O Rio Grande do Norte alcançou, em 2025, o maior número de pessoas ocupadas desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento divulgado nesta quarta-feira (23) aponta que 1,367 milhão de potiguares estavam trabalhando no período.
O resultado representa crescimento de 103 mil pessoas ocupadas em comparação com 2012, primeiro ano da série histórica. No mesmo intervalo, a taxa de desocupação caiu para 8,07%, o menor índice registrado desde o início da pesquisa.
Os dados também mostram mudanças no perfil do mercado de trabalho do estado, com aumento da escolaridade e maior formalização dos trabalhadores. Entre 2012 e 2025, a participação de pessoas ocupadas com pelo menos o ensino médio completo passou de 42,7% para 66,3%.
Outro avanço ocorreu entre trabalhadores por conta própria. No período analisado, a proporção de profissionais com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) praticamente dobrou, passando de 13,8% para 25,7%.
IBGE aponta que, no período analisado, a proporção de profissionais com registro no CNPJ praticamente dobrou, passando de 13,8% para 25,7% – Foto: Reprodução
Para o Governo do Rio Grande do Norte, o desempenho está relacionado a políticas de incentivo à produção, atração de investimentos e estímulo à geração de empregos. Entre as iniciativas citadas está o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROEDI), que atualmente beneficia 381 empresas em diferentes regiões e setores.
“A economia precisa estar a serviço das pessoas. Esses números mostram que o Rio Grande do Norte está avançando na geração de oportunidades e que estamos construindo as condições para que as empresas possam investir, produzir e gerar empregos. O PROEDI faz parte dessa política, porque significa incentivo à produção, mas também compromisso com o desenvolvimento do nosso estado”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.
Governo relaciona desempenho ao incentivo à produção, atração de investimentos e estímulo à geração de empregos. PROEDI beneficia 381 empresas – Foto: Reprodução
Serviços, saúde e administração impulsionam empregos A pesquisa do IBGE aponta que o crescimento do mercado de trabalho potiguar ocorreu principalmente em áreas ligadas aos serviços, administração pública, educação e saúde.
Entre 2012 e 2025, os setores de administração pública, educação, saúde e atividades relacionadas registraram aumento de 120 mil pessoas ocupadas. Já os segmentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas acrescentaram 60 mil trabalhadores no período.
O levantamento também destaca a participação dos pequenos negócios na geração de empregos no estado. Em 2025, 54,7% das pessoas ocupadas no setor privado trabalhavam em empresas com até cinco empregados.
As empresas de grande porte, com 51 trabalhadores ou mais, concentravam 25,1% das ocupações no setor privado. Somados, os dois grupos representavam quase 80% dos empregos privados no Rio Grande do Norte.
Política industrial busca ampliar oportunidades O PROEDI é apontado pelo Governo do Estado como uma das principais ferramentas de estímulo ao desenvolvimento industrial. O programa oferece incentivos fiscais vinculados à instalação, expansão e permanência de empresas no território potiguar, com foco na atividade produtiva e na geração de empregos.
Além dos incentivos à indústria, o Estado destaca ações voltadas ao apoio aos pequenos negócios, qualificação profissional, melhoria da infraestrutura e atração de novos investimentos.
Segundo a gestão estadual, a estratégia busca ampliar a capacidade produtiva do Rio Grande do Norte e fazer com que o crescimento econômico tenha impacto direto na geração de renda e oportunidades para a população.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT), repercutiu o vídeo divulgado pelo Diário do RN na quinta-feira (24), que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal. A gravação faz referência a uma mulher identificada como “Fátima”, apontada pela investigação como Maria de Fátima Dantas dos Santos.
O vídeo foi obtido a partir de uma escuta ambiental realizada por agentes federais no escritório da DISMED Distribuidora e integra o material reunido pela Polícia Federal na investigação que apura supostas irregularidades em contratos de fornecimento de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró durante a gestão do então prefeito e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
Maria de Fátima Dantas dos Santos exerce o cargo de coordenadora de Cerimônias da Secretaria Municipal de Cultura de Mossoró.
Ao comentar a menção ao nome “Fátima” na gravação, Cadu de Lula fez referência à governadora Fátima Bezerra (PT) e afirmou que a divulgação do vídeo permite que os eleitores acompanhem os fatos investigados.
“Era a grande questão que se perguntava, né, porque ele sempre me chama de Cadu de Fátima, mas todo mundo sabe quem é Fátima Bezerra: uma mulher honesta. A dele (a Fátima dele) está se revelando agora: é suspeita de ter recebido propina, está sendo investigada, assim como ele. Cada um tem a Fátima que merece, né?”, disse Cadu de Lula.
O candidato afirmou que a divulgação das informações ajuda a ampliar o conhecimento da população sobre os envolvidos na disputa eleitoral.
“Mas é bom que os fatos estão se tornando públicos, o povo do Rio Grande do Norte, cada vez mais, tendo consciência de quem é cada candidato, de em que eles estão envolvidos. Eu tenho muito orgulho de não ter nenhum envolvimento em processos desses, dessa natureza. E é importante que esses fatos venham à tona agora, antes do processo eleitoral, para que o povo conheça cada vez mais os candidatos e saiba o que está em risco nessa eleição do dia 4 de outubro”, afirmou.
Cadu de Lula também criticou possíveis prejuízos causados por desvios de recursos públicos e afirmou que a população é a principal afetada.
“Que o eleitor faça uma reflexão do que está em jogo: a honestidade é, sim, fundamental, porque a corrupção tira recurso público que deveria ser investido em segurança, saúde, educação e o desvio desse recurso acaba prejudicando diretamente a população. O principal prejudicado em desvios de corrupção é o povo. E o recurso, ao invés de ir para a saúde, está indo para o mundo político corrupto”, concluiu o candidato.
Vídeo integra investigação da Operação Mederi O nome de “Fátima” aparece em um vídeo analisado pela Polícia Federal no qual os sócios da DISMED Distribuidora, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, conversam sobre uma suposta divisão de valores relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos ao município.
Na gravação, um dos empresários apresenta uma espécie de cálculo sobre a distribuição dos valores de uma ordem de compra de R$ 400 mil e menciona supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e à mulher identificada como “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
Allyson Bezerra silencia Enquanto o vídeo divulgado pelo Diário do RN repercutia no cenário político estadual, Allyson Bezerra optou por não se manifestar sobre o caso.
Nas redes sociais, o candidato publicou outros conteúdos ao longo do dia, mas não fez nenhuma postagem relacionada à divulgação da gravação ou às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O Diário do RN procurou a assessoria de imprensa de Allyson Bezerra, por meio do assessor Vonúvio Praxedes, e abriu espaço para que o candidato apresentasse seu posicionamento. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria não havia encaminhado resposta.
A Operação Mederi segue em andamento e apura supostas irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante a gestão de Allyson em Mossoró.
s candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL) e Robério Paulino (Psol), comentaram o vídeo que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal, divulgado pelo Diário do RN na quinta-feira (23). Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, mencionam supostos repasses destinados ao então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), durante uma conversa sobre a divisão de valores de um contrato público da saúde.
O material faz parte da investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades em contratos da saúde durante a gestão de Allyson Bezerra à frente da Prefeitura de Mossoró. O vídeo foi obtido a partir de uma escuta ambiental realizada pelos agentes federais no escritório da DISMED e integra o conjunto de provas reunidas na Operação Mederi.
Álvaro Dias: “A máscara de Allyson caiu”
“A máscara de Allyson caiu. Estamos falando de dinheiro que deveria comprar medicamentos” – Foto: Reprodução
O candidato ao Governo do RN Álvaro Dias (PL) afirmou que o vídeo divulgado pelo Diário do RN representa um momento de esclarecimento sobre as investigações envolvendo Allyson Bezerra.
“A máscara de Allyson caiu. O candidato Tik Tok que passou a campanha inteira fugindo das perguntas sobre a Operação Mederi. Agora a gente entende a razão. As gravações feitas pela Polícia Federal mostram empresários falando claramente em 15% para Allyson na divisão do dinheiro de contratos superfaturados da saúde de Mossoró. É isso que está nos autos da investigação. Estamos falando de dinheiro que deveria comprar medicamentos e cuidar da saúde do povo. A investigação aponta um esquema milionário e traz o nome de Allyson associado a esse percentual. Isso é gravíssimo. Ele deve explicações ao Rio Grande do Norte. Como um camarada desse ainda tem coragem de pedir voto para ser governador do RN? A população espera agora o levantamento do sigilo de toda essa operação. O Rio Grande do Norte merece respostas”, afirmou Álvaro Dias.
Robério Paulino: “Polícia Federal deve ter indícios muito sérios sobre essas acusações” O candidato do PSOL ao Governo do RN, professor Robério Paulino, afirmou que é necessário respeitar o princípio da presunção de inocência, mas avaliou que a permanência da investigação indica a existência de elementos analisados pela Justiça.
“Nós temos que partir do princípio da presunção da inocência, agora, se ele pediu o fechamento do processo e a Polícia Federal e a Justiça Federal não aceitaram, é porque a Justiça Federal e a Polícia Federal devem ter indícios muito sérios sobre essas acusações”, argumentou Robério Paulino.
A repercussão do vídeo da Operação Mederi segue ampliando o debate político em torno da investigação da Polícia Federal, que segue em andamento. processo.
O vídeo que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal, e que foi divulgado pelo Diário do RN na última quinta-feira (23), provocou forte repercussão nas redes sociais. Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, mencionam supostos repasses destinados ao então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), durante uma conversa sobre a divisão de valores de um contrato público da saúde.
Após a publicação da reportagem pelo Diário do RN, dezenas de internautas utilizaram as redes sociais para comentar o conteúdo do vídeo. A maior parte das manifestações demonstrou indignação diante das acusações investigadas pela Polícia Federal.
“Já disse e vou falar novamente, quem rouba dinheiro da saúde não era nem pra ser candidato”, “O menino do chapéu adora dinheiro”, “É isso que o RN quer para o Estado?”, “Agora é a PF prender o papangu e colocar ordem na casa”, “Já pode tirar o chapéu e raspar o cabelo!”, foram alguns dos comentários sobre o vídeo nas redes sociais.
A moda potiguar ganhou uma vitrine internacional durante a Semana de Moda de Milão, na Itália.
Quatro marcas do Rio Grande do Norte participam da White Milano, feira de negócios realizada durante o calendário do evento e voltada à conexão entre marcas, compradores, lojistas, distribuidores e representantes comerciais.
As marcas potiguares que participam da White Milano entre os dias 24 e 27 de setembro são: Fio a Fio, Villa Dharma, Arrocho e Maria Genuíno. Com apoio do Sebrae-RN e da Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), em parceria com a ApexBrasil, a presença no evento busca combinar geração de negócios, pesquisa de mercado e conexão com compradores internacionais. Realizada no Tortona Fashion District, a feira reúne marcas, designers e empresas de diferentes países em um ambiente voltado ao mercado profissional da moda.
Para Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial, a participação representa uma oportunidade para as empresas ampliarem seus mercados e avançarem na internacionalização dos produtos.
“É extremamente importante para que essas marcas estejam participando desse evento. A importância principal é justamente a possibilidade de ampliação de mercado e de vislumbrar a exportação dos seus produtos”, afirmou.
Segundo ela, a White Milano reúne oportunidades especialmente relacionadas aos mercados de luxo e sustentabilidade. As marcas potiguares participam de um espaço coletivo de exposição e poderão apresentar suas coleções a profissionais interessados em produtos autorais e com maior valor agregado.
A presença em Milão também é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos para preparar as empresas para novos mercados. De acordo com Verônica, o Sebrae realiza consultorias e acompanha as marcas no desenvolvimento de produtos e processos, buscando adequá-las às exigências dos mercados nacional e internacional.
“E acessar esse mercado internacional é mais uma validação de que essa estratégia de trabalhar produtos de valor agregado, produtos que tragam a identidade, a nossa cultura, a nossa manualidade nas coleções, é o que o mercado internacional deseja”, explicou.
Identidade e produção artesanal A valorização da identidade regional aparece como um dos principais elementos levados pelas marcas potiguares para Milão. Para Verônica, o público europeu demonstra interesse por produtos que tenham história, manualidade e características autorais.
“O mercado europeu está ávido para adquirir uma coleção, peças que contem história, que tenham manualidade, que tenham um produto mais autoral”, afirmou.
Entre as empresas está a Villa Dharma, marca fundada em Pium, no Rio Grande do Norte, que participa da Semana de Moda de Milão pelo segundo ano consecutivo. Nesta edição, a empresa apresentou a coleção “Patuá”, verão 2027, na terça-feira (22), durante o Brazilian Sustainable Fashion in Milan, realizado no claustro I Chiostri di San Barnaba.
A coleção utiliza técnicas e matérias-primas associadas ao Nordeste, como renda de bilro, richelieu, bordados em junco, fibra de carnaúba e tingimento natural com pau-brasil. A marca também prepara suas criações para serem apresentadas a compradores europeus.
“Estar em Milão é colocar o Rio Grande do Norte numa vitrine que o mundo inteiro observa”, afirmou Vanessa Stadtlober, fundadora e diretora criativa da Villa Dharma.
A empresa também busca abrir pontos de venda em lojas multimarcas e concept stores europeias. Segundo a marca, 98% das pessoas envolvidas na produção são mulheres, entre modelistas, costureiras, tingidoras, bordadeiras e artesãs. Ao todo, 20 famílias são diretamente impactadas pela produção.
Fio a Fio celebra 40 anos A Fio a Fio também participa da programação internacional no ano em que celebra 40 anos de atuação. Para Alexandra Serejo, supervisora de marketing da empresa, chegar a Milão representa uma oportunidade de apresentar a produção potiguar e, ao mesmo tempo, observar o que está sendo desenvolvido por marcas de diferentes partes do mundo.
“Está sendo um privilégio enorme ir para Milão participar desta feira que é referência no mundo da moda, e contamos com o Sebrae e com a ABEST para fazer esse sonho acontecer”, afirmou.
A marca levou peças de diferentes coleções, incluindo produtos feitos à mão, com o objetivo de valorizar o trabalho manual desenvolvido na região. A experiência também será utilizada como pesquisa de mercado para identificar tendências e referências que possam contribuir para os próximos lançamentos.
“Estamos levando para Milão os próximos lançamentos e alguns spoilers bem especiais do melhor verão das nossas vidas”, disse Alexandra.
Arrocho leva crochê contemporâneo A Arrocho é outra marca potiguar presente na Semana de Moda de Milão. Com origem em um trabalho artesanal e autoral desenvolvido no Rio Grande do Norte, a empresa leva ao evento peças de crochê contemporâneo e design próprio.
Para a diretora criativa da Arrocho, Gabriela Nicolau, a participação simboliza a possibilidade de mostrar internacionalmente uma produção que começou de forma artesanal e que mantém a identidade regional como parte de sua proposta.
“É perceber que um trabalho que começou pequeno, feito à mão, com muito cuidado e identidade, pode ocupar espaços importantes da moda”, afirmou.
A marca trabalha com materiais como a ráfia e técnicas artesanais, buscando aproximar o fazer manual de uma linguagem contemporânea.
“A Arrocho está levando para Milão a nossa identidade. Está levando o crochê contemporâneo, o trabalho artesanal, o design autoral e, principalmente, um produto que carrega a nossa origem”, destacou.
Para a empresa, a experiência também contribui para ampliar contatos, abrir possibilidades comerciais e dar visibilidade à produção potiguar.
“Quando uma marca daqui consegue chegar a um espaço internacional, ela mostra que existe talento, criatividade e produção de qualidade sendo desenvolvidos no nosso estado”, afirmou.
Articulação amplia oportunidades A participação das quatro marcas foi construída a partir da articulação do Sebrae com instituições nacionais ligadas ao setor. Entre elas estão a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a ApexBrasil.
Segundo Verônica, a atuação também se conecta ao programa RN Mais Exportação, parceria do Sebrae com o Governo do Estado que oferece orientação sobre aspectos como preços, logística e procedimentos necessários à exportação.
A gerente destaca ainda que a presença em Milão vai além da possibilidade de fechar negócios. As quatro marcas passaram por uma curadoria antes de chegar ao evento, o que, segundo ela, representa uma etapa importante no processo de internacionalização.
“Não é só querer estar no evento. Elas participaram de uma curadoria, então elas já foram selecionadas”, ressaltou.
Para Verônica, o resultado é fruto da atuação conjunta de diferentes instituições em torno do fortalecimento da moda potiguar. A expectativa é que a participação do estado em eventos internacionais continue crescendo e que, nos próximos anos, mais marcas possam ocupar espaços no calendário mundial da moda.
O Hospital Infantil Varela Santiago promove, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, a Cleft Week 2026, uma mobilização voltada à conscientização sobre as fissuras labiopalatais e ao fortalecimento da rede de atendimento no Rio Grande do Norte. A iniciativa é realizada pelo Centro de Reabilitação de Fissuras Labiopalatais do Rio Grande do Norte (CREFIRN), com apoio da Smile Train, e pretende ampliar o encaminhamento de novos pacientes ao serviço especializado.
Além de apresentar os resultados do trabalho desenvolvido pelo CREFIRN, a programação busca aproximar maternidades e profissionais da rede pública de saúde para que crianças nascidas com fissuras labiopalatais sejam encaminhadas precocemente ao tratamento. Segundo o Centro, o número de pacientes regulados pelo SUS atualmente está abaixo da capacidade de atendimento da unidade.
No dia 30 de setembro, o evento reunirá representantes das secretarias municipal e estadual de Saúde, pacientes e familiares para apresentação de indicadores sobre atendimentos, cirurgias e atuação da equipe multidisciplinar. Já em 1º de outubro, a programação será voltada às crianças e suas famílias, com atividades recreativas e momentos de convivência.
Diagnóstico precoce melhora resultados do tratamento A odontopediatra do CREFIRN, Vanessa Barbosa de Freitas, explica que a fissura labiopalatina é uma malformação congênita provocada pela falta de união completa de estruturas da face entre a quarta e a 12ª semana de gestação.
“A fissura labiopalatina é uma anomalia craniofacial congênita, ou seja, é uma alteração no desenvolvimento embrionário provocada pela falta de união completa de algumas estruturas faciais no período entre a 4ª e a 12ª semana de gestação”, explicou.
Segundo a especialista, alguns tipos de fissura podem ser identificados ainda durante o pré-natal, por meio da ultrassonografia morfológica. Já os casos que atingem apenas o palato costuma ser diagnosticados somente após o nascimento do bebê.
Com base em dados do Ministério da Saúde, a incidência da condição no Brasil é de um caso a cada 650 nascidos vivos. Embora não existam estatísticas públicas atualizadas para o Rio Grande do Norte, a estimativa é que o Estado registre cerca de 53 a 54 novos casos por ano, sendo aproximadamente 15 a 16 apenas em Natal.
Vanessa destaca que o impacto da fissura varia conforme sua extensão, podendo comprometer alimentação, audição, fala, desenvolvimento dentário, crescimento facial e autoestima da criança.
“Os desafios e dificuldades a ser enfrentadas estão diretamente atrelados à complexidade da fissura que o bebê possa apresentar”, explicou.
O atendimento no CREFIRN começa com uma avaliação multiprofissional, envolvendo psicóloga, fonoaudióloga, nutricionista e odontopediatra. A partir dessa primeira consulta, é definido o plano terapêutico individual.
A especialista ressalta que o tratamento não se resume à cirurgia.
“Esse tratamento não se restringe apenas à realização de uma cirurgia”, afirmou.
O acompanhamento, ainda conforme a odontopediatra, envolve assistência social, apoio psicológico, nutrição, fonoaudiologia, odontopediatria, ortodontia e cirurgia, formando uma rede integrada de cuidados para garantir o desenvolvimento da criança.
Apesar de ser referência no Estado, o CREFIRN ainda recebe menos pacientes do que poderia.
“Acreditamos que ainda deva existir desconhecimento sobre a existência e modo de funcionamento do nosso centro, por isso a importância de divulgar nosso serviço e facilitar o acesso ao agendamento da primeira consulta”, explicou Vanessa.
Ela ressalta que não há dificuldade para o encaminhamento dos pacientes.
“Não existe dificuldade. Caso qualquer profissional de saúde diagnostique um bebê fissurado, o encaminhamento pode ser realizado pelo referenciamento do SUS ou por ligação direta à central de agendamento do HIVS”, esclareceu.
Segundo a odontopediatra, famílias que recebem o diagnóstico devem procurar um centro de referência o mais cedo possível.
“Primeiramente, fiquem tranquilos, pois a fissura labiopalatina tem tratamento. Segundo passo é procurar um centro de atendimento de referência para o tratamento da fissura labiopalatina o quanto antes”, orientou.
Mobilização quer ampliar acesso ao tratamento De acordo com Vanessa, a principal mensagem da Cleft Week é conscientizar profissionais de saúde e famílias sobre a importância do encaminhamento precoce.
“A intenção é levar a mensagem de que ‘30 dias mudam 20 anos’. A importância desse encaminhamento precoce precisa chegar à população e a todos os profissionais da área de saúde”, explicou.
Ela afirma que aproximar maternidades, unidades de saúde e o CREFIRN permitirá que mais crianças iniciem rapidamente o acompanhamento especializado.
“O estreitamento dessa relação vai impactar diretamente na agilidade com que esses pacientes possam ser direcionados ao nosso centro. Assim nenhuma família ficará sem saber onde pode levar seu bebê fissurado para iniciar o tratamento”, concluiu.
A mulher citada como “Fátima” em uma conversa gravada entre sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, é apontada pela Polícia Federal como Maria de Fátima Dantas dos Santos. A informação consta em relatório da investigação da Operação Mederi, que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos da área da saúde durante a gestão do então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
Cadu de Lula para Allyson: “Quem é a ‘sua Fátima’? Responda, enfrente essa questão” O nome da “Fátima”, citado na gravação também foi mencionado pelo candidato ao Governo do RN, Cadu de Lula (PT), na última segunda-feira (21) durante o debate com os candidatos promovido pela TV Tropical.
Durante o debate, Cadu chegou a questionar Allyson sobre quem seria “Fátima”.
“Eu nunca tive a Polícia Federal na minha casa. Eu queria dar mais uma oportunidade para ele (Allyson), de explicar para o povo do Rio Grande do Norte, ele que diz que tem coragem, que diz que tem “mãos limpas”, quem é a personagem “Fátima”, citada nos áudios, e inclusive agora vídeos que estão vazando por aí, que é citada no suposto escândalo de corrupção da Operação Mederi, em Mossoró? Ele me chama de Cadu de Fátima, de Fátima Bezerra, eu não tenho problema nenhum com isso. Tem vídeos de gente dizendo, de empresários dizendo que ele é ladrão. Quem é a sua “Fátima”? Responda, enfrente essa questão”, questiona.
Durante os dois minutos concedidos para a resposta, Allyson não respondeu quem seria “Fátima”, acusou Cadu de Lula de “baixar o nível” e manteve o discurso de que tem “as mãos limpas”, embora siga como investigado na Operação Mederi.
Quem é Maria de Fátima Dantas dos Santos? Allyson não respondeu no debate quem seria ‘a Fátima’, no entanto, o documento da Polícia Federal revela que trata-se de Maria de Fátima Dantas dos Santos. O documento ao qual o Diário do RN teve acesso revela ainda divisões de lucros e mencionam que a ausência de repasses ilícitos poderia impedir a realização de um show do cantor Gustavo Lima em Mossoró. A investigação identifica Maria de Fátima Dantas dos Santos como a provável destinatária dos valores, ligando sua empresa de eventos às negociações suspeitas. O relatório ressalta que o grupo utilizava licitações públicas para camuflar o pagamento de comissões indevidas a terceiros. Por fim, as autoridades indicam a necessidade de novas diligências para confirmar a participação exata de todos os envolvidos no suposto crime.
“Há nos arquivos da escuta ambiental várias referências feitas ao nome “FÁTIMA” como sendo destinatária de valores pagos pelos sócios da DISMED a título de supostas propinas ou comissões.
Em consultas ao Portal da Prefeitura de Mossoró/RN e em fontes abertas foi possível identificar a pessoa de nome MARIA DE FÁTIMA DANTAS DOS SANTOS, CPF:904.474.684-72, titular da empresa com razão social Maria de Fatima Dantas dos Santos, CNPJ 46.927.710/0001-62, com endereço declarado à Rua Vicente Leite, 420 – Planalto Treze de Maio, em Mossoró/RN. Sua atividade principal é de Serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas, de acordo com o código CNAE N-8230-0/01. Referida empresa tem como data de abertura registrada em 27/06/2022. Consubstanciado no teor dos referidos áudios, sobretudo no exato momento em que há referência direta ao nome do cantor GUSTAVO LIMA que, segundo os interlocutores, não cantaria no evento em MOSSORÓ caso os valores acertados nas licitações da DISMED a título de comissões/propinas não fossem repassados, há indicativos aqui de que a FÁTIMA destinatária desses valores provavelmente seja a empresária MARIA DE FÁTIMA DANTAS DOS SANTOS.
Entretanto, essa confirmação demandará a realização de novas diligências para tal”, mostra o documento.
Ainda segundo o relatório da Polícia Federal, posteriormente aos fatos, Maria de Fátima Dantas dos Santos foi nomeada para um cargo comissionado na Prefeitura de Mossoró, onde atuou como Assessora de Comunicação, vinculada à Secretaria Municipal de Comunicação Social, ligada diretamente ao gabinete do prefeito.
O nome de “Fátima” aparece em um vídeo analisado pela PF, no qual os sócios da DISMED, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, conversam sobre uma suposta divisão de valores relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos ao município.
Na gravação, um dos empresários apresenta uma espécie de cálculo sobre a distribuição de valores e menciona supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e à mulher identificada como “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
Investigação da Operação Mederi O vídeo integra o conjunto de elementos reunidos pela Operação Mederi, conduzida pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de favorecimento em contratos públicos na área da saúde durante a administração municipal de Allyson Bezerra.
A operação analisa contratos firmados entre a Prefeitura de Mossoró e empresas fornecedoras de medicamentos, incluindo a DISMED Distribuidora.
O relatório da PF relaciona a identificação de “Fátima” a partir dos elementos reunidos na investigação, incluindo informações sobre pessoas que tiveram vínculo com a administração municipal.
O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 com 409.354 eleitores para os quais o voto é facultativo. É um contingente expressivo de potiguares que estão aptos a participar da escolha de presidente, governador, senadores e deputados, mas podem decidir se comparecem ou não às urnas.
O grupo reúne jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos. A regra está prevista na legislação eleitoral e foi reiterada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito deste ano. Para os eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto é obrigatório.
Os números constam da base de dados da Justiça Eleitoral, com carga realizada em 18 de julho de 2026. A tabela separa o eleitorado por idade e identifica, em cada faixa, quantos estão submetidos ao voto obrigatório e quantos integram o voto facultativo.
Entre os mais jovens, são 37.243 eleitores de 16 e 17 anos. O Estado registra 14.621 pessoas com 16 anos e outras 22.622 com 17. Todo esse contingente aparece na base eleitoral na categoria de voto facultativo.
O maior grupo está na outra ponta da pirâmide etária. O Rio Grande do Norte possui 276.102 eleitores com 70 anos ou mais. São 101.884 entre 70 e 74 anos, 79.033 entre 75 e 79 e 48.181 entre 80 e 84 anos. Há ainda 28.867 eleitores dos 85 aos 89 anos, 12.555 dos 90 aos 94 e 4.098 entre 95 e 99 anos.
O cadastro eleitoral registra ainda 1.484 potiguares com 100 anos ou mais. Todos estão classificados como eleitores de voto facultativo.
Entre 18 e 69 anos, a base registra outros 96.009 eleitores na categoria de voto facultativo. Nessa faixa etária, a legislação estabelece a obrigatoriedade para os alfabetizados e mantém o voto facultativo para as pessoas analfabetas.
A quantidade aumenta nas faixas de idade mais elevadas. Dos 45 aos 49 anos, são 11.678 facultativos; entre 50 e 54 anos, 15.469; de 55 a 59, 17.718; dos 60 aos 64, 19.163; e dos 65 aos 69 anos, outros 16.694.
Natal lidera e dez cidades concentram 41% do total A distribuição municipal mostra que uma parcela significativa desse eleitorado está concentrada nos maiores centros urbanos do Estado. As dez cidades com os maiores números absolutos somam 169.486 eleitores facultativos, aproximadamente 41,4% do contingente estadual.
Natal aparece em primeiro lugar, com 79.047. Mossoró vem em seguida, com 24.794, enquanto Parnamirim ocupa a terceira posição, com 15.030.
Na sequência estão Ceará-Mirim, com 8.708; São Gonçalo do Amarante, 8.251; Assú, 7.745; Macaíba, 7.488; Caicó, 7.378; Currais Novos, 5.587; e São José de Mipibu, com 5.458 eleitores facultativos.
A própria distribuição das faixas mais avançadas de idade ajuda a mostrar essa concentração. Entre os eleitores com 100 anos ou mais, por exemplo, Natal possui 397 e Mossoró, 158. Os dados municipais consideram todas as faixas etárias classificadas como voto facultativo e, portanto, permitem observar onde está concentrada numericamente essa parcela do eleitorado.
409 mil superam diferença registrada no segundo turno para governador em 2018 A dimensão do eleitorado facultativo ganha mais relevância quando os 409.354 eleitores são comparados com resultados de eleições anteriores no Rio Grande do Norte. O número não significa que esse grupo vote de maneira uniforme ou que todos compareçam às urnas, mas permite dimensionar o tamanho dessa parcela do cadastro eleitoral.
Um exemplo está na eleição para governador de 2018. No segundo turno, Fátima Bezerra (PT) foi eleita com 1.022.910 votos, enquanto Carlos Eduardo (PDT) obteve 753.035. A diferença entre os dois candidatos foi de 269.875 votos.
Assim, o atual contingente de eleitores facultativos é 139.479 pessoas superior à diferença de votos registrada entre os dois candidatos naquela eleição. A comparação é apenas de escala: o eleitorado facultativo de 2026 é diferente daquele de 2018, e sua participação e preferência eleitoral não podem ser antecipadas.
A relevância numérica também aparece quando se observa o primeiro turno de 2018. O TSE registrava, quando 99,85% das urnas estavam apuradas, 746.612 votos para Fátima e 525.591 para Carlos Eduardo, os dois candidatos que avançaram para a etapa seguinte.
Diferentemente do eleitorado sujeito à obrigatoriedade, porém, os facultativos fazem uma escolha anterior à própria definição do candidato: comparecer ou não à seção eleitoral. O TSE esclarece que jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e maiores de 70 anos podem votar, mas não sofrem as consequências aplicáveis ao eleitor obrigado a votar caso decidam não comparecer
No caso dos jovens, a idade considerada é a que o eleitor terá na data da votação. Para participar do primeiro turno de 2026, marcado para 4 de outubro, é necessário completar 16 anos até essa data.
Os números mostram, portanto, um contingente de mais de 409 mil pessoas cuja participação efetiva dependerá do comparecimento às urnas. Em disputas estaduais definidas por margens inferiores a esse universo, a mobilização dos diferentes segmentos do eleitorado facultativo pode ter relevância numérica, sem que seja possível atribuir previamente direção política aos votos desse grupo.
O Diário do RN teve acesso, nesta quarta-feira (23), a um vídeo que integra o material da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades em contratos da saúde durante a gestão do então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil). Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, conversam sobre a divisão de valores de um contrato público e mencionam supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e a uma mulher identificada como “Fátima”.
Ao explicar o que chama de “matemática de Mossoró”, um dos empresários utiliza como exemplo uma ordem de compra de R$ 400 mil e detalha quanto, segundo ele, seria destinado ao então prefeito e quanto ficaria com “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
As imagens são fruto de uma escuta ambiental implantada por agentes da Polícia Federal no escritório da DISMED, com o intuito de servir como prova documental para a Operação Mederi.
De acordo com o próprio relatório da Polícia Federal, os homens que aparecem no vídeo foram identificados como os sócios da DISMED Distribuidora Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.
O material da escuta ambiental na sede da Dismed foi incorporado ao conjunto de provas reunidas pela Operação Mederi, que investiga supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Mossoró na área da saúde.
A compra de um imóvel costuma representar uma das decisões financeiras mais importantes da vida. No entanto, operações recentes realizadas no Rio Grande do Norte acenderam um alerta para um tipo de fraude que tem feito vítimas: criminosos que se passam por proprietários ou representantes autorizados para negociar imóveis utilizando documentos falsificados e identidades de terceiros.
Em alguns casos, compradores chegaram a pagar sinais e assumir supostos financiamentos por imóveis que não estavam sendo vendidos pelos verdadeiros donos. Segundo a advogada especialista em Direito Imobiliário Mychelle Maciel, os golpes costumam explorar a pressa do comprador, ofertas abaixo do valor de mercado e a aparência de autenticidade da documentação apresentada.
“Esses golpes geralmente começam com anúncios falsos ou com a abordagem direta de interessados. O fraudador se apresenta como proprietário ou representante autorizado, utiliza documentos falsificados ou dados reais obtidos indevidamente e tenta acelerar a negociação. O objetivo costuma ser receber sinais, depósitos ou até o pagamento integral antes que a vítima confirme a titularidade do imóvel e os poderes de quem está conduzindo a transação”, explicou.
De acordo com a especialista, a credibilidade do golpe é construída a partir de informações verdadeiras sobre o imóvel, documentos aparentemente regulares e pressão para que a negociação seja concluída rapidamente.
“Os criminosos costumam utilizar documentos falsificados, anúncios bem elaborados, perfis aparentemente confiáveis e informações verdadeiras sobre o imóvel para dar credibilidade ao golpe. Também podem se passar por proprietários, corretores ou procuradores e conduzir a negociação de forma muito convincente”, afirmou.
Antes de assinar qualquer contrato ou realizar pagamentos, Mychelle recomenda solicitar diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis uma certidão atualizada da matrícula.
“O primeiro passo é solicitar a matrícula atualizada do imóvel e verificar, diretamente no Cartório de Registro de Imóveis competente, a sua situação atual: quem é o verdadeiro proprietário e se existem ônus ou pendências registrados. Também é altamente recomendável contratar um advogado especializado em Direito Imobiliário para realizar a due diligence (auditoria preventiva detalhada da documentação de um imóvel e do histórico de seus vendedores antes de fechar qualquer negócio.)”, explicou.
Segundo ela, a matrícula permite identificar o proprietário registrado, o histórico do imóvel e a existência de restrições, como penhoras, hipotecas, usufrutos ou alienação fiduciária.
Quando a venda é intermediada por um procurador, a advogada orienta que a autenticidade da procuração também seja confirmada junto ao cartório responsável.
“É fundamental conferir a identidade do procurador e verificar se a procuração concede poderes específicos para vender aquele imóvel. Sempre que possível, recomendo confirmar a negociação diretamente com o proprietário, por um contato obtido de forma independente”, destacou.
Outro erro recorrente é realizar pagamentos antes da conclusão das verificações documentais.
“Os principais erros são confiar apenas na aparência dos documentos e na conversa do vendedor, deixar-se levar pelo preço atrativo e pela pressão para decidir rapidamente e realizar pagamentos antes de verificar a documentação”, alertou.
A especialista ressalta que visitas ao imóvel e conversas com vizinhos podem ajudar a identificar inconsistências, mas não substituem a análise documental.
“Visitar o imóvel e conversar com vizinhos ou moradores pode ajudar a identificar quem ocupa o bem e conhecer seu histórico. São cuidados complementares importantes, mas não comprovam, por si só, quem é o proprietário ou quem está autorizado a vender”, disse.
Checklist antes da compra é fundamental Entre os principais cuidados recomendados pela especialista estão solicitar a matrícula atualizada diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis, confirmar a identidade do vendedor e, quando houver procurador, verificar a autenticidade da procuração e os poderes concedidos.
Também é importante analisar certidões fiscais e ações judiciais, conferir débitos como IPTU e condomínio, visitar o imóvel, submeter toda a documentação à análise de um advogado especializado e definir por escrito as condições de pagamento e responsabilidades das partes.
Para Mychelle Maciel, a cautela continua sendo a melhor forma de proteger um investimento que, muitas vezes, representa o patrimônio de uma vida inteira.
“A melhor forma de proteger esse sonho é não permitir que a emoção e a pressa substituam os cuidados necessários. Comprar um imóvel pode representar o investimento de uma vida, por isso é fundamental verificar a documentação, conhecer a situação do bem e dos vendedores e contar com orientação jurídica especializada antes de assumir compromissos ou realizar pagamentos.
Nenhuma oportunidade é tão boa que justifique abrir mão da segurança”, concluiu.
O Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante, registrou o maior movimento para um mês de agosto desde o início das operações, em 2014. O terminal recebeu 242,6 mil passageiros entre embarques e desembarques, crescimento de 21% em comparação com agosto de 2025.
Os dados são da Zurich Airport Brasil, administradora do terminal. O resultado também marcou o quarto mês de 2026 com crescimento acima de 20% na movimentação de passageiros.
O avanço ocorreu nos dois segmentos. O tráfego doméstico alcançou 227,9 mil passageiros, alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já o movimento internacional somou 14,6 mil passageiros, crescimento de 76%.
O gerente do Natal Airport, André Lima, destacou que o resultado representa um dos melhores desempenhos do terminal desde a inauguração.
“Tivemos nesse mês de agosto de 2026 um crescimento bastante relevante, de 21% se comparado ao mesmo período de 2025, e recorde, a maior movimentação de um mês de agosto desde a inauguração desse terminal em 2014. O destaque aqui é que o crescimento acontece tanto nos passageiros domésticos, que mostraram 18% de crescimento, quanto sobretudo no internacional, com destaque de 76% de crescimento comparados com 2025”, afirmou.
Segundo André Lima, o desempenho positivo está relacionado ao aumento da oferta de voos, à entrada de novas operações e às ações de incentivo ao setor aéreo.
“Esse crescimento é fundamentalmente a combinação de uma estratégia vencedora que passa pela modernização que ocorreu em relação à nossa legislação de subsídio incidente sobre o querosene da aviação, combinada com a promoção turística aprimorada realizada com todo o trade”, explicou.
Voos extras e novas rotas impulsionam movimento Durante julho e agosto, período de férias, as companhias aéreas ofertaram 176 voos extras para atender ao aumento da procura pelo destino potiguar.
São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Lisboa estiveram entre os principais mercados emissores de passageiros para o Aeroporto de Natal.
André Lima ressaltou que o Rio Grande do Norte mantém uma posição consolidada no turismo nacional e que a ampliação da malha aérea acompanha essa demanda.
“O Rio Grande do Norte é um destino consolidado e cada vez mais procurado”, afirmou.
Segundo o gerente, a ampliação da operação internacional também contribuiu para o crescimento. No meio do ano, o aeroporto recebeu a rota direta entre Natal e Montevidéu, operada pela GOL Linhas Aéreas, uma conexão inédita para o terminal.
“Como uma boa ilustração dessa força, nesse período de julho e agosto nós tivemos mais de 176 voos extras colocados pelas companhias aéreas para dar conta dessa demanda do nosso mercado”, disse.
Ele também destacou a expectativa para a próxima alta temporada, com novos voos internacionais e domésticos.
“Teremos também para a próxima alta estação adicionada nessa operação internacional as operações de Buenos Aires, da Latam, que se somam às operações da Gol e da JetSmart, que começou no final do ano passado conosco aqui, e teremos também incremento das operações domésticas, como, por exemplo, destinos novos de Curitiba e Goiânia, que passarão a operar com a Azul aqui em nosso terminal no final desse ano e início do ano que vem”, afirmou.
RN mantém uma posição consolidada no turismo nacional e ampliação da malha aérea acompanha demanda – Foto: Reprodução
Primeiro semestre de 2026 registrou crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado
O desempenho do Aeroporto de Natal em 2026 acompanha uma sequência de resultados positivos. No primeiro semestre, o terminal movimentou 1.387.440 passageiros, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado foi o maior registrado em um primeiro semestre desde a inauguração do aeroporto, em maio de 2014. Segundo dados da Anac, também representou a maior movimentação no período em um terminal aeroportuário do Rio Grande do Norte desde 2002.
Entre janeiro e junho, o aeroporto registrou 9.268 voos, aumento de 16%. As operações domésticas cresceram 13%, enquanto os voos internacionais tiveram alta de 66%.
Desde fevereiro de 2024, quando assumiu a administração do Aeroporto de Natal, a Zurich Airport Brasil informa ter investido cerca de R$ 59 milhões em melhorias na infraestrutura do terminal.
Entre as intervenções estão a modernização do sistema de climatização, implantação de Wi-Fi gratuito de alta velocidade, sala multissensorial, espaço pet, nova sinalização e abertura de salas VIP.
A administradora também destaca a implantação de uma usina solar com 11 mil painéis fotovoltaicos, projeto que deve tornar o aeroporto autossuficiente em energia elétrica.
O candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, avaliou que a passagem de Flávio Bolsonaro por Natal, na segunda-feira (21), fortaleceu a mobilização da campanha e pode influenciar a reta final da disputa no Estado. Segundo ele, a participação popular durante a agenda demonstrou o engajamento dos apoiadores e garantiu um reforço extra tanto para a sua candidatura quanto a do presidenciável.
“A vinda de Flávio ao Rio Grande do Norte mostrou que existe uma força nas ruas que muita gente insiste em ignorar. O que vimos em Natal foi entusiasmo, participação popular e uma militância que está cada vez mais mobilizada. Foi uma demonstração política importante nesta reta final”, afirmou Álvaro.
Na avaliação do candidato, a agenda também evidenciou uma posição política definida diante do eleitorado.
“Eu não escondo meu lado e não tenho medo de dizer em quem voto para presidente. Flávio tem o nosso apoio, e nós queremos construir uma relação forte com o Governo Federal para trazer investimentos e oportunidades para o Rio Grande do Norte. Enquanto alguns tentam enganar o povo e a um ou aos dois lados mais representativos dessa disputa nacional, por oportunismo eleitoral, nós temos posição clara diante do eleitor, que sempre prefere e merece a verdade”, disse.
Para Álvaro, a mobilização registrada durante a visita pode refletir diretamente nas urnas.
“Quem acompanhou o que aconteceu em Natal viu uma militância animada e pronta para ir às urnas. Isso fortalece Flávio e fortalece a nossa campanha. Entramos na reta final com muita disposição e alegria e com a certeza de que o povo entendeu que somos a melhor opção para tirar o RN do atraso e mudar o que está aí”, declarou.
O candidato também agradeceu aos apoiadores que participaram do ato político.
“Agradeço a todos que vestiram o verde e amarelo e foram às ruas no maior evento político que o Rio Grande Norte já viveu”, afirmou.
Ao projetar os últimos dias antes da eleição, Álvaro sinalizou que pretende intensificar a campanha.
“Agora é campanha na rua até o último minuto”, concluiu.
A agenda de Flávio Bolsonaro em Natal reuniu lideranças do PL e aliados políticos em uma motocarreata que saiu do Centro de Convenções e seguiu até a Praça Cívica, onde ocorreu um comício.
Além de Álvaro Dias, participaram da programação o candidato a vice-governador Babá Pereira, o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim, o candidato ao Senado Coronel Hélio, o senador Rogério Marinho, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, além de candidatos a deputado federal e estadual.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro defendeu uma parceria política com a chapa do PL no Rio Grande do Norte.
“Eu vou precisar de um governador e um vice-governador que façam parceria junto comigo”, afirmou o presidenciável.
“A gente está andando aqui para pedir voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson.” A declaração é do prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, realizada no último domingo (20), durante uma reunião com moradores da comunidade rural Puxa-Boi, na Zona Rural do município. A passagem pela comunidade buscava apoio para a campanha do candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União) e para a candidata a deputada estadual Cinthia de Allyson. Na ocasião, o atual gestor ouviu reivindicações da população sobre abastecimento de água e atendimento em saúde.
Um vídeo obtido pelo Diário do RN, mostra o pedido explicito de voto do atual prefeito: “A gente está andando aqui para pedir voto para o nosso governador. Pedindo voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson. A gente precisa reunir o máximo possível (de votos) para apoiar o candidato, para que a gente consiga pedir e cobrar”, afirmou.
A reunião ocorreu por volta das 16h30, na residência de uma moradora da comunidade identificada como Gideilda. Nas imagens, Marcos Medeiros aparece usando camisa azul royal, boné na mesma cor, bottons e adesivos da campanha de Allyson Bezerra. Integrantes da equipe também utilizavam material de campanha dos candidatos.
O pedido de votos aconteceu após o atual prefeito de Mossoró ouvir a pauta de reivindicações dos moradores relacionadas à ampliação da rede de abastecimento de água e ao acesso aos serviços de saúde.
Durante a conversa, moradores relataram dificuldades para acessar atendimento médico, já que a comunidade não possui Unidade Básica de Saúde (UBS). Como alternativa, o prefeito sugeriu concentrar os atendimentos em um único dia da semana, com transporte disponibilizado pela Prefeitura.
“Quando a pessoa for, ela vai dizer, olha, tem tantas pessoas lá no Boa Fé. (…) O carro vai pegar as pessoas, vai lá. É consulta médica, consulta com o dentista, com o enfermeiro. A gente leva o pessoal lá, faz todo mundo fazer a consulta e depois retorna para o pessoal. A gente já fez isso em Passagem de Pedra, já está resolvendo, a gente vai fazer também no Olga Benário. Porque tem uma UBS próxima, a gente vai ‘botar um carro’; é consulta médica, com o dentista, é enfermagem.
Todo mundo faz a consulta e depois retorna. A gente entende que é melhor do que uma vez por semana uma equipe vir e atender numa casa improvisada. Ah, tem dez pessoas, o carro faz duas viagens”, disse Marcos Medeiros.
A proposta, no entanto, gerou questionamentos entre os próprios moradores.
Gideilda, dona da residência onde aconteceu o encontro, demonstrou preocupação com a limitação do atendimento a apenas um dia da semana.
“Eu sei que o que você está dizendo é bom. Mas a gente também tem que ver isso aí. Eu não entendo nada da saúde não. Tem que entender que o pessoal não só adoece na segunda-feira não.
Porque às vezes adoece na terça, na quarta-feira… Tem que esperar para segunda-feira. Qual é o melhor?”, questionou.
Fonte relata que pedido de votos foi associado às reivindicações
Registros da atividade de campanha estão nas redes sociais do prefeito – Foto: Reprodução
Uma pessoa da comunidade, que participou da reunião e gravou o vídeo, ouvida com exclusividade pelo Diário do RN, sob condição de preservar sua identidade, afirmou que a principal reivindicação da comunidade era relacionada à água e que o prefeito vinculou a solução dos problemas ao apoio eleitoral.
“A população estava reivindicando a água. Estava reivindicando o problema da UBS, que não tem.
E eles prometeram que iam resolver. E ele pediu voto também para Allyson e pra Cinthia”, relatou a fonte.
Questionada sobre a reação dos moradores com relação ao pedido de voto, a fonte afirmou que parte da comunidade demonstrou disposição para apoiar os candidatos.
“Eu vi o pessoal dizendo que iam ajudar. Era a oportunidade que eles tinham”, afirmou.
A mesma fonte informou que a reunião contou com a presença do prefeito, da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, além de outros integrantes da equipe da Prefeitura.
Segundo o relato, o grupo já percorria outras comunidades rurais antes de chegar a Puxa-Boi.
Nas redes sociais de Marcos Medeiros, foram publicados registros das visitas realizadas à Zona Rural naquele fim de semana, incluindo imagens da passagem pela comunidade Puxa-Boi, ilustrando claramente que a pauta nas comunidades rurais não seguiu teor administrativo, mas a busca por apoios, por votos para o ex-prefeito e ex-primeira-dama. As publicações também mostram imóveis adesivados com material da campanha de Allyson Bezerra e Cinthia de Allyson.
A situação financeira e orçamentária do Rio Grande do Norte virou um dos principais temas da campanha para o Governo do Estado. Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) apresentam diagnósticos e propostas diferentes para as contas públicas, mas os três colocam a questão fiscal entre os pontos centrais da disputa eleitoral. Nos números das próprias campanhas, um dado chama atenção: todos registram, neste momento, despesas contratadas superiores às receitas já recebidas.
Levantamento feito pelo Diário do RN a partir dos dados disponibilizados no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que as três campanhas acumulam R$ 15,316 milhões em despesas, diante de R$ 10,903 milhões em receitas. A diferença é de R$ 4,414 milhões.
O retrato é parcial e não significa, isoladamente, que as campanhas estejam endividadas ou em situação irregular. A prestação de contas eleitoral é atualizada durante a campanha, e despesas contratadas podem ser registradas antes do ingresso ou da contabilização de todos os recursos destinados ao pagamento. Ainda assim, o contraste chama atenção justamente porque o equilíbrio das contas públicas ocupa espaço relevante no debate entre os candidatos.
Allyson tem diferença de R$ 2 milhões A maior diferença nominal entre receitas e despesas está na campanha de Allyson. O candidato declarou R$ 4.653.588,20 em receitas, enquanto as despesas registradas alcançam R$ 6.673.076,87. A distância entre os dois valores é de R$ 2.019.488,67.
Quase todos os recursos recebidos por Allyson têm origem partidária. A Direção Nacional do União Brasil aparece com R$ 4.055.595, equivalentes a 87,15% das receitas, enquanto a direção estadual transferiu outros R$ 549.993,20.
Do lado das despesas, os maiores contratos são de R$ 1,5 milhão com uma empresa de criatividade e produções, R$ 1 milhão com outra produtora e R$ 600 mil com marketing e propaganda. Há ainda R$ 489 mil em comunicação visual e serviços gráficos.
A questão fiscal também aparece no discurso eleitoral de Allyson. O candidato tem criticado dívidas e obrigações financeiras do Estado e defendido uma reorganização das contas estaduais.
Cadu tem diferença de R$ 1,64 milhão Cadu apresenta a segunda maior diferença proporcional entre o que entrou e as despesas registradas. A campanha petista recebeu R$ 1.230.673,75, mas já contabiliza R$ 2.873.328,27 em despesas. A diferença chega a R$ 1.642.654,52.
A Direção Nacional do PT responde por R$ 711.552,25, ou 57,82% das receitas. O PSB Nacional aparece com outros R$ 210 mil. A prestação também registra R$ 150 mil de outra fonte e R$ 50.263 provenientes de financiamento coletivo.
Nas despesas, os maiores valores são R$ 500 mil com produção audiovisual, R$ 300 mil com serviços advocatícios, R$ 250 mil com mídia e R$ 217 mil com estruturas, serviços e locações.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu apresenta uma abordagem diferente dos adversários sobre as contas do Estado. Em sua campanha, defende medidas para ampliar a capacidade de investimento e já propôs limitar o crescimento da despesa com pessoal a 80% da evolução da Receita Corrente Líquida.
Álvaro registra diferença de R$ 751 mil Álvaro é quem apresenta a menor distância entre receitas e despesas entre os três. A candidatura recebeu R$ 5.018.460 e registra R$ 5.770.039,87 em despesas contratadas. A diferença é de R$ 751.579,87.
A origem dos recursos é ainda mais concentrada no partido. Dos R$ 5,018 milhões recebidos, R$ 5 milhões vieram da Direção Nacional do PL, o equivalente a 99,63% da arrecadação informada ao TSE.
A maior despesa é de R$ 1,8 milhão com comunicação e marketing político. Outros R$ 1 milhão estão destinados a uma produtora e R$ 500 mil a serviços advocatícios.
O debate sobre equilíbrio fiscal também faz parte da trajetória recente de Álvaro. Relatórios técnicos relativos às contas de sua passagem pela Prefeitura do Natal apontaram, em diferentes exercícios, déficits orçamentários entre as inconsistências analisadas pelo TCE-RN.
Retrato ainda é parcial O paralelo entre o discurso sobre as contas públicas e as finanças eleitorais tem limites. Uma campanha não funciona sob as mesmas regras de um orçamento estadual, e a diferença entre despesas contratadas e receitas recebidas durante o período eleitoral não equivale automaticamente a déficit orçamentário ou financeiro de um ente público.
O que os dados do TSE permitem mostrar é um retrato objetivo deste momento da campanha.
Mais de mil pessoas aguardam por um transplante no Rio Grande do Norte, enquanto a taxa de doação de órgãos permanece estável nos últimos três anos. Os dados da Central de Transplantes revelam a importância da conscientização durante a campanha Setembro Verde, que busca ampliar o número de doadores e reduzir o tempo de espera de pacientes que dependem do procedimento para continuar vivendo.
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Rogéria Medeiros, o Estado realiza atualmente transplantes de córnea, medula óssea, rim e coração. Já os pacientes que necessitam de transplantes de fígado, pâncreas ou procedimentos combinados são encaminhados para outros estados. Atualmente, a fila de espera reúne 612 pessoas que aguardam transplante de córnea, 372 de rim e 33 de medula óssea. No caso do transplante de coração, conforme as informações da Central de Transplantes, não há pacientes aguardando pelo procedimento no momento.
Rogéria explica que o número de doações tem permanecido praticamente estável.
“O Estado mantém a mesma taxa de doação praticamente estável nos últimos três anos. Em 2026, até 31 de agosto, nós realizamos um transplante de coração, 100 transplantes de medula óssea, 138 transplantes de córnea e 46 transplantes renais. Aqui no nosso estado, cada doador pode doar até seis órgãos”, explicou.
Ela acrescenta que alguns procedimentos ainda não são realizados no Rio Grande do Norte.
“Os pacientes que precisam de transplante hepático, transplante duplo de rins e pâncreas, transplante duplo de fígado e rins e transplante de pâncreas são encaminhados para outros estados”, esclareceu.
Embora muitas pessoas manifestem o desejo de ser doadoras, a decisão final depende da autorização dos familiares.
“Quem autoriza a doação são os familiares de primeiro grau, após a constatação do óbito do familiar”, explicou Rogéria.
Segundo a coordenadora, é comum que familiares apresentem dúvidas no momento da entrevista para autorização da doação.
“Sempre tem, sim, muitas dúvidas da família em relação à doação de órgãos, mas cada família tem sua particularidade e suas dúvidas são tiradas no momento da entrevista”, afirmou.
Transporte rápido amplia chances de sucesso Depois que a doação é autorizada, o tempo passa a ser um fator decisivo. No Rio Grande do Norte, o Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) atua no transporte de órgãos e, em alguns casos, de pacientes, garantindo rapidez para que o transplante ocorra dentro do tempo adequado.
A atuação do grupamento ocorre por meio de um termo de cooperação com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-RN). A Central de Transplantes aciona diretamente o Coordenador de Operações Aéreas, responsável por organizar a missão.
O CIOPAER dispõe atualmente de dois helicópteros, Potiguar 01 e Potiguar 02. Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizadas 24 missões de transporte de órgãos, todas concluídas com sucesso.
Quando o transplante será realizado em outro estado, o transporte aéreo leva o órgão até o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando as chances de preservação do material para o procedimento.
Para o piloto Eduardo Costa, participar dessas missões vai além da atividade operacional. “Para mim, o transporte aéreo de órgão é um voo pela própria vida e a missão mais nobre que um piloto pode realizar, pois cada minuto pode representar uma nova chance para alguém. Exige muita coordenação e absoluto comprometimento de cada envolvido. E, acima de tudo, é sentir que somos instrumentos de bondade no transporte de esperança para uma família”, disse.
Setembro Verde acende alerta de conscientização A campanha Setembro Verde busca ampliar o diálogo sobre a importância da doação de órgãos e incentivar que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de ser doadoras. Como a autorização depende da família, informar essa decisão ainda em vida é considerado um dos principais passos para aumentar o número de transplantes e oferecer uma nova oportunidade a quem aguarda na fila de espera.
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), serviu como tentativa de dar novo fôlego à campanha de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado. Em uma reta final marcada pela dificuldade do ex-prefeito de Natal em ampliar seu desempenho nas pesquisas, o presidenciável reuniu o palanque do partido, pediu votos para Álvaro e reforçou também as candidaturas de Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos) ao Senado.
Durante a mobilização em Natal, Flávio chamou Álvaro de “meu governador” e buscou associar sua candidatura presidencial à chapa potiguar. “Álvaro Dias, governador!”, afirmou, antes de se dirigir diretamente ao candidato: “Fale, meu governador”.
O reforço ocorre em um momento importante para Álvaro. Depois de aparecer com 25,37% das intenções de voto na pesquisa DataVero/Diário do RN divulgada em 14 de agosto e oscilar para 25,85% no levantamento seguinte, o candidato recuou para 23,11% na rodada mais recente, divulgada em setembro. Com o resultado, passou a ocupar a terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil), que lidera com 35,18%, e Cadu de Lula (PT), que aparece em segundo, com 28,28%.
A presença de Flávio, portanto, colocou o candidato do PL no centro de uma grande mobilização justamente quando sua campanha busca ganhar tração na reta final. O presidenciável desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e participou de compromissos ao lado de Álvaro. A programação incluiu motocarreata, com saída do Centro de Convenções, e ato político na Praça Cívica.
Além de Álvaro, participaram da agenda o senador Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, Coronel Hélio, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), além de candidatos, prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas.
Flávio reforça chapa ao Senado No discurso, Flávio também fez um pedido direto de votos para os candidatos ao Senado que integram o palanque de Álvaro. Ao citar Coronel Hélio e Styvenson Valentim, destacou a importância de eleger aliados para o Congresso.
“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, afirmou.
Flávio relacionou a eleição dos senadores à possibilidade de avançar propostas no Congresso e citou, entre suas prioridades, mudanças na legislação penal, endurecimento de penas, redução de impostos e destinação de recursos para saúde e educação.
A referência a Styvenson ocorreu apesar de o senador não ter participado da agenda da tarde, quando Flávio discursou e pediu votos para os dois candidatos ao Senado. Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro ao lado de Coronel Hélio, Styvenson se juntou ao palanque somente à noite, durante o comício realizado na Praça Cívica.
Flávio também buscou animar a militância e tratou a reta final como momento de intensificar a campanha. “Se estiver cansado, se estiver triste, lembra que o presidente Bolsonaro está lá”, declarou, em referência ao pai, Jair Bolsonaro, que está preso desde agosto de 2025.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou que o adversário Allyson Bezerra (União Brasil) “pode ser preso nos próximos seis meses”. A declaração foi dada durante o debate promovido pela TV Tropical, na noite desta segunda-feira (21), quando o petista voltou a explorar as investigações da Polícia Federal que envolvem o ex-prefeito de Mossoró. O debate reuniu ainda Robério Paulino (PSOL); Álvaro Dias (PL) não compareceu.
Cadu levantou o assunto durante uma discussão sobre segurança pública. Ao responder ao adversário, levou o embate para as investigações e questionou o eleitor sobre a possibilidade de escolher um candidato que, segundo ele, pode enfrentar consequências com o avanço das apurações.
“O que a gente tem que discutir aqui, estamos na reta final, é se você vai sair de casa, o senhor, a senhora, para votar num candidato que pode ser preso nos próximos seis meses”, disparou.
Na sequência, relacionou a afirmação à continuidade das apurações da Polícia Federal. “A investigação da Polícia Federal teve seu prazo renovado. Se não tivesse nada, ela teria sido arquivada. Pelo contrário, ela foi renovada, porque tem muita coisa para investigar”, declarou.
O petista usou a prorrogação do inquérito para reforçar o ataque ao adversário e sustentar que o caso ainda pode ter novos desdobramentos. Em agosto, a investigação foi prorrogada por mais 90 dias, após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que manteve a Operação Mederi sob sua competência e preservou provas questionadas pela defesa da Dismed. A medida permite novas diligências, mas não antecipa eventual conclusão sobre responsabilidade criminal dos citados.
Cadu também levou para o debate os valores relacionados aos contratos sob investigação. “Temos Allyson, investigado em mais de R$ 400 milhões em supostos desvios, na gestão dele em Mossoró”, afirmou. O próprio petista classificou os desvios como “supostos”; o montante citado está relacionado aos contratos colocados sob suspeita nas apurações e não significa que R$ 400 milhões tenham sido comprovadamente desviados.
O tom subiu ainda mais quando Cadu passou a relacionar ações que pretende adotar para reforçar a segurança do estado. “É dessa forma que se combate a criminalidade, e não desviando recursos públicos da saúde, de medicamentos, para colocar o dinheiro ninguém sabe aonde, mas a Polícia Federal vai descobrir”, atacou.
Na mesma resposta, insistiu que o caso permanece aberto e que as apurações ainda podem produzir novos fatos. “Essa operação continua, ele continua sendo investigado, tem muita prova no processo, os vídeos estão saindo por aí, vocês estão vendo”, declarou.
Em outro momento do debate, Cadu voltou a mirar diretamente o adversário e resumiu o ataque em uma frase: “A tua casa vai cair. A Polícia Federal tá te investigando”, disse. A declaração reforçou o tom adotado pelo petista no confronto, no qual as investigações envolvendo a gestão de Mossoró estiveram entre os principais pontos utilizados contra Allyson.
Operação Mederi Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvios relacionados à compra de medicamentos por municípios do Rio Grande do Norte. Allyson foi alvo de busca e apreensão e está entre os investigados. Informações dos autos apontam que a PF apura suspeitas de pagamento de propina envolvendo contratos da Dismed Distribuidora de Medicamentos.
O caso também chegou à esfera eleitoral. Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada ao TRE-RN busca apurar se recursos supostamente desviados de contratos da saúde de Mossoró tiveram destinação eleitoral, inclusive para a campanha de Allyson. A eventual ligação entre esses recursos e a campanha ainda precisa ser comprovada durante a instrução.
Allyson nega irregularidades. Quando a operação foi deflagrada, sua defesa afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas de fraude e recebimento de propina. Até o momento, a investigação não resultou em condenação do candidato.
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), reuniu os principais nomes de seu palanque no Estado, mas expôs um distanciamento do senador Styvenson Valentim (Podemos). Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro Dias (PL), Styvenson não acompanhou os compromissos realizados durante o dia e só apareceu no fim da programação, durante o comício na Praça Cívica, em Natal.
A chegada apenas no último ato chamou atenção porque Styvenson integra formalmente o mesmo projeto eleitoral. Apoia Flávio para presidente, disputa uma das vagas ao Senado na coligação de Álvaro e tem Coronel Hélio (PL) como companheiro de chapa. Mesmo assim, enquanto os demais nomes do grupo acompanharam o presidenciável desde os primeiros compromissos, Styvenson permaneceu longe do palanque durante boa parte do dia.
Flávio desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e depois participou de almoço com aliados em Natal. Álvaro Dias, Coronel Hélio e Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, estavam entre os presentes. A programação seguiu com mobilização pelas ruas da capital até o comício na Praça Cívica.
Styvenson não constava entre os principais nomes anunciados para acompanhar os compromissos anteriores ao comício.
O contraste aumentou porque foi justamente durante a ausência do senador que Flávio fez uma defesa pública de sua reeleição. No encontro com aliados, o presidenciável pediu votos para Coronel Hélio e Styvenson e apresentou os dois como os nomes que deseja ter no Senado pelo Rio Grande do Norte.
“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, declarou Flávio.
Styvenson só apareceu mais tarde, no comício que encerrou a programação. A chegada no último compromisso amenizou a ausência durante o restante do dia, mas não passou despercebida diante da movimentação dos demais integrantes do grupo. Em plena reta final, quando as campanhas procuram demonstrar unidade e colocar seus principais candidatos lado a lado, o senador ficou distante justamente durante parte da visita do presidenciável que apoia.
A postura também se refletiu nas redes sociais. Até o fechamento desta edição, Styvenson não havia publicado conteúdo destacando a passagem de Flávio pelo Rio Grande do Norte, o apoio recebido do candidato à Presidência ou sua própria participação no comício.
Apesar dos rumores nos bastidores, a presença de Styvenson à noite confirmou que o senador continua integrado ao palanque. O comportamento ao longo do dia, entretanto, alimentou nos bastidores especulações sobre o grau de envolvimento do candidato com a campanha de Flávio e com a própria exposição do bolsonarismo no Estado.
Bolsonarismo foi rejeitado dias antes O distanciamento durante boa parte da agenda ocorreu poucos dias depois de Styvenson minimizar a identificação de Coronel Hélio com o bolsonarismo. Durante sabatina da Inter TV Cabugi, na semana passada, o senador elogiou o companheiro de chapa, mas pediu que sua vinculação política fosse colocada de lado.
“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Ao mencionar diretamente a posição ideológica do aliado, acrescentou: “Ah, mas ele é bolsonarista. Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.
Coronel Hélio assumiu posição diferente ao falar sobre o assunto em entrevista ao Diário do RN.
“De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, declarou.
“É maravilhoso você abrir os olhos e enxergar. É quando você descobre que realmente tudo que você viu até então não era nada.” A frase de Rosilene Moreira Bezerra Fernandes, de 43 anos, resume a transformação vivida após um transplante de córnea. Durante 23 anos, ela acreditou que enxergar o mundo de forma turva era simplesmente a sua realidade. Só depois da cirurgia descobriu que existia outra forma de ver a vida.
A história ganha ainda mais significado durante o Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Celebrado em torno do Dia Nacional da Doação de Órgãos, em 27 de setembro, o movimento busca incentivar as pessoas a manifestarem, ainda em vida, o desejo de serem doadoras às suas famílias. Atualmente, mais de 49,5 mil brasileiros aguardam por um transplante, segundo o Ministério da Saúde.
No Rio Grande do Norte, a maior fila é justamente para transplante de córnea. Dados da Central de Transplantes apontam que 612 pessoas aguardam por uma córnea compatível. Outras 372 esperam por um rim e 33 por medula óssea.
Rosilene conta que os problemas com a visão começaram ainda na infância.
“Aos seis anos de idade, quando eu fazia a alfabetização, as crianças nessa fase escrevem do quadro para o caderno e a minha professora e a minha mãe notaram que faltavam letras no que eu estava escrevendo. Então, procurando o oftalmologista, ele disse que eu precisava usar óculos e que eu não podia tirar em nenhum momento, só para tomar banho e para dormir, e que ficasse acompanhando. Então, ao longo dos anos, eu fui sempre no oftalmologista, renovando, e sempre a lente, o grau ficava mais alto, sempre mais alto, e mesmo assim eu continuava cada vez mais enxergando mais embaçado”, recordou.
A mãe dela, Elionilce Moreira Bezerra, lembra que os primeiros indícios surgiram antes mesmo da escola.
“Ela assistia televisão de muito perto e eu sempre disciplinava, dizendo que não era para assistir perto, que estragava a vista e ela dizia que não conseguia ver as pessoas direito. Mas quando ela começou a estudar, começou a fazer alfabetização, fui procurada pela professora, dizendo que ela dizia que não enxergava certas letras no quadro, e eu fui observar nos cadernos dela, e na verdade faltava sempre algumas letras. Então fui orientada pela professora para que eu procurasse um oftalmologista, e procuramos”, lembrou.
As consultas passaram a fazer parte da rotina da família. Apesar do acompanhamento constante, o diagnóstico definitivo só veio aos 18 anos.
“Fiz vários exames e bateu o diagnóstico que era ceratocone, e que de 10 anos a 15 anos para frente, eu precisaria fazer o transplante”, contou Rosilene.
Durante a alfabetização, professora percebeu dificuldade e oftalmologista recomendou o uso de óculos: “eu não podia tirar em nenhum momento” – Foto: Reprodução
O que é o ceratocone? O médico oftalmologista e responsável técnico pelo Banco de Olhos do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), Uchoandro Bezerra Costa Uchôa, explica que a doença provoca uma deformação progressiva da córnea.
“Quanto mais avançada for a doença, mais ela atrapalha a visão, dificultando ao paciente enxergar os objetos mesmo com o uso de óculos”, esclareceu.
Com a progressão do ceratocone, Rosilene passou a enfrentar dificuldades que interferiam diretamente em sua rotina.
“No trabalho, as fontes do computador sempre precisavam estar em negrito e em tamanho muito grande para que eu pudesse enxergar, mesmo assim era uma dificuldade, ainda estava muito embaçado. Eu também tinha dificuldade para enxergar o destino do ônibus. Então passava ônibus e eu não via, então eu chegava atrasada no trabalho. Já cheguei a correr risco de atropelamento várias vezes, buzinada de carro, porque eu não enxergava”, contou.
Em uma consulta de rotina, o oftalmologista que acompanhava Rosilene a encaminhou ao Banco de Olhos.
“Ele viu que um olho estava pior do que o outro, então eu precisava com urgência do primeiro transplante. E para isso, ele me inscreveu em duas filas de transplante, tanto no Rio Grande do Norte quanto em João Pessoa, na Paraíba, para ver qual dos dois chamaria primeiro. E quando foi em 2006, eu fui chamada pela primeira vez para realizar o transplante em João Pessoa”, comentou.
A cirurgia foi realizada com sucesso. Vinte e quatro horas depois, veio um dos momentos mais marcantes da sua vida.
“Com 24 horas após o transplante, quando tira o curativo, a sensação, quando você abre o olho e vê as cores muito nítidas, o rosto das pessoas com perfeição é, inclusive, uma confusão mental, porque é muita informação, dá uma dor de cabeça, mas é maravilhoso você abrir os olhos e enxergar, e ver o quanto você está enxergando, é quando você descobre que realmente tudo que você viu não era nada, porque você passa a enxergar com muita clareza”, recordou emocionada.
Para a mãe, aquele momento permanece inesquecível.
“Ela foi transplantada, e a minha felicidade foi enorme. Quando ela ainda com tampão, ela passou o dedo no curativo e disse: ‘mãe, eu estou vendo uma sombra, eu creio que eu vou ver bastante quando eu tirar o tampão’. E no outro dia, quando tiramos, ela esboçou um sorriso de felicidade, dizendo que estava vendo tudo. Isso para mim foi de uma alegria imensa, eu não sei nem transmitir como foi a minha felicidade, minha e do pai”, disse Elionilce.
Seis anos depois, Rosilene recebeu uma nova córnea para o outro olho. A segunda cirurgia foi realizada em Natal.
“Foi melhor ainda, porque aí agora eu já enxergava com clareza com os dois olhos”, disse.
Quando o transplante é necessário? Apesar de ser uma das principais causas de transplante de córnea, o ceratocone nem sempre evolui para cirurgia.
“Ceratocone é uma doença que tem uma relação muito estreita com o esfregar dos olhos. Quanto mais cedo na vida o ceratocone aparece e quanto mais o paciente esfrega os olhos, mais o ceratocone pode evoluir e o paciente tem mais chance de necessitar de um transplante de córnea.
Importante salientar que a maior parte dos pacientes portadores de ceratocone não vai precisar de um transplante de córnea. Esse tipo de cirurgia só é indicada para os casos muito avançados, onde não existe outra opção terapêutica”, explicou o médico.
Segundo o especialista, o sucesso do procedimento depende de uma série de etapas.
“Eu considero não somente a cirurgia complexa, mas também todo o processo pré-operatório, desde a doação da córnea, a sua avaliação e também o acompanhamento pós-operatório. Todas as etapas do processo de doação/transplante são importantes para o sucesso cirúrgico”, esclareceu.
Para quem aguarda na fila, a ligação informando que existe um doador compatível representa muito mais do que uma oportunidade de cirurgia.
“Receber a ligação é como se você sentisse a esperança vindo. É uma mistura de sentimento, mas a felicidade de saber que existe uma luz no fim do túnel é muito grande. Então na hora a surpresa é muito grande, o choque é grande, você fica com medo, fica com receio, porque é uma coisa muito nova para você, mas a felicidade é muito grande e a gratidão também, pelas famílias que se sensibilizam. E em um momento de dor, ainda pensa, ainda tem empatia pelo próximo e doa os órgãos daquele seu ente tão querido para outra pessoa. Então eu só tenho a agradecer a quem fez isso por mim e, no que eu puder, quando for a minha vez, eu também quero ser doadora, porque é muito gratificante você saber que uma pessoa está enxergando melhor, o coração está batendo melhor, enfim, você pode trazer a vida de volta de uma forma saudável para a pessoa”, conclui Rosilene.
O candidato Allyson Bezerra divulgou uma pesquisa em sua rede social com números diferentes do oficial e o caso foi parar na Justiça Eleitoral.
A divulgação resultou na condenação de Allyson ao pagamento de multa de R$ 53.205. A decisão é do desembargador eleitoral João Afonso Morais Pordeus, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) no processo apresentado pela coligação Endireita RN.
A possibilidade de fraude, dolo ou má-fé na divulgação de uma pesquisa eleitoral com percentual incorreto pelo candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União Brasil) permanece sob análise da Justiça Eleitoral. Em decisão no processo nº 0600928-27.2026.6.20.0000, o desembargador eleitoral Fábio Luiz de Oliveira Bezerra ressaltou que a retirada da postagem pelo próprio candidato não encerra a representação nem impede a análise das possíveis sanções.
O episódio coloca o candidato no centro de uma discussão sobre a fidelidade na divulgação de pesquisas em uma campanha na qual Allyson e seu grupo político têm recorrido a questionamentos sobre levantamentos eleitorais e informações divulgadas sobre a disputa.
No caso que resultou na multa, porém, não havia questionamento sobre a regularidade da pesquisa. A própria decisão ressalta que o levantamento Exatus RN-07539/2026 estava regularmente registrado na Justiça Eleitoral. O cenário estimulado apresentava Allyson com 41,90%, Álvaro com 22,20% e Cadu com 17,59%.
A publicação foi feita no Instagram oficial de Allyson no dia 11 de setembro. Ao reproduzir os resultados, manteve os 41,90% do próprio candidato e os 17,59% de Cadu, mas reduziu Álvaro de 22,20% para 20,5%, diferença de 1,70 ponto percentual. A arte ainda fazia referência expressa ao número oficial de registro da pesquisa.
Na defesa, os advogados de Allyson reconheceram a divergência, mas sustentaram que houve “mero erro material”, sem dolo, fraude ou intenção de manipular o resultado. Alegaram ainda que a diferença de 1,70 ponto estava dentro da margem de erro do levantamento, de 2,53 pontos percentuais, e que a mudança não alterava a ordem dos candidatos.
Os argumentos não afastaram a responsabilização. Para Pordeus, margem de erro é um elemento estatístico da pesquisa e não uma autorização para que o divulgador substitua o percentual efetivamente apurado por outro número situado dentro daquele intervalo.
O magistrado acrescenta que 20,5% não corresponde aos 22,20% efetivamente apurados pela Exatus.
O relator também rejeitou o argumento de que a irregularidade poderia ser relativizada porque não houve mudança na colocação dos candidatos. Segundo a decisão, a legislação eleitoral protege “a fidelidade das informações apresentadas ao eleitorado”, e não somente a posição ocupada pelas candidaturas.
A Procuradoria Regional Eleitoral também se manifestou pela condenação e chamou atenção para o fato de a divergência atingir um concorrente. Segundo o parecer registrado na decisão, “a redução do percentual atribuído ao candidato adversário”, em desacordo com o levantamento oficial, caracteriza alteração “apta a induzir o eleitorado a erro”.