MORADIA DIGNA: ARQUIDIOCESE LANÇA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

A Arquidiocese de Natal lançou, nesta quarta-feira (18), a Campanha da Fraternidade 2026 durante a missa da Quarta-feira de Cinzas, celebrada na Catedral Metropolitana e presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom João Santos Cardoso. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós”, extraído do Evangelho de João (João 1:14), a Igreja Católica propõe, neste ano, uma reflexão sobre a realidade habitacional do país e os impactos da falta de moradia digna na vida das pessoas.
Ao abrir oficialmente a campanha na capital potiguar, Dom João destacou que a discussão vai além de aspectos econômicos ou sociológicos. Segundo ele, trata-se de uma questão que toca a própria dignidade humana. “É um tema que nos questiona profundamente, não apenas pelos seus aspectos econômicos e sociológicos, em um país onde milhares de pessoas vivem em condição de rua ou em moradias precárias, mas pelo seu sentido mais profundo”, afirmou.
O arcebispo ressaltou que o lema escolhido expressa a dimensão teológica da proposta. “O lema é muito feliz ao mostrar que Deus veio morar entre nós, assumiu a nossa condição humana e quis morar, para que também tivéssemos uma moradia abençoada”, disse. Para ele, a casa é mais do que um espaço físico. “Moradia é o lugar da nossa realização, é da nossa identidade. A casa expressa quem somos. Quando falta moradia digna, o ser humano é ferido na sua dignidade”, enfatizou.
Dom João também destacou que a Campanha da Fraternidade integra o espírito quaresmal de conversão. Ele lembrou que o período convida os cristãos a uma mudança interior que se traduza em atitudes concretas. “Não se trata de algo estranho ao tempo da Quaresma, mas de um apelo que nos chama a rasgar o coração, não apenas as vestes”, pontuou.
Coordenador da campanha na Arquidiocese de Natal, o padre Rodrigo Paiva detalhou como a Igreja local pretende desenvolver as atividades ao longo das próximas semanas. Ele reforçou que o tema dialoga com a vivência espiritual da Quaresma e com o compromisso social da comunidade cristã.
“Começamos mais uma edição da Campanha da Fraternidade com um tema que nos convida a cuidar da casa das pessoas, tanto no sentido familiar, do abraço e do cuidado, quanto no sentido social, da moradia e da habitação de tantos que não têm esse direito assegurado”, afirmou.
Segundo o sacerdote, dados nacionais indicam que milhões de brasileiros ainda enfrentam a falta de moradia ou vivem em condições inadequadas. Diante desse cenário, a Arquidiocese pretende investir, inicialmente, na conscientização. “Vamos nos empenhar principalmente na formação, para que as pessoas compreendam a dimensão do problema. A partir das paróquias, dos zonais, de podcasts e de um simpósio arquidiocesano com entidades envolvidas na temática, queremos oferecer à sociedade um espaço de reflexão e debate”, explicou.
Além da formação, a proposta inclui facilitar o acesso da população às políticas habitacionais existentes. “Queremos aproximar as pessoas dos programas de habitação, especialmente aquelas que padecem da ausência total desse direito”, acrescentou o padre Rodrigo.
Sobre a campanha da fraternidade
A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante a Quaresma. Criada em 1962, no contexto do Concílio Vaticano II, a iniciativa busca despertar a solidariedade dos fiéis diante de desafios sociais e humanitários. A cada ano, um tema orienta debates, celebrações e ações pastorais em todo o país.
Como gesto concreto, a campanha realiza a Coleta Nacional da Solidariedade no Domingo de Ramos, destinando os recursos ao Fundo Nacional de Solidariedade e a projetos sociais em diferentes regiões. Em 2026, ao colocar a moradia no centro da reflexão, a Igreja pretende ampliar o debate sobre inclusão social e reforçar o compromisso cristão com a promoção da dignidade humana.
Para a Igreja Católica, a moradia digna é condição básica para o acesso a outros direitos fundamentais, como saúde, educação, segurança e trabalho. Sem um lar adequado, segundo a Instituição, não há garantia plena de cidadania nem de desenvolvimento humano.
























