse impulso que a levou à medicina. Tornou-se infectologista por vocação, movida pelo desejo profundo de salvar vidas. Durante três décadas, exerceu a profissão com orgulho, percorrendo ambulatórios e hospitais, cuidando de gente. Mas, com o tempo, a médica percebeu os limites do atendimento individual.

“Na política, como secretária de saúde, deputada e agora senadora, eu entendi que as decisões no Congresso e as leis podem curar feridas sociais de cidades e estados inteiros. Entrei na política para ampliar esse cuidado: a política, para mim, é a medicina em larga escala”, disse.

Ao falar de inspiração, a garra do povo do Seridó e o exemplo da própria família foram as primeiras referências. Mas há também uma herança feminina que pesa e impulsiona. O Rio Grande do Norte foi o estado do primeiro voto feminino e da primeira prefeita da América Latina.

Alzira Soriano, Celina Guimarães, Julia Alves Barbosa Cavalcante, Joanna Cacilda Bessa, Maria do Céu Fernandes são algumas das pioneiras potiguares. “Saber que venho de uma terra de mulheres que quebraram barreiras me deu coragem”, diz.

Hoje, sua inspiração se renova no cotidiano das mulheres brasileiras: aquelas que trabalham, estudam, cuidam da casa e ainda encontram forças para lutar por direitos. “É isso que me move: garantir recursos para hospitais, proteção para crianças e dignidade para as famílias”, explica a senadora.

Ser mulher na política, no entanto, não é caminho sem pedras. Zenaide fala sobre os obstáculos.

O maior deles, segundo ela, ainda é o espaço. O machismo, segundo ela, nem sempre aparece de maneira explícita.

“Evoluímos muito, mas o lugar de poder ainda é muito distante da nossa realidade demográfica. A política ainda é um ambiente pensado por homens e para homens. Muitas vezes, precisamos provar o dobro da competência para sermos ouvidas. Além disso, enfrentamos o desafio do machismo estrutural. O preconceito nem sempre vem de forma direta; ele vem na interrupção da nossa fala ou na dúvida sobre nossa capacidade de liderança”, explica, acrescentando que o machismo reproduzido entre as próprias mulheres existe, o que torna a união um exercício permanente de conscientização.

É nesse contexto que ela enxerga o feminismo não como rótulo, mas como instrumento de justiça. Para Zenaide, o movimento foi fundamental para revelar a importância das mulheres em todas as esferas da sociedade.

“Para mim, o movimento é a busca por garantias básicas. O ideal seria chegarmos a um ponto onde não precisássemos de cotas, mas hoje elas são fundamentais. O feminismo é o que sustenta a necessidade de termos Defensorias da Mulher, leis de proteção como a Maria da Penha, e Delegacias Especializadas. É entender que a nossa segurança e nossa voz precisam de políticas públicas específicas”, frisa.

Enquanto mulher e política, Zenaide se sente acolhida pelo feminismo, um acolhimento que também exige responsabilidade. Ela sabe que ocupa um lugar de fala e de escuta.

“Ser uma mulher na política é ser uma porta-voz. Eu me sinto parte desse movimento quando luto por mais saúde, por creches e por segurança para as mulheres. O feminismo nos une na dor das injustiças, mas principalmente na esperança de um país onde o gênero não seja um limitador de sonhos”, reflete.

Natália Bonavides: “Não basta ser mulher para nos representar”

“Existem parlamentares que defendem pautas que atacam a nossa existência e pioram nossas vidas” – Foto: Reprodução

Em segundo mandato de deputada federal, a trajetória de Natália Bonavides (PT) na política nasce antes dos palanques e das urnas. Começa na universidade, no envolvimento com causas sociais e na compreensão da política como prática cotidiana de transformação da realidade.

“Na época da universidade comecei a me envolver mais com temas políticos. E quando falo de política, é no seu sentido mais amplo, muito mais do que estar dentro das disputas eleitorais e institucionais”, relembra.

Foi nesse período que participou do movimento estudantil, integrou o Centro Acadêmico do Curso de Direito da UFRN, atuou em experiências de educação popular inspiradas nas obras de Paulo Freire e se aproximou de organizações populares, como o MST, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e o Movimento da População em Situação de Rua, se tornando advogada popular.

A filiação ao Partido dos Trabalhadores veio em 2012, motivada pela identificação com as referências políticas encontradas nessas lutas. A ideia de disputar eleições, no entanto, não fazia parte dos planos iniciais. “Me filiei porque descobri que nas lutas com as quais me envolvia, as referências de luta eram do PT. No começo, não tinha intenção de ser candidata, nunca foi um sonho. Mas quando me aprofundei no debate sobre a participação das mulheres na política, decidi atuar ativamente para mudar o cenário”, afirma.

Ao falar dos desafios de ser mulher na política, a deputada aponta a violência política de gênero como uma das principais barreiras. Para ela, são usadas estratégias claras de exclusão.

“Um dos pilares da violência política de gênero é dizer que esse não é um espaço nosso, que a gente não deveria estar ali. Imagine, sou uma política mulher, jovem e nordestina”, avalia.

Ela também reflete e faz um alerta sobre representatividade. “Não tenho nenhuma ilusão de que basta ser mulher para nos representar. Hoje existem parlamentares que defendem pautas conservadoras e neoliberais que, na verdade, atacam a nossa existência e pioram nossas vidas”, afirma.

Para Natália Bonavides, o feminismo é central nesse debate: “O feminismo é um movimento que luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens, mas, acima de tudo, pela vida, dignidade e liberdade das mulheres. Graças à luta das mulheres, conquistamos direitos fundamentais, como votar, estudar, trabalhar e ocupar espaços de poder”, coloca, alertando sobre o aumento de casos de violência e feminismo no Brasil.

Nesse contexto, ela vê com preocupação o avanço de discursos conservadores e, por isso, a presença feminina no Parlamento é estratégica.

“Por isso, o feminismo é também uma luta por justiça e sobrevivência. Ele impulsiona políticas públicas, fortalece leis de proteção e enfrenta uma cultura que ainda naturaliza a violência contra as mulheres. Mais do que nunca, precisamos de mais mulheres feministas na política. Somos nós que vivenciamos essas desigualdades e que podemos transformá-las em políticas públicas que salvam vidas”, afirma Natália.

Para esta reportagem, o Diário do RN buscou o posicionamento das três parlamentares da bancada federal potiguar. A deputada federal Carla Dickson não respondeu aos questionamentos.


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SAMANDA ALVES APONTA DESONESTIDADE DE RENDALL E DESMENTE BRISA BRACCHI

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A presidente da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara Municipal de Natal, Samanda Alves (PT), reagiu às declarações do vereador Daniel Rendall (Republicanos) e a declarações divulgadas em nota pela vereadora Brisa Bracchi (PT) sobre a condução do processo de cassação que tramita na Casa. Em nova conversa com o Diário do RN, nesta terça-feira (03), Samanda afirmou que o relator foi “desonesto” ao acusá-la de má-fé e reiterou que todas as decisões da comissão foram tomadas de forma colegiada, com acompanhamento permanente da Procuradoria da Câmara.

“Não tomei nenhuma decisão sozinha. Todas foram discutidas com os três vereadores”, declarou, sobre a comissão que, além dela e Rendall, tem o vereador Tácio de Eudiane (UB) como membro.

Segundo Samanda, a condução do processo seguiu rigorosamente as orientações técnicas.

“Acompanhei todas as orientações da Procuradoria. Todas”, reforçou, destacando que as únicas decisões que não tiveram unanimidade foram os relatórios, nos quais ela defendeu a manutenção do mandato da vereadora investigada, sendo acompanhada por Tácio, mas teve Rendall como voto contrário.

“Ele está sendo desonesto. Repito: todas as decisões foram tomadas à unanimidade pelos três membros da comissão. Sempre conduzi meus votos ouvindo a Procuradoria, de acordo com a orientação dos procuradores que estiverem presentes na reunião. O desfecho não diz outra coisa”, afirmou.

A parlamentar também contestou a tese de cerceamento de defesa. Sobre a negativa para o depoimento da vereadora neste segundo processo, Samanda explicou que a decisão foi tomada após amplo debate e com respaldo técnico. De acordo com o relato, no dia das oitivas, última reunião antes da votação do relatório final, a defesa pediu que a vereadora fosse ouvida ao final dos trabalhos.

“A comissão não cerceou. Foi negado pela comissão por entender que esse momento para solicitação de diligências já havia passado”, disse.

Ela detalhou que a discussão ocorreu com a presença de procuradores e após suspensão da reunião por cerca de 30 minutos. “Suspendemos a reunião, a defesa saiu da sala, discutimos por quase 30 minutos a decisão que tomaríamos, com a presença de procuradores, e retomamos anunciando que o pedido estava sendo negado”, contou.

Samanda ressaltou que todas as reuniões foram gravadas e contaram com a presença de três a seis procuradores. “As decisões foram tomadas à unanimidade do colegiado”, concluiu.

Ela detalhou que, apesar de feriados, pontos facultativos e de uma espera de 17 dias para que a Mesa Diretora marcasse a primeira sessão de julgamento, os trabalhos foram concluídos dentro do prazo legal de 90 dias.

Brisa afirma que condução da Comissão presidida por Samanda foi ilegal

Em nota enviada à imprensa, a vereadora Brisa Bracchi afirma que a reabertura da fase instrutória do processo de cassação, determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, confirma a existência de irregularidades na condução dos trabalhos da Comissão Especial Processante.

Segundo o comunicado, a comissão marcou para o dia 5 de março, às 17h, a oitiva da parlamentar, após decisão judicial que “reconheceu a necessidade de assegurar a regularidade da instrução processual”.

A intimação foi expedida em 2 de março, e a data teria sido definida pela presidência da comissão como a mais próxima possível, respeitando o prazo mínimo de 72 horas de antecedência previsto no rito.

A nota destaca que, com o novo calendário, o colegiado ficará sem tempo hábil para cumprir as etapas seguintes do processo, o que inviabilizaria a sessão final de julgamento no plenário. De acordo com a defesa, os 90 dias corridos previstos em lei federal para a conclusão de processos dessa natureza, conforme o Decreto-Lei nº 201/1967, adotado pela Procuradoria da Câmara, seriam extrapolados. O prazo final, segundo o texto, se encerraria no dia 4 de março.

Com a reabertura da instrução, a vereadora sustenta que o processo deveria retomar sua tramitação regular, garantindo o depoimento pessoal, a apresentação de alegações finais e a elaboração de novo relatório pela comissão, etapas que, na avaliação da defesa, ultrapassariam de forma significativa o prazo legal.

Na conclusão da nota, Brisa afirma que, diante desse cenário, o processo deverá ser arquivado “devido às ilegalidades ocorridas em todo o processo”, reforçando a tese de que a condução dos trabalhos pela comissão foi irregular desde o início.


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“GESTÃO DO MEDO NÃO PODE GOVERNAR O ESTADO”, DIZ MARLEIDE SOBRE ALLYSON BEZERRA

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A vereadora de Mossoró Marleide Cunha (PT) fez um alerta sobre o perigo que a eventual chegada do prefeito Allyson Bezerra (UB) ao Governo do Rio Grande do Norte representaria para o Estado, especialmente para os servidores públicos e para a democracia. Em conversa com o Diário do RN, ao comentar a pré-candidatura do gestor, a parlamentar defendeu a construção de uma ampla união de forças políticas, inclusive entre campos ideológicos distintos, para impedir que um perfil como o dele alcance o comando do Executivo estadual.

“Allyson Bezerra mudou o regime jurídico dos servidores de Mossoró, atacando direitos históricos. Esses concursados que estão chegando agora, que batalharam, que estudaram, não terão adicional de tempo de serviço”, disse, avaliando que a medida compromete a carreira e a estabilidade futura do funcionalismo.

A vereadora também apontou outros cortes e retrocessos. “Allyson Bezerra diminuiu o tempo de licença saúde dos servidores. Allyson Bezerra acabou com a data base de reajuste dos servidores.

Allyson Bezerra não deu reajuste anual que todos os prefeitos anteriores davam, não cumpre piso nacional dos professores, não dá reposição da inflação aos servidores públicos”, disse Marleide, que também integra o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum).

No cotidiano da relação entre gestão e trabalhadores, Marleide afirmou haver práticas que caracterizam perseguição e humilhação. Em um dos exemplos, atrasos são contabilizados e transformados em faltas de maneira irregular.

“Humilha, desconta tudo no contra-cheque sem a pessoa ter faltado, desconta, soma cada minuto. Ele soma e no final do mês transforma em faltas de forma irregular. Porque Mossoró não tem banco de horas na administração pública, ele faz irregular isso. Em contrapartida, quando a pessoa chega mais cedo, ele não computa esse tempo. Quando você passa do horário de trabalho também, que acontece muito na saúde e na educação, ele não computa esse tempo que o trabalhador passa a mais”, denuncia.

A educação foi tratada como um dos exemplos mais graves da gestão. Marleide classificou Allyson Bezerra como “o pior prefeito da história de Mossoró para a educação” e denunciou perseguição aos professores.

“O prefeito vem tendo uma perseguição muito forte aos professores, no sentido de não cumprir os reajustes do piso salarial, ainda constrói uma imagem negativa dos professores perante a população”, afirma.

Segundo ela, em seis anos de governo, apenas dois tiveram reajuste do piso nacional.

“Ele pega um salário de uma pessoa que está com 30 anos de serviço, que já tem um doutorado, e diz, por exemplo, que um professor em Mossoró ganha 18 mil reais, porque ele está pegando um salário que a pessoa que ninguém nem chegou ainda na carreira, naquele salário”, acusa.

No retrato das escolas municipais, Marleide apontou precarização estrutural e pedagógica: “Hoje em Mossoró nós temos salas com terceiro, quarto e quinto ano numa sala só com uma professora.

Isso prejudica muito a aprendizagem. Isso é um retrocesso. E as escolas públicas de Mossoró não têm laboratórios, não têm bibliotecas. Os ar-condicionados comprados em 2022 ainda não estão em todas as escolas e quando instala, ninguém pode ligar porque falta energia”, diz ela sobre um dos principais temas dos discursos do prefeito.

A vereadora mencionou dados do Fundo Nacional da Educação (FNDE) para apontar a realidade da área no município.

“A Prefeitura de Mossoró não transmitiu a despesa consolidada de todo 2025, mas até o quinto bimestre investiu apenas 20% em educação. São 32 milhões a menos. O IDEB caiu, voltou ao patamar de 2015. Caiu 10 anos”, disse.

Questionada sobre pesquisas Para ela, o prefeito sustenta sua base política no medo. “Allyson tem um controle muito forte, ele controla as pessoas através do medo. Impõe o medo. É por isso que eu digo que Allyson Bezerra é um demagogo populista, um risco enorme à democracia. É autoritário, é controlador, é perseguidor, e faz um discurso sentimental, que manipula o sentimento, a emoção”.

Deputada Federal
A parlamentar confirmou sua pré-candidatura a deputada federal, somanda na nominata da federação PT-PV-PCdoB, com base política em Mossoró e na região Oeste do Estado.

“Sim, mais do que nunca. Eu sou pré-candidata a deputada federal, porque nós precisamos de pessoas com compromisso coletivo, com um projeto de sociedade”, afirmou.

Para ela, a ausência de representantes locais na disputa atualmente é um problema. “Mossoró é o segundo colégio eleitoral e não tem cabimento Mossoró não ter uma candidata a deputada federal. Eu tenho o dever de oferecer ao povo de Mossoró e da região oeste uma opção. Uma política que não é fundada em espetáculo, mas uma política séria, com responsabilidade”, concluiu.


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ENTRE CARREIRA, MATERNIDADE E AFETO, MULHERES VIVEM MÚLTIPLOS PAPÉIS

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Na vida cotidiana, as mulheres seguem acumulando funções que vão muito além daquelas tradicionalmente atribuídas a elas. São profissionais, mães, filhas, líderes, cuidadoras, estudantes, empreendedoras e, cada vez mais, protagonistas de suas próprias escolhas. Entre jornadas múltiplas e decisões que moldam o presente e o futuro, elas também refletem as transformações profundas pelas quais passam as famílias brasileiras. O modelo único, centrado no casal com filhos, já não dá conta de explicar a diversidade de arranjos que se consolidam no país.

Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, confirmam essa virada histórica. Pela primeira vez, os casais com filhos deixaram de ser maioria, representando 42% das famílias no Brasil. Em 2000, esse formato ultrapassava a metade dos lares brasileiros. Em paralelo, crescem os domicílios formados por pessoas que moram sozinhas, casais sem filhos e famílias chefiadas por mulheres, um movimento que acompanha mudanças culturais, econômicas e sociais.

Embora o número de famílias com filhos tenha diminuído proporcionalmente, centenas de milhares de mulheres no Rio Grande do Norte e em todo o país seguem se reinventando diariamente para conciliar a vida profissional com os papéis de mães, responsáveis pelo lar e referências emocionais. Longe de ser apenas sinônimo de sobrecarga, essa conciliação, quando possível, também é vivida como exercício de empoderamento, autonomia e desenvolvimento pessoal.

A maternidade, para muitas mulheres, se transforma em uma escola prática de habilidades valorizadas no mercado de trabalho. Paciência, empatia, organização, capacidade de tomar decisões sob pressão e liderança pelo exemplo passam a fazer parte do cotidiano dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo, manter a carreira garante independência financeira, autoestima e a possibilidade de servir de referência para os filhos, que crescem observando modelos mais igualitários de gênero.

Esse equilíbrio, no entanto, não acontece sem desafios. Ele exige escolhas, renegociações constantes e, sobretudo, uma rede de apoio que envolva família, amigos e ambientes de trabalho mais flexíveis. Quando esse suporte existe, a maternidade deixa de ser vista como obstáculo e passa a integrar, de forma mais saudável, o projeto de vida da mulher.

É o que vive Diana Petta, gerente de marketing, casada e mãe de Anita, de 11 anos. À frente da área de marketing de um shopping center em Natal, ela percebe claramente a transformação provocada pela maternidade em sua trajetória pessoal e profissional. “Eu posso dizer que existe uma profissional e uma mulher antes e depois de eu me tornar mãe de Anita. Me tornar mãe foi algo que me transformou não só na minha vida pessoal, mas também na minha vida profissional”, afirma.

Para Diana, a maternidade não compete com a carreira, mas ajuda a estruturá-la. “Ser mãe hoje é minha prioridade, não no sentido de disputar espaço com a profissão, mas de me dar diretriz e propósito. Isso não diminui minha ambição profissional, nem o quanto eu quero crescer”, ressalta. Segundo ela, foi na prática da maternidade que muitas habilidades de gestão se aprofundaram. “Você aprende gestão no dia a dia. Tomada de decisão, lidar com pressão, empatia real, liderança pelo exemplo. A mesma liderança que você exerce em casa é a que leva para o trabalho”, completa.

A gestora destaca que a maternidade ampliou seu olhar humano sobre as equipes que lidera.

“Aprendi a enxergar pessoas além dos cargos. Isso traz um olhar mais consciente sobre o impacto das escolhas que fazemos todos os dias”, diz. Para ela, não há forças opostas entre liderar e maternar. “São papéis complementares. A mulher que educa, acolhe, organiza e resolve conflitos em casa é a mesma que faz isso no ambiente profissional”, afirma.

Mesmo sem acreditar em fórmulas prontas, Diana defende a importância de estabelecer limites e momentos inegociáveis com a filha. “Existem fases em que um pilar exige mais do que o outro. O importante é ter consciência de que ambos são fundamentais”, afirma, ressaltando também o papel das empresas nesse processo. “É valioso encontrar um ambiente de trabalho que permita essa conciliação e reconheça o momento pessoal como algo importante.” Ao olhar sua trajetória, resume: “Não seria a profissional que sou se não pudesse ser a mãe que quero ser”.

Outra realidade, marcada por desafios ainda mais intensos, é a vivida por Gislaine Azevedo, jornalista e mãe de Lucas, de 9 anos. Divorciada, ela administra sozinha a rotina profissional e doméstica, sem uma rede de apoio constante. “Quando decidi me separar, ouvi muitas críticas de que não daria conta de criar meu filho sozinha. Ele tinha seis anos na época”, conta.

Gislaine reconhece o peso da responsabilidade integral. “Não tem pausa, não tem turno, não tem fim de semana. É um desafio enorme, principalmente quando não se tem rede de apoio”, afirma.

O pai de Lucas é presente, mas mora em outro estado e participa mais ativamente durante as férias. No dia a dia, a jornalista conta com o auxílio de uma babá, enquanto os pais vivem em outra cidade e ela não tem irmãos.

Além dos desafios financeiros que surgem ocasionalmente, Gislaine destaca o impacto emocional da maternidade solo. “O mais pesado é o emocional. É precisar ser firme mesmo quando estou desmoronando por dentro. Aprendi a engolir o choro no banho para conseguir sorrir na hora de ajudar na lição de casa”, relata. Há dias em que a sensação de insuficiência aparece, mas pequenos gestos do filho renovam suas forças. “Às vezes ele me abraça sem dizer nada. Aquilo me reabastece”, diz.

Para ela, a maternidade solo revelou uma força desconhecida. “Descobri que criar meu filho, praticamente sozinha, não é sobre dar conta de tudo perfeitamente, mas aceitar que sou humana, que erro, que me canso. E mesmo assim sigo. Porque no fim, quando ele diz ‘mãe, eu te amo’, eu lembro por que continuo”, conclui, emocionada.

Fora do roteiro tradicional, mulheres redefinem o que é realização pessoal

Cintya Bullé: “Aprendemos que a felicidade não tem formas. Estar bem consigo é estar bem com o mundo “ – Foto: Reprodução

Nem todas as mulheres, no entanto, seguem o caminho da maternidade. No Brasil e no mundo, cresce o número daquelas que optam por não ter filhos e por não seguir uma cartilha tradicional que associa realização feminina ao casamento e à maternidade. Entre brasileiras de 50 a 59 anos, a proporção de mulheres sem filhos subiu de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. A taxa de fecundidade nacional caiu para 1,55 filho por mulher, a menor da história, refletindo mudanças profundas nas prioridades e nos projetos de vida.

Fatores como autonomia, foco na carreira, custos financeiros, desejo de liberdade e a compreensão de que o instinto materno não é universal ajudam a explicar essa escolha. Mulheres com ensino superior completo apresentam as menores taxas de fecundidade e adiam a maternidade para idades mais avançadas. Apesar da maior aceitação social, elas ainda enfrentam julgamentos e perguntas invasivas sobre suas decisões.

Prestes a completar 43 anos, a arquiteta Cintya Bullé, traduz esse movimento em palavras. “A maturidade traz uma liberdade que a juventude, às vezes, desconhece. Hoje, a pressão social existe, mas não tem mais o peso de obrigação”, afirma. Para ela, realização não depende de protocolos externos. “Minha vida profissional ativa e uma vida social que eu realmente curto são conquistas. A escolha pela solitude e pela ausência de filhos, neste momento, não é uma falta, mas uma escolha de liberdade”, diz.

Ao fortalecer laços com família e amigos, Cintya constrói a base que sustenta suas decisões.

“Aprendemos que a felicidade tem muitas formas. Estar bem consigo mesma é o primeiro passo para estar bem com o mundo”, conclui.


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VOZES QUE ABRIRAM CAMINHOS: A LUTA DE MULHERES POR IGUALDADE NA POLÍTICA

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O Rio Grande do Norte ocupa um lugar singular na história política brasileira. O estado rompeu barreiras institucionais ainda no início do século XX e se tornou referência nacional no protagonismo das mulheres na vida pública. São muitas as norte-rio-grandenses que compõem a história da política brasileira. Essa trajetória, no entanto, não é apenas motivo de celebração. Ela também lança luz sobre um paradoxo que persiste até hoje: o pioneirismo histórico convive com a sub-representação feminina nos espaços de poder.

A história começou com um gesto simples e revolucionário. Em 1927, Celina Guimarães Viana, nascida em Natal, tornou-se a primeira mulher a se alistar como eleitora no Brasil, em Mossoró.

Professora, Celina não se limitou a exercer o direito recém-conquistado: telegrafou ao Senado Federal pedindo, em nome das mulheres brasileiras, a aprovação do voto feminino. Era o anúncio de que a política deixava de ser território exclusivamente masculino.

“Isto somente foi possível pelo apoio determinante de políticos potiguares como Juvenal Lamartine e José Augusto Bezerra de Medeiros, que lograram aprovar a Lei Estadual nº 660/1927, a partir da qual a participação feminina na política se viabilizou”, pontua a advogada e consultora, Lígia Limeira, em conversa com o Diário do RN. Lamartine, inclusive, mantinha diálogo com Bertha Lutz, uma das principais lideranças do movimento sufragista no país.

Pouco tempo depois, o país assistiria a um feito ainda mais emblemático. Alzira Soriano, nascida em Jardim de Angicos, foi eleita prefeita de Lajes, tornando-se a primeira mulher a governar um município no Brasil e na América do Sul. Vitoriosa com cerca de 60% dos votos válidos, sua eleição ganhou repercussão internacional e ecoou como símbolo de ruptura em um país ainda resistente à igualdade.

Daí, o avanço das mulheres potiguares na política foi frequente. Júlia Alves Barbosa Cavalcanti foi a primeira mulher a se candidatar eleitoralmente no RN e a segunda eleitora do Brasil. Júlia foi eleita vereadora de Natal. Antes dela, o título de primeira vereadora eleita do Brasil foi dado à Joanna Cacilda Bessa, no município de Pau dos Ferros. Já Maria do Céu Fernandes foi a primeira deputada eleita do Rio Grande do Norte e uma das primeiras do país.

HISTÓRIA RECENTE

Nas últimas décadas, Wilma de Faria foi a primeira mulher a governar o Estado, eleita em 2002 e reeleita em 2006, após também ter sido a primeira prefeita de Natal. A capital teve, ainda, Micarla de Souza como prefeita. Em 2010, Rosalba Ciarlini chegou ao Executivo estadual. Ela foi também a primeira senadora do RN. Em 2018, Fátima Bezerra foi eleita a 3ª governadora do Estado, sendo a única mulher eleita para o cargo no país naquele ano. Fátima foi reeleita em 2022.

Apesar desse legado, a advogada chama atenção para uma contradição que marca a política brasileira contemporânea. As mulheres são maioria do eleitorado, 52,5%, mas seguem minoria nos espaços de decisão.

“Em que pesem os esforços voltados à ampliação da participação da mulher na política, o Brasil ainda amarga uma significativa sub-representação desse público, não só nos parlamentos, mas em praticamente todos os espaços de poder”, afirma.

O país ocupa hoje a 133ª posição no ranking mundial de representação feminina no parlamento, com menos de 20% de mulheres no Senado e cerca de 18% na Câmara dos Deputados, índices inferiores à média da América Latina. Para Lígia, isso revela um atraso que tem raízes históricas profundas.

“Ainda que se registrassem movimentos feministas desde meados do século XIX, o direito de a mulher votar e ser votada somente se concretizaria por meio do Código Eleitoral de 1932, ainda assim se fosse ela casada e obtivesse o aval do marido, o que evidencia a adoção, pelo país, de um modelo social estruturado sob bases patriarcais e excludentes”, esclarece.

Entretanto, segundo ela, deve ser permanente o movimento de inclusão de mais mulheres na política. “Com um universo majoritariamente masculino na política, muito dificilmente as mulheres avançarão no quesito “políticas afirmativas”, poderosa ferramenta de garantia de inclusão, equidade, representatividade, combate a estereótipos e, em última análise, fortalecimento da democracia”, pontua.

Para Lígia Limeira, o pioneirismo não elimina a desigualdade estrutural. Ele apenas demonstra que avanços são possíveis quando há vontade política e pressão social. Segundo ela, enfrentar a disparidade de gênero exige ações combinadas.

“A educação e a formação política, com a consequente implementação de programas de capacitação para mulheres, é medida que se impõe para que esse público se sinta apto a lutar pelos seus direitos. O aprimoramento da legislação e o combate incisivo à violência política de gênero num contexto em que o feminicídio vem ganhando um relevo alarmante, alçando o país à vexatória posição de 5º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres no mundo, são pontos que merecem atenção e imediata retaliação”, defende.

A advogada vê com expectativa a proposta do novo Código Eleitoral que prevê a reserva mínima de cadeiras para mulheres no Legislativo, sem extinguir a cota de candidaturas.

“Isso se deve muito ao fato de os partidos serem livres para fixar os critérios de distribuição dos recursos públicos, deixando, muitas vezes, de contemplar as mulheres de forma mais equânime”, afirma.

PAUTA ESPECIAL
Nos próximos dias, o Diário do RN dá sequência a u


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GRUPO DE ALLYSON PODERÁ APOIAR O CANDIDATO DO PT NO MANDATO-TAMPÃO

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A possibilidade de eleição indireta no Rio Grande do Norte, aberta caso a governadora Fátima Bezerra (PT) venha a renunciar ao cargo, expôs divisão do grupo de centro que hoje gravita em torno da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB). As conversas existem, os cenários são conhecidos, mas nenhuma decisão foi tomada. A palavra final caberá a Allyson.

Após reunião desta segunda-feira (02), lideranças do grupo admitiram que há, pelo menos, duas correntes de pensamento convivendo no mesmo espaço político. De um lado, parlamentares que defendem que, sendo o governo fruto de uma eleição vencida pelo PT, cabe ao próprio partido conduzir o Estado até o fim do mandato, mesmo em um cenário excepcional de mandato tampão.

De outro, aqueles que avaliam a possibilidade de construção de um nome de consenso fora do PT, reunindo forças do centro e da direita na Assembleia Legislativa.

“Existe uma ala de pensamento que entende que o governo é do PT e quem tem que dar continuidade é o PT. Existe outra ala que acha que pode ser construído um nome entre o centro e a direita”, afirmou o deputado estadual Kléber Rodrigues (UB), presente na conversa.

Apesar do apoio a Allyson, Kléber se posiciona como integrante da base governista e reforça que não pretende agir individualmente. “Eu sou obediente, faço parte da base do governo e vou seguir o grupo. Eu não procuro interesse pessoal. Se Fátima for candidata, eu voto nela pela gratidão, mas vou votar com o grupo. Não existe consenso ainda”, declarou, deixando claro que qualquer definição será coletiva.

O ex-senador José Agripino Maia, presidente do União Brasil no RN, reconheceu a existência de cenários, mas destacou que nenhuma força política, nem PT, nem PL, nem União Brasil, tem hoje uma posição fechada.

Entre os cenários colocados à mesa, segundo Agripino, estão: permitir que o PT assuma integralmente a responsabilidade de concluir o governo ou, alternativamente, tentar construir um nome de entendimento capaz de conduzir um mandato de transição, com foco na reorganização administrativa do Estado. “Quem vai decidir isso são os deputados”, frisou.

O ex-senador também não descartou, no campo das hipóteses, conversas mais amplas envolvendo outros agrupamentos da oposição, inclusive o liderado pelo senador Rogério Marinho (PL). “Em política, há momentos em que você procura entendimentos. Não digo que haja ou não haja, mas é uma hipótese que não pode ser descartada”, afirmou.

O entendimento, segundo o deputado Kleber, é que a próxima rodada, que deve acontecer na semana que vem, será decisiva porque Allyson Bezerra deverá apresentar sua posição, orientando o grupo sobre qual caminho seguir na eventual eleição indireta.

A leitura compartilhada entre os aliados é de que, sendo ele o principal nome do campo de centro para 2026, sua avaliação estratégica será determinante para o alinhamento dos deputados.

Operação da PF sobre Allyson não altera planos eleitorais

O ex-senador José Agripino Maia afirmou que a operação da Polícia Federal citada nos bastidores políticos não interfere em nada na trajetória eleitoral do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado.

“Zero. Não atrapalha em nada. No entendimento dele e no nosso entendimento, não existe nenhum fato determinante que prejudique a candidatura”, declarou Agripino.

Segundo o ex-senador, não há, até o momento, qualquer avaliação interna que aponte para recuo ou mudança de estratégia. José Agripino acena com a leitura do grupo de centro de que o projeto eleitoral de Allyson segue intacto, independentemente do impacto político provocado por investigações em curso: “Não existe nenhuma possibilidade de desistência da candidatura.

Nenhuma”, reforçou.


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